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Associação Amigos de Águas Claras: enfrentando a realidade (jornal Correio Rural)

Matéria publicada pelo jornal Correio Rural, edição 5298, Ano 104 (26 de Agosto de 2016).

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A Associação Amigos de Águas Claras luta pela retomada do equilíbrio financeiro e do interesse da própria comunidade.

A entidade, que nos anos 90 chegou a ter centenas de sócios, foi o canal pelo qual a região passou a ter acesso rede telefônica (da antiga CRT), aos Correios, e outras melhorias. Também servia como “voz” de diálogo semioficial com a Prefeitura de Viamão.

Nos últimos anos, com a quebradeira do serviço de intermediação de plano de saúde, e o abandono do espaço pela população, planejou-se até mesmo vender o prédio e encerrar a entidade. Isso não aconteceu, mas o número de sócios atualmente não fecha uma centena.


A SITUAÇÃO FINANCEIRA

O atual presidente, Gilberto “Beto Bike” Maia, diz ter assumido uma Associação com aproximadamente 30 mil reais em dívidas com bancos, e mais de 300 mil em débitos com a Unimed. “O plano é criar novas entradas de arrecadação, e pagar a dívida com o banco. A do plano de saúde, não acredito que possamos um dia pagar. Atualmente, estamos empurrando tudo isso com a barriga e buscando soluções”, diz ele.

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ATIVIDADES

Uma das primeiras medidas foi abrir o espaço para usos diversos. “Temos reuniões de grupos de apoio, de diabéticos, combate às drogas, além de aulas de yoga, capoeira, e estamos fechando outras parcerias.”

Nada disso, porém, traz aportes financeiros para a entidade. A intenção é atrair as pessoas de volta. “Uma comunidade precisa ter sua associação, porque sem ela, não se tem nada. Mas as pessoas ainda não estão ligadas nisso”, filosofa.


INVESTIMENTOS

Beto aposta em um esquema comercial para recuperar o caixa: “Nós vamos receber agora um valor, dez, quinze mil reais, da AMAVI (a associação das mineradoras de areia), e a primeira coisa que vou fazer é colocar uma grama sintética aqui na quadra. De dia, as portas ficarão abertas para as atividades da comunidade e, à noite, vai funcionar como uma quadra de futsal paga.”

Outra fonte possível de rendimentos são os painéis de apoiadores – as propagandas, pintadas nas velhas paredes, são todas ainda acompanhadas de números de telefone começando em “4”. Algumas empresas anunciadas fecharam na década passada. “Mas é difícil arrumar patrocinadores aqui na região, ainda mais em uma época complicada como a atual”, diz o presidente.

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Notinhas Eleitorais (no jornal Correio Rural)

Opinião em forma de “pitacos irônicos” publicada no jornal Correio Rural, edição 5298, ano 104, de 26 de Agosto de 2016 – no espaço cedido do colunista “O Markara”.

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(e, uma honra, ao lado do patriarca do jornal, Milton Santos)


RUMO À ASSEMBLEIA – Já estão nas ruas vários ótimos candidatos a assessor de deputado estadual, oficialmente inscritos como postulantes à Prefeitura.

O FUTURO É DOS NANICOS – Não, não estou dizendo que algum partido nanico crescerá magicamente. É que, com tanto partido e tanto candidato, em 2017 é provável que tenhamos muitas “bancadas” de um vereador só. No samba da governabilidade, cacique nanico vai virar rei.

DISCURSO VISUAL – A propaganda do PT está, como sempre, muto bonita. Mas neste ano não vemos nela a famosa estrelinha vermelha. O que talvez seja boa ideia, dada a queda abrupta de popularidade do partido. Com o slogan “no Ridi eu voto”, a aposta é no “voto pela pessoa”. No mínimo, estamos diante de uma baita guinada no discurso petista.

QUAL O INTERESSE? – A (enorme) coligação do vice-prefeito André pediu a impugnação dos dois ex-prefeitos petistas (Ridi e Alex), por causa dos problemas nas contas de seus governos. A chapa petista, que não conseguiu nem preencher sua nominata, é tão assustadora assim?

