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      • Candidata Mais Gata 2010
        É isso aí, pessoal! Este ano, o festival de homens feios que pedem nossos votos pode ser compensado por alguma "colírios" no horário eleitoral. Uma destas beldades do mundo da política será escolhda a Candidata Mais Gata de 2010 no Rio Grande do Sul! Vote e faça História!
        Jéssica Nucci
        Deputada Federal - PSTU 1606

        Manuela D´Avila
        Deputada Federal - PC do B 6565

        Gisele Uequed
        Deputada Estadual - PV 43123

        Ju Palhares
        Deputada Federal - PSOL 5025

        Juliana Brizola
        Deputada Estadual - PDT 12001

        Adriana Steinmetz
        Deputada Estadual - PMN 33999

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        Parcialidade Total
        Blog do meu amigo Eduardo Leonardi. Um cara que realmente tem estilo próprio, e seguiu o jornalismo como meio de vida em tempo integral. Curiosidade: esse cara tem uma voz tão calma que, quando narrava uma tragédia sangrenta nas aulas de rádio, dava a impressão de estar dando o boletim do tempo.

        Blog do Flávio Gomes
        Esse cara é jornalista, apaixonado por carros Lada, tem um DKW e faz uns videos nos quais encarna "Indiana Gomes", que nos mostra os carros mais bizarros e museológicos imagináveis. Teve até uma vez em que ele andou num Trabant. Fabuloso.

        Diário de Carina
        Leia e confira, as idéias de uma quase-jornalista brigando pela causa. Na verdade, não conheço essa tal de Carina, mas me dá a impressão de ser uma das pessoas mais idelistas e fofuchinhas do mundo.

        Cinéfilos
        Resenhas críticas, curtas e objetivas, de filmes. Só isso. Sem entrevistas, sem frescuras, sem nada. Só os filmes e ponto final. para quem gosta de dar umas risadas e conhecer um pouco sobre cada produção que vai saindo do forno.

        Conservador e daí?
        Conservador, mas conservador mesmo! Esse blog se opõe até mesmo à Revolução Francesa e aos ideais de liberdade pelos quais ela foi realizada. Ah, e é nele que eu li pela primeira vez o lema "nuremberg para os comunistas, já!" Sentiu o drama?

        Blog Molotov
        Aparentemente, o extremo oposto de "Olavo de Carvalho" e do "Conservador e Daí", mas, na prática, muito semelhante no grau de virulência com que trata os temas. Este é um blog mantido por pessoal do PSTU, com uma linha socialista, revolucionária e empedernida de chavões da nossa manjada whiskesquerda. Mas ostenta esse charmosíssimo nome.

        Bender Blog 2.0
        Esbarrei neste aqui por acaso. Tchê, que cara interessante de se ler. Ele fala sobre vários assuntos e traz uma visão crítica, mas bem humoriada, sobre quase tudo. E o lema é uma pérola: "Concorde comigo ou esteja fatalmente errado."

        Escreva Lola Escreva
        O blog de uma intelectual que não escreve para intelectuais. os assuntos são bem variados e a perspectiva da blogueira é bastante diferente da minha em alguns pontos, enquanto é quase igual em outros.

        Irmão do Décio
        Blog do sujeito que criou o fictício New Fiat Premio. Que mais posso dizer?

        Site da CEEE
        Site da melhor entre as 3 concessionárias de distribuição de energia elétrica do RS.

        Site da FENAJ
        Federação Nacional dos Jornalistas, nossa gloriosa entidade de nível nacional.

        Olavo de Carvalho
        Site de opiniões do mais maluco dos direitistas. Ele ainda vê o "perigo vermelho" até nos desenhos animados.

        Região dos Vales
        Site que reúne colunas, notícias, informações e novidades da região que, para mim, é a mais bonita de todo o lindo, inigualável e gigante Rio Grande do Sul.

        Sindicato dos jornalistas do RS
        O bom, velho e lutador sindicato da "catiguria" na província de São Pedro.

        Internautas Cristãos
        Site com textos que defendem uma visão cristã da vida e do mundo. Andei lendo na tentativa de voltar a acreditar em Deus. Não deu certo, mas vocês podem ir lá e tentar.

        Blog do Zé Piciña
        Blog do retardado mais reacionário que já vi Ele demonstrou, por exemplo, a ligação entre Iron Maiden e o satanismo. É cômico.

        Studio Pampa "oficial"
        Vocês querem bacalhau? Vocês querem mocotó? Vocês querem pão e circo? Este site "oficial" é bom por uma razão: avacalha totalmente o programa. E é muito divertido.

        Blog da Fran Fofura
        Dizem que depois de ir ao BBB, as novas subcelebridades não fazem nada que preste. Mas eu gostei tanto do desenho e do tom do blog que resolvi dar uma chance.

        ADJORI-RS
        Site da Associação dos Jornais do Interior do Rio Grande do Sul.

        O Ícaro e a Borboleta
        Por incrível que pareça, é o blog do Byafra. Dele, e de uma mulher que eu não sei quem é. Mas não espere encontrar ali memórias dos tempos do Chacrinha ou uma agenda de shows em lugares obscuros. Byafra demonstra ali que é poeta, pensador e meio comunista, acho eu.

        Zacarias Martins
        Blog do meu amigão tocantinense Zaca Martins, um poeta, escritor e jornalista. Um verdadeiro maestro das letras, que usa as palavras como se fosse uma orquestra muito bem afinada. Mas o blog tem, além da parte poética, algumas críticas à cena cultural do Norte, que são bem interessantes. Confira, que vale a pena.

        Larissa Maciel Oficial
        Blog que acompanha todos os movimentos e novos projetos da atriz gaúcha Larissa Maciel, já consagrada no papel de Maysa Matarazzo, no seriado sobre a vida da cantora.

        A Filosofia de João de Freitas
        Esse deve ser o cara mais sábio do mundo. Autor de livros online que vão desde "Como parar de fumar" até "Ateus graças a Deus", esse cara nos ensina coisas do tipo "como tornar-se irresistível", "a fonte da juventude" e muito mais. Lendo o site, pode-se passar em concursos públicos e ampliar a memória em 100 vezes. Além de tudo, escreve contos eróticos. Não há nada que ele não saiba! Olhando só para o site, não há dúvidas de que ele é o Messias!

        Marsupialis (Blog da Julia)
        Não me perguntem o por quê desse nome bizarro. Mas este é o blog de uma menina superlegal, linda e inteligente chamada Júlia, filha de uma colega minha aqui do serviço. Só que ela tem umas teorias meio estranhas, e não bebe. Mesmo assim, vale a pena ler porque, dessa turma da idade dela, ela é uma das pessoas mais com a cabeça no lugar que conheço. Confira.

        Léo Brandão
        Blog de um sujeito que, apesar de ter criado a comundiade oficial do Studio Pampa no Orkut, é extremamente lúcido e inteligente. Costuma comentar assuntos como a profusão de partidos sem ideologia no Brasil, mas sem fazer discurso eleitoral para ninguém.

        Esquerdopata
        Blog com um discurso esquerdão e informações atuais que a mídia prefere dar uma ignorada. Resolvi colocá-lo na lista depois de ler um post no qual o blogueiro fala das soluções com "custo zero" para motivar funcionários, algo que para mim também não faz sentido.

        Quanto tempo dura?
        Um blog que fala sobre TV, artes, política e tudo mais de uma maneira realista e meio escrachada, bem ao meu gosto e prática. Cansou de ler as atiradas aqui do meu blog? Vá ler as desse cara. O estilo é semelhante.

        Guerrilheiro do Entardecer
        Vou usar a própria definição do blog: "Este é um blog que defende idéias de justiça social, autodeterminação dos povos, democracia, liberdade, respeito aos direitos humanos e à construção de uma sociedade onde todos possam viver com dignidade." O autor é professor de História e não tem meias palavras.

        Jerre Rocha Mototurismo
        Blog de um cara cuja vida é viajar de moto, bater fotos impressionantes, e depois viajar denovo para lugares ainda mais fascinantes.

        Brigato Design
        Assim como o Irmão do Décio, a Brigato Design dedica-se a desenhar carros como eles deveriam ser: bonitos, modernos, funcionais e acima de tudo, tributários aos maiores clássicos da história automobilística do Brasil. É lindo de se ver. Me apaixonei de vez quando colocaram no ar o design (imaginário, claro) do Opala 2011. Coisa quem nem a Chevrolet de verdade teve a glória de criar.

