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Clodovil

Dez capas inacreditáveis do Meia Hora homenageando famosos falecidos

O jornal Meia Hora é conhecido nacionalmente por suas capas absolutamente absurdas, que misturam deboche, trocadilhos e uma falta absoluta de noção e bom-mocismo.

Quando alguém famoso morre, por mais esdrúxulo que tenha sido seu papel durante a vida, normalmente recebe um respeito especial da mídia, e o carinho do público. O Meia Hora tem sua forma peculiar de expressar essa reverência.


 

Clodovil “virou purpurina”

A piada corria as conversas de boteco, mas só o Meia teve coragem de passá-la para o papel e botar na banca.

  Clodovil       


Nelson Ned – “não existe mesmo enterro de anão!”

O cantor foi cremado.

Nelson Ned


Amy Winehouse – “bebeu, fumou, cheirou e dançou”

Sério.

amy winehouse


Michael Jackson “nasceu negro, ficou branco e vai virar cinza”

Tá, não foi uma capa muito extrema. Usaram uma imagem do clipe “Thriller”. E não fizeram nenhuma gozação com as acusações de pedofilia. Quase formal demais, para o Meia Hora.

Michael Jackson


Hugo Chaves “morre sem querer querendo”

Sim, enquanto o mundo dividia-se entre os apoiadores emocionados com a morte do líder venezuelano, e os detratores riam à toa, o Meia optou pelo trocadilho com o personagem mexicano.

hugo chavez


Roberto Bolaños – “Chaves morreu? Isso, isso, isso!”

Engraçado é que a morte do lendário comediante recebeu muito mais respeito e piadas mais comedidas do que as mortes de personagens mais “sérios”.

Robert Bolanos Chaves


Chorão “troca Charlie Brown por Sepultura”

Eu juro que esta é a capa de verdade, da edição trazendo a morte do vocalista do Charlie.

Chorao do Charlie Brown


Steve Jobs – essa eu preciso explicar…

O co-fundador da Apple morreu, e aí, por razões que só Deus sabe, a Mulher Maçã lançou uma carta aberta lamentando o fato. Mas chamou o cara de “Esteve” Jobs. Não, não tente entender. Só olhe e leia.

Steve Jobs


Wando – “manhã sem sol, sem iaiá sem ioiô”

O Meia Hora resolveu ser mais ou menos respeitoso com a figura do cantor brega. Só que, por alguma razão (novamente, não tente entender), chamaram a Mulher Maçã (sempre ela), para posar com uma calcinha preta.

Wando


ET – adeus

Aqui a gente vê os padrões do Meia: o ET, da dupla “Rodolfo e ET”, ganhou um pedacinho da capa, lá no canto. Mas com uma chamada tão séria que poderia ser da Zero Hora ou do Estadão.

morte do et

capa confusa

Cinco erros comuns de diagramação de capas de jornal

Criar a capa de um jornal não é uma tarefa trivial, tanto é que vemos verdadeiras atrocidades, especialmente em jornais menores, do interior. Eu já falei sobre os segredos e dicas para fazer uma capa bem feita, primeiro esclarecendo para quê serva a capa, e depois, falando sobre a identidade visual que o jornal deve perseguir.

Embora o jornal impresso esteja, segundo os especialistas, com os dias contados, ele ainda é forte. O problema é que, hoje em dia, não temos mais um banco de profissionais dedicados à arte de montar páginas de jornais com excelência. Bons profissionais existem, mas vão progressivamente sumindo do mercado.

No interior, onde a imprensa de papel deve demorar mais tempo a morrer, às vezes o trabalho é feito por pessoas com pouca experiência. E é para elas que elaboro esta checklist de mancadas que precisam ser evitadas.

A lista não está em ordem de importância. É simplesmente uma maneira de torná-la compreensível.


1 – Confundir o leitor – Às vezes, temos na capa uma matéria meia-boca com uma bela foto, e outra matéria bombástica sem foto. Ou temos duas matérias que merecem capa. E é preciso, após desenhar a capa, dar uma parada para olhar e tentar imaginar o quê o leitor entenderá. 

Em um caso clássico de confusão PROPOSITAL, um jornal colocou uma manchete dizendo “Maluf eleito!”, com uma enorme foto do político. Abaixo, havia outra matéria, com uma enorme manchete: “É fogo!” Foi a forma de atacar o candidato vencedor sem levar processo.

