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Clodovil

Dez capas inacreditáveis do Meia Hora homenageando famosos falecidos

O jornal Meia Hora é conhecido nacionalmente por suas capas absolutamente absurdas, que misturam deboche, trocadilhos e uma falta absoluta de noção e bom-mocismo.

Quando alguém famoso morre, por mais esdrúxulo que tenha sido seu papel durante a vida, normalmente recebe um respeito especial da mídia, e o carinho do público. O Meia Hora tem sua forma peculiar de expressar essa reverência.


 

Clodovil “virou purpurina”

A piada corria as conversas de boteco, mas só o Meia teve coragem de passá-la para o papel e botar na banca.

  Clodovil       


Nelson Ned – “não existe mesmo enterro de anão!”

O cantor foi cremado.

Nelson Ned


Amy Winehouse – “bebeu, fumou, cheirou e dançou”

Sério.

amy winehouse


Michael Jackson “nasceu negro, ficou branco e vai virar cinza”

Tá, não foi uma capa muito extrema. Usaram uma imagem do clipe “Thriller”. E não fizeram nenhuma gozação com as acusações de pedofilia. Quase formal demais, para o Meia Hora.

Michael Jackson


Hugo Chaves “morre sem querer querendo”

Sim, enquanto o mundo dividia-se entre os apoiadores emocionados com a morte do líder venezuelano, e os detratores riam à toa, o Meia optou pelo trocadilho com o personagem mexicano.

hugo chavez


Roberto Bolaños – “Chaves morreu? Isso, isso, isso!”

Engraçado é que a morte do lendário comediante recebeu muito mais respeito e piadas mais comedidas do que as mortes de personagens mais “sérios”.

Robert Bolanos Chaves


Chorão “troca Charlie Brown por Sepultura”

Eu juro que esta é a capa de verdade, da edição trazendo a morte do vocalista do Charlie.

Chorao do Charlie Brown


Steve Jobs – essa eu preciso explicar…

O co-fundador da Apple morreu, e aí, por razões que só Deus sabe, a Mulher Maçã lançou uma carta aberta lamentando o fato. Mas chamou o cara de “Esteve” Jobs. Não, não tente entender. Só olhe e leia.

Steve Jobs


Wando – “manhã sem sol, sem iaiá sem ioiô”

O Meia Hora resolveu ser mais ou menos respeitoso com a figura do cantor brega. Só que, por alguma razão (novamente, não tente entender), chamaram a Mulher Maçã (sempre ela), para posar com uma calcinha preta.

Wando


ET – adeus

Aqui a gente vê os padrões do Meia: o ET, da dupla “Rodolfo e ET”, ganhou um pedacinho da capa, lá no canto. Mas com uma chamada tão séria que poderia ser da Zero Hora ou do Estadão.

morte do et

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Associação Amigos de Águas Claras: enfrentando a realidade (jornal Correio Rural)

Matéria publicada pelo jornal Correio Rural, edição 5298, Ano 104 (26 de Agosto de 2016).

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A Associação Amigos de Águas Claras luta pela retomada do equilíbrio financeiro e do interesse da própria comunidade.

A entidade, que nos anos 90 chegou a ter centenas de sócios, foi o canal pelo qual a região passou a ter acesso rede telefônica (da antiga CRT), aos Correios, e outras melhorias. Também servia como “voz” de diálogo semioficial com a Prefeitura de Viamão.

Nos últimos anos, com a quebradeira do serviço de intermediação de plano de saúde, e o abandono do espaço pela população, planejou-se até mesmo vender o prédio e encerrar a entidade. Isso não aconteceu, mas o número de sócios atualmente não fecha uma centena.


A SITUAÇÃO FINANCEIRA

O atual presidente, Gilberto “Beto Bike” Maia, diz ter assumido uma Associação com aproximadamente 30 mil reais em dívidas com bancos, e mais de 300 mil em débitos com a Unimed. “O plano é criar novas entradas de arrecadação, e pagar a dívida com o banco. A do plano de saúde, não acredito que possamos um dia pagar. Atualmente, estamos empurrando tudo isso com a barriga e buscando soluções”, diz ele.

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ATIVIDADES

Uma das primeiras medidas foi abrir o espaço para usos diversos. “Temos reuniões de grupos de apoio, de diabéticos, combate às drogas, além de aulas de yoga, capoeira, e estamos fechando outras parcerias.”