CASO DESISTISSEM – Ao contrário do senso comum, se Ridi (e mais uns dois candidatos) desistissem, a vantagem seria para a oposição, que passaria a dividir menos seus votos.

A ZOEIRA, SEMPRE – Toda eleição é terreno fértil para os piadistas de plantão. Candidatos bizarros, promessas mirabolantes e coligações tão esdrúxulas quanto quilométricas rendem muitas risadas.

É VOCÊ, SATANÁS? – Eu não posso reproduzir aqui o “santinho”, então, vocês vão ter que simplesmente acreditar em mim: tem um candidato em Viamão cujo nome é… “Demônio”!

OUTROS SERES – Temos também “Adriano Muskito”, “Cabeção”, “Cafuringa”, “Pintinho”, “Sapinho”, “Ferrugem”, “Tutu”, “Nelsinho de Verdade” (estilo cavaleiros do zodíaco), “Alemão do Gás”, “Nego Leco”, “Jessé da Ipiranga até Viamão”, “Tiazinha” e outros.

OS ETERNOS – E temos os candidatos que eu admiro pela persistência (sério, sou amigo de quase todos): Adroaldo Luvizetto, Raildo, Mariozan, Canelinha, Reginaldo, Vitor Marileu, Ciro Barbosa, Dr. Wailer, Kadú, Vânia Schaurich e, depois de longa ausência, Silva Leandro!

TENTANDO VOLTAR – Já foram da “Série A” e tentam voltar do grupo de acesso: Juarez de Souza, Valmir Moura, Belamar, Katofa, Professor PG, Tadeu Nunes, e o querido ex-deputado-relâmpago Zilmar Rocha!

 

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O Jornal Sexta vai voltar?

Esta semana, temos algumas novidades na vida jornalística viamonense. O Jornal Sexta online voltou a ser atualizado, e tivemos umas conversas preliminares sobre a volta da versão impressa.

Hoje, há pouco, um antigo leitor (em meio a um papo sobre outro assunto nada a ver) me perguntou por quê, no hiato do Sexta, eu não busquei espaço em outro jornal da cidade. Não tenho certeza de que me dariam, mas, mesmo se me dessem – expliquei – eu estive na primeira edição do Sexta e escrevi em todas as que vieram depois. Enquanto o projeto de continuidade do Sexta estiver em pauta, eu estou comprometido com ele.

Acho importante ter uma certa coerência com quem nos dá espaços e com os amigos com quem se embarcou em um projeto.

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E, de repente, Bebeto Cabeça se foi

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Bebeto Silva, o “Cabeça”, foi um político à moda antiga, daqueles com linguajar politicamente incorreto, passava longe das concepções modernas de marketing, fazia as coisas largamente de improviso. E era um orador brilhante. Com a voz cada vez mais rouca, era feroz e certeiro, sendo oposição ou governo.

No total, ele teve seis mandatos como vereador. Sua carreira começou nos anos 1970, e no fim da década, ele chegou a presidente da Câmara. Acabaria voltando ao cargo máximo do Legislativo por mais quatro vezes.

Na redemocratização, juntou-se à turma do PDT, onde ficou até os anos 90. Quando o partido começou o grande processo de erosão que o destruiria no fim do século, Bebeto iniciou uma fase como líder do (então novo) PSDB na cidade. Foi vereador até 2004, quando concorreu a vice-prefeito na chapa do antigo adversário Chico Gutierres. Em 2008 tentou, sem sucesso, voltar à Câmara. Não concorreu em 2012, mas pouco tempo depois, começou a articular um novo partido, o PROS, no cenário local.

Bebeto teve uma vida política longa e agitada, e uma vida pessoal interessante. Mas sua biografia real ainda é menor do que aquela que acumulou no imaginário popular. Poucos sabem onde fica a fronteira entre uma e outra.

Mestre do discurso, da sinuca e das frases de efeito, sacadas no meio de qualquer conversa, vai deixar saudade em muita gente.