Infelizmente, em 99% das vezes, as implicações e mal entendidos não são propositais. Abaixo, vemos um caso: há uma matéria sobre um festival de humor, e outra sobre abusadores de crianças. Considerando que boa parte dos transeuntes apenas dará uma olhada na capa, o palhaço que posou para a imagem provavelmente terá bastante dor de cabeça:

capa com mancada de combinado


2 – Não separar direito conteúdo de propaganda. É um erro mortal. Um pedaço da capa deve ter publicidade, e o outro, as manchetes e chamadas. Bem distintos. Jamais separe o conteúdo editorial em “quadrinhos” cercados de propaganda, nem vice-versa.


3 – Combinar cores que não combinam. Se sua manchete vai ser vermelha, o fundo não pode ser preto. Se o fundo for preto, a letra não pode ser marrom. Destaque. Nunca esqueça: destaque!

Abaixo, um jornal no qual eu mesmo colaborei, e no qual derrapamos na curva das cores. Perceba como ficou ruim para ler a manchete, e imagine que alguém tente ler isso na rua, com o jornal pendurado na banca, debaixo do sol que reflete o verde do fundo:

capa sem contraste


4 – Fotos minúsculas. Se a sua foto para a capa é ruim, não use-a. Bote a manchete em cima de um fundo com alguma cor, ou use outra imagem. Não dê ao leitor a impressão de que há um quadrinho borrado no canto ao lado do texto.

jornal com fotinho


5 – Manchetes-TCC. E por TCC estou falando de Trabalho de Conclusão de Curso, ou seja, um texto mega-longo que é praticamente uma matéria. Resuma. Frases curtas. Chamadas. Impacto! Abaixo, um exemplo de NÃO FAZER:

jornal com manchete grande


E por enquanto é só, pessoal!

Ah, antes que eu me esqueça: uma dica que já dei em outro artigo, e que não cansarei de repetir até o fim dos meus dias (ou dos jornais impressos, o que vier primeiro): não cometa o erro supremo de enganar o leitor! Não faça na capa uma chamada mentirosa sobre uma matéria, que levará o coitado do público a abrir as páginas, com avidez nos olhos, para em seguida perceber-se vítima de um embuste. Em duas ou três edições, isso acaba com a credibilidade da publicação.

Agora, sim, agradeço a todos que leram mais este artigo até o final, e espero que ele tenha sido útil. Até o próximo!

 

dois_jornais

O que a capa diz sobre a identidade do seu jornal

Hoje, vou dizer a vocês que, sem sombra alguma de dúvida, o tipo de desenho DIZ MUITO SOBRE QUEM É O JORNAL E PARA QUEM ELE FOI ESCRITO.

Muitas pessoas no ramo da comunicação infelizmente ignoram isso, e acabam optando por um desenho simplesmente por ser bonito ou se parecer com o de outro veículo totalmente diverso, que o diretor gostou. Mas há alguma ciência por trás do design da primeira página de um jornal.

Um exemplo rápido, só para a gente começar:

dois_jornais

De um lado, temos o Correio do Povo, um jornal de 120 anos de idade, respeitado, histórico, focado em um público que considera-se educado e que lê notícias com mais de 10 linhas de texto. É um jornal que traz até coisas de literatura e cadernos sobre história (explico para quem não conhece). Note que há texto na capa, notas, e praticamente todo o espaço é branco, com letras pretas. Há uma fonte serifada daquelas clássicas, parecida com o Times New Roman, e tudo parece mais “sério” do que na capa do lado.

A outra é uma capa do Diário Gaúcho, o jornal mais barato e de maior circulação no Rio Grande do Sul. É um jornal popular, desses que os trabalhadores leem no ônibus, todo mundo dá aquela olhada, e faz grande sucesso entre guardinhas em geral. A capa tem muito menos texto, as fotos são maiores e em profusão, e a manchete principal é maior, mais berrante, e é uma frase de impacto (inclusive, usando o tempo do verbo incorreto, porque o sujeito em questão JÁ FOI para a cadeia). Gostosas seminuas, prisões, mortes, celebridades e futebol normalmente dominam a capa.


Tipologia

Nesses dois casos, além da distribuição das matérias (alinhadas em um, e “carnavalesca” no outro), das cores e tudo mais, precisamos também atentar para as FONTES escolhidas. A tipologia. Eu ainda vou falar muito sobre tipologia aqui no blog. Ela é importante, e é um assunto de grande interesse (meu, e deveria ser de vocês também). De fato, eu ia fazer minha monografia da faculdade sobre isso, mas por falta de literatura a respeito do assunto, optei por outra coisa.