Nada disso, porém, traz aportes financeiros para a entidade. A intenção é atrair as pessoas de volta. “Uma comunidade precisa ter sua associação, porque sem ela, não se tem nada. Mas as pessoas ainda não estão ligadas nisso”, filosofa.


INVESTIMENTOS

Beto aposta em um esquema comercial para recuperar o caixa: “Nós vamos receber agora um valor, dez, quinze mil reais, da AMAVI (a associação das mineradoras de areia), e a primeira coisa que vou fazer é colocar uma grama sintética aqui na quadra. De dia, as portas ficarão abertas para as atividades da comunidade e, à noite, vai funcionar como uma quadra de futsal paga.”

Outra fonte possível de rendimentos são os painéis de apoiadores – as propagandas, pintadas nas velhas paredes, são todas ainda acompanhadas de números de telefone começando em “4”. Algumas empresas anunciadas fecharam na década passada. “Mas é difícil arrumar patrocinadores aqui na região, ainda mais em uma época complicada como a atual”, diz o presidente.

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Notinhas Eleitorais (no jornal Correio Rural)

Opinião em forma de “pitacos irônicos” publicada no jornal Correio Rural, edição 5298, ano 104, de 26 de Agosto de 2016 – no espaço cedido do colunista “O Markara”.

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(e, uma honra, ao lado do patriarca do jornal, Milton Santos)


RUMO À ASSEMBLEIA – Já estão nas ruas vários ótimos candidatos a assessor de deputado estadual, oficialmente inscritos como postulantes à Prefeitura.

O FUTURO É DOS NANICOS – Não, não estou dizendo que algum partido nanico crescerá magicamente. É que, com tanto partido e tanto candidato, em 2017 é provável que tenhamos muitas “bancadas” de um vereador só. No samba da governabilidade, cacique nanico vai virar rei.

DISCURSO VISUAL – A propaganda do PT está, como sempre, muto bonita. Mas neste ano não vemos nela a famosa estrelinha vermelha. O que talvez seja boa ideia, dada a queda abrupta de popularidade do partido. Com o slogan “no Ridi eu voto”, a aposta é no “voto pela pessoa”. No mínimo, estamos diante de uma baita guinada no discurso petista.

QUAL O INTERESSE? – A (enorme) coligação do vice-prefeito André pediu a impugnação dos dois ex-prefeitos petistas (Ridi e Alex), por causa dos problemas nas contas de seus governos. A chapa petista, que não conseguiu nem preencher sua nominata, é tão assustadora assim?

CASO DESISTISSEM – Ao contrário do senso comum, se Ridi (e mais uns dois candidatos) desistissem, a vantagem seria para a oposição, que passaria a dividir menos seus votos.

A ZOEIRA, SEMPRE – Toda eleição é terreno fértil para os piadistas de plantão. Candidatos bizarros, promessas mirabolantes e coligações tão esdrúxulas quanto quilométricas rendem muitas risadas.

É VOCÊ, SATANÁS? – Eu não posso reproduzir aqui o “santinho”, então, vocês vão ter que simplesmente acreditar em mim: tem um candidato em Viamão cujo nome é… “Demônio”!

OUTROS SERES – Temos também “Adriano Muskito”, “Cabeção”, “Cafuringa”, “Pintinho”, “Sapinho”, “Ferrugem”, “Tutu”, “Nelsinho de Verdade” (estilo cavaleiros do zodíaco), “Alemão do Gás”, “Nego Leco”, “Jessé da Ipiranga até Viamão”, “Tiazinha” e outros.

OS ETERNOS – E temos os candidatos que eu admiro pela persistência (sério, sou amigo de quase todos): Adroaldo Luvizetto, Raildo, Mariozan, Canelinha, Reginaldo, Vitor Marileu, Ciro Barbosa, Dr. Wailer, Kadú, Vânia Schaurich e, depois de longa ausência, Silva Leandro!

TENTANDO VOLTAR – Já foram da “Série A” e tentam voltar do grupo de acesso: Juarez de Souza, Valmir Moura, Belamar, Katofa, Professor PG, Tadeu Nunes, e o querido ex-deputado-relâmpago Zilmar Rocha!

 

News conference

Assessoria de Comunicação além do feijão-com-arroz

Fazer jornalismo é uma coisa. Fazer Assessoria é outra. E se tem uma coisa que os profissionais deveriam ter sempre em mente é isso: não ficar na defensiva.

