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      • Candidata Mais Gata 2010
        É isso aí, pessoal! Este ano, o festival de homens feios que pedem nossos votos pode ser compensado por alguma "colírios" no horário eleitoral. Uma destas beldades do mundo da política será escolhda a Candidata Mais Gata de 2010 no Rio Grande do Sul! Vote e faça História!

        OBS: esta enquete não tem por objetivo ofender a ninguém e nem reduzir as candidatas, como se estas fossem feitas apenas de seus atributos físicos. Sabemos que elas são muito mais do que isso. Mas o objetivo desta enquete não é discutir propostas, qualificações e ideologias, não é definir o voto de ninguém nas urnas. É, apenas, tornar as eleições mais divertidas.
        Jéssica Nucci
        Deputada Federal - PSTU 1606

        Manuela D´Avila
        Deputada Federal - PC do B 6565

        Gisele Uequed
        Deputada Estadual - PV 43123

        Ju Palhares
        Deputada Federal - PSOL 5025

        Juliana Brizola
        Deputada Estadual - PDT 12001

        Adriana Steinmetz
        Deputada Estadual - PMN 33999

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        Parcialidade Total
        Blog do meu amigo Eduardo Leonardi. Um cara que realmente tem estilo próprio, e seguiu o jornalismo como meio de vida em tempo integral. Curiosidade: esse cara tem uma voz tão calma que, quando narrava uma tragédia sangrenta nas aulas de rádio, dava a impressão de estar dando o boletim do tempo.

        Blog do Flávio Gomes
        Esse cara é jornalista, apaixonado por carros Lada, tem um DKW e faz uns videos nos quais encarna "Indiana Gomes", que nos mostra os carros mais bizarros e museológicos imagináveis. Teve até uma vez em que ele andou num Trabant. Fabuloso.

        Diário de Carina
        Leia e confira, as idéias de uma quase-jornalista brigando pela causa. Na verdade, não conheço essa tal de Carina, mas me dá a impressão de ser uma das pessoas mais idelistas e fofuchinhas do mundo.

        Cinéfilos
        Resenhas críticas, curtas e objetivas, de filmes. Só isso. Sem entrevistas, sem frescuras, sem nada. Só os filmes e ponto final. para quem gosta de dar umas risadas e conhecer um pouco sobre cada produção que vai saindo do forno.

        Conservador e daí?
        Conservador, mas conservador mesmo! Esse blog se opõe até mesmo à Revolução Francesa e aos ideais de liberdade pelos quais ela foi realizada. Ah, e é nele que eu li pela primeira vez o lema "nuremberg para os comunistas, já!" Sentiu o drama?

        Blog Molotov
        Aparentemente, o extremo oposto de "Olavo de Carvalho" e do "Conservador e Daí", mas, na prática, muito semelhante no grau de virulência com que trata os temas. Este é um blog mantido por pessoal do PSTU, com uma linha socialista, revolucionária e empedernida de chavões da nossa manjada whiskesquerda. Mas ostenta esse charmosíssimo nome.

        Bender Blog 2.0
        Esbarrei neste aqui por acaso. Tchê, que cara interessante de se ler. Ele fala sobre vários assuntos e traz uma visão crítica, mas bem humoriada, sobre quase tudo. E o lema é uma pérola: "Concorde comigo ou esteja fatalmente errado."

        Escreva Lola Escreva
        O blog de uma intelectual que não escreve para intelectuais. os assuntos são bem variados e a perspectiva da blogueira é bastante diferente da minha em alguns pontos, enquanto é quase igual em outros.

        Irmão do Décio
        Blog do sujeito que criou o fictício New Fiat Premio. Que mais posso dizer?

        Site da CEEE
        Site da melhor entre as 3 concessionárias de distribuição de energia elétrica do RS.

        Site da FENAJ
        Federação Nacional dos Jornalistas, nossa gloriosa entidade de nível nacional.

        Olavo de Carvalho
        Site de opiniões do mais maluco dos direitistas. Ele ainda vê o "perigo vermelho" até nos desenhos animados.

        Região dos Vales
        Site que reúne colunas, notícias, informações e novidades da região que, para mim, é a mais bonita de todo o lindo, inigualável e gigante Rio Grande do Sul.

        Sindicato dos jornalistas do RS
        O bom, velho e lutador sindicato da "catiguria" na província de São Pedro.

        Internautas Cristãos
        Site com textos que defendem uma visão cristã da vida e do mundo. Andei lendo na tentativa de voltar a acreditar em Deus. Não deu certo, mas vocês podem ir lá e tentar.

        Blog do Zé Piciña
        Blog do retardado mais reacionário que já vi Ele demonstrou, por exemplo, a ligação entre Iron Maiden e o satanismo. É cômico.

