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      • Candidata Mais Gata 2010
        É isso aí, pessoal! Este ano, o festival de homens feios que pedem nossos votos pode ser compensado por alguma "colírios" no horário eleitoral. Uma destas beldades do mundo da política será escolhda a Candidata Mais Gata de 2010 no Rio Grande do Sul! Vote e faça História!

        OBS: esta enquete não tem por objetivo ofender a ninguém e nem reduzir as candidatas, como se estas fossem feitas apenas de seus atributos físicos. Sabemos que elas são muito mais do que isso. Mas o objetivo desta enquete não é discutir propostas, qualificações e ideologias, não é definir o voto de ninguém nas urnas. É, apenas, tornar as eleições mais divertidas.
        Jéssica Nucci
        Deputada Federal - PSTU 1606

        Manuela D´Avila
        Deputada Federal - PC do B 6565

        Gisele Uequed
        Deputada Estadual - PV 43123

        Ju Palhares
        Deputada Federal - PSOL 5025

        Juliana Brizola
        Deputada Estadual - PDT 12001

        Adriana Steinmetz
        Deputada Estadual - PMN 33999

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        Parcialidade Total
        Blog do meu amigo Eduardo Leonardi. Um cara que realmente tem estilo próprio, e seguiu o jornalismo como meio de vida em tempo integral. Curiosidade: esse cara tem uma voz tão calma que, quando narrava uma tragédia sangrenta nas aulas de rádio, dava a impressão de estar dando o boletim do tempo.

        Blog do Flávio Gomes
        Esse cara é jornalista, apaixonado por carros Lada, tem um DKW e faz uns videos nos quais encarna "Indiana Gomes", que nos mostra os carros mais bizarros e museológicos imagináveis. Teve até uma vez em que ele andou num Trabant. Fabuloso.

        Diário de Carina
        Leia e confira, as idéias de uma quase-jornalista brigando pela causa. Na verdade, não conheço essa tal de Carina, mas me dá a impressão de ser uma das pessoas mais idelistas e fofuchinhas do mundo.

        Cinéfilos
        Resenhas críticas, curtas e objetivas, de filmes. Só isso. Sem entrevistas, sem frescuras, sem nada. Só os filmes e ponto final. para quem gosta de dar umas risadas e conhecer um pouco sobre cada produção que vai saindo do forno.

        Conservador e daí?
        Conservador, mas conservador mesmo! Esse blog se opõe até mesmo à Revolução Francesa e aos ideais de liberdade pelos quais ela foi realizada. Ah, e é nele que eu li pela primeira vez o lema "nuremberg para os comunistas, já!" Sentiu o drama?

        Blog Molotov
        Aparentemente, o extremo oposto de "Olavo de Carvalho" e do "Conservador e Daí", mas, na prática, muito semelhante no grau de virulência com que trata os temas. Este é um blog mantido por pessoal do PSTU, com uma linha socialista, revolucionária e empedernida de chavões da nossa manjada whiskesquerda. Mas ostenta esse charmosíssimo nome.

        Bender Blog 2.0
        Esbarrei neste aqui por acaso. Tchê, que cara interessante de se ler. Ele fala sobre vários assuntos e traz uma visão crítica, mas bem humoriada, sobre quase tudo. E o lema é uma pérola: "Concorde comigo ou esteja fatalmente errado."

        Escreva Lola Escreva
        O blog de uma intelectual que não escreve para intelectuais. os assuntos são bem variados e a perspectiva da blogueira é bastante diferente da minha em alguns pontos, enquanto é quase igual em outros.

        Irmão do Décio
        Blog do sujeito que criou o fictício New Fiat Premio. Que mais posso dizer?

        Site da CEEE
        Site da melhor entre as 3 concessionárias de distribuição de energia elétrica do RS.

        Site da FENAJ
        Federação Nacional dos Jornalistas, nossa gloriosa entidade de nível nacional.

        Olavo de Carvalho
        Site de opiniões do mais maluco dos direitistas. Ele ainda vê o "perigo vermelho" até nos desenhos animados.

        Região dos Vales
        Site que reúne colunas, notícias, informações e novidades da região que, para mim, é a mais bonita de todo o lindo, inigualável e gigante Rio Grande do Sul.

        Sindicato dos jornalistas do RS
        O bom, velho e lutador sindicato da "catiguria" na província de São Pedro.

        Internautas Cristãos
        Site com textos que defendem uma visão cristã da vida e do mundo. Andei lendo na tentativa de voltar a acreditar em Deus. Não deu certo, mas vocês podem ir lá e tentar.

        Blog do Zé Piciña
        Blog do retardado mais reacionário que já vi Ele demonstrou, por exemplo, a ligação entre Iron Maiden e o satanismo. É cômico.

        Studio Pampa "oficial"
        Vocês querem bacalhau? Vocês querem mocotó? Vocês querem pão e circo? Este site "oficial" é bom por uma razão: avacalha totalmente o programa. E é muito divertido.

        Blog da Fran Fofura
        Dizem que depois de ir ao BBB, as novas subcelebridades não fazem nada que preste. Mas eu gostei tanto do desenho e do tom do blog que resolvi dar uma chance.

        ADJORI-RS
        Site da Associação dos Jornais do Interior do Rio Grande do Sul.

        O Ícaro e a Borboleta
        Por incrível que pareça, é o blog do Byafra. Dele, e de uma mulher que eu não sei quem é. Mas não espere encontrar ali memórias dos tempos do Chacrinha ou uma agenda de shows em lugares obscuros. Byafra demonstra ali que é poeta, pensador e meio comunista, acho eu.

        Zacarias Martins
        Blog do meu amigão tocantinense Zaca Martins, um poeta, escritor e jornalista. Um verdadeiro maestro das letras, que usa as palavras como se fosse uma orquestra muito bem afinada. Mas o blog tem, além da parte poética, algumas críticas à cena cultural do Norte, que são bem interessantes. Confira, que vale a pena.

        Larissa Maciel Oficial
        Blog que acompanha todos os movimentos e novos projetos da atriz gaúcha Larissa Maciel, já consagrada no papel de Maysa Matarazzo, no seriado sobre a vida da cantora.

        A Filosofia de João de Freitas
        Esse deve ser o cara mais sábio do mundo. Autor de livros online que vão desde "Como parar de fumar" até "Ateus graças a Deus", esse cara nos ensina coisas do tipo "como tornar-se irresistível", "a fonte da juventude" e muito mais. Lendo o site, pode-se passar em concursos públicos e ampliar a memória em 100 vezes. Além de tudo, escreve contos eróticos. Não há nada que ele não saiba! Olhando só para o site, não há dúvidas de que ele é o Messias!

