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Sexta-feira, 03 de Setembro de 2010, às 22:34:51
Hoje explodiu o escândalo do desvio de 10 milhões de reais do Banrisul. Fiquei sabendo pela TV. Claro que já há alegação de uso político do caso, e é claro que há. Mas e daí?
A calçada é privada, mas o banco é público.
Hoje, vi o estouro do escândalo do Banrisul. Não vou entrar nos detalhes do caso, porque a maior parte das informações já saiu na grande mídia (por exemplo,
aqui,
aqui e
aqui). Mas o caso me rendeu dois momentos meio engraçados, hoje.
O primeiro deles foi um leitor que veio me cutucar, dizendo que eu "encho a bola do PMDB", ao mostrar as coisas legais do partido, a campanha, e negligencio coisas como as maracutaias no Banrisul, vendo nisso um sentido partidário: o banco está nas mãos de um cara indicado pelo partido. Bom. Na verdade, eu só soube do caso Banrisul hoje na hora do almoço. E só tive tempo de comentá-lo agora. Eu ia até deixar de comentar este caso. Se vocês forem olhar, eu trago para o blog histórias sobre as quais eu tenho alguma informação para acrescentar. Porque é meio chato ficar apenas repicando coisas que já saíram na imprensa.
Uma coisa meio engraçada
O que me chamou a atenção neste caso do Banrisul não é o fato de que tenha sumido dinheiro da área de Marketing do banco. Roubalheiras de gestores públicos já não me impressionam, apenas entristecem momentaneamente.
O que me impressiona é que a governadora Yeda, e sua coordenação de campanha, de partido, enfim, a turma toda, vieram a público destilar suspeitas de que o momento da revelação do escândalo é"estranho", tendo talvez objetivos eleitoreiros. Ora! Mas e daí? Os dados da turma tucana não estavam sendo acessados na Receita Federal há meses, e a imprensa não esperou para soltar a lebre agora, na véspera das eleições presidenciais, num momento particularmente desesperador para o José Serra?
Além disso, eleitoreiro o momento ou não, será que isso torna menor o rombo provocado pelo sumiço de 10 milhões de um banco cujo sucesso ou fracasso afetam de forma significativa a imagem do povo gaúcho perante a nação?
E por outro lado: será que isso torna a governadora pior ou melhor do que é? O Lula não sabia de nada no Mensalão, então é bem possível que a Yeda não saiba de nada neste caso.
Domingo, 29 de Agosto de 2010, às 17:03:28
Fortes suspeitas de corrupção levaram a Câmara Municipal a derrubar o mandatário do município, mais uma vez. E desta vez, vai ser mais difícil levantar-se.
Localização de Palmpares do Sul (é aqui do lado)
Caiu!
No sábado, dia 21 de Agosto, a Câmara Municipal de Palmares do Sul (município ao qual pertencem as praias de Quintão e Rei do Peixe) aprovou o impeachment do prefeito Ernesto Ortiz (PSDB), depois de dois dias de debates acirrados, em sessão extraordinária, por uma votação de 7 a 2. O caso teve momentos cinematográficos, reviravoltas e lances inesperados.
No dia 6 de Agosto, debaixo do peso de uma avalanche de acusações de corrupção contra o prefeito Ortiz, a Câmara Municipal votou pela primeira vez, favorável ao impeachment, derrubando do poder o governante. A ação que determinou a cassação, teve a iniciativa dos advogados Julieta Fernandes e Afonso Praça que apresentaram ao Legislativo seis processos que estavam tramitando na Justiça. Dois deles referem-se a contratação escritórios de advocacias sem licitação e os demais por gastos em publicidade sem licitação, desvio de verbas previdenciárias, reformas na Escola Bento Gonçalves sem licitação e obras supostamente superfaturadas e contratação de uma professora estadual para exercer a função de secretária de Educação sem a devida autorização e licença do Estado, o que originou duplicidade de função.
Na votação individual de cada processo o prefeito obteve em todos sete votos contra e dois a favor, originando assim seu afastamento imediato da função. A votação foi secreta. Era uma sexta-feira à noite.
Na segunda-feira, dia 8, o vice-prefeito Luciano Bins assumiu como prefeito. Ficaria menos de 3 dias no cargo. Já no dia 11, Ortiz conseguiu voltar ao poder através de uma liminar, alegando que a votação de seu impeachment não poderia ser considerada válida, por ser secreta. Confiava que, em votação aberta, o resultado fosse diferente.
Na sexta-feira, dia 20, iniciou-se nova sessão, desta vez com a presença do prefeito e de seu defensor, o advogado Vanir de Mattos. Porém, tarde da noite do mesmo dia, Vanir simplesmente retirou-se e abandonou a defesa do prefeito, alegando quebra de confiança de seu cliente. Diante disso, a sessão foi interrompida e marcada para reiniciar às 10 horas de sábado, sendo a advogada Magália Monteiro Cardoso apontada como defensora dativa.
A vereadora Ellis Regina, que é relatora do processo, informou que o prefeito Ernesto Ortiz teve várias oportunidades para se defender no decorrer do processo, mas nem ele e nem seu advogado apareceram nas várias convocações realizadas pela comissão processante. "O prefeito nunca quis se defender quando convocado", disse a vereadora. O vereador Manoel Antunes declarou que a doutora Magália Monteiro Cardoso era uma pessoa de confiança do prefeito, pois já o defende em alguns processos administrativos.
Na nova rodada, não teve jeito: novamente, os vereadores cumpriram com a vontade do povo e derrubaram, desta vez definitivamente, o prefeito Ortiz. Ele responde, ainda, a processo no Superior Tribunal de Justiça, por conta de atos que ele praticou em seu mandato anterior, em 1996, e que são semelhantes aos praticados na gestão atual.
Sexta-feira, 27 de Agosto de 2010, às 17:16:49
Este ano, o meu primeiro Troféu Sem Noção vai para o senhor Luis Carlos Drehmer, candidato do Partido Comunista Brasileiro para o Senado. A principal (e até onde sei, única) proposta dele é... ACABAR COM O SENADO!!! É ou não é a total falta de noção?
Parabéns!
E aí, o vovozinho diz: "O quê? Não tem mais União Soviética? Onde é que este mundo vai parar?"
O que faz a proposta do comunista ser a mais esdrúxula não é, tanto assim, a enorme importância do Senado. Não. Isso pode ser posto em discussão e, de repente, até seja uma boa idéia fechá-lo, sei lá. Não importa. A questão é outra.
Se um sujeito concorre a um cargo eletivo, ele deve apresentar propostas que sejam factíveis, úteis e atraentes. Por "factível", entenda-se, realizável. Por "útil", ela precisa ter algum impacto positivo na vida da população. E por "atraente", leia-se, deve puxar votos para o candidato. Assim, é possível propor coisas que sejam úteis e atraentes, mas não factíveis, como um salário mínimo de 4 mil reais. Também pode-se propor coisas que sejam atraentes e factíveis, mas inúteis, como instituir um Dia Nacional da Cerveja. E também pode-se criar coisas que sejam úteis e factíveis, mas nada atraentes, como instituir uma multa para quem disser palavrões em público.
Bom. Mas aí chegamos à proposta do senhor Dehmer. Ela não é factível, porque a mudança para um Congresso unicameral teria que passar por plebiscito, que só seria lançado com uma grande coalizão em torno da causa, e não um único parlamentar tresloucado, isolado. Eu também não consigo ver no que ela seria útil para o país. E em último lugar, poderíamos esperar que fosse apenas uma bobagem dita na TV para atrair votos, mas... NÃO É UMA PROPOSTA ATRAENTE. Eu não sei no que o fechamento do Senado melhoraria a minha vida, e a quase totalidade do povo brasileiro também não sabe. Não é alguma coisa com a qual o povo sonha. É só uma doideira que a galera do PCB calhou de dizer na TV.
Aliás, todos os candidatos do PCB são senhores de barbas brancas. O partido parece ter ficado só com uma meia dúzia de gatos pingados, da velha guarda comunista, descontentes com a mudança de rumo do bloco principal do partido (que virou PPS). São os viúvos da queda do Muro de Berlim. Sei lá. Eu adoro história, coleciono materiais sobre a Guerra Fria, até tenho um Lada vermelho, mas acho essa resistência de um comunismo de velha guarda, com meia dúzia de votos, um discurso totalmente alienado da realidade atual, parado no tempo, acho essa coisa toda meio melancólica. Meio como aquelas cidadezinhas quase-fantasmas, habitadas apenas por uns velhinhos saudosos, à espera do fim.
Sexta-feira, 27 de Agosto de 2010, às 11:12:12
Ainda continuando minha leitura da revistinha do Sindicato dos Eletricitários do Rio Grande do Sul, vamos à matéria na qual a direção da entidade mostra quem são as forças malvadas da política, que atrasam a vida da família eletricitária.
A encarnação do mal, o demônio, o capiroto, o gadanho, o coisa-ruim...
O título, aparentemente inocente:
"Mobilização nacional garante 7,72% aos aposentados"
Já o subtítulo é que é uma pérola, quase poética: "As chamadas centrais sindicais, alinhadas ao governo, só atrapalharam".
Tem uns "pauzinhos" em cima do Lula e do "aparelhamento" das centrais sindicais (leia-se, pau na CUT e na Força Sindical, esses aparelhos diabólicos manobrados por partidos interesseiros).
Mas antes que alguém diga que trata-se de uma matéria com viés político, no estilo "Partido da Imprensa Golpista", pró-Serra, tem também uma fincadinha no governo FHC. Ou seja, foram imparciais na pancadaria. E é compreensível que o governo atual tenha apanhado muito mais do que o anterior, afinal, quem gosta de mexer com coisa antiga é museu.
Quinta-feira, 26 de Agosto de 2010, às 16:49:03
Todo mundo agora corre da Yeda, que corre do Serra, que corre de Fernando Henrique, que corre por fora tentando salvar sua imagem frente à História.
Constrangedor...
Agora. fudeu...
Para quem não lembra.
Outro refresco para a memória.
Às vezes essas coisas chegam a me dar vergonha dos meus conterrâneos...
Olha só que coisa mais cômica: aqui no meu Rio Grande do Sul (céu, sol sul, terra e cor...), temos uma governadora tucana chamada Yeda. Ela queria concorrer à reeleição em 2010. Só tinha um problema: as pesquisas indicavam um índice de rejeição ao seu governo e à sua pessoa superior a 40%. Enquanto isso, o PT, maior adversário dos tucanos (no Sul, no Norte e até embaixo da terra), lançava um cara chamado Tarso Genro, com índices razoáveis de aceitação e de rejeição. Mais aceitação que rejeição, na verdade.
Por outro lado, o PMDB, partido aliado do governo Yeda, queria lançar um sujeito chamado José Fogaça para Governador. Prefeito de Porto Alegre, Fogaça fizera carreira como senador, é uma figura querida em todo o Estado. Músico, professor, uma figura político-pop gaúcha. Com índices de rejeição quase nulos.
José Serra, candidato tucano para Presidente, não queria ver-se enredado em Yeda. E para não ver-se constrangido a subir no mesmo palanque que ela, queria que a governadora desistisse dessa idéia besta de reeleição. Assim, Serra poderia subir ao palanque abraçado em Fogaça, aquela figura de imagem leve, amigável, modernosa. E o "pacote Fogaça" vinha ainda com um brinde: a turma do PDT, boa de palanque no estado onde Leonel Brizola nasceu e lutou pela Legalidade.
Cabeça-dura e Mureta
O bloco anti-PT que Serra sonhava para o RS não se concretizou. O Bispado do Tucanistão teve que engolir quando a dona Cabeça-dura se lançou no impossível desvairo de pedir ao povo mais quatro anos no timão da Província de São Pedro. E do outro lado, o senhor Mureta aproveitou-se da dubiedade de seu partido (o PMDB indicou o vice da Dilma mas liberou os diretórios estaduais para apoiarem a quem quiserem) subiu para cima do muro e de lá não sai. Fogaça é candidato forte ao Governo e não é nada burro. Se descer do muro, tende a pisar no lado da Dilma.
Bate-volta
No começo, Yeda queria Serra que não queria Yeda, porque estava por cima da carne seca e não queria se queimar. Depois, Serra passou a querer Lula que não queria Serra porque esperava que este quisesse FHC, a quem ele de fato não queria, pela mesma razão que não queria Yeda: não queria se queimar aparecendo na foto ao lado dessa gente malquista pelo povo.
Mas aí, como a vida dá voltas e tem sempre espaço para ironias, o povo deixou de querer Serra, que passou a querer todo mundo na tentativa de voltar a ser benquisto. Todo mundo, menos FHC, sejamos bem claros. E todas as pesquisas passaram a dar vantagem para a Dilma, em todos os Estados, menos...
...o Rio Grande do Sul!
Estado que não quer Yeda mas parece querer Serra! E agora Serra quer Yeda, para tentar compensar a desvantagem e a falta de aliados no resto do país. Mas agora, Yeda quer é se ver longe de Serra.
Está lá, no noticiário:
"O senador Sérgio Guerra, presidente do PSDB, reuniu-se no dia 24 (de Agosto de 2010)
, em Porto Alegre com Yeda" , pedindo que ela apóie Serra, claro. Só que Yeda não dá tanta ênfase ao presidenciável de sua sigla justamente porque, com isso, perderia votos. Ou nem perderia, mas ganhar, não ganharia. Talvez até, Serra com isso perdesse a vantagem que tem no Sul. Mas isso são conjecturas, racionalizações. José Serra não está mais racionalizando nada, está apelando. É o mais puro estado de desespero.
Yeda também teria razões para estar desesperada, mas ao que parece a coordenação da campanha dela está fazendo o seguinte cálculo: o eleitorado não sabe das realizações do governo tucano no Estado, porque apesar de trabalhar muito, a gestão foi fraca na autodivulgação. Então, Yeda passa seus minutos de TV mostrando obras e mais obras. É a grande contra-ofensiva final, com a qual pretende romper o cerco e mudar o curso da guerra. Uma espécie de
Batalha do Bulge tucana.
Quarta-feira, 25 de Agosto de 2010, às 22:37:33
Dias 7, 14 e 20 de Setembro, dedicar-me-ei ao ócio criativo, ao "dulce far niente". E tudo porque tivemos neste mês o nascimento de um país, de uma cidade e de uma revolução.
Mas não basta, pra ser livre
Ser forte, aguerrido e bravo.
Nós perdemos uma guerra
Mas ganhamos um feriado.
A Igreja Matriz de Viamão, onde tudo começou.
Notem que o povo da cidade tem uma opinião bem clara sobre o estado atual da cidade. E chega a fazer montagens mostrando esse sentimento.
A Independência do Brasil. Curioso é que chegou a haver uma pequena guerra de libertação do país, mas não foi entre Brasil e Portugal, pois Dom João VI já tinha isso mais ou menos acertado com o filho. Foi entre o Brasil que girava em torno do Rio de Janeiro, e que aderiu de pronto à independência, e as elites do Brasil que girava em torno de Salvador, e que eram muito ligadas a Portugal.
Viamão foi capital do Estado. Mas hoje, tem governantes como esse carinha aí...
...e há quem queria ainda colocar no poder governantes mais bizarros ainda.
Viamão, setembrina dos farrapos, feriadão na terça-feira!
Hoje, a CEEE de Viamão foi palco para um verdadeiro ataque de euforia incontrolável que eu dei. Começou assim: um cliente estava comentando sobre a volta do frio, depois de alguns dias de veranito. Daí, eu disse que tudo bem, porque em Setembro o calor voltaria e ficaria de vez. Aí, o cara disse "e para ajudar mais ainda, tem uns feriados". Fomos conferir o calendário. E aí, eu comecei a comemorar. Eu não lembrava que Setembro é um dos meses mais ricos, em termos de folgas, deste ano. Aqui vai a minha listinha da alegria.
7 de Setembro
Dia da Independência do Brasil. Todo mundo conhece a história: em 1808, o rei Dom João VI havia escapado para o Brasil, evitando um confronto direto com as tropas de Napoleão. Exilado na colônia, montou por aqui uma estrutura completa de bancos, imprensa, estradas e todo o aparato necessário a um país autônomo. Em 1822, pressionado por problemas políticos em Portugal, o velho rei voltou para casa. A independência tornou-se inevitável e foi proclamada pelo herdeiro do trono português, Dom Pedro I do Brasil (e Pedro IV de Portugal). O Brasil virou um império, o maior da América Latina, e eu ganhei uma terça-feira do mais puro e belo dulce far niente.
14 de Setembro
De 1741. Esta foi a data em que o governo assinou a autorização para a construção de uma capela em homenagem a Nossa Senhora da Conceição, em um lugar ermo ao redor do qual floresceu a cidade de Viamão, na qual eu vivo, trabalho e arrumo minhas confusões e polêmicas. A tal capela não existe mais há muito tempo, e acho até que era feita de madeira. Só sei que a dita cuja foi pro chão, porque, em 1787, construíram a atual Igreja Matriz, uma jóia arquitetônica do baixo barroco, que infelizmente recebe tão pouca manutenção do nosso poder público.
Não pensem que Viamão sempre foi uma cidade meia-boca. Quando a colonização do Rio Grande do Sul começou, a primeira capital da província ficava na cidade portuária de Rio Grande (por razões óbvias, afinal, era uma colônia portuguesa, e os portugueses chegavam pelo mar). Em 1763, com a invasão de Rio Grande, Viamão virou capital provincial, e permaneceu com este status por 10 anos, até que em 1773, o governo foi para Porto Alegre, onde está até hoje. E em 1836, as tropas farroupilhas montaram suas trincheiras em Viamão, realizando o épico Cerco de Porto Alegre. No século XX, no entanto, a cidade ganharia sua fama atual por sediar coisas menos nobres, como vilas medonhas, alguns dos políticos mais caricatos do país, governos ineficientes e desmanches de carros.
De qualquer jeito, nós amamos a nossa cidade. E na segunda-feira, dia 14 de Setembro, vamos comemorar seu aniversário entregando-nos ao ócio criativo.
20 de Setembro
Revolução Farroupilha. Anos 1830. Tínhamos um governo (encabeçado por Dom Pedro I) centralizado no Rio de Janeiro e sustentado politicamente por uma coalizão entre as elites cariocas e nordestinas, que deixava o Rio Grande do Sul como uma espécie de coadjuvante sem voz. Revoltada, a elite local desencadeou, em 20 de Setembro de 1835, uma revolta que não tinha caráter separatista nem republicano: os caras queriam apenas a substituição do governador da província (apontado pelo rei), e melhores condições fiscais para comerciar com o resto do império.
O líder da revolta, Bento Gonçalves, apresenta as reivindicações aos agentes do governo imperial. E o rei tenta mudar o governo provincial, para acalmar as coisas. Só que, ao mesmo tempo, as tropas brasileiras tomam Porto Alegre, o que leva Bento Gonçalves a montar um cerco à capital. E a coisa toda descamba para uma guerra total. Em 1836, ocorre a proclamação da República Rio-Grandense, esta sim com a intenção de separar-se do Brasil. Não parecia uma idéia totalmente idiota. Em 1828, havia terminado a Guerra da Cisplatina, entre a província cisplatina e o império brasileiro. E os cisplatinos venceram a tal guerra, fundando seu próprio país. Para quem não o conhece, muito prazer, é o Uruguai.
Bom. A Guerra dos Farrapos foi uma carnificina tremenda. Eu já li em algum lugar na web alguém dizer que "o 20 de Setembro é quando os gaúchos comemoram uma guerra na qual foram derrotados pelos cariocas e nordestinos." Eu já não vejo a coisa desta forma.
A epopéia farroupilha é uma demonstração da garra e da bravura do povo gaúcho. Olhando friamente, vemos que os sulistas não tinham chance alguma. O Rio Grande do Sul era uma província subdesenvolvida, despovoada e carente de tudo, enfrentando a maior nação da América Latina, que contava com armas e suprimentos trazidos pela Inglaterra, o maior império mundial da guerra. O exército farrapo, em seu ápice, tinha uns 3500 homens, enquanto as forças imperiais no Sul tinham uns 12000. Não há nada de estranho em os gaúchos terem capitulado. Incrível e admirável é que eles tenham resistido por 10 anos diante de tamanha superioridade material, numérica e econômica.
Bom. Os Farroupilhas fizeram algumas coisas bem extraordinárias. Por exemplo, chegaram a tomar cidades em Santa Catarina. E, num ataque audacioso, tomaram a cidade de Rio Pardo, que era defendida por um forte e, naquela época, tinha o dobro da população de Porto Alegre. Só que, em 1840, depois da derrota em Laguna (SC) e da chegada de reforços do Rio de Janeiro, os Farroupilhas começaram a perder terreno. Tanto que Bento Gonçalves começou a negociar as condições para um eventual acordo de paz.
E aí, nessa história de "acordo de paz", temos um fato bem constrangedor para os nortistas preconceituosos, que dizem que o gaúcho é racista: Bento colocou como cláusula de suas propostas a alforria de todos os negros que estavam alistados nas forças gaúchas.
Já em 1844, parecia que os gaúchos estavam completamente derrotados, detendo muito poucas posições e com o exército em frangalhos. Mas, numa verdadeira batalha pírrica, meio suicida, no dia 7 de Dezembro daquele ano, o general Canabarro tomou a cidade de Encruzilhada. Foi o canto do cisne dos exércitos da República Rio-Grandense: em 1º de Março de 1845, já no reinado de Dom Pedro II, a República se dissolveu com a assinatura do Tratado de Ponche Verde.
O tal tratado foi um acordo de paz, não uma assinatura de rendição, como algumas pessoas pensam. Tanto é, que os farroupilhas impuseram condições. Todos os revoltosos foram anistiados, o Rio Grande do Sul obteve as condições comerciais e fiscais que pedia em 1835, e o governo imperial brasileiro se comprometeu a libertar os escravos alistados nas tropas farrapas. Só que, claro, o governo brasileiro não cumpriu o acordo sobre os negros. Muitos deles foram mortos (numa "marcha da morte" planejada pelo Duque de Caxias), outros vendidos como escravos no Rio de Janeiro. E houveram alguns felizardos que foram incorporados ao exército nacional.
Bom. Esse é o meu resumo da Guerra dos Farrapos. Que, assim como os movimentos independentistas e republicanos do Nordeste, a Inconfidência Mineira e a Paulista de 1932, servem para demonstrar que o brasileiro nem sempre pode ser levado como gado pelos espertinhos do Governo. E é por esta razão que, na terça-feira, dia 20 de Setembro, eu vou folgar, enquanto os leitores mineiros, cariocas, baianos, paraíbas, vão trabalhar! É ou não é uma maravilha ser gaúcho? O ruim vai ser se fizer frio...
O chato mesmo na história é que dois dos feriados caem em terças-feiras, e eu acho que não vou poder emendar feriadões de 4 dias. Nessas horas, se eu tivesse feito outro concurso, tipo, para o Judiciário...
Quarta-feira, 18 de Agosto de 2010, às 19:18:43
Perdemos o contador, empresário, figura ativa da comunidade e exemplo de cidadão preocupado, Flávio Ribeiro. Um sujeito que dedicou-se à política e às entidades empresariais por décadas e cuja retidão de caráter sempre foi uma certeza unânime na cidade toda.
Flávio Ribeiro, votando na Convenção do PMDB, em 2008. Não é que eu queira fazer uso político da imagem dele, mas era a única boa foto que eu tinha disponível neste momento nos meus arquivos pessoais. É uma boa foto, no entanto: ele era MDBista até a medula.
Hoje, faleceu o empresário Flávio Ribeiro, uma das figuras mais conhecidas e respeitadas da cidade de Viamão. A notícia me surpreendeu ainda pela manhã, e representa uma grande perda para toda a nossa comunidade.
Para quem não sabe: Flávio Ribeiro era um sujeito já idoso, dono do maior escritório de contabilidade de Viamão, há décadas. Além disso, era uma figura muito ativa na Associação Comercial e Industrial de Viamão (ACIVI), e de fato, nessa entidade acabou sendo sucedido por seu filho, o Flávio Ribeiro Filho, nos últimos anos. Falando assim, parece apenas mais um empresário importante de cidade secundária, mas não era: o Flávio era um dos referenciais da cidade. Uma figura reconhecida em qualquer canto de Viamão. Um pedaço da identidade da cidade morre com ele.
O Flávio foi tesoureiro do PMDB de Viamão, por muito tempo (não lembro quantos anos, mas foi uma época), e ainda era até o momento de sua morte. A política é um jogo no qual as pessoas procuram denegrir seus adversários, acusando-os mesmo sem provas. Pois o Flávio é a única pessoa que passou por esse "corredor polonês" sem um arranhão: dentro do PMDB, houveram vários conflitos internos, com grupos brigando entre si pelo poder, mas ninguém nunca suspeitou de nada vindo da parte do Flávio. O grupo que comandava o partido duvidava das intenções dos desafiantes, que desconfiavam da chapa que estava no poder. Mas a lisura do tesoureiro sempre foi uma certeza para todos. Até para os adversários, gente de outros partidos. O caráter e a retidão desta figurinha formam uma das poucas unanimidades da política viamonense, um ponto sobre o qual ninguém nunca colocou uma molécula de dúvida.
Não estou aumentando os méritos do cara só porque ele morreu. É tudo verdade mesmo. Por anos ele foi um referencial, uma figura inatacável. E por muitos anos ainda, quando alguém em Viamão falar em retidão, em confiança, em transparência e zelo para com o caixa do que seja: partido, governo, empresa, vai ter alguém de boa memória que vai dizer: "Certa vez viveu por aqui um sujeito chamado Flávio Ribeiro..."
Eu o conheci nos últimos anos, já doente. Ele tremia, de maneira incontrolável, não apenas as mãos, mas o corpo todo. Às vezes, não conseguia andar direito. Certa vez, estávamos conversando e eu tive a nítida impressão de que ele iria cair da cadeira na qual estava sentado, tamanho o tremor que o acometia. Nessas ocasiões, eu e todo mundo, ficávamos muito preocupados. Mas aí, o Flávio viajava, tratava-se, e voltava melhor. Dali a um tempo, voltava a piorar. Há alguns dias, recebi uma notícia esperançosa: ele havia feito um novo tratamento e não tremia mais, parecia ter se recuperado. Não cheguei a vê-lo neste estado. E hoje, subitamente, me informaram da morte.
Dei uma fugida na hora do almoço para prestar condolências à família. O velório estava previsivelmente lotado, e eu encontrei quem procurava: Flávio Ribeiro Filho, com uma expressão muito abatida. Não pude ficar por muito tempo, porque estávamos debaixo de um "mau tempo" tremendo na empresa. O que talvez tenha sido bom: é comum que eu calcule mal o tempo de permanência nos lugares e acabe me tornando inconveniente.
Curiosidade: o velório do Flávio foi a primeira vez em que eu entrei na loja maçônica do centro de Viamão. Mesmo descontando o "aperto" da casa cheia, ela me pareceu bem menor e mais acanhada do que eu imaginava.
Segunda-feira, 16 de Agosto de 2010, às 16:59:01
Quem apóia um dos "três grandes" (Ana Amélia, Rigotto ou Paim) para o Senado faz bem em votar no seu candidato como primeiro voto, e dedicar o segundo voto a um "nanico", que gostaria de ver crescer para o futuro. O meu, eu já escolhi.
Roberto Gross dando entrevista para o Jornal do Comércio.
É isso aí: eu não ia votar no Roberto Gross e nem queria saber da candidatura dele até há algum tempo atrás. No último final de semana, no entanto, descobri que a minha rejeição à pessoa dele estava baseada em um mal-entendido.
É assim: em Viamão, mora um radialista chamado Roberto Gross, que se candidatou ao Senado neste ano, pelo minúsculo PTC (Partido Trabalhista Cristão). Ele é historicamente um brizolista, mas numa determinada ocasião, eu o surpreendi apoiando idéias privatistas e reacionárias em uma conversa com um eleitor. Foi o que bastou para eu romper com ele.
Só que, no último final de semana, eu estava passando pela Cecília e resolvi parar para dar um alô na casa dele. Afinal, não é porque tínhamos uma ruptura política entre nós, que deixaríamos de nos falar no âmbito pessoal.
Daí, conversa vai, conversa vem, o Gross tocou no assunto espinhoso. Disse que o discurso pró-privatizações só entrou na pauta porque o eleitor estava expondo suas idéias "reaças", e o Gross não quis discutir (às vezes não adianta). O que não significava concordância. E me esclareceu que não é um privatista, mas não aceitava o serviço público no modelo “cabide de empregos”. Porque o inchaço desse modelo estatal, aliás falido, leva o povo a pagar muito para não receber nada. Ora, todo mundo sabe que eu também penso que o nosso dinheiro é mal utilizado pelo poder público justamente porque, no topo das cadeias hierárquicas, estão sentados alguns marajás que são justamente os que menos trabalham e mais ganham.
Ainda assim, o Gross tem uma visão de “tamanho ideal do Estado” bem menor do que a minha. O que não chega a nos transformar em adversários completos. Mas ele tem também alguns pontos a seu favor. O primeiro deles é que ele não é um político profissional, e sim um aventureiro, uma pessoa do povo, muito simples, e disposto a fazer barulho. Eu gosto disso. Por isso, eu agora recomendo:
Quer votar no seu senador favorito como “primeiro voto”? Vote nele, tranquilo. Eu vou votar no Rigotto.
A lógica é bem simples: se eu votar Rigotto e Paim, e o meu vizinho votar Ana Amélia e Paim, daí o Paim tem dois votos. Se o cara da casa em frente votar em um nanico e na Ana Amélia, já temos 2 votos para o Paim, 2 para a Ana Amélia, e 1 para o Rigotto. Assim, MEU VOTO teria dado chance de o MEU CANDIDATO perder. E aí, vocês acham que eu vou dar uma de burro? Claro que não. E vocês também não vão. Quem pretende dar o primeiro voto a um dos "três grandes", tem que dar o segundo voto a um candidato menor, que mereça crescer para 2012.
Nessa lógica, se você ainda não sabe para quem vai dar o segundo voto, minha dica é: vote em algum “nanico” da sua região. Aqui, eu quase dediquei meu segundo voto à Vera Guasso (PSTU), pessoa excepcional cuja coragem e determinação me despertam admiração. Mas vou apoiar mesmo, como segundo voto, o Zé-Povinho, inteligente e bem intencionado Roberto Gross. Morador da Cecília, batalhador, viamonense e sofredor como todo mundo aqui. A dica vale para quem é de Viamão, Alvorada, Gravataí, Capivari, todo o entorno. Trata-se de um sujeito que realmente sabe o que é sujar os pés de barro nas ruas lamacentas da nossa cidade, sabe o que é depender da nossa medonha rede de transporte público. É um cara que ouve o que o povo diz e não apenas ouve, mas sabe exatamente como é estar "aqui embaixo" nestas nossas cidades loucamente "planejadas" da região metropolitana.
Link para a entrevista no JC
Sexta-feira, 13 de Agosto de 2010, às 18:38:18
Foi instalada, na noite da última quinta-feira, a nova inspetoria do CREA-RS em Viamão. O evento de inauguração da entidade reuniu profissionais da categoria, autoridades, políticos e imprensa em um coquetel, realizado no próprio prédio no qual o escritório funcionará, na Avenida Senador Salgado Filho, 9928 (em frente à entrada do Krahe).
Elisângela, filha da vereadora Belamar, a própria Belamar (minha teoria: beleza é coisa hereditária, e a da minha filha veio da Fabiana), Amélia Antunes (presidente da SAEV) e Jaine Barnardoni (coordenadora social da SAEV).
O arquiteto Pedro Ciarlo (meu vizinho, candidato a deputado) e o presidente do CREA-RS, Luiz Alcides Capoani.
Maria Cecilia Araujo Cimirro (2ª vice-presidente da SAEV), e Agnes Mundstock (secretaria geral da SAEV).
Bombeiro Barcelos representando os bombeiros civis de Viamão. Manda um alô pro Ildo!
No centro, Capoani, rodeado pelo ex-inspetor-chefe Mauro Schreiner e sua esposa.
Adroaldo Luvizetto, juiz arbitral, representante da ACIVI no Conselho do Plano Diretor e criador do primeiro Plano Diretor de Viamão, quando era o secretário de obras, em 1989, no governo do prefeito Jorge Chiden.
O engenheiro Alcemar Rocha (uma figuraça!) e o vereador Serginho (outra figuraça).
O secretário municipal Rogério Cardoso, o inspetor-chefe Vlamir, a presidente da SAEV Amélia Antunes e o presidente Capoani.
Descerramento da placa. O prefeito Alex apareceu na última hora e deu um discurso tão descompassado que parecia não lembrar direito que evento era aquele. Seu discurso foi típico de político em campanha, quase como se a inspetoria fosse "mais uma obra da administração popular".
A inspetoria é uma demanda antiga dos arquitetos, engenheiros e profissionais, especialmente da área da construção civil em Viamão. No início dos anos 1980, com a fundação da SAEV (Sociedade dos Arquitetos e Engenheiros de Viamão), iniciou-se o movimento que culminou com a instalação de uma inspetoria do CREA-RS na cidade, no início dos anos 1990. Esta foi fechada em 2004, e desde então, toda atividade desenvolvida em Viamão passou a responder ao escritório de Porto Alegre. A demanda pela volta do órgão a Viamão, agora, resultou nesta sede que terá responsabilidade, também, pela cidade de Alvorada. O inspetor-chefe nomeado para comandar esta imensa tarefa é o engenheiro mecânico e civil Vlamir Vieira de Souza.
Iniciado às 19h, o evento teve um público de aproximadamente cem pessoas, entre profissionais, autoridades, imprensa e políticos. Os vereadores Nadim, Belamar (ambos do PP), Romer (PSOL), Russinho (PMDB), Serginho e Maninho (ambos do PT) prestigiaram a cerimônia desde o início.