Eu o conheci quando cheguei a Viamão, há pouco mais de 10 anos, e lembro de ter ficado muito impressionado com sua capacidade de prender a atenção das pessoas. Era uma figura peculiar. Virei fã, por muito tempo. Ele era um desses políticos antigos e autênticos, nada a ver com a imagem do bom-moço pasteurizado.

Não sei se ele se levava a sério o tempo todo. Suspeito com quase total certeza que não. Bebeto já era um personagem folclórico da política viamonense, e tenho a impressão de que ele sabia disso. Apesar do bom humor, já o vi furioso. Especialmente durante campanhas eleitorais, que sempre são tensas.

Ele era inusitado, mas fazia as coisas acontecerem. E era um bagunceiro, sempre pronto a desmanchar jogadas ensaiadas e os cenários muito parados.

Claro, além das coisas boas, dizia-se muita coisa ruim dele. Tinha vários defeitos, não era nenhum santo. Não que fosse um homem mau: Bebeto era simplesmente humano.

Lembrei de uma cena: em 2004, ele comprou o primeiro telefone celular com MP3 que eu vi na vida. E para diferenciar dos telefones “polifônicos” comuns, ele botou um pedaço de uma música como toque. Era engraçadíssimo ver a cara das pessoas quando aquele “tiozinho” de cabelos brancos sacava do bolso o aparelho tocando o que parecia ser um Heavy Metal pegado. A música começava, todo mundo achava que haviam ligado um rádio, e ele, visivelmente orgulhoso, tinha a oportunidade de exibir seu novo brinquedo.

Fora da política, era muito legal conversar com ele. Meio engraçado, meio provocativo, alternava entre a gozação e o papo sério. Tinha bom “timing” até mesmo na hora do papo furado. Analisava quase tudo de forma certeira e, mesmo quando analisava errado, ainda assim era interessante de ouvir.

Nosso amigo morreu ontem, e foi velado, à noite, na Câmara Municipal. Seu local de descanso é o cemitério do Centro, não muito longe de sua casa. Já deve estar no Além, jogando sinuca e debochando de alguma coisa.

Hoje, dia do enterro, amanheceu com uma chuvarada tremenda. Como se a natureza estivesse triste pelo fim desse personagem que marcou seu lugar na política, na sociedade e no anedotário popular viamonenses.

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Professor Mobi, o que tu vais fazer no céu?

A cidade de Viamão dá adeus a este que foi um baita advogado, vereador, presidente da Câmara, e secretário municipal. Mas, acima de tudo, foi um cara muito legal e muito de bem com a vida, que vai deixar muita saudade.

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Recebemos agora a notícia de que, hoje pela manhã, o ex-vereador Marco Henrique Chaves dos Santos, o popular Mobi, nos deixou.

Mobi era absurdamente alto e sempre foi gordo. Daí o apelido.

Andava para cima e para baixo numa moto, toda incrementada, parecendo um daqueles motoqueiros selvagens de filme americano. E usava um capacete “de nazista”, daqueles com os lados virados na diagonal (que parecia um penico), só que com a bandeira dos EUA pintada.

Foi um grande vereador, e era grande orador. Chegou a presidente da Câmara, e após encerrar seus mandatos no Legislativo, passou a dar uma força para gente mais nova que estava entrando, como o advogado Ernani Jaeger.

Mobi também era professor, do Estado. Era advogado durante o dia, e professor à noite. Algo assim. Devia ser divertido ter aulas com ele.

Passou anos filiado ao PMDB, trocou para o PTB. No começo do ano, com a entrada deste partido na base de apoio do governo Bonatto, nosso professor aí assumiu a novíssima Secretaria do Meio Ambiente.

Recentemente, era figurinha fácil no Fórum de Viamão, apenas no papel de advogado (aposentara-se do magistério). Sempre com algum caso na mão, e mesmo diante das piores causas, e em seus piores dias, mantinha o bom humor. Contava uma piada. Às vezes ria da desgraça. Fazer o que?

