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versalhes 1919

O Tratado de Versalhes nos ensina o que NÃO FAZER em política e negócios

 

Quando a Primeira Guerra Mundial acabou, em 1918, os países vencedores impuseram suas condições à Alemanha e à Áustria. Interessante é que os alemães não haviam sido derrotados no campo de batalha, simplesmente haviam ficado sem condições de continuar na guerra. Então, o país era visto como um grande perigo pelo vizinhos, que precisava ser neutralizado.

O tratado, no entanto, foi elaborado de uma forma que tentasse contentar a todas as forças vencedoras e ainda atender a ideias politicamente corretas e teóricas que estavam em voga.

Mas não estamos aqui falando apenas do passado. Há uma relação disso com o presente, e algumas lições para o futuro. É preciso ler até o final.

Vamos agora montar o quebra-cabeça:

tratado-de-versalhes


O ESCULACHO VINGATIVO

A principal demanda dos franceses era ter garantias de que, no futuro, não seriam novamente invadidos pelos alemães. Para isso, estipulou-se um valor de indenizações incrivelmente alto, e parte do potencial industrial alemão foi transferido para a França.

Essas indenizações causaram um grande caos econômico na Alemanha, e a miséria instalada começou a tornar a cobrança constrangedora para os ingleses e os franceses. Diante da pobreza, muitos alemães passaram a imigrar para os países vizinhos, que passaram a ter novos problemas com isso.

Havia ainda outro problema: a Inglaterra considerava importante ter seus parceiros na Europa continental em condições de retomar o comércio. Então, a Alemanha escangalhada passou a ser um fardo.

Essas indenizações e sanções aplicadas foram motivadas, majoritariamente, por raiva e vingança, especialmente por parte dos franceses. Porque, na verdade, apenas impuseram um imenso sofrimento aos alemães comuns, sem realmente impossibilitar que o país reconstruísse sua capacidade industrial e a produção de armas, assim que a cobrança fosse aliviada.

A miséria na Alemanha acabou alimentando uma profusão de movimentos revolucionários, que pipocavam pelo país todo, em muitos casos pregando uma vingança contra todos os que haviam imposto aquela humilhação aos alemães. Um desses grupos era – vocês devem ter imaginado – o partido nazista.

pobreza na alemanha


MUITO BONITO NO PAPEL

Aqui temos um caso de idealismo aplicado pela metade. Havia, na época, uma noção de que os povos que buscam independência deveriam tê-la, pelo direito de gerir suas próprias vidas nacionais. Assim, surgiram vários pequenos países espalhados por toda a Europa. Alguns, pobres demais para se manter. Outros, vizinhos de nações grandes e agressivas (como a Alemanha ou a Rússia), já nasceram sabendo que seriam engolidos na próxima guerra que acontecesse.

As fronteiras desses novos Estados foram desenhadas, em muitos casos, como forma de punição aos países derrotados e, no caso daqueles próximos da Rússia, como “camada de absorção” para o caso de um ataque dos comunistas recém-empossados no poder por lá.

Depois de redesenhado o mapa da Europa, alguns líderes (especialmente a delegação dos EUA, que queria uma espécie de federação europeia de nações etnicamente homogêneas) propunham a transferência de populações entre os países. Isso não foi feito, e o resultado foram nações com “minorias” étnicas e culturais muito grandes que identificavam-se com os países vizinhos, pedindo anexação aos territórios deles. Um estopim perfeito para novas tensões e, claro, guerras.


AS PESSOAS ACEITAM SER PISADAS SÓ ATÉ CERTO PONTO

Quando o Império Otomano entrou na guerra ao lado da Alemanha e da Áustria, ele já estava em franca decadência. Não lembrava em nada aquela força que derrotara o Império Romano do Oriente quatro séculos antes.

Com a derrota na guerra, foi estabelecida a partição das possessões turcas: Palestina, Transjordânia, Lìbano, Iraque, Irã, tudo. O gigante otomano estava morto, neutralizado como potência militar e comercial. Nas antigas dominações, foi mais fácil estabelecer governos coloniais, porque o domínio otomano não era adorado pela maioria dos dominados.