        Claudio Dullius de Viamão
        Blog do meu amigo Claudio Dullius, um tucano meio liberalão que adora dar pau no pessoal do PT. Voltado para as questões de Viamão, o site tem épocas de extrema falta de inspiração, resumindo-se a reproduções de mensagenzinhas de piada política. Mas quando surgem as épocas inspiradas, o Cláudio nos brinda com os posts mais geniais imagináveis.

        Kadu Schwartzhaupt
        Blog do tucaníssimo Kadu, uma baita figuraça e um grande amigo, que é formado em um pouco de tudo e quem sabe um dia presidirá o PSDB. O bom de ler o blog dele é que ele não concentra sua tucanisse em atacar o PT, e sim em promover os parlamentares e o governo do partido dele, algo meio raro de se achar na web - eu leio porque sempre gosto de ver o contraponto das críticas.

        Viamão Incrível
        Tudo o que (não) acontece em Viamão neste incrível site de notícias verdadeiras (ou não), narrados de maneira brilhante (ou não). Segundo o VI, a cidade recebe visitas de Hugo Chavez e Bill Gates, cedeu um terreno para a gravação de Lost, é campo de pouso de ETs semanalmente, e a lista de material das escolas inclui armas de grosso calibre. Ah, a cidade ainda conseguiu tornar-se um Estado independente do Brasil, abriga uma retransmissora da Al Jazeera, dentre outros disparates. Leia e mije-se de rir.

        A política como ela é
        Blog sobre política (mesmo? dããã), que faz análises cáusticas e inteligentes sobre acontecimentos, pessoas e fatos nacionais e internacionais. Muito bem elaborado, não cai na politicagem e não apresenta pendores escancarados por partido algum. Por incrível que pareça, vale a pena ler, porque os textos são cativantes e bem elaborados.

        Câmara Municipal da Viamão
        Para o bem ou para o mal, para orgulho e glória, ou para vergonha da cidade (em alguns casos), esses são os representantes da nossa população local. Então, é função de cada um de nós, pelo menos, dar uma olhada no que eles andam fazendo com o nosso dinheirinho suado.

        Blog do Pedro Ruas
        Esse cara é um político inegavelmente coerente e lutador. Pode não ser do meu partido, mas eu o admiro e qualquer um que se considere pensante neste Estado do RS deve ler, pelo menos de vez em quando, as análises que o Ruas faz da realidade atual, daqui e do exterior.

        Blog da Luciana Genro
        Blog da deputada federal do PSOL, a filha do Tarso Genro que é bem mais "votável" do que o pai.

        Matérias e artigos classificados como:
        Total: 11 matérias neste grupo.



        Segunda-feira, 19 de Julho de 2010, às 17:11:21
        ::: Religião na escola estimula o preconceito e a intolerância
        O jornalista Carlos Pompe nos traz um texto sobre o lançamento do livro "Laicidade: O Ensino Religioso no Brasil", que assegura que a mistura explosiva de um ensino que deveria ser laico com os valores religiosos majoritários gera um estouro de ódios e preconceitos cultivados nas crianças, desde cedo.
        Não pode haver verdadeiramente um regime republicano e democrático se o Estado, e o ensino que ele promove, não forem, de fato, laicos.
        Por quatro séculos, o poder no Brasil foi fantoche da religião católica. E agora, não sei se finalmente estamos rumando para a libertação, ou para um novo cabresto, desta vez, nas mãos das doutrinas evangélicas.
        Acabei de ler, e me vi na obrigação de "kibar" do Vermelho.org.br:

        A professora Débora Diniz, da Universidade de Brasília (UnB) liderou uma pesquisa que apurou que livros didáticos mais aceitos pelas escolas públicas promovem a homofobia e pregam o cristianismo. O estudo gerou o livro Laicidade: O Ensino Religioso no Brasil.

        A pesquisa conclui que o preconceito e a intolerância religiosa são inculcados em milhares de crianças e jovens do ensino fundamental brasileiro. Foram analisados os 25 livros de ensino religioso mais usados pelas escolas públicas do país. Os livros foram escolhidos a partir dos títulos mais aceitos pelas escolas do governo federal, segundo informações do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação. A imagem de Jesus Cristo aparece 80 vezes mais do que a de uma liderança indígena no campo religioso – limitada a uma referência anônima e sem biografia –, 12 vezes mais que o líder budista Dalai Lama e ainda conta com um espaço 20 vezes maior que Lutero, referência intelectual para o Protestantismo (Calvino nem mesmo é citado).

        "O estímulo à homofobia e a imposição de uma espécie de ‘catecismo cristão’ em sala de aula são uma constante nas publicações", informa uma das autoras do trabalho, a antropóloga e professora do Departamento de Serviço Social, Débora Diniz.

        A psicóloga e coautora do livro, Tatiana Lionço, salienta que, antes de ir parar nas mochilas de crianças e jovens, todo material didático passa por uma avaliação de uma banca de profissionais do Programa Nacional do Livro Didático, vinculado ao Ministério da Educação. Todos, menos os de Religião. "Não há qualquer tipo de controle. O resultado é a má formação dos alunos", comenta.

        Ela questiona o modelo de ensino religioso nas escolas do país com base no princípio constitucional de que o Estado deveria ser laico (neutro em relação às religiões). "Se o Estado deveria ser laico, por que ensinar religião nas escolas? Se a religião for tratada na sala de aula, tem de ser de forma responsável e diversificada", acrescenta.

        A discriminação de homossexuais vem junto com a doutrinação religiosa feita às cutas do Estado, em escolas públicas. "Desvio moral", "doença física ou psicológica", "conflitos profundos" e "o homossexualismo não se revela natural" são algumas das expressões usadas para tratar das pessoas que optam por ligações com o mesmo sexo. Um exercício com a bandeira das cores do arco-íris acaba com a seguinte questão: "Se isso (o homossexualismo) se tornasse regra, como a humanidade iria se perpetuar?".

        Débora diz que num dos livros didáticos uma pessoa sem religião é associada ao nazismo (que, contraditoriamente, teve apoio ativo da Igreja Católica e foi combatido pela União Soviética, primeiro Estado a adotar expressamente o materialismo dialético no ensino público). "É sugerida uma associação de que um ateu tenderia a ter comportamentos violentos e ameaçadores", observa. "Os livros usam de generalizações para levar a desinformação e pregar o cristianismo", completa ela que é uma das três autoras da pesquisa.

        "Há uma clara confusão entre o ensino religioso e a educação cristã", afirma Débora. A antropóloga reforça a imposição do catecismo. "Cristãos tiveram 609 citações nos livros, enquanto religiões afro-brasilieras, tratadas como ‘tradições’, aparecem em apenas 30 momentos", comenta.

        O estudo, realizado entre março e julho de 2009, revela a ligação entre as editoras responsáveis pelas publicações e a doutrinação religiosa. A editora FTD, por exemplo, pertence aos irmãos Maristas, sociedade católica criada em 1817, na França. Também são católicas as editoras Vozes, Paulus Paulinas, Vida e Edições Loyola. "É esse contexto nebuloso de relações e interesses que envolve a pesquisa" diz Débora. Outras das principais editoras do material escolar são a Abril de Educação, líder do mercado, a Ártica, Scipione Saraiva, Moderna e Dimensão.

        As 112 páginas da publicação, lançada pelas editoras UnB e Letras Livres, ainda conta com a contribuição da assistente social Vanessa Carrião, do instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero.


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        Terça-feira, 20 de Julho de 2010, às 09:08:04
        Jesus é o Senhor comentou este texto:
        Jesus é a Salvação


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        Segunda-feira, 19 de Julho de 2010, às 15:24:23
        ::: Marina Silva, a rainha da vaselina, me sai pior que a encomenda
        Na frente de uma platéia de evangélicos, Marina Silva (PV) diz reprovar o casamento gay. E aí: ela é dessas, que mistura sua visão de Estado com sua visão religiosa, ou só queria "vaselinar" os irmãos de fé? Vindo de alguém que aplaude o governo FHC e ao mesmo tempo tenta vender-se como "filhote do Lula", nada surpreende. Surpresa é que alguém a leve a sério.
        Irmãããos!!!
        Ainda bem que ela é mulher e não tem que fazer a barba, porque senão, sairia serragem.
        Marina Silva, candidata do Partido Verde à presidência da República, é evangélica. Nunca escondeu isso. Mas, agora, começou a fazer uma coisa que só pode ser classificada como o baixo da baixaria: usar a afiliação religiosa para conquistar um público famoso por votar em candidatos que professam a mesma fé.

