Quarta-feira, de de fenaj,, às identidade,::
      ::: A identidade profissional dos jornalistas - custa 300 reais, e nem o site da Fenaj deixa claro quais as vantagens
      Está lá, para quem quiser ver, no site da Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas): “Jornalista tem que ter identidade”, é a frase chamariz. A gente clica num link, e cai em outra página, na qual estão as instruções sobre o procedimento de obtenção da tal carteira de jornalista, uma espécie de identidade profissional, semelhante às emitidas para médicos, enfermeiros, servidores públicos e outros grupos mais, que não lembro agora.

      De início, parece uma baita idéia: obter uma identidade profissional da categoria! Que legal! Imagine o charme, de chegar numa repartição pública.
      - Documento, por favor!
      - Serve esse aqui?
      - Oh, que legal, tu és jornalista, que barato!

      Só que, logo abaixo, o texto explicativo joga um balde de água fria no ânimo do bonito. Para jornalistas em dia com seu sindicato, a brincadeira sai por 80 reais. Para quem está com o carnê sindical atrasado, são 150. Para quem não é sindicalizado, o mimo não custa menos de 300.

      O que? Trezentos barões por uma identidade? E que não vai trazer NENHUM benefício real, prático, a não ser nas LIMITADÍSSIMAS vezes em que poderá ser usada em algum evento ligado à Fenaj? Largar seis notinhas da onça em cima da mesa, só por um pedaço de plástico que serve para tentar fazer grau diante do caixa do supermercado? Aliás, nem tanto grau assim, porque hoje em dia todo mundo sabe que jornalista formado é grande candidato a garçom ou oficial de justiça. Sendo que os jornalistas formados que optam por essas outras carreiras são os considerados “bem sucedidos”, porque ganham mais do que os que são realmente jornalistas.

      Ainda mais, quando no país inteiro temos jornais sendo feitos por médicos, administradores, políticos e líderes comunitários, sem nenhuma necessidade de carteira, diploma, experiência ou mesmo senso do ridículo. Aliás, senso do ridículo, me parece, perdeu a Fenaj. Na medida em que preencher os requisitos para fazer parte e ter a identificação conforme quer a Fenaj, torna-se muito oneroso para o vivente, ele vai se afastando da entidade. Depois, cobram maior participação da classe.

      Eu não tenho essa carteira de identidade de jornalista. Até poderia ter uma, pois sou formado e, como não dei muito certo no jornalismo, acabei fazendo concurso público - portanto poderia desembolsar os 300 barões que a Fenaj quer, ao contrário dos jornalistas que realmente viraram repórteres. Mas para quê? A gráfica não pede essa coisa quando bota nossos jornais a rodar. E os leitores não mandam cartas para a redação perguntando sobre nossas carteiras.

      Eu não sou um jornalista devidamente identificado – a não ser, claro, nas regiões onde o jornal que eu faço circula. Lá, nem preciso de identidade para as pessoas saberem o que eu faço. Mas os donos de jornal não formados também são reconhecidos nas ruas. E assim a vaca vai para o brejo. De grão em grão, a galinha enche o papo. E no fim, a Fenaj fica chorando as pitangas porque a Justiça derrubou a exigência do diploma.
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      Segunda-feira, 16 de Agosto de 2010, às 16:03:56
      Aldo Augusto comentou este texto:
      Não me causa espanto que a Fenaj cobre trezentos pacotes pela carteirinha. O passatempo dos jornalistas sobre a profissão que exercem é a gritaria pelo diploma obrigatório. Nem a Fenaj (e a sua carteirinha de ouro) e os jornalistas (especialmente os sem-talento) indgnados de que são os vilões da várzea que se tornou a profissão.

      A categoria teme os "intrusos", se revolta com os "opositores" da sua causa e fecha os olhos para o baixo nível dos formados-diplomados-encarteirados que estão no mercado. Paradoxal, não?


      Segunda-feira, 05 de Abril de 2010, às 15:21:53
      Fabio (resposta) comentou este texto:
      Meu filho, "fracassados" para mim são os jornalistas que ficam brigando pela criação de mil e uma leis que possam afastar pessoas talentosas, embora não diplomadas, das vagas de emprego para que pessoas diplomadas, mesmo que não muito boas, possam encontrar serviço. Como deve ser o teu caso.

      Eu escrevo o que me der na veneta, e meço o "interesse social" dos assuntos que trato olhando o marcador de audiência que, apesar de eu não divulgar o blog, só faz crescer a cada semana. Acho que, sim, o público é quem define o que é de interesse e o que não é, e por enquanto, parece estar me dizendo para ir em frente.

      Eu não procuro trabalho como jornalista. E mesmo assim, eles ocasionalmente aparecem (na verdade, bem mais que ocasionalmente). Eu não estou preocupado com a FENAJ ou com a invasão dos "amadores não diplomados", porque eles nunca me roubaram uma vaga.

      Quem sabe fazer uma coisa minimamente bem nunca precisará dar carteiraço para arrumar serviço. Daí meu desinteresse por essa instituição sangue-suga que vende uma carteira absolutamente inútil por 300 mangos.

      Agora, vá comprar sua carteirinha e chorar a decisão judicial que tu usas como muleta para explicar teu próprio fracasso ao procurar uma vaga. Eu prefiro ficar aqui, na minha, fazendo meus divertidíssimos bicos jornalísticos.

      Eu sou um jornalista diplomado. Não muito bem sucedido nessa área (em outras, sim), mas também não um jornalista fracassado. Prefiro trabalhar bem e mostrar minhas capacidades, do que ter que brandir uma carteirinha para provar que sou profissional.


      Segunda-feira, 05 de Abril de 2010, às 14:14:13
      Osvaldo comentou este texto:
      Este é o site-blog do jornalista frustrado que não deu certo na carreira e criou esse blog para achar um meio de falar beteiras e assuntos sem nenhum compromisso social. Também é um nerd assumido e metido a filósofo.


      Segunda-feira, 05 de Abril de 2010, às 14:12:40
      Osvaldo comentou este texto:
      Este é o site-blog do jornalista frustado que não deu certo na carreira e criou esse blog para achar um meio de falar beteiras e assuntos sem nenhum compromisso social. Também é um nerd assumido e metido a filósofo.


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