Também participaram do evento autoridades do CREA-RS, incluindo o presidente da entidade, o engenheiro civil Luiz Alcides Capoani, que destacou a importância dos profissionais ligados à entidade para a geração de riquezas para o país, e lembrou que a contratação de profissionais qualificados é imprescindível, já que torna as construções não apenas mais seguras, mas também reduz custos minimizando os desperdícios e eliminando falhas de planejamento. Capoani também aproveitou para ressaltar sua admiração pela garra dos profissionais que lutaram pela inspetoria dentro de Viamão, em especial a arquiteta Jaine da Rocha Bernardoni (coordenadora social da SAEV), e do engenheiro Alcimar Rocha, o "Rochinha", dizendo que ele foi um grande instigador, capaz de reunir pessoas capazes em torno da causa. Pela SAEV, falou a presidente da entidade, Amélia Antunes Forte, que relembrou a luta da entidade viamonense pela valorização da categoria.
O ex-presidente fundador da SAEV, e ex-inspetor-chefe da antiga inspetoria, engenheiro Mauro Schreiner também esteve lá, ao lado de sua esposa, e diz que, hoje, "os profissionais não são ouvidos pelo poder público", mas que tem esperança de que, com um escritório instalado na própria cidade, espera que a Prefeitura passe a "ouvir mais o que temos a dizer".
Como o prefeito Alex Boscaini não havia chegado ao local na hora dos discursos, o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Rogério Cardoso, falou em nome do Executivo Municipal. Pouco depois, porém, Alex apareceu ao lado do vereador Zilmar Rocha e fez uma rápida explanação sobre as perspectivas de crescimento da cidade para os próximos anos, definindo-a como "a bola da vez" para os investimentos comerciais, industriais e imobiliários, ressaltando que a presença do CREA é essencial para que este crescimento seja feito de forma organizada e eficiente.
O corretor de imóveis e juiz arbitral Adroaldo Luvizetto, representante da ACIVI no Conselho do Plano Diretor da cidade, diz que "a inspetoria nunca deveria ter saído de Viamão, a cidade tem um volume muito grande de demandas e precisamos do Conselho presente, agora mais do que nunca".
Além das figuras públicas e membros do CREA e da direção da SAEV, também a empresa Rial Imóveis, de Porto Alegre, fez-se representar na pessoa da corretora e pedagoga Annabella Spanamberg, que confirmou que Viamão é uma cidade "prestes a bombar" no mercado imobiliário.
Já na sexta-feira, na manhã seguinte à festa, os trabalhos de organização do escritório da inspetoria continuaram e a entidade já está em funcionamento. Além das tarefas de fiscalização do exercício da profissão, o local abrigará também uma representação da SAEV que servirá como apoio às atividades dos profissionais da categoria. Prometem, antes de mais anda, fazer uma "varredura" em Viamão inteira para identificar irregularidades e cobrar providências.
Terça-feira, 17 de Agosto de 2010, às 20:24:47
André José Julião (juliaopln@hotmail.com) comentou este texto:
Bem amigos isto é uma noticia muito boa,temos que amplia nosso trabalho de grupo,tem que em volve o Brasil!!!!
Sábado, 14 de Agosto de 2010, às 00:55:59
Jaine da Rocha Bernardoni (jainedarocha@gmail.com) comentou este texto:
Formidável!
A SAEV e a INSPETORIA DO CREA/RS agradece a divulgação do evento, tua presença contagiante de simpatia e inteligência, e a contribuição pessoal por vivenciar a cidade e respeitá-la assim como fizemos. Arqª Jaine,da diretoria social da SAEV e membro da comissão de arquitetura da Inspetoria.
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Quinta-feira, 12 de Agosto de 2010, às 17:18:34
O Fogaça está bem nas pesquisas, mas a Yeda vem vindo pelas beiradas. O Rigotto disputa com Paulo Paim e Ana Amélia Lemos e estão em empate técnico. Ou seja: estamos indo bem mas não há nada garantido. Então, vamos que vamos, então!
Em julho, fizeram uma caminhada com o Fogaça, que começou sua campanha justamente por Viamão. Mas foi numa terça pela manhã e eu não pude ir.
A campanha eleitoral começou e a coisa está pegando fogo. Então, começam as caminhadas e bandeiraços da campanha. Sábado, dia 14 de Agosto, o PMDB de Viamão organiza uma caminhada pelas candidaturas do partido. O movimento sai às 14h, da parada 4 da Cecília. Chegar lá é muito fácil. Entrando na Av. Plácido Mottin, pela Estrada Tapir Rocha (a mesma Salgado Filho, ou RS-040), é só acompanhar as paradas numeradas.
PS: Santa ou não santa?
Tem muita gente que chama aquela vila de Santa Cecília, o que é incorreto, é uma confusão causada pela proximidade com outra vila, esta sim, SANTA Isabel. Na realidade, onde hoje está a Vila Cecília, existia uma enorme fazenda que foi loteada, dando origem ao bairro. O dono da fazenda era tio-avô do escritor imortal Moacys Scliar, e a esposa do fazendeiro chamava-se Cecília. Quando o pessoal que comprou lotes de terra "lá na Cecília" construiu suas casas, a vila resultante perpetuou o nome.
Voltando ao assunto principal...
Todo mundo com adesivo, bandeira e disposição, então, no sábado para fazer barulho pelas ruas do Quarto Distrito.
Quinta-feira, 12 de Agosto de 2010, às 15:56:35
É hoje, às 19 horas, o coquetel de inauguração da Inspetoria do CREA-RS em Viamão. Não esqueçam. O evento será no prédio da antiga loja da Acqua-Duto, na rótula de entrada do Centro de Viamão (em frente à entrada do Krahe).
Quinta-feira, 12 de Agosto de 2010, às 09:25:18
Os dias gelados passaram. E hoje passamos dos 15 graus. Não acredito que sobrevivi.
Quem me conhece do dia a dia, sabe que eu detesto o frio. Não sei nem como eu sobrevivo a cada inverno. E não estou falando dos problemas do tipo gripes e resfriados, não. Eu passei 95% deste inverno sem sequer espirrar. Estou falando do frio mesmo!
Eu tenho a nítida impressão de que minha sensação térmica é sempre um pouco mais fria do que a temperatura real. No pior do verão eu visto, numa boa, uma camisa social fechada, gravata, calças e sapatos para ir ao trabalho. Temperatura confortável, para mim, é entre os 25 e os 38 graus.
Pois bem. Só que eu dei o acaso de nascer gaúcho. Então, todo inverno é um suplício. E hoje finalmente está fazendo 17 graus. É a primeira vez que saio para o trabalho sem um casacão pesado, nos últimos meses.
Dizem que o frio vai voltar. Se voltar, que seja breve em ir embora denovo.
Terça-feira, 10 de Agosto de 2010, às 11:58:17
O PDT de Viamão hoje em dia orbita em torno de duas lideranças, das quais uma é obviamente o centro deste pequeno sistema solar. Por outro lado, há quem considere o partido "morto", e eu confesso que até me inclino a pensar por esta linha. Só que, comenta-se por aí, que depois das eleições tem gente disposta e botar a mão na massa, virar a mesa e reconstruir a sigla brizolista local, praticamente do zero. Se é tudo boato, fogo de palha, ou se é para valer, só o tempo dirá.
Lindo Cristaldo e Leonel Brizola - foto do arquivo pessoal do ex-vereador, copiada de um site que eu mesmo montei para o PDT viamonense há uns 5 anos atrás.
E do mesmo arquivo, outra foto que hoje em dia parece profética da aliança PMDB-PDT.
Pô, doutor advogado... os árabes são legais! As árabes, então...
Que o PDT de Viamão está a meio-pau, disso todo mundo sabe. Tendo como única liderança proeminente o ex-vereador, candidato derrotado a vice-prefeito e, no dia a dia, médico cirurgião Lindo Cristaldo, o partido tem outra liderança, internamente forte mas não muito votada: o advogado Alexandre Godoy. E além deles, um time enorme de gente esforçada, mas de menor expressão.
Caudilho pós-moderno
Cristaldo é um político personalista e individual, que nunca sequer se preocupou em manter a assiduidade nas reuniões do PDT. Estava sempre ocupado, segundo dizia. A verdade é que era difícil até arranjar a colaboração dele para projetos e eventos do partido. Ele tem um grupo em torno de sua pessoa, e conta com muitos recursos à disposição para as campanhas, mas é só isso. A interação com o coletivo plural do partido todo não é o seu forte.
Não que isso o impeça de se eleger e atuar politicamente. Jânio Quadros chegou à Presidência com uma personalidade parecida. Só que o Jânio vivia a política todos os dias, e não no intervalo entre uma cirurgia e outra. Cristaldo é um profissional de sucesso na medicina, mas na política ele tropeça, justamente porque hoje em dia é mais difícil aceitar líderes "caudilhistas" no comando de partidos de maior monta. Num PHS da vida, tudo bem. Cristaldo é um auto-suficiente.
Está concorrendo a Deputado Estadual e pode até fazer boa votação. Mas algumas pessoas nascem para ser puxadores de voto, outras, para serem líderes de partido. É difícil achar quem tenha talento para as duas coisas ao mesmo tempo. No PDT de Viamão, o último desses exemplares foi o falecido Tapir Rocha.
Para lá de Bagdá
Eu não conheço a pessoa do Alexandre Godoy. Só passei a prestar atenção ao que ele faz quando instalou-se o polêmico Bate-Boca dos Árabes. Eu criei o apelido, claro, mas o caso é o seguinte: em uma coluna no jornal (acho que era n´A Tribuna), Godoy teria dado um balanço pessoal da reunião que uma comitiva de representantes de Viamão teve com o governo do Estado, sobre a retirada de um importante posto de serviço da cidade. Nesta coluna de opinião, em determinado trecho, o advogado teria dito que o vereador Nadim, "como bom árabe", havia "vendido" o que "não é dele", por ter se curvado a uma decisão do Estado, sobre a qual não tinha, na verdade, poder algum.
Claro que isso rendeu críticas da comunidade árabe de Viamão, que é numerosa. Nadim não é "árabe da Arábia Saudita", é libanês. E isso se vê na cara dele. Mas a palavra "árabe", nesse debate, resume-se a "originário de qualquer lugar do Oriente Médio", independente da origem, etnia ou corrente religiosa. O caso chegou às esferas mais altas do PDT gaúcho onde, pelo que me comentaram, a coluna foi lida com desprezo, especialmente pelo deputado Kalil Sehbe, que é de origem árabe. Tem processo no meio, como já se poderia esperar. Enfim, foi uma barafunda tremenda.
Nem eu, que tenho fama de polêmico, quebro pau com todo mundo através da mídia, e ganho espaço na mídia justamente por tocar o dedo nas maiores feridas, nunca fiz uma cagada dessas. O que demonstra que polêmica e baixaria são duas coisas bem diferentes.
Perestroika brizolista
Tem uma corrente de pessoas que consideram que o PDT de Viamão precisaria passar por uma reconstrução completa, depois de décadas de quebra-paus internos, disputas de poder, reviravoltas, períodos de abandono, desfiliações em massa, convenções tumultuadas, etc. E eu já escutei, à boca pequena (mas não tão pequena que não possa ser escutada), que tem uma galera querendo, depois das eleições de 2010, começar o trabalho de reconstrução.
Não sei até que ponto essa gente está com um impulso do tipo "fogo de palha", e até que ponto têm condições de tocar adiante este projeto. Mas a intenção existe, tem respaldo de gente moderadamente graúda, e trata-se de uma turma que sabe se organizar e botar a mão na massa. Ainda é cedo para eu dizer que levo fé. Mas, se eu estivesse do outro lado, ou seja, se eu estivesse bem contente com a situação atual do partido, seria de levar medo.
Quinta-feira, 05 de Agosto de 2010, às 13:55:48
Viamão é um lugar muito bizarro. O povo atola-se no barro, e a Prefeitura não consegue calçar as ruas. Os dejetos ainda são acomodados em fossas, e a Prefeitura não consegue fazer estrutura de saneamento. O abastecimento de água é deficiente, e a Prefeitura não encontra solução. Um belo dia, porém, os governos Federal e Estadual resolvem fazer tudo isso sem pedir nada em troca. Daí, o Prefeito vai lá, e manda parar as obras. Se alguém conseguir me explicar, ganha um doce.
Marco Alba, o secretário de Habitação, a governadora Yeda, o prefeito Alex e o deputado federal Geraldinho: 9,7 milhões liberados para Viamão. No dia da assinatura, foi só festa. E depois, o cara vai lá e paralisa as obras.
Atidor e Robinson, em Brasília, buscando um novo lote de obras para o Alex paralisar.
Localização de Viamão, Capital Nacional das Absurdidades
O verdadeiro Tranca-Ruas
Culto a São Motinha...
O prefeito de Viamão, Alex Sander Alves Boscaini, é um sujeito muito estranho e cheio de contrastes. O governo dele é muito esquisito e faz coisas inexplicáveis. A última loucura da nossa Prefeitura é difícil de acreditar: o município, que não faz as obras que a cidade precisa, suspendeu a licença das obras do PAC, feitas pelos governos Federal e do Estado.
A história é a seguinte: o município de Viamão tem gravíssimos problemas de infraestrutura. A maioria das ruas ainda é de terra, as poucas asfaltadas têm, na verdade, apenas uma capinha tênue e esburacada sobre as pedras e a areia, e boa parte das ruas calçadas é feita de bico de pedra (o carro não atola, mas se desmonta todo). A gente sabe que o município está sempre mal das pernas, financeiramente, então a coisa vai ficando assim mesmo.
Daí, o Governo Federal tem uma verba para ajudar a nossa sofrida cidade. Só que o município de Viamão não pode receber boa parte da grana que seria tão necessária, e por uma razão singela: Viamão, ou melhor, a Prefeitura, está no CADIN, o cadastro de inadimplência do Governo, uma espécie de SPC. Na linguagem popular: a Prefeitura deu um calote no Governo Federal e agora está na lista negra. Nada de verba para nós.
Buenas. Então, as melhorias tiveram que vir por outros caminhos. Um deles é a Metroplan, órgão do Estado comandado pelo nosso amigo Sarico. A Metroplan tem a previsão de uma lista enorme de ruas a serem asfaltadas, o que mudará drasticamente a realidade da nossa cidade: todos os acessos às vilas e bairros serão contemplados, sobrando, de terra, apenas as pequenas ruas de menor envergadura.
Outro caminho para chegar a Viamão foi a Corsan. Com uma graninha do PAC, do governo Lula, a companhia está tocando dois projetos paralelos. Um deles é a captação de água no Lami, o que tirará Viamão da dependência do sobrecarregado Rio Gravataí. O outro, é a construção de uma rede de esgotos canalizados para uma estação de tratamento, como tem Porto Alegre, e que promete aposentar as primitivas "fossas negras" que ainda reinam absolutas, por incrível que pareça, até no Centro.
Esse último projeto é o pomo da discórdia. Tudo começou numa boa, com aquele clima de colaboração entre Prefeitura e Corsan: uma desviava o trânsito, e a outra enterrava os canos. Mas, claro, a Corsan não recuperou as ruas a contento, jogando terra e colocando uma capinha mixuruca de asfalto só para não deixar as valas abertas. O prefeito não gostou. Suspendeu a licença para as obras do PAC na cidade, e só libera as obras em novas ruas quando as que já foram feitas estiverem completamente consertadas, lisinhas, impecáveis.
Agora, sejamos francos e falemos como adultos: antes de a Corsan escavar as ruas de Viamão, elas não eram lisinhas. Se a Corsan tem que devolver essas vias no mesmo estado em que as encontrou antes das obras, então não falta muito conserto, porque elas já não eram grande coisa. A Avenida Coronel Marcos de Andrade, principal artéria do Centro, já era asfaltada antes, mas tinha diversos buracos, como ainda os tem, e que recebiam uma lambuzada de asfalto nas vésperas de eleições, ou quando o povo começava a se revoltar muito.
Esse nosso prefeito, ou está louco e se ilude pensando que as ruas eram lindas e maravilhosas, antes de serem abertas para as obras do esgoto, ou é muito vivaldino e está querendo ganhar, "de grátis", um asfaltamento de primeira nas ruas, algo que ele mesmo nunca fez como dirigente do governo municipal.
Ora, indo pela lógica alexiana, o Estado tem a obrigação não apenas de instalar a rede de esgoto, mas de arrumar as ruas e fazer um serviço bem feito, de uma forma que o próprio município nunca fez. Mas, indo por essa linha de pensamento, fica a questão: e a Prefeitura, nesse contexto, serve para quê? Já que ela nunca cuidou direito das ruas e nem do saneamento, agora que outras instâncias estão fazendo esse serviço por ela, não seria de bom tom agir com um pouco, nem digo de gratidão, mas de espírito colaborativo?
Viamão já está ganhando todas as obras mais necessárias, com as quais a cidade vem sonhando há décadas. Se o prefeito fizer a bondade de ir atrás, fechando os valos e reconstruindo as ruas, não vai estar fazendo mais do que a sua obrigação. Será que é algo assim tão difícil, será cai pedaço?
O Troféu Cara-De-Pau é merecido pelo Executivo Municipal porque, apesar de toda essa "rebordosa", a Prefeitura de Viamão mandou o vice-prefeito Atidor e o Robinson, nosso secretário de Relações Institucionais, a Brasília no dia 3 (anteontem). A dupla tinha como missão buscar verbas do PAC II.
Diz o release do governo municipal:
Viamão encaminhou para o programa uma proposta de habitação e infraestrutura urbanística para o atendimento de mil famílias no município, em área a ser definida. No mesmo dia também foi autorizada a abertura de licitação para reassentamento de 300 famílias da Vila Augusta, que serão removidas das margens do Arroio Feijó. Mais uma vez, a Prefeitura de Viamão busca em Brasília verbas para investimentos em setores importantes, o que beneficiará toda a população viamonense e contribuirá para o desenvolvimento da cidade.
Quer dizer: as obras que vieram, eles embargaram. E ainda aparecem em Brasília para pedir mais obras? Nem Freud explica.
Quarta-feira, 04 de Agosto de 2010, às 15:16:41
Criador do blog Studio Pampa Oficial está sendo atacado por uma galera que, incrivelmente, não acha ridículo o programa mais pangaré da TV Panga (que nada mais é do que um playground da filha bonitinha do Gadret). Pois eu estou levantando a voz para defendê-lo. E não, não tentei emprego nenhum na Pampa. Nem sei onde fica.
Time atual do Studio Pampa. Não são todos igualmente debilóides, alguns chegam a ser bem inteligentes. Outro dia mesmo, o Ton deu uma surra de neurônios na Suellen. O que não adianta nada, porque a Suellen, apesar dos poucos dotes intelectuais, é bunduda, peituda, e com isso fisgou um "partidão" que é patrocinador do programa.
Ultimamente, andam fazendo vários ataques ao Wellington, blogueiro que mantém no ar o
Studio Pampa Oficial, no próprio espaço de comentários do SPO. Os ataques centram-se em uma lógica meio bizarra: ele teria feito um teste para trabalhar na Pampa, sendo reprovado, e por isso estaria agindo como um "recalcado", ao criar um blog que avacalha com as "estrelas" do Studio.
Bom. Eu acho que cada programa tem os fãs que merece, e os fãs defensores do Studio realmente acompanham o grau de inteligência de suas "ídalas". Wellington, pelo que eu entendi, fez uma vez um teste para trabalhar no departamento de marketing da emissora. Não conseguindo, tentou uma vaga como editor em outro canal, com sucesso. E tocou sua vida numa boa.
Mas os fãs "roxos" da "TV Panga" simplesmente confundem a história do Wellington com a do Romântico, fã dedicado do programa, que criou todo um aparato de adoração às pampatricinhas, esperando ser contratado pela emissora e quebrando a cara logo em seguida. Este, sim, ficou recalcado. O Wellington simplesmente me parece ser um cara que gosta de avacalhar o Studio Panga, assim como eu também gosto. Eu assisto o "Alegria, Alegria", o "Studio Pampa" e outros programas do mesmo calibre, porque acho isso muito divertido. Ver um programa tosco, e aliás, justamente por ser tosco, e depois avacalhá-lo pode ser, sim, algo muito engraçado, divertido e gratificante. Sem que para isso alguém precise ser recalcado.
Eu nunca tentei um emprego na Pampa, nem na TV, nem no rádio, nem no jornal, nem nada. Não sei nem como deve ser a sede da rede, a não ser por algumas fotos que vi na Internet. E também avacalho com as pampangarés. E daí?
Certa vez, fiz entrevista para um estágio na TV Guaíba. Mas chegando lá, descobri que era para o programa Palavra de Mulher. A apresentadora dessa "pérola da TV" parece uma simpatia na televisão, mas é histérica, quase criminosamente desrespeitosa com seus funcionários. Eu não queria trabalhar nesse programa, mas já que estava lá, resolvi ver no que ia dar. Não peguei, claro, porque ao ser questionado sobre o que pensava do programa, respondi: "Acho que essa velha deve ter um parafuso solto na cabeça."
E daí? Vão dizer que eu também tenho recalque com os programas da antiga Guaíba (pré-Record), ou que eu tenho recalque com toda a programação de TV do Rio Grande do Sul? Pois eu quero ver alguém achar um jeito de me desmoralizar, já que eu me alinho ao lado do Wellington para dizer que, sim, o Studio Pampa é muito tosco. E sim, nós nos divertimos rindo dessa tosquice toda.
Sexta-feira, 06 de Agosto de 2010, às 15:19:38
Wellington João Franke Jr (we.frankejunior@gmail.com) comentou este texto:
Fábio, demais, adorei! Só um aparte: eu não sou dono do Blog... Passei a escrevê-lo porque o parceiraço da comunidade do orkut não seguiu em frente... E como eu e a colega Jéssica estavamos liberados para escrever nele, segui em frente...
Vou postar teu endereço no blog...
Muito obrigado mesmo!
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Quarta-feira, 04 de Agosto de 2010, às 11:45:45
Vocês já leram aqui, ontem, a história de uma senhora demitida da Câmara, e que acusa um vereador de ser seu algoz. Agora, vejam a outra versão da história, e por quê eu não ouso arriscar um palpite sobre quem tem razão.
Quando o bombardeio é forte demais...
... ou derruba de vez ...
... ou sai pela culatra e estoura na cara do atirador.
Histórias mal explicadas são outra coisa que o Camarada Nikita reprova, batendo com seu sapatinho na mesa da ONU.
Hoje, recebi novas informações sobre as denúncias de politicagem na escolha dos demitidos da Câmara Municipal de Viamão. Foi um papo com um amigo que circula pela política da cidade e ouviu a outra versão da história, a do vereador que supostamente teria "condenado" o emprego da senhora demitida na sexta-feira passada.
Segundo essa fonte, a decisão não teria tido nenhuma influência do vereador apontado como "carrasco", e teria sido tomada por membros da própria Mesa da Câmara, sendo que aquela senhora não pertencia a nenhum gabinete, e respondia diretamente à Mesa. O vereador "demonizado" teria recebido a notícia da demissão a posteriori. "Ela saiu dentro de uma lista de 40 nomes", segundo a fonte, escolhidos pelas funções que exerciam: os setores nos quais um ou outro funcionário não fossem absolutamente imprescindíveis sofreram cortes, de forma pragmática, e não emocional ou política.
Bom. Já temos aqui no blog as duas versões da história.
A versão da senhora demitida é verossímil porque sabe-se que, fora os concursados, os outros funcionários do governo (incluindo o Legislativo) são geralmente nomeados e demitidos por indicação política. Em última análise, a história torna-se plausível porque, no Brasil, a política é conhecida como um terreno naturalmente pantanoso e sujo.
Já a versão do vereador também é verossímil, para mim, porque ultimamente há um amplo setor dentro do partido dele que o ataca. Não apenas aquela senhora que foi demitida, mas muitas pessoas que conversam comigo, evidentemente longe das vistas do vereador, e que expressam sua rejeição pela figura. Dizem que é autoritário, que quer "tomar conta" da legenda. O que só pode significar duas coisas: ou o cara tem mesmo tendências totalitárias, ou é tudo obra de algum outro líder dentro do mesmo partido, que quer derrubar o vereador em questão, para colocar em prática suas próprias idéias totalitárias de controle do partido.
Sim, porque eu já vi gente "levando pau" dentro de partidos sem ter feito nada de mau, apenas porque outros queriam o poder total e aquele azarado sujeito representava uma pedra no caminho dos espertinhos. E já vi gente tentando manobrar para ter o poder total, e ser detida por uma onda de ataques. Não sei mesmo qual é o caso nesta situação. Mas estão aí os dois lados da pendenga, para vocês, leitores, decidirem.
Terça-feira, 03 de Agosto de 2010, às 16:59:44
Redução nos gastos da Câmara fez algumas cabeças rolarem. Mas comenta-se, à boca não muito pequena, que teve até jogo sujo no meio.
Política é foda...
Esse é o tipo de golpe que alguns políticos gostam de dar em seus próprios companheiros...
Politicagem é uma coisa que o Camarada Nikita reprova, batendo o sapato na mesa.
Em Viamão, a politicagem é quem reprova (e demite) VOCÊ!
Que a Câmara Municipal de Viamão está sendo obrigada a reduzir seus gastos com pessoal, é algo notório, que está sendo informado pela imprensa da cidade há algum tempo.
O que, porém, é ainda obscuro são os processos pelos quais se estão escolhendo quais as cabeças que devem rolar aqui.
Hoje mesmo, conversei com uma velha amiga que foi mandada embora do Legislativo viamonense na sexta-feira passada. Ela trabalhava fora de qualquer gabinete, em uma área neutra e, segundo consta, fazia um bom trabalho - enquanto sabe-se que várias pessoas, menos produtivas, continuam e continuarão por lá.
Houveram reclamações de seus colegas de setor, pedindo para que revissem a decisão de mandá-la para a rua, mas a indicação de seu nome parece que veio de um vereador do próprio partido ao qual esta senhora é filiada. Quais as razões do "fogo amigo"? Será medo de disputar "limpo" o poder intrapartidário? Será o temor de ser ofuscado, mesmo que de leve, por pessoas com brilho próprio?
O fato é que esta senhora agora está desempregada, e o tal vereador deve estar bem satisfeito com o resultado dessa covardia, ou infantilidade, ou ambos, cometida. Nesses casos, o presidente da Câmara poderia intervir, mas aí ele tem que ter jogo de cintura para não parecer autoritário ao vetar uma demissão dessas. Enfim, é um jogo complicado. Nem sempre o presidente pode reverter, e eu não sei se nesse caso ele poderia ter tentado.
Azar. À demitida, ficam meus desejos de boa sorte. A vida é assim mesmo: ela não é justa, e a maior parte das pessoas também não o são. De qualquer jeito, não dá para se deixar abater. Bola pra frente!
Terça-feira, 03 de Agosto de 2010, às 15:23:36
Marco Alba reuniu uma multidão na sede do PMDB Viamão. Até, ai, morreu Neves, e daí? A novidade é que no evento apareceram o Paulo Nunes, ex-presidente do PDT e "refugiado" da implosão daquele partido, e o tucano, polêmico, figuraça imortal Bebeto Cabeça.
Sarico, Russinho, Bebeto, Marco Alba e Paulo Nunes
O salão "levemente" lotado - e tinha mais gente pelos corredores e na calçada.
Ontem à noite, ocorreu na sede do PMDB de Viamão um evento centrado na candidatura do deputado estadual Marco Alba à reeleição. Foi um acontecimento de casa cheia, com muita gente aglomerada no salão, a ponto de o ar ficar carregado para se respirar. Adesivos, bandeiras e panfletos finalmente apareceram em grande quantidade nesta campanha. E havia até a possibilidade de o candidato ao Senado, o ex-governador Rigotto, aparecer. Mas ele não compareceu. Seus materiais de campanha, no entanto, eram onipresentes.
Festa de político tem sempre discurso, material de campanha, essas coisas. Mas essa foi diferente porque tivemos duas presenças que eu não esperava ver por lá: Bebeto Cabeça e Paulo Nunes.
Paulo Nunes, mais um emigrado do partido implodido
Vocês conhecem a história do Superman? Ele nasceu em um planeta que explodiu. Pouco antes do cataclismo, seus pais o lançaram ao Espaço para que sobrevivesse. E ele veio cair na Terra. Pois é. Eu pulei fora do PDT quando o braço viamonense da sigla brizolista estava na iminência de afundar de vez, com a atual direção fazendo suas peripécias. E até aqui, pensei que era o único "sobrevivente" a cair no PMDB. Mas aí, ontem, vi o Paulo Nunes, que é parente (irmão ou primo, não lembro) dos ex-vereadores Janes e Rospide, recebendo as boas vindas ao PMDB, e manifestando sua intenção de concorrer a vereador em 2008, "para ganhar".
Eu já conhecia o Nunes. Na verdade, o havia visto apenas uma vez na vida. Foi na convenção do PDT em 2006, na Câmara Municipal de Viamão. Naquela ocasião, lembro que ele começou a discutir com um companheiro (acho que era o Natalício), dando início a uma confusão. O vereador Romer Guex, que acabara de ser eleito presidente municipal do PDT, interrompeu seu discurso e desceu da tribuna para separar o bate-boca. O Nunes não gostou, e não teve jeito: a convenção descambou para a pancadaria. Eu lembro que o Nunes e o Romer se engalfinharam, e o Paulo Nunes se deu mal na jogada. O caso rendeu uma intensa troca de farpas através da imprensa e da tribuna do Legislativo por alguns dias. Não sei se houve processo ou não. No fim das contas, não fez diferença: o PDT de Viamão acabou caindo nas mãos do ex-vereador Cristaldo.
Quem lê isso pode pensar que eu estou tirando o maior sarro de uma figurinha abjeta da política local, mas não é nada disso. Eu não conheço a persona política do Paulo Nunes, e nem ele como pessoa. De repente, é até um cara inteligente. De repente, sabe fazer votos. De repente, sei lá. Não posso julgá-lo pelo que vi, porque só o vi como personagem daquela batalha campal de 2006. Ainda vou analisar essa figura no dia-a-dia, e ver qual é a dele.
Bebeto Cabeça e os sinais para 2012
Guardei a parte mais legal para o final. O ex-vereador Bebeto "Cabeça" estava lá no evento também. Para quem não sabe, esse cara é filiado ao PSDB e também é egresso das fileiras do PDT, mas deixou a sigla bem antes da decadência final dela, fundando sua própria legenda na cidade há uns 20 anos.
Embora esteja um tanto desgastado politicamente e tenha sofrido alguns revezes nos últimos anos (o Bebeto concorreu a vice na chapa do Chico Gutierres em 2004 para a Prefeitura e a dupla ficou com o último lugar, e além disso ele vem sofrendo oposição dentro do próprio partido), trata-se de um político que sabe muito do riscado, foi presidente da Câmara Municipal, conhece todo mundo, e tem um eleitorado cativo, tradicional, que confia nele e se mantém firme há "trocentas" eleições. É também um baita de um orador. Mas não é só a votação que interessa nessa figura.
Bebeto é uma das principais lideranças tucanas no município – se não for a maior – e sua presença na campanha do PMDB deste ano indica que poderá abrir mão de uma cabeça de chapa para apoiar uma união das forças de oposição. Aliás, os discursos da noite foram neste sentido. Embora a idéia de uma oposição unida para tirar o PT da Prefeitura depois de 16 anos de governo pareça fantasiosa (ela já existia em 2004 e 2008, mas nunca sai do campo das idéias), ontem eu vi pela primeira vez uma movimentação objetiva neste sentido. O PSDB é um partido mais ou menos importante na cidade, apesar de não ter bancada (por problemas jurídicos, não por falta de votos).
Quinta-feira, 05 de Agosto de 2010, às 10:02:24
Fabio (resposta) (fabio.salvador8@gmail.com) comentou este texto:
Olha, Vitor, eu nunca levo nada para o lado pessoal. Mas a política em Viamão é essa coisa ranhenta, esse eterno vir e voltar de figuras manjadas. Tua crítica é muito válida.
Eu me refiro ao Bebeto como representante tucano porque ele tem um grupo dentro do partido que se mantém fiel a ele.
Este post teve uma consequência positiva: chamou um comentário crítico, e eu esperava que amigos como o Claudio Dullius e o Kadu entrassem para responder, mas eu nem sei se eles lêem este blog com alguma frequência.
Quinta-feira, 05 de Agosto de 2010, às 01:53:56
Vitor (vitorha@bol.com.br) comentou este texto:
Caro Fábio;
Já fomos companheiros de partido no tempo em que fostes tucano e muito me estranha o comentário sobre "...uma das principais lideranças tucana..." só para lhe informar, este cidadão não fala em nome do PSDB, e se lideranças se unem a ele pensando que terão o PSDB, poderão conseguir exatamente o contrário, perder o PSDB.
Segundo informações de bastidores, este cidadão anda lambendo botas do pessoal do PP, se ele estava na sede do PMDB representando algum partido, com certeza não era o PSDB, porque a última convenção partidária promovida por este cidadão foi uma fiasqueira, que o companheiro da chapa de oposição anulou a mesma e o partidou está sob intervenção estadual até os dias de hoje.
Acompanho seu site, espero que não leve esta opinião para o lado pessoal, mas este cidadão já deu o que tinha que dar, temos que incentivar as novas lideranças e deixar de babar os ovos dos que nunca fizeram nada por Viamão, só se mantiveram na tetinha.
Um forte abraço e até a próxima oportunidade.
Vitor
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Quarta-feira, 28 de Julho de 2010, às 18:08:42
Ontem, o vereador Russinho misturou habilidades de orador com uma certa veia para a apresentação de programas de auditório, e me deixou absolutamente surpreso.