        Studio Pampa "oficial"
        Vocês querem bacalhau? Vocês querem mocotó? Vocês querem pão e circo? Este site "oficial" é bom por uma razão: avacalha totalmente o programa. E é muito divertido.

        Blog da Fran Fofura
        Dizem que depois de ir ao BBB, as novas subcelebridades não fazem nada que preste. Mas eu gostei tanto do desenho e do tom do blog que resolvi dar uma chance.

        ADJORI-RS
        Site da Associação dos Jornais do Interior do Rio Grande do Sul.

        O Ícaro e a Borboleta
        Por incrível que pareça, é o blog do Byafra. Dele, e de uma mulher que eu não sei quem é. Mas não espere encontrar ali memórias dos tempos do Chacrinha ou uma agenda de shows em lugares obscuros. Byafra demonstra ali que é poeta, pensador e meio comunista, acho eu.

        Zacarias Martins
        Blog do meu amigão tocantinense Zaca Martins, um poeta, escritor e jornalista. Um verdadeiro maestro das letras, que usa as palavras como se fosse uma orquestra muito bem afinada. Mas o blog tem, além da parte poética, algumas críticas à cena cultural do Norte, que são bem interessantes. Confira, que vale a pena.

        Larissa Maciel Oficial
        Blog que acompanha todos os movimentos e novos projetos da atriz gaúcha Larissa Maciel, já consagrada no papel de Maysa Matarazzo, no seriado sobre a vida da cantora.

        A Filosofia de João de Freitas
        Esse deve ser o cara mais sábio do mundo. Autor de livros online que vão desde "Como parar de fumar" até "Ateus graças a Deus", esse cara nos ensina coisas do tipo "como tornar-se irresistível", "a fonte da juventude" e muito mais. Lendo o site, pode-se passar em concursos públicos e ampliar a memória em 100 vezes. Além de tudo, escreve contos eróticos. Não há nada que ele não saiba! Olhando só para o site, não há dúvidas de que ele é o Messias!

        Marsupialis (Blog da Julia)
        Não me perguntem o por quê desse nome bizarro. Mas este é o blog de uma menina superlegal, linda e inteligente chamada Júlia, filha de uma colega minha aqui do serviço. Só que ela tem umas teorias meio estranhas, e não bebe. Mesmo assim, vale a pena ler porque, dessa turma da idade dela, ela é uma das pessoas mais com a cabeça no lugar que conheço. Confira.

        Léo Brandão
        Blog de um sujeito que, apesar de ter criado a comundiade oficial do Studio Pampa no Orkut, é extremamente lúcido e inteligente. Costuma comentar assuntos como a profusão de partidos sem ideologia no Brasil, mas sem fazer discurso eleitoral para ninguém.

        Esquerdopata
        Blog com um discurso esquerdão e informações atuais que a mídia prefere dar uma ignorada. Resolvi colocá-lo na lista depois de ler um post no qual o blogueiro fala das soluções com "custo zero" para motivar funcionários, algo que para mim também não faz sentido.

        Quanto tempo dura?
        Um blog que fala sobre TV, artes, política e tudo mais de uma maneira realista e meio escrachada, bem ao meu gosto e prática. Cansou de ler as atiradas aqui do meu blog? Vá ler as desse cara. O estilo é semelhante.

        Guerrilheiro do Entardecer
        Vou usar a própria definição do blog: "Este é um blog que defende idéias de justiça social, autodeterminação dos povos, democracia, liberdade, respeito aos direitos humanos e à construção de uma sociedade onde todos possam viver com dignidade." O autor é professor de História e não tem meias palavras.

        Jerre Rocha Mototurismo
        Blog de um cara cuja vida é viajar de moto, bater fotos impressionantes, e depois viajar denovo para lugares ainda mais fascinantes.

        Brigato Design
        Assim como o Irmão do Décio, a Brigato Design dedica-se a desenhar carros como eles deveriam ser: bonitos, modernos, funcionais e acima de tudo, tributários aos maiores clássicos da história automobilística do Brasil. É lindo de se ver. Me apaixonei de vez quando colocaram no ar o design (imaginário, claro) do Opala 2011. Coisa quem nem a Chevrolet de verdade teve a glória de criar.

        Claudio Dullius de Viamão
        Blog do meu amigo Claudio Dullius, um tucano meio liberalão que adora dar pau no pessoal do PT. Voltado para as questões de Viamão, o site tem épocas de extrema falta de inspiração, resumindo-se a reproduções de mensagenzinhas de piada política. Mas quando surgem as épocas inspiradas, o Cláudio nos brinda com os posts mais geniais imagináveis.

