Início » Posts do antigo blog » carro

Tag: carro

fusca

Quanto custava um Fusca no ano que em foi lançado?

Texto publicado no site Covil da Discórdia.


 

Eis aí uma curiosidade de quase todo antigomobilista. Então, vamos aos cálculos!

Quando o Fusca foi lançado comercialmente na Alemanha em 1939, o preço de um carro (zero, e de um modelo que estava sendo lançado naquele ano, vejam vocês) era de 990 marcos.

O plano de financiamento padrão era que o comprador pagaria 5 marcos por semana. Se um trabalhador comum ganhava 35 marcos por semana (e estamos falando de gente de construção, operários, mecânicos, não de advogados ou médicos), isso quer dizer que…

kdf wagen

O Fusca custava o equivalente a SETE OU OITO MESES DO SALÁRIO MENSAL DE UM TRABALHADOR. Traduzindo, digamos que a gente pegue a faixa de trabalhadores que ganham R$ 1.800,00 mensais, mais ou menos. O carro custaria algo entre R$ 12.000,00 e R$ 14.000,00. Ou talvez um pouco menos.

O que diz muito sobre a ideia de “carro popular” daquela época, e de agora.

Embora o Fusca não tenha os equipamentos e confortos de um carro “popular” moderno, seu processo de fabricação era relativamente mais caro do que o de qualquer automóvel atual – alemães do entreguerras não tinham robôs.

Feito para durar décadas (afinal, se Hitler queria motorizar os trabalhadores alemães, era melhor que o carro comprado pelo Fritz hoje ficasse inteiro por uma década, para que outras pessoas pudessem comprar os veículos que fossem sendo produzidos no ano seguinte), era algo bem distante do conceito de “obsolescência programada” que rege quase toda a indústria atual.

Não é por acaso que o Fusca tornou-se um carro realmente popular.

oggi

O sujeito que comprou por acaso um raríssimo Fiat Oggi série Pierre Balmain

Essa história começa no blog antigo: uma vez, eu lancei uma campanha chamada “Fotografe um Oggi”, e algumas pessoas me mandaram fotos desses carrinhos. Até que um sujeito, sob pseudônimo de Conde de Terra Nova, me mandou algo especial.

Para quem não sabe o que é um Oggi: é a versão sedã do Fiat 147. Foi lançado em 1983, e em 1985, ganhou uma série “esportiva” (CSS), da qual saíram 300 unidades. E aí o Oggi deu lugar ao Fiat Premio. Bom.

O tal Terra Nova comprou um Oggi. Agora, sabemos que Oggis são raros, série CSS ainda mais. 

Na verdade, ele acabou comprando, sem saber, um exemplar de uma série ainda mais rara e exclusiva que a CSS: a série Pierre Balmain, com visual e acabamentos assinados pela grife de mesmo nome (o estilista Pierre Balmain, fundador da marca, morreu em 1982). Foram apenas 50 carros construídos nessa série especial, nos primeiros meses de 1984.

Se no próprio ano de lançamento, ele já era raro e exclusivo, encontrar um desses andando 30 anos depois é um achado arqueológico.

Terra Nova tornara-se o dono de uma verdadeira jóia da história automobilística.

oggi_pb

Sendo assim, ele pôs-se a restaurar o carro. O Oggi do “conde” estava todo original. Só não tinha as duas malas de couro assinadas pelo estilista, que vinham no porta-malas do Oggi de luxo original.

Terra Nova me mandou um texto sobre sua incrível história, que eu publiquei, depois perdi (assim como boa parte do site velho). Não importa. A história, os fatos, são esses.

A série Pierre Balmain foi criada com o foco específico de aproximar, no começo dos anos 1980, a indústria dos automóveis à da moda, atraindo um público feminino. Seria um nicho no qual a Fiat reinaria sozinha na época. A tática não funcionou. Mas legou ao mundo um carro charmoso e com acabamento impecável.

 oggi_etiqueta

lada na neve

Como consertar um Lada Laika usando peças de carros nacionais

O maior desafio da vida de quem tem um Lada Laika é achar peças para o carro. Felizmente, como trata-se de uma mecânica muito simples, é possível usar peças de carros brasileiros comuns. 

lada gatinha no outono

O Lada Laika, ao contrário do que se costuma pregar por aí, é um carro excelente. Foi lançado no Brasil logo depois da abertura do mercado para importações, no governo Collor, e competia em preço com o carro mais barato do Brasil na época, o Fusca. Só que, claro, com o motor muito menos barulhento, o espaço interno muito maior, um consumo de gasolina mais modesto, e potência bem mais empolgante.