Russinho (Valdir Jorge Elias) entregando o título de Cidadão Viamonense ao deputado estadual Marco Alba. O russinho é o da esquerda. Eu só achei estranho, nessa foto, que eu nunca notei que o Russinho fosse mais alto do que o Marco.
Ontem à noite tivemos mais uma reunião do PMDB Viamão. Não foi uma reunião lotada, mas tínhamos bastante gente. E estavam presentes os três vereadores da sigla: Russinho, Joãozinho da Saúde e Antonio Gutierres. Também o primeiro suplente da bancada, Barbaroti, foi lá.
Claro que o tema do meu discurso foi o 6º Encontro da Juventude do partido, ocorrido no sábado. Só que eu estou ficando meio frustrado com essa história de discursar nas reuniões do partido. Eu escrevo aqui no blog, meus artigos saem no Diário de Viamão, e por aí afora. E normalmente, eu sou bastante elogiado quando deito minhas idéias no papel – não sou nenhum Carlos Lacerda, mas me dou bem com as letras, isso já percebi, sem falsa modéstia. Então, por quê eu discurso TÃO MAL? Eu detesto meus discursos. Nem eu mesmo me aturo. São medonhos. Eu tenho uma voz absurdamente alta e sonora, boa dicção, um vocabulário bem variado, mas não discurso direito. Falo rápido, sem ritmo, as idéias se embolam. Eu não tenho uma boa interação com a platéia. Tudo sai errado. É uma porcaria.
Por outro lado, eu nunca tive em muito alta conta, como orador, o vereador Russinho. Ele tem uma voz, na minha opinião, meio “afogada”, e não tem muita expressão facial. Mas na terça-feira percebi que, mesmo com esses recursos “naturais” limitados, ele é um Power de um orador. De uma maneira muito simples, ele foi lá e passou a idéia dele. Então, como se apresentasse um programa de auditório, chamou lá na frente e prestigiou um de seus cabos eleitorais, o Luis da academia de Tae-Kwon-Do, campeão estadual, instrutor e figura querida da vila Cecília. O Russinho deu uma aula de presença de palco.
Realmente, me surpreendi. Esse Russinho mostra por quê é o vereador mais votado do PMDB nesta legislatura. E eu, preciso urgentemente encontrar onde tem um curso de oratória. Ou então, desistir e me relegar ao mundo das letras escritas apenas.
Terça-feira, 27 de Julho de 2010, às 17:38:30
Muita coisa tem sido dita sobre o vice na chapa do José Fogaça ao governo do Rio Grande do Sul. Pompeo de Mattos, deputado federal pelo PDT, foi condenado por “abuso do poder econômico” e rotulado como um dos “deputados albergueiros”. Mas na realidade, não fez nada de mais.
Quem condena os albergues deste cara, está fazendo o quê para ajudar aos mais pobres? Se for com dinheiro limpo, deixa o cara albergar, que tem gente precisando!
Esse, foi chamado de populista por criar leis trabalhistas e dialogar com as dirigências sindicais.
Esse outro, por ficar com essa mania feia de construir escolas pelo interior gaúcho e achar que o povo tem direito a exprimir sua voz.
Esse outro é um bosta, por ficar dando bolsa-esmola para os miseráveis. Ora, todos os homens de bem sabem que é natural que os pobres morram de fome.
Esse aí chama-se Jãnio Quadros. Era meio louco. Apesar de imprevisível, bebum, neurótico e brigão, ele deu ao povo aquilo que o povo realmente quer: resultados. Ergueu pontes que integraram os bairros periféricos de São Paulo ao centro da cidade e dotou a cidade de uma estrutura invejável. Quarenta anos depois da fatídica renúncia, ainda havia gente grata em número suficiente para dar-lhe um último mandato como prefeito.
Até o Carlos Lacerda, visto por muita gente como um político meramente "denunciador", por apontar as "táticas eleitoreiras" de seus adversários, acabou rendendo-se e tornando-se um gestor de resultados ao ganhar o governo da Guanabara,
O que é que esse cara fez? Ele mantinha um albergue em Porto Alegre, uma espécie de casa de passagem, que abrigava pessoas pobres vindas do interior para tratamento médico na Capital, busca de emprego, coisas assim. Não lembro especificamente qual era o direcionamento do albergue do Pompeo, mas era por aí.
Tá. E se o cara mantinha um albergue? Era com dinheiro roubado? Não. Ao que parece, era com parte do salário dele e da contribuição de seus CCs. O que é que tem de mais manter um albergue? O que é que tem de errado em uma pessoa tocar algum tipo de obra social, ajudar aos mais pobres, e em compensação, esperar receber votos? Não é essa a essência da política, a saber, que o político trabalhe pela comunidade, melhore a vida do povo, e seja bem votado por fazer este grande trabalho?
Afinal, se vamos condenar o Pompeo por ter albergues, temos que condenar muito mais gente! Dizer que os “albergueiros” tiram vantagens eleitorais destas instituições é uma coisa óbiva. E não tem nada de errado. é óbvio que, se o sujeito é necessitado, e tem sua vida salva pela existência do albergue, ele vai sentir-se inclinado a apoiar o deputado. Se um vereador consegue incluir no orçamento municipal o asfaltamento da minha rua, claro que eu me sinto mais inclinado a votar nele. Se o prefeito arruma os esgotos da cidade, e eu paro de sentir o fedor dos valões a céu aberto, claro que eu vou votar nele.
Aqui em Viamão, mesmo, nós temos uns políticos assim. Tem um vereador que é constantemente atacado por suas “táticas eleitoreiras” de fazer contato com amigos empresários e arrumar empregos para as pessoas. Tem outro, que também é apontado por suas técnicas “populistóides”, que incluem carregar pessoas doentes para os hospitais da Capital em seu carro pessoal. Mas e daí? Se eu preciso de um emprego, ou de uma ajuda na hora da doença, não é bom que existam essas pessoas? E se elas me ajudam, não é justo que eu passe a admirá-las, dando-lhes, até talvez, o meu voto? O que é que os políticos deveriam fazer? Deixar os mais necessitados à míngua, só para não serem chamados de “albergueiros”, “empreguistas”, ou do que for?
Uma das coisas mais estranhas nisso tudo é que justamente os acusadores destes políticos “populistas”, as pessoas que apontam o dedo para condenar albergues, obras de grande visibilidade, ajudas e “mãozinhas”, são justamente os políticos que menos fazem pelo povo. Eu conheço muita gente que está na política, dá discursos inflamados contra os adversários “populistas”, tem conhecimento, fala bonita e argumentos brilhantes. Mas que não providenciou, de visível, de concreto, nem um tijolo sequer, nem uma tampinha de bueiro que seja. Para quê o povo precisa de pessoas assim?
Se o povo tem fome, precisa de comida. Se o povo está atolado no barro, precisa de calçamento. Se o povo está desempregado, precisa de serviço. Se o povo passa mal e não há ambulâncias disponíveis, precisa de transporte rápido ao hospital. Se uma cidade não tem estruturas, são necessárias obras.
Leonel Brizola era um adolescente inteligente e pobre, que precisava vir para Porto Alegre para continuar seus estudos, e a prefeitura de Carazinho deu-lhe uma passagem de trem. Agora, será que alguém teria a coragem de condenar o prefeito de Carazinho daquela época por ter estendido a mão a um jovem necessitado e, sem querer, mudado a história do Rio Grande e do Brasil?
Aqui em Viamão, temos uns ex-presidentes da Câmara Municipal respondendo a processos por terem doado as sobras de caixa do Legislativo (que tem uma dotação orçamentária irredutível) aos times de futebol das vilas, às entidades beneficentes, etc. Ora, e o que é que eles deveriam ter feito? Devolvido o dinheiro ao Executivo, para vê-lo se dissolver no pagamento de salários de CCs e nas obscuras reentrâncias da burocracia? Melhor dar a quem precisa, via entidades! A Justiça condenou alguns destes ex-presidentes. Curiosamente, o povo mostra-se disposto a votar neles denovo. Fizeram mais pelo povão do que seus detratores ou os juízes que os condenaram, e que vivem trancados em seus gabinetes sem nunca terem sujado os pés na lama das vilas.
Pompeo de Mattos tinha um albergue. Grande coisa! Se cada político mantivesse um albergue, uma creche, um sopão comunitário, um grande número de pobres sofreria bem menos os efeitos da falta de recursos no dia a dia de suas vidas. Quem faz o bem ao povo merece os votos dele. Deixando bem claro: quem faz este bem, sem desviar dinheiro público, sem roubar. Eu defendo o assistencialismo “populista”, que tanta falta faz a quem precisa, e não a corrupção. Ladroagem é outra história. Quem só sabe criticar, que vá arrumar um jeito de ajudar às pessoas também, e merecer os votos delas.
Segunda-feira, 26 de Julho de 2010, às 17:45:36
O local escolhido para o encontro da JPMDB foi, a meu ver, um misto de "escolha feliz" com "tiro no escuro". Eu vou aproveitar a ocasião para falar sobre Gramado, muito embora minha opinião sobre a cidade seja bem mais antiga do que o 6º Encontro da JPMDB.
Brrrrrrrr.......
Mas tem muitas coisas boas e bonitas para compensar...
Eu digo que a cidade selecionada foi uma "escolha feliz" porque Gramado é uma cidade muito bonita, um dos principais pontos turísticos do Estado, e nesta época do ano, temos o Festival de Cinema e o Festival de Inverno. Gramado é linda em qualquer época do ano, mas no inverno, torna-se mais badalada e as lojas recebem decoração especial para receber os turistas.
Digo também "tiro no escuro" porque Gramado e Canela foram recentemente assoladas por vendavais que derrubaram casas e formaram uma massa de desabrigados instantâneos. Mas eu já adianto: a destruição não passou nem perto do centro e dos pontos turísticos da cidade. Aliás, acho que atingiu só Canela. A prefeitura de Gramado está fazendo um grande trabalho de arrecadação de ajuda para sua cidade-irmã.
Gramado estava numa boa. Mas isso não significa que eu tenha achado tudo muito bom. A própria vocação turística do local, para mim, causou um certo incômodo: Gramado é um lugar para gente que tem dinheiro. Ponto final. Famílias endinheiradas têm casarões para curtir o inverno por lá. Então, as ruas estavam coalhadas de gente bem vestida e carros de último tipo. Um ambiente considerado acolhedor por muita gente, mas não por mim. Eu sempre sinto um forte e desagradável estranhamento ao entrar em lugares isolados do "mundo real".
Outra coisa que eu não consigo entender é essa coisa de as pessoas gostarem de ir a Gramado e Canela NO INVERNO. As pessoas não vão lá porque é bonito. Não. Para a maioria dessa turma terceiro-mundista, ir a um dos lugares mais horrivelmente frios do Estado mais gelado do Brasil, serve para para comer fondue, olhar a neve pela janela, e sentir-se na Europa. E depois levar as fotos dessa experiência "européia" para os amigos verem. É chique!
Eu moro em Viamão, e morava antes em Porto Alegre. Nunca vi charme algum no inverno gaúcho. De fato, se eu pudesse, passaria todo ano, de Maio a Setembro, na Bahia. Ou no Rio de Janeiro. Ou na Venezuela, em Trinidad y Tobago, sei lá. Tanto faz. Em qualquer lugar onde não tivesse que me entrochar de casacos.
Roupas de inverno e fogão a lenha, pessoas dentro de um chalé em meio a um gramado todo transformado em branco, são coisas charmosérrimas para muita gente. Para mim, a geada que deixa os campos brancos significa que centenas de produtores rurais entrarão em desespero ao verem o produto do seu trabalho "queimando" de frio. E eu acho meio contraditório buscar um lugar frio só para ter o prazer de se isolar em um ambiente fechado com calefação, olhando o frio lá fora. Não seria melhor poder dispensar a lareira e ir para rua curtir? Não sei. Eu prefiro sempre os espaços abertos. E eles só são bons, à noite, no verão.
Tem gente que vai para a Europa esquiar no Inverno. No dia em que eu puder fazer uma viagem cara, com certeza será para o litoral sul da França, no verão. Tem gente que gosta de passar frio e acha isso o máximo. Eu ainda prefiro usar bermuda, camiseta, sandálias e dormir quase pelado.
Eu gosto é de acordar de madrugada, sair da cama e ir ao banheiro sem congelar pelo caminho. Entrar no mar, nadar na piscina, e não ter pressa em me secar depois. Pegar sol na cara, caminhar sem quase nenhum tecido pesando sobre os ombros. Andar de carro com as janelas abertas, cabelos ao vento. Dormir na rede dependurada nas árvores do meu pátio, desfrutando da sombra, logo após a hora do almoço. Se eu comandasse o clima, seria eternamente verão. E eu moraria perto da praia.
A cidade de Gramado, no entanto, é um destino interessante. Não pelo clima (medonho) ou pelos preços (estratosféricos), mas pelas atividades que acontecem lá. Nunca fui a um Festival de Cinema de Gramado. Um dia, irei. Não quero ir na qualidade de mero espectador, e só vou quando finalmente conseguir realizar um filme, não digo bom, mas aceitável que seja. Pode ser que nunca consiga. Existem lugares e eventos aos quais eu quero ir, mas não de qualquer jeito.
Gramado é uma cidade linda. E os eventos são muito legais. Só não consigo entender por quê o principal atrativo da cidade é o INVERNO, estação na qual eu penso em ir para bem longe de lugares onde o frio é mais frio do que na minha própria terra.
Se o festival de cinema fosse em Manaus, nesta mesma época do ano, talvez eu concordasse em ir como mero espectador.
Segunda-feira, 26 de Julho de 2010, às 17:39:19
Um sábado frio em Gramado recebeu delegações de todo o Estado para o maior encontro da Juventude do PMDB neste período de largada da campanha eleitoral.
O auditório lotado, e mais uma galera na rua. Quando pintou uma chuva, vocês não imaginam o aperto no salão e debaixo das marquises.
Eu com o meu candidato ao Senado, Germano Rigotto.
Uma galera junto do vereador Barbaroti, já batizado de "novo pai da juventude de Viamão", porque é sempre parceiro na hora de organizar os eventos e fazer as coisas acontecerem. Aí está o exemplo de um cara que não tem a ganhar com a política, a política é que tem a ganhar com ele!
Sábado, dia 24 de Julho de 2010, aconteceu o 6º Encontro Regional da Juventude do PMDB gaúcho. Foi um encontro, naturalmente, pré-eleitoral e o tema principal foram as estratégias e posicionamentos do partido para as eleições de 2010. Não contei quantas pessoas compareceram, mas foram algumas centenas. Tínhamos lá delegações de diversas cidades espalhadas pelo Estado, de todas as regiões.
Obviamente, o candidato ao Senado, Germano Rigotto, falou. Ele chegou ainda pela manhã para fazer sua participação e parecia bem animado para a campanha. Pudera. Ele já está praticamente eleito, depois da sábia decisão do PMDB de lançá-lo como candidato solitário, permitindo mil e uma dobradinhas com os nomes de outros partidos. Quem vota no Paulo Paim, do PT, por exemplo, tem em Rigotto uma opção "menos à direita" do que Ana Amélia Lemos, do PP. E quem vota na Ana Amélia vê no Rigotto uma opção menos esquerdista do que o Paim. Estrategicamente, Rigotto tem tudo para ganhar. Pena que ele não ficou no governo do Estado em 2006, porque se tivesse ficado, agora com certeza seria o candidato à Presidência que o partido tanto queria.
Aliás, essa história de Presidência da República: deu para sentir que a maioria da galera queria ter lançado um nome próprio para o Planalto. Tanto é que teve um pessoal, gente importante no partido, dizendo que Michel Temer "decaiu no conceito" ao unir-se "ao que há de podre no PMDB" (a turma do Sarney, do Renan e companhia), que foram os grandes articuladores desta aliança PT+PMDB em nível federal. Além dos defensores da candidatura própria, tinha muito Serrista por ali. Não topei com quase nenhum defensor da aliança com a Dilma.
Fogaça e Pompeo de Mattos, claro, marcaram presença, assim como uma penca de deputados, federais e estaduais. E postulantes às vagas, claro.
Cartazes e artes penduradas
A primeira coisa que eu notei foi o contraste entre as peças de propaganda de dois candidatos: Gabriel Souza e Alceu Moreira. O Gabriel é o presidente nacional da JPMDB, e fez uns cartazes muito legais, fundo laranja e detalhes em preto, que só dava a entender que o candidato era do PMDB porque o emblema do partido aparecia debaixo da foto do cara. Com o lema "Fala Sério" e uma escolha de fontes e cores muito jovem e original, além das fotos dele, numa atitude meio irreverente, as peças publicitárias tinham um ar extremamente "jovem", de "coisa nova".
Já as peças do deputado estadual (e postulante a Federal) Alceu Moreira eram o extremo oposto, mostrando o candidato sorrindo, numa pose típica de candidato. Fundo branco, detalhes em vermelho e o nome dele em azul. Não achei feias as peças, mas não poderiam ser mais "típicas de material eleitoral", o que talvez combine com o eleitorado do Alceu, mais conservador do que o do Gabriel.
Também haviam uns banners gigantes do Rafael Costa, o candidato a região. Não o conheço, mas imagino que tenha muita força junto ao PMDB de Gramado e da serra em geral. O material dele é mais convencional, e me chamou a atenção o fato de predominar a cor verde, uma coisa meio típica dos materiais eleitorais da serra gaúcha, e dos emblemas de prefeituras daquela região.
A figura visualmente mais presente no evento era o deputado federal Eliseu Padilha, que tinha faixas por toda parte. Uma, inclusive, conclamando aos presentes a baixarem uma mensagem sua via Bluetooth. Também foram distribuídos folders mostrando a atuação do candidato na aprovação do Projeto Ficha Limpa, que ao que parece, será a menina dos olhos de sua campanha.
Mendes Ribeiro Filho, eu achei, foi meio sub-representado em termos de propaganda visual. Eu mesmo, só peguei um adesivo redondo dele. O cara anda correndo muito, fazendo a coordenação da campanha do Fogaça, e acaba não fazendo o feijão-com-arroz da própria campanha dele.
Conclusão
Não tenho uma conclusão para este texto. O evento foi legal, mas o frio e a duração (o dia inteiro) deixaram o pessoal muito cansado. Pelo menos, eu consegui elucidar algumas dúvidas que eu tinha sobre o nosso posicionamento enquanto partido neste pleito, e tomei uma carga de entusiasmo por algumas candidaturas que eu não conseguia definir se valiam a pena ou não.
Segunda-feira, 26 de Julho de 2010, às 17:53:40
Iuri Camargo (iuri.camargo15@gmail.com) comentou este texto:
Isso ai Fábio,
Maravilhosa a participação da JPMDB Viamão no 6º Encontro Estadual da Juventude. Lá estiveram mais de 1.500 pessoas e a nossa delegação era uma das maiores e a mais bem organizada.
Tenho orgulho de poder trabalhar com pessoas como vocês. Tenho certeza que esta juventude vai fazer diferença nas eleições de 2012.
Quero agradecer a parceria do vereador Barbarotti, que foi incansável na organização deste evento - ele é o novo pai da juventude.
OBRIGADO AOS MILITANTES DA JPMDB VIAMÃO POR MOSTRAREM AO ESTADO A GARRA DO POVO VIAMONENSE.
Iuri Camargo
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Segunda-feira, 26 de Julho de 2010, às 11:47:20
Uma análise meio pessimista das nossas opções para o governo do Estado nestas eleições de 2010.
Tá, tá! Agora tira esse sorriso da cara, que está na hora de partir para a porrada com ela!
Em grande parte, o amolecimento do PT é obra das forças mais "moderadas", das quais Tarso Genro é figura notável. Ainda se o candidato fosse o Olívio...
Eu vou votar no Fogaça. E não é por ele ser o candidato do PMDB, ou por ter um vice do PDT. Todo mundo (que me conhece) sabe que eu sempre tive grandes problemas de disciplina partidária. Quando eu acho os nomes do meu partido uma bosta, saio dizendo isso abertamente e acabo passando pela Comissão de Ética. Não que isso me assuste. Um partido incapaz de ver a própria ruindade de seus quadros não me serve, e é melhor ser expulso e sair logo para outro.
Mas no caso do Fogaça, eu voto nele de qualquer jeito. E faço campanha de qualquer jeito. Não tenho ainda razões concretas para apontar, aqui, que ele seja o melhor, mas tenho a absoluta certeza de que é o "menos pior" de todos.
A equação é simples: se o Fogaça for para o Segundo Turno, o eleitorado da Yeda acabará votando nele. Se a Yeda for para o Segundo Turno, o eleitorado do Fogaça acabará dividido. E aí, o PT fica com a faca e o queijo na mão.
Cabe analisar as alternativas Tarso e Yeda.
Eu não quero ver o Tarso governando basicamente porque o PT gaúcho é bem menos racional e mais desencontrado do que aquele partidão que comanda o governo federal. O governo Olívio Dutra, sob o pretexto de "abrir um diálogo com os movimentos sociais", passou a dar força a alguns sindicatos e organizações legítimas mas, ao mesmo tempo, abriu uma brecha para que todo tipo de bandoleiros pudessem operar. O MST tinha liberdade para destruir propriedades produtivas, depredar patrimônio, acampar dentro de prédios públicos impedindo os demais cidadãos (inclusive, das camadas mais pobres, aliás, principalmente eles) de terem acesso a serviços essenciais do Estado. O clima de insegurança e descalabro era tanto que uma unidade da Ford, que tinha já terreno certo para instalar-se em Canoas, acabou optando por ir para a Bahia.
Tarso é bem menos "radical" do que Olívio, mas isso não significa que seja uma opção melhor. Significa apenas que ele faz parte do "PT Sabonete", do PT que mantém o discurso "popular" enquanto prioriza a galera do topo, os engravatadinhos. É o mesmo PT do Olívio, só que piorado.
Eu também não quero ver a Yeda por mais quatro anos no poder porque, no extremo oposto ao do governo Olívio, a "tia" trata as questões sociais como se fossem casos de polícia. Ela não dialoga com o pessoal "de baixo", e isso é visível em todas as autarquias, empresas e órgãos do Estado: os servidores e o povo não são escutados, e os figurões nomeados comandam o Estado fechados dentro de seus gabinetes, reunidos, no máximo, para escutar a voz de meia dúzia de "iluminados", pertencentes às classes dirigentes. É um governo que faz política industrial ouvindo donos de indústria e ignorando os operários. Que faz educação sem escutar aos professores.
Além do mais, boa parte da "salvação" do Estado é puro factóide. Afirmando que colocou "as contas do Estado em ordem" e que com isso temos "mais capacidade de investimento", a governadora toca um monte de obras, que ficarão para o próximo governo terminar. Como? Não se sabe. Um exemplo emblemático é a duplicação da RS118: tem areia, brita, cimento e pedras para todo lado, nas margens da pista única da estrada. E umas escavadeiras revirando a terra. Não fica pronta até o fim do ano nem que a vaca tussa. Os professores estão P da vida com ela. E hoje em dia, virar servidor do Executivo Estadual não dá camisa a ninguém.
No fim, Fogaça é o único candidato não-petista capaz de vencer Tarso no Segundo Turno. E no fim, se o anti-petismo (num exercício de fantasia minha) prevalecer, e Tarso não for para a segunda etapa, Fogaça é o único capaz de enterrar as forças reunidas em torno da Yeda. Ou seja: Fogaça pode ter nas costas uma atuação meio apagada como senador e outra meio mais-ou-menos como prefeito, mas é o "menos pior" de todos. E ao mesmo tempo, como é um cara com muita capacidade de articulação, inteligente, com um histórico de luta democrática, um plantel de potenciais secretários muito bons, e é aliado do PDT, é também o melhor de todos.
Segunda-feira, 26 de Julho de 2010, às 16:30:57
Maria de Lourdes Rocha comentou este texto:
Fábio,
Lendo seu post, ví que você não tem uma visão muito lógica das coisas. Sou professora do Estado e estou em época de aposentadoria, sempre fui simpatizante do PT, e assim, sempre participei de atos do CPERS. Assim, sou uma das representantes mais ativas de Alvorada no Sindicato. O Governador Olívio Dutra, convidou uma presidente do sindicato para assumir a SEC e não deu certo, com Rigotto, obtivemos algumas vantagens, mas tinhamos muitas vezes nossos direitos atrasadoa, como 13º salário que era pago em parcelas. Nunca imaginei dizer que Yeda Crusius, que é do PSDB (partido que eu não tenho empatia alguma) fez mais pelos professores e por funcionarios de carreira. O 13° é pago em dia e o nosso salário sobe percentualmente mais do que o do resto do Brasil na mesma classe. O governo Yeda tem tido respeito pelos professores. A atual direção do Cpers Sindicato não participou de nenhuma reunião marcada pelo Governo do Estado, o que ocorreu foi, em absoluto, manobra política que os professores nunca mais toparam desde o excesso de "ação" na casa da governadora, condenada pela opinião pública e pelo judiciário.
Tu tens boas colocações, mas lembre-se que tu és um formador de opinião e que não podes estar fazendo colocações sem estar ciente do pensamento das clases que tu citas na matéria.
Obrigado pelo espaço.
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Quinta-feira, 22 de Julho de 2010, às 10:23:23
Viamão sofre com a falta de água a cada vez que baixa o nível do Rio Gravataí. Afinal, um rio abastece sozinho várias cidades. É um absurdo. Agora, finalmente, a Corsan finalmente vai dar uma utilidade para o fato de Viamão ter uma centena de quilômetros de margens da imensa Lagoa dos Patos.
E depois, dizem que o PAC é só papo furado...
... e depois, dizem que a turma do Marco e do Sarico é um bando de espertinhos...
... e depois, dizem que empresa pública não serve para nada e que tem mais é que privatizar...
... e que o ex (e eterno) vereador Artur Gattino não tem idéias práticas. Aliás, se tem alguém que conhece a Lagoa dos Patos e o litoral viamonense, é esse cara. Conhece tudo e ainda por cima sabe quem mora em cada pedaço daquelas bandas lá de Itapuã, sabe os nomes, de quem são filhos e tudo mais.
Hoje abri meu Diário de Viamão, que eu sempre leio. Aliás, sobre esse Diário, recomendo a assinatura, para quem é de Viamão obviamente, porque é o primeiro jornal "pra valer" da cidade. Não apenas por ser diário, mas por ser profissional, não um loteamento de espaços para políticos ou uma brincadeira de algum visionário.
Bom. Mas o jornal, neste post, não interessa. O que interessa é a notícia: a Corsan (Companhia RioGrandense de Saneamento) deu a largada em um projeto que promete tornar Viamão independente no abastecimento de água.
Por "independente", leia-se que deixará de estar atrelada ao sistema de captação no Rio Gravataí, que vinha abastecendo Gravataí, Alvorada, Viamão. Um rio, para milhares e milhares de pessoas. Para quem não lembra ou não sabe, nós temos ciclicamente problemas de seca no Rio Gravataí. Quando o nível dele baixa, as torneiras ficam secas em toda Viamão. É um tormento, um horror.
Quando eu ainda tinha o meu jornal, lá por 2005, não apenas eu, mas também alguns colunistas, falávamos do absurdo que era Viamão depender do sistema daquele rio, tendo mais de 100 quilômetros de costa, de praia, na face sul do município – e não margeando algum riozinho, não, margeando a Lagoa dos Patos, uma massa d´água imensa, invejada no mundo todo, que serve à navegação de grandes navios. O próprio Guaíba, que já é imenso, é apenas um apêndice minúsculo desta enorme lagoa, ou laguna, ou sei lá como se classifica uma piscina gigante do tamanho de umas 10 cidades.
E agora, finalmente, alguém botou a cabeça para funcionar. Não que a idéia tenha sido minha, ou de algum dos meus colunistas da época. Não. A idéia é mais velha do que andar para a frente. Mas alguém finalmente tem a pretensão real de colocá-la em prática. E com isso, Viamão credencia-se a ser uma cidade "de verdade", com seus próprios sistemas de abastecimento.
Isso, aliado à grande obra que a Corsan está fazendo (com verbas do tão criticado PAC), vai dar uma nova cara à cidade. Eu estou falando sério. Vocês sabem por quê existe uma lei que proíbe a construção de prédios com mais de oito andares em Viamão? Porque nós não tínhamos sistema de esgoto, e os prédios eram obrigados a usar fossas, como fazem as casas do interior. Muitos andares significam que há muitas privadas, ralos e pias escoando dejetos para uma fossa que fica embaixo do prédio, e que vai eventualmente sobrecarregar.
Com um sistema de esgotos, os dejetos vão embora na velocidade em que entram. E os prédios podem, então, ter 10, 15, 20 andares. E isso é bom para Viamão, agora que Porto Alegre está saturada de moradores e empresas. É natural que a expansão populacional (e, claro, imobiliária) porto-alegrense engula Viamão dentro desta grande bolha de urbanização, empregos e prosperidade em plena expansão. Com um abastecimento de água decente, Viamão vai bombar. Se vier grana para deixarmos a rede elétrica "nos trinques", então, daí, vai ser só festa. Parece papo de político, ou de idealista, ou de sonhador. Mas não é. As patrolinhas circulando por aí mostram que as coisas estão acontecendo.
Quinta-feira, 22 de Julho de 2010, às 11:17:22
artur gattino (gattini.a@hotmail.com) comentou este texto:
Desculpe. Mas na história recente de Viamão, não sei de niguém alem de mim, que tenha falado e propalado aos quatro ventos que se devweria tirar àgua da Labgoa dos Patos para abastecer toda região. Não só falei, como , na condição de vereador realizei um debate com a CORSAN e entidades , à epoca, para viabilizar uma discussão sobre este tema, que infelizmente não foi avante, pelo fato de uma técnica da companhia dizer qua a Lagoa dos Patos ficava salgada no verão, nas imediações do Pontal dos Bueno, ou Ponta dos Abreu , que era um absurdo. A ´proposta era canalizar a agua pela Boa Vista da Lagoa do Casamente, que é uma parte da Lagoa dos Patyos, pela Propiredade do falecido N ena Santana, trazer em linha reta até a faixa, na entrada das Lombas, e bombear para uma estação em Viamão. Segundo alguns técnicos haveria uma altyitude de 33 metros, vindo esta agua de boa qualidade por gravidade para cidade. Mas como todo projeto bom, tem um boi corneta para atrapalhar e ganhar dinheiro com empreiteriras, sugeriu-se buscar agua dio Guaiba da Praia do Lami subindo morros até chegar na Agronomia onde teria uma estação de tratamento.
Verdade seja dita, o atual gerente da Corsam foi incansável no projeto da Lagoa dos Patos. Voto vencido. Pelas razões esplanadas e por conhecer toda esta Lagoa, especialmentw a parte que fica em Viamão. um abraço. parabens pela visão. Espero que esta notícia sobre a Lgoa dos Patos não tenha padrinho político iluminado na busca de votos. gattino
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Segunda-feira, 19 de Julho de 2010, às 12:44:11
Alceu Collares, ex-governador do RS, alinhou-se à candidatura de Tarso Genro (PT). Cita a defesa da própria coerência como força motriz desta opção. Mas na verdade, ele se "perdeu na jogada" há muito tempo, e virou uma figurinha meio medíocre depois da votação pífia que fez em 2006. Que pena.
Alceu de DEEEEEUS... Collaaaares!
Alceu Collares, que foi governador do Rio Grande do Sul de 1991 a 1994, que foi amigo inseparável de Leonel Brizola por décadas, e é um dos fundadores do PDT, este ano pode acabar expulso do partido. Tudo porque resolveu apoiar o candidato do PT, Tarso Genro, na corrida ao governo do Estado. Collares cita razões ideológicas para suas ações. O PDT, aliado do PMDB dentro da candidatura de José Fogaça, diz que o ex-governador é movido pelo interesse pessoal - afinal, o governo Lula o mantém no cargo de conselheiro da Usina de Itaipu.
Sobre o caso, Collares deu entrevista à RBS, esculhambando com o PDT-RS. Um trechinho da entrevista:
RBS: Ao apoiar Tarso Genro ostensivamente, o senhor não desrespeita seu partido?
COLLARES: Esta pergunta até pode ser feita, mas é esdrúxula. Afinal, estou seguindo a orientação nacional do PDT. Eles (dirigientes do PDT gaúcho) é que se negaram a seguí-la. O ministro Carlos Lupi disse que o partido só defenderia candidaturas que apoiassem Dilma à Presidência. E ficou combinado que Fogaça apoiaria Dilma, mas em abril começou aquela debandada escandalosa do PMDB. Até o Germano Rigotto disse, em um debate, que a base do PMDB quer José Serra. Eles fizeram até almoço para Serra.
RBS: O senhor teme que o PDT estadual possa expulsá-lo?
COLLARES: Eu vou lutar até o final, pela coerência do trabalhismo. A incoerência dos nossos dirigentes tira deles qualquer direito de me expulsar.
Agora, convido-os a visitar o
site do Collares. Mais precisamente, os textos de autoria dele. Um dos mais amenos chama-se
"Lula está enterrado como político", no qual ele chama o presidente de lacaio do FMI, entre outros mimos. É ou não é uma incoerência?
Tudo bem que Collares ache uma coisa medonha o apoio de um partido de esquerda ao Serra. Eu mesmo acho isso muito ruim. Acho horrendo pensar que o PMDB-RS vai apoiar Serra. Na lógica do "menos pior", para um esquerdisita, a opção Lula/Dilma é uma chapa melhor do que FHC/Serra. Mas daí a dizer que "sempre" foi aliado de Lula, Collares está ignorando que as pessoas têm memória. É uma coisa muito triste.
Ainda mais porque eu admirava o Alceu Collares. Eu tinha uma foto ao lado dele que eu ia usar um dia numa biografia política minha, estando em que partido eu estiver. Não vou usar mais. Collares se sujou com essa. Aliás, eu já achava muito estranho ele sair candidato, sem chances, em 2006 deixando sua vaga (certa) na Câmara de Deputados ao Vieira da Cunha.