        Kadu Schwartzhaupt
        Blog do tucaníssimo Kadu, uma baita figuraça e um grande amigo, que é formado em um pouco de tudo e quem sabe um dia presidirá o PSDB. O bom de ler o blog dele é que ele não concentra sua tucanisse em atacar o PT, e sim em promover os parlamentares e o governo do partido dele, algo meio raro de se achar na web - eu leio porque sempre gosto de ver o contraponto das críticas.

        Viamão Incrível
        Tudo o que (não) acontece em Viamão neste incrível site de notícias verdadeiras (ou não), narrados de maneira brilhante (ou não). Segundo o VI, a cidade recebe visitas de Hugo Chavez e Bill Gates, cedeu um terreno para a gravação de Lost, é campo de pouso de ETs semanalmente, e a lista de material das escolas inclui armas de grosso calibre. Ah, a cidade ainda conseguiu tornar-se um Estado independente do Brasil, abriga uma retransmissora da Al Jazeera, dentre outros disparates. Leia e mije-se de rir.

        A política como ela é
        Blog sobre política (mesmo? dããã), que faz análises cáusticas e inteligentes sobre acontecimentos, pessoas e fatos nacionais e internacionais. Muito bem elaborado, não cai na politicagem e não apresenta pendores escancarados por partido algum. Por incrível que pareça, vale a pena ler, porque os textos são cativantes e bem elaborados.

        Câmara Municipal da Viamão
        Para o bem ou para o mal, para orgulho e glória, ou para vergonha da cidade (em alguns casos), esses são os representantes da nossa população local. Então, é função de cada um de nós, pelo menos, dar uma olhada no que eles andam fazendo com o nosso dinheirinho suado.

        Blog do Pedro Ruas
        Esse cara é um político inegavelmente coerente e lutador. Pode não ser do meu partido, mas eu o admiro e qualquer um que se considere pensante neste Estado do RS deve ler, pelo menos de vez em quando, as análises que o Ruas faz da realidade atual, daqui e do exterior.

        Blog da Luciana Genro
        Blog da deputada federal do PSOL, a filha do Tarso Genro que é bem mais "votável" do que o pai.

        Terça-feira, 01 de Setembro de 2009, às 07:00:00
        ::: Depois de tudo o que eu já vi, já vivi e já passei, ainda tenho um mundo pela frente
        Biografia para orelha de livro:

        Nascido em 1981, em Porto Alegre, Fábio pertence a uma geração que cresceu na frente dos primeiros computadores pessoais amplamente disseminados. Clássicos como o AT/XT e o 286. Aprendeu a programar Basic ainda pré-adolescente. E, daí em diante, não parou mais, acrescentando uma longa lista de linguagens e softwares à sua “carreira” de autodidata.

        Atuou por alguns anos como programador. Deu aulas em escolas dentro de comunidades carentes e em projetos ligados ao Programa Menor Aprendiz. Foi instrutor no Senac entre 2007 e 2009, tendo inaugurado os cursos de Java2SE, AutoCAD e PHP na unidade de São Leopoldo/RS, e formado turmas em diversas áreas.

        É formado em Jornalismo pela PUC-RS desde 2005 e atua em projetos de imprensa no interior gaúcho. Também é funcionário concursado da Companhia Estadual de Distribuição de Energia Elétrica, dentro da qual continua atuando como instrutor em diversos cursos e treinamentos internos.

        Possui um site, no qual publica comentários em geral, apostilas, dicas e descobertas, e responde a dúvidas de leitores:
        www.fabiosalvador.com.br


        História completa:
        Eu nasci em 1981, mesmo ano em que inaugurava, nos EUA, a MTV. Os fundadores da MTV moveram uma campanha estrelada pela Cyndi Lauper e o Billy Idol – coincidentemente, dois dos meus artistas preferidos até hoje. A primeira imagem que a MTV transmitiu, ao entrar no ar, foi o videoclip da música "Video Killed the Radio Star", que fala da morte da era do rádio e do nascimento da era do vídeo. Uma verdadeira profecia. Eu, nascido naquele ano, tentaria a vida no mundo do vídeo, mas acabaria caindo em outro mundo, mais novo ainda: o da web.

        Em 1981, o Brasil era governado pelo presidente Figueiredo, um milico velho e metido a atleta. A família da minha mãe era formada por muitas pessoas politizadas. A do meu pai, não. Minha mãe veio da fronteira, e acho até que fala espanhol. Meu pai veio da colônia, e fala italiano, ou melhor, dialeto. Eu só falo português e inglês (e faço mau uso de ambos). Eu tenho uma irmã, um ano e meio mais nova (e bem mais bonita do que eu) que é professora de História, e tem umas idéias mais esquerdosas e coerentes do que as minhas.