        Foi o que aconteceu no Piauí, onde a candidata discursou em um evento e disse, com todas as letras, que desaprova a liberação do casamento entre pessoas do mesmo sexo, aprovado na Argentina. Anda na contramão da queda dos preconceitos que marca o mundo livre atualmente. Resta agora acompanhar para ver se, diante de outra platéia, digamos formada por homossexuais, a candidata manterá a coerência com as opiniões reacionárias que apresentou diante de seus irmãozinhos crentes. Porque tem candidato que é assim: faz sua opção dependendo da ocasião.

        Tem coisas mais medonhas, nesse discurso da Marina no Piauí. Sobre Lula, disse: "Eu vou ser a sua sucessora e vou continuar como uma Silva comprometida com a história do povo sofrido, do povo nordestino, que não tem medo de ser feliz. Sai o Lula, mas entra uma Silva, mas de saia."

        Vocês entenderam? Ela se desligou do governo Lula e do PT por discordar de políticas da administração atual, mas na hora de pedir voto, não hesita em surfar na onda de popularidade do senhor Luis Inácio. Bizarramente, a mesma Marina elogia o governo FHC, que Lula ataca. Ou seja: Marina quer é ganhar a eleição, de qualquer jeito. A ideologia dela é agradar gregos, troianos e indecisos, atacar Dilma e Serra, mas elogiar Fernando Henrique e associar a sua imagem à de Lula. Ser tudo ao mesmo tempo.

        Acaba que não é nada – nem uma terceira via capaz de empolgar o eleitor cansado dos políticos "vaselinas" de sempre.

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        Terça-feira, 15 de Junho de 2010, às 13:54:43
        ::: Descobri que sou meio existencialista
        O ser humano cria suas fantasias a partir de si mesmo - é por isso que todos os deuses são versões mais poderosas de seus profetas.
        Confesso que nunca me preocupei em ler nada sobre existencialismo. Nunca quis nem ouvir falar. Especialmente sobre aquele zarolho chamado Sartre. Bem antigamente, eu o achava um grande inútil, que perdeu tempo criando uma teoria para poder meter chifres na esposa sem ser importunado. Depois, quando eu experimentei essa história de ter religião, achava as idéias dele uma baita de uma imoralidade. E até recentemente, não o lia por simples preconceito: depois de ler os romances do Houellebecq e as idéias do Cioran, eu tive a nítida impressão de que, se é francês, e não é DeGaullista, o sujeito deve ser um inútil, com idéias vãs e uma cara de tédio, falando um monte de abobrinhas para pseudo-intelectuais deslumbrados com a inutilidade da vida.

        Mas aí, por um lapso qualquer, eu resolvi ler alguma coisinha sobre existencialismo, Sartre e essas cachaças afins. E descobri que a idéia básica – a de que o homem, antes de mais nada, existe, e sua existência é absurda, para só então ele passar a buscar (ou melhor, criar) um sentido para si – "a existência precede a essência" – bate perfeitamente com a minha idéia básica sobre a existência humana. Ou seja, eu cheguei a uma conclusão que alguém já havia chegado antes, para só depois me "reconciliar" com o criador original da idéia que eu pensei ter descoberto, porque nunca li o original.

        Redescobrindo o que já foi descoberto
        A mesma coisa me aconteceu outra vez na vida – quando aos 9 anos de idade cheguei à conclusão de que tudo era duvidoso, até mesmo aquilo que percebemos através dos sentidos, e que só podemos ter certeza da própria existência (a idéia por trás da frase "penso, logo existo"). Eu só fui descobrir que a idéia não era original quando li sobre Descartes, lá pelos 15 anos.

        O ser e o nada
        A existência humana é absurda, a partir do momento em que assumimos que não sabemos nada sobre sua origem e nem sobre seu sentido, se é que existe um. Toda religião propõe-se a apresentar respostas prontas a essas duas perguntas, basicamente porque o ser humano médio tem uma aversão mortal à dúvida, isso leva-o à insegurança. É preciso muito preparo para conviver com a descrença sem enlouquecer – não é para qualquer um. Mas para mim, é fácil, porque acreditar em alguma religiosidade é que é difícil – exige um grande esforço de suspensão de descrença, e é preciso ignorar todas as evidências de que vivemos em um mundo louco, formado ao acaso, no qual as coisas não fazem sentido. A própria existência deste mundo não faz sentido, assim como a nossa existência.

        E daí vem o fascinante da coisa toda: como nada faz sentido, cabe a nós criar o sentido. É como se fôssemos deuses, o que é cômico, porque ao mesmo tempo somos apenas animais. E erramos. Mas quando erramos, quem nos há de corrigir? Ninguém, até porque a noção de "erro" é relativa.

        Religião é tão frustrante...
        A noção de divindade é uma coisa meio frustrante. Porque quando se acredita que existe um deus, se espera que as coisas façam sentido. Então, uma coisa ruim acontece e a gente fica buscando um sentido para ela, só para descobrir que não tem sentido algum, e nem vai ter compensação depois, nem leva a nada. E quando se está diante de uma coisa arriscada, ou com uma dúvida, se espera que a divindade dê uma resposta, e é muito frustrante quando se descobre que não vem nada, a não ser o silêncio. E que os "sinais" das divindades na verdade não são nada, porque as decisões que eles levam o crente a tomar são tão desastrosas quanto as que o descrente toma por iniciativa própria.

        Enfim, resumindo, o que aprendi com a minha experiência no mundo da religião: acreditar é esperar. E toda espera converte-se em frustração. Especialmente quando se espera por uma coisa ou alguém que não está lá, que não existe. Espera-se uma voz e só vem o silêncio.

        Foi por isso que voltei a ser ateu. Como não espero nada, o silêncio não me assusta. Pelo contrário: ele me dá a oportunidade de falar. E de deixar as outras pessoas falarem. E às vezes, me dá o direito de simplesmente curtir o silêncio absoluto. A humanidade não faz sentido, e por isso mesmo é tão legal ser humano.

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        Quinta-feira, 20 de Maio de 2010, às 18:19:37
        ::: Nosferatu, uma sinfonia de horror
        E novamente, preciso pedir desculpas por usar o Paintbrush na hora de compôr uma ilustração. Resolvi colocar umas fotos do filme de 1979 no final, só porque não poderia deixar de fazê-lo.
        Eu estava há horas querendo escrever a resenha de Nosferatu, esse clássico do cinema mudo gravado em 1922 na Alemanha da República de Weimar (um breve período democrático que veio depois da derrubada do kaiser Guilherme II em 1918 e antes da tomada do poder por Hitler em 1933).

        Tudo neste filme é deliciosamente esquisito, bizarro, medonho e apavorante. Na década de 1920, sem recursos de computação gráfica, o diretor desta maluquice completa conseguiu criar uma obra de arte do horror, inspirando pesadelos sem recorrer a monstros mutantes do Espaço e nem a cenas grotescas com serras elétricas. "Nosferatu" revolucionou a arte cinematográfica, e tornou-se referência para gerações de cineastas até hoje.

        A história é uma versão da velha e manjada saga do conde Drácula, retirada do livro de Bram Stoker: um vampiro, que mora em um lugar remoto, muda-se da Transilvânia para a cidade grande, iniciando uma onda de horror. No meio do caminho, apaixona-se pela linda mocinha, esposa recém-casada do agente imobiliário que o está auxiliando na mudança, e passa a persegui-la. Ou seja, nada de novo.

        O diretor Frederick Wilhelm Murnau não falou com a viúva do escritor. Para evitar um processo pelos direitos autorais, resolveu modificar os nomes e lugares, mantendo o enredo original. Assim, o conde chama-se Orlock, e não Drácula. Ele muda-se para Wisborg (uma cidade fictícia), não para Londres. O casal mocinho/mocinha chama-se Thomas e Ellen Hutter (e não Jonathan e Mina Harker), o serviçal hipnotizado do conde chama-se Knock, e não Renfield. O professor que sabe como combater o vampiro chama-se Bulwer (e não Helsing).