        Marsupialis (Blog da Julia)
        Não me perguntem o por quê desse nome bizarro. Mas este é o blog de uma menina superlegal, linda e inteligente chamada Júlia, filha de uma colega minha aqui do serviço. Só que ela tem umas teorias meio estranhas, e não bebe. Mesmo assim, vale a pena ler porque, dessa turma da idade dela, ela é uma das pessoas mais com a cabeça no lugar que conheço. Confira.

        Léo Brandão
        Blog de um sujeito que, apesar de ter criado a comundiade oficial do Studio Pampa no Orkut, é extremamente lúcido e inteligente. Costuma comentar assuntos como a profusão de partidos sem ideologia no Brasil, mas sem fazer discurso eleitoral para ninguém.

        Esquerdopata
        Blog com um discurso esquerdão e informações atuais que a mídia prefere dar uma ignorada. Resolvi colocá-lo na lista depois de ler um post no qual o blogueiro fala das soluções com "custo zero" para motivar funcionários, algo que para mim também não faz sentido.

        Quanto tempo dura?
        Um blog que fala sobre TV, artes, política e tudo mais de uma maneira realista e meio escrachada, bem ao meu gosto e prática. Cansou de ler as atiradas aqui do meu blog? Vá ler as desse cara. O estilo é semelhante.

        Guerrilheiro do Entardecer
        Vou usar a própria definição do blog: "Este é um blog que defende idéias de justiça social, autodeterminação dos povos, democracia, liberdade, respeito aos direitos humanos e à construção de uma sociedade onde todos possam viver com dignidade." O autor é professor de História e não tem meias palavras.

        Jerre Rocha Mototurismo
        Blog de um cara cuja vida é viajar de moto, bater fotos impressionantes, e depois viajar denovo para lugares ainda mais fascinantes.

        Brigato Design
        Assim como o Irmão do Décio, a Brigato Design dedica-se a desenhar carros como eles deveriam ser: bonitos, modernos, funcionais e acima de tudo, tributários aos maiores clássicos da história automobilística do Brasil. É lindo de se ver. Me apaixonei de vez quando colocaram no ar o design (imaginário, claro) do Opala 2011. Coisa quem nem a Chevrolet de verdade teve a glória de criar.

        Claudio Dullius de Viamão
        Blog do meu amigo Claudio Dullius, um tucano meio liberalão que adora dar pau no pessoal do PT. Voltado para as questões de Viamão, o site tem épocas de extrema falta de inspiração, resumindo-se a reproduções de mensagenzinhas de piada política. Mas quando surgem as épocas inspiradas, o Cláudio nos brinda com os posts mais geniais imagináveis.

        Kadu Schwartzhaupt
        Blog do tucaníssimo Kadu, uma baita figuraça e um grande amigo, que é formado em um pouco de tudo e quem sabe um dia presidirá o PSDB. O bom de ler o blog dele é que ele não concentra sua tucanisse em atacar o PT, e sim em promover os parlamentares e o governo do partido dele, algo meio raro de se achar na web - eu leio porque sempre gosto de ver o contraponto das críticas.

        Viamão Incrível
        Tudo o que (não) acontece em Viamão neste incrível site de notícias verdadeiras (ou não), narrados de maneira brilhante (ou não). Segundo o VI, a cidade recebe visitas de Hugo Chavez e Bill Gates, cedeu um terreno para a gravação de Lost, é campo de pouso de ETs semanalmente, e a lista de material das escolas inclui armas de grosso calibre. Ah, a cidade ainda conseguiu tornar-se um Estado independente do Brasil, abriga uma retransmissora da Al Jazeera, dentre outros disparates. Leia e mije-se de rir.

        A política como ela é
        Blog sobre política (mesmo? dããã), que faz análises cáusticas e inteligentes sobre acontecimentos, pessoas e fatos nacionais e internacionais. Muito bem elaborado, não cai na politicagem e não apresenta pendores escancarados por partido algum. Por incrível que pareça, vale a pena ler, porque os textos são cativantes e bem elaborados.

        Câmara Municipal da Viamão
        Para o bem ou para o mal, para orgulho e glória, ou para vergonha da cidade (em alguns casos), esses são os representantes da nossa população local. Então, é função de cada um de nós, pelo menos, dar uma olhada no que eles andam fazendo com o nosso dinheirinho suado.

        Blog do Pedro Ruas
        Esse cara é um político inegavelmente coerente e lutador. Pode não ser do meu partido, mas eu o admiro e qualquer um que se considere pensante neste Estado do RS deve ler, pelo menos de vez em quando, as análises que o Ruas faz da realidade atual, daqui e do exterior.

        Blog da Luciana Genro
        Blog da deputada federal do PSOL, a filha do Tarso Genro que é bem mais "votável" do que o pai.

        Matérias e artigos classificados como:
        Total: 20 matérias neste grupo.



        Terça-feira, 07 de Setembro de 2010, às 14:17:01
        ::: Dilma e o PT abraçaram o Collor, mas agora têm vergonha de beijá-lo no horário nobre!
        É isso aí: o partido que derrubou Collor do poder em 1992, dez anos depois o acolheu como importante aliado e, em 2010, tem nele um grande puxador de votos no Nordeste. Mas é como se fosse uma amante: o amor só rola em segredo. Deve dar vergonha mesmo, essa aliança. Mas se não a queriam ver divulgada, que não a firmassem em primeiro lugar.
        De início, inimigos...
        O povo revoltado com as falcatruas do Collor.
        Lula, antes de o PT "amarelar" e mandar embora a turma do PSTU.
        Mas o que foi que aconteceu, que parte do filme eu perdi?
        Mas que bonitinho!
        Minha candidata parece que deu uma escorregada feia. Do tipo que, para mim, é imperdoável. Não vai mudar meu voto, mas fica a mancha.

        Primeiro erro: até o Diabo, trazendo votos, é bem vindo.
        A cagada começou na pré-campanha. O senador Fernando Collor de Mello começou a dar apoio ao governo Lula, e virou aliado natural da Dilma para as eleições. Mancada dela foi aceitar esta amizade. Eu, que sempre defendi a exclusão de nomes sujos, mesmo que puxadores de votos, nas nominatas, acho inadmissível um partido fazer campanha, passeatas, derrubar um sujeito por ele ser corrupto, e depois abraçá-lo só porque traz votos.