        Uma das coisas que mais me orgulha é que na minha família somos todos formados, e cada um em uma área bem diferente. Meu pai optou pela Contabilidade, minha mãe pela Educação Física. Minha irmã, História, e eu, Jornalismo. Mas na prática todos nós já trabalhamos em todo tipo de coisa, porque não somos bobos.

        Nasci e passei minha infância em Porto Alegre. Meus pais eram e são muito trabalhadores. Quando nasci, morávamos no Partenon, mas aos dois anos, fomos para um prédio que ficava no Bom Fim, ou no Santana (a fronteira dos bairros mudaria diversas vezes ao longo de duas décadas). Tínhamos vários vizinhos legais, e íamos sempre ao Parque da Redenção (umas duas quadras dali). Eu colecionava revistinhas do Menino Maluquinho e, de fato, cheguei a ganhar este apelido durante um certo tempo, por parte de alguns comerciantes locais. Mas a maioria das pessoas me chamava mesmo de Kiko, devido às minhas discretas bochechas.

        Eu estudei em uma escola estadual chamada Luciana de Abreu. Era um colégio muito fraco, constantemente tínhamos greves, e o prédio era meio deteriorado. Mas lembro da biblioteca, pela qual desenvolvi muito cedo uma forte predileção. Eu preferia ler a ter que ir até a quadra para jogar futebol. O único esporte no qual consegui me destacar, nessa época, foi o vôlei. E eu corria muito bem, também.

        Passei os primeiros anos da escola sem ter amigo algum, e nem me lembro das razões para isso. Adorava tirar sarro de tudo, e bagunçava muito às aulas. Vivia na diretoria. Eu não aceitava a autoridade e discutia coisas bizarras como o número de estados da matéria. Eu não era uma criança depressiva, só era solitário. Mas, lá pela sexta série, encontrei minha turminha. Figuraças com nomes como Tito, Batata, Becker, Piruca, Minhoca e outros. Nós éramos ligados em videogames, RPG, animes, mangás, e outras paradas "super legais". Não éramos lá muito esportistas e nem muito bonitos, com exceção do Batata. Eu tentei manter essas amizades para além dos anos do primeiro grau, mas não deu certo e hoje não sei por onde anda essa gente. Eu também tinha alguns arqui-inimigos nessa escola, e igualmente não faço idéia por onde andam. Gostaria muito de reencontrá-los – aos amigos e inimigos.

        Meu caminho natural seria seguir para o ensino médio no Julinho. Foi então que eu passei em uma prova de seleção para a Escola Técnica de Comércio da UFRGS. Ingressei lá em 1997, e me formei em 1999. E fui um dos últimos a fazer isso, porque naquele ano o governo FHC acabou com o ensino médio e técnico combinado.

        Eu deveria ter saído da UFRGS como contabilista, com curso técnico, mas não concluí as cadeiras específicas. Eu não tinha nenhum interesse pela contabilidade. Mas foi lá que eu conheci uma coisinha chamada Internet, e aprendi HTML. Para os padrões da década de 90, isso fazia de mim quase um alienígena. Eu era tão moderno (ou nerd) para a época que meu primeiro namoro sério foi com uma menina que conheci no mundo virtual, quando essa expressão sequer havia caído no gosto popular. Mas do ensino médio, eu mantive algumas amizades que permanecem até hoje, e inclusive um ex-colega meu, que hoje é possivelmente meu melhor amigo no mundo, outro dia comentou que virá morar aqui na região rural. Alguma coisa sempre se aproveita de tudo.

        O passo seguinte foi o vestibular. Aqui começou toda a polêmica. Eu já sabia programar em Basic, manjava bastante sobre computadores, sabia HTML, e muita gente apostava que eu pegaria a estrada – então promissora – do mercado da informática. Mas eu queria mesmo era brilhar, e prestei prova para Artes Cênicas. Até passei na prova específica. Mas na última hora, eu me toquei que talvez aquilo fosse uma fria. Optei por fazer Jornalismo (o diploma era importante naquela época).