Era um sistema complicado. Os Ladas saíam da União Soviética (da Rússia), iam para o Panamá, e de lá, para o Brasil. Não havia linha de montagem em terras tupiniquins. O problema é que, apesar de os carros da Lada serem populares, resistentes e simples de manter (o Laika é o equivalente do Fusca na Rússia até hoje: qualquer um conserta, e há peças em todo lugar), apareceram problemas na vinda das peças sobressalentes. Quando os Ladas no Brasil começaram a quebrar (natural com a idade), não haviam peças originais. O fim do socialismo no Leste Europeu e um sistema de logística muito mal pensados contribuíram para bagunçar ainda mais a vinda desses itens.

A solução foi usar o Método MacGyver. Brasileiros ladeiros foram adaptando peças de carros nacionais. Eu fui, orgulhosamente, um deles. E trago algumas contribuições sobre o quê usar no seu Lada.

Porque Lada é Rússia. Lada é proletário. Lada é sexy.

Nunca se esqueça disso.

lada gostosas


CABOS DE VELA

lada_cabos_de_vela

Os cabos de vela do Fiat Palio primeiro modelo (aquele dos anos 90) adaptam-se perfeitamente aos espaços e encaixes do Lada Laika. Parece até que foram feitos para ele. O que não surpreende, já que a Lada começou a fazer este carro baseado em um modelo da Fiat dos anos 1970, e a fábrica italiana seguidamente reaproveita, com aprimoramentos, desenhos que já deram certo em modelos anteriores.


CALÇOS DO MOTOR

lada_calcos

Essa adaptabilidade é completamente inexplicável: por quê um carro feito na União Soviética, em cima de um modelo da Fiat, teria calços do motor quase iguais aos de um carro brasileiro baseado em um modelo alemão de uma fábrica norte-americana? Eu não sei. Mas os calços de motos do Opala casam direitinho no Lada. Não me pergunte por quê.


ALTERNADOR

lada_alternador

Adaptar um alternador não é tão fácil quanto parece. É preciso levar em consideração o tamanho dele, o tamanho da polia, o encaixe dele no espaço junto ao motor. Assim como no caso dos calços, não tenho explicação alguma, mas o alternador do Escort Hobby parece feito para o Lada Laika. Na verdade, não do Hobby especificamente, e sim o de qualquer Escort com motor CHT. O regulador de voltagem e tudo mais são perfeitos.


TAMPINHA DO RESERVATÓRIO DE ÁGUA

lada_tampinhas

Uma palavra: Fiat 147. (ok, são duas palavras). Não só esta tampinha como inúmeros outros componentes pequenos do Lada Laika são assustadoramente iguais aos do Fiat 147. E não é para menos: o carrinho da marca italiana é o modelo exatamente posterior àquele que os russos usaram como base para o nosso amado carango comunista.


CARBURADOR

carburador_chevette

Aqui, temos a questão central: o carburador do Lada não é difícil de recondicionar. O problema é que oficinas que recondicionem carburadores estão ficando a cada dia mais difíceis. Eu mesmo só conheço uma, boa, no cruzamento da RS118 com a RS020. Então, em muitos casos, é preciso trocar o carburador do Lada Laika. Tem gente que usa de Fusca (não sei como fica), mas os dois que ouço dizer que são muito bons são o Solex de corpo simples (do Chevette, acho), e o Weber 460 (do motor CHT).


DISTRIBUIDOR

lada_distribuidor

Neste item, o Lada não tem exclusividade alguma em termos de adaptabilidade: sabe aquele distribuidor simplinho para carros com ignição eletrônica, que funciona no Chevette e mais um monte de veículos da mesma época? Pois é. Ele funciona no Lada Laika também. E não estou falando de adaptações. Ele encaixa perfeitamente.


E da minha parte, essas são as dicas! Se alguém quiser expandir a lista, sinta-se livre para usar o espaço de comentários.

lada enchente