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capa confusa

Cinco erros comuns de diagramação de capas de jornal

Criar a capa de um jornal não é uma tarefa trivial, tanto é que vemos verdadeiras atrocidades, especialmente em jornais menores, do interior. Eu já falei sobre os segredos e dicas para fazer uma capa bem feita, primeiro esclarecendo para quê serva a capa, e depois, falando sobre a identidade visual que o jornal deve perseguir.

Embora o jornal impresso esteja, segundo os especialistas, com os dias contados, ele ainda é forte. O problema é que, hoje em dia, não temos mais um banco de profissionais dedicados à arte de montar páginas de jornais com excelência. Bons profissionais existem, mas vão progressivamente sumindo do mercado.

No interior, onde a imprensa de papel deve demorar mais tempo a morrer, às vezes o trabalho é feito por pessoas com pouca experiência. E é para elas que elaboro esta checklist de mancadas que precisam ser evitadas.

A lista não está em ordem de importância. É simplesmente uma maneira de torná-la compreensível.


1 – Confundir o leitor – Às vezes, temos na capa uma matéria meia-boca com uma bela foto, e outra matéria bombástica sem foto. Ou temos duas matérias que merecem capa. E é preciso, após desenhar a capa, dar uma parada para olhar e tentar imaginar o quê o leitor entenderá. 

Em um caso clássico de confusão PROPOSITAL, um jornal colocou uma manchete dizendo “Maluf eleito!”, com uma enorme foto do político. Abaixo, havia outra matéria, com uma enorme manchete: “É fogo!” Foi a forma de atacar o candidato vencedor sem levar processo.

Infelizmente, em 99% das vezes, as implicações e mal entendidos não são propositais. Abaixo, vemos um caso: há uma matéria sobre um festival de humor, e outra sobre abusadores de crianças. Considerando que boa parte dos transeuntes apenas dará uma olhada na capa, o palhaço que posou para a imagem provavelmente terá bastante dor de cabeça:

capa com mancada de combinado


2 – Não separar direito conteúdo de propaganda. É um erro mortal. Um pedaço da capa deve ter publicidade, e o outro, as manchetes e chamadas. Bem distintos. Jamais separe o conteúdo editorial em “quadrinhos” cercados de propaganda, nem vice-versa.


3 – Combinar cores que não combinam. Se sua manchete vai ser vermelha, o fundo não pode ser preto. Se o fundo for preto, a letra não pode ser marrom. Destaque. Nunca esqueça: destaque!

Abaixo, um jornal no qual eu mesmo colaborei, e no qual derrapamos na curva das cores. Perceba como ficou ruim para ler a manchete, e imagine que alguém tente ler isso na rua, com o jornal pendurado na banca, debaixo do sol que reflete o verde do fundo:

capa sem contraste


4 – Fotos minúsculas. Se a sua foto para a capa é ruim, não use-a. Bote a manchete em cima de um fundo com alguma cor, ou use outra imagem. Não dê ao leitor a impressão de que há um quadrinho borrado no canto ao lado do texto.

jornal com fotinho


5 – Manchetes-TCC. E por TCC estou falando de Trabalho de Conclusão de Curso, ou seja, um texto mega-longo que é praticamente uma matéria. Resuma. Frases curtas. Chamadas. Impacto! Abaixo, um exemplo de NÃO FAZER:

jornal com manchete grande


E por enquanto é só, pessoal!

Ah, antes que eu me esqueça: uma dica que já dei em outro artigo, e que não cansarei de repetir até o fim dos meus dias (ou dos jornais impressos, o que vier primeiro): não cometa o erro supremo de enganar o leitor! Não faça na capa uma chamada mentirosa sobre uma matéria, que levará o coitado do público a abrir as páginas, com avidez nos olhos, para em seguida perceber-se vítima de um embuste. Em duas ou três edições, isso acaba com a credibilidade da publicação.

Agora, sim, agradeço a todos que leram mais este artigo até o final, e espero que ele tenha sido útil. Até o próximo!

 

capaa_valendo_copia

O Jornal Sexta vai voltar?

Esta semana, temos algumas novidades na vida jornalística viamonense. O Jornal Sexta online voltou a ser atualizado, e tivemos umas conversas preliminares sobre a volta da versão impressa.

Hoje, há pouco, um antigo leitor (em meio a um papo sobre outro assunto nada a ver) me perguntou por quê, no hiato do Sexta, eu não busquei espaço em outro jornal da cidade. Não tenho certeza de que me dariam, mas, mesmo se me dessem – expliquei – eu estive na primeira edição do Sexta e escrevi em todas as que vieram depois. Enquanto o projeto de continuidade do Sexta estiver em pauta, eu estou comprometido com ele.

Acho importante ter uma certa coerência com quem nos dá espaços e com os amigos com quem se embarcou em um projeto.