        Jornalista, agitador e empresário falido

        E assim, em 2000, ingressei na PUC. Lá, fiz de tudo. Jornalismo digital, experiências com vídeo, transmissão wireless (que hoje é banal, mas naquele tempo era o bicho) e, claro, política estudantil. Eu adorava fazer barulho. E a universidade estava pegando fogo. Certa vez, acampamos em frente ao DCE e as coisas quase pegaram fogo. Eu até saí em algumas matérias. Da política estudantil, guardo duas recordações marcantes:
        Uma foi quando lançamos o Coeso (Coletivo de Estudantes de Oposição), que tinha uns panfletinhos fuleiros, feitos no Xerox, e um jornalzinho chamado Pangaré. Combatíamos dois outros grupos, o de situação e a chapa Plural. Esses dois inimigos fizeram campanhas bem estruturadas, e nós não tínhamos chance. Mas quando abriram as urnas, nós havíamos deixado o Plural no chinelo, e quase vencemos a chapa situacionista.
        A outra recordação é mais cômica. O campus da PUC estava lotado de estudantes, protestando contra a reitoria, e aquela multidão era insuflada por alguns militantes que cumpriam, informalmente, a função de liderança naquilo tudo, armados com megafones e palavras de ordem. Eu estava ao lado de um desses caras, que se não me engano era meu colega, ou amigo, e ele começou a perder a voz, porque estava muito cansado. Como eu tenho uma voz de autofalante, me ofereci para revezar com ele. Subi em um canteiro, tomei o megafone e assumi o papel de agitador. Segundos depois, uma equipe do jornal O Sul me pediu para descer e responder a algumas perguntas. Sobre os objetivos do movimento e tudo mais. Respondi. No dia seguinte, me mostraram o jornal: "Fábio Burch, um dos líderes dos estudantes, deu uma entrevista..." Mandei um e-mail expandindo as explicações dadas na entrevista. Mas não desmenti sobre meu papel na manifestação.

        Fora o radicalismo político, me dediquei mesmo à comunicação e até cheguei a me destacar nas cadeiras de projeto gráfico, diagramação e coisas relacionadas, ao ponto de os professores me convidarem para ser o monitor nas aulas desses assuntos, função que exerci por dois anos. Até que uma professora, cujo nome esqueci, fez o convite para que eu continuasse, mas eu tive que recusar, porque estava me formando dali a alguns dias.

        Eu também me dei muito bem como fotógrafo, e a grande razão de eu não ter guardado nada dos trabalhos desta época, e nem seguido uma carreira na fotografia, é que isso não me seduzia num um pouco. Aliás, de forma geral, eu adorava desenhar materiais impressos e, ainda mais criar projetos gráficos (que eu até hoje às vezes monto para pessoas que pensam em fundar jornais ou revistas, e o faço de graça, por diversão). Mas no fundo eu não queria ser jornalista. Queria ser cineasta. Fiz alguns curta-metragens, toscos ao extremo, com os colegas de faculdade. Mas essa carreira nunca vingou. Na verdade, não chegou a dar sinais de que poderia um dia vingar.

        Meus colegas sonhavam em ser repórteres da RBS, da Globo. Eu, não. Eu queria fazer filmes (não havia então um curso específico de cinema, que a PUC hoje tem). Se não pudesse fazer filmes, eu queria ser político e mudar o mundo. Mas, falhando tudo, eu preferia largar tudo de lado e ir dar aulas de informática, pois nunca deixei de gostar de programar. Ainda mais depois que aprendi PHP. Em 2001,montei meu primeiro site/blog pessoal, tradição que mantenho até hoje.

        Em dezembro de 2004, fundei meu próprio jornal. Eu havia conhecido a Fabiana, minha esposa, em 2001 e ela morava em Viamão. Foi esta a cidade que escolhi para fundar meu jornal, chamado A Cidade. Um pasquim polêmico, com projeto gráfico muito agressivo e moderno, no qual eu fazia de tudo: vendia espaços publicitários, cobrava, levantava dados, fazia reportagens, editava, diagramava, negociava com gráfica. Envelheci uns dez anos de tanto trabalhar, e a Fabian cuidando da área comercial, ao meu lado. Acabei envolvido pelas brigas políticas da cidade, levei calote de muitos anunciantes, e descobri que nem sempre um bom jornalista é um bom dono de jornal. Fui à falência em janeiro de 2006, depois de 31 edições. Na última capa, ainda atirei umas pedradas contra umas empresas e uns políticos safados. Caí, mas caí sem soltar o dedo do gatilho da metralhadora.

        Daí, veio uma época de trevas e depressão. Eu ainda participei de uns outros projetos, como o Correio Viamonense, um jornalzinho "de-vez-em-quandário" que sobreviveu uns seis meses apenas. Voltei a viver do desenvolvimento de sistemas, o que para mim significava a derrota total dos meus sonhos. Vivi na mais profunda vergonha e depressão, e arrumei um estágio, ganhando trocados, na Prefeitura de Porto Alegre, dando aulas de informática em uma escola encravada em uma comunidade muito carente da Lomba do Pinheiro.

        Eu cheguei a fazer algumas coisas bem legais, das quais a mais interessante foi um período de dois meses como redator do Terra. Eu traduzia notícias bizarras, as mais esquisitas imagináveis, para a sessão Popular do site. Também fiz alguns trabalhos ocasionais diagramando informativos de políticos e anúncios publicitários. Graças às minhas habilidades "desenhísticas" com Corel e Photoshop, ganhei uns trocados nas eleições de 2006. Mas não o suficiente para tirar a barriga da miséria.