        "Nosferatu" não é, no entanto, apenas uma cópia "pirateada" do Drácula que conhecemos. A imagem do conde vampiro que acabou consagrada como "oficial", e que é a mais fiel ao livro de Stoker, foi na verdade cristalizada pela atuação do ator húngaro Bela Lugosi no filme "Drácula", de 1931, produzido pela Universal, em Hollywood.

        Drácula é um vampiro misterioso, sensual, reservado, com um visual limpo e elegante, que transforma-se em cão ou morcego, e que consegue atrair as pessoas com seu charme. Já Orlock é um verdadeiro monstrengo, careca, com olhos esbugalhados e orelhas pontudas iguais às do Sr. Spock. Enquanto Drácula tem os dentes caninos levemente maiores do que o normal, Orlock tem os dois dentes frontais enormes e pontudos, lembrando os de um rato.

        Hutter vai até a Transilvânia, onde os aldeões morrem de medo do conde que vive recluso em seu castelo em ruínas. Depois, Orlock embarca em um navio para a Alemanha, viajando no compartimento de carga, dentro do seu caixão. A cena na qual o vampiro levanta-se diante de um marinheiro boquiaberto é incrivelmente impressionante, e quando eu assisti a este filme pela primeira vez, há muitos anos trás, tive pesadelos com ela. Revendo-a hoje em dia, não a acho nada assustadora, mas é uma pequena pérola da arte cinematográfica daquela época.

        O navio chega ao porto sem nenhum tripulante vivo, mas infestado de ratos. A cidade logo entra em polvorosa, devido a uma misteriosa praga espalhada pelos roedores, que parecem ter sido atraídos até lá por alguma coisa – Orlock é tão medonho que atrai ratos! E o pior, ratos portadores de doenças!

        O resto da história segue um ritmo "draculesco": Hutter percebe que há algo errado acontecendo, Bulwer esclarece ao mocinho sobre as fraquezas de um vampiro, e depois de muitas peripécias, vamos ao grande final.

        Aqui, temos mais um momento de diferenciação entre Nosferatu e Drácula: enquanto na versão clássica, Helsing e Jonathan entram no covil do vampiro para matá-lo com uma estaca de madeira no coração, nesta versão quem salva o dia é a mocinha Ellen.

        A jovem e linda senhora Hutter (interpretada por uma atriz que eu só vi neste filme, Greta Schroder), deita-se em sua cama e deixa a janela aberta, já sabendo que Orlock, o conde/rato/tarado, costuma observá-la à noite (ele comprou a casa em frente). O velho monstrengo não se faz de rogado, e vai até o quarto dela. Segundo a lenda, os vampiros só entram onde são convidados, e a janela aberta serve de convite para o feioso, que passa horas admirando a beleza da alemãzinha que dorme placidamente. Então, ele abaixa-se e fica sugando o sangue dela, longamente, sem perceber a passagem do tempo. Ellen morre, mas Orlock também ferra-se lindamente, porque o sol nasce no horizonte, reduzindo-o a cinzas.

        Pioneiro no uso de cenas externas no cinema alemão, o filme revolucionou a linguagem cinematográfica, sendo classificado normalmente como uma das maiores produções do expressionismo alemão, com seus cenários que parecem saídos de algum sonho e cenas que conseguem criar um clima fantasmagórico e perturbador.

        Tem uma parte na qual Orlock sobe umas escadas e está indo em direção ao quarto de Hutter, na qual só vemos sua sombra a mover-se pelas paredes do velho casarão – esta imagem seria depois recriada, "homenageada" e copiada descaradamente em dezenas e dezenas de filmes, hollywoodianos ou não.

        Logo depois do lançamento de "Nosferatu", Murnau recebeu a intimação da viúva de Bram Stoker – apesar dos nomes trocados, o processo por plágio não pôde ser evitado. A Prana Filmes, produtora da película, havia sido fundada pouco antes da realização deste que foi seu único filme, e faliu com o processo judicial. No fim, o tribunal decidiu pela destruição de todas as cópias existentes de "Nosferatu" – mas, por sorte, já haviam exemplares guardados em coleções particulares (inclusive, reproduções piratas exibidas por cinemas menores), e isso permitiu que a obra fosse resgatada algumas décadas depois. Juntando as partes mais bem conservadas de cada exemplar, remasterizando algumas partes e corrigindo tudo o que o mofo destruiu, chegamos aos dias de hoje com uma excelente versão, relançada em DVD na década de 1990.

        A obscuridade da Prana Filmes, a falta de documentos sobre a produção de "Nosferatu", e a própria esquisitice do diretor Murnau, colaboraram para que surgissem várias lendas sobre a produção.

        Nosferatu, o vampiro da noite
        Em 1979, o diretor Werner Herzog gravou uma nova versão, falada, da história de Nosferatu. Desta vez, a produção não teve problemas com direitos autorais, e o filme tem pequenas modificações no enredo, além de um elenco legendário: o genial e psicótico Klaus Kinski interpreta o conde Orlock, enquanto Ellen Hutter é interpretada pela atriz francesa (para mim, uma das mulheres mais lindas que já andou pela face da Terra) Isabelle Adjani. O mocinho, Hutter, é interpretado pelo brilhante ator Bruno Ganz, que aqui aparece como o herói jovem e loiro de queixo quadrado, destemido e coisa e tal. Isso me chamou a atenção, porque, muitos e muitos anos depois, Ganz faria, já na condição de ator enrugado de meia-idade, o papel que para mim, foi sua atuação mais brilhante: nada menos que Adolf Hitler, no filme "A Queda".

        O final do "vampiro da noite" é bem diferente do filme original. A mocinha realmente morre para fazer o vampiro ser atingido pelo sol. Helsing chega ao local, e crava uma estaca no peito do conde, só para ter certeza de que ele não vai levantar. Tudo parece resolvido, até que, na cena final, o mocinho – que havia sido atacado pelo vampiro, e passara boa parte do filme doente, à beira da morte – levanta-se da cama, com os olhos esgazeados, evidentemente transformado em vampiro, e arranja um jeito de prenderem o doutor Helsing. Então, monta em seu cavalo, dizendo que tem "muito a fazer", e parte a galope, usando uma capa preta.

        A sombra do vampiro
        No ano 2000, foi lançado um filme chamado "A Sombra do Vampiro", que conta uma história sobre a produção de "Nosferatu". Nele, o ator principal, chamado Max Schreck, é na verdade um autêntico vampiro. Murnau teria contratado um monstro de verdade para dar mais verossimilhança ao filme, e oferecido a atriz Greta Schroder como pagamento, assim que as filmagens estivessem completas. O plano teria dado errado, quando Schreck começou a atacar outros membros da equipe. No final, Schreck, o vampiro, teria "se empolgado" numa cena na qual deveria chupar o sangue da mocinha, morrendo queimado pelo sol. Murnau, tresloucado, é visto na cena final deste filme gritando para a equipe não parar de filmar, enquanto seu ator principal dissolve-se diante das câmeras – e assim, o final do filme de 1922 não teria sido uma encenação.

        A falta de dados sobre a identidade de Schreck realmente chegou a levantar muitas lendas por muito tempo, e por uma série de razões. A começar por seu nome: "schreck", em alemão, significa algo como "horror, medo". Assim, "Max Schreck" poderia ser traduzido livremente por "horror máximo". Parecia mesmo um nome inventado para esconder outra identidade. Além disso, o ator parece só ter existido nas filmagens de "Nosferatu", já que não existem outros registros cinematográficos dele. A verdade é que Friedrich Gustav Max Schreck foi um ator famoso do teatro alemão do entre-guerras, e chegou a atuar em outros filmes de curta metragem. Infelizmente, boa parte de sua obra no cinema perdeu-se durante o nazismo e a 2ª Guerra Mundial.

        Aviso final
        Este post está muito longo, mas não chega aos pés do número de linhas que seria necessário para falar de uma obra com a dimensão de "Nosferatu, uma sinfonia de horror". Assista ao filme, mas por favor, faça-o em casa, de preferência com as luzes apagadas, prestando atenção. Não é um filme para ver enquanto se prepara comida ou conversa. É uma obra de arte, que apesar de não assustar mais (o filme tem 90 anos de idade, nunca esqueça), ainda impressiona e nos dá uma aula de como se faz cinema. Pena que a escola expressionista evaporou-se no ar quando Hitler e seus amiguinhos cravaram suas botas em cima da nação alemã.