Órgãos públicos e empresas que prestam serviços concedidos muitas vezes têm profissionais de Jornalismo e Relações Públicas em algum setor dedicado à manutenção da imagem da entidade. A coisa mais comum é que este setor seja um “bombeiro”, servindo apenas para “apagar incêndio”.

A imprensa dá um PAU na instituição, apontando uma falha no serviço? A Comunicação manda uma nota explicando e dizendo as providências que serão tomadas. Moradores organizam protestos e abaixo-assinados? A Comunicação lança uma nota dizendo que serão atendidos e praticamente pedindo “perdão, isso não vai se repetir”.

A imagem que se cria das instituições é de que são incompetentes, não fazem o que têm que fazer, mas há uma saída: elas agem sob pressão.

Que estratégia mais FURADA, né?

Comunicação Social, seja de que entidade for, tem que viver na OFENSIVA, não na DEFENSIVA.

Ela não pode ser um tapa-furos na imagem da empresa. Não! Tem é que partir para cima e fazer essa imagem se agigantar, brilhar! Fazer brilhar tanto, que ofusque a visão da opinião pública a ponto de ela não notar pequenos furos!


COMO SE FAZ ISSO?

Uma empresa de água e esgoto, por exemplo! Óbvio que, quando um cano estoura na rua e sai nos jornais a foto da porcalhada se esparramando na pista, será preciso emitir uma nota dizendo por quê aquilo aconteceu, e ressaltando a rapidez da solução.

Mas fora RESPONDER, é preciso mostrar o que se está fazendo. Inserir isso no dia a dia: não se faz mais obra grande nenhuma sem uma câmera fotográfica mostrar o trabalho! Não se faz NADA sem emitir uma nota enviada a todos os jornais, sites de notícia e rádios na região de interesse. Nada!

Aí, o Zé das Couves, o cidadão lá, ele abre o jornal um dia e se depara com a notinha: fizeram obra em tal lugar. Dali a uns dias, ele olha e vê outra obra não sei onde. Mesmo que a rede dele esteja RUIM, ele pensa “pô, os caras não estão vagabundeando, e daqui a pouco, chegam aqui!” – porque a imagem do órgão e da empresa pública é a de um lugar com ar-condicionado onde marajás concursados ficam tomando cafezinho!

Sim! Comunicação ATIVA!

News conference
News conference

Mesmo quando dá um problema, não se pode dizer apenas o básico sobre a solução. É preciso bater foto de uns técnicos se ralando, cavando, emendando. E lançar isso para o povo ver!

É como quando falta luz: as pessoas estão lá, com a TV apagada, o ar-condicionado desligado, morrendo de calor, ou frio, sem tomar banho. Elas imaginam um bando de burocratas coçando o saco. Não! Se elas vissem as fotos dos eletricistas pendurados na rede, brigando contra a chuva, o vento, as árvores, na próxima falta de luz, elas imaginariam os caras lá, brigando para restaurar a energia, e a espera pareceria menos irritante. Ao menos, teria consciência de que uma eventual demora deve-se à dificuldade, não à falta de vontade.

Tudo o que possa construir a imagem tem que virar nota. Tem que sair no site da instituição. E tem que ser enviado aos veículos de comunicação.


O USO DO EMOCIONAL

Notas de comunicação institucional normalmente são frias e dizem apenas o essencial. Tudo o que narrei acima tem algo de novelesco. E é para ter mesmo!

Porque imagem é uma coisa que não se constrói no terreno do estritamente racional. Não! É preciso ser meio psicólogo! É preciso ser meio marqueteiro!

É preciso emocionar as pessoas e fazerem elas não apenas respeitarem a instituição, mas se apegarem a ela, confiarem nela!


CAMPANHA CONSTANTE

O clima de uma assessoria de comunicação tem que ser parecido com o de uma campanha eleitoral: é preciso “vender” a imagem o tempo todo. Como se houvesse uma eleição amanhã que define o destino daquela entidade. Como se houvesse uma concorrente querendo tomar-lhe o lugar, e o voto do povo decidisse isso.

Porque, no fim das contas, decide. Ex-funcionários de estatais privatizadas me darão razão.


O PODER DO “CALHAU”

Aí, alguém indaga: mas Fábio, como é que vamos divulgar esse material todo se não temos grana para ficar comprando espaços em jornais, rádios e sites?

E aí eu direi: não vamos COMPRAR.