        Essa época pós-falência foi tenebrosa, e ainda mais porque em 2006 nasceu a minha filha, a Camila. A Camilinha é a coisa mais linda do mundo e eu a amo muito, mas diante de todas as dificuldades, eu duvidava seriamente das minhas possibilidades de dar uma infância decente a ela. E por algum tempo foi assim: eu, a Fabiana, e a Camila contra todas as possibilidades. Meus pais deram muita ajuda nessa época, mas as coisas mesmo assim não foram nada fáceis. Não apenas por causa do absoluto sufoco financeiro pelo qual passamos, mas também porque eu havia caído para longe de tudo o que sonhei para mim, e não tinha a menor possibilidade de levantar um dia para tentar catá-los e colar os pedacinhos. Mas, embora eu não soubesse, nem tudo estava perdido.

        Caros leitores, a vida dá voltas. Eu estava dando aulas às crianças da Lomba do Pinheiro, e era programador. Com esse pequeno currículo, compareci a algumas entrevistas de emprego e uma grande virada aconteceu. De uma hora para a outra, me vi catapultado, do fundo do poço, diretamente para as salas de aula do Senac. Sim, o Senac, uma instituição de renome nacional.


        Senac

        No Senac de São Leopoldo, vivi uma época que foi dourada, porque havia muita coisa a ser feita por lá. Éramos três professores de informática, inicialmente, e depois fomos recebendo outros colegas, mas basicamente, os três principais éramos eu, que dava programação em várias linguagens, além de AutoCAD e bancos de dados; um alemãozinho chamado Antonio, meu grande amigo, que dava toda a área de design (Photoshop, Corel, etc.), além de HTML, CSS e outras paradas; e o Alexandre, que dava redes e hardware. De vez em quando, o Antonio adoecia e eu atacava nas áreas dele por alguns dias. Até que a diretora, de saco cheio de me ver comentar como gostava dessas aulas, me designou um curso inteiro de Photoshop.

        As recordações mais bonitas que guardo do Senac são os alunos e os colegas. Eu nunca me acertei com a direção. Durante a maior parte do tempo que fiquei por lá, a escola foi comandada por uma mulher insuportável, neurótica, que pedia para as pessoas fazerem alguma coisa e depois as criticava por terem feito. Ela adorava me ameaçar de demissão, mas no final fui eu quem a deixei "sem pai nem mãe" quando pedi para sair.

        Eu era sempre designado para dar aulas em cursos nos quais eu tinha mais conhecimento, e nunca era designado para dar aulas nos programas de Aprendizagem Comercial, embora fosse apaixonado pela iniciativa. Era um programa no qual os alunos estudavam seis meses, e neste período iam assinando contratos com empresas da região. Depois, cada um passava seis meses trabalhando na empresa com a qual havia assinado do contrato. Era uma gurizada selecionada pela prefeitura, vinda na maior parte das vilas, e que sairia dali com qualificação e emprego.

        Eu tanto enchi a paciência de todo mundo, que consegui minha própria turma da Aprendizagem. Uma turma fabulosa, com a qual alcancei o ponto máximo em termos de performance em sala de aula. Eu tinha minha própria metodologia didática. No primeiro dia de aula, entramos em um acordo segundo o qual eu, sabendo que eles já sabiam o básico sobre Windows, iria ensinar-lhes coisas bem mais avançadas, e eles poderiam pedir conteúdos que achassem interessantes. Em duas semanas, já foi possível repartir a turma em duplas, e cada dupla construiu um pequeno site sobre algum assunto específico. Eles deveriam, segundo o plano de curso, estar entrando na matéria de Word. Na prática, já haviam aprendido alguma coisinha sobre HTML.

        Em dois meses, eu anunciei orgulhosamente que não tinha nenhum aluno sem contrato com alguma empresa. Havia uma segunda turma da Aprendizagem, que ficou sem professor nessa época, e eu acabei assumindo as duas turmas, ao mesmo tempo. Fazia trabalhos conjuntos, revezava de sala, enquanto a escola nomeava outros instrutores para essa segunda turma, que duravam não mais do que um mês com ela. A bagunça era geral, e eu fiquei sabendo inclusive que surgiram alguns casaizinhos entre as turmas. Mas o fato é que a gurizada aprendia, e aprendia além do programa do curso.