        Para quem não lembra...
        Fernando Collor é um filhote da ditadura militar, que concorreu a Presidente em 1989, com grande apoio da mídia e diversos truques sujos. Ele achou uma filha ilegítima que o Lula teve na juventude e criou várias histórias, de que ele tentara obrigar a mãe a abortar, coisas escabrosas do tipo. A Globo editou o video do último debate entre Collor e Lula, para favorecer ao candidato da direita. Enfim. Collor jogou sujo e baixo. E ganhou. Em 1990, tomou posse. Confiscou os valores das contas de Poupança de todo mundo, foi acusado de corrupção. O povo foi às ruas (o PT teve papel importante no "Fora Collor"), e em 1992, Fernandinho reununciou, ficando sem direitos políticos. Como o povo brasileiro parece sofrer de amnésia, em 2002 ele voltou, como Senador por Alagoas.

        Collor, o neo-petista?
        O forrobodó atual começou porque o PSDB pegou umas imagens do Collor nas ruas, pedindo votos para a Dilma, e exibiu no horário eleitoral. A candidata não gostou, claro: associar-se publicamente à imagem do Collor é o mesmo que sujar-se. Collor tem, e terá para sempre, a pecha de "ladrão", como o único presidente derrubado por causa da corrupção no Brasil.

        Segundo erro: abraçou o demônio? Então agora beija!
        Daí, a campanha da Dilma entrou com pedido no TSE para que tirasse o video do ar. Ora bolas! Então, na hora de pedir apoio para o governo no Senado, na hora de pedir transferência de votos nas ruas, o Collor é bom. Mas na hora em que esta associação torna-se publicamente conhecida, é ruim? Não entendi! Se é aliado, não há porque esconder. E se não fosse, não estaria pedindo votos para ela! Se o PT não viu nada de errado em abraçar o Collor, agora não pode ter vergonha de beijá-lo no horário nobre.

        Desculpa esfarrapada
        Ao suspender a propaganda, o ministro Joelson Dias destacou que, aparentemente, a inserção teria realmente “se valido de gravação externa, o que é vedado pelo artigo 51, IV, da Lei 9.504/97”.

        Qua qua qua!

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        Domingo, 29 de Agosto de 2010, às 17:03:28
        ::: Prefeito de Palmares do Sul derrubado por suspeitas de corrupção
        Fortes suspeitas de corrupção levaram a Câmara Municipal a derrubar o mandatário do município, mais uma vez. E desta vez, vai ser mais difícil levantar-se.
        Localização de Palmpares do Sul (é aqui do lado)
        Caiu!
        No sábado, dia 21 de Agosto, a Câmara Municipal de Palmares do Sul (município ao qual pertencem as praias de Quintão e Rei do Peixe) aprovou o impeachment do prefeito Ernesto Ortiz (PSDB), depois de dois dias de debates acirrados, em sessão extraordinária, por uma votação de 7 a 2. O caso teve momentos cinematográficos, reviravoltas e lances inesperados.

        No dia 6 de Agosto, debaixo do peso de uma avalanche de acusações de corrupção contra o prefeito Ortiz, a Câmara Municipal votou pela primeira vez, favorável ao impeachment, derrubando do poder o governante. A ação que determinou a cassação, teve a iniciativa dos advogados Julieta Fernandes e Afonso Praça que apresentaram ao Legislativo seis processos que estavam tramitando na Justiça. Dois deles referem-se a contratação escritórios de advocacias sem licitação e os demais por gastos em publicidade sem licitação, desvio de verbas previdenciárias, reformas na Escola Bento Gonçalves sem licitação e obras supostamente superfaturadas e contratação de uma professora estadual para exercer a função de secretária de Educação sem a devida autorização e licença do Estado, o que originou duplicidade de função.

        Na votação individual de cada processo o prefeito obteve em todos sete votos contra e dois a favor, originando assim seu afastamento imediato da função. A votação foi secreta. Era uma sexta-feira à noite.

        Na segunda-feira, dia 8, o vice-prefeito Luciano Bins assumiu como prefeito. Ficaria menos de 3 dias no cargo. Já no dia 11, Ortiz conseguiu voltar ao poder através de uma liminar, alegando que a votação de seu impeachment não poderia ser considerada válida, por ser secreta. Confiava que, em votação aberta, o resultado fosse diferente.

        Na sexta-feira, dia 20, iniciou-se nova sessão, desta vez com a presença do prefeito e de seu defensor, o advogado Vanir de Mattos. Porém, tarde da noite do mesmo dia, Vanir simplesmente retirou-se e abandonou a defesa do prefeito, alegando quebra de confiança de seu cliente. Diante disso, a sessão foi interrompida e marcada para reiniciar às 10 horas de sábado, sendo a advogada Magália Monteiro Cardoso apontada como defensora dativa.

        A vereadora Ellis Regina, que é relatora do processo, informou que o prefeito Ernesto Ortiz teve várias oportunidades para se defender no decorrer do processo, mas nem ele e nem seu advogado apareceram nas várias convocações realizadas pela comissão processante. "O prefeito nunca quis se defender quando convocado", disse a vereadora. O vereador Manoel Antunes declarou que a doutora Magália Monteiro Cardoso era uma pessoa de confiança do prefeito, pois já o defende em alguns processos administrativos.

        Na nova rodada, não teve jeito: novamente, os vereadores cumpriram com a vontade do povo e derrubaram, desta vez definitivamente, o prefeito Ortiz. Ele responde, ainda, a processo no Superior Tribunal de Justiça, por conta de atos que ele praticou em seu mandato anterior, em 1996, e que são semelhantes aos praticados na gestão atual.

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        Quarta-feira, 04 de Agosto de 2010, às 11:45:45
        ::: O outro lado do caso "Politicagem nas demissões da Câmara de Viamão"
        Vocês já leram aqui, ontem, a história de uma senhora demitida da Câmara, e que acusa um vereador de ser seu algoz. Agora, vejam a outra versão da história, e por quê eu não ouso arriscar um palpite sobre quem tem razão.
        Quando o bombardeio é forte demais...
        ... ou derruba de vez ...
        ... ou sai pela culatra e estoura na cara do atirador.
        Histórias mal explicadas são outra coisa que o Camarada Nikita reprova, batendo com seu sapatinho na mesa da ONU.
        Hoje, recebi novas informações sobre as denúncias de politicagem na escolha dos demitidos da Câmara Municipal de Viamão. Foi um papo com um amigo que circula pela política da cidade e ouviu a outra versão da história, a do vereador que supostamente teria "condenado" o emprego da senhora demitida na sexta-feira passada.