No fim, resolveram abolir de vez o país e dividir seu território entre as forças vencedoras. Essa ideia de tomar a Turquia em si foi exagerada, e impraticável: os turcos puseram para correr italianos, gregos, armênios, georgianos e franceses. Depois conseguiram recuperar Istambul das mãos dos ingleses.

turcos


ACORDOS QUEBRADOS DEIXAM FERIDAS

Parte da bagunça que vemos até hoje no Oriente Médio (e de alguns genocídios) tem como pano de fundo a luta dos curdos pela independência de seu território, que hoje faz parte da Turquia, Irã, Iraque e países vizinhos. Acontece que o Tratado de Versalhes previa a criação do Curdistão.

A expectativa criada pelo Tratado reavivou a luta daquele povo, que continua até hoje, e contribui muito para a instabilidade política da região.


NUNCA MENOSPREZE UM PARCEIRO

Os italianos lutaram ao lado da Tríplice Entente na Primeira Guerra Mundial. Serviram, principalmente, para segurar o poder do Império Austro-Húngaro, uma força de primeira grandeza até então, e que acabou se desmantelando no fim do conflito. E havia a crença, nos círculos políticos e no imaginário popular, de que a Itália ganharia território e poder após a vitória.

O alinhamento italiano era previsível: um velho conflito de fronteira no norte da Itália e sul da Áustria, que envolvia um pedaço da atual Eslovênia tornava as relações com o vizinho do norte conturbada. Os italianos queriam empurrar suas fronteiras ali, e havia também a certeza de que chegara a hora de o país ter colônias na África, como tinham todos os seus parceiros de luta.

Só que, no fim das contas, os italianos saíram do mesmo jeito que entraram. Não foram contemplados, nem levados em consideração no acordo final.

Inglaterra, EUA, França e os outros colegas da mesa dos vencedores acreditavam que a Itália não tinha poder de barganha para fazer nada, nem importância estratégica.

Mais uma vez, criou-se um ressentimento que seria muito bem explorado por Benito Mussolini – empossado quatro anos depois do fim da Primeira Guerra.

Mussolini então garantiu o tal império colonial italiano na África (Eritreia, Líbia, Etiópia e Somália), e foi esperto o bastante para explorar a fraqueza dos mini-países surgidos da repartição da Europa, invadindo a Albânia. Pensou, então, que poderia sentar-se à mesa das potências europeias. Mais uma vez esnobado por elas, foi conversar com Adolf Hitler. E o resto é história.

Na foto, os "quatro grandes" do Tratado de Versalhes: Presidente Woodrow Wilson (EUA), e os primeiros-ministros David Lloyd George (Reino Unido), Georges Clemenceau (França) e Vittorio Emanuele Orlando (Itália).
Na foto, os “quatro grandes” do Tratado de Versalhes: Presidente Woodrow Wilson (EUA), e os primeiros-ministros David Lloyd George (Reino Unido), Georges Clemenceau (França) e Vittorio Emanuele Orlando (Itália).


UM TRATADO QUE É UMA AULA

Percebem o tripé de mancadas do tratado? O deboche e a crueldade do vencedor. O projeto idealista bolado em uma sala, sem uma real experiência de pesquisa em campo, junto aos povos e à realidade. A traição a um aliado visto como sendo de segunda grandeza.

Estes são enganos seguidamente cometidos na política (como os fatos recentes demonstram), nos negócios, e na vida.

É só olhar ao redor, para o mundo de hoje. Por exemplo, embargos comerciais e tentativas de “quebrar” um país desafeto resultam normalmente em ressentimentos e na ascensão de líderes totalitários que saibam explorar este sentimento. É só acompanhar o noticiário internacional para constatar.

Teorias maravilhosas no papel, que não encaixam direto no mundo das pessoas reais e imprevisíveis, são coisa comum: de regimes inteiros de governo até planos econômicos furados. Inclusive no Brasil! Partidos (especialmente de esquerda) que não ganham apoio das massas justamente por falta de realismo. Programas governamentais que passam absolutamente incompreendidos pelo povo.

O desprezo por parceiros considerados “inofensivos” é no entanto, o item mais repetido de todo o Tratado até hoje. Especialmente no mundo dos negócios. Na política, também. Ainda esta semana a Presidência do Brasil passou a ser ocupada por um político visto até ali como fraquinho de votos e “figurativo”. Como a Itália, que procurou a Alemanha, ele foi buscar apoios. E achou.