        Eu adorei ter estado no Senac. Se não fosse tão cansativo, teria continuado por lá. Um ano depois da minha saída, ainda voltei, a convite do novo diretor, para dar um curso de AutoCAD. Pensei mesmo em voltar mais vezes, mas suspeito que nunca mais voltarei porque, nesse curto retorno, encontrei o setor de informática da escola bem menor do que era antes. Expressei esta constatação publicamente, e o diretor novo entendeu como uma crítica às suas capacidades de administrador. E ainda deve ter pensado que eu estava elogiando à diretora antiga, que eu não quero ver nem pintada. Infantilidade pura, dele e minha. Mas agora tanto faz.


        Por essa ninguém esperava

        Foi na metade de 2008 que aconteceu mais uma virada. Eu estava feliz com meu trabalho no Senac, mas vivia exausto e a minha saúde começava a apresentar os sinais do desgaste. Eu dava aulas à noite, de manhã, à tarde, participava de eventos, feitas, dava palestras. E programava. Eu precisava de algo menos sacrificante para a minha vida. Pedi demissão do Senac e fui desenvolver sistemas para a indústria do fumo, em uma empresa chamada WaySys, em Porto Alegre.

        Em duas semanas de trabalho, percebi as diferenças entre ensinar programação (que eu adorava) e programar de fato, não para mim, e sim segundo as instruções de um patrão (o trabalho mais chato do mundo). Acho que, se eu fosse falar com o pessoal dessa empresa hoje, sobre aqueles tempos, concordaríamos que eu não estava indo bem no trabalho, e que o trabalho não estava me fazendo bem.

        Providencialmente, e do nada, apareceu lá na casa da minha mãe um telegrama. Era a CEEE. E não, eu não estava sendo intimado por alguma conta de luz não paga. Eu estava convocado a me apresentar, devido a um concurso que eu fizera em 2006 (e do qual nem lembrava mais).

        Eu havia sempre sonhado com essa idéia de ser chamado por alguma empresa pública. Minha mãe é funcionária pública, uma tia minha também é. Uma outra tia, foi assessora do deputado Mendes Ribeiro Filho desde que ele era vereador. Eu sempre percebi as vantagens de se trabalhar para o governo. E, de fato, qualquer cargo público me serviria. Mas ser chamado pela Companhia Estadual de Energia Elétrica tinha um sabor especial, porque, sendo uma pessoa muito ligada em tecnologia, eu sempre vi com mais entusiasmo uma CEEE, do que uma Corsan, ou Emater, ou Secretaria Estadual do Meio Ambiente.

        Dentro da CEEE, descobri que minha vida teria todo um colorido especial. Fui descoberto, na minha condição de ex-Senaquiano, pelo pessoal do Centro de Treinamento da empresa, e convidado a dar cursos lá. Já formei algumas turmas de AutoCAD e Excel, logo os meus dois assuntos preferidos no mundo da informática. Também descobri que a empresa tem um Plano de Cargos e Salários que parece ter sido feito para mim, já que eu tenho exatamente o tipo de qualificações que mais contam pontos dentro do Plano. O futuro, como diriam os poetas, é um céu risonho. Mas não é só isso.

        Uma vez devidamente transformado em funcionário da CEEE, filiado ao Sindicato, associado à Fundação, eu pude reiniciar a busca pelos meus sonhos e ambições perdidos do passado. Pensei em voltar a fazer filmes, mas a verdade é que nunca mais reuni pessoas interessadas em participar desses projetos.

        Mas acertei em alguns pontos. Montei um site chamado "Melhor de Todos", no qual as pessoas se associavam e redigiam matérias, formando uma espécie de blog coletivo, ou jornal participativo, ou sei lá. Só sei que chegamos a ter 500 endereços IP visitando a capa do site, por dia. Até que o espaço virou uma arena para debates do tipo "politicagem" e eu o tirei do ar.

        Um dia, lá pelo final de 2008, fui convidado para ser editor do Jornal Esperança, que estava nascendo em Vespasiano Corrêa, uma cidade que fica 25 quilômetros a oeste de Cotiporã, de onde veio meu pai. Era a chance que faltava. Montei um projeto gráfico completamente original, e junto com o diretor do jornal, conseguimos estabelecer uma linha editorial muito agressiva, inovadora, até debochada às vezes. Dinâmica. Ficou muito legal, e esse jornal é sem dúvida mil vezes melhor do que o meu falido "A Cidade". Eu realmente tenho orgulho desse jornalzinho.

        Hoje moramos em um condomínio, na área rural de Viamão. Eu mesmo pedi transferência para a agência da CEEE nesta cidade, para poder morar aqui. E cá estamos. Eu, a minha esposa Fabiana, e a nossa filha Camila, que já está se achando uma "mocinha". Ao contrário de todos os meus temores do passado, a vida vai muito bem. De fato, a Camila tem tantos brinquedos, que é preciso abrigar alguns na casinha de bonecas que ela tem no pátio (essa casinha foi presente da minha mãe).