De qualquer forma, minha teoria em 2004… e até hoje… é que a tipologia diz MUITO sobre o impresso. Notem como o jornal para pessoas mais “sérias” usa letras serifadas, parecendo algo feito há décadas. Parecendo um livro. Bom. Este tipo de letra favorece este tipo de jornal, porque ele vai ter textos longos e aprofundados.

Já o outro, o “popularzão” opta por fontes mais “modernas”, e provavelmente tem textos bem mais curtos e genéricos.


 

Assunto e linguagem

Também o texto que vai na capa e a ESCOLHA DAS MATÉRIAS DIGNAS DE CAPA diz muito sobre o jornal. Esses dois exemplos aí são do mesmo dia. Veja que um optou por botar uma matéria de economia, e o outro, sangue. Até a forma como as frases são escritas é diferente.

Não há uma fórmula perfeita para criar essas frases. Elas têm conexão com o público, com o tempo, com o uso da lingua. Um certo “feeling” do que combina ou não combina. E não é algo fixo. Veja abaixo essa capa dos anos 40:

capa_rompimento_com_o_eixo

A frase parece ter saído da boca do Mestre Yoda, com os elementos em ordem que hoje não se usa mais. Mas na época, passou seu recado.

Por isso composição das FRASES diferencia tudo.

A gente não pega um Correio do Povo, por exemplo, e lê nele uma manchete do tipo “Homem traído enfiou a cabeça do Ricardão no forno a lenha”. Mas no Diário Gaúcho, provavelmente já houve manchetes piores.

O jornal Meia Hora (que eu uso, sim, muito, como exemplo aqui no site – porque por mais que se possa questionar seus critérios jornalísticos, é um periódico que faz capas lendárias) é famoso por usar trocadilhos e frases de duplo sentido. Além de debochar dos sujeitos envolvidos em suas manchetes. Isso passa uma ideia de pouca seriedade e muito escracho… que é EXATAMENTE o que o jornal faz.

meia_hora_horrendo

Claro, não estou aqui dizendo que necessariamente um jornal SEJA aquilo que ele PARECE SER, mas, se queremos fazer um trabalho profissional, devemos ao menos saber o que estamos fazendo e qual imagem queremos passar.


Agora, falemos de uma coisa muito útil: O USO DAS CORES É ESSENCIAL, E NÃO PODE SER DESPERDIÇADO.

Se vocês estão fazendo um jornal COLORIDO, ou ao menos, com a CAPA COLORIDA, então NÃO diagramem uma capa “estilo preto e branco”, só com textos em preto, e fotos. Isso é desperdício do recurso.

Não saiam por aí colorindo as letras como um arco-íris, porque isso, claro, vai avacalhar a capa. Mas permitam-se usar cores de fundo. Elas são MUITO ÚTEIS.

O uso de cores de fundo e nas letras diz bastante sobre o TIPO DE EMOÇÃO que se quer despertar no leitor. Vou mostrar duas capas do lendário Meia Hora, só para a gente olhar:

meia_hora_duas_capas

Aqui, vemos um fundo cor-de-rosa na matéria sobre o novo programa da Fátima Bernardes (claro que usaram um trocadilho besta, mas e daí?). Já na matéria policial horrível da outra capa, o fundo é preto. Dá a impressão de algo pesado, terrível.

Colocar uma foto, por exemplo, do “casal telejornal” com um fundo preto daria ao leitor a impressão de que a manchete é sobre algo terrível. Até poderia angariar um pouco mais de venda na banca, mas daria ao público a impressão de um embuste, destruindo qualquer chance de fidelização daquele leitor.

É importante não criar e destruir expectativas nas capas de um jornal, caso se pretenda fazê-lo durar. Jornais impressos ainda são vistos como veículos confiáveis e tradicionais, e brincar com a cara do leitor não é boa ideia.

O assunto “capa” ainda voltará a ser tratado. Aguardem!

capas chapas branca

Promover políticos na capa é ruim para a publicação e para eles próprios

Este post é destinado especificamente para os diagramadores e editores de revistas, jornais e outras publicações impressas.