Alguém um dia me perguntou por quê me interesso tanto pelo passado. Ora, porque com ele se aprende muito sobre o presente. E sobre o futuro.

batalha de collecchio

As lições dos soldados da Batalha de Collecchio para nossas vidas

 

Este post é, em sua maior parte, a reprodução de um texto alheio, do coronel Hiram Reis e Silva. Achei interessante reproduzí-lo porque ele traz um exemplo do bom e do mau comportamento de quem vence uma disputa. E é uma demonstração cabal do princípio já ensinado por Sun Tzu em “A Arte da Guerra” (há dois mil e quatrocentos anos atrás):

“Quando cercar o inimigo, deixe uma saída para ele, caso contrário, ele lutará até a morte.”  

E também é uma lição sobre honra entre adversários, mesmo que mortais. Sobre a honra que o vencedor deve ter, acima de tudo.


batalha de collecchio

O relato começa em Abril de 1945. Os soldados da Força Expedicionária Brasileira iam acompanhados de milicianos da resistência italiana, e encontraram uma força alemã muito mais numerosa, acompanhada de tropas regulares da Itália fascista. Iniciava-se a Batalha de Collecchio.

O general Dionísio (general na época do relato, não na época da guerra), conta que foi preciso solicitar reforços. Então, três oficiais alemães apresentaram-se, para tratar de sua rendição.

“No início nem sabia bem se eles queriam se entregar ou se estavam pensando que nós nos entregaríamos, face ao vulto das tropas deles, que por sinal mantinham um violento fogo para mostrar seu poderio.”

Uma vez esclarecido que eram os alemães que iriam render-se, “pediram três condições: que conservassem suas medalhas; que os italianos das tropas deles fossem tratados como prisioneiros de guerra (normalmente os italianos que acompanhavam os alemães eram fuzilados pelos comunistas italianos das tropas aliadas) e que não fossem entregues à guarda dos negros norte-americanos.

A exigência com relação aos negros devia-se ao fato de que, obviamente, estes sentiam ódio dos nazistas e descontavam neles toda a raiva que sentiam de seus próprios superiores brancos.

Eu perguntei ao interprete do lado alemão (nos entendíamos em uma mistura de inglês, italiano e alemão), por que queriam se render, com tropa muito superior aos nossos efetivos e ocupando uma boa posição do outro lado do rio.

Ele me respondeu que a guerra estava perdida, que tinham quatrocentos feridos sem atendimento, que estavam gastando os últimos cartuchos para sustentar o fogo naquele momento e que estavam morrendo de fome.

Que queriam aproveitar a oportunidade de se render aos brasileiros porque sabiam que teriam bom tratamento.

Combinada a rendição, cessou o fogo dos dois lados. Na manhã seguinte vieram as formações marchando garbosamente, cantando a canção ‘velhos camaradas’, também conhecida no nosso Exército.


 

A calma foi perturbada por um episódio que demonstra bem a importância de ter todo o pessoal envolvido em uma operação, trabalhando em harmonia e controlando os impulsos:

“Um nosso soldado, num impulso de momento, não se conteve e arrancou a Cruz de Ferro do peito de um sargento alemão. O sargento, sem olhar para o soldado, pediu licença a seu comandante para sair de forma, pegou uma metralhadora em uma pilha de armas a seu lado e atirou no peito do brasileiro, largou a arma na pilha e entrou novamente em forma antes que todos se refizessem da surpresa. Por um momento ninguém sabia o que fazer. Já vários dos nossos empunhavam suas armas quando o oficial alemão sacou da sua e atirou na cabeça do seu sargento, que esperou o tiro em forma, olhando firme para frente. Um frio percorreu a espinha de todos, mas foi a melhor solução.”

Uma lição importante fica aqui: vencer o inimigo não significa humilhá-lo. Só as pessoas muito pequenas e medíocres aproveitam para “esbaldar-se” e humilhar os inimigos caídos.


Hiram prossegue assim:

“Ao ouvir esta história, eu já tinha mais de dez anos de serviço, mas não pude deixar de me emocionar. Não foram as tragédias nem as atitudes altivas o que mais me impressionaram.

O que mais me marcou foi o bom coração de nossa gente, a magnanimidade e a bondade de sentimentos, coisas capazes de serem reconhecidas até pelo inimigo. Capazes não só de poupar vidas como também de facilitar a vitória.