Mas nada do que ele tenha feito na vida política dele foi tão reles, tão "se sujando por pouca coisa" quanto essa de 2010. Que feio, seu Collares!
Domingo, 18 de Julho de 2010, às 11:13:12
Yeda Crusius está perdida. Seu projeto de Estado focado no financeiro, sua abordagem "udenista" das questões sociais e trabalhistas, e suas afiliações idológicas com o que há de pior no cenário estão politicamente mortos. O povo não irá ressuscitá-los. Irá, sim, apenas brigar para escolher o coveiro.
Musiquinha para ser tocada ao ritmo do jingle dela em 2006:
"Quero te ver levantar essa bandeira / A gente pode, a gente quer / Fora Yeda! / Yeda é detestada por todos / E nunca mais vai governar o Rio Grande denovo."
Em recente matéria que saiu nos jornais, li que a governadora Yeda "aposta na polarização" nestas eleições. Explico: ela diz que existem governantes que "se disfarçam de bonzinhos", e existem os bonzões, como ela, que equilibrou as contas do Estado (arrochando o funcionalismo e cortando investimentos, diga-se de passagem).
Na realidade, a polarização aqui é a dicotomia entre os que tratam o Estado como uma empresa que tem que dar lucro, e os que o tratam como o agente social e político que deve justamente priorizar as obras, a assistência social, a educação, e não o caixa, não o financeiro. É a mesma velha e conhecida polarização, que dividiu na década passada o governo Britto de um lado e os governos Collares e Olívio no outro. É uma coisa muito mais velha, pois essa mesma polarização já dividia PTB e UDN em lados opostos, há cinco décadas atrás.
A tia Yeda está vivendo uma ilusão
Ora, dona Yeda, tu só podes estar mesmo mentindo para ti mesma se enxergas nestas eleições uma "polarização" entre o teu projeto e o "populismo" das candidaturas do PMDB e do PT. Porque essa polarização não existe: o projeto tucano para o Estado está absolutamente fora da disputa. Não pode haver a argüida POLARIZAÇÃO, se um dos pólos, no caso o projeto do atual governo, já está veementemente rejeitado pelo povo gaúcho.
O outro "pólo" desta polarização já é vitorioso, não apenas porque o atual governo tem mais de 40% de rejeição, mas porque Yeda não tem chance alguma de ir para o segundo turno. O pólo do governo mais focado no povo do que na conta bancária já é o vitorioso – o "projeto yedista" já está morto e será enterrado em outubro – basta agora disputar para ver quem será o coveiro: Fogaça ou Tarso.
Quinta-feira, 15 de Julho de 2010, às 20:15:01
Hoje à tarde, no Centro de Viamão, recebi o primeiro panfleto de um candidato nestas eleições de 2010. Trata-se do folder do vereador Dédo Machado (PT), que tenta uma cadeira na Assembléia Legislativa do RS.
Impressão de boa qualidade, diagramação limpa e cuidado na escolha das fotos: marcas registradas dos materiais do Dédo desde a primeira campanha para a vereança.
Não sei onde estão os demais candidatos viamonenses, e nem onde estão os candidatos de fora da cidade que têm equipes por aqui. A avenida principal de Viamão, hoje lá pelo meio da tarde, era da campanha do Dédo. A militância dele estava na esquina da rua do hospital, distribuindo panfletos. Estava na frente do gabinete do prefeito. E ele mesmo, ao lado da mulher dele, estava na calçada em frente à Gaston.
Para quem não conhece, esse Dédo é um vereador bastante inteligente, e mestre na arte de autopromoção. Ele faz uma figura que lembra até um político moderno, de capital, bem diferente do estereótipo do vereador de cidade do interior. Criou polêmicas com o próprio governo do PT, foi quase expulso do partido e, depois de muitas reviravoltas e muita exposição na mídia, ficou tudo numa boa – e ele ainda cavou mais espaços no partido, no processo.
Dédo sabe "engordar seu porco", politicamente falando. E agora lançou-se para deputado estadual, levando grande parte do PT viamonense a escantear o próprio presidente municipal da sigla, Zilmar Rocha, que tenta registrar sua candidatura.
A agenda apresentada pelo candidato no panfleto é mais ou menos manjada, meio "padrão PT" – fala em economia solidária, agricultura familiar, desenvolvimento regional, inclusão, coisa e tal. E tem algumas coisas, como obras de infraestrutura, que são promessas de todos os políticos, de todos os partidos. A proposta mais original, para mim, é a de lutar pela inclusão de Viamão na rota do metrô, dentro dos projetos de expansão ferroviária, parte do programa de obras para a Copa do Mundo de 2014.
Junto do panfleto do Dédo, ganhei um jornalzinho do Ronaldo Zulke, candidato a deputado federal. E, claro, nos dois panfletos, temos as inevitáveis referências à Dilma, ao Tarso e ao Paim. Não sei quem é o tal do Zulke, prometo que lerei sua biografia quando tiver tempo. De governador, ele está meia-boca – pelo menos, não é a Yeda. Mas de presidente e senador, pelo menos, o Dédo está bem.
Sexta-feira, 16 de Julho de 2010, às 12:49:57
Ari comentou este texto:
concordo jones e o fim da picada
Sexta-feira, 16 de Julho de 2010, às 10:00:43
jones (jonesb1@ig.com.br) comentou este texto:
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Quinta-feira, 15 de Julho de 2010, às 12:01:45
Reunião do PMDB, numa noite fria de inverno. Eu fui à tribuna e dei uma fincada no governo Yeda. O vereador Antonio rebateu dizendo que somos aliados deste governo. Discordo: o PMDB é aliado, eu não. Nunca me aliaria a um projeto neoliberal de governo. E eu POSSO assumir uma posição dessas, afinal, nunca me convidaram para nada, e agora não podem me cobrar apoio. Nunca posei para foto abraçado a ninguém, então, posso jogar pedra em quem eu quiser.
Já dizia Janis Joplin: "Liberdade é uma outra palavra para dizer que não se tem nada a perder."
Aliás, criei uma frase agora: "Não me convidaram para o jantar, então agora não esperem que eu ajude a lavar a louça."
O vereador Antonio Gutierres - passei anos achando ele uma figurinha abjeta da nossa política local, mas quando comecei a conviver mais seguidamente com a figura, descobri que é um cara inteligente, diplomático, articulado e que me vem servindo para aprender muitas coisas.
Por exemplo, ouvi várias vezes a afirmação de que ele é um vereador "não-partidário", personalista, isolado. Mas aos poucos estou chegando á conclusão de que, na verdade, ele recebe estes rótulos porque tem brilho próprio.
Não se enganem: eu não tenho nada a ganhar, fazendo estas observações positivas sobre o Gutierres. Eu as estou fazendo por uma questão de justiça mesmo - eu o atacava, baseando minha impressão sobre sua pessoa nos comentários dos outros. E admito que estava sendo injusto. Afinal, ao contrário do que dizem meus detratores, não sou infalível.
Já dizia o Barão de Itararé: "Não é feio mudar de idéia. Feio é não ter idéia alguma para mudar."
Terça-feira à noite, tivemos mais uma reunião do PMDB em Viamão, aqui na sede do partido na Avenida Bento Gonçalves. Era uma noite incrivelmente fria, com certeza com sensação térmica abaixo do zero. Foi nesta reunião que aconteceu o arranca-rabo entre eu e a turma do Jornal de Viamão (não confundir com o Diário de Viamão, cuja redação é, no mínimo, civilizada).
Bom. Eu não ia nem falar nada, não ia subir à tribuna. Mas aí, o nosso presidente municipal, o vereador Antonio Gutierres, meio que me encorajou a colocar meu nome na lista, e eu entrei na onda. Fui lá, dei um discursozinho improvisado (confesso que estava 100% sem inspiração). Falei sobre o alinhamento do PMDB nestas eleições estaduais, que para mim é muito bom – nós não somos o PT, mas nos afastamos das teses neoliberais e privatistas do governo Yeda.
Sim, porque apesar de o PMDB não ter um alinhamento claro no eixo esquerda-direita, nós temos ao nosso lado o PDT, o partido do Brizola, das encampações, da Segunda Internacional. Misturando o PMDB (sem cor) com o PDT (levemente "vermelho"), temos uma candidatura comprometida com um projeto, no mínimo, menos reacionário do que o da Yeda. E o Fogaça, como não faz parte da turma do "não sei de nada" e não tem quase nenhuma rejeição, emerge com grandes chances não só de ganhar as eleições, mas de mudar a cara do Estado para melhor, depois de eleito.
Antonio Gutierres e a coerência política
Ao meu discurso, seguiu-se uma rápida fala do Antonio, concordando – como ele costuma fazer com as minhas idéias – apenas em parte. Segundo o vereador, nós não devemos atacar o governo Yeda, até para mantermos uma coerência com nossas posturas políticas recentes: as principais secretarias do Estado estão nas mãos do PMDB, e ele tem razão ao dizer que, graças a estas secretarias, é que figuras do partido puderam realizar muitas coisas. Dentre elas, as operações de asfaltamento e saneamento promovidas principalmente pelo secretário (e agora candidato a deputado estadual) Marco Alba.
Então, na prática, o governo Yeda abriu portas para o PMDB – para que figuras do partido realizassem coisas importantes, e figurinhas menores pudessem se empregar. Para que a militância pudesse ter a quem recorrer, na hora de atender demandas das comunidades (em Viamão, o Estado acabou fazendo mais do que a Prefeitura local, apesar de ter outras quatrocentas e tantas cidades para cuidar).
Também em termos eleitorais, é preciso manter a amizade da turma do PSDB, porque, na provável hipótese de Yeda "morrer na praia" logo no primeiro turno, será para o Fogaça que seus apoiadores transferirão o voto.
Eu, no entanto...
Eu, no entanto, não penso muito em termos políticos – talvez eu ainda seja muito "verde" e teórico para isso – e prefiro enxergar as coisas por um viés mais ideológico. Acho válido tudo o que o governo Yeda abriu para o PMDB, e é evidente que o vereador Antonio tem muito mais estrada percorrida do que eu. Mas se eu capitaneasse o partido, jamais me uniria ao governo Yeda – não porque a aliança seja desvantajosa (na prática, o PMDB ganhou, e muito, com ela), mas porque eu não gosto de ver minha imagem unida a projetos e visões de mundo como os do atual governo estadual. Fomos convidados a participar de um projeto de Estado, e durante o processo, obtivemos vantagens para as comunidades. Mas o projeto em si, no seu aspecto mais "macro", é aquela nojeira do "choque de gestão", aquele ranço anti-popular de cortar gastos e torto e a direito, vender patrimônio, coisa e tal.
A própria aliança do PMDB com o PT, em nível nacional, eu apóio por razões nada pragmáticas: eu comparo os governos FHC e Lula, e prefiro o segundo. Corrupção e erros aconteceram em ambos os períodos, mas Dilma ainda é uma opção mais à esquerda do que o – para mim – asqueroso Serra. Dificilmente a Dilma ou o Serra vão me dar algum espaço, alguma posição, em seus governos. Afinal, eu sou um Zé-ninguém. Eu penso como brasileiro, como trabalhador, como um cidadão comum, não como político. Já dizia Janis Joplin: "Liberdade é uma outra palavra para dizer que não se tem nada a perder."
Politicamente, eu pareço muito incoerente às vezes – por exemplo, eu sou filiado ao PMDB, mas rejeito integralmente as privatizações do governo Britto. É fácil ter uma posição como a que tenho: eu não participei do governo Britto. Eu era muito jovem para isso. Em 1998, eu tinha apenas 17 anos.
Também não tenho nenhum compromisso com o governo Yeda – eu trabalho em empresa pública, mas apenas porque fiz um concurso e fui classificado. Quando eu fiquei desempregado, ninguém nunca apareceu para me oferecer nada. E eu nunca fui a ninguém para pedir nada. Atualmente, muita gente me pede muitas "mãozinhas", e quando posso, ajudo sem olhar a quem - e esqueço minutos depois, porque não pretendo nunca pedir nada em troca. Na minha vida, a lógica comercial do pagou-levou só vale dentro de loja e supermercado.
Não estou dizendo, com isso, que a posição do vereador Antonio seja inválida – quando digo que ela é política, não estou colocando-a como negativa. Até porque, não sei quais são os ventos ideológicos que empurram as velas do barco dele – provavelmente não sejam idênticos aos meus – e é claro que ele tem um papel público mais proeminente, tem aliados que efetivamente participam do atual governo. Tem compromissos que eu não tenho.
Talvez ele é que esteja certo, afinal, 20 anos de experiência de vida nos separam. Mas no momento, nós nunca vamos concordar sobre o governo Yeda. Imagino que hajam outros assuntos nos quais teremos ainda algumas trombadas do mesmo tipo.
Porque eu sou mesmo assim: às vezes, ataco aliados do meu partido, deixando meus correligionários de cabelos em pé. Eu faço distinção entre as posições do PMDB e as minhas, entre as opções da sigla e as minhas pessoais. Até porque eu não decido pelo partido, então ele não pode decidir por mim. O PMDB foi aliado, por 4 anos, do governo Yeda. O PMDB ocupou cargos e participou dos projetos. Companheiros do partido ocuparam posições e ganharam espaço e projeção. Eu, não. Nunca me convidaram para nada, e agora não podem me cobrar apoio. Nunca posei para foto alguma abraçado a ninguém, então, posso jogar pedra em quem eu quiser.
PS: Alguns leitores já devem notado que a minha pedreira é grande e eu tenho boa pontaria.
Quarta-feira, 14 de Julho de 2010, às 17:56:34
Criado por iniciativa de um dos personagens mais folclóricos de Viamão, o Garota do Site converteu-se em uma agência virtual de modelos e em um ótimo site para se ver fotos de mulheres bonitas. Eu recomendo.
Silva Leandro, a mente por trás de tudo.
Danubia Marques, uma das modelos.
Viviane Lopes, outra das beldades.
Jennifer Dornelles, em outro exemplo de uma ótima foto do site.
Danyele Patressa, só para finalizar a "sessão belezas do site". Notem que a Le Marchi SABE FOTOGRAFAR.
Silvio Monteiro, uma mente brilhante do mundo do webdesign.
Eu ainda me lembro, há bastante tempo, quando o meu amigo Leandro Rosa da Silva, conhecido na cidade de Viamão como Contabilista Silva Leandro, apareceu com essa história de "
Garota do Site". Seria um site, funcionando como agência de modelos. Até aí, nada de mais.
Mas inicialmente a idéia me parecia muito confusa e a execução deixava a desejar. Para começar, não dava para definir muito bem se o Garota do Site era uma espécie de concurso de beleza, site de fotos na linha do Paparazzo, agência de modelos, ou o quê.
A execução era meio porca, com um site cujo fundo consistia em um detalhe de uma calça jeans, que se repetia infinitas vezes (aqueles backgrounds de site, quando são menores que a tela, sabe?). Em alguns navegadores, os menus desconjuntavam. E a navegação era bastante confusa.
Mas o tempo passou, o projeto amadureceu, e o hoje o Garota do Site é uma verdadeira agência de modelos via web, com um site 100% funcional, bonito, harmônico e de navegação muito intuitiva.
As modelos, em si, são absolutamente lindas e as fotos, muito bem produzidas por uma tal de
Le Marchi Fotografia. Tudo funciona bem nas imagens: as poses, as cores, a luz, o enquadramento e a pós-produção. O legal é que os fotógrafos parecem ter muita noção de que, dependendo dos atributos físicos das modelos, uma ou outra pose pareceriam vulgares, ou ficariam estranhas. E eles sabem contornar tudo isso. As modelos aparecem no seu melhor.
Para quem procura uma maneira de divulgar-se como modelo, é um baita de um site. E para a marmanjada que procura umas fotos de mulheres bonitas, também é uma grande pedida.
Além do pessoal da Le Marchi (que eu não conheço) e do Leandro, faz parte também da equipe que desenvolve o site, o ex-editor do Viamão Hoje, Silvio Monteiro, um sujeito muito antenado no mundo da tecnologia, e também nas questões da comunidade. Silvio é uma grande figuraça, que eu conheço há anos, e que teria tudo para se dar muito bem na vida, se não fosse o fato de ser muito honesto e sincero – seu portal de notícias era assediado por políticos e lobistas que tentavam puxar uma brasa para seus assados, mas o Silvio sempre ficou de fora de tudo isso – ao contrário de muitos outros "fazedores de mídia" por este Brasil, que vendem-se a quem pagar uns merréis a mais.
Silva Leandro, a figuraça por trás de tudo
Contabilista, radialista, locutor, sub-celebridade local de Viamão, e hiperativo, Leandro é uma figura singular da nossa cidade. Não existe nenhuma vila na qual se entre, em que não haja pelo menos uma pessoa que o conheça ou já o tenha visto em algum lugar.
Por muitos anos, ele prestou serviços contábeis a empresas jornalísticas, e gráficas que editam calendários e agendas, permutando o trabalho por publicidade – daí sua onipresença nos meios de comunicação da cidade a partir da segunda metade dos anos 1990 até por volta de 2007. Hoje, já não faz tanto alarde.
Concorreu a vereador algumas vezes, e a despeito de toda a sua fama local, fez votações pífias, nunca chegando a 300 votos. No entanto, não é uma figura esquecida: citar o seu nome em qualquer lugar é pedir para escutar alguma história pitoresca, sobre alguma atitude ou empreitada que ele deu, tendo sucesso ou não.
Essas empreitadas "loucas" do Leandro são um caso à parte. Em 2005, ele correu atrás de todo mundo para organizar, em parceria com a RBS, uma seletiva do Garota Verão em Viamão. O evento, bonito mas simples, ocorreu nas piscinas do Cantegril Clube, e mandou uma menina da cidade para a próxima fase do concurso. Era a primeira vez que Viamão enviava uma representante ao Garota Verão. No ano seguinte, a Prefeitura e as entidades empresariais encamparam a idéia e passaram a fazer, como fazem até hoje, a seletiva na praia de Itapuã. E todo mundo esqueceu do Leandro nessa história. Mas se um dia, uma menina nossa ganhar a final em Capão da Canoa, vou achar injusto se a atitude dele não for citada.
Personagem pitoresco, autor de grandes idéias e de outras nem tanto, o Silva Leandro é uma figuraça inesquecível. Ainda mora ali pela parada 51, e não faz tanto barulho dentro da cidade como antes. Mas é, sem dúvida, uma das eternas sub-celebridades que temos por aqui, e um dos cidadãos mais folclóricos da velha Viamão.
Terça-feira, 13 de Julho de 2010, às 17:01:29
Pela primeira vez em muitos anos, não veremos na nossa telinha o candidato "Jornalista Di Martino", que concorria a tudo, sempre, pelo PRONA – aquele partido fundado pelo falecido doutor Enéas Carneiro – e que dizia-se abertamente integralista.
Dário Di Martino, apoiando Yeda. Quando o PRONA tinha candidatos próprios e produzia seus próprios videos, o chroma-key psicodélico constituía uma atração à parte.
O jornalista e ex-candidato dando uma entrevista, com um visual mais próximo do seu habitual.
Dário Pompeu Di Martino Júnior, nome real do "ex-eterno-candidato", tinha suas marcas peculiares.
Para começar, gritava e esbravejava, como seu inspirador Enéas. E tinha uma veia teatral.
Em uma propaganda sua que chegou a bombar medianamente no Youtube, seu nome aparecia na parte de baixo de uma tela completamente vazia – só com o cenário de fundo. Dali a pouco, o candidato entrava, caminhando, e começava seu discurso, dizendo que era "assim, abandonado", que estava o povo. Que "direitos humanos" deveriam existir para as vítimas, não para os bandidos. E desancava todos os pilares da discursalhama politicamente correta dos demais ocupantes do horário obrigatório.
Diferente de todos os demais candidatos, também, Dário declarava-se direitista, assumido, e herdeiro do integralismo, doutrina nacionalista muito popular entre a classe média brasileira urbana nos anos 1930, muitas vezes confundida com uma filial do fascismo em terras verde-amarelas.
O cara fez votações assustadoramente boas em 2004 e 2006, gaznhando fama e passando a ser levado cada vez mais a sério. Pois bem: em 2010, ele é candidato a... NADA!
E não é por falta de partido que Di Martino deixa de concorrer este ano. Ele anda filiado ao PDC, um partido ávido por candidatos que possam agregar votos. Dário nunca se elegeu para nada, mas já deu belos sustos eleitorais. Comparando aos demais nomes do PDC gaúcho atual, ele seria provavelmente a estrela de uma nominata a Deputado Estadual. Poderia ganhar nome indo ao Senado.
Mas não. Não registrou candidatura. E eu nem sei por quê. Só sei que não concorre a nada, e pronto. Pelo que sei, está morando na cidade litorânea de Cidreira, bem perto aqui de Viamão, à espera de ser chamado em um concurso no qual tirou um dos primeiros lugares (e a esposa dele, junto na cabeça da lista). Mas suspeito que não vai demorar nada para ele começar a fazer barulho por lá também.
Quinta-feira, 15 de Julho de 2010, às 19:31:23
Di Martino (jornalistadimartino@terra.com.br) comentou este texto:
Olá,Fábio.O partido pelo qual estou filiado é o PSC,mas ando afastado.Estou mais ligado à profissão.Abraço ao amigo.
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Terça-feira, 13 de Julho de 2010, às 10:42:23
O vereador Romer garante que, em 2012, vai sair da cadeira que ocupa desde a década passada na Câmara para dar um peitaço, concorrendo a prefeito. Eu vou anotar e vamos ver se vai mesmo. Agora prometeu, não pode amarelar.
O vereador Romer Guex, que nos promete um peitaço em 2012. E eu espero que ele cumpra mesmo!
Outro dia, estava eu de bobeira na Câmara Municipal de Viamão, revendo uns conhecidos, escutando umas bobagens e contando umas piadas, quando fui parar no gabinete do vereador Romer (PSOL). Cafezinho vai, cafezinho vem, entrou o vereador Maninho (PT), bateu um papo, coisa e tal, o Natalício (eterno assessor do vereador e grande figuraça) ali pela volta. E pá pá pá...
Perguntei como estava o Romer em 2010, e ele ainda não havia decidido muito o que fazer. Ele já tem obrigações demais como liderança no PSOL e não devia mesmo ter definido apoios para essas eleições. Daí, como quem não quer nada, dei uma apertada nele, citando o fato de ele estar há quase duas décadas como vereador, e perguntei algo como "vai ficar só nessa?", será que não cansa? Tasquei a pergunta sobre 2012. Ele me disse que vai concorrer a prefeito.
Bom. Então, eu vou cobrar. Até porque o assunto foi objeto de uma outra conversa nossa, por e-mail, que eu já arquivei para depois ter a prova de que ele me disse que VAI CONCORRER A PREFEITO e eu vou cobrar isso – ou seja, amarelou, dançou. O Romer não costuma amarelar nas brigas que compra. Mas eu vou guardar nossa conversa no arquivo do e-mail só por precaução. Anotem o que ele disse. Aqui no blog, ficará no ar para sempre a promessa. Em 2012, retomamos esse assunto.
Segunda-feira, 12 de Julho de 2010, às 13:51:21
Neste ano, temos um tal de Aroldo Medina concorrendo ao governo estadual gaúcho. Ninguém nunca ouviu falar no Sr. Aroldo. Mas muita gente vai lembrar do Capitão Medina, aquele que ameaçava: "Se eu for eleito, a bandidagem terá um mês para abandonar o RS!"
O irmão mais macho do Capitão Nascimento.
Este ano, a chapa PRP/PTC (ou seja, o desconhecido unido ao insignificante) lançou o nome de Aroldo Medina para o governo do Estado. Esse tal Aroldo é um sujeito meio desconhecido da maioria. Mas muita gente lembra dele, nas eleições de 2002, como o CAPITÃO MEDINA. O cara era dado a lançar umas frases de efeito. Se não me engano, foi dele a ameaça: se fosse eleito, a bandidagem teria um mês para se mandar do Rio Grande do Sul.
O Medina tinha um discurso do tipo "combater a bandidagem à bala". Fez uns cem mil votos, no máximo. No segundo turno, apoiou o candidato do PMDB, Germano Rigotto, em cujo governo foi nomeado chefe da Defesa Civil. Hoje, não é mais Capitão, tendo a patente de Major.
Uma das primeiras coisas que eu notei é que, este ano, ele está na Internet com um
blog bem simplinho, no Blogspot, gratuito e coisa e tal. Em 2002, ele vinha com um site muito, mas MUITO legal, com a história da vida dele, fotos de família, uns lemas, umas imagens e muito simbolismo gráfico. O cara parecia um herói de guerra. Agora fica aí, blogando videozinhos Youtubicos. Não gostei. Murchou.
Segunda-feira, 12 de Julho de 2010, às 11:53:27
Vera Guasso, do PSTU, aparece na pesquisa RBS/Ibope com 5% dos votos, defendendo uma agenda revolucionária trotskista. Mas o significativo percentual tem mais a ver com a própria candidata do que com as teses que ela defende.
Vera Guasso, que nos últimos anos passou a aparecer sorrindo para as fotos. Mas não pense que ela está amolecendo o discurso: se puder, passa uma rasteira, derruba o capitalismo e pisa em cima dele com o bico do sapato.
A candidata ao Senado pelo PSTU, Vera Guasso, é um capítulo à parte nessa história de pesquisa RBS/Ibope. Ela tem 5% dos votos, concorrendo por um partido cuja pauta inclui a luta revolucionária, a extinção do capitalismo e a ditadura do proletariado.
Linha ideológica
O PSTU é trotskista, ou seja, segue a linha filosófica de Leon Trotsky, um dos principais líderes da Revolução Russa de Outubro (1917), que instaurou o primeiro regime socialista do mundo. O líder da revolução, Lênin, morreu em 1924. Trotsky era, digamos o chefe político da União Soviética. O chefão, de facto, era Stalin. Trotsky acabou se exilando no México e foi assassinato a golpes de picareta em 1940, a mando de Stalin que, por sua vez, entrou para a história como um dos ditadores mais sanguinários de todos os tempos – mas foi a URSS sob seu comando que esmagou Adolf Hitler.
Nem Trotsky e nem Stalin eram exatamente democratas ou bonzinhos. Mas Trotsky defendia um regime realmente popular e a revolução internacional. Stalin era um bruto ignorante, tirânico e adepto da teoria do socialismo em um só país. O PSTU é, no caso, trotskita-morenista, seguindo uma linha modernizada pelo pensador Nahuel Moreno, nos anos 1970/80.
Mas nada disso tem nada a ver com os 5%
O fato de 5% do eleitorado manifestar a vontade de ver Vera Guasso no Senado, no entanto, não tem nada a ver com a teoria trotskista, leninista, morenista ou o que seja. Na minha opinião, não existe essa massa tão grande de revolucionários em potencial. Vera Guasso é quem tem os 5%, não o PSTU, ou suas filosofias.
Olhando os discursos dela na TV, muita gente forma idéias erradas sobre sua pessoa. Eu não tenho meias palavras, então vou direto ao ponto: Vera Guasso faz discursos "faca na bota", e quem a vê, com aquele cabelinho curto, aquela cara de indignada e aquele linguajar sindicalista-barbudo (sem barba, claro), conclui tratar-se de uma candidata agressiva, mal educada, radical, sapatona e mal amada.
Mas a realidade é exatamente o contrário. Vera Guasso é uma pessoa extremamente culta e articulada, lúcida, educada e agradável. Eu estive com ela em várias ocasiões, mas lembro com nitidez de duas delas: uma, foi numa festa do PSTU, na Avenida Ipiranga em 2000, quando ela concorria a vereadora. Outra, foi mais recente, quando eu a entrevistei para o jornal da faculdade em 2004, quando ela tentava a Prefeitura de Porto Alegre.
Vera Guasso é, antes de mais nada, uma pessoa muito inteligente. Ela é programadora na Serpro, e dirige o Sindicato dos Trabalhadores em Processamento de Dados do RS. Não que seja tipicamente a figura da nerd aparvalhada – não – ela é uma pessoa até bem descolada. E me pareceu ter uma bagagem cultural bastante diversificada. Entabula uma conversa sobre qualquer assunto com relativo domínio, sem ser chata. E sabe sorrir, o que normalmente não se vê na TV. Ela não tem uma voz muito suave, mas fala calmamente e de forma quase didática. Como já deu para notar pelo texto, ela me despertou uma enorme carga de simpatia. É uma pessoa fácil de se gostar.
Então, minha conclusão é essa: nós não temos 5% do eleitorado alinhando-se com as teses revolucionárias do PSTU, mas nós temos este percentual sendo puxado a reboque para o partido por conta do enorme carisma dessa baixinha, ao mesmo tempo gigante, chamada Vera Guasso.
Segunda-feira, 12 de Julho de 2010, às 09:37:36
Rigotto e Paim saem na frente. Ana Amélia Lemos vem logo atrás, abrindo caminho pela beirada. E no bonde dos nanicos, o radialista Roberto Gross aparece como uma revelação inesperada (ou um grande susto) na política local.
Rigotto divide a liderança...
...numa dobradinha informal com Paim.
Ana Amélia Lemos, a grande promessa.
E Roberto Gross, a grande revelação de Viamão.
A pesquisa encomendada pela RBS e realizada pelo Ibope, a primeira no Rio Grande do Sul neste período eleitoral, revela um quadro que me deixa absolutamente feliz, com relação à disputa pelas duas vagas para o Senado.
Paim, Rigotto e Ana Amélia
Os meus dois candidatos, o eterno sindicalista Paulo Paim (PT) e o ex-governador Germano Rigotto (PMDB), estão empatados na liderança, com 46% da preferência dos entrevistados, e é provável que ocupem as tais duas vagas. Numa eventual zebra, a opção recai sobre a jornalista Ana Amélia Lemos (PP) que, embora não vá levar o meu voto, é uma pessoa inteligentíssima, cuja eleição teria o poder de, mais ou menos, apagar a mancha da fórmula "da mídia para o Congresso" deixada pela atuação do hoje queimado Sérgio Zambiasi (PTB). Ela tem 40% do eleitorado entrevistado.
E lá na rabeta...
Kibando a matéria do ClicRBS: Distantes dos três primeiros colocados estão ainda Vera Guasso (PSTU), com 5%, José Schneider (PMN), com 3% e Abgail Pereira (PCdoB), Bernadete Menezes (PSol), Luiz Carlos Lucas (PSol), Marcos Monteiro (PV), Paulo Sanches (PCB) e Roberto Gross (PTC), cada um com 2%. Entre os entrevistados, 16% citaram apenas um candidato, brancos e nulos totalizam 7% e, os indecisos, 26%
Roberto Gross bem na foto!
Um dos meus maiores temores – o de que o grande amigaço Roberto Gross fizesse uma votação muito pífia e passasse vergonha – começa a se desfazer. O cara tem 2% dos votos dentro do universo pesquisado. Eu sei que esta pesquisa colheu apenas 812 opiniões, mas confio na metodologia de amostragem do Ibope, e não tenho razões para pensar que não reflita a realidade.
Agora, pensem comigo: 2% é uma votação pífia? Depende. Se contarmos que o Rio Grande do Sul tem uns 8 milhões de eleitores. Se tirarmos os 26% de indecisos e os 7% de nulos, ficamos com pouco mais que 5 milhões. E 2% disso dá cem mil. Cem mil votos é uma baita de uma votação! Eu não creio que o Gross e o PTC façam isso tudo. Mas se fizerem, é a glória: se o Roberto Gross fizesse 70 mil votos, estaria credenciado para ser o prefeito da cidade em 2012!
Só que, claro, eu acho mais fácil acreditar que os pesquisadores "deram sorte" e pegaram uma amostra de eleitorado que, por alguma razão, simpatiza com o PTC ou com o Roberto Gross. Só que, se a pesquisa estiver certa mesmo, vai ser a maior revelação da história política viamonense.
Domingo, 11 de Julho de 2010, às 11:44:16
É besteira pensar que existem três candidatos fortes ao governo do Rio Grande do Sul. Na verdade, sempre existirão dois lados: o PT e o anti-PT, como antigamente existia o PTB e o anti-PTB. E como existiram chimangos e maragatos. Yeda conseguiu tornar-se tão impopular que jogou o eleitorado no colo do Tarso. E isso não é necessariamente ruim. Fogaça vai para o segundo turno e é lá que se resolvem as coisas. Yeda está fora - hora de abrir o champanhe!
Tarso, do PT, sobe embalado pela rejeição em bloco dos candidatos anti-PT, repetindo o mesmo fenômeno vivido por Olívio Dutra em 1998, ao final do desastroso e catastrófico governo Britto.
Fogaça teve uma atuação meio apagada como senador, seguida de uma administração de 8 anos meio morna como prefeito de Porto Alegre. Mas é o candidato com a menor rejeição dentre os três, e é uma figura extremamente popular no RS.
Yeda Crusius vem na lanterna entre os "três grandes", tem um índice de rejeição avassalador, e deverá ser varrida - assim como seu PSDB - para sempre da face do Rio Grande do Sul. Mais ou menos como aconteceu com o hoje esquecido Antonio Britto.
Ontem, saíram os resultados de uma pesquisa que o Grupo RBS encomendou ao Ibope. E na disputa pelo governo do Estado, estamos assim: Tarso (PT) com 39%, Fogaça (PMDB) com 29%, Yeda (PSDB) com 15% e o resto vindo na lanterna.
Bom. A primeira coisa que se pode concluir é que Tarso tem as maiores chances. Mas o quê isso significa? Em 2006, Germano Rigotto (PMDB) quase passou para o segundo turno, e só não passou porque o eleitorado "anti-PT" queria ver uma disputa entre Yeda e Rigotto. Como a ida de Rigotto para o segundo turno era dada como certa, muitos votaram em Yeda. O resultado foi uma disputa de Yeda contra Tarso.