Na faculdade de Jornalismo, a gente aprende que o jornal deve ser imparcial, apolítico, e coisa e tal. E de fato, sempre que possível, é preciso manter distância de paixões e ideologias na hora de escrever. Mas, ninguém aqui é criança e vamos falar de uma coisa que existe: jornal com financiamento de políticos ou, ao menos, com simpatia por eles. Algo muito mais visível no caso da pequena imprensa das cidades do interior, mas que pode ocorrer em qualquer nível.


UM AVISO AOS INGÊNUOS

Só porque eu escrevo sobre alguma coisa, não quer dizer que eu a apoie ou ache que ela é o ideal. À medida que se fica adulto, passa-se a admitir que algumas coisas existem, e pronto, a gente gostando ou não. E às vezes a gente até acaba participando delas, por necessidade. Então, não me venham com discurso moralista do tipo “ah, é uma apologia ao mau jornalismo”. Não é apologia. É só uma lição sobre um jeito de trabalhar que existe e que está por aí, gostemos ou não. Ponto.


O QUE INTERESSA

Digamos que você esteja fazendo um jornal um pouco tendencioso (ou não), e que ele esteja (ou não) recebendo patrocínio de alguns políticos. Daí, você para e pensa: como melhor promover determinadas figuras apropriadamente?

O impulso publicitário/bajulatório natural de qualquer um nesta situação, seria dar CAPA para o figurão. O diretor do jornal pensa “ah, o cara vai ficar com a cara dele igual a um pôster pendurado na banca!”. Ledo engano.

O jornal que tem político, recebendo elogio ou sendo exaltado, na capa… é uma droga. Sério.

capa com presidente da camara

Se o felizardo for sempre o mesmo, tanto pior: o jornal logo ganhará a alcunha de “panfleto do Fulano”. Uma porcaria. Vocês, diretores de jornais assim, já devem ter notado que os exemplares “encalham” nos pontos de distribuição. E a razão é essa aí: o político na capa!

Jornal com político sendo “ensebado” na capa não presta. Porque ninguém pega ele para ler. Se for um jornal vendido nas bancas, tanto pior. Não vai vender nada. Os exemplares deixados em institutos de cabeleireiro e salas de espera vão mofar, porque as pessoas não terão interesse em abri-los.

Para quem está fazendo o jornal, é frustrante. Para quem está financiando ele, ou de alguma forma conta com a divulgação dada por ele, é um desperdício.

A única maneira admissível de termos políticos sendo promovidos na capa de um jornal ou revista é sob a forma de propaganda eleitoral paga, em época de campanha, em espaços destinados a este tipo de publicidade.


NUNCA ESQUEÇA O BÁSICO

Lá na faculdade de Jornalismo da PUC, aprendemos (não lembro com qual professor), que a capa não deve ser encarada apenas como mais uma página do jornal. Ela tem muito mais a ver com publicidade do que com jornalismo. É ela que “chama” o leitor. É ela que “vende” o jornal.

Mas eu já falei sobre isso.

Neste sentido, é sempre bom aprender com jornais que conseguem fazer capas lendárias (mesmo que sensacionalistas). Capas devem despertar curiosidade. 

meia hora

Então, obviamente, na capa, coloque uma manchete chamativa. Algo que faça as pessoas quererem abrir o jornal para olhar o que tem dentro. O assunto da manchete vai depender do tipo de jornal e do público-alvo no qual estamos mirando (eu falo disso em outra ocasião). O importante é que faça os leitores quererem ler o jornal.

“Mas o patrocinador e/ou amigo não vai ficar irritado?”, perguntarão alguns. E eu digo uma coisa bem certa: senhor político, o que o senhor acha melhor? Temos duas opções:

A – O jornal sai com a cara do político na capa. Dos 10 mil exemplares impressos, apenas uns 5 mil saem das bancas. Como a capa é desinteressante, eles são lidos por no máximo umas 15 mil pessoas e depois postos no lixo.

B – O jornal não mostra o político na capa. Mas tem uma matéria dele, lá dentro. A capa fica para o assunto mais bombástico e absurdamente interessante disponível. Os 10 mil exemplares impressos vendem feito água no deserto, e são lidos por 40 mil pessoas.

E aí? É melhor ser visto na capa por menos gente, ou nas páginas internas por muito mais gente? Qualquer pessoa sensata sabe que a segunda opção é a melhor, sob qualquer ponto de vista. E com isso espero estar contribuindo para a sobrevivência de quem, infelizmente, tem que fazer jornal tendencioso a mando de grupo político. Não é o ideal, mas acontece.