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        Segunda-feira, 26 de Abril de 2010, às 21:11:45
        ::: A medicina no reino encantado do espiritismo
        Who do you call? GHOSTBUSTERS!
        Hoje, no hospital, a Fabiana teve a oportunidade única de conhecer uma seguidora das doutrinas espíritas, e travar o diálogo mais curioso da década com essa mulher.

        A espírita era uma senhora de meia-idade, de pele escura (não negra, mas uma mestiça bem puxada para o escuro), e imensamente gorda. Pois bem. Só dei a descrição da "elementa" para fazer um nariz-de-cera, mas vamos aos fatos.

        Ao ficar sabendo que a Fabiana havia feito uma cirurgia bariátrica, a "espiriteira" contou sua história, dizendo que ela também havia feito uma cirurgia igual, só que "pelo espaço".

        Para quem não sabe, os espíritas (ou pelo menos alguns deles, sei lá, não sou especialista nessas religiões não-protestantes) acreditam que é possível o espírito ou os espíritos de médicos fazerem cirurgias sem abrir o corpo da pessoa – simplificando, como são fantasmas, eles operam por baixo da pele sem ter que sair cortando tudo pelo caminho.

        A Fabiana ainda levou a sério a idéia da "cirurgia pelo espaço", porque perguntou à mulher há quanto tempo ela havia feito a cirurgia. E a resposta foi: "há um ano." Nestes 12 meses desde a operação espiritual, a mulher diz ter encontrado dificuldades para comer como antigamente (o que seria perfeitamente explicável pelo poder da autosugestão, mas tudo bem). Só que a tiazona perdeu apenas 3 quilos desde Abril passado.

        Eu ainda prefiro o método mecânico: quando o médico abre a barriga do paciente, a gordura que forma uma camada abaixo da pele começa a "borbulhar" para fora, e é claro que o cirurgião não vai, depois, colocar essa porcalhada toda de volta para dentro do paciente. Então, só na mesa de operação a Fabiana já perdeu uns 10Kg de graxa. Em um ano, já estará com seu peso final, magrinha.

        Para os males do corpo, melhor não confiar nos médicos do espírito. E para os males do espírito, temos a música, o sexo, os livros, a pinga... e em último caso, antidepressivos.

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        Segunda-feira, 26 de Abril de 2010, às 21:19:25
        Jaine da Rocha Bernardoni (jainedarocha@gmail.com) comentou este texto:
        FOR-MI-DÁ-VEL....................!!!!!!!!!!!


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        Domingo, 25 de Abril de 2010, às 20:25:38
        ::: Estamos de volta em casa, e outras reflexões
        Mais uma obra do Paintbrush.
        Olá, pessoal. Hoje estou de volta com mais algumas novidades rapidinhas sobre a minha vida e as coisas que andam acontecendo aqui em casa. Estou meio indignado porque, apesar de tudo ter dado certo, tem sempre algumas mosquinhas na minha sopa para avacalhar com o momento.

        CIRURGIA DA FABIANA 1 - CORRERIAS
        Hoje a Fabiana teve alta e voltamos para casa. Amanhã, preciso sair atrás de uns remédios que já havia encomendado à Farmácia Nova, mas eles furaram na hora de entregar. Não porque estejam em falta no distribuidor, mas simplesmente porque eles esqueceram de encomendar mesmo. Trabalhar com gente amadora é foda.

        Consegui apenas parcialmente cumprir a lista de medicamentos, o que significa que ganhamos tempo (uns 3 dias), mas não solucionamos o problema. Queria ver se fossem remédios para algum parente do dono da farmácia. Palhaços. Era mais fácil então, dizerem logo que não aceitam fazer encomendas, porque não dão certeza de cumpri-las.

        Parece exagero meu, reclamar tanto porque um comércio errou ao fazer a minha encomenda. Mas existe aqui uma questão específica: quando uma encomenda de pizza falha, o cliente simplesmente fica com fome até encomendar em outro lugar. Mas quando uma encomenda de medicamentos falha, normalmente alguém adoece, piora, sangra, desmaia ou morre. Ou seja: falhou, fodeu. Eles não tinham esse direito.

        CIRURGIA DA FABIANA 2 – SOBRENATURAL
        Mal chegamos em casa, a Fabiana reencontrou com o pessoal da igreja. Como bons evangélicos, tiraram um tempo para agradecer a Deus por ela ter conseguido fazer essa cirurgia com um bom profissional, ter ficado no quarto privativo que ficou, e tudo ter dado certo. Dei um corte neles, na hora, claro. Eu fico louco da minha cabeça quando escuto esses papos.

        A Fabiana já vinha orando por um milagre na saúde dela, e eu também fazia isso quando ainda acreditava em Deus. O tal milagre não aconteceu, e ela teve que ser operada por um médico de verdade, com instrumentos que não têm nada de sobrenatural. Se Deus existe (o que eu duvido), ele perdeu a chance de se mostrar com um milagre.

        Se vão fazer um culto para agradecer, que agradeçam a mim, porque a solução, ao invés de cair do céu, saiu do meu bolso. Sobre a recuperação dela, idem, porque só hoje desembolsei uma pequena fortuna em remédios. Fora o um terço do salário que eu desembolso todo mês em plano de saúde. Eu é que estou correndo atrás disso tudo, brigando com o Plano de Saúde, negociando, pagando, pendurado pelo pincel em uma gincana louca, e não aceito que uma figura imaginária leve o crédito. Ponto final.

        Antes que alguém me pergunte como é que um sujeito que tem uma vida razoável e que pode proporcionar determinadas coisas à família não acredita em Deus, fica uma frase de efeito: Enquanto alguns rezam, eu trabalho. Enquanto algumas pessoas esperam que as respostas caiam do céu, eu as procuro aqui mesmo na Terra – e com alguma paciência, eventualmente encontro. Daí provém minha paz de espírito, apesar de eu achar que não temos alma.

        O fato é que tem gente na família que vai atribuir a melhora na saúde da Fabiana a uma ação de Deus. Mas eu tenho as notas fiscais, no meu nome, para provar a autoria do feito. A fé pode até mover montanhas, mas o que move os médicos (e a mim também, porque não tem nada de errado nisso) é o salário.

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        Domingo, 25 de Abril de 2010, às 23:21:02
        Jaine da Rocha Bernardoni (jainedarocha@gmail.com) comentou este texto:
        Olá, minhas queridas crianças que já sabem o que fazem. Estou feliz porque deu tudo certo e a Fabi já está em casa. Quanto a ter rezado antes para pedir e agora para agradecer a Deus, eu já fiz. Eu pedi a Deus que mora dentro do Fábio, mora dentro de mim e mora dentro de todos nós, e Ele sempre atende. O Deus que mora dentro de ti te deu saúde, vitalidade, energia e muita inteligência pra conseguir as coisas que consegues. É Ele quem comanda tudo, até aqueles que te rodeiam e te promovem as oportunidades, porque Ele conhece teus desejos, tua auto-estima elevada e aprecia muito isto, abrindo os espaços para que tu sejas coroado de êxito. Ele faz mover todas as tuas células na força da vida que pulsa independente de tua vontade. Ele te dá o ar que respiras, te dá este calor no peito de amor que tens por tuas meninas. Eu sei bem o que sentes porque já senti igual, mas amadureci. Passei a perceber toda a ação de Deus até nas coisas que detesto, e tu sabes que sou polêmica. Quanto maior o desafio, maior é minha força, aquela que vou buscar dentro de mim, na certeza de não estar só e de conseguir. Não tenho e não terei religião. O Deus que habita em mim reverencia o Deus que habita em ti. Eu saúdo o Deus Fábio, senhor do seu lar, do seu castelo e de suas meninas.


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        Sexta-feira, 16 de Abril de 2010, às 16:44:19
        ::: Métodos anti-Telemarketing, capítulo 1: Fingir-se de Pastor
        Telemarketing? Sai desse corpo, coisa ruim!
        Toca o telefone. Eu atendo. Do outro lado, uma voz humana, mas quase mecânica.

        ELA: Boa tarde, o senhor Fábio?

        EU: Sou eu.

        ELA: O banco Phodesco quer lhe oferecer um cartão com diversas vantagens, que bla bla bla...

        EU: Mas, minha filha, o que é que eu vou fazer com um cartão de crédito? Comprar coisas no comércio?