Agora, em 2010, a popularidade de Yeda é tão baixa, que muitos votantes "anti-PT" do passado não querem ver mais esta turma no poder - e nem seus aliados do PMDB. Eu fico rindo à toa, porque sempre fui contra a participação do meu partido (para quem não sabe, o PMDB) no Governo Yeda. Mas o PMDB tem uma maioria carguista que não pode viver longe das tetas, então... ENTÃO ENTRARAM PELO CANO! Fogaça está levando respingos da impopularidade da Yeda. Todas as forças de centro e de direita estão levando paulada, enquanto o eleitorado aposta na antítese, na esquerda viável... no PT!
Rigotto era um governador mais ou menos popular. Apesar de ser adepto de uma cartilha meio parecida com a de Yeda, não chegava a levantar o ódio que ela levanta, porque ela é privatista e adepta do "choque de gestão" DEMAIS DA CONTA. Daí, o povo pula na tese contrária, na tese do Estado-interventor. Na tese do PT. E vota no Tarso.
Parece besteira dizer que a impopularidade da Yeda possa estar respingando no Fogaça, mas a verdade é que o Rio Grande do Su, na prática, vota PT ou anti-PT. E Fogaça é do anti-PT, ao lado de Yeda, e vai para a mesma vala que ela. É uma característica histórica do RS. Hoje, a coisa se dá em torno do PT, de Tarso e Olívio Dutra. No passado, era em torno do PTB, do Leonel Brizola. E antes, eram os maragatos e os chimangos. Mudam-se as figuras, muda o partido, mas é sempre um Estado de votações dualistas, praticamente bipartidárias. O bem contra o mal. Nós contra eles.
Eu deveria estar triste...
Eu deveria estar desanimado com o resultado da pesquisa. Afinal, o Fogaça está em segundo lugar, não em primeiro. Mas a verdade é que isso não me incomoda em nada: indo para o segundo turno, Fogaça poderá ainda agregar toda a turma do anti-petismo para tentar uma virada.
E mesmo que seja impossível evitar uma vitória do PT (algo que eu não acho tão ruim assim, porque pelo menos eles não massacram tanto o funcionalismo), ainda assim nada pode arranhar o brilho da principal informação trazida por esta pesquisa: Yeda está fora do páreo! Ela não tem chances!
Na mesma linha, talvez até seja NECESSÁRIO que o PT ganhe esta eleição. Porque eu tenho dúvidas se um governo Fogaça travaria, por exemplo, o avançado processo de desmantelamento da Fase, a tendência de meter o dedo da iniciativa privada em tudo, e esse achaque sobre os funcionários de carreira do Estado (sim, porque o governo nega aumento aos concursados enquanto os CCs continuam enchendo a burra de grana, como se o Estado fosse rico).
Só o que me deixa triste é que Tarso seja membro da "direita do PT", e talvez não faça tanta diferença quando comparado a Fogaça. De qualquer forma, nenhum dos dois parece ter o potencial destruidor da atual governadora.
Em tempo:Segundo Turno
Nas simulações de segundo turno, todos os cenários dão vitória a Tarso, menos, claro, o que não inclui seu nome. Vejamos:
Tarso X Fogaça, dá 48% a 39%.
Tarso X Yeda, dá 59% a 24%.
Fogaça X Yeda, dá 58% a 22%, para o Fogaça, claro.
Os índices de rejeição falam por si só. Yeda é a mais detestada, com 47% do eleitorado dizendo que não vota de jeito nenhum nela. Tarso Genro tem 12% de rejeição e Fogaça apenas 5%.
Quarta-feira, 30 de Junho de 2010, às 13:28:25
Em time que está ganhando...
Muito melhor do que o vaselinão do PT ou a tia Yeda.
Uma duplinha de dois senadores - o governador que tornou diversos setores do Estado eficientes, e o eterno sindicalista, porque quem bate cartão não vota em candidato de patrão.
Mas nem pensar...
Outra que nem pensar...
Enrolation-tion, enrolation...
Essa não me engana: ela abriu a boca para elogiar as privatizações do governo FHC, se candidatou a presidente por um partido que já foi brilhante e recheado de gente talentosa, mas hoje é tão vaselina quanto o DEM, e se o Serra já não fosse candidato, garanto que o PSDB se associaria a ela. Não ganharia o meu voto nem que aparecesse pintada de ouro imitando a Carmem Miranda na TV.
Estou tão indeciso sobre o nome a apoiar para a Assembléia, que se eu militasse em um partidinho pequenininho e sem opções, eu mesmo me candidataria só para ter em quem votar.
Pessoal, estamos chegando perto do início da campanha eleitoral de 2010, essa grande festa de barulho, cores e correria, e é claro que eu preciso ter candidatos. Para três cargos, eu já escolhi em quem votar e – principalmente – para quem fazer campanha.
Presidente: Dilma
As razões para eu apoiar a Dilma, do PT, são bastante banais: em primeiro lugar, eu faço parte dos mais de 100 milhões de brasileiros que apóiam o governo Lula. Em segundo, porque Dilma é o voto útil para manter a turma do José Serra longe do Palácio do Planalto.
O segundo ponto demonstra que minha opção não significa que Dilma seja, necessariamente, a melhor candidatura ou que o PT seja uma maravilha de partido. Mas José Serra não é, definitivamente, alguém "votável", ainda mais porque é o herdeiro do governo FHC – Fernando Henrique poderia ter apenas colocado em prática seu Plano Real e depois caído fora do cenário, ao invés de ter feito aquele governo privatista e neoliberal que fez. É claro que as idéias do Plínio Sampaio (PSOL) são muito mais coerentes, e é claro que muitos dos absurdos que vemos por aí seriam melhor combatidos por figuras mais decididas, mais centradas. Só que esses caras não têm chance nenhuma, e votar neles é entregar tudo na mão do Serra.
O primeiro ponto, o da aprovação ao governo Lula, tem uma série de razões. Seu carro-chefe, o Bolsa Família, é um assistencialismo brabo, mas na verdade é também uma sacada super inteligente, porque o pobre, tendo algum trocado na mão, vai gastar no mercado. Ele compra mais, o dono do mercadinho contrata mais funcionários, que por sua vez também passam a consumir, criando novos empregos tanto nos fornecedores como nos lugares onde estes empregados fazem compras, e assim por diante, numa imensa bola de neve da bonança.
Dizem que a economia brasileira não é livre e aberta como deveria ser. Mas isso é ótimo! Que eu me lembre, nos tempos de "liberdade" do FHC, qualquer tropeço acontecido na Rússia, na China, no Japão ou no raio-que-o-parta, quase nos desmontava. A última crise mundial, um verdadeiro maremoto, passou por aqui, como prometeu o presidente e duvidou a oposição, apenas como uma marolinha. É duro para algumas pessoas, mas é verdade.
Nunca as classes mais baixas tiveram tantas chances, e nunca se viu um povo tão esperançoso como agora. Lula fez um bom governo. Dilma é a minha candidata.
Governo do Rio Grande do Sul: Fogaça
As razões para eu votar no Fogaça não têm nada a ver com a atuação dele como prefeito de Porto Alegre ou com o histórico dele como senador (eu não lembro de nada importante que ele tenha feito, me desculpem, mas não lembro). Eu particularmente não tenho nada contra e também nada a favor do Fogaça, que para mim, nem cheira e nem fede.
Mas, analisemos as outras opções: Yeda Crusius é uma carta fora do baralho, porque está armando a cama para vender a Fase, sacrificou o funcionalismo público e é aliada de José Serra (esse último pecado é o imperdoável no rol de razões para rejeitá-la). Se ela pudesse, já teria vendido a CEEE e o que resta do patrimônio público. NEM A PAU QUE EU VOTO NELA!
Tarso Genro é uma figura meio "invotável", basicamente por ser Tarso Genro – se o Olívio Dutra tentasse voltar ao governo, ainda vá, pois eu não o acho tão ruim quanto o Tarso. Olívio pode ser cabeça-dura, radical e pouco articulado, mas é bem melhor do que esse pedante, vaselina e cara-de-pau que vai concorrer pelo PT. Tarso Genro dá um discurso dizendo uma coisa, enquanto pensa outra diametralmente oposta. É o candidato do PT, que bate na política reacionária e privatista da Yeda, enquanto Tarso é a própria "direita da pseudo-esquerda", sendo ele mesmo um sabonetão do privatismo e do fisiologismo, no melhor estilo Antonio Britto.
Fora a falta de opções, Fogaça tem uma qualidade importantíssima como candidato: o apoio do PDT, do Pompeo de Mattos, o partido do falecido Leonel Brizola. Em grande parte, a minha paixão política pelo insosso Fogaça provém do fascínio daquela bandeira da rosa vermelha.
Senado: Germano Rigotto e Paulo Paim
Entre o Rigotto e a Yeda, eu preferia ver o Rigotto governador em 2006. Mas não deu. Então, agora vou votar nele para o Senado. Além disso, não custa nada apoiar um candidato do meu partido já que ele é o candidato único para o Senado na chapa PMDB-PDT aqui no Estado. Não espero dele uma atuação do tipo "doa a quem doer", mas é uma das melhores opções, com chance de ganhar, no nosso cenário regional.
Já a opção pelo Paulo Paim dá-se pelo fato de ele ter um passado ligado aos movimentos sindicais. Além disso, ele é um petista com suficiente grau de inteligência e de "colhões" para peitar o próprio governo do partido dele em momentos delicados. Paulo Paim é um anti-privatista. Paulo Paim é um cara legal. Claro que vou apoiar ele. E o melhor é que dá para fazer isso, sem trair o meu partido, porque teremos duas vagas de Senador para votar neste ano.
Deputado federal e Deputado estadual
Nestes dois cargos, permanecem as incógnitas. Eu ainda não sei em quem depositar meu apoio. Ontem mesmo falei com um pré-candidato a federal, mas ainda não fechei.
Esse candidato com quem eu conversei ontem parece ser um cara legal, tem umas idéias, e faz alguns projetos bem importantes para a nossa cidade, para a região. Mas tem gente dentro do próprio partido dele que não leva fé e o classifica como um "grande enrolador". Não sei se devo interpretar isso como um alerta, ou como um sinal de dor-de-cotovelo.
Mesmo que seja tudo um monte de bobagens e que esse cara seja realmente um bom candidato, isso ainda não me resolve o problema mais cabeludo de todos neste ano: o deputado estadual. Não é todo mundo que tem chances reais de se eleger, e dos que têm, e eu conheço pessoalmente, a maioria ou são sujões, ou são inoperantes. Ou seja: uns nem fedem nem cheiram, e outros, apenas fedem. Estou quase a perder a esperança. Ainda pretendo conversar com o tal de Edson Brum, para ver qual é a dele, e de repente me definir. Se alguém tiver uma boa sugestão (para Federal e Estadual), estou aceitando.
Sexta-feira, 06 de Agosto de 2010, às 15:31:18
CARLOS CORRÊA MARTINS (carloscmartins@hotmail.com) comentou este texto:
Gostei dos teus comentários sobre os can -
didatos. Estão corretos. Com referencia aos candidatos a Deputado Federal e Esta -
dual, sugiro os nomes de Giovani Cherini,
atual Presidente da AL/RS, que foi um bom
Deputado Estadual e Cláudio Janta, Presidente licenciado da Força Sindical no Rio Grande do Sul. Um candidato que, eleito Deputado vai supreender pelo seu trabalho. É a minha sugestão. Se gostantes, divulga estes nomes.
Por outro lado, resido em Tapes, sou Presidente da uniaão Municipal das Entidades Comunitários e Associações de Moradores de Tapes e menbro da Executiva do PDT da cidade.
Estamos lançando um blog ainda "pobrinho", mas que vai melhorar com o tempo e que pode ser acessado assim :www.jornalmultidao.blogspot.com
Material pode ser enviado para: jornalmultidao@gmail.com
Felicidades
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Terça-feira, 29 de Junho de 2010, às 16:57:39
A nada promissora fachada do Perdigão, nossa primeira parada.
Camila, Mateus e Fabiana comendo.
Entre o trailer e o portão, dá para ver o gado das fazendas vizinhas - para crianças de apartamento, já começa aqui a bicharada.
Lá de dentro, os avestruzes preparam a recepção (mas como é que eles não fogem?!?)
O medo durou uns dois minutos. Depois, veio a alegria.
Um outro carro, atrás de nós, passando pelo portão.
Uma lhama! Pelo menos, eu acho que é uma lhama. Se alguém quiser me corrigir, esteja à vontade.
Zebras, cada vez mais comuns nesta Copa.
A Camila chama este de "Bambi".
O "rato gigante"
"Patos pretos" e "Patos rosas".
Os tão esperados macaquinhos.
Camelos. Ficou boa essa foto, hein? Podem dizer, eu mereço. Mas ah!
Os "popotas" da Camila.
O chifrudo (não confundir com o Gadanho).
Os primos do Patolino.
Um pônei. A Camila tem um igual, de brinquedo, da Barbie.
Se é para bater foto de latas velhas...
É claro que eu tinha que bater uma foto...
O trem da alegria.
Tem uma espécie de jardim com estátuas hindus e um enorme Buda.
Até sábado, a Camila tinha medo de pombos. Terminou a tarde de domingo perseguindo "galinhas" pelo gramado.
Estou falando sério. Nem mesmo quando entrei no meio da grama, dentro do Pampas Safari, pra me aproximar dos bichos, eu precisei fazer uma condução tão "Indiana Jones" quanto na 118.
Uma facada relativamente barata
A entrada para o Pampas Safari é meio salgada: 40 reais por carro. Salgada, porque eu estava bancando tudo sozinho, sendo a única pessoa com renda dentro do carro. Mas, se formos diluir o custo pelo número de pessoas no carro, temos apenas 10 reais por pessoa – uma entrada de cinema.
Um passeio ao Pampas Safari, no entanto, pode ser muito mais legal (especialmente para as crianças) do que qualquer cinema. A Camilinha morria de medo dos bichos, qualquer tipo de bicho (incluindo poodles e hamsters). De fato, a gente mentiu para ela dizendo que não iria passar pelos bichos, que a levaríamos a uma pracinha para ela brincar com o primo.
A entrada do parque não é nada promissora. Somos recebidos por um trailer dos mais deteriorados, onde pagamos a entrada e pegamos uma espécie de tíquete confirmando o pagamento. Depois, segue-se uma estradinha costeada por fazendas, e chega-se ao portão do Safari em si, e aí começa a diversão.
A pequeninha chegou a ensaiar um início de choro ao ver que entraríamos no tal portão, sendo recebidos por um banco de avestruzes. E continuou em pânico quando o carro foi cercado pelas enormes aves. Um avestruz aproximou a cara da nossa janela, e a Camila ficou congelada, olhando. Aí, o bicho deu uma bicada no vidro, e pareceu ficar meio desorientado. A Camilinha achou aquilo muito engraçado, começou a rir, e não teve mais medo.
Sem dúvida, estávamos iniciando um passeio muito mais construtivo para ela do que se tivéssemos ido ao cinema.
Bichos e mais bichos
Um passeio no Pampas Safari consiste em uma enorme viagem, feita de carro (é proibido descer do carro, já que alguns animais podem ser perigosos), por uma enorme estrada de terra, ao longo da qual diversos animais vivem soltos, convivendo calmamente. A maioria deles não parece ter medo dos automóveis, aproximando-se das janelas e permitindo às crianças que os vejam bem de perto.
Avestruzes e capivaras são os habitantes mais comuns do parque. A Camila ADOROU os avestruzes, que ela chamava de "pato grande" ou "galinha grande". Só que não dá para abrir as janelas do carro e tocar nesses animais, porque eles bicam – e ás vezes podem até furar o olho de alguém.
As capivaras (que a Camila inicialmente classificou como ratos gigantes), dormem, comem e caminham de forma preguiçosa em todos os setores. Uma delas tirou um descanso no meio da pista, e eu tive que dar uma volta por cima da grama naquele trecho.
Veados também são muito abundantes, e parecem posar para a câmera. Na primeira parte do passeio, dá para ver algumas zebras, mas elas não são muito numerosas e parecem existir apenas nas partes próximas da entrada.
O Mateus e a Camila, claro, vibraram de verdade quando chegamos perto dos macacos. Eu não sei o que esses dois pequenos vêem de tão especial nos macaquinhos, mas sem dúvida esse é o bicho preferido deles. O único "senão" à alegria diante dos macacos é que, muito perto deles, vivem os camelos.
Eu não tinha idéia do tamanho real de um camelo, até que alguns espécimes enormes se aproximaram do nosso também enorme Del Rey, e o carro ficou parecendo um brinquedo. Eu bati algumas boas fotos desses bichos, e de uma delas, até resolvi fazer um wallpaper, que logo vai para a nossa sessão especial e todos vocês poderão baixar. Eu bati essa foto de longe, claro, pegando uma panorâmica de um outro carro perto dos bichos. Aqui, cabe um pequeno alerta: camelos cospem, e é melhor deixar a janela fechada.
O ponto crítico do passeio, para mim, era o lago dos hipopótamos. A Fabiana estava apreensiva porque tínhamos certeza de que a Camila entraria em pânico. Mas não. Ela achou a maior graça daqueles animais gordões que entravam e saíam da água. Não haviam filhotes de hipopótamo no local, mas as crianças juravam que os estavam vendo. Eu não quis desfazer a fantasia deles, e deixei por isso mesmo, mas os hipopótamos estavam cercados por capivaras.
O que mais nós vimos? Pavões (classificados pela Camila como "patos azuis"), gansos, patos e flamingos ("patos cor-de-rosa", segundo a pequeninha). Jabutis, e araras. Dá para entrar no viveiro das araras. Uma delas até passou voando a centímetros da Camila, sem que ela entrasse em pânico – ela já estava tão encantada com os animais que seus medos sumiram. Às vezes, o passeio certo vale mais – e custa bem menos – do que um psicólogo. Até porque, no viveiro das aves, havia um cisne branco, igual aos dos desenhos animados, que prendeu a atenção da criançada.
O final da viagem é que foi a novidade
Eu lembrava que o Pampas Safari era um interessante passeio pelo mundo animal. Mas não lembrava da área de lazer – suspeito até que seja meio recente.
Lá pelo fim da estrada, tem uma enorme área onde estão parados vagões de bonde com décadas de idade, dois automóveis Ford dos anos 1920, muitos tanques de guerra aposentados, uma velha locomotiva, e um vilarejo-miniatura formado por algumas casinhas e uma igreja (como se fosse um centro de cidadezinha de interior), todos minúsculos, que só crianças conseguem entrar. Lá tem também uma lanchonete e uma lojinha de souvenires, com camisetas, bonés e outros artigos do parque.
Dá para entrar nos bondes, nas casinhas, no que se quiser. Menos nos velhos Fordecos. E lá no final, depois desses comércios e antiguidades, finalmente achei o que prometi à Camila: uma pracinha, com balanços, gangorras, gira-gira, escorregador e tudo mais. Só que, a essa altura, o interesse da Camila e do Mateus nessas coisas estava já meio turvado – eles estavam exaustos, já haviam corrido, entrado nos bondes, subido nos trens, perseguido patos e gansos pelo gramado, já haviam devorado meio sacão de Fandangos e esvaziado latas de refrigerante. Eu e a Fabiana estávamos igualmente esgotados.
E daí então...
Daí então, entramos no carro e fomos para a saída, que dá diretamente na RS-020. Passamos ao lado da
Viaduto Carburadores, e pegamos a RS-118. O Mateus e a Camila vinham cada um com um sorrisão estampado no rosto. O Mateus estava podre de cansado. A Camila, mais ainda, e dormiu antes de chegarmos a Alvorada (ela seguidamente usa o banco de trás do carro como cama durante as viagens – e a vantagem do Del Rey é que ela faz isso sem deixar o Mateus apertado no canto dele). O sol saiu de cena, e o dia acabou. Daí veio a segunda-feira, e o Brasil goleou o Chile.
Quarta-feira, 30 de Junho de 2010, às 01:07:29
Jaine da Rocha Bernardoni (jainedarocha@gmail.com) comentou este texto:
Adorei o passeio de vocês.Ótima idéia: diversão com instrução.
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Sexta-feira, 25 de Junho de 2010, às 22:31:26
O livro do Britto, nos tempos em que ele ainda trabalhava de verdade.
Britto em campanha, acompanhado do Pedro Simon e do Antonio Hohlfeldt. O mais triste disso tudo é que o Simon é um monstro sagrado da política gaúcha e o Hohlfeldt é um intelectual no melhor sentido da palavra, foi meu orientador de monografia e é uma grande pessoa. Passaram vergonha. Eu, pelo menos, teria este sentimento ao ver uma foto assim.
Britto trabalhando, década de 1980 ou talvez início dos anos 1990.
Uma pesquisa típica do jornal Zero Hora, pertencente ao Grupo RBS: feita em 2001, mostra Britto disparado na frente de todo mundo. No ano seguinte, porém, o povo desmentiria essa cascata toda, dando uma rotunda paulada na cara dessa turma - Britto nem foi ao segundo turno.
Britto em foto mais atual, sem a barba e com um sorriso maroto no canto da boca.
Quem leu o
post sobre a reunião PMDB/PDT em Cachoeirinha deve ter notado que eu não gosto muito do ex-governador Britto. Tem gente que não sabe quem é este sujeitinho, então cabem umas explicações históricas.
Antonio Britto foi um grande jornalista, filho do dono de um jornalzinho interiorano. Foi um grande profissional do Grupo Caldas Júnior (aquele do Correio do Povo) e da TV Gaúcha (RBS) na década de 1970. Tornou-se assessor de imprensa do presidente eleito Tancredo Neves, e foi, de fato, o "narrador" de sua tragédia pessoal. Neves morreu sem tomar posse, deixando o cargo para o presidente Sarney. Britto ficou muito famoso, e engendrou uma carreira política.
Em 1994, essa figura elegeu-se governador do Rio Grande do Sul. Resumidamente, ele fez um programa de privatizações que consistia em investir pesado numa empresa pública, deixá-la tinindo de boa, e depois de consertá-la, renová-la e torná-la eficiente, ele a vendia a preço de banana para seus amigos, as empresas estrangeiras. Não sei o que ele ganhava com isso, mas tem muita gente que arriscaria uma resposta.
O cara é tão bom, é tão mestre no "pulo do gato", que quando ele vendeu a CRT, o leilão foi ganho por um conglomerado do qual participava a RBS, rede de comunicação afiliada à Rede Globo, na qual Britto havia trabalhador por anos - na verdade, foi a RBS que lhe deu projeção, permitindo-lhe alçar vôo na política. Era a RBS que publicava as pesquisas mais camaradas, nas quais ele sempre aparecia em primeiro. Era a RBS que NÃO repercutia os escândalos de seu governo. Bizarro, muito bizarro. Pelo menos, ele não parece ser ingrato.
Em 1998, Britto foi enxotado do poder através das urnas, e o povo gaúcho elegeu o Olívio Dutra, do PT, que apesar de ter fama de cachaceiro e radical, era melhor do que o Britto. E de fato, não fez um grande governo, mas pelo menos parou com a onda "lojão torra-torra" do antecessor. Em 2002, Britto, já filiado ao PPS, tentou em vão voltar ao Piratini. Não passou do primeiro turno, ficando a eleição entre o PT e o PMDB, que conseguiu eleger o grande Rigotto para o governo. O que prova que o Britto não tinha voto, quem tinha era o PMDB.
Depois de ser derrotado, Britto transformou-se em consultor - adivinhem de qual empresa? - da Telefônica de Espanha, grande ganhadora da privatização da telefonia.
Depois, virou executivo, mas não um executivo qualquer: o cara dava expediente no Banco Opportunity, outra empresa-membro do conglomerado de compradores da CRT. Coincidência? Tá bom! E eu sou o Coelhinho da Páscoa.
Mas a vida dá voltas e Britto iria trabalhar com sapatos, pois algum tempo depois tornou-se diretor da indústria de calçados Azaléia. Não sei por quê deram a ele o cargo. Devido aos seus grandes dotes de administrador, fechou uma fábrica no Rio Grande do Sul (jogando 800 trabalhadores no desemprego). O cara era tão "bom", que quando a fábrica gaúcha fechou, ele se saiu com a desculpa de que "o Nordeste dá mais incentivo às atividades econômicas", passando a idéia de que passaria a investir em outra região. Mas daí, logo depois, fechou outra fábrica, no Sergipe, jogando mais um bando de pais e mães de família na miséria. E assim ele foi fazendo, como já havia feito com o Estado, até que quase levou a empresa para o buraco, e foi demitido em 2006.
Hoje, o Britto não se elege nem síndico de prédio no Rio Grande do Sul. Se sair na rua, periga até apanhar. Está trabalhando na Claro, uma das empresas de telefonia (as empresas privadas de telefonia fizeram a festa quando ele liquidou a CRT). Não sei o que ele faz lá. Segundo a Wikipedia,
"na Claro, está atuando na área de assuntos corporativos, com o objetivo de organizar as relações da empresa com os públicos externos e com o congresso." Ou seja, pelo que eu entendi, ele faz lobby junto a congressistas e de resto, só "enche salame". A Claro é uma empresa inteligente, porque é preciso ser muito burro para entregar qualquer cargo de administração efetiva nas mãos do "grande timoneiro" da ruína do Estado do Rio Grande do Sul.
Eu dei um grande espaço aqui para falar sobre o Antonio Britto porque o considero uma grande mancha na história do PMDB. E a grande razão de eu me considerar mais alinhado ao PDT do que ao PMDB é exatamente a comparação entre dois governadores: Britto e Brizola. Leonel Brizola foi o cara que viu que as empresas multinacionais de telefonia, energia elétrica e outros serviços estavam explorando o povo gaúcho, e saiu a encampá-las, criando a CRT e a CEEE. E daí, veio o Britto e as vendeu.
Eu sei que um eventual governo Fogaça, mesmo com o PDT junto, não vai reencampar as áreas de concessão da RGE e da AESSul, nem a Oi/Brasil Telecom. O que é uma pena. Hoje em dia, não existem mais políticos como o Brizola e nem mesmo os "herdeiros" dele têm os colhões necessários para fazer o que ele fez. Se um dia eu conseguisse me eleger governador, seria a primeira coisa a fazer. Parece radicalismo? Pois é o mínimo que um governador gaúcho deveria fazer. Os Anos FHC foram marcados por uma linha pró-privatizações, e o Britto deveria ter peitado essa linha do Governo Federal, e não "aberto as perninhas" para ela. Um bom governador tem que ter essa coragem, muito mais se for um governador gaúcho.
Britto está numa boa, viajando por aí, e com este frio todo, que mata mendigos congelados nas ruas, deve estar curtindo uma lareira. O Estado que ele quase destruiu vai levar muitos anos para recuperar todo o patrimônio que foi dilapidado, desperdiçado ou simplesmente vendido a troco de quase nada. Talvez eu não chegue a ver tudo aquilo recuperado, mas um dia alguém terá a sensatez de desfazer as cagadas da Era Britto. Talvez.
Curiosidade
A primeira campanha política da qual eu lembro de ter participado foi justamente a malfadada tentativa do Britto de chegar à Prefeitura de Porto Alegre em 1988. Claro que eu tinha apenas 7 anos de idade, e fui levado pela minha tia Suzana. Na verdade, lembro mesmo de ter ido a uma carreata. Incrivelmente - e vocês podem estranhar - eu não lembro que carro minha tia dirigia na época. Nunca mais esqueci uma musiquinha que dizia "Britto... Britto e Mercedes..." Britto acabou ficando com o quarto lugar.
Foi naquele ano que Olívio Dutra virou prefeito de Porto Alegre e o PT se legitimou como um partido "de verdade" no cenário gaúcho. A gente achava esquisito ver o PT ocupando uma posição tão importante, e as pessoas diziam "o PT está começando a virar gente grande". Porque a sigla do presiente Lula, que hoje é enorme, tem governos estaduais e tudo mais, lá pelos idos da "década perdida" era só um partidinho esquerdista, radical, cheio de caras barbudos que metiam medo nas titias virgens da classe média. Tipo como um PSOL de hoje em dia. Ninguém previa o tamanho que iria ficar.
O Britto também surpreenderia, porque era um cara jovem, inteligente, e ninguém previa a merda que seria quando chegasse ao poder.
Sábado, 31 de Julho de 2010, às 19:49:23
Sim, isso é bem verdade. Tem gente que não aprende com os erros do passado e ainda defende, por exemplo, o comprovadamente ruim modo Britto de governar. Para alguém que frequenta reuniões do PMDB, como eu, é difícil lidar com esses saudosos de um passado nada dourado.
Sexta-feira, 30 de Julho de 2010, às 21:14:29
SAMUEL FAGUNDES DE CAMPOS (samuelfdecampos@gmail.com) comentou este texto:
ELE NÃO ESTAVA SOZINHO, TEM MUITA GENTE TENTANDO ELEIÇÃO QUE PENSAM QUEM ELE, E DO PMDB, ONDE ELE SAIU.OK!
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Sexta-feira, 25 de Junho de 2010, às 18:18:33
Logo na chegada a visão que eu tive do salão cheio.
Fogaça chegou, a galera levantou e começou a gritar. Pena que ele não aproveitou o mandato para compôr uma nova musiquinha-simbolo de Porto Alegre.
Uma panorâmica do plenário.
O grande André Thompson, em sua foto de "cara de candidato".
Um mundaréu de gente, até onde os olhos alcançavam.
Sarico dando uma pausa na discursança.
O vereador Joãozinho da Saúde, apoiador do Mendes Ribeiro Filho, e o suplente Barbaroti, da turma do Marco Alba.
Na frente, Pompeo de Mattos, Mendes Ribeiro Filho, Padilha, Sarico e Fogaça
Pompeo de Mattos bem acompanhado - eu esqueci o nome da menina, mas como é bonita vai para o ar!
Fogaça, Pompeo, Cris e o Saricão
Trio parada dura.
Eu tinha que publicar essa foto - parece até o Lênin, mas é o Claudinho da Corsan, que concorreu a vereador em 2008 pelo PMDB. Já acertamos tudo, vamos formar uma dupla em 2012, e será conhecida como "Coligão Curto-Circuito".
Ontem à noite, saí com a turma do PMDB Viamão em um ônibus fretado para Cachoeirinha, onde as Coordenadorias do Vale do Gravataí (tanto do PDT como do PMDB) fariam um grande evento de lançamento da candidatura de José Fogaça (PMDB) para governador do Rio Grande do Sul, tendo como vice Pompeo de Mattos (PDT).
Eu nunca gostei muito de ir a esses grandes eventos de campanha, porque normalmente a gente fica lá, no meio daquele monte de gente, ouvindo um monte de discursos, e depois vai cumprimentar os candidatos, os deputados, coisa e tal. Eles nos abraçam, nos dizem que somos importantes, mas depois, dificilmente lembram de nós. Por "nós", entenda militantes, soldados-rasos dos partidos. É claro que para muita gente é interessante fazer este papel, já que há pessoas que vivem de fazer campanha, ganham uns trocados para puxar votos, ou ocupam cargos de confiança, que exigem fazer esses agrados aos políticos. Não é o meu caso. Eu detesto ser confundido, especialmente quando me confundem com a massa de cabos eleitorais, agitadores de bandeira e panfleteiros pagos.
Mas eu tinha que ir a este evento, porque a candidatura Fogaça-Pompeo tem um gosto todo especial para mim. Eu fui filiado ao PDT, de onde saí para o PMDB, e eu sempre digo abertamente que fiz esta transição por questões de relacionamento com a direção da sigla trabalhista em Viamão. Ideologicamente, fecho muito mais com o PDT. Nunca escondo isso. Poder sair pela rua pelo PMDB, sem trair nenhum companheiro e nem o partido, com um discurso pedetista e aquela bandeira da rosa vermelha, então, é o melhor dos mundos para mim em uma eleição estadual.
Simplesmente deslumbrante
O local escolhido para a grande festa foi a Câmara Municipal de Cachoeirinha. E QUE CÂMARA! Um prédio grande, bonito, com um plenário imenso – acho que tinha mais de 300 cadeiras na platéia – de teto muito alto. O salão inteiro é "inclinado", como uma escadaria de degraus grandes, permitindo que até a turma do fundão possa ver quem está lá na frente falando. A acústica é ótima. Os detalhes, em madeira, parecem ser de primeira. Uma Câmara de Vereadores que deixa a de Viamão parecendo um boteco. Simplesmente deslumbrante. Claro que não chega perto da de Porto Alegre, mas Cachoeirinha está bem longe de ser uma capital.
Meus parabéns ao arquiteto que criou aquilo, e à empreiteira que construiu, e também ao gestor público que encomendou a construção. Não sei quem foram os envolvidos, mas estão de parabéns. E o povo de Cachoeirinha também. A cidade dá de 10 a zero em Viamão.
Gente, gente e mais gente
O salão lotou, não sei quantas pessoas compareceram. Centenas. Não faço nem idéia. Pelas fotos, de repente alguém pode ter alguma noção, mas eu não. Se eu chuto um número muito baixo, avacalho o evento, e se eu chuto muito alto, vão dizer que estou tentando puxar a brasa para o nosso assado.
Pessoas importantes também apareceram, em profusão. O deputado federal Eliseu Padilha estava lá, e nos recebeu na entrada – acho que estava mais ou menos acertado que o PMDB de Viamão deverá apoiá-lo, mas é bom deixar claro que eu não faço parte deste acordo, já que não fui convidado a discuti-lo. Outro deputado federal presente foi o Mendes Ribeiro Filho, o ex-patrão da minha tia Suzana. Tínhamos uns deputados estaduais, e dezenas de vereadores vindos de todos os cantos da região.
Padilha e Marco Alba? Mas, e o Jorge?