Existe uma palavra, no jornalismo, que é “calhau”. Não sei se os estudantes de hoje usam esse mesmo termo, mas há dez anos atrás, nos diziam isso. Bem.

Digamos que o jornal tem que fechar à meia-noite para ser impresso. São onze e meia. O diagramador fechou aquela página malvada toda bonitinha, todos os anúncios estão ali, e todas as matérias. Mas tem aquele retângulozinho maldito que não tem conteúdo. Aí, ele sai catando uma coisa para colocar ali. E vejam que maravilha: tem uma matéria prontinha, uma nota, bem na caixa de e-mail da redação! É uma coisa que pode ser do interesse da população, uma obra, um comunicado, uma porcaria qualquer, de uma empresa que presta um serviço relevante!

Aí o cara “fecha” a página com aquela nota. E PIMBA! Não pagamos NA-DA!


O PODER DO “PODE SER”

Jornais e rádios menores fazem isso com freqüência. Os maiores, nem tanto, mas fazem. Aquela grande instituição mandou uma nota que até pode ser de interesse dos leitores. Mas ela não anuncia no jornal nem comprou espaço para botar aquele conteúdo.

Isso não quer dizer que não possa, FUTURAMENTE, vir a comprar espaços para botar publicidade institucional. Então, convém FICAR BEM com ela. E o editor resolve dar a nota, na esperança de ganhar uns pontinhos para o futuro.


A COMUNICAÇÃO POR FORA DOS GRANDES MEIOS

Fora isso, o material produzido deve ser publicado no site institucional. Em casos específicos, deve-se emitir um impresso com a matéria específica, que afeta a uma comunidade qualquer, e distribuir por aquela localidade.

Às vezes, nem é necessário: jornais do interior e jornais de bairro são sempre carentes de prestígio e credibilidade. Obter uma entrevista exclusiva com o dirigente de uma instituição cujo nome é forte e tradicional dá status, faz o veículo de comunicação parecer importante. Então, se um figurão aceita posar numa foto ao lado do diretor ou de alguém daquele veículo de comunicação, pode dizer o que deve ser dito, sem gastar nada mais do que alguns minutos do seu tempo.


A IMAGEM NÃO É TUDO, MAS É 95%

Talvez tudo isso que eu digo pareça estranho. Mas é estranho, porque dirigentes de coisas públicas ou não totalmente privadas costumam focar na política. Seu cargo depende de agradar a algum político. Ou, em alguns bons casos, depende de ser tecnicamente competente, de contentar um olho invisível que se expressa em números e metas.

Hoje, na era da informação, da democracia de massas, o espectador mais importante não é o figurão, não é o relatório: é o consumidor. Vivemos em um tempo em que tudo funciona pela lógica do Mercado. Um sujeito compra um carro da marca X e não da Y porque aquela marca lhe inspira confiança, porque ela dá a impressão de status social, etc. Ele forma o juízo dele acerca do carro, em parte – APENAS EM PARTE – pela experiência prática do rodar com ele. O resto, é subjetivo.

E o mesmo ocorre com xampu, pipoca, boné, canal de TV, a escola do filho. E com os serviços públicos e concedidos, oras!

capa confusa

Cinco erros comuns de diagramação de capas de jornal

Criar a capa de um jornal não é uma tarefa trivial, tanto é que vemos verdadeiras atrocidades, especialmente em jornais menores, do interior. Eu já falei sobre os segredos e dicas para fazer uma capa bem feita, primeiro esclarecendo para quê serva a capa, e depois, falando sobre a identidade visual que o jornal deve perseguir.

Embora o jornal impresso esteja, segundo os especialistas, com os dias contados, ele ainda é forte. O problema é que, hoje em dia, não temos mais um banco de profissionais dedicados à arte de montar páginas de jornais com excelência. Bons profissionais existem, mas vão progressivamente sumindo do mercado.

No interior, onde a imprensa de papel deve demorar mais tempo a morrer, às vezes o trabalho é feito por pessoas com pouca experiência. E é para elas que elaboro esta checklist de mancadas que precisam ser evitadas.

A lista não está em ordem de importância. É simplesmente uma maneira de torná-la compreensível.


1 – Confundir o leitor – Às vezes, temos na capa uma matéria meia-boca com uma bela foto, e outra matéria bombástica sem foto. Ou temos duas matérias que merecem capa. E é preciso, após desenhar a capa, dar uma parada para olhar e tentar imaginar o quê o leitor entenderá. 