É claro que isto só foi possível porque os alemães estavam em situação crítica; noutro caso, ninguém se entregará só porque o inimigo é bonzinho, mas que a crueldade pode fazer o inimigo resistir até a morte, isto também é real.”


 

Fonte: http://www.sangueverdeoliva.com.br/novo/index.php?option=com_content&view=article&id=463:guerra&catid=2:cronicas&Itemid=4

 

Kruschev

A gestão por metas e a lição das vaquinhas de Riazan

 

Em organizações muito grandes, não dá para os administradores principais terem acesso e convivência com todos os trabalhadores e setores envolvidos. Em operações nas quais parte do trabalho é terceirizado, a gestão do trabalho e da produtividade torna-se ainda mais complicadas.

Então, é racional pensar que instituições de grandes dimensões tenham um sistema de indicadores e uma tabela de metas para avaliar se, no fim das contas, o gigante está todo movendo-se junto e de acordo com a visão de quem tem a missão de definir rumos.

O problema é que, em muitos casos, esta “gestão por números” acaba tornando-se não apenas o elemento central, mas a obsessão de quem está no topo da pirâmide organizacional. Hoje, veremos um exemplo histórico sobre os perigos disso, e aprenderemos algumas lições.


UM POUCO DE CONTEXTO

Para os que não estão familiarizados com a História do século XX: em 1917, a Rússia, país mais atrasado da Europa na época, foi palco de uma revolução socialista. O novo governo estatizou fábricas, transportes, terras, tudo, e praticamente todo o povo passou a trabalhar diretamente para o Estado soviético.

Como não havia liberdade de mercado, o governo funcionava como uma imensa empresa com dezenas de milhões de empregados. Para gerir essa coisa gigantesca, foram criados os Planos Quinquenais, que eram peças de planejamento e estabelecimento de metas para os próximos cinco anos. Neles, estabeleciam-se prioridades e metas. Mais ou menos como ocorre hoje nas grandes empresas.

Este sistema funcionou mais ou menos bem nos primeiros anos: embora o governo Stalin tenha exercido uma violenta repressão a todos os que não seguissem seus planos, e o país tenha sido devastado pela Segunda Guerra Mundial, os russos conseguiram firmar-se como uma superpotência, rivalizando com os EUA.

Mas o país ainda era varrido, de tempos em tempos, por ondas de escassez e fome. Com a morte de Stalin, um careca chamado Nikita Kruschev assumiu o poder, e ele era absolutamente obcecado por produção agropecuária. Entre outros feitos, iria reconstruir a Ucrânia e tornar cultivável um pedaço enorme do Cazaquistão.

Mas foi no governo dele que aconteceu o insólito caso das vacas de Riazan, que veremos agora.

Kruschev


O ESTABELECIMENTO DE METAS

Kruschev queria aumentar a produção de carne. Seus especialistas e cientistas duvidavam das possibilidades de um grande salto neste setor, mas tanto o líder quanto os administradores regionais e os camponeses estavam empolgados.

Alexei Larionov, o primeiro secretário do Oblast de Riazan, prometeu DUPLICAR sua produção de carne no próximo ano. Depois, ele reuniu-se com os administradores das divisões do oblast, e alguns deles, mais empolgados ainda, chegavam a prometer triplicação do volume de carne. O bom senso passava longe.

Este tipo de entusiasmo parece absolutamente irracional mas, se pararmos para pensar, hoje em dia não apenas temos executivos que agem como Larionov, como também temos palestrantes e escritos de livros que fazem fortunas insuflando entusiasmo vazio nas pessoas.

Haviam russos sensatos, claro: o próprio jornal Pravda, na época, criticou o irrealismo. Mas isso não deteve os super-heróis agrícolas.


O PLANO NA PRÁTICA

Todas as medidas realistas e práticas para engorda e reprodução aceleradas do gado foram tomadas mas, nos primeiros meses, ficou evidente que, embora se pudesse entregar um aumento significativo da produção ao longo do ano, não se iria alcançar a duplicação dela, como prometido.