Quem leu o parágrafo anterior pode até ter a impressão de que os federais Mendes Ribeiro Filho e Eliseu Padilha estavam no evento em pé de igualdade, mas isso não é verdade, em absoluto. Para mim, ficou claro que as estrelas ali, abaixo do Fogaça, do Pompeo e do Rigotto (que aliás, não compareceu), eram mesmo o deputado estadual Marco Alba e o federal Padilha. O Mendes Ribeiro acabou ficando como um personagem claramente secundário, atrás do Padilha, o que eu achei meio esquisito, meio chato. Tanto é que o deputado porto-alegrense saiu mais cedo, só cumprimentando a turma do vereador Joãozinho da Saúde ao sair. Nem cheguei a falar com ele. Uma pena.
Mas a coisa toda tem uma explicação: o Marco Alba é o grande deputado do Vale do Gravataí, mora em Gravataí, e é "afiliado" ao Eliseu Padilha. Então, muita gente considera natural que a dobradinha domine o cenário local. De repente, até é normal, sei lá. Eu ganhei um adesivo do Alba logo na entrada, e até colei no casaco, mas um tempo depois me dei conta e tirei. Eu ainda não tenho candidatos definidos.
O domínio brizolista
Com todo o respeito aos companheiros do PMDB, mas uma das primeiras coisas que eu notei ao olhar o salão lá do alto, no fundo, dando uma "panorâmica", é que a turma do PDT fez um grande trabalho ao organizar sua identificação visual. Haviam mais bandeiras do PDT do que do PMDB, e a bandeira grande, no fundo, deles era maior do que a nossa. Me deu a nítida impressão de que a maioria ali era do PDT, e um turista que não conhecesse os arranjos políticos do Estado poderia até julgar que era o PMDB quem estava indicando o vice do PDT.
Finalmente, o governador!!!
Fogaça chegou, para grande alarde. E vários minutos depois, o Pompeo de Mattos. Confesso que me entusiasmei muito mais com o discurso do Pompeo, um grande orador – quando eu crescer, quero ser bom igual a ele. O Fogaça também não faz feio, foi lá, falou bonito. Eu realmente fiquei convencido com esta dupla, e me entusiasmei para sair à luta, coisa que eu andava tendo muitas dificuldades – meu contato com esta campanha até então era só o nosso diretório municipal, que na minha opinião andava meio chocho, sem empolgação.
E eu fui esquecido, novamente
Nem tudo foram rosas nesse evento. O Sarico, nosso ex-quase-prefeito, atuou como uma espécie de mestre de cerimônia, anunciando a chegada e a presença de pessoas eminentes, e fazendo os interlúdios entre os oradores. Até aí, tudo bem, porque o Saricão é bom de microfone.
O problema é que, num dado momento, ele resolveu anunciar a presença "da juventude do PMDB Viamão", citando alguns nomes de membros da Executiva. Só que ele não me citou, apesar de eu ser o Secretário-Geral. Aliás, não é a primeira vez que ele me "esquece" em um evento, pois ele já me "pulou" ao anunciar o resto do grupo em uma reunião na Santa Isabel, este ano. Logo, suponho que seja algo sistemático, algo premeditado.
É óbvio que eu não esperava receber holofotes em um evento que tinha como estrelas um deputado estadual, um ex-governador e um ex-senador e ex-prefeito de Porto Alegre. Mas, se uma pequena janela de notoriedade foi aberta para a nossa executiva municipal da Juventude, eu queria esse cantinho, por menor que fosse, sob as luzes da ribalta. Não porque ache que isso mudaria minha vida, mas porque era um direito meu.
Como muitos leitores sabem, eu faço política basicamente porque é um espaço no qual eu posso "brilhar", e esse tipo de coisa é o pior golpe que pode ser disparado contra mim – o anonimato, o esquecimento, a não-notoriedade.
Depois, as pessoas ficam me cobrando um posicionamento do tipo "de que lado tu estás nas disputas internas do partido", como se eu devesse alguma vassalagem a alguém, meio que esperando que eu desempenhe um papel secundário. Ora, eu NUNCA me contento com papéis secundários. Se não me dão espaços, eu mesmo crio os meus, faço por mim, corro por fora. Depois, me cobram mais "espírito de partido". Daí eu digo: "agora, o meu partido sou eu". Um vereador nosso, com brilho próprio, antigamente era acusado de ter "um PMDB próprio dele, à parte do grande PMDB", mas será que o cara estava errado? Começo a ver que não. E eu atacava esse cara. Mas ele é que estava certo. Não dá para ser um bom samaritano quando se está no faroeste.
Jornal Da Cidade
Conheci um sujeito que trabalha no tal de
Jornal da Cidade, e vamos conversar mais adiante. Eu adoro imprensa do interior, jornal local, essas coisas. E sou sempre parceirão para essas iniciativas, essas empreitadas. Definitivamente, vamos conversar ainda.
Menos o Britto, né...
Num dado momento, não lembro mais quem estava discursando, mas o sujeito disse que "o PMDB comandou três grandes administrações neste Estado, os três melhores governadores que o Rio Grande já teve eram do PMDB".
Eu, claro, não pude perder a piada. Levantei o dedo e gritei, lá do fundão: "Menos o do
Britto, né?" – sim, porque dizer que o governo Britto foi qualquer coisa que não "catastrófico", é mentira, piada ou sintoma de insanidade mental.
De fato, o PMDB teve três grandes governadores gaúchos: Simon, Guazelli e Rigotto. Mas eu tenho certeza de que o orador estava incluindo na lista o Britto, já que o Guazelli assumiu como vice do Simon.
Conclusão
Concluindo, o saldo do evento foi muito positivo para mim. Porque eu pude descobrir algumas coisas interessantes, desfazer algumas pontas de ingenuidade que eu ainda mantinha, e principalmente, percebi que o PMDB e o PDT são muito maiores e mais emocionantes do que os seus diretórios locais, aqui de Viamão. Eu realmente estou empolgado com a idéia de sair em campanha este ano, pela chapa PMDB/PDT. E sim, vou pedir votos para o Rigotto ser Senador. Não tenho deputados definidos, mesmo que algumas pessoas pensem que eu tenho alguma tendência a apoiar este ou aquele – o fato é que nenhum deles ainda conseguiu prender minha atenção.
Sexta-feira, 25 de Junho de 2010, às 16:02:13
Na ordem, o pré-candidato a deputado estadual Julio Quadros, o nosso amigo Mauro, a esposa dele, a Patricia, e o Ceratti.
Mano Changes dando uma palhinha.
Enísio Matte, Ricardo Gross e uma turma que eu não conheço.
A turma do fundão: eu, o Carlos e o Escobar.
O secretário municipal de obras, Ricardo Gross, rindo de alguma piada que o Mauro falou.
Eu, a Belamar e o marido dela. Grandes figuras, embora o cara seja meio caladão.
Mauro e o vereador Zilmar Rocha, a prova viva de que o PT tem gente muito boa.
Anteontem, dia 22 de Junho, aconteceu a festa da Rádio Velha Capital e nós, claro, demos as caras por lá. Quando falo em "nós", quero dizer tanto eu como pessoa, como a CEEE como instituição, apesar de este papel ter sido desempenhado, na verdade, pelo nosso gerente da agência de Viamão, um cara chamado Mauro Lourega Chaves, que desde o ano passado está no comando por aqui. Ele assumiu sucedendo o nosso grande amigo, bagunceiro e figuraça Renato Azambuja, que se aposentou.
A festa foi realizada no Gurila’s, um restaurante simplesmente bárbaro que abriram, não faz tanto tempo assim, no retorno de entrada para o Centro (pouco depois da entrada do Krahe). Não era apenas uma festa qualquer, mas a Festa de 4º Aniversário da Rádio Velha Capital, um evento de proporções razoavelmente grandes, ao qual compareceram vereadores, secretários, empresários, imprensa e sub-celebridades locais.
Buenas. Festa animada, muita gente bonita, alguma gente importante, o Enísio correndo de um lado para o outro, como é normal dele, encanzinado por fazer tudo sair como ele imaginou.
O troféu para a CEEE
Na festa, a rádio entregou troféus para empresas e pessoas que se destacaram nas mais diversas áreas ao longo do ano. A CEEE de Viamão ganhou o seu, recebido pelo Mauro. Não é um troféu "vazio", nem de longe: a CEEE trabalha com um ranking baseado em indicadores que vão desde a inadimplência até as horas de falta de luz, passando por reclamações e outros critérios. A agência de Viamão foi, tradicionalmente, a penúltima, a antepenúltima, e com menos frequência, a última colocada no Estado todo, em toda a área de concessão da CEEE. Mas, no último ano, começou a "decolar", e agora já não comparece à listinha da "lanterna" dos indicadores de qualidade. Não está nos primeiros lugares, claro, porque isso seria milagre, mas consegue até chegar aos "20 mais". E continua a subir.
Esse ranking da empresa é meio cruel. Viamão é uma cidade muitíssimo vasta, despovoada, rural, cheia de mato, com muitas vilas de invasão e uma população majoritariamente de baixíssima renda – em grande parte, também baixíssimo nível cultural. O número de vilas irregulares é incalculável, enorme, e expande-se sem parar. E nada disso é levado em consideração, daí nossa agência tem que concorrer, em pé de igualdade, com lugares como Torres (onde a renda per capita é absurdamente mais alta), ou Palmares do Sul (onde a população é muito menor). Por isso, quando a agência Viamão se destaca, a conquista tem mais valor ainda.
O legal é que não são apenas os números na planilha que nos dão motivos para alegria. A rádio não se baseia nos rankings internos da empresa para premiar as entidades locais. A população realmente parece estar sentindo as melhoras. Eu sei bem. Moro em Águas Claras, aquele lugar onde antes faltava luz dia sim, dia não, e agora já não falta mais (quer dizer, falta, mas é trimestre sim, trimestre não).
A galerinha da CEEE
Fomos lá, eu, o Mauro, a esposa dele (a Patricia), e mais um pessoal da diretoria, cujos nomes, vocês já podem imaginar, eu esqueci. Eu lembro dos rostos. E lembro do nome de um: o Ceratti, cujo primeiro nome não sei. Até catei na rede corporativa, mas não sei mesmo.
Não sei o quanto cada um deles detém de poder na empresa, porque nunca fui muito ligado nessas coisas, mas nenhum me pareceu ter o "rei na barriga", o que foi muito legal. Uma coisa boa das chefias da CEEE (a maioria das que conheci até hoje), é que os caras são funcionários "rasos" nomeados para serem chefes de maneira temporária (embora alguns estejam há décadas), e parecem saber disso, porque tratam os demais funcionários como colegas, não como subalternos. É uma atitude correta, e inteligente. Nunca se sabe o dia de amanhã.
Vai que um dia eu consigo chegar lá, quenem essa gente batalhadora aí, e viro chefão de alguma coisa? Este dia chegará. Há quem diga que será um sinal do apocalipse.
O bonde dos políticos
A lista de autoridades e candidatos é grande, mostrando que a rádio tem uma baita influência: o prefeito Alex, vários secretários (eu lembro especificamente do Ricardo Gross), os vereadores Zilmar, Belamar e Maninho, o vice-prefeito Atidor, o candidato a deputado estadual Julio Quadros, o deputado Mano Changes, e imagino que tenham comparecido mais pré-candidatos que eu não reconheci (ou não conheço mesmo), e outras autoridades que eu não cumprimentei.
Aliás, nessa história de cumprimentar as pessoas: eu fiquei meio triste, a princípio, com a ausência do ex-prefeito de Viamão, o Ridi, porque foi ele quem me lembrou desta festa, quando nos encontramos na parada do ônibus, e pensei que ele não iria aparecer. Mas num dado momento, me comentaram que ele estava lá. Dei um giro pelo salão e não o achei. Só bem no finalzinho é que eu topei com a figura, quase por acaso. Quem não conhece o Ridi acha estranho que eu tenha tamanho respeito e afinidade com alguém do PT, mas quem o conhece sabe que não dá para não gostar dele.
Já o contrário acontece com o prefeito Alex Boscaini. Ele de fato acabou ficando na minha frente, quando eu cumprimentei o Ricardo Gross (e se não me engano, foram eles, o Ricardo e o Alex, que apareceram lá pela nossa mesa). O Mauro os cumprimentou numa boa, já que são todos dirigentes públicos, e não têm envolvimentos pessoais. Também a situação minha com o Gross foi normal, apesar de eu ter que me segurar para não rir porque, sempre que olho para ele, me lembro daquela reportagem do Sacomory (Balanço Geral) indo fazer as pazes com o governo municipal. Desculpem, mas não consigo tirar essa imagem da cabeça. O que é que eu posso fazer?
Bom, mas o ruim é que, por uma questão de educação, tive que cumprimentar o Alex, e o sorriso amarelo na cara dele me deu a plena certeza de que ele só me estendeu a mão por pura educação. Eu, claro, não sorri, nem amarelo nem cor nenhuma. Fizemos um grande esforço, apertamos as mãos e saímos um para cada lado.
Para compensar, passei um bom tempo na mesa da vereadora Belamar, que eu finalmente pude conhecer pessoalmente. Sem puxa-saquismo, a vereadora não é nada fotogênica – ela sempre sai com uma cara esquisita nas fotos – mas pessoalmente não é nada feia, a moça. Estavam na mesa eu, o ex-vereador e sempre figuraça Arruda "pai" (pai do Arruda Filho), e o marido da Belamar, cujo nome esqueci – tanto é que num dado momento pedi para baterem uma foto minha com "a Belamar e o Seu Bigode". Eu sou mesmo péssimo para lembrar nomes.
PS: eu sou esquerdoso, o Partido Progressita é direitoso e herdeiro de um regime militar que com certeza me mandaria para o exílio, mas a bancada deles aqui em Viamão (Nadim e Belamar) é com certeza a mais gente fina de todas. Ou os filhos da Arena deram muita sorte, ou têm um programa muito bom de recrutamento de candidatos.
E a imprensa...
A imprensa é um caso à parte. Eu só vi (e aliás, conversei, até fiz foto) com a turma do nosso Diário de Viamão. Não sei se o Enísio esqueceu de convidar a turma dos outros jornais, se deliberadamente não convidou, ou se convidou e eles não apareceram. Hoje mesmo, perguntei ao Pedrão, do Jornal Opinião, o porquê de sua ausência, e ele só fez um "não" com a cabeça, que não explicou nada e me deixou ainda mais intrigado.
Bom. O Daniel, editor de Esportes do Diário, estava lá. Também o Carlos Dickow, chefão do periódico, e o Eduardo Escobar, colunista, arquiteto e premiado da noite na categoria Imprensa. Mas a presença do Daniel é sempre mais fácil de lembrar porque eu o conheço há mais tempo, e ele nunca deixa de ser uma companhia divertida para bater um papo. A vida, para ele, parece ser uma coisa leve. É isso: o Daniel não veio ao mundo a negócios, veio a passeio. Já eu, acho que vim para tumultuar. Por isso nos damos tão bem.
Houve uma época em que eu não gostava do Daniel Jaeger, quando eu me levava a sério demais, e ele não encarava nada com seriedade, fazia umas coisas irresponsáveis. Depois, fomos amadurecendo e hoje damos risada de tudo, ao mesmo tempo que levamos a sério aquilo que é importante. Não fosse assim, não estaríamos os dois dando certo no que fazemos. Nosso ponto em comum é que somos ambos polivalentes, jornalistas/artistas/agitadores/sub-celebridades-locais.
Concluindo
Não tem essa história de "conclusão" para este texto, porque eu estou narrando os eventos da festa da Rádio Velha Capital. O que se pode dizer? Não há uma lição de moral a dar no final do texto. Foi um festão, muita gente bonita, gente importante e gente correndo com preparativos. Teve entrega de troféus, eu conheci muita gente interessante e revi velhos amigos (e um velho inimigo, claro). Lá pelas 23h, caí fora. E boa noite.
No dia seguinte, o Mauro trouxe para a agência o nosso troféu, colocou em cima de uma mesa na sala dele, e hoje o Brasil empatou com Portugal. Fizemos um galeto (aliás, O GALETO) na empresa para comer durante o jogo.
Segunda-feira, 21 de Junho de 2010, às 11:57:19
Devo ter arrumado alguns inimigos com esse texto, mas passei meu recado.
Artigo publicado na edição de sábado (19/06/2010) do Diário de Viamão.
Na última semana, tivemos uma pequena reunião de moradores no salão paroquial de Águas Claras, para discutir um tema crucial da vida de Qualquer comunidade: o nosso posto de saúde. Como muitos outros postos da cidade, o nosso sofre com a falta de médicos, e de fato temos apenas um, que não sai de lá porque, segundo dizem, mora perto.
Os moradores mais antigos comentam o fato de que aquele posto das Águas Claras já foi um local com bom nível de atendimento, até que a Prefeitura nomeou uma coordenação que literalmente destruiu o posto (o serviço, não o prédio). Depois de algumas reuniões, a direção foi trocada, mas o estrago já estava feito. O histórico de decisões desastrosas, no entanto, não importa. O que importa é que existe uma região com considerável densidade populacional, isolada do centro urbano da cidade, responsável pela maior parte da arrecadação do município, e que não tem atendimento médico quando precisa.
O caso de Águas Claras é mais grave porque não se trata de uma população que “espera tudo do governo”, como adoram dizer os políticos de direita. Não. O terreno onde está o posto foi doado por um morador, e o prédio, construído através de uma “vaquinha” pela população local. Um prédio feito para o posto de saúde e para a Brigada Militar. A diferença é que os brigadianos o estão utilizando plenamente, enquanto a Prefeitura não fornece nem equipes médicas que possam atender à demanda da região.
Depois, os governantes e políticos das áreas “urbanas” de Viamão ficam reclamando, diante de reivindicações emancipacionistas – com a arrecadação que tem, de fato, Águas Claras poderia ser uma cidade muito melhor do que Viamão. Mas não é este o foco do meu texto, até porque eu mesmo não tenho certeza se a emancipação de uma cidade no “além-pedágio” seria a melhor saída. Me considero, antes de mais nada, um viamonense, e não gostaria de deixar de sê-lo. O problema não é só dos distritos rurais, é das vilas urbanas, é de Viamão inteira: os postos de saúde não dão conta dos problemas da população e, mais grave ainda, não temos um hospital público para as demandas mais graves.
A falta de médicos tem explicação: a Prefeitura de Viamão paga aos seus médicos um dos salários mais baixos da Região Metropolitana. Porto Alegre tem o mesmo problema, mas lá, eles resolveram a questão empilhando adicionais sobre a cabeça do contracheque dos doutores. Aqui, poderíamos fazer o mesmo, ao criar um plano de carreira, ou algo do tipo. O fato é que nossos postos não atraem médicos. Então, eles estão em falta. E o povo sofre.
Espero que ninguém me entenda mal: este texto não tem um caráter político, oposicionista, de crítica ao governo do PT, do Alex ou de quem seja - na verdade, ele sempre prontificou-se a receber os representantes da nossa comunidade. O caso é que a administração pública de Viamão vem focando suas atenções em obras, inaugurações de praças, cobrança de estradas do governo estadual – e tudo isso seria válido, num contexto diferente: se a prefeitura já estivesse com “a casa em ordem” nas questões que são básicas, se já estivesse fazendo um “feijão com arroz” convincente, haveria espaço para brigar por coisas maiores. Não adianta buscar aumentar ou melhorar a estrutura da cidade, se não vemos a estrutura já existente em pleno funcionamento.
Se nós temos postos de saúde, mas eles não funcionam 100%, de que adianta fazer praças e escolas? Para quê? Para, dali a pouco, deixá-las no abandono como acontece com as unidades de saúde? Construir é importante, mas mais importante é, depois, bem administrar.
Sexta-feira, 11 de Junho de 2010, às 16:26:44
Matéria de hoje do Diário de Viamão - o prefeito abriu a boca para criticar os outros, por fazerem politicagem a pretexto de defender causas da comunidade - mais uma vez, o roto falando do esfarrapado.
Na última quarta-feira, aconteceu a tão esperada passeata contra as modificações desastrosas no trânsito do Centro da cidade. E ontem, saíram as matérias nos jornais locais.
O jornal A Tribuna tratou o assunto diretamente no núcleo central do periódico, que é a coluna do jornalista José Paulo Correa Lopes, diretor, editor e tudo mais do jornal. Ao invés de apoiar um dos lados, o Paulo resolveu classificar os organizadores da passeata de "amadores" – fizeram um barulhão, e conseguiram uma audiência com o vice-prefeito e o secretariado. Mas, chegando lá, não apresentaram nada e apenas reclamaram que o prefeito não apareceu. "Uma caminhada rumo ao nada", diz a coluna. É verdade. Realmente, na prática, na lei, o prefeito tem o direito de ditar o sistema de trânsito do Centro e o movimento contra isso tem caráter de mera pressão, demonstração de descontentamento.
O velho Passarinho, nosso mais contumaz agitador local, e toda essa gente que comandou a caminhada, sabem que não têm como exigir decisivamente que o prefeito volte atrás. Mas foram exatamente eles que, de tanto aporrinharem a Justiça, a Prefeitura, a imprensa e a Univias, conseguiram a isenção do pedágio da RS040 aos moradores locais. Quer dizer: inúteis, essas barulheiras não são.
O jornal Diário de Viamão já trouxe uma entrevista com o prefeito Alex Sander Boscaini falando sua versão dos fatos. Alex diz que o movimento tem apenas o pretexto de protestar contra as mudanças no trânsito, mas na verdade, é um movimento político da oposição. Ora, mas em que mundo esse sujeito vive? É claro que é um movimento de oposição! E isso não é uma coisa secreta, uma coisa que tire a legitimidade do movimento. É ÓBVIO QUE OS POLÍTICOS DA OPOSIÇÃO PARTICIPARAM, e é papel deles aparecer nessas horas, para dizer que o governante eleito está fazendo ERRADO, e anunciar que eles fariam diferente. PORQUE ISSO É OPOSIÇÃO! Eu não imagino um movimento, que reúne, sei lá, centenas de pessoas para dizer que o prefeito fez uma imensa bobagem ao mudar as mãos das ruas, um movimento que está ali para dizer NÃO a uma atitude do governo, e que NÃO SEJA UM MOVIMENTO DE OPOSIÇÃO. Ele se opõe ao governo, ou mais especificamente, a uma atitude do governo. Portanto, é oposicionista. E os políticos de oposição têm papel fundamental para que ele não se descaracterize.
Na verdade, o que quase ninguém se toca é que as mudanças no trânsito do Centro não causaram toda aquela explosão de descontentamento. Foram apenas o pouquinho que faltava para a bolha estourar. O próprio Centro é muito revoltante, mal planejado, e já o era antes da reforma do trânsito. A cidade é mal planejada. E é meio revoltante. Ou não é revoltante, quando se sai de Viamão, se vai a Gravataí, e o grau de progresso da cidade coloca a nossa no chinelo? Vocês já foram ao Centro de Gravataí? Vocês já foram ao Centro de Alvorada? Vocês já foram, sejamos mais modestos, à avenida Liberdade, dentro de Viamão mesmo, na vila Santa Isabel? O Centro de Viamão, na comparação, não passa de uma piada.
Viamão é uma cidade desorganizada, com um governo amador e uma oposição amadora. Existem exceções, mas não muitas. E elas não mudam o quadro geral. Como a oposição é amadorística, quando ela chega ao poder, os antigos governantes amadores viram os oposicionistas amadores, e ninguém sabe remar. Por isso o barquinho continua, há décadas, à deriva.
Terça-feira, 08 de Junho de 2010, às 13:00:45
"Vamos embora que esperar não é saber. Quem sabe faz a hora, não espera acontecer", já dizia Geraldo Vandré.
Conforme eu havia dito em outro
post deste blog, a prefeitura de Viamão alterou o trânsito do Centro da cidade criando uma situação catastrófica na qual quase tudo agora é contramão e não dá para realizar operações simples (como sair da Bento e ir para a escola Objetus, por exemplo), sem contornar pelo meio da estrada RS040, expondo-se a todos os riscos desta operação. Canteiros colocados em lugares errados, ruas com o sentido invertido em relação ao antigo (que era mais funcional), e outras barbaridades.
A sociedade tentou um diálogo, várias entidades tentaram, e o prefeito Alex, como sempre, deu de ombros para a opinião pública. Para quem não é de Viamão, ou não conhece esse homenzinho , saiba que a minha real opinião sobre ele é impronunciável. Hoje mesmo, tive uma discussão com um colega de trabalho que é filiado ao PT. Ele me dizia que vota no PT e que minhas críticas são contra um grande partido, que muito fez pela cidade e coisa e tal. Mas o sujeitinho estava enganado, e não parou para tentar entender o que eu dizia: contra o PT, não tenho nada – aliás, os leitores do Blog aqui devem ter notado que eu tenho uma opinião bem positiva do governo Lula – meu problema é com este indivíduo que está sentado na cadeira de prefeito da nossa cidade. Se ele fosse filiado a qualquer outro partido, continuaria sendo a mesma coisa. Suas decisões unilaterais e arbitrárias irritam a todos os cidadãos que não se enquadram no grupo dos baba-ovos com cargos no Executivo.
Pois bem. Agora o caldo entornou. Amanhã, dia 9 de Junho de 2010, às 8h, sai uma passeata contra as loucuras cometidas contra o trânsito no Centro. A concentração será no retorno da RS040 com a avenida central, em frente ao Amauri Tintas. A lista de entidades comprometidas é tão extensa que merece ser citada, só para que o leitor de fora daqui tinha idéia do imenso espectro de pessoas irritadas com a brincadeira de SimCity que fizeram com a nossa cidade:
Associação Comercial e Industrial de Viamão
CDL - Viamão
OAB – Viamão
Sociedade dos Arquitetos e Engenheiros de Viamão
Sindicato dos Comerciários
Sindicato Rural
União Tradicionalista Viamonense
Conselho dos Clubes de Mães
Associação dos Contabilistas
As associações de bairros
As entidades carnavalescas
Terça-feira, 08 de Junho de 2010, às 14:44:55
artur gattino (gattini.a@hotmail.com) comentou este texto:
Fábio. Tenho lido teus comentários com certa desconfiança do ponto de vista da forma de abordagem. È bem verdade, entretanto, que também nada enho contra o PT os seus seguidores, afilhafos, adeptos, em fim, nada mesmo. Não tenho nada contra eles, nem nunca terei,pois são o resultado dos votos dos viamonenses, que ao longo de quatro mandatos seguidos votaram no PT e em seus candidatos. Não posso ter nada contra eles, pois o povo com maioria esmagadora de votos achaou que eram melhores que todos os outros candidatos. Não adianta achar nada. O povo escolheu e isto basta. Veja que de uma diferença de pouco mais de 2.000 votos da primeira eleição do Alex, subiu na última para 27.000 mil. Meu Deus foram 27 mil votos de diferença. Somados os votos do Alex, foram mais que Janes e Sarico e por pouco não soma-se o Geraldinho. Ora, se o povo mostrou esta força , qume dirá ao contrário. Assim sendo, me perdoa meu amigo, se temos que xingar alguém.. Bem , o Alex não é culpado...
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Sexta-feira, 28 de Maio de 2010, às 17:51:56
Nas fotos acima, Geraldinho e Sarico, os dois grandes viamonenses envolvidos nessa grande conquista.
Gozado é que ambos foram derrotados na disputa para prefeito em 2008, mas fazem mais pela cidade do que os governantes eleitos.
Abaixo, o "Google Mapa" da rota que hoje é praticamente intransitável.
Uma curiosidade do mapa: na estrelinha amarela, fica a minha casa.
Não consegue ler o mapa direito? Clique na imagem para que ela apareça ampliada.
Pessoal, eu nem acredito. Hoje, dia 28 de Maio, às 20h (falta pouco!), vai ser assinada a autorização da ordem de serviço para que a empresa contratada comece a fazer o projeto final e os levantamentos topográficos da Estrada Acrísio Prates.
Para quem não é de Viamão, ou é daqui e não conhece muito a cidade, ficam os esclarecimentos: a praia de Itapuã é um lugar lindo, às margens da Lagoa dos Patos, na face sul do município de Viamão. Lá tem o histórico Farol de Itapuã, e lá por perto, um parque estadual de turismo e conservação ambiental. A praia é tão boa – não chega a ser como uma praia de mar, mas dá um banho no Lami – que poderia muito bem ser um dos pontos turísticos fortes do Estado. Seria a maior maravilha natural e turística de Viamão, e os moradores da cidade poderiam, em meia hora, ir até lá com a família curtir um sol, nadar e passear de barco.
Só que tem um problema: a tal Rodovia Acrísio Prates (nome novo da conhecida estrada do Espigão), é uma espécie de picada aberta no meio do mato, feita de terra. Quando chove, só se pode passar de jipe. Quando não chove, a buraqueira é tanta, que é melhor ir pelo mato. Como consequência, as pessoas fazem uma enorme volta pela Restinga, andando pelo asfalto de Porto Alegre.
Essa estrada é, teoricamente, o prolongamento da RS 118, que hoje em dia termina na RS 040. Mas o projeto original da 118 não era ligar Viamão a Sapucaia do Sul, e sim ITAPUÃ a Sapucaia. Isso nunca aconteceu, claro. E a prainha continua subdesenvolvida.
Mesmo sem um caminho decente de chegada, Itapuã é um lugar lindo. A maioria das casas – mesmo as antigas – parecem ter sido recém-pintadas. Lá tem barcos, praia (só que a areia não é tão boa quanto a das praias de mar para fazer castelinhos), e as pessoas são simpáticas. Tem até lugares para se ir, como um restaurante cujo nome não lembro, mas é o maior do lugar e a comida é ótima.
A precariedade da estrada faz com que os moradores de Itapuã vivam em uma espécie de limbo, já que não residem em Porto Alegre, mas vivem isolados de Viamão. Achar emprego é quase impossível. E mesmo os produtores locais sofrem com a barraceira.
Voltemos à obra. Quando a estrada estiver asfaltada, Itapuã deverá ferver, aumentando em várias vezes sua renda turística. E eu vou começar a ir direto para lá. O povo de lá terá um caminho confiável para vir trabalhar em Viamão, e será até viável morar lá e trabalhar aqui. Não é longe: são uns 20Km em relação ao Centro, a mesma distância da minha casa, e se a estrada não fosse tão horrível até eu moraria lá.
Vejamos o que diz um e-mail que eu recebi: "A Metroplan contratou os 26 km para a elaboração do projeto do Fiuza até Itapuã. Esta garantido 4 milhões no orçamento da União para este ano da Emenda da Bancada Gaúcha (Rotas Turísticas/ Ministério do Turismo), a Metroplan dará contrapartida de 20%, todo o trecho terá ciclovia."
Cara! Vocês leram? CICLOVIA!!!! Boa parte do caminho até lá é uma descida, então vai ser SHOW DE BOLA tentar fazer o caminho de magrela!
É fabuloso! A Metroplan, que está nas mãos do meu amigo Glademir de Moura, o popular Sarico, está na parada. Mas essa obra está sendo sonhada há décadas e nunca saiu. Sabe por quê ela está saindo? Porque nós temos um representante de Viamão em Brasília (ou melhor, tínhamos): Geraldinho Filho, do PSOL, que assumiu uma vaga como deputado federal em 2009, na ausência da Luciana Genro, de quem era primeiro suplente.
Esse Geraldinho começou como vereador pelo PT, aqui na cidade. Depois, saiu e fundou o PSOL local. Daí, concorreu a Federal, fazendo uns 10 mil votos. É pouco voto, mas dentro do PSOL, tornou-se o segundo mais votado, sendo ultrapassado (aliás por uma diferença de dezenas de milhares de votos) pela Luciana Genro. Mesmo obtendo uma votação muito pequena, pela matemática das eleições proporcionais, ficou a um passo de entrar no Congresso Nacional. E acabou entrando. E agora a Acrísio Prates vai ser asfaltada.
Para quem não sabe, o Geraldinho não precisava estar na política. Ele tem o trabalho dele fora, e é um cara super legal. Ao contrário da maioria dos políticos que eu conheço, ele não deixa os amigos pela estrada (pelo menos, nunca deixou que eu saiba), e a vizinhança lá em Águas Claras só fala bem dele, confirmando minhas impressões pessoais. Não nos vemos há mais de um ano. Mas se ele não mudou muito, ainda deve ser um cara muito tri.
A solenidade da estrada vai ser na Escola Municipal Jerônimo Porto, no Passo da Areia. Quem puder ir, deve ir mesmo. Se eu puder, vou.
Aliás, ainda sobre o deputado Geraldinho: se eu não fosse arrumar uma briga cavalar dentro do meu partido, eu sairia a fazer campanha para ele este ano. Sinceramente, espero que ele faça uma boa votação. E se não fosse traição aos meus próprios correligionários, eu votaria nele. Aliás, se ninguém do meu partido aparecer com propostas e idéias mais lúcidas, se eu não sentir firmeza em nenhum dos meus companheiros de sigla, periga eu votar nesse maluco do PSOL. Como eu não devo cargo para ninguém e não peço cargo para ninguém, posso me dar a essas liberdades no mundo da política.
Quarta-feira, 26 de Maio de 2010, às 08:52:19
Anônimo with lasers disparando seu e-mail mortal contra a EMATER.
Acabo de receber um e-mail, anônimo, com informações ainda não confirmadas (eu pelo menos não chequei, então, estou já dizendo que não sei ainda o grau de credibilidade da informação). A pessoa que mandou não quis se identificar. A mensagem diz o seguinte:
A saber, o escritório da Emater em Viamão esta negando DAP a agricultores da cidade, temos apenas 349 cadastrados, alguma coisa esta errada, eles não utilizam os critérios do MDA, o único critério é o "PRECONCEITO", tem que ser feita alguma coisa urgente.
Estou passando essa informação para imprensa, vereadores, órgãos do município e representantes da comunidade.
Não me identifico para não sofrer represália dentro da Emater.