        ELA: Sim, o senhor poderá estar utilizando este cartão em mais de X lojas pelo Brasil todo.

        EU: E nessas lojas, irmã, tu achas mesmo que eu poderia encontrar aquilo de que realmente preciso?

        ELA: E de que tipo de artigos o senhor precisa, senhor?

        EU: Da mesma coisa que tu, e todas as pessoas deste mundo precisam para suas vidas, irmã: Jesus!

        ELA: Como, senhor? Não estou compreendendo.

        EU: Sim, irmã. Porque diz a Palavra do Senhor, na parábola do jovem rico... tu conheces a parábola do jovem rico?

        ELA: Não, senhor.

        EU: Ela fala sobre o apego às riquezas deste mundo, irmã, pois é preciso buscar antes o Reino dos Céus.

        ELA: ...

        EU: Minha filha, não percebes que a vida em pecado é a morte eterna? Que estás servindo ao falso Deus do consumismo, da ganância. Ao ADVERSÁRIO! Ainda está em tempo de se arrepender!

        ELA: Senhor, eu estou trabalhando...

        EU: Irmã querida, vai-te deste antro de falsos ídolos com pés de barro, a riqueza, a ambição desmedida. Busca ao teu Deus e ele te abrirá a porta de um emprego melhor, ele tem um plano para a tua vida!

        ELA: ã....

        EU: Não continue servindo a uma empresa que nega a Verdade. Este emprego não é tudo o que existe para a tua vida. A ganância nunca dá bons frutos. Basta ler o que diz no versículo X do Livro de...

        TUU TUU TUU TUU TUU TUU TUU TUU...

        PS: Este post não tem por objetivo avacalhar com a fé de ninguém. Avacalha, sim com essas igrejas comerciais que pululam na TV e formam batalhões de zumbis bitolados que pregam até no banheiro público. E além do mais, eu realmente usei essa estratégia uma vez.

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        Terça-feira, 20 de Abril de 2010, às 08:37:24
        Zacarias Martins (zacamartins@gmail.com) comentou este texto:
        Apreciei muito este texto. parabéns.


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        Terça-feira, 23 de Março de 2010, às 11:54:10
        ::: Hoje catequizei uma irmã da Igreja da Graça
        O que eu acho incrível é que a própria Bíblia alerta seus seguidores para que não depositem sua fé em nenhuma pessoa, somente em Deus. Daí, vem um R. R. Soares, que nada mais é do que um líder messiânico, mistura de Chacrinha com Antônio Conselheiro. Mas com uma ideologia parecida com a do Francisco Franco.
        Hoje cheguei cedo ao trabalho e os colegas me "apertaram" sobre as contribuições para o cafezinho – há muito tempo que eu não compro nem café nem açúcar. Teve gente pensando que eu estivesse bancando o malandro, mas RÁ! Eu estava era ocultando deles três verdades fundamentais:
        1) Eu não tenho malandragem nenhuma no sangue;
        2) Eu sempre esqueço de comprar tudo, incluindo café;
        3) Eu NÃO SEI fazer compras direito.

        Saí para a rua e fui lá para o supermercado. Incrivelmente consegui comprar café e açúcar direitinho. Na volta, passando pela frente da Igreja da Graça, veio uma inevitável mulher de saia e cabelão me oferecer um convite da igreja.

        Olhei para a mulher, bem jovem e bonita, mas obviamente bitolada, para estar distribuindo convites dessa empresa do R. R. Soares, que por mais que diga palavras bonitas na TV, para mim sempre terá cara de picareta. E não resisti, tive que largar uma atirada polêmica à queima-roupa:
        - Um convite?
        - Não, obrigado... tu sabes que Deus provavelmente não existe, né? Quero dizer, todas as evidências nos levam a deduzir isso. Então, por quê tu não esfrias a tua cabeça e vai curtir a vida um pouco?

        PÁ! Não sei se ela ficou pensando sobre isso ou se esqueceu no minuto seguinte. Mas eu dei meu recado.

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        Terça-feira, 23 de Março de 2010, às 12:09:29
        Zacarias Martins (zacamartins@gmail.com) comentou este texto:
        É, meu caro Fábio,
        devo estar ultrapassado nos meus conhecimentos...
        Esta foi a primeira vez que li em algum lugar o termo "Desencapetamento total".
        Será que esse troço estava em promoção nessa igreja?


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        Sexta-feira, 19 de Março de 2010, às 16:28:00
        ::: Eymael vem aí de novo. Ele que já perdeu até para o Jânio Quadros. Uma vez, tentaram alugar para mim a legenda dele.
        Eu ainda vou disponibilizar o jingle do Eymael aqui no site, como parte da minha coleção da jingles políticos (da qual ele é um dos destaques). Aguardem.
        José Maria Eymael, 71 anos, advogado, é um homem muito bem sucedido na vida. Nasceu em Porto Alegre no ano de 1939, no auge do Estado Novo. Fez política estudantil mas, antes de mais nada, foi cuidar de sua vida profissional.

        Formou-se em Direito (com especialização na área tributária) e em História Natural, conseguiu um emprego dos bons na White Martins, montou há 30 anos uma empresa e, ao longo da vida amealhou um respeitável patrimônio pessoal. E com razão, porque o cara é um cabeção de inteligência, como se pode constatar pelas coisas que ele já disse em entrevistas.

        Só que, por alguma bizarrice do destino, ele foi picado pela mosca azul da política. Em 1962, ingressou na Juventude Democrata Cristã, do antigo PDC.

        Daí veio o golpe de 64, e o partido do qual participava foi extinto pelo Ato Institucional nº 2, que criou o bipartidarismo (o país só teria dois partidos legalizados, com os governistas formando a ARENA, e a oposição aglutinada no MDB). Por essa, o Eymael não esperava, e com esse lance certeiro, ele ficou fora da arena política até a década de 1980.

        Em 1985, com a abertura política, o velho e empoeirado PDC ressuscitou, e Eymael surgiu como seu principal líder em São Paulo, lançando-se naquele mesmo ano como candidato à Prefeitura da capital paulista. De início, o pessoal queria que ele concorresse usando o nome "Zé Maria", por ser "popular", para misturar-se ao povão. Mas por alguma razão ele optou por ser chamado de Eymael na cédula eleitoral. E um amigo seu criou uma musiquinha animada, uma marchinha, que começava bem assim: "Ey Ey Eymael, um democrata cristão..."

        O jingle caiu no gosto popular e virou um ícone, lembrado pelo eleitorado. Mas o candidato em si fez uma votação pífia. Em 1985, o candidato favorito para a Prefeitura de São Paulo era o jovem Fernando Henrique Cardoso, que chegou a posar para uma foto sentado na cadeira de prefeito. Mas, numa reviravolta emocionante, o ex-presidente e eterno bebum esquisitão Jânio Quadros (aquele da vassourinha) conseguiu redimir-se da manobra fracassada que havia feito em 1961, e que no fim atirou o Brasil em um poço de duas décadas de regime militar. Jânio Quadros, fiel ao seu próprio estilo, esfregou a cadeira com desinfetante no dia da posse, explicando que fazia isso porque "nádegas indevidas a haviam ocupado".

        Pensem bem, que ano glorioso foi aquele, uma eleição com Eymael e Jânio Quadros. Só faltou o Enéas para ficar perfeita.

        Apesar da paulada na cara que levou em 85, Eymael não se deixou abater e voltou às ruas, com a mesma musiquinha, no ano seguinte. Conseguiu ser eleito Deputado Federal por São Paulo, uma vitória absolutamente importante, porque os deputados eleitos naquele ano teriam a missão de elaborar a nova Constituição do Brasil, finalmente promulgada em 1988, e que vale até hoje.

        Eymael não fez feio na Constituinte, criando várias leis importantes. Foi ele quem criou o Aviso Prévio de 30 dias para todos os trabalhadores, a jornada de 44 horas semanais, o ICMS com desconto para produtos de primeira necessidade (tipo os alimentos da cesta básica), e bolou alguns dos princípios básicos da nossa legislação tributária. Como cristão, ele se orgulha principalmente de ter incluído aquele textinho sobre Deus na Carta Magna da nação, apesar de aquilo não ter efeito prático algum para a vida dos brasileiros. Suas idéias, no geral, foram tão importantes que ele acabou reeleito para um segundo mandato em 1990.

        Mas Eymael queria mesmo era ver sua musiquinha tocando nas ruas, e com ela voltou a concorrer para prefeito de São Paulo em 1992, tomando novamente uma tunda, desta vez do Paulo Maluf.

        A direção nacional do PDC resolveu fundir o partido com o PDS (Partido Democrático Social), que de democrático não tinha nada – era apenas o novo nome da velha ARENA, o partido de sustentação da ditadura militar. Isso aconteceu em 1993, e dessa fusão nasceu o fracassado PPR. Essa nova legenda daria com os burros n’água, e em 1995 fundir-se-ia com o PP (Partido Progressista), formando o PPB (Partido Progressista Brasileiro), hoje novamente chamado apenas PP.

        Eymael ficou de fora dessa cafajestada direitista toda, e em 1995, inventou seu próprio Partido Social Democrata Cristão. E foi pelo PSDC que ele se lançou para presidente em 1998, em uma eleição na qual a vitória, pela segunda vez, de Fernando Henrique Cardoso era dada como quase certa. Eymael não se intimidou, e fez uma votação insignificante em uma eleição ganha pelo antigo adversário FHC.

        Em 2002, Eymael não apareceu como candidato a presidente. Eu pensei até que ele tivesse desistido. Mas em 2006, ele ressurgiu na tela, ao som da já lendária marchinha "Ey ey Eymael...", para mais uma retumbante derrota eleitoral, ficando perto dos últimos lugares.


        Eu simpatizava com esse cara, e quase me meti no partido dele
        Eu sempre simpatizei com o Eymael. Não tanto pelas idéias políticas dele, mas porque, segundo a declaração de bens que ele fez para o TSE, ele não precisaria fazer política para ficar numa boa, e no entanto faz. Eu o via como um diletante, um apaixonado, um sujeito que perde uma eleição atrás da outra e no entanto não se cansa de tentar, provavelmente para ter seu espaço, pronunciar suas idéias, mesmo sabendo que dificilmente ganhará alguma coisa algum dia.

        Aqui em Viamão, eu e uma turma estávamos cogitando, lá por 2005, sobre o que faríamos no ano seguinte (eleições gerais de 2006), e concluímos que era hora de ganhar espaço para denunciar os políticos profissionais. Para isso, precisaríamos de uma legenda, mas não uma que fosse grande, e sim uma que não existisse aqui na cidade, para podermos fundar o diretório local e sair para a luta.

        Uma das opções era o PSDC. Mandamos um e-mail para lá, e um sujeito ligou de volta, mas não era o Eymael (embora, durante a conversa, se pudesse ouvir uma voz parecida com a dele ao fundo). Esse assessor, representante ou sei lá o que, nos explicou que o partido aceitava a fundação de diretórios regionais e municipais desde que cada um desses diretórios recolhesse ao caixa do diretório nacional uma cota a ser arrecadada junto aos filiados, sob forma de contribuição ao partido. De início, pensei que fosse um determinado percentual sobre o salário de cada filiado, o que até faria sentido, mas logo fui informado de que era um valor fixo, algo em torno de mil reais. O que significava que, no início, sem filiados o suficiente para cotizar, alguém teria que cobrir o custo. Na realidade, aquilo me cheirou muito mal. Apesar do discurso cheio de termos eufemísticos, na prática, se quiséssemos usar a legenda do PSDC, teríamos que pagar por isso.

        Ora, se alguém tem uma agremiação política com algum tipo de ideologia, e quer que essa causa se espalhe pelo país, é natural que estimule a criação de diretórios regionais. Impor um valor de colaboração a ser enviado para o diretório central, para mim, só pode ser um sintoma de se estar diante de uma legenda de aluguel, uma das coisas mais chulas e baixas que temos na política brasileira.

        No fim, não pegamos nenhuma legenda para fazer nossa Pegadinha do Mallandro eleitoral em 2006, porque todo mundo foi apoiar candidatos de verdade em partidos de verdade. Mas eu acabei vendo uma face do partido do Eymael que eu preferia ignorar. Agora, não sei mais se ele é um cara obstinado, um candidato que não se abala com as derrotas, ou se ele continua nisso para obter algum dia algum tipo de lucro com essa história toda. Se alguém tiver algum esclarecimento sobre essa questão, favor utilizar o espaço para comentários do post.

        Este ano, parece que o Eymael vai sair candidato a presidente novamente. Só espero que ele use o jingle que o consagrou. Aos 25 anos de idade, será a peça de campanha política mais longeva da história brasileira e, quem sabe, mundial.

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        Quinta-feira, 18 de Fevereiro de 2010, às 13:42:40
        ::: Toda religiao nasce como filosofia simples e torna-se instituição complexa
        Fascínio fetichista por rituais e proibições, elite clerical definida e a idéia de que existem "os outros", os descrentes. Marcas registradas da religião - quase qualquer religião.
        Hoje eu estava lendo (com grande atraso, é verdade) uma revista Grandes Religiões (da coleção História Viva), mais precisamente, a edição que fala sobre o budismo.

        Para quem não conhece essa coleção, já digo que ela não tem um estilo descritivo único, porque cada revista é composta por vários textos de vários autores, cada um tratando um aspecto do assunto (no caso, a religião) abordado. O legal é que os autores são pessoas que parecem realmente conhecer a coisa. Só que muitos trechos são meio incompreensíveis para quem não tem noção alguma, por exemplo, sobre budismo. Ou islamismo. Eu leio numa boa, mas não recomendo para uma pesquisa de colégio, por exemplo.

        Agora, existe um aspecto nessa história do budismo que os autores provavelmente não suspeitaram que ficaria evidente: a história do budismo como religião fala de uma filosofia “solta” que acaba se transformando em uma espécie de igreja cheia de regras, proibições e dogmas. Em resumo, ela é muito parecida com a história do cristianismo. Duas religiões bem diferentes, mas ao mesmo tempo igualmente vítimas de si mesmas.

        Elas começam (ambas) com um sujeito solitário, que prega idéias girando em torno da simplicidade, ascetismo, desapego e coisa e tal. Só que Jesus atribui-se um caráter divino enquanto Buda não fala em deuses. Mas isso é detalhe. No momento seguinte, esses pregadores esfarrapados acham um bando de pessoas dispostas a segui-los, e organizam uma comunidade de crentes da nova fé. Daí, os pregadores originais morrem e a nova religião/filosofia se espalha. Ao espalhar-se, ela vai adquirindo ares de uma verdadeira religião organizada, com um corpo clerical, regras e proibições. Vão ganhando um aspecto mais formal, com comportamentos que são condenados dentro da comunidade de crentes, castigos, e uma série de rituais que originalmente não existiam. Cada um dos discípulos (originais ou posteriores) tenta impor sua visão pessoal sobre o significado dos ensinamentos do mestre original. Organiza-se um corpo de livros escritos para nortear as idéias dos credos. E com isso eles institucionalizam-se, tornando-se eventualmente as religiões oficiais de algum reino (no caso do budismo, a Índia do imperador Asoka e no caso cristão, a Roma de Constantino). O corpo de clérigos da igreja se funde à estrutura estatal e ela passa a ter uma função política, normalmente ajudando a manter a ordem social e o status quo através do seu aparato ideológico/espiritual. Depois, com o passar dos séculos, as duas religiões acabaram se dividindo em seitas e grupos que na verdade traduzem as misturas das idéias originais daquela fé com aspectos culturais dos países por onde ela se espalhou.

        Não que com isso eu esteja querendo dizer que Jesus e Buda são figuras parecidas, ou que tenham alguma relação. Não me entendam mal. Os supostos inventores de cada uma das religiões provavelmente nunca ouviram falar um do outro, até porque viveram em épocas bem diferentes. Mas as religiões têm algo em comum, e não apenas essas duas, mas quase todas: o próprio confucionismo, que a princípio era apenas uma série de ensinamentos sobre a vida e como levá-la por um bom caminho, acabou sendo transformado em uma legítima religião, com instituições, rituais e regras.

        A grande verdade é que quase todas as religiões nascem como filosofias que enfatizam um caminho que o seu idealizador define como o ideal para a vida, a salvação eterna e a plenitude. Neste estágio inicial, o foco está na ação positiva. Depois, com os anos, na medida em que as religiões crescem e passam a ser controladas por uma estrutura institucional, o foco vai sendo deslocado para as proibições. E como elemento de coesão, criam-se rituais. É sempre assim. Se analisarmos a história de cada tipo de fé professada no mundo, existe um certo padrão – há exceções, claro, mas não em proporção muito grande.