Começaram então a abater até o gado leiteiro, e os animais destinados à reprodução. Como isso obviamente levaria a região à ruína, os dirigentes locais começaram a confiscar os animais criados de forma particular pelos camponeses, nas fazendas de cooperativas autônomas (os kolkhozes) e até arredores de suas casas.

Como nem isso resolveu o problema, e tanto os administradores como a população de Riazan estavam decididos a não ficar “mal na foto” diante do resto do país, iniciou-se uma prática de re-contabilizar a carne já produzida.

Digamos, o agricultor Vladimir. Pois bem, Vladimir vendia a carne de suas vacas ao armazém do governo, que contabilizava aquele peso em carne na soma da produção de Riazan. Depois, repassava a carne para os supermercados. Chegando lá, o próprio Vladimir comprava aquele montão de carne, guardava um pouco para seu consumo, e apresentava o restante naquele mesmo armazém.

Assim, ele produziu 300 quilos de carne e esta carne foi contada na primeira passada no armazém. Na segunda, foram mais 150. E às vezes havia uma terceira passada.

Como o preço no supermercado tinha que ter algum aumento para cobrir despesas do próprio estabelecimento, este sistema levou boa parte dos produtores de Riazan a contrair dívidas. O próprio governo do Oblast começou a financiar a prática, usando o dinheiro que deveria ser usado em novas máquinas agrícolas e sementes.


O RESULTADO TRIUNFANTE

No dia 16 de Dezembro de 1959, o oblast de Riazan anunciou o cumprimento da inacreditável meta de produção. Larionov recebeu uma medalha de Herói Socialista do Trabalho, e o país todo só comentava este retumbante sucesso.

Alexei fez um bonito discurso prometendo, para 1960, triplicar a produção. Toda a Rússia acreditou: aquele homem era capaz!

Não que os russos da época fossem burros: nós, brasileiros ou americanos, já vimos casos emblemáticos de administradores aparentemente superpoderosos, que prometem margens de lucro astronômicas e todo mundo acredita porque, afinal, “ele sabe fazer as coisas acontecerem”. Ou alguém aí não vê certa semelhança entre Alexei Larionov e, digamos, Eike Batista?

kruschev leite


CAINDO NA REALIDADE

Riazan faliu. Alexei Larionov cometeu suicídio. Incrivelmente, até hoje não é incomum vermos gestores que conhecem bem o sistema inumano e numérico de contagem dos indicadores que servem para aferição, e com uma planilha na mão, dão a impressão de sucesso enquanto plantam as sementes do fracasso.

Embora Riazan tenha cumprido a meta de 1959, o gado havia sido dizimado pelo abate excessivo. Os rebanhos correspondiam a 65% do que eram no ano anterior. Se de 1958 para 1959 a produção havia triplicado, de 1959 para 1960 ela caiu para um quinto do que era antes.

Os camponeses tinham dificuldades até para alimentar suas próprias famílias. E aqueles que tiveram o gado particular confiscado tentaram resgatar o valor dos títulos que haviam recebido. Tomaram um previsível calote, de modo que entraram numa espécie de semi-greve que derrubou ainda mais a produção de grãos e alimento para os animais. Os anos 60 seriam difíceis para aquele povo.


A LIÇÃO APRENDIDA

Nikita Kurschev aprendeu alguma coisa com o desastre de Riazan – algo que todo líder deve saber: não dá para administrar simplesmente olhando indicadores de cumprimento de metas em uma tela de computador. É preciso sair, falar com os trabalhadores, sentir o clima e enxergar a realidade da organização no dia a dia.

Tanto que seu governo é lembrado como uma época de progresso para o país. Ele foi o líder soviético que mandou o primeiro satélite e o primeiro homem ao espaço, e mais importante que isso, começou a direcionar o foco da indústria do país no atendimento às necessidades dos cidadãos. A qualidade de vida melhorou e o governo começou a abrandar a censura e a perseguição aos opositores.

Por um momento, chegou a parecer que a URSS poderia dar certo. Kruschev, no entanto, era afoito e entrou em choque com gente demais. Em 1964, foi derrubado por um golpe.

Fish-Jumping

Dicas para fazer a escolha certa na hora de trocar de emprego ou carreira

Você já está trabalhando, já tem um emprego, e surge uma chance nova. E agoras? Existem alguns fatores a considerar, e nem todos são óbvios.