Em um caso clássico de confusão PROPOSITAL, um jornal colocou uma manchete dizendo “Maluf eleito!”, com uma enorme foto do político. Abaixo, havia outra matéria, com uma enorme manchete: “É fogo!” Foi a forma de atacar o candidato vencedor sem levar processo.

Infelizmente, em 99% das vezes, as implicações e mal entendidos não são propositais. Abaixo, vemos um caso: há uma matéria sobre um festival de humor, e outra sobre abusadores de crianças. Considerando que boa parte dos transeuntes apenas dará uma olhada na capa, o palhaço que posou para a imagem provavelmente terá bastante dor de cabeça:

capa com mancada de combinado


2 – Não separar direito conteúdo de propaganda. É um erro mortal. Um pedaço da capa deve ter publicidade, e o outro, as manchetes e chamadas. Bem distintos. Jamais separe o conteúdo editorial em “quadrinhos” cercados de propaganda, nem vice-versa.


3 – Combinar cores que não combinam. Se sua manchete vai ser vermelha, o fundo não pode ser preto. Se o fundo for preto, a letra não pode ser marrom. Destaque. Nunca esqueça: destaque!

Abaixo, um jornal no qual eu mesmo colaborei, e no qual derrapamos na curva das cores. Perceba como ficou ruim para ler a manchete, e imagine que alguém tente ler isso na rua, com o jornal pendurado na banca, debaixo do sol que reflete o verde do fundo:

capa sem contraste


4 – Fotos minúsculas. Se a sua foto para a capa é ruim, não use-a. Bote a manchete em cima de um fundo com alguma cor, ou use outra imagem. Não dê ao leitor a impressão de que há um quadrinho borrado no canto ao lado do texto.

jornal com fotinho


5 – Manchetes-TCC. E por TCC estou falando de Trabalho de Conclusão de Curso, ou seja, um texto mega-longo que é praticamente uma matéria. Resuma. Frases curtas. Chamadas. Impacto! Abaixo, um exemplo de NÃO FAZER:

jornal com manchete grande


E por enquanto é só, pessoal!

Ah, antes que eu me esqueça: uma dica que já dei em outro artigo, e que não cansarei de repetir até o fim dos meus dias (ou dos jornais impressos, o que vier primeiro): não cometa o erro supremo de enganar o leitor! Não faça na capa uma chamada mentirosa sobre uma matéria, que levará o coitado do público a abrir as páginas, com avidez nos olhos, para em seguida perceber-se vítima de um embuste. Em duas ou três edições, isso acaba com a credibilidade da publicação.

Agora, sim, agradeço a todos que leram mais este artigo até o final, e espero que ele tenha sido útil. Até o próximo!

 

dois_jornais

O que a capa diz sobre a identidade do seu jornal

Hoje, vou dizer a vocês que, sem sombra alguma de dúvida, o tipo de desenho DIZ MUITO SOBRE QUEM É O JORNAL E PARA QUEM ELE FOI ESCRITO.

Muitas pessoas no ramo da comunicação infelizmente ignoram isso, e acabam optando por um desenho simplesmente por ser bonito ou se parecer com o de outro veículo totalmente diverso, que o diretor gostou. Mas há alguma ciência por trás do design da primeira página de um jornal.

Um exemplo rápido, só para a gente começar:

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De um lado, temos o Correio do Povo, um jornal de 120 anos de idade, respeitado, histórico, focado em um público que considera-se educado e que lê notícias com mais de 10 linhas de texto. É um jornal que traz até coisas de literatura e cadernos sobre história (explico para quem não conhece). Note que há texto na capa, notas, e praticamente todo o espaço é branco, com letras pretas. Há uma fonte serifada daquelas clássicas, parecida com o Times New Roman, e tudo parece mais “sério” do que na capa do lado.

A outra é uma capa do Diário Gaúcho, o jornal mais barato e de maior circulação no Rio Grande do Sul. É um jornal popular, desses que os trabalhadores leem no ônibus, todo mundo dá aquela olhada, e faz grande sucesso entre guardinhas em geral. A capa tem muito menos texto, as fotos são maiores e em profusão, e a manchete principal é maior, mais berrante, e é uma frase de impacto (inclusive, usando o tempo do verbo incorreto, porque o sujeito em questão JÁ FOI para a cadeia). Gostosas seminuas, prisões, mortes, celebridades e futebol normalmente dominam a capa.