Está dado o recado. Com a palavra, o órgão competente.
Segunda-feira, 17 de Maio de 2010, às 14:49:03
Barth/Dilma é a versão "mundo do Bizarro" (no qual tudo é o ao contrário) de Frost/Nixon
Dilma Rousseff esteve no Rio Grande do Sul, dentro de sua agenda de candidata (em plena campanha fora de prazo, feita de forma muito mal disfarçada). Não tenho nada contra a Dilma (aliás, é muito provável que eu vote nela), mas essa mulher só pode ser completamente louca!
Ela poderia ter dado uma entrevista ao Rogério Mendelski, se bem que poderia acabar até sendo agredida diante das câmeras. Ou ao Lasier Martins, na TVCOM. Poderia ter dado uma entrevista até ao Ted Caputty ou ao Valter Cavalheiro. Mas não. Dilma foi ao ar pelas câmeras do Studio Pampa.
Claro que não falaram de política. Claro que a Rata Barth não pesquisou nada e nem elaborou perguntas bombásticas. Aliás, se a intenção do programa, ao trazer a Dilma, era atrair audiência, então a produção e as apresentadoras deveriam ter aprendido alguma coisa com o filme "Frost/Nixon". Neste momento, não estou avacalhando com o programa - eu realmente gostaria que uma produção gaúcha, com elenco gaúcho, de uma emissora eminentemente gaúcha, tivesse um nível que chamasse a atenção no cenário nacional.
Para quem não sabe, "Frost/Nixon" é um filme que conta a história de um apresentador de TV (Frost) que tem a chance de entrevistar o ex-presidente Richard Nixon, que renunciou ao cargo durante o escândalo Watergate. Frost é mais ou menos como uma Cris Barth, um apresentador populesco, sem noção, chegado a fofocas e futilidades. Ele inicialmente acha que suas habilidades de showman salvarão o dia, mas depois vê que Nixon é um mestre no enrolation. Então, interessa-se por história e política e consegue colocar Nixon, no emocionante final, contra a parede, arrancando dele uma confissão de culpa. A carreira do político acaba-se ali, e a de Frost decola - ele assegura seu lugar na história do jornalismo.
Bom. Barth poderia fazer uma entrevista histótica com a Dilma - quem sabe, tocar nos temas mais cabeludos, do tipo governo Lula, ideologia, luta armada, coisa e tal, aproveitar a independência em relação aos esquemas "globais" e o governo, e fazer uma entrevista realmente bombástica, daquelas que renderiam muita publicidade gratuita ao programa, virando comentário no Brasil inteiro, mas nao. O filme "Barth/Dilma" é o anti-Frost/Nixon. Rata Barth, Suellen Mortandela e sua turma optaram por falar de cirurgias plásticas, modelitos e cortes de cabelo com a presidenciável. La-men-tá-vel... mas previsível.
A produção do programa deveria aprender que não basta chamar uma celebridade para turbinar a audiência de um programa - é preciso saber usar esta celebridade. O Studio Pampa é famoso por contratar para seu elenco ex-Big Brothers, e transformá-los em anônimos alguns meses depois. Se a intenção era "contaminar" o programa com a fama do brother, a falta de jeito na hora de lidar com a coisa é tamanha, que é o brother quem se contamina com a obscuridade do programa. Só espero que Dilma, que entrou no estúdio inteligente, não tenha saído com alguma sequela devido ao nível intelectual do meio circundante.
Sexta-feira, 06 de Agosto de 2010, às 00:14:28
Vagner (al.frede.newman@hotmail.com) comentou este texto:
parabéns pela sábia observação.Permita-me fazer uma:leia-de Ted Kaput e Daltro Cavalheiro.Ambos da Rede Brasil,ou TVCRISTAL,ou TV Urbana,ou TV João Kleber.
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Segunda-feira, 17 de Maio de 2010, às 13:04:07
O que ela vai ser quando crescer? Rata de porão, rata de porão...
Um post, que eu escrevi aqui no Blog, tratando da greve geral realizada pela categoria dos fãs do Studio Pampa (e que compreensivelmente teve a adesão de apenas 50% da categoria, ou seja, uma pessoa – a outra é a mãe da Cris Barth), recebeu um comentário do Wellington, o criador do hilário
blog Studio Pampa Oficial. É uma honra! E ele ainda fez questão de divulgar isso aqui no Orkut. Como todos deveriam saber, não tenho perfil no Orkut, por isso, conto com a solidariedade alheia para fazer propaganda por lá.
Aliás, atualizando minhas informações Studio-Pampísticas, informo a todos que instalei uma antena externa superlegal (e barata, até), que eu comprei no Big. Parece um pouco com uma daquelas naver X-Fighter, e me permite ver, com boa qualidade, até mesmo o canal 55 (TV Cristal/Urbana/Turfe/Ted Caputty/Alegria Alegria). E isso, em Águas Claras, que está longe da área de boa recepção deste obscuro canalzinho UHF porto-alegrense.
O fato é que eu agora pego o canal 4 (Pampa) com imagem e som dignos de uma TV a cabo. Como diria a música do Wander, "não sei se é bom ou se é pior".
Aliás, falar em Wander Wildner, hoje à noite tem um show dele no Ocidente. Não poderei ir, mas bem que gostaria. Ele tocará sucessos de sua carreira solo, algumas pérolas dos Replicantes, e umas coisas novas. Eu preciso comprar o DVD do Wildner. Esse cara morou a três quadras da casa da minha mãe, e eu nunca assisti a um show dele ao vivo, fato que compõe uma das maiores frustrações da minha vida musical/cultural/punkística. Wander Wildner é o cara, pena que não tem a fama de um Herbert Viana. Pelo menos, ele não apareceu ainda no Studio Pampa.
Sexta-feira, 06 de Agosto de 2010, às 00:09:09
Vagner (al.frede.nweman@hotmail.com) comentou este texto:
obs: ted caputty leia -se ted kaput,o por que da mudança?Só perguntando ao seu antecessor daltro cavalheiro.
Quarta-feira, 19 de Maio de 2010, às 11:37:52
wellington (we.frankejunior@gmail.com) comentou este texto:
http://www.youtube.com/watch?v=-0UA6tlVqls
video gravado pelo Romantico, é o mesmo que havia decretado estar de "greve" com a Rede Bomba de comunicação.
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Sexta-feira, 14 de Maio de 2010, às 11:00:04
Santo código, Batman! Vocês sabiam que a Igreja Católica tem mais de 5 mil santos? Quando eu descobri isso, já pensei em me candidatar. Como todo santo ou profeta, eu não faço milagres na minha própria cidade.
Não sei se isso vai me garantir a entrada para a Academia Brasileira de Letras – na verdade, seguramente não vai – mas eu estou em tratativas com uma importante editora de livros sobre assuntos técnicos, muito conceituada no mercado neste ramo.
A negociação é para eu escrever livros que eles publicarão. Ainda não entramos em detalhes. Os assuntos prováveis são as duas paixões nerds da minha vida atualmente: PHP e SQL. Ainda nem mencionamos valores, mas o que me empolga nisso tudo, muito mais do que qualquer vil metal, é a perspectiva de ser lido por milhares de jovens que buscam um futuro melhor na educação profissionalizante. Eu nunca escondi que, apesar de ser jornalista, eletricitário, político e meio artista, eu quero ser lembrado como professor. Por mais que pareça campanha do Cristovão Buarque, a mais importante e nobre das heranças que se pode deixar é a educação.
Eu estou empolgadíssimo. Minha auto-estima "professorística" andava meio em baixa depois que eu deixei meu CV nas escolas profissionalizantes aqui de Viamão sem receber retorno (sim, eu só pedi emprego em Viamão, porque não estou com saco de viajar para dar aula). Mas é isso aí: santo de casa não faz milagre.
Ah, tem mais uma novidade, neste mesmo ritmo: eu vou participar do jornal O Eco, e tembém vou fazer uma pontinha no Diário. Tudo isso, só depois de um ano e meio editando o jornal Esperança, que fica a duas horas de viagem de casa.
Quarta-feira, 12 de Maio de 2010, às 12:19:15
A tradição nada mais é do que a recriação estilizada de um momento qualquer do passado, escolhido arbitrariamente. Embora nós, gaúchos, estejamos já educados a reconhecer estas figuras aí como expressões do "verdadeiro gaúcho", na prática nada impede que se pudesse construir um movimento tradicionalista semelhante, por exemplo, em cima da imagem dos gaúchos urbanos dos anos 1920, ou dos índios pré-coloniais.
Existe uma discussão, hoje em dia pouco comentada mas sempre latente, sobre as regras de convivência dentro dos CTGs – trata-se, na verdade, de uma série de debates e querelas (judiciais, consensuais ou simplesmente ideológicas) que acontecem e afetam a todos os que são ligados, ou gostariam de ser, ao Movimento Tradicionalista Gaúcho.
Umas dessas questões me chamou a atenção outro dia, porque foi trazida à tona numa conversa com amigos no Tropeiros do Morro Grande: o uso de brincos por homens e a entrada de casais gays dentro dos ambientes dos CTGs.
A maioria das pessoas discute este assunto no campo da moralidade:
De um lado, um bando de carolas e preconceituosos que acha uma afronta que esse tipo de "aberração" possa vir a "contaminar" um ambiente familiar, cheio de crianças e velhos, como o do CTG. Esse tipo de posicionamento é até uma vergonha, porque apenas reafirma a imagem jocosa que se faz dos gaúchos nos programas humorísticos: a de um sujeito sexualmente inseguro, que reafirma sua "macheza" a todo momento, fala grosso, escarra e não quer ver nenhuma alusão ao homossexualismo por perto, mas que no fundo tem medo é de não resistir e sair do armário.
De outro lado, temos as entidades pró-gays, que andam em alta nestes tempos modernos – porque agora, ser contra o homossexualismo é um crime passível de prisão, ou seja, quem não gosta da coisa não tem o direito de se expressar. Na prática, saímos de um tipo de preconceito e estamos entrando em outro.
Só que, na minha visão, o debate não deve dar-se nessa esfera moral, e não cabe aqui discutir se o MTG é preconceituoso ou não, ou se os direitos civis dos gays devem ou não valer dentro do CTG. Não. Nada disso. O que se deve discutir, aqui, é a questão central: o que é, afinal de contas, essa tal tradição que o MTG cultua?
Sim. Porque não dá para dizer que o código de vestimentas e condutas do MTG faz uma preservação do "verdadeiro gaúcho", sem antes discutir O QUE É O VERDADEIRO GAÚCHO? Se estivermos falando dos habitantes originais do Rio Grande do Sul, então, o pessoal do CTG teria que andar pelado, como os índios. Ou o verdadeiro gaúcho é o rio-grandense de hoje em dia, e vamos todos então vestir jeans e camiseta? Ou será que estamos falando dos bandeirantes paulistas, dos imigrantes açorianos, dos imigrantes italianos? Quem são os "gaúchos originais" nessa história? Os castelhanos? Os jesuítas? Quem chegou primeiro?
Eu sou muito novo nessa história de "tradição gaúcha", e talvez por isso eu sinta um certo estranhamento diante de alguns aspectos dessa massa cultural que a gente vê no CTG. Por exemplo, eu demorei para me acomodar com a idéia de que, nas danças (eu estou fazendo um cursinho para aprendê-las), a mulher é quem se mexe e faz os passos mais trabalhosos, enquanto o homem basicamente bate os pés e caminha. Na verdade, o gestual das danças tem muito a ver com uma certa estrutura hierárquica implícita, que coloca a prenda como subalterna do homem, o que para mim é absolutamente esquisito (eu tenho uma formação igualitária e democrática desde o berço, e a minha mente tem muita dificuldade até na hora de encenar esse gestual criado com uma lógica, digamos, "patriarcal").
O que me parece é que a tal de "tradição gaúcha" é, na verdade, um recorte, um instantâneo da vida do gaúcho, de suas roupas, seus valores e práticas, como uma fotografia tirada em um determinado momento do processo de evolução do Estado. Como se alguém tivesse decidido o seguinte: "Bom, então, nós vamos fixar nosso estereótipo tradicional, para fins de representação folclórica, batendo uma fotografia da vida de um gaúcho habitante do meio rural do ano de 1880". E daí, PÁ! Pega-se aquele gaúcho, naquele momento histórico muito específico, e se define ele como "modelo" do que seria um "verdadeiro gaúcho".
Não que, na prática, os nossos "magrinhos" da noite da Lima e Silva sejam menos "verdadeiros gaúchos" do que aquele peão do século XIX. Inclusive, nada impede que daqui a uns 100 anos, a "gurizada da Lima" se transforme também em uma imagem folclórica, em uma "tradição".
Mas o fato é que essa entidade, este movimento, o MTG, os CTGs, essa gente que anda pilchada, escolheu como modelo para o seu "verdadeiro tradicional" um gaúcho estereotípico do meio rural da segunda metade do século XIX. Embora, na própria época em que este gaúcho viveu, houvessem gaúchos urbanos e até homossexuais.
Se nós vamos entender o tradicionalismo como o recorte de um momento qualquer da História, e se o ato de "viver a tradição" significa encenar toda a vida daqueles tempos (usando roupas de época, e construindo os CTGs em madeira, com móveis rústicos, como eram os do século XIX), então podemos concluir que, como parte desta representação teatral de um ponto do passado, estão os valores que imperavam na sociedade daquela época. Daí o fato de eu não me chocar com o caráter patriarcal e fortemente machista do discurso, do gestual e dos valores embutidos no tradicionalismo gaúcho. E se formos por esta lógica, sim, casais homossexuais não devem ser bem aceitos dentro do CTG. Se o local vai cultuar os valores de outra época, e se naquela época certas práticas e opções não eram bem aceitas, aceitá-las torna a reprodução dos "tempos de antigamente" diferente do que aqueles tempos foram.
É exatamente a mesma coisa que aconteceria caso alguém montasse um Centro de Tradições do Comunismo, para matar a saudade de antigos moradores da União Soviética e dos países-satélites. Uma pessoa com idéias anti-comunistas, que fosse até uma festa do tal CTC, e resolvesse subir numa mesa para discursar, poderia muito bem ser expulsa do local – porque aquilo ali é uma recriação teatral, estereotípica, de um mundo que não existe mais (no caso, o Leste Europeu socialista). E todos sabem que no Leste Europeu socialista, os dissidentes não eram tolerados. Se o CTC tolerasse dissidentes, não estaria recriando com exatidão o ambiente do mundo socialista, e aí, perderia sua razão de ser.
O problema é que uma boa parte dos tradicionalistas que eu conheço não enxerga o CTG como um ambiente de recriação de um momento arbitrariamente escolhido do passado. Essas pessoas pensam que existe um conceito absoluto de "verdadeiro gaúcho", e levam sua luta pelo retorno dos valores de antigamente para fora das paredes do Centro de Tradições Gaúchas. Aí, já não é uma questão de recriar o passado – é tentar jogar seus valores atrasados e preconceituosos em cima do mundo do século XXI. Já vira caso de polícia, e eu nem vou me dar ao trabalho de comentar.
Quarta-feira, 12 de Maio de 2010, às 23:22:17
Ah, só para constar, Claudir: eu não modelo minhas teorias e idéias conforme pequenas conveniências pessoais. Eu as modelo conforme uma lógica que para mim parece natural. Quem modela as idéias de acordo com as conveniências próprias são alguns politiquinhos que a gente vê todo dia no noticiário.
Quarta-feira, 12 de Maio de 2010, às 23:18:28
Claudir, acho que tu não chegaste a ler o post antes de responder, por isso te dou outra chance: lê lá e depois opina.
Quarta-feira, 12 de Maio de 2010, às 19:35:51
claudir (claudir.frozza@gmail.com) comentou este texto:
Esta com medo de ser barrado em algum CTG, devido a tua preferência sexual?
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Domingo, 09 de Maio de 2010, às 11:06:08
Ao lado do Quarta-Feira (jornal que abalou o cenário viamonense nos anos 1990), o A Cidade foi uma das experiências que caiu como um meteoro na pacata imprensa local, na era pré-Diário.
Pessoal, pode parecer nostalgia ou auto-promoção, mas eu resolvi colocar no ar um site que eu montei há algum tempo atrás, chamado "Memorial Jornal A Cidade".
Para quem não sabe, ou não lembra, eu fundei um jornal em Viamão, no fim de 2004, e este jornal já nasceu como o mais irreverente, polêmico e sensacionalista da cidade.
O projeto gráfico do jornal era diferente de todos os outros da cidade (e alguns aspectos eram realmente inéditos em toda a imprensa conhecida). A abordagem era escrachada, sem meias-palavras, sem amenizações. E as soluções encontradas na hora de dar destaques eram também sempre criativas, surpreendendo a um público acostumado a jornais interioranos mais convencionais. Quando alguém dizia uma frase que merecesse destaque, nós colocávamos a foto da pessoa e fazíamos um balão ao estilo das histórias em quadrinhos. Procurávamos sempre fotografar aquilo que fosse mais estranho, engraçado ou bizarro, para aumentar ainda mais o impacto das matérias. Dificilmente, optávamos por colocar fotos "normais", daquelas em que os protagonistas ficam posando diante de alguma coisa.
Inicialmente, parece um projeto pessoal meu, mas é óbvio que eu não conseguiria fazer tudo aquilo sozinho. Com o tempo, juntaram-se ao projeto estudantes de jornalismo, artistas locais, figuraças inusitadas e conhecidas na comarca, e até celebridades de calibre estadual. Então, passou a ser uma construção coletiva, irreverente, imprevisível, que a cada edição quase falhava, mas no fim saía, de maneira inexplicável, estabanada, emocionante.
O jornal marcou sua época pelo estilo polêmico, pela propensão a colocar dedos nas feridas da cidade. E é evidente que recebemos ameaças, chegaram a querer nos expulsar da Câmara Municipal.
Também havia o divertido e controverso lado do sensacionalismo. Eu gostava muito de correr até os locais e bater as fotos mais bombástica possíveis. Teve até uma capa na qual noticiamos uma tentativa de assalto a uma casa de jogos, e eu estampei na capa a foto de um segurança do estabelecimento, caído no chão, empapado de sangue.
Eu lembro de ter reencontrado, muito tempo depois do fim do jornal, o deputado federal Geraldinho (PSOL), e ele ainda me comentar uma capa na qual fiz uma espécie de charge: o prefeito da cidade, como se fosse uma base do jogo "War", sendo atacado de um lado por uns 8 ou 9 vereadores a bordo de tanques de combate, e de outro, pelos quatro membros da diretoria do Sindicato dos Municipários, a bordo de aviões da Primeira Guerra Mundial. A matéria à qual esta ilustração aludia falava da perda de apoios do governo, que ameaçava amarrar as mãos do Executivo.
Também existem muitos outros casos de vereadores, lojistas, e pessoas comuns que, me reencontrando em algum lugar anos depois do fim do jornal, fazem alusão a alguma capa ou matéria que, para aquela pessoa, foi marcante. E é isso o que mais me recompensa nessa história deter feito um jornal que, no fim das contas, acabou falindo e me deixando amontoado de dívidas: a impressão nítida de que, para muita gente, aquelas matérias no estilo "pedrada" e as capas cheias de charges e montagens debochadas tornaram-se inesquecíveis.
Não sei se o jornal teria continuado a ser tão bombástico se tivesse sobrevivido além do primeiro ano. Acho que a grande graça dele estava em justamente ser um projeto atrapalhado, improvisado, experimental, capitaneado por um estudante inexperiente e apoiado por um grande número de mentes brilhantes, porém descoordenadas e impulsivas. Talvez o jornal, durando alguns anos, acabasse por se institucionalizar, e ficasse chato. Não sei. Quis o destino que não durasse.
Para conferir o site, ainda em obras, é só ir até lá
clicando aqui.
Segunda-feira, 26 de Abril de 2010, às 20:45:56
Notem na última foto que a imagem da TV é uma porcaria. Apesar de estarmos em um grande hospital da Capital, não tem Sky, nem Net nem nada. A antena é daquelas vagabundas, que a gente compra em qualquer camelô. E a imagem não foi editada: o banheiro é um só, e unissex.
Hoje a Fabiana precisou voltar ao hospital, porque a costura da cirurgia dela sangrou um pouco e um dos pontos começou a querer abrir. Fomos lá, e o "passeio" não deveria durar nem duas horas, se estivéssemos, por exemplo, indo para a PUC. Mas a cirurgia dela foi feita no HED, então tínhamos que fazer todo o atendimento por lá.
Pessoal, vocês não fazem idéia do que é aquilo. Dezenas de pessoas aglomeradas em um espaço que não foi projetado nem para um terço daquela multidão. Um balcão com três coitadas tentando dar conta de tudo. Cadeiras insuficientes. E sem janelas, ainda por cima, o que é um prato cheio para a propagação de todas as pestes contagiosas pelo ar que se possa imaginar.
Essa parte sobre as janelas pode parecer exagerada, mas eu estou falando a mais pura verdade: o ar lá dentro não apenas tinha cheiro e temperatura diferentes do ar da rua, como também parecia ser massa e volume, porque era quase sólido, de tão carregado.
Para não dizer que o hospital não fez nenhum esforço para amenizar o bafão, vou fazer uma ressalva: dois aparelhos de ar condicionado do tempo do Ariri Pistola estavam ligados na função "ventilar", largando uma leve brisa que só fazia alguma diferença para a primeira fileira de pessoas mais próximas a eles. Dei uma volta pelo lado de fora e pude constatar que as grades dos tais aparelhos tinham cores variadas, do preto-encrustado ao cinza-empoeirado, passando pelo marrom-encardido.
Ah, detalhe: eu não estou falando da emergência do SUS. A Fabiana é, claro, minha dependente no plano de saúde. Imagino que no SUS eles estivessem encaminhado as pessoas direto para a funerária. No nosso caso, saímos vivos de lá (ou quase isso), quase quatro horas depois de entrarmos.
O Hospital Ernesto Dornelles está em reformas e logo será inaugurada uma nova área para a emergência, então, dá para perdoar a precariedade das cadeiras, do prédio e de toda a estrutura da Emergência atual. O que não dá para perdoar é um ambiente hospitalar lotado e sem ventilação, em um país que está correndo contra o tempo para evitar uma epidemia de gripe H1N1. Simplesmente horrível.
Quarta-feira, 14 de Abril de 2010, às 11:41:28
Eu e o Soldati, essa figuraça do rádio que não gostou do que leu aqui. Mas eu não escrevo para ninguém gostar. Escrevo para as pessoas pensarem.
Ontem encontrei meu amigo Paulo Soldati, e descobri que ele ficou muito triste com as coisas que escrevi sobre o Jornal O Eco, daqui de Viamão. Especialmente com o que escrevi sobre a coluna dele.
Claro que eu dediquei algum tempo a explicar a lógica que subjaz por trás daquilo que eu escrevo: eu havia dito, aqui no blog, que prefiro ele como radialista do que como colunista de imprensa escrita. Não porque ele seja um mau colunista, e sim porque ele é um ótimo radialista. Mesmo que eu pudesse classificar a coluna dele como ótima, a atuação dele no rádio seria o que? Super ótima? E eu ainda assim iria gostar mais dele falando do que escrevendo.
Agora, só espero que a coluna do Soldati volte ao jornal logo. Eu não tenho talento para o rádio. Pelo menos, nunca fiz uma atuação marcante em rádio alguma, ao contrário dessa figuraça. Ele escreve sobre esporte, sobre coisas que eu normalmente não trato. Pena que esse tipo de profissional, apesar de todo o talento, acaba ficando conhecido apenas de uma pequena parcela do público, em parte porque as pessoas não lêem jornal e não ouvem rádio como antigamente, e em parte porque Viamão infelizmente tem uma vida cultural praticamente nula.
Mas eu ainda tenho uma reclamação a fazer sobre o trabalho desse Soldati: a Rádio Alternativa FM é comunitária, tem pouco alcance e não pega em Águas Claras. Aliás, em Viamão não temos nenhuma rádio que pegue em toda a cidade, porque ninguém aqui consegue uma licença para rádio comercial de grande alcance. Quem ganha com isso? Ou, como diria o Brizola, "quais são os interÉÉÉsses envolvidos?"
Quinta-feira, 15 de Abril de 2010, às 14:04:55
Legal. O Soldadi é mesmo uma boa pessoa. Lembro bem dele na campanha do Sarico. Sempre pronto para ajudar e mesmo colocar a sua rádio a disposição dos justos. Pena que ele não escolhe bem as suas companhias,pois se o fizesse, certamente não estaria ao lado deste agitador do Pasquim de Vespasiano, que sendo meio louco, as vezes acerta n o alvo de nada. Bem. Mas isto ainda é para outra hora. Fábio. Por favor para um pouco de puxar o saco destes caras da direita té. O PP não é a nossa praia. Te cuida guri e vê se dá uma ligada.Gattino
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Quinta-feira, 01 de Abril de 2010, às 12:15:29
O carburador faz uma mistura de combustível com ar, formando uma espécie de nuvem inflamável, que é o que de fato explode dentro dos cilindros. Se não fosse assim, um motor 1.0 gastaria um litro de gasolina a cada volta do motor, e não poderia funcionar porque a explosão é fogo, e o fogo depende não apenas de combustível, mas de oxigênio.
Encontrar uma boa oficina mecânica é uma coisa meio complicada. Eu, na verdade, tenho a seguinte concepção: nenhum mecânico é mestre em todas as áreas do seu ramo de atuação, então ele faz bem uma coisa e ataca mais ou menos nas outras. Ou então, não ataca fora da sua especialidade, e contrata uns auxiliares ou sócios para cuidar delas, o que nem sempre dá certo, porque é complicado achar bons profissionais no mercado.
Como conseqüência, normalmente existem numa cidade ou região várias oficinas, mas cada uma delas só é boa para cuidar de um aspecto do carro. Eu sempre desconfio de mecânicos generalistas, do tipo que faz elétrica, suspensão, mecânica, ar condicionado e pintura.
Geralmente, mecânicos gerais são pessoas que diagnosticam o defeito que o carro tem, e trocam a peça defeituosa, ou a encaminham a alguma casa especializada naquela parte do carro.
Mesmo quando temos consciência da impossibilidade de achar um mecânico que faça TUDO da maneira ideal, ainda assim existe a dificuldade de achar um estabelecimento que não apenas diga-se especializado numa coisa, mas que realmente saiba fazer bem aquela coisa. Por isso, eu pretendo trazer aqui no blog sempre a indicação de todos os lugares que eu considerar como bons, em alguma área da arte de manter carros.
Hoje, estou trazendo aqui minha experiência com a Carburadores Viaduto, empresa especializada em carburação, que fica bem no viaduto da RS 118 e a RS 020, em Gravataí. Para quem não conhece bem o local, é assim: indo pela 118 (estrada que começa em Viamão e acaba em Sapucaia do Sul), há um ponto dela que passa sobre a RS 020 (a estrada que vai até Taquara). Quem vai pela 118, saindo de Viamão, deve entrar à direita. Quem vai no sentido contrário, claro, vai ter que descer e passar por baixo do viaduto. Já quem vem de Porto Alegre, pegando a RS 020 em direção a Taquara, o primeiro imóvel após o viaduto é a oficina.
Eles pegaram o meu Fiat Premio, que estava com o carburador virado num verdadeiro lixo, com o segundo estágio preso, vazando gasolina, gastando um caminhão de combustível e recusando-se a fazer ultrapassagens. Deixei ele lá anteontem cedo, antes de o sol nascer, e voltei para Viamão de ônibus para trabalhar. Ontem ele ficou pronto. Tudo junto, saiu R$ 150,00. E ficou absolutamente perfeito. Perfeito. Não dá nem para acreditar que é o mesmo carro. Com o motor frio, dá para chutar o acelerador, que o marcador de RPM responde na mesma hora, e ouve-se então um ronco uniforme, sem tossidas, algo que só um fanático por carros pode ter a noção do quanto é lindo. É música. No meu caso, música clássica.
Mas não foi só a qualidade do serviço que me agradou. Foi a seriedade da oficina ao tratar o carro.
Sabe aquelas oficinas nas quais a gente deixa o carro, e ele volta com um macaco diferente do dele, ou com coisas faltando na caixa de ferramentas? Ou nem vamos tão longe, sabe quando a gente deixa um carro na oficina, e ele volta com o rádio sintonizado em uma estação que a gente não conhece? Eu costumo pegar meu carro nos lugares, e encontrar o CD fora do aparelho, atirado em cima do painel, perigando arranhar.
Pois eu peguei meu Premio na Viaduto Carburadores e o encontrei igualzinho como estava na hora em que o deixei lá. A não ser, claro, o ronco do motor, e o fato de que o carro agora voa e não gasta quase nada de gasolina. Mas os estofados estavam limpos, meus badulaques que eu havia deixado no banco de trás estavam todos lá, o porta-malas e o porta-luvas não haviam sido sequer abertos (eu sei porque lembro como estavam as coisas neles, antes).
Quando eu apareci para pegar o carro, o rapaz me disse que havia acabado de testá-lo, andando nas ruas próximas. Normalmente, quando dizem isso, é balela, e o carro foi testado apenas dentro da oficina, por alguns minutos, sem nem esquentar o motor. Mas quando eu fui até o meu Premio, ele estava com o motor quente. Ou seja, foi realmente testado.
Então, para quem precisa de uma boa empresa que faça serviços em carburadores, eu recomendo sem reserva nenhuma a Carburadores Viaduto. Os caras são realmente muito bons e muito profissionais.
Telefones de lá:
(51) 84577101
(51) 98480402
(51) 34885324
Quinta-feira, 25 de Março de 2010, às 16:46:38
Dependendo do tombo que se toma na vida, não importa o quão alto a pessoa chegue depois, ao se levantar, porque a fé não tem mais lugar na vida da pessoa.
Esse participante do BBB 10, o Marcelo Dourado, já comeu o pão que o diabo amassou – foi para a Nova Zelândia, onde passou necessidade. Voltou para o Brasil, onde passou dificuldades. O cara tem uma biografia bem recheada de momentos difíceis e, não fosse ele ter voltado nesta edição do Big Brother, seu destino seria dar aulas em academias ganhando no dia o que comer à noite.
Eu simpatizo com ele, e é com grande alívio que declaro a vocês minha total certeza de que, se ele não fizer nenhuma burrice, está com a vida feita. Esse cara ficou tão conhecido, famoso e falado durante sua atuação na 10ª edição do reality show, que será depois NO MÍNIMO comentarista em algum programa de esportes, que transmita lutas (como existem na SporTV, na Band, etc.). Mesmo que volte ao circuito das academias, ele vai com certeza poder cobrar salários melhores.
É tão bom quando eu vejo alguém que está ferrado sair do sufoco e garantir uma vida confortável. Sou solidário com pessoas que fazem alguma merda na vida, quase se ferram de vez e dão a volta por cima. Além disso, ele tem aquela tatuagem que diz "Sem Fé", e cujo significado eu entendo muito bem. Mesmo quando a vida dá uma volta e a gente fica numa boa, não dá para esquecer que houveram momentos difíceis e que, neles, não caiu nenhum maná dos céus. às vezes, não adianta nada as coisas melhorarem: dependendo do tombo, não importa o quão alto a pessoa possa se levantar depois, a fé nunca volta.
Quarta-feira, 24 de Março de 2010, às 20:22:24
Veja nesta imagem uma narração, digamos, mais visual da minha epopéia em busca de uma das cada vez mais raras vagas de estacionamento no Centro de Viamão. Só temos mesmo que louvar mais esta conquista da Administração (anti)Popular do Alex.
Antes de mais nada, quero agradecer pelo esforço de divulgação que diversos amigos viamonenses têm feito por mim, repassando as matérias do blog a outras pessoas. Aliás, eu resolvi aprofundar minhas constatações sobre o trânsito de Viamão, em grande parte, por incentivo do professor Alex, ali da Objetus Informática.
Bem, vamos em que interessa. Hoje, pude comprovar o quão insólito ficou o sistema das ruas do Centro de Viamão depois que o prefeito Alex, do alto de toda sua falta de bom senso, montou uma verdadeira arapuca viária por ali.
O caso é bem simples, e bem ilustrativo. Eu precisei levar minha esposa Fabiana até o Hospital de Viamão e para isso, vindo de Águas Claras pela RS 040, entrei na avenida principal da cidade e, dela, na rua do hospital. Larguei a mulher na porta e fui procurar uma vaga para estacionar.
Andando alguns metros, cheguei ao cruzamento entre a rua do hospital e a Avenida Bento Gonçalves. E vi, diante dos meus olhos, uma vaga. Eu estava a quinze metros dela, e poderia apenas cruzar a avenida (não tinha nenhum carro passando), e botar o carro ali. Mas havia um problema: os cocorutos que a prefeitura teima em manter no meio da via, separando as duas pistas dela, que seguem exatamente para o mesmo lado.
Claro que eu poderia passar por cima dos cocorutos com o meu Power Cyber Hyper Fiat Premio. Mas resolvi seguir a lei, só para ver no que ia dar. Claro que deu meleca.
Sem outra alternativa, tive que virar à esquerda e entrar na Bento. Na outra esquina (em frente à CEEE), virei à esquerda e subi a Rua Francisco Carvalho da Cunha. Andei até a outra esquina e dobrei novamente à esquerda, pegando a avenida principal e passando bem em frente à Objetus.
Andei uma quadra, passei em frente à rua do Hospital (se eu dobrasse ali, daria a volta na quadra, mas isso não faria sentido). Então segui reto mais uma quadra. E topei com a rua ao lado do Banrisul, que não pude descer, porque agora ela só sobe. Então segui reto.