        Eu ainda busco meu lugar sob as luzes da ribalta, mas já sem a pressão das dificuldades materiais de outros tempos. Uma das minhas grandes esperanças é encontrar o grande lance capaz de me lançar diante dos olhos de um grande público, já que agora só o que me falta, de todos os objetivos iniciais dos meus planos de vida, é a fama. Aliás, é até meio cômico que eu seja desconhecido. Espero um dia poder contar esse capítulo da vida como algo superado. Daí a minha propensão a gostar de fazer política - na verdade, minha obsessão por me candidatar e me eleger: já que eu não sei dançar, nem cantar, nem tocar instrumento algum, não me dei bem como ator e não tenho estampa para ser modelo, mas não tenho vergonha de falar em público, só um palanque me dá margem para reunir aquilo que eu mais gosto: uma platéia.

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        Quarta-feira, 01 de Setembro de 2010, às 18:34:26
        isabel lermen (belcristi@yahoo.com.br) comentou este texto:
        Salvador !!!

        A tua longa e extensa (como sempre, desde a Famecos) narração me deixou com muita, muita saudade...
        Parabéns pelo blog !
        Depois de toda essa história, que eu deixei de partilhar em 2005, só tenho uma coisa pra te dizer: não te falta nada e fica longe da política (que é a área que eu atuo há 15 anos)
        Manda notícias e sejam muito felizes !

        OBS: Nem vou dizer para marcarmos alguma coisa, porque já virou lenda.

        Ruiva


        Segunda-feira, 02 de Agosto de 2010, às 17:36:31
        Jorge Loeffler (jorge.loeffler@gmail.com) comentou este texto:
        Fabbio gostei da biografia, pois assim soube algumas coisas mais a teu respeito.

        Também estu cnstruindo com um amigo um jornal aqu para minha cidade. Ele terá o nome e será uma esxtensão do meu blog. Pretendo chegar aos menos afortunados que não tem acesso a internet. Assim que o projeto grafico estiver pronto te mando para que me digas como o vês. Abração e recomendações aos demais familiares.


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        Eu vou votar nesse pessoal aí abaixo.
        Se vocês quiserem aceitar como sugestão, beleza. Se não quiserem, vão curtir o resto do blog e sejam felizes.
        Top Tops do Blog

        DesEntrevista com Plínio de Arruda Sampaio
        Uma super-mega-power desentrevista, ou seja, uma entrevista sem entrevistado, feita não por um jornalista, e sim por uma pessoa possivelmente ruim das faculdades mentais.

        O "assistencialismo" é obrigação de um Estado humanista
        Coluna publicada no Diário de Viamão dando "nos dedos" da galera que critica o "bolsa-esmola" e outras ajudas sociais.

        José Serra, bancando o espertinho, e se dando mal
        O candidato tucano à presidência esquiva-se de FHC, faz um jingle no qual parece ser seguidor do Lula, e mesmo assim está sendo "cristianizado" por sua própria base.

        Yeda aposta na polarização, ou seja, começou a mentir para si mesma
        Uma análise sobre as chances nulas de Yeda Crusius continuar no poder. Porque o povo já decidiu que seu projeto está morto, só ainda não elegeu o coveiro.

        Tipos Típicos: o Cult-Bundão
        Um estudo antropo-sociológico sobre um tipinho típico da fauna humana Lima-e-Silvense.

        Ódio da auto-ajuda corporativa
        Um manifesto sobre choques de gestão desnecessários, livrinhos de autoajuda para executivos e outras babaquices do mundo corporativo.

        Viamão, capital dos absurdos, paralisa obras do PAC
        A Prefeitura de Viamão estranhamente mandou pararem as obras do PAC na cidade, mas mandou o vice-prefeito a Brasília, para pedir novas obras. Nem Freud explica.

        A medicina no reino encantado do espiritismo
        O dia em que vi os "fabulosos" resultados de uma cirurgia "pelo espaço" e tive ainda mais certeza de que estamos sozinhos, voando em cima de uma pedra perdida no universo.

        Toda religiao nasce como filosofia simples e torna-se instituição complexa
        Muito parecidas com fenômenos classificados como "histeria coletiva", todas as religiões nascem como idéias, e logo tornam-se instituições com códigos de proibições rígidos e discursos prontos para rebater argumentos de qualquer tipo.

        Memórias de Winston Churchill: tratado de paz criou outra guerra maior ainda
        Ando lendo as memórias do primeiro-ministro britânico que enfrentou a Segunda Guerra Mundial, e é notável como ele faz uma análise fria e exata das razões do conflito. Inclusive, afirmando coisas polêmicas. Por exemplo: Churchill diz que a Alemanha não estava pronta para abolir a monarquia, e isso foi decisivo para levar o nazismo ao poder.
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