O primeiro deles é pesar prós e contras no aspecto frio, racional. Isso é fácil. Basta comparar salário, vantagens, e plano de carreira ou possibilidade de crescimento. Caso haja uma vantagem MUITO clara em fazer as malas, fica mais fácil definir.

Mas digamos que não seja tão simples. Aí, temos que pensar mais. Para começar, é preciso tentar abstrair toda a irracionalidade da decisão.


Por “irracionalidade” eu falo de duas forças opostas:

A) por um lado, temos o COMODISMO. Já sabemos fazer o que fazemos e conhecemos o lugar onde estamos. A tendência do corpo parado é ficar parado, já dizia Newton, e a mudança dá medo. É a famosa Zona de Conforto. É irracional, claro, porque nos cega às novas possibilidades.

B) por outro lado, temos a ANSIEDADE. Podemos estar insatisfeitos com a nossa vida de forma geral. É a relação com os colegas, a chatisse do trabalho sempre igual, ou até coisas externas, pessoais. E a ideia de mudar de emprego acaba confundindo-se com a vontade de “jogar tudo pro alto e recomeçar”. É irracional porque, não, a vida não vai mudar radicalmente. Só o trabalho vai. Talvez fosse melhor tirar férias.


Ultrapassada a barreira dos impulsos irracionais:

Com a cabeça fria, sem tantas emoções envolvidas, podemos analisar o trabalho em si. Não adianta viver na ilusão: TODO TIPO de trabalho vai ter momentos que são um saco. Nada é maravilhoso o tempo todo. Nem o que você faz agora, nem o que fará depois. Então, pode-se até mudar para um ramo para o qual se tem mais afinidade, mas nunca se estará livre dos ossos do ofício.

Nessa hora, é preciso também pesar um fator importantíssimo: o risco. Pare e pense: essa empresa nova, que te oferece um emprego super legal, ela tem viabilidade? Ou daqui a alguns meses irá abaixo, e você estará no Seguro Desemprego? Ou por outro lado, será que a empresa onde você está vai bem das pernas? Será que aí dentro, mesmo, não há algo que te coloque em risco?

E finalmente…

Fish-Jumping


O fator mais importante, a longo prazo:

Tire uma folga, um dia, um meio-turno, no seu trabalho atual. Diga que vai ao médico, antecipe um dia de férias, qualquer coisa. E vá até o seu “talvez futuro local de trabalho”. Não diga que está indo para lá. Circule, converse fiado com uma pessoa, com a outra. Faça umas perguntinhas de leve. Principalmente, olhe para o olhar das pessoas. Analise o CLIMA no qual vai trabalhar.

Onde há muita intriga, onde boa parte do esforço é focado nos colegas e nas disputas de poder, ao invés do trabalho, estebelece-se um clima pesado. A linguagem não-verbal das pessoas acaba denunciando isso. E mesmo que um lugar assim possa pagar melhor, ele não vai te fazer bem. Você não vai querer estar em um lugar com chefes prepotentes, colegas intrigueiros, cobranças, tensão, onde uns torcem muito mais pelo fracasso dos outros, do que pelo sucesso da equipe.

Será que na nova empresa haverá a liberdade, o ambiente criativo e inspirador do qual você precisa? Ou ao menos será igual ou melhor do que tem agora?

Eu diria que esta visita é um fator crucial na hora de escolher entre trocar ou não de emprego. É uma escolha racional que vai impedir que todo o resto da sua vida seja afetado pela ansiedade e pelo comodismo lá adiante.

E aí, então, com tudo isso colocado na balança, faça sua escolha.

Não sei quem ou quantos vão ler este post mas, tanto faz: te desejo sucesso!

Passeata  Fabio na frente

Memorial da greve eletricitária de 2014

Para não deixar a memória se perder na poeira do tempo, comecei a colocar no ar uma série de “memoriais” com matérias antigas do site. O primeiro deles traz todas as matérias publicadas, narrando a Greve da CEEE de 2014, uma epopeia realmente memorável da categoria eletricitária, e uma vivência muito marcante da minha vida.

Na época, os posts iam simplesmente saindo à medida que as coisas iam acontecendo. Agora, foi possível colocá-los em ordem e até categorizar um pouco os períodos. Além da greve, tem a eleição para o sindicato. “Lutas na CEEE e A grande greve de 2014