Dobrei à esquerda na esquina da praça da Prefeitura (em frente à Feira Paulista e à emblemática super-caixa d’água da Corsan). Desci até a frente da antiga sede do PTB e, ali, fui obrigado a dobrar à direita, costeando a Praça Julho de Castilhos e passando entre a Galeria das Américas e a Prefeitura (dentro da qual, com certeza, os o secretário de Transportes deve estar até agora rindo da nossa cara). Passei em frente ao antigo escritório do Rospide, e dobrei à esquerda na outra esquina, aquela no canto da Praça da Matriz.
Depois de fazer a curva, tomei o caminho inevitável: dobrei mais uma vez à esquerda, na esquina que fica bem na frente da garagem da Empresa de Transporte Coletivo Viamão (e aliás, fui fechado por um ônibus que freou em frente ao portão). Com essa virada, ingressei novamente na Avenida Bento Gonçalves, realizando uma manobra arriscada porque, afinal de contas, tínhamos um enorme coletivo articulado (minhocão) atravessado na via, e uma leva de carros vindo sem parar, dos lados do Posto do Guido - porque, claro, não colocaram uma sinaleira ali.
Uma vez na Bento Gonçalves, segui reto percorrendo quatro quadras. Passei na frente da fatídica esquina de onde havia partido. E avançando TRÊS METROS a partir dessa mesma esquina, estacionei o carro.
Eu não quero parecer pretensioso, mas tive a impressão de ouvir palmas e gritos de "bravo!" depois de sair do carro.
Terça-feira, 23 de Março de 2010, às 19:35:27
Saiu hoje, mas eu já sabia. No entanto, é exatamente o futuro, ou seja, NO QUE ISSO VAI DAR, que devemos focar nossos olhos. Porque esse pequeno gesto de uma entidade profissional pode ser o início do ataque ao rápido processo de favelização de Viamão.
O CREA (Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia) do RS e a SAEV (Associação dos Arquitetos e Engenheiros de Viamão) vão alugar um imóvel aqui pela cidade e instalar uma inspetoria. A notícia saiu hoje no Diário de Viamão mas, claro, eu já sabia desde o domingo – porque a minha amiga Jaine, arquiteta e membro da SAEV, já havia me contado tudo. Quá quá quá!
Bom. Mas e daí? Daí, que uma das funções dessas entidades é fiscalizar o trabalho dos profissionais dessas áreas ligadas a coisas como construções, loteamentos, condomínios, etc. Se tem a ver com construção e mercado imobiliário, é com eles.
A princípio, a instalação de um escritório CREA/SAEV parece ser apenas mais uma novidade para quem atua nessa área, mas na verdade esses caras vão entrar de cabeça em uma questão que é o verdadeiro tabu da cidade de Viamão: a regularização de imóveis e a ocupação do território por vias informais (e ilegais). Resumindo: a farra dos condomínios e loteamentos frios vai acabar.
Sim, porque Viamão vive hoje um verdadeiro faroeste sem (muitos) tiroteios. Qualquer um compra uma área de terra, "loteia" ela com estacas no chão, vende para um monte de gente sem fazer nenhum tipo de planejamento, sem medir impacto ambiental, sem destinar áreas ao lazer, sem nada disso. E as pessoas que compram simplesmente constroem desordenadamente, de qualquer maneira, acabando com a capacidade do solo de absorver a chuva, acabando com a biodiversidade. Acabando até com qualquer tipo de planejamento de espaços públicos, de ruas, de ocupação de qualquer zona da cidade. E aí, surgem as vilas infectas, mesmo que repletas de casas bonitas, com seus incontornáveis problemas de superpopulação, trânsito e querelas de vizinhos pela ocupação de lotes que, muitas vezes, ninguém deveria ocupar.
Se essa turma da SAEV tiver sucesso na empreitada, os loteamentos feitos "nas coxas", especialmente comuns na zona rural, terão que ser regularizados com escrituras e tudo mais. E a máfia dos loteadores profissionais vai sofrer uma enorme pressão.
Isso não afeta apenas aos moradores (que terão seus direitos adquiridos assegurados, não se assustem), mas a toda a cidade. Porque basicamente metade do povo viamonense não paga nenhum tipo de imposto para morar. E há ainda o problema da ocupação das beiras de arroios e terrenos perigosos. Essas são as razões, no fundo, de Viamão ser uma cidade tão suja e falida como é hoje em dia.
Esse ritmo de construção sem ordem, sem laudos, sem segurança, leva a inúmeras tragédias e, em última análise, à favelização do município.
Não sei se a SAEV e o CREA-RS vencerão essa briga. Eu mesmo estava gostando da bagunça reinante (eu comprei baratinho a minha casa, em um condomínio fechado, ótimo de morar, só que não tem escritura). Mas depois de dormir com o discurso da Jaine na cabeça e meditar um pouco, acabei concordando que é preciso mesmo acabar com essa farra na qual alguns enriquecem às custas da coletividade. Não dá para rir enquanto se está surfando numa tsunami que causa tanta desgraça a tanta gente.
Se a entidade realmente conseguir fazer aquilo que parece querer, Viamão pode finalmente se transformar em uma cidade civilizada, com uma ocupação ordenada e que não destrua completamente as únicas coisas que a cidade ainda tem de boas: a qualidade de vida e a natureza preservada.
No que eu puder, pretendo ajudar. Eu não sou arquiteto nem engenheiro, claro (embora já tenha dado cursos de AutoCAD para muitos engenheiros e arquitetos), mas creio que é papel de todos se envolver nessa pequena e interiorana, porém imprescindível, revolução.
Terça-feira, 23 de Março de 2010, às 22:02:29
Fábio a Lei Federal 6766/69 trata deste assunto. Se houver um Prefeito que não seja analfabeto e e nem desonesto, basta mandar seus fiscais verificarem e constatada irreularidade, deve o Prefeito enviar ofício ao Delgado de POlícia que irádeterminar a instaurção de IPO, ao cabodoqual, no judiciário serõa os patifes condenados. Eu mesmo em Igrejinha a pedido de um Prefeito digno, fiz enquanto na Polícia uma limpa e vários "empresários" foram condenados, incluindo~-se aí um advogado espertalhão.
Aqui emXangri-Láem2002 foi vendido um condomínio sem o devido registro, fechei meu escritório e levei o fatoao MP. Cincodeles conramcondenados emprocesso cirinal. Como podes ver, necessário um PREFEITO de verdade e honesto que tudo se resolve.
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Sexta-feira, 19 de Março de 2010, às 11:47:07
Desculpem, mais uma vez, pela precariedade da montagem. Eu estou novamente postando do serviço, e aqui, ao invés do meu amado Photoashop, só tenho Paintbrush. Mas as imagens falam por si mesmas.
Lá vou eu escrevendo sobre o programa que é, provavelmente, o mais mal planejado, vazio de conteúdo e fútil da televisão brasileira. E só não digo que é um dos mais tediosos e indigentes, porque nesta posição nós temos as produções da Rede Vida.
Para quem não é daqui: a Rede Pampa é uma retransmissora da programação da RedeTV! no Rio Grande do Sul, produzindo alguns programas locais, dentre eles o Studio Pampa. Esta atração consiste de um palco minúsculo e espalhafatoso, com uma parte elevada ao fundo, sobre a qual meia dúzia de boazudas ficam fazendo uma dancinha repetitiva. Na parte frontal do palco, mais algumas bonitonas apresentam fofocas, notícias, piadas, dicas sobre baladas e outras abobrinhas. No comando, as apresentadoras Cris Barth (formada em Jornalismo, e muito parecida com a boneca Barbie), Suellen Ribeiro (uma mulher com umas coxas enormes, bunduda e peituda, esposa do principal patrocinador do programa), e o ex-BBB Flávio Stefli (aquele nerd que não pegava ninguém no BBB9). O programa passa de segunda a quinta, tarde da noite, e também no sábado, lá pela meia noite e meia.
Bom. Pois bem. O programa é tão esdrúxulo que chega a ser
kitch. E tem fãs. É normal que os fãs de artistas e programas de TV queiram montar comunidades no Orkut, blogs e outros espaços na Internet homenageando seus ídolos.
Mas tem um sujeito chamado Fabiano Romântico Schedler, que montou um blog "oficial" do programa (no Blogspot), e o fórum "Universo Studio Pampa" no Ning. Como o S.P. não tem site oficial (para vocês verem o nível de indigência da coisa), os fãs do programa passaram a freqüentar esses espaços virtuais, que acabaram suprindo a falta de site.
Mas o tal Fabiano não é um cara normal. Ele é como aquela música da banda TNT: "nada que ele faz tem sentido/ ele é um cara loucão...". Para começar, ele descobriu que havia uma comunidade "oficial" do programa no Orkut, criada pelo
Léo Brandão, e ROUBOU a mesma. Mas essa não foi a pior. Um certo dia, o tal Fabiano foi até a emissora da Pampa e disse aos guardas que era funcionário da mesma, passando por eles e entrando no prédio "na boa".
Apesar de o sujeito parecer apenas um debochado qualquer, ele demonstrou desde o início o caráter doentio da sua obsessão pelas barbies da TV Pampa. Vejam bem: o Ning que ele criou tinha uma comunidade do tipo fã-clube para cada apresentadora, chacrete e ex-integrante do programa. Quase todos os debates eram iniciados e "tocados para a frente" por ele. Com um reduzido número de freqüentadores, o Ning no entanto tinha, todos os dias, novos textos e novas atividades rolando – mais da metade, postada pelo próprio criador da tralha. Ele, discutindo com ele mesmo, em uma frenética adoração pelas musas pampianas.
A complexidade e a intensa atividade das presenças "oficiais" do Studio Pampa na Internet (blog "oficial", comunidade "oficial", Ning "oficial", etc.) parecem ter consumido muito tempo e esforço do tal Fabiano, a ponto de fritar seus miolos. Tanto, que ele passou a confundir suas fantasias (sexuais) com a realidade e, num dado momento, começou a acreditar que REALMENTE fosse empregado da Rede Pampa.
O passo seguinte foi quando ele resolveu COBRAR da produção do Studio Pampa seus honorários de mantenedor dos sites "oficiais" do show.
Ora, mas se ninguém pediu para ele fazer NADA, e ele foi lá, e montou um fã-clube virtual do programa, por vontade própria e sem perguntar nada para ninguém da Pampa, como é que pode, do nada, aparecer por lá para COBRAR pelo serviço que ninguém contratou? Se for assim eu também já estou montando aqui um site do fã-clube do Eike Batista para poder cobrar 1% sobre os lucros dele!
Claro que a Pampa ignorou o maluquete. E aí, ele resolveu ENTRAR EM GREVE, tirando do ar o Ning (que quase não tinha freqüentadores), a comunidade no Orkut e o blog no Blogspot. A greve internética do Fabiano produziu, nas apresentadoras, o mesmo efeito que a criação dos sites já havia antes provocado: nenhuma.
É bem provável que elas, assim como a produção do programa e a administração da Rede Pampa, continuem a fazer, a respeito da greve e do Fabiano, o mesmo que vinham fazendo em relação à mania obsessiva do fã enquanto ele estava "de boa" com a emissora: ignorá-lo completamente.
Sexta-feira, 14 de Maio de 2010, às 18:41:49
http://studiopampaoficial.blogspot.com/2010/04/barth-sem-nocao.html
Detálhe temos uma formada em jornalismo que não exerce a profissão e pior ainda: diz ter trabalhado na TVAL sem que nenhum funcionario daqui saiba (eu trabalho na TV ALRS).
Abraços!
Sexta-feira, 14 de Maio de 2010, às 18:23:15
Hahahahahahahaha adorei o post, caramba que legal. To vendo pelo google analytcs e descobri teu blog, muito bom por sinal.
Valeu pelo texto (por sinal mais criativo que o meu, concordo!), valeu, parabéns! Continue acompanhando porque sempre tem uma piada para aquela birósca, pretendo divulgar na comunidade do Orkut.
Por sinal, apareça lá!
Amanhã já temos mais novidades, mais motivos para rir daquilo lá...
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Sexta-feira, 12 de Março de 2010, às 12:50:41
Vai arrumar um pátio para capinar, cara!
Hoje, li um
texto escrito pelo deputado estadual Miki Breier, falando mal do Dunga. De acordo com o deputado, o técnico da seleção criou uma nódoa em sua vida de esportista ao “ceder ao apelo capitalista”, aceitando fazer um comercial para uma marca de cerveja.
Ora bolas. Esse sujeito do PSB não deve ter mais o que fazer além de ficar inventando essas coisas. Onde já se viu, dizer que um esportista não deveria associar sua imagem com uma bebida alcoólica? Desde quando bebida e esporte são coisas antagônicas?
Se fosse uma propaganda de cigarros, aí tudo bem, o Miki poderia reclamar numa boa: o fumo afeta a capacidade respiratória da pessoa, e realmente não combina com uma vida dedicada ao esporte. Mas e bebida é algo bem diferente. Tanto, que a todo momento saem notícias/fofocas na TV falando de jogadores que fogem da concentração para ir a uma balada. Enchem a cara, fazem muita zoeira, e voltam para o hotel. Depois, vão lá e enchem nossos olhos com jogadas fabulosas.
Inclusive, para muita gente, bebida e esporte são coisas indissociáveis. Aqui no serviço, durante uma certa época, íamos todas as sextas-feiras para o Bar & Bola tomar cerveja e jogar futebol. Muita gente faz isso. O resultado são as jogadas mais divertidas que se possa imaginar.
Cerveja não é droga ilegal, e não tem o efeito maligno do cigarro no corpo do atleta. A menos, claro, que ele tente jogar estando bêbado ou de ressaca, mas aí já estamos falando sobre a burrice pura e simples. Bebidas alcoólicas são uma coisa normal para atletas e não-atletas.
O Dunga dá um mau exemplo para a juventude? Maus exemplos piores nos dão os políticos. O que é que tem de errado em um homem adulto tomando cerveja? Melhor que os jovens aprendam a tomar sua cervejinha socialmente, enquanto levam uma carreira de sucesso, do que aprender outros modelos de vida – por exemplo, o modelo daqueles que ganham altos salários pagos pelo povo para ficar procurando cabelo em ovo.
Com tanta gente passando dificuldade por aí, um político perder tempo atacando uma conduta normal de um atleta que já não precisa provar mais nada para ninguém, é um fato só explicável pela ausência de pautas importantes na AL. Para mim, o Miki ficou foi mordido porque não convidaram ele para ir lá vender cerveja e aparecer na TV.
Terça-feira, 02 de Março de 2010, às 23:21:51
Big Fone: "Você está no paredão! Aliás, quem está falando?"
Dourado: "É o Dourado!"
Big Fone: "Desculpe, foi engano."
Outra piadinha infame, rapidinha, juro que vou parar: Marcelo Dourado não usa relógio, ele decide que horas são.
Eu assisto ao BBB. Assisti a todas as edições. Acho a coisa mais imbecil do mundo, quando um intelectual fica dizendo que este programa é o símbolo da imbecilidade nacional, e coisa e tal. Jornalistas se acham sempre intelectuais, assim como os sociólogos. Eu sou jornalista e assisto ao BBB. Se eu tivesse a chance de fazer um programa de TV, ele não seguiria outro estilo, porque TV é audiência. TV é entretenimento. Quem quiser pensar de maneira profunda, que vá ler um livro. Ou então, este maravilhoso blog, cheio de pérolas tão filosóficas.
Eu vejo o BBB e torço pelo Marcelo Dourado. Não apenas porque ele é o novo Chuck Norris, mas porque o cara é um fodido. Ele tentou fazer carreira como lutador, disputou umas 7 ou 8 lutas, e só ganhou a primeira. Depois, só perdeu. Talvez ele não tivesse nascido para isso.
Corro o risco de ter o meu dia de Cris Barth, por “compartilhar” fofocas já vencidas, mas fiquei sabendo, extra-oficialmente, que esse Dourado, depois do BBB4, foi trabalhar no estrangeiro, e mal ganhava para comer. Se ferrou. Voltou, e foi tentar a vida nas academias de Porto Alegre, ensinando caratê, judô, essas coisas que ele sabe. Ou seja: ele é um cara que deve ter sonhado em ser um lutador famoso, mas se deu mal. Levou uma rasteira da vida. E ele é gaúcho. Como eu.
Agora mesmo, enquanto escrevo, está rolando um paredão e pode ser que o Dourado caia fora do jogo em menos de uma hora. Mas vamos ver. O fato é que ele já se transformou em uma figura famosa, pelo menos ao ponto de ser convidado para apresentar algum programa de Vale-Tudo em algum canal da TV a cabo. Bom para ele.
Se sobreviver ao paredão de hoje, PARA A FRENTE, DOURADO! ATÉ A VITÓRIA, SEMPRE!
Sábado, 27 de Fevereiro de 2010, às 19:36:53
Eis aí o software que o nosso prefeito usa para maquinar seus planos de dominação mundial.
Eu moro em Viamão, uma cidade com uns 250 mil habitantes, bem ao lado de Porto Alegre. É um município enorme, umas 8 vezes o tamanho da Capital, mas 80% do território é formado por áreas rurais. Um grande produtor de leite e arroz, que chega a liderar essas duas culturas no Estado em alguns anos. Também temos uma fábrica de cerveja da Ambev (aqui perto de casa), uma fábrica de pães da Bread´s e temos a Mumu, que fabrica... mumu, né. Viamão é muito conhecida na mídia da Capital pela criminalidade da área urbana, que serve bem ao seu papel de periferia pobre de Porto Alegre, com algumas vilas tenebrosas, sem estrutura, servindo de refúgio a traficantes e desmanches de carros. Tipo Alvorada, só que nós temos as praias de Itapuã, que são lindas, à beira da Lagoa dos Patos. Naturalmente, é mais fácil ir conhecer estas belezas de Viamão pegando o carro e indo por Porto Alegre, porque a estrada do Espigão, nosso acesso a Itapuã, é algo assim como um rali, só que mais radical.
Bom. Mas todos os outros aspectos da cidade são sumariamente ignorados pela mídia do resto do Estado, porque o nosso município, apesar do tamanho, é meio irrelevante. O programa Balanço Geral esteve aqui, entregando o Troféu Lata de Sardinha à Empresa de Transporte Coletivo Viamão. E a RBS TV veio à nossa Câmara Municipal, há algum tempo, para cobrir um ritual que periodicamente nossos políticos encenam: a troca de socos entre parlamentares.
Mas o que ninguém percebe é que nós somos a primeira cidade do mundo projetada, não por um arquiteto, mas pelo próprio prefeito, que não usa o AutoCAD, e sim, o SimCity, para inventar suas maluquices.
Vejam só: o prefeito Alex Boscaini é formado em História (se não me engano, só tem o diploma, porque nunca deu uma aula na vida. Nem poderia, acho eu, devido à modicidade de suas habilidades de orador). O secretário de Transportes é o pastor Nelson de Souza, do PTB – que, se não me falha a memória, não é engenheiro de transportes. Nem arquiteto. Nem motorista de ônibus.
Essa dupla dinâmica inaugurou recentemente um novo traçado de mãos e contramãos nas ruas do centro da cidade. Seria normal, se a comunidade estivesse tendo problemas com o traçado antigo. Seria normal, se eles tivessem impresso uns folders informativos dando as novas determinações. Seria normal, se as mudanças melhorassem o fluxo nas ruas do centro, e facilitassem o acesso às lojas do comércio local. Seria normal, se houvessem placas informando os novos sentidos das ruas. Seria normal, se tivesse sido feito por um governo de pessoas normais, em uma cidade normal. Mas estamos falando da Viamão do prefeito Alex, então tudo deve, necessariamente, ser o mais esquisito possível.
Para começar, todas as pistas da Av. Coronel Marcos de Andrade,a avenida principal, seguem no mesmo sentido. Mas a Prefeitura não tirou o canteiro do meio da avenida, que antes separava as pistas de sentidos contrários. E nem pretende tirar, porque aliás acaba de REFORMAR o canteiro. Então, se o sujeito está vindo pelas pistas “de fora”, e quiser entrar na rua ao lado do Banrisul, ele precisa “cortar” a pista ao lado, uma manobra muito perigosa e provavelmente proibida. Mas não tem problema: nunca há um policial no local, mesmo.
Aliás, não há opção: quando os carros passam pelo Texaquinho, as quatro pistas largas da Marcos de Andrade se transformam naquele pistão no qual só passam três carros, quase se raspando, e o sujeito tem que optar: ou corta alguém, ou é cortado. Ou joga o carro para dentro do posto de gasolina, e fica chorando de tristeza enquanto bate com a cabeça no voltante, perguntando "por quê, por quê?" Essa prática é naturalmente mais comum entre os eleitores do atual prefeito.
Depois, a Bento Gonçalves, a segunda mais importante avenida do Centro, agora só segue no sentido Tarumã-RS 040. Só que esqueceram de remover os obstáculos da pista, que separavam os antigos sentidos opostos na entrada da rua do Hospital. Então, o motorista que vai descendo a avenida pela pista da esquerda precisa reduzir cavalarmente a velocidade para passar pelo local sem bater, ou então, ser um piloto radical e se arriscar.
Muita gente ainda entra na rua do Hospital pela Bento porque, claro, não há uma placa chamativa no local dando conta das novidades. Outro dia, eu estava andando com o meu lindo Fiat Premio prateado pela pista da esquerda da Marcos de Andrade, quando um outro Premio, branco e todo ralado, fez a volta na rótula do Hospital (que não existe mais, mas as marcas da existência dela não foram removidas do asfalto), e pegou a rua no sentido contrário. Paramos um de frente para o outro, e tivemos uma rápida discussão sobre quem tinha razão. O outro motorista pediu desculpas, e eu acho que está tudo bem – afinal, nem todo mundo é tão antenado na vida da cidade como eu, e como não há placa nenhuma no local, os forasteiros precisariam ser adivinhos para não fazer essas barbeiragens.
Aliás, essa história de placas é que me deixa mais intrigado. Antes de as modificações terem efeito, não foi impresso material algum, não foram feitos cartazes explicativos. Nada. A Prefeitura timidamente afixou nos postes uns banners pequenos, de plástico branco, com o desenho de uma seta de “sentido proibido” e um aviso “a partir do dia tal”. O material era tão vagabundinho, e os banners tão discretos, mal desenhados e afixados de forma tão flouxa, que eu pensei até que se tratasse de alguma brincadeira, ou de alguma campanha publicitária dessas, metidas a moderninhas. A maioria das pessoas simplesmente ignorou estes banners.
Eu mesmo tenho um banner, com o endereço do meu site e a minha foto, que eu uso em eventos de maior porte, que chega a ser mais bem feito e chamativo do que esses da Prefeitura de Viamão.
O mais legal é que, como não colocaram placas em todos os lugares, não removeram os canteiros e tudo mais, as pessoas continuam se enganando, semanas depois das mudanças terem efeito. Mas ninguém é multado ou orientado, porque como sempre, não há fiscalização alguma nas ruas. Isso é que é legal em Viamão: nas livrarias, o Código de Trânsito fica na sessão de “Ficção”.
Ah, antes de prosseguir, uma nota aos não-viamonenses: o parágrafo anterior é uma Pegadinha do Mallandro. Nós não temos livrarias e nem bibliotecas em Viamão.
O mais engraçado disso tudo é que, se antes, era difícil achar um lugar para estacionar perto do comércio (aliás, os lojistas chegaram a fazer uma campanha de conscientização sobre isso, para ver se o governo tomava alguma providência), agora, além de continuar tão difícil quanto antes, se o sujeito milagrosamente vê uma vaga e precisa chegar até ela, ele fica preso num labirinto de mãos e contramãos, e pode ser obrigado a dar uma enorme volta para alcançar a tal vaga. Outro dia, eu comprei uma TV de 21 polegadas na Magazine Luisa, e achei mais fácil parar a duas quadras de distância – saí da loja com a TV nas costas.
A partir de agora, eu serei um cliente VIP do comércio viamonense. Porque, enquanto os outros não têm onde parar para fazer suas compras, eu sempre poderei deixar meu carro na empresa, que fica na área central. Quem diria que a minha vaga na agência um dia teria tanta importância para o comércio local!
Quando eu falo de novos traçados de rua, alguns leitores, que não conhecem Viamão, podem estar pensando (se iludindo) que a cidade passou por um profundo replanejamento e revitalização do Centro. Mas não: As ruas só mudaram de sentido, os buracos continuam no mesmíssimo lugar onde sempre estiveram. Inclusive algumas “obras públicas” como o “piscinão” em frente ao churrasquinho do paradão de ônibus.
Os únicos itens estruturais que foram realmente reformados, foram os canteiros da Marcos de Andrade (que deveriam ser removidos, mas ganharam lajotas novas), os pedregulhos do obstáculo na Bento (que também deveriam ter sumido, mas foram repintados). E as “tartarugas” da rótula do Hospital foram removidas e – VEJAM SÓ! – a Prefeitura removeu até mesmo os pinos que as prendiam ao chão. Eu achava que eles, como sempre, deixariam ali os ferros, cortando os pneus dos carros, mas pelo menos neste ponto o prefeito DEU UMA DENTRO!
Bem diferente da construção da Praça da Matriz, que obviamente serviu para dar um estacionamento de presente para um comerciante que sabidamente colabora com a campanha do PT, a mudança dos sentidos das ruas não beneficiou a ninguém.
Segunda-feira, 26 de Abril de 2010, às 23:02:45
paulo renato menezes (pmontanha@gmail.com) comentou este texto:
o povo de viamão merece os politicos que tem, ja é o terceiro mandato deste partido e o povo esta acreditando em mudanças. quando um partido fica muinto tempo no poder começa criar raiz e a cidade esta neste caos, buracos, ruas sem calçamento, transporte coletivo um pavor, a saude não existe, mas nãi se preocupem daqui 2 anos eles estaram prometendo tudo de novo.
Domingo, 28 de Fevereiro de 2010, às 15:24:15
Alexsandro Barbosa Costa comentou este texto:
Caramba! Viamão anoiteceu em um sentido e amanheceu em outro. No segundo dia de quebra quebra no transito de nossa cidade, me oefereci e me coloquei a disposição de certos envolvidos com esta epopéia de mãos acidentais. Minha idéia era justamente produzir um modelo de Folder com detalhes das mudanças, com traçado e mapas explicativos. Acha que alguém me respondeu? Se eles jogassem Sim City como eu jogo, nossaa cidade era destaque mensal na mídia (ahahaha)
Abração Fábio e muito boa esta coluna!
Sábado, 27 de Fevereiro de 2010, às 22:35:57
Silvio Monteiro comentou este texto:
Esta falando do game The Sims ou do Filme Cult "Sim City"? Pois Viamao esta ficando igual a "Sim City" graças ao enpenho do Alex!!!
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Quinta-feira, 11 de Fevereiro de 2010, às 19:20:11
O banco de todos os gaúchos. Já tive conta no Banco do Brasil, e nunca mais volto para ele.
Tem muita gente que não gosta do Banrisul. Dizem que as filas são longas, que o serviço é desleixado, e que o banco é ineficiente por ser do Estado. Detalhe: do nosso Estado, o Rio Grande do Sul.
Eu realmente nunca tive nada para dizer de banco algum, porque não os frequento. Mas agora estou comprando outro carro e precisei do banco para me liberar umas folhas de cheque. Isso mesmo: duas folhinhas de cheque. E nada mais.
Como eu não atualizo meu cadastro há muito (mas muito mesmo) tempo, tive problemas. De início, achei que as reclamações sobre o banco eram fundadas: fila longa, a duas pessoas consultadas que não conseguiram nem me esclarecer sobre o meu caso, e nem resolvê-lo. Eu devo ter ficado umas duas horas dentro da agência do Banrisul Viamão, dando voltas.
Até que, lá pelas tantas, me passaram uma tal de Lilian, gerente da minha conta (eu não a conhecia, nunca a vi). Muito atenciosa, coisa e tal, e acho que ela compreendeu que as minhas perguntas meio confusas não eram uma tentativa de confundí-la - eu não manjo nada do assunto, mesmo, e isso fica evidente sempre que vou lá. Mas ela conseguiu desatar o nó. Em dez minutos, ou menos, ela não apenas me liberou os tais cheques, como me explicou como funciona o sistema todo. Eu descobri que tenho mais possibilidades de crédito, e a juros mais atrativos, do que eu poderia imaginar anteriormente. Algo muito útil quando se é um ávido apaixonado por carros antigões, que exigem compras à vista, em dinheiro.
Bom. Tudo resolvido, percebi que boa parte das confusões dentro do Banrisul têm como origem a falta de clareza das explicações e perguntas do próprio cliente, ou a falta de documentos por parte deste. Uma vez que eu levei o que era preciso (desde o começo, aliás), e me encaminharam para a pessoa certa para cuidar da questão, o caso se resolveu de maneira bem simples.
Amanhã posto novidades sobre o meu novo-velho carrinho. Só posso adiantar que este não é nenhuma antiguidade "a recuperar", e sim um carro para a família viajar com segurança. E que não se trata de nenhuma novidade para mim, é um modelo no qual já rodei muito.
Terça-feira, 12 de Janeiro de 2010, às 12:55:02
Eis aí o mapa do Google Earth mostrando a área a ser vendida. Melhor do que isso, só se fosse à beira do Guaíba, com praia privativa e pedalinhos.
Eu ainda não havia falado de política aqui no Blog, exceto, é claro, para trazer os perfis dos candidatos mais bizarros do nosso panteão nacional. Mas falar seriamente sobre política, ainda não havia falado. Pois bem: estamos em ano eleitoral, e surgiu um assunto sobre o qual não dá para ficar calado. Então, depois de 5 meses sem tocar no assunto, vamos falar um pouco sobre uma barbaridade que anda acontecendo no meu Rio Grande do Sul.
Eu fiz campanha pela Yeda, a atual governadora do Estado. Meio a contragosto, porque na verdade, depois da derrota do Rigotto, eu achava melhor que não participássemos do segundo turno. Mas, diante da possibilidade de ver o Olívio reeleito para o Governo, achei uma boa apoiar a Yeda. Ela ganhou. Hoje, se eu pudesse voltar no tempo, não a apoiaria. Se ela concorrer denovo, podem até eleger o Julio Flores do PSTU para governador, que eu não vou dar a mínima. Até o apoiaria. Apoiaria qualquer um, menos a Yeda.
Como se fosse um Antonio Britto de saias, esta senhora prometeu-nos um "Rio Grande Vencedor", mas está nos entregando um Estado Vendedor, o que é bem diferente. Vendedor porque ela sai fechando, cortando, vendendo. Destruindo o pouco que temos. Se pudesse, venderia a CEEE e a Corsan. Se pudesse, venderia até o Palácio Piratini, para alguma rede hoteleira. Se pudesse, venderia até a avenida Ipiranga para alguma concessionária de pedágios. Se pudesse, venderia até a nossa alma. Pelo menos essa é a impressão que ela passa.
Bom. Agora, começaram a circular algumas notícias que dão conta de um plano de vender a área de 72 hectares que a Fase possui em Porto Alegre, em uma das áreas mais caras, nobres e valorizadas da Capital. A Fase, ex-Febem, abriga no local os menores infratores (ou seja, bandidos tão perigosos quanto os adultos, só que tiveram a sorte de ter nascido a menos de 18 anos quando cometeram seus crimes). Na verdade, não é bem vender: uma empresa vai construir unidades menores da Fase pelo interior do Estado, em troca do terreno.
Vai ser uma maravilha. Existem inúmeros
blogs comentando o assunto, e eu não vou entrar em detalhes. Basicamente, os tubarões do mercado imobiliário vão ter à disposição um negócio da China. Mas existe uma agenda oculta nisso tudo.
Em primeiro lugar, não existe razão para o Estado trocar um terrenão que vale milhões, pelas obras de construção das unidades descentralizadas: o governo estadual tem dinheiro! Se não tivesse, não teria doado 150 milhões de reais para a Souza Cruz em troca da geração de 250 empregos. Ora, se o Governo pôde dar uma fortuna para uma empresa produzir cigarros, por quê não pode dar a mesma quantia para a construção de unidades que servirão para recuperar criminosos? Como eu disse, existe uma agenda oculta nisso.
Eu conheço diversos profissionais da Fase que estão sendo processados, por via de sindicância interna, e perdendo seus empregos. De forma sistemática, qualquer boato de agressão contra um desses "menores" gera uma sindicância, e o sujeito vai para a rua. É como se uma força invisível quisesse esvaziar o quadro funcional da entidade.
O que desperta a suspeita: existem organizações (OSCIPs) que gostariam de cuidar dessas "lindas criancinhas", recebendo dinheiro do Estado para isso, claro. O pagamento de funcionários, por via de folha de pagamento, abre muito menos brechas para cambalachos do que o pagamento de uma entidade, que vai pegar o dinheiro em um bolo grande para cobrir seus custos - e no final, basta apresentar o balanço contábil mostrando que o dinheiro foi corretamente empregado na função de atender aos "anjinhos". Balanços contábeis são uma coisa maravilhosa, porque se as coisas foram feitas da maneira certa, o balancete fecha lá no final. Por "fazer as coisas certas", estou falando de reunir as notas fiscais preenchidas corretamente. Se elas correspondem á verdade, já é outra história. Eu fui um contabilista medíocre, e mesmo assim, capaz de fazer um balanço "furado" fechar, enjambrando uns numerozinhos. OSCIPs, como se sabe, podem contar com contadores muito mais bem treiandos e experientes.
Eu não sei não. Yeda já fechou escolas públicas. Isso mesmo: em plena Era da Informação, depois de décadas de luta para que a sociedade percebesse que a educação é a base do futuro, ela fecha escolas. Minha esperança é que o Estado consiga sobreviver a tudo isso. A socieadde civil deve exercer sua pressão para que o governo, pelo menos, não consiga avançar e suas intenções vendedoras e privatistas. Não falo de fazê-lo recuar, mas de segurá-lo por alguns meses, pelo menos, até o fim de 2010. Como temos eleições este ano, é melhor ficar um ano com o Estado parado do que deixar que ele caminhe para trás pelos 10 meses que ainda faltam deste pesadelo.