Tipologia

Nesses dois casos, além da distribuição das matérias (alinhadas em um, e “carnavalesca” no outro), das cores e tudo mais, precisamos também atentar para as FONTES escolhidas. A tipologia. Eu ainda vou falar muito sobre tipologia aqui no blog. Ela é importante, e é um assunto de grande interesse (meu, e deveria ser de vocês também). De fato, eu ia fazer minha monografia da faculdade sobre isso, mas por falta de literatura a respeito do assunto, optei por outra coisa.

De qualquer forma, minha teoria em 2004… e até hoje… é que a tipologia diz MUITO sobre o impresso. Notem como o jornal para pessoas mais “sérias” usa letras serifadas, parecendo algo feito há décadas. Parecendo um livro. Bom. Este tipo de letra favorece este tipo de jornal, porque ele vai ter textos longos e aprofundados.

Já o outro, o “popularzão” opta por fontes mais “modernas”, e provavelmente tem textos bem mais curtos e genéricos.


 

Assunto e linguagem

Também o texto que vai na capa e a ESCOLHA DAS MATÉRIAS DIGNAS DE CAPA diz muito sobre o jornal. Esses dois exemplos aí são do mesmo dia. Veja que um optou por botar uma matéria de economia, e o outro, sangue. Até a forma como as frases são escritas é diferente.

Não há uma fórmula perfeita para criar essas frases. Elas têm conexão com o público, com o tempo, com o uso da lingua. Um certo “feeling” do que combina ou não combina. E não é algo fixo. Veja abaixo essa capa dos anos 40:

capa_rompimento_com_o_eixo

A frase parece ter saído da boca do Mestre Yoda, com os elementos em ordem que hoje não se usa mais. Mas na época, passou seu recado.

Por isso composição das FRASES diferencia tudo.

A gente não pega um Correio do Povo, por exemplo, e lê nele uma manchete do tipo “Homem traído enfiou a cabeça do Ricardão no forno a lenha”. Mas no Diário Gaúcho, provavelmente já houve manchetes piores.

O jornal Meia Hora (que eu uso, sim, muito, como exemplo aqui no site – porque por mais que se possa questionar seus critérios jornalísticos, é um periódico que faz capas lendárias) é famoso por usar trocadilhos e frases de duplo sentido. Além de debochar dos sujeitos envolvidos em suas manchetes. Isso passa uma ideia de pouca seriedade e muito escracho… que é EXATAMENTE o que o jornal faz.

meia_hora_horrendo

Claro, não estou aqui dizendo que necessariamente um jornal SEJA aquilo que ele PARECE SER, mas, se queremos fazer um trabalho profissional, devemos ao menos saber o que estamos fazendo e qual imagem queremos passar.


Agora, falemos de uma coisa muito útil: O USO DAS CORES É ESSENCIAL, E NÃO PODE SER DESPERDIÇADO.

Se vocês estão fazendo um jornal COLORIDO, ou ao menos, com a CAPA COLORIDA, então NÃO diagramem uma capa “estilo preto e branco”, só com textos em preto, e fotos. Isso é desperdício do recurso.

Não saiam por aí colorindo as letras como um arco-íris, porque isso, claro, vai avacalhar a capa. Mas permitam-se usar cores de fundo. Elas são MUITO ÚTEIS.

O uso de cores de fundo e nas letras diz bastante sobre o TIPO DE EMOÇÃO que se quer despertar no leitor. Vou mostrar duas capas do lendário Meia Hora, só para a gente olhar:

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Aqui, vemos um fundo cor-de-rosa na matéria sobre o novo programa da Fátima Bernardes (claro que usaram um trocadilho besta, mas e daí?). Já na matéria policial horrível da outra capa, o fundo é preto. Dá a impressão de algo pesado, terrível.

Colocar uma foto, por exemplo, do “casal telejornal” com um fundo preto daria ao leitor a impressão de que a manchete é sobre algo terrível. Até poderia angariar um pouco mais de venda na banca, mas daria ao público a impressão de um embuste, destruindo qualquer chance de fidelização daquele leitor.

É importante não criar e destruir expectativas nas capas de um jornal, caso se pretenda fazê-lo durar. Jornais impressos ainda são vistos como veículos confiáveis e tradicionais, e brincar com a cara do leitor não é boa ideia.

O assunto “capa” ainda voltará a ser tratado. Aguardem!