Há alguns dias, o Artur Gattino (que era vereador junto com o Mobi nos anos 80), comentava: nosso amigo sofrera um derrame cerebral. Nesta semana mesmo, o ex-prefeito Jorge Chiden comentava, calmamente, que achava que Mobi “sairia dessa”.

Mas não. Ou melhor, saiu, mas não para o lado de cá.

O Mobi deixou este mundo. Foi-se. Lá no mundo espiritual, na certa deve ter chegado rindo, e feito alguma piada qualquer sobre o fato de recém ter sido nomeado Secretário, ou de estar aposentado e ter começado a aproveitar mais a vida. Algo do tipo “pô, sacanagem!”.

Eu sempre vou lembrar dele, dando suas “aulas de campanha eleitoral” quando alguém resolvia ir dar discurso em um bairro longe de sua base: “Tu vais fazer o que em Itapuã? Tu conheces alguém em Itapuã? Quem é que vai olhar para ti e saber quem tu é, lá em Itapuã? Então, por quê tu vais gastar teu tempo e panfletos em Itapuã?”

Mobi se foi para o céu. Mas acho que, por lá, ele já tem um bom número de conhecidos, então, o questionamento Mobístico não cabe.

Vá numa boa, assim como viveu.

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José Paulo Correa Lopes agora vai polemizar lá no Além

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O jornalista que dirigiu o jornal A Tribuna, periódico mais ácido da cidade de Viamão entre o fechamento do Quarta-Feira e a fundação do Sexta, deixará saudades. Deixa também lições de coragem, jornalismo investigativo, e ironia inteligente.

Temos que homenagear ao Jornalista José Paulo Correa Lopes, diretor do jornal A Tribuna por mais de 20 anos, morto no dia 6, em Brasília.

Polêmico, implacável, colecionou processos, inimigos, e admiradores. Desmascarou muita coisa em Viamão.

Irritava-se com a mediocridade intelectual, chegava a ser chato, mas era boa gente. Foi campeão estadual de xadrez, corria, deu muito incentivo ao esporte. Aparecia, do nada, com capas e manchetes bombásticas, sempre bem informado.

Algumas pessoas o achavam destemperado, jornalisticamente agressivo demais. Mas não. Ele tinha, na verdade, uma coerência muito grande em sua linha editorial, filosófica e política: era um conservador, algo reacionário, e assim o foi pela vida toda. Ele era fiel a si mesmo e acreditava no que dizia.

Irritava muita gente, exatamente por ser mestre no uso da palavra – começava um texto opinativo, normalmente “comendo pelas beiradas” e dando fatos, ia passando para a interpretação deles, nas linhas finais definia quem era seu alvo e tascava o “punch” do artigo. Aí, tudo fazia sentido. O leitor acabava de ler com uma nova visão do assunto.

Também era muito bom na ironia, no uso de subterfúgios de texto, e na arte de dizer algo sem usar as palavras que poderiam render-lhe uma condenação.

Eu comecei a escrever no jornal dele. De modo que teve uma grande influência na minha formação como articulista.

José Paulo Correa Lopes… que figuraça. Culto como poucos.

Nos últimos anos, suas colunas de opinião sofreram uma ligeira decadência de nível. Passaram a demonstrar uma visão mais cansada das coisas. Ele também “sumiu” das ruas da cidade. Era o sinal de que seu tempo encurtava-se. Mesmo assim, manteve-se afiado. Parecia recusar-se a uma rendição ao tempo.

Agora, acabou. Ninguém com memória nesta cidade poderá discordar: o jornalismo viamonense perde uma de suas figuras mais folclóricas, ácidas e um dos melhores colunistas que já escreveram nesta cidade. Poucos podem servir-lhe de comparação, como articulista.

Não cabe mais julgar suas ideias e textos, e sim, cuidar que nossa parca historiografia local não o esqueça.

Ficam os pêsames à viúva Vera Lúcia Correa Lopes, outra pessoa muito querida e atuante, especialmente junto aos clubes de mães. E aos filhos também, claro.