        Segundo essa fonte, a decisão não teria tido nenhuma influência do vereador apontado como "carrasco", e teria sido tomada por membros da própria Mesa da Câmara, sendo que aquela senhora não pertencia a nenhum gabinete, e respondia diretamente à Mesa. O vereador "demonizado" teria recebido a notícia da demissão a posteriori. "Ela saiu dentro de uma lista de 40 nomes", segundo a fonte, escolhidos pelas funções que exerciam: os setores nos quais um ou outro funcionário não fossem absolutamente imprescindíveis sofreram cortes, de forma pragmática, e não emocional ou política.

        Bom. Já temos aqui no blog as duas versões da história.

        A versão da senhora demitida é verossímil porque sabe-se que, fora os concursados, os outros funcionários do governo (incluindo o Legislativo) são geralmente nomeados e demitidos por indicação política. Em última análise, a história torna-se plausível porque, no Brasil, a política é conhecida como um terreno naturalmente pantanoso e sujo.

        Já a versão do vereador também é verossímil, para mim, porque ultimamente há um amplo setor dentro do partido dele que o ataca. Não apenas aquela senhora que foi demitida, mas muitas pessoas que conversam comigo, evidentemente longe das vistas do vereador, e que expressam sua rejeição pela figura. Dizem que é autoritário, que quer "tomar conta" da legenda. O que só pode significar duas coisas: ou o cara tem mesmo tendências totalitárias, ou é tudo obra de algum outro líder dentro do mesmo partido, que quer derrubar o vereador em questão, para colocar em prática suas próprias idéias totalitárias de controle do partido.

        Sim, porque eu já vi gente "levando pau" dentro de partidos sem ter feito nada de mau, apenas porque outros queriam o poder total e aquele azarado sujeito representava uma pedra no caminho dos espertinhos. E já vi gente tentando manobrar para ter o poder total, e ser detida por uma onda de ataques. Não sei mesmo qual é o caso nesta situação. Mas estão aí os dois lados da pendenga, para vocês, leitores, decidirem.

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        Terça-feira, 03 de Agosto de 2010, às 16:59:44
        ::: Suspeitas de politicagem nas demissões da Câmara de Viamão
        Redução nos gastos da Câmara fez algumas cabeças rolarem. Mas comenta-se, à boca não muito pequena, que teve até jogo sujo no meio.
        Política é foda...
        Esse é o tipo de golpe que alguns políticos gostam de dar em seus próprios companheiros...
        Politicagem é uma coisa que o Camarada Nikita reprova, batendo o sapato na mesa.

        Em Viamão, a politicagem é quem reprova (e demite) VOCÊ!
        Que a Câmara Municipal de Viamão está sendo obrigada a reduzir seus gastos com pessoal, é algo notório, que está sendo informado pela imprensa da cidade há algum tempo.

        O que, porém, é ainda obscuro são os processos pelos quais se estão escolhendo quais as cabeças que devem rolar aqui.

        Hoje mesmo, conversei com uma velha amiga que foi mandada embora do Legislativo viamonense na sexta-feira passada. Ela trabalhava fora de qualquer gabinete, em uma área neutra e, segundo consta, fazia um bom trabalho - enquanto sabe-se que várias pessoas, menos produtivas, continuam e continuarão por lá.

        Houveram reclamações de seus colegas de setor, pedindo para que revissem a decisão de mandá-la para a rua, mas a indicação de seu nome parece que veio de um vereador do próprio partido ao qual esta senhora é filiada. Quais as razões do "fogo amigo"? Será medo de disputar "limpo" o poder intrapartidário? Será o temor de ser ofuscado, mesmo que de leve, por pessoas com brilho próprio?

        O fato é que esta senhora agora está desempregada, e o tal vereador deve estar bem satisfeito com o resultado dessa covardia, ou infantilidade, ou ambos, cometida. Nesses casos, o presidente da Câmara poderia intervir, mas aí ele tem que ter jogo de cintura para não parecer autoritário ao vetar uma demissão dessas. Enfim, é um jogo complicado. Nem sempre o presidente pode reverter, e eu não sei se nesse caso ele poderia ter tentado.

        Azar. À demitida, ficam meus desejos de boa sorte. A vida é assim mesmo: ela não é justa, e a maior parte das pessoas também não o são. De qualquer jeito, não dá para se deixar abater. Bola pra frente!

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        Segunda-feira, 19 de Julho de 2010, às 17:11:21
        ::: Religião na escola estimula o preconceito e a intolerância
        O jornalista Carlos Pompe nos traz um texto sobre o lançamento do livro "Laicidade: O Ensino Religioso no Brasil", que assegura que a mistura explosiva de um ensino que deveria ser laico com os valores religiosos majoritários gera um estouro de ódios e preconceitos cultivados nas crianças, desde cedo.
        Não pode haver verdadeiramente um regime republicano e democrático se o Estado, e o ensino que ele promove, não forem, de fato, laicos.
        Por quatro séculos, o poder no Brasil foi fantoche da religião católica. E agora, não sei se finalmente estamos rumando para a libertação, ou para um novo cabresto, desta vez, nas mãos das doutrinas evangélicas.
        Acabei de ler, e me vi na obrigação de "kibar" do Vermelho.org.br:

        A professora Débora Diniz, da Universidade de Brasília (UnB) liderou uma pesquisa que apurou que livros didáticos mais aceitos pelas escolas públicas promovem a homofobia e pregam o cristianismo. O estudo gerou o livro Laicidade: O Ensino Religioso no Brasil.

        A pesquisa conclui que o preconceito e a intolerância religiosa são inculcados em milhares de crianças e jovens do ensino fundamental brasileiro. Foram analisados os 25 livros de ensino religioso mais usados pelas escolas públicas do país. Os livros foram escolhidos a partir dos títulos mais aceitos pelas escolas do governo federal, segundo informações do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação. A imagem de Jesus Cristo aparece 80 vezes mais do que a de uma liderança indígena no campo religioso – limitada a uma referência anônima e sem biografia –, 12 vezes mais que o líder budista Dalai Lama e ainda conta com um espaço 20 vezes maior que Lutero, referência intelectual para o Protestantismo (Calvino nem mesmo é citado).

        "O estímulo à homofobia e a imposição de uma espécie de ‘catecismo cristão’ em sala de aula são uma constante nas publicações", informa uma das autoras do trabalho, a antropóloga e professora do Departamento de Serviço Social, Débora Diniz.

        A psicóloga e coautora do livro, Tatiana Lionço, salienta que, antes de ir parar nas mochilas de crianças e jovens, todo material didático passa por uma avaliação de uma banca de profissionais do Programa Nacional do Livro Didático, vinculado ao Ministério da Educação. Todos, menos os de Religião. "Não há qualquer tipo de controle. O resultado é a má formação dos alunos", comenta.