        É claro que, se uma religião cria para si a idéia de proibição – numa palavra bem cristã, a idéia de “pecado” – e transforma o grupo de discípulos em uma espécie de comunidade, obviamente este grupo condena a atitude dos grupos humanos que não consideram os “pecados” como pecaminosos. E aí cria-se a idéia de “nós” e “os outros”, raiz de todas as guerras religiosas do mundo até hoje. E mais uma vez, observa-se que quase todas as religiões acabam reunindo comunidades de crentes, que obviamente condenam os não-crentes daquela fé. Seja esta comunidade uma Europa unida lançando cruzadas contra o islã, seja o mundo muçulmano do Oriente Médio lançando guerras contra Israel, sejam os evangélicos no Brasil condenando tudo o que é “do mundo”. Nem sempre a ação contra “os outros” tem um cunho violento ou militar.

        O que eu não consigo entender é por quê os crentes de qualquer fé tendem a mudar o foco de suas religiões ou filosofias originais sempre para o aspecto das proibições. Buda pregava um bando de coisas, mas tem muito budista que foca-se no vegetarianismo e no ascetismo. Assim como Jesus pregava um bando de coisas, mas a maioria dos crentes preocupa-se em não beber e não cair na gandaia. É sempre igual: da apologia aos ensinamentos positivos, descamba-se para a observação estrita das proibições, dos “não pode” – que na realidade, são um tremendo de um saco, e não deveriam fascinar tanto aos clérigos. Mas é exatamente aí que mora a função social da religião, apontada pelo velho e manjado Marx (aquele papo de “ópio do povo”, e tal). Além disso, as pessoas parecem precisar de um deus punidor, uma espécie de fetiche.

        Mas vamos sintetizar: a grande constatação nisso tudo é que as religiões sempre surgem como filosofias, ou pregações, despojadas de um corpo institucional e, mais tarde, ganham toda aquela carga de apetrechos típicos das religiões organizadas. Com o cristianismo foi assim. Com o budismo me parece que não foi diferente. É um fenômeno histórico recorrente.

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        Sexta-feira, 25 de Setembro de 2009, às 14:13:27
        ::: Jesus Cristo vai voltar, aleluia, e em Porto Velho ele vai morar, aleluia.
        Notem que ele pelo menos fez bom uso do Photoshop: no alto, vemos o Cristo em sua propaganda impressa, e abaixo, a foto do dito cujo sem photoshopada, parecendo o filho do Belchior com o Inri Cristo.
        Ele não anda sobre as águas. Ele não multiplica os pães e os peixes. Ele não revive os mortos. Mas, mesmo assim, não deixou de acreditar que um milagre poderia acontecer, não na Terra Santa, mas aqui mesmo no nosso Brasil.

        Omedino Pantoja concorreu a vereador em Porto Velho (Rondônia) em 2008, pelo PRP. Lançou-se com um material coloridinho, uma foto tratadinha, e nada de dinheiro para investir na campanha. Normal. Uns 60% dos candidatos que figuram nas nominatas das cidades de interior do Brasil são absolutamente pelados, ganham um certo número de panfletos e outros materiais produzidos às custas do candidato a prefeito, que espera com isso amealhar alguns votos na região de atuação destes candidatos pé-rapados. Eu mesmo já orientei muitos desses em eleições passadas, pois eles muitas vezes nem sabem fazer uso eficiente do pouco material que têm. E mais de uma vez vi esses caras surpreenderem na urna - não ganhar, mas surpreender.

        Bom. Não foi este o caso de Omedino, o Cristo de Jerusalém. Ele fez apenas 420 e ficou na 120ª posição no ranking dos candidatos locais.

        O pseudo-messias do Norte aparentemente ficou P*** da vida com a derrota, a julgar pelas declarações que deu à imprensa. "Esperava muito mais votos. Tem gente que se elegeu que não se sabe de onde veio. Sou conhecido em toda Rondônia, em todo o mundo e fiz esta miséria de votos. Em Porto Velho, sem dinheiro, nem Cristo se elege."

        Omedino interpreta o papel de Jesus há 32 anos, na apresentação do espetáculo "O Homem de Nazaré", todos os anos, na Páscoa. Esperava fazer muito mais votos. Ele parece ser vítima do que eu denomino como "Síndrome da sub-celebridade local", que acomete muitos candidatos a vereador por aí: o sujeito realiza algum trabalho artístico ou atua junto a um público muito grande, e por isso imagina que tem uma enorme visibilidade. O passo seguinte é quando o cara pensa que isso vai se refletir em votos, o que quase nunca acontece.

        Omedino disse ao portal Terra: "Esperava muito mais votos. Tem gente que se elegeu que não se sabe de onde veio. Sou conhecido em toda Rondônia, em todo o mundo e fiz esta miséria de votos." É uma mancada pensar assim. Não adianta nada ter a cara conhecida. Para fazer o voto, ou o sujeito desperta uma enorme simpatia sobre sua pessoa nos demais, ou o sujeito oferece alguma coisa ao público, como um projeto muito bem bolado ou algum tipo de melhoria para a vida dos eleitores. Simplesmente ser visto e reconhecido por um monte de gente não é sinônimo de ser candidato forte.

        Querem ver um exemplo? Sérgio Zambiasi. Ele montou uma espécie de relação de amizade para com seu público, que o vê quase como um amigo frequentador da cozinha da casa. Por isso votam nele. Outro caso diferente é o do Fernando Henrique Cardoso, que não arrecadou o voto da simpatia, e sim o voto do projeto: ele era o "Homem do Plano Real", aquele que havia criado a nova moeda e enterraria de vez nosso passado inflacionário. No extremo oposto, temos vários artistas, como o Juca Chaves. Todo mundo sabe quem é o Juca Chaves. Mas nem por isso ele foi eleito senador em 2006.

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        DesEntrevista com Plínio de Arruda Sampaio
        Uma super-mega-power desentrevista, ou seja, uma entrevista sem entrevistado, feita não por um jornalista, e sim por uma pessoa possivelmente ruim das faculdades mentais.

        O "assistencialismo" é obrigação de um Estado humanista
        Coluna publicada no Diário de Viamão dando "nos dedos" da galera que critica o "bolsa-esmola" e outras ajudas sociais.

        José Serra, bancando o espertinho, e se dando mal
        O candidato tucano à presidência esquiva-se de FHC, faz um jingle no qual parece ser seguidor do Lula, e mesmo assim está sendo "cristianizado" por sua própria base.

        Yeda aposta na polarização, ou seja, começou a mentir para si mesma
        Uma análise sobre as chances nulas de Yeda Crusius continuar no poder. Porque o povo já decidiu que seu projeto está morto, só ainda não elegeu o coveiro.

        Tipos Típicos: o Cult-Bundão
        Um estudo antropo-sociológico sobre um tipinho típico da fauna humana Lima-e-Silvense.

        Ódio da auto-ajuda corporativa
        Um manifesto sobre choques de gestão desnecessários, livrinhos de autoajuda para executivos e outras babaquices do mundo corporativo.

        Viamão, capital dos absurdos, paralisa obras do PAC
        A Prefeitura de Viamão estranhamente mandou pararem as obras do PAC na cidade, mas mandou o vice-prefeito a Brasília, para pedir novas obras. Nem Freud explica.

        A medicina no reino encantado do espiritismo
        O dia em que vi os "fabulosos" resultados de uma cirurgia "pelo espaço" e tive ainda mais certeza de que estamos sozinhos, voando em cima de uma pedra perdida no universo.

        Toda religiao nasce como filosofia simples e torna-se instituição complexa
        Muito parecidas com fenômenos classificados como "histeria coletiva", todas as religiões nascem como idéias, e logo tornam-se instituições com códigos de proibições rígidos e discursos prontos para rebater argumentos de qualquer tipo.

        Memórias de Winston Churchill: tratado de paz criou outra guerra maior ainda
        Ando lendo as memórias do primeiro-ministro britânico que enfrentou a Segunda Guerra Mundial, e é notável como ele faz uma análise fria e exata das razões do conflito. Inclusive, afirmando coisas polêmicas. Por exemplo: Churchill diz que a Alemanha não estava pronta para abolir a monarquia, e isso foi decisivo para levar o nazismo ao poder.
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