        Ela questiona o modelo de ensino religioso nas escolas do país com base no princípio constitucional de que o Estado deveria ser laico (neutro em relação às religiões). "Se o Estado deveria ser laico, por que ensinar religião nas escolas? Se a religião for tratada na sala de aula, tem de ser de forma responsável e diversificada", acrescenta.

        A discriminação de homossexuais vem junto com a doutrinação religiosa feita às cutas do Estado, em escolas públicas. "Desvio moral", "doença física ou psicológica", "conflitos profundos" e "o homossexualismo não se revela natural" são algumas das expressões usadas para tratar das pessoas que optam por ligações com o mesmo sexo. Um exercício com a bandeira das cores do arco-íris acaba com a seguinte questão: "Se isso (o homossexualismo) se tornasse regra, como a humanidade iria se perpetuar?".

        Débora diz que num dos livros didáticos uma pessoa sem religião é associada ao nazismo (que, contraditoriamente, teve apoio ativo da Igreja Católica e foi combatido pela União Soviética, primeiro Estado a adotar expressamente o materialismo dialético no ensino público). "É sugerida uma associação de que um ateu tenderia a ter comportamentos violentos e ameaçadores", observa. "Os livros usam de generalizações para levar a desinformação e pregar o cristianismo", completa ela que é uma das três autoras da pesquisa.

        "Há uma clara confusão entre o ensino religioso e a educação cristã", afirma Débora. A antropóloga reforça a imposição do catecismo. "Cristãos tiveram 609 citações nos livros, enquanto religiões afro-brasilieras, tratadas como ‘tradições’, aparecem em apenas 30 momentos", comenta.

        O estudo, realizado entre março e julho de 2009, revela a ligação entre as editoras responsáveis pelas publicações e a doutrinação religiosa. A editora FTD, por exemplo, pertence aos irmãos Maristas, sociedade católica criada em 1817, na França. Também são católicas as editoras Vozes, Paulus Paulinas, Vida e Edições Loyola. "É esse contexto nebuloso de relações e interesses que envolve a pesquisa" diz Débora. Outras das principais editoras do material escolar são a Abril de Educação, líder do mercado, a Ártica, Scipione Saraiva, Moderna e Dimensão.

        As 112 páginas da publicação, lançada pelas editoras UnB e Letras Livres, ainda conta com a contribuição da assistente social Vanessa Carrião, do instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero.


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        Terça-feira, 20 de Julho de 2010, às 09:08:04
        Jesus é o Senhor comentou este texto:
        Jesus é a Salvação


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        Segunda-feira, 19 de Julho de 2010, às 15:24:23
        ::: Marina Silva, a rainha da vaselina, me sai pior que a encomenda
        Na frente de uma platéia de evangélicos, Marina Silva (PV) diz reprovar o casamento gay. E aí: ela é dessas, que mistura sua visão de Estado com sua visão religiosa, ou só queria "vaselinar" os irmãos de fé? Vindo de alguém que aplaude o governo FHC e ao mesmo tempo tenta vender-se como "filhote do Lula", nada surpreende. Surpresa é que alguém a leve a sério.
        Irmãããos!!!
        Ainda bem que ela é mulher e não tem que fazer a barba, porque senão, sairia serragem.
        Marina Silva, candidata do Partido Verde à presidência da República, é evangélica. Nunca escondeu isso. Mas, agora, começou a fazer uma coisa que só pode ser classificada como o baixo da baixaria: usar a afiliação religiosa para conquistar um público famoso por votar em candidatos que professam a mesma fé.

        Foi o que aconteceu no Piauí, onde a candidata discursou em um evento e disse, com todas as letras, que desaprova a liberação do casamento entre pessoas do mesmo sexo, aprovado na Argentina. Anda na contramão da queda dos preconceitos que marca o mundo livre atualmente. Resta agora acompanhar para ver se, diante de outra platéia, digamos formada por homossexuais, a candidata manterá a coerência com as opiniões reacionárias que apresentou diante de seus irmãozinhos crentes. Porque tem candidato que é assim: faz sua opção dependendo da ocasião.

        Tem coisas mais medonhas, nesse discurso da Marina no Piauí. Sobre Lula, disse: "Eu vou ser a sua sucessora e vou continuar como uma Silva comprometida com a história do povo sofrido, do povo nordestino, que não tem medo de ser feliz. Sai o Lula, mas entra uma Silva, mas de saia."

        Vocês entenderam? Ela se desligou do governo Lula e do PT por discordar de políticas da administração atual, mas na hora de pedir voto, não hesita em surfar na onda de popularidade do senhor Luis Inácio. Bizarramente, a mesma Marina elogia o governo FHC, que Lula ataca. Ou seja: Marina quer é ganhar a eleição, de qualquer jeito. A ideologia dela é agradar gregos, troianos e indecisos, atacar Dilma e Serra, mas elogiar Fernando Henrique e associar a sua imagem à de Lula. Ser tudo ao mesmo tempo.

        Acaba que não é nada – nem uma terceira via capaz de empolgar o eleitor cansado dos políticos "vaselinas" de sempre.

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        Quinta-feira, 15 de Julho de 2010, às 12:01:45
        ::: Ontem o Antonio Gutierres me deu uma aula de coerência política, mas eu mantenho a minha, que é ideológica
        Reunião do PMDB, numa noite fria de inverno. Eu fui à tribuna e dei uma fincada no governo Yeda. O vereador Antonio rebateu dizendo que somos aliados deste governo. Discordo: o PMDB é aliado, eu não. Nunca me aliaria a um projeto neoliberal de governo. E eu POSSO assumir uma posição dessas, afinal, nunca me convidaram para nada, e agora não podem me cobrar apoio. Nunca posei para foto abraçado a ninguém, então, posso jogar pedra em quem eu quiser.

        Já dizia Janis Joplin: "Liberdade é uma outra palavra para dizer que não se tem nada a perder."

        Aliás, criei uma frase agora: "Não me convidaram para o jantar, então agora não esperem que eu ajude a lavar a louça."
        O vereador Antonio Gutierres - passei anos achando ele uma figurinha abjeta da nossa política local, mas quando comecei a conviver mais seguidamente com a figura, descobri que é um cara inteligente, diplomático, articulado e que me vem servindo para aprender muitas coisas.

        Por exemplo, ouvi várias vezes a afirmação de que ele é um vereador "não-partidário", personalista, isolado. Mas aos poucos estou chegando á conclusão de que, na verdade, ele recebe estes rótulos porque tem brilho próprio.

        Não se enganem: eu não tenho nada a ganhar, fazendo estas observações positivas sobre o Gutierres. Eu as estou fazendo por uma questão de justiça mesmo - eu o atacava, baseando minha impressão sobre sua pessoa nos comentários dos outros. E admito que estava sendo injusto. Afinal, ao contrário do que dizem meus detratores, não sou infalível.

        Já dizia o Barão de Itararé: "Não é feio mudar de idéia. Feio é não ter idéia alguma para mudar."
        Terça-feira à noite, tivemos mais uma reunião do PMDB em Viamão, aqui na sede do partido na Avenida Bento Gonçalves. Era uma noite incrivelmente fria, com certeza com sensação térmica abaixo do zero. Foi nesta reunião que aconteceu o arranca-rabo entre eu e a turma do Jornal de Viamão (não confundir com o Diário de Viamão, cuja redação é, no mínimo, civilizada).

        Bom. Eu não ia nem falar nada, não ia subir à tribuna. Mas aí, o nosso presidente municipal, o vereador Antonio Gutierres, meio que me encorajou a colocar meu nome na lista, e eu entrei na onda. Fui lá, dei um discursozinho improvisado (confesso que estava 100% sem inspiração). Falei sobre o alinhamento do PMDB nestas eleições estaduais, que para mim é muito bom – nós não somos o PT, mas nos afastamos das teses neoliberais e privatistas do governo Yeda.

        Sim, porque apesar de o PMDB não ter um alinhamento claro no eixo esquerda-direita, nós temos ao nosso lado o PDT, o partido do Brizola, das encampações, da Segunda Internacional. Misturando o PMDB (sem cor) com o PDT (levemente "vermelho"), temos uma candidatura comprometida com um projeto, no mínimo, menos reacionário do que o da Yeda. E o Fogaça, como não faz parte da turma do "não sei de nada" e não tem quase nenhuma rejeição, emerge com grandes chances não só de ganhar as eleições, mas de mudar a cara do Estado para melhor, depois de eleito.

        Antonio Gutierres e a coerência política
        Ao meu discurso, seguiu-se uma rápida fala do Antonio, concordando – como ele costuma fazer com as minhas idéias – apenas em parte. Segundo o vereador, nós não devemos atacar o governo Yeda, até para mantermos uma coerência com nossas posturas políticas recentes: as principais secretarias do Estado estão nas mãos do PMDB, e ele tem razão ao dizer que, graças a estas secretarias, é que figuras do partido puderam realizar muitas coisas. Dentre elas, as operações de asfaltamento e saneamento promovidas principalmente pelo secretário (e agora candidato a deputado estadual) Marco Alba.

        Então, na prática, o governo Yeda abriu portas para o PMDB – para que figuras do partido realizassem coisas importantes, e figurinhas menores pudessem se empregar. Para que a militância pudesse ter a quem recorrer, na hora de atender demandas das comunidades (em Viamão, o Estado acabou fazendo mais do que a Prefeitura local, apesar de ter outras quatrocentas e tantas cidades para cuidar).

        Também em termos eleitorais, é preciso manter a amizade da turma do PSDB, porque, na provável hipótese de Yeda "morrer na praia" logo no primeiro turno, será para o Fogaça que seus apoiadores transferirão o voto.

        Eu, no entanto...
        Eu, no entanto, não penso muito em termos políticos – talvez eu ainda seja muito "verde" e teórico para isso – e prefiro enxergar as coisas por um viés mais ideológico. Acho válido tudo o que o governo Yeda abriu para o PMDB, e é evidente que o vereador Antonio tem muito mais estrada percorrida do que eu. Mas se eu capitaneasse o partido, jamais me uniria ao governo Yeda – não porque a aliança seja desvantajosa (na prática, o PMDB ganhou, e muito, com ela), mas porque eu não gosto de ver minha imagem unida a projetos e visões de mundo como os do atual governo estadual. Fomos convidados a participar de um projeto de Estado, e durante o processo, obtivemos vantagens para as comunidades. Mas o projeto em si, no seu aspecto mais "macro", é aquela nojeira do "choque de gestão", aquele ranço anti-popular de cortar gastos e torto e a direito, vender patrimônio, coisa e tal.

        A própria aliança do PMDB com o PT, em nível nacional, eu apóio por razões nada pragmáticas: eu comparo os governos FHC e Lula, e prefiro o segundo. Corrupção e erros aconteceram em ambos os períodos, mas Dilma ainda é uma opção mais à esquerda do que o – para mim – asqueroso Serra. Dificilmente a Dilma ou o Serra vão me dar algum espaço, alguma posição, em seus governos. Afinal, eu sou um Zé-ninguém. Eu penso como brasileiro, como trabalhador, como um cidadão comum, não como político. Já dizia Janis Joplin: "Liberdade é uma outra palavra para dizer que não se tem nada a perder."

        Politicamente, eu pareço muito incoerente às vezes – por exemplo, eu sou filiado ao PMDB, mas rejeito integralmente as privatizações do governo Britto. É fácil ter uma posição como a que tenho: eu não participei do governo Britto. Eu era muito jovem para isso. Em 1998, eu tinha apenas 17 anos.

        Também não tenho nenhum compromisso com o governo Yeda – eu trabalho em empresa pública, mas apenas porque fiz um concurso e fui classificado. Quando eu fiquei desempregado, ninguém nunca apareceu para me oferecer nada. E eu nunca fui a ninguém para pedir nada. Atualmente, muita gente me pede muitas "mãozinhas", e quando posso, ajudo sem olhar a quem - e esqueço minutos depois, porque não pretendo nunca pedir nada em troca. Na minha vida, a lógica comercial do pagou-levou só vale dentro de loja e supermercado.

        Não estou dizendo, com isso, que a posição do vereador Antonio seja inválida – quando digo que ela é política, não estou colocando-a como negativa. Até porque, não sei quais são os ventos ideológicos que empurram as velas do barco dele – provavelmente não sejam idênticos aos meus – e é claro que ele tem um papel público mais proeminente, tem aliados que efetivamente participam do atual governo. Tem compromissos que eu não tenho.

        Talvez ele é que esteja certo, afinal, 20 anos de experiência de vida nos separam. Mas no momento, nós nunca vamos concordar sobre o governo Yeda. Imagino que hajam outros assuntos nos quais teremos ainda algumas trombadas do mesmo tipo.

        Porque eu sou mesmo assim: às vezes, ataco aliados do meu partido, deixando meus correligionários de cabelos em pé. Eu faço distinção entre as posições do PMDB e as minhas, entre as opções da sigla e as minhas pessoais. Até porque eu não decido pelo partido, então ele não pode decidir por mim. O PMDB foi aliado, por 4 anos, do governo Yeda. O PMDB ocupou cargos e participou dos projetos. Companheiros do partido ocuparam posições e ganharam espaço e projeção. Eu, não. Nunca me convidaram para nada, e agora não podem me cobrar apoio. Nunca posei para foto alguma abraçado a ninguém, então, posso jogar pedra em quem eu quiser.

        PS: Alguns leitores já devem notado que a minha pedreira é grande e eu tenho boa pontaria.

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        Segunda-feira, 12 de Julho de 2010, às 17:39:12
        ::: Funcionária exonerada acusa parentes do vice-prefeito de agressão e o caso não vai a julgamento
        Uma ex-funcionária da Prefeitura de Viamão, de pavio curto e lingua ferina, com fama de encrenqueira, faz graves denúncias contra familiares do vice-prefeito. O caso, ao invés de ir a julgamento, acaba na gaveta. E agora: a denúncia era furada? Ou os réus é que são "inacusáveis"? Fiquei na dúvida, e com uma pulga atrás da orelha.
        Há alguns dias, presenciei um episódio que me deixou meio indignado, confuso, e cheio de perguntas que não querem calar na minha mente. Passou-se no Fórum de Viamão. Envolvia uma mulher chamada Eronita e familiares do vice-prefeito da cidade, Atidor da Cruz.

        Primeiro: Quem é a Eronita e como a conheci
        A Eronita (não lembro o nome completo dela) é uma enfermeira, que foi funcionária concursada da Prefeitura de Viamão, até ser demitida na época em que começou a fazer umas denúncias sobre um médico que, ao não ir trabalhar, assinava embaixo das receitas dadas por um auxiliar.

        Esta trama de suspense envolvendo o médico espertinho e o auxiliar politiqueiro deu o que falar, mas não chegou a alcançar a grande imprensa. Com medo de sofrer algum tipo de represália, a Eronita, na época, pegou as gravações que ela havia feito, dessas conversas incriminadoras (ela escondera um aparelhinho de MP3 com gravador de voz na sala do médico), e fez umas cópias, só por garantia. E deixou uma cópia comigo. Eu nunca parei para escutar as tais gravações, mas guardei com cuidado, para o caso de ela sumir, ou ter a casa arrombada e as demais cópias sumirem. Não sei por quê, mas muita gente que teme perseguições deixa COMIGO cópias de documentos e gravações de som comprometedoras. Acham que eu sou algum banco de provas de crimes, ou sei lá.

        Também nunca me interessei em descobrir qual foi o fim da história - se havia mesmo um médico assinando receitas do auxiliar ou não - até porque a nossa imprensa local não se prontificou a trazer o caso à baila e mostrar os esclarecimentos. Uma pena.

        Segundo: Aparições no Jornal A Tribuna
        Eu passei muito tempo sem ouvir falar na Eronita. Encontrei com ela na campanha do Sarico em 2008, e depois, a vi nas páginas do Jornal A Tribuna (não, não tem link, o jornal é arcaico e não tem site).

        No jornal, a polêmica figura vinha denunciar a venda de um imóvel pertencente a uma associação de bairro, como se fosse bem privado. Depois, apurou-se que o imóvel tinha um dono privado, mas andou cedido para a associação. Ou algo assim. Não me recordo bem. Mas a trama envolvia gente graúda da cidade. Das duas uma: ou a Eronita estava mesmo errada desde o princípio, ou entrou na jogada alguém grandão o bastante para meter medo no "indobrável" e quebrador-de-pau jornalista José Paulo Correa Lopes, que coleciona processos por denunciar e xingar os políticos locais em seu jornal, e parece não se importar com isso.

        Terceiro: o caso da família do Atidor
        Em consequência de uma série de polêmicas envolvendo uns familiares do vice-prefeito de Viamão, Atidor da Cruz, a tal Eronita veio a desenvolver uma relação turbulenta com eles. Só que os familiares do político (ou ele mesmo, não sei) participam do corpo ministerial de uma igreja (se não me engano, Assembléia de Deus, ou outra do tipo). E a Eronita frequentava a tal igreja.

        Daí, segundo os relatos da própria Eronita, ela teria sido agredida dentro do templo, por familiares do vice-prefeito. Agressões verbais das mais pesadas, e porrada pura e simples, mesmo. Após supostamente levar uma tunda e ser expulsa da igreja, Eronita procurou a Justiça, abrindo um processo na 2ª Vara Cível de Viamão. Ela se deu ao trabalho de prestar-se ao exame de corpo de delito na própria data da suposta agressão.

        A parte intrigante: o caso não vai a julgamento
        Semana passada, depois de comparecer a uma audiência no papel de preposto da CEEE, cruzei novamente com a Eronita, desta vez, nos corredores do Fórum. Ela estava furiosa porque, na folha da pauta de audiências da sala onde ela deveria entrar, constava que sua audiência não ocorreria.

        O advogado que a representava foi até o juiz, e voltou com umas explicações meio desconexas. Inicialmente, tentou convencê-la de que ela não tinha base para alegar que as agressões teriam causado-lhe alterações psicológicas, porque não fez um exame psicológico na época do ocorrido – como se o exame de corpo delito não fosse o suficiente. Depois, começou a dar outras explicações incompletas que não me convenceram.

        Na prática, descobri que ela tem fama de "encrenqueira", amplamente disseminada entre os servidores da Justiça em Viamão, e por isso suas numerosas denúncias não são tão levadas a sério assim. Mas não consegui descobrir as razões específicas do cancelamento da audiência daquele dia, já que ela tinha feito até o exame comprobatório dos ferimentos na época do ocorrido.

        Perguntas sem resposta
        Questão número um: se o juiz decidiu cancelar a audiência por problemas de agenda, a Eronita E OS RÉUS deveriam ter ido ao Fórum, descobrindo o cancelamento no local, estando todos ali, indignados. Mas os réus pareciam já saber que não sairia audiência, porque não apareceram, deixando apenas a parte autora ali, a ver navios.

        Questão número dois: Se o juiz estava na sala, na hora da audiência, já tendo dispensado as partes da audiência anterior, por quê ele teria problemas de agenda que o impedissem de ouvir as partes do "caso Eronita"?

        Questão número três: por quê exigir exames que não são necessários para dar prosseguimento a uma causa que consiste de uma acusação de agressão física, e para o qual o exame médico feito na autora na época deveria ser suficiente para constatar que houve agressão, cabendo ao juiz determinar se cabe ao réu, ou não, a autoria dos golpes?

        Questão número quatro: se eu sou acusado injustamente de agredir alguém, e sou inocente, por quê eu pediria para o juiz engavetar o caso? Não seria melhor levá-lo até o final e provar minha inocência?

        Questão número cinco: o que essa Eronita ganha ao fazer esse tipo de polêmica, caso sua denúncia seja mesmo infundada?

        Tudo muito esquisito. Ou essa Eronita é completamente louca e fez uma acusação sem provas, ou os juízes estão escolhendo quem são as pessoas acusáveis e as pessoas imunes a qualquer acusação aqui na cidade. Gostaria muito de saber a verdade. Não estou sendo irônico: eu gostaria muito mesmo de saber quem está com a razão neste caso, e o que houve de verdade naquele dia, porque para mim, está muito nebuloso. E tanto a política como a justiça, para mim, devem ser claras. Se alguém se propuser a me esclarecer, agradeço.

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        Quinta-feira, 27 de Maio de 2010, às 18:09:13
        ::: Minha Casa Minha Vida e o jeitinho brasileiro
        Grande idéia essa. Lembra um pouco o antigo BNH, não lembra? Lá em casa, pelos comentários dos "velhos", eu tenho uma boa imagem do BNH.
        Acabo de ler uma análise muito bem feita do programa "Minha Casa Minha Vida", que subsidia parte dos valores para compra de imóveis, no site do Correio da Cidadania (aliás, vou virar leitor assíduo deste site, os textos são muito completos e inteligentes). Para quem não sabe, é simples: a gente financia uma casa e o governo cobre uma parte do preço, sendo que o resto será pago em muitas e muitas parcelas, com jurinhos camaradas.

        Na teoria, é uma maravilha. É a porta de saída do aluguel para muitas famílias. Mas na prática, eu já estou vendo que o nosso "jeitinho brasileiro" começa a botar água para dentro do navio: tem gente reclamando dos preços dos apartamentos e casas que estão sendo vendidos. Parece que tem construtoras e vendedores picaretas colocando um "agiozinho" em algumas unidades, para aproveitar o subsídio.

        O raciocínio é simples: a casa vale 50 mil, e o governo vai subsidiar, digamos, uns 10 mil. Se eu sou o cara da construtora, e se esta construtora é picareta, eu vendo a casa por 60 mil, pegando os 10 do governo e parcelando os 50 do trouxa... digo, do cidadão comprador.

        Não sei até que ponto esta prática é comum ou não. Mas estive dando uma olhada em alguns preços por aí, e tem certos valores que só podem ser piada de mau gosto.

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        Terça-feira, 18 de Maio de 2010, às 16:40:14
        ::: O gol contra dos blogs e sites de apoio ao Serra, e as bolas-fora do discurso serrista de ataque à Dilma
        Por mais que pareça, este post não era para ser político. Não estou discutindo os candidatos. É sobre a campanha deles, o discurso deles. Enquanto Dilma fala de realizações e promessas, Serra dedica-se a atacar o inatacável, e os serristas dedicam-se a tentar transformar nada em alguma coisa. É ridículo, é pífio. É o caminho para o fracasso.

        Mas talvez seja a única maneira de fazer uma campanha sem ter que falar sobre o programa de governo de José Serra que é, na sua essência, anti-popular, e acima de tudo, impopular. Já que não pode defender o Estado Mínimo e as privatizações, e já que os serristas precisam falar alguma coisa, só resta atacar, bater, xingar. É a estratégia do kamikaze.

        E Marina Silva não me convence. Nem um pouco.
        Hoje, acessei um blog chamado “Porque voto no Serra", criado e editado por alguém que é fã, para valer, do Mr. Burns brasileiro. O texto de apresentação do blog me fez parar para pensar, vejam:

        "Voto no Serra porque é o candidato mais preparado para governar o Brasil. Possui grande experiência político-eleitoral e administrativa, tendo sido secretário estadual, deputado constituinte, senador, ministro duas vezes, prefeito e agora governador de São Paulo, sempre com muito sucesso e grande aceitação pública nas funções ocupadas. Tem excelente formação acadêmica, com mestrado e doutorado em Economia. Sua história de vida é ilibada, sem restrições éticas e com provas de coragem e militância política responsável durante o regime militar, ao se exilar no exterior e não adotar procedimentos terroristas destrutivos. Sua liderança despontou nacionalmente quando jovem, ao presidir a UNE. Nenhum outro candidato reúne nem de longe essas credenciais."

        Nada contra o sujeito defender o Serra. Ele tem o voto dele, e eu tenho o meu, que aliás já estou quase afirmando com certeza que será da Dilma, se nada muito escabroso aparecer sobre a vida dela. Mas acontece que dois pontos deste texto traduzem os argumentos principais pró-Serra que a gente vê por aí: formação e atitudes.

        A ralé no poder
        Na parte da formação, Serra é um sujeito altamente qualificado, com ampla experiência, em contraste com o pouco letrado Lula. Sejamos francos: o Brasil foi governado basicamente por pessoas vindas das elites, que fizeram esta “caca" que nós vemos aí. Eu me lembro de um jingle do Lula, de 2006, que refere-se a ele como “o primeiro homem do povo presidente". É mentira.

        Lula é torneiro mecânico, um homem do povo com certeza, mas não foi o único e nem o primeiro. Juscelino Kubitschek era formado em Medicina, mas saiu de baixo, de uma família que poderia ser qualificada, na melhor das hipóteses, como de classe média baixa. E Jânio Quadros, outro pé-rapado, era professor de português, e como todos sabemos, professores não são a categoria mais bem paga no Brasil. Dá para incluir na lista, com toda certeza, Itamar Franco, que apesar de formado em Engenharia e coisa e tal, não veio de nenhuma família endinheirada – sua mãe ficou viúva pouco antes de ele nascer e o menino cresceu ajudando-a em seu ofício de entregar marmitas. De resto, realmente, temos um bando de filhos da elite.

        De 1889 a 1930, todos os presidentes foram fazendeiros latifundiários ou militares de alta patente e boa família. De 1930 a 1945, tivemos Vargas, mais um fazendeiro de boa família. De 1945 a 1950, Eurico Gaspar Dutra, outro milico com berço privilegiado. De 1950 a 1954, Vargas denovo. Em seguida, os zé-povinhos JK e Jânio, e caímos novamente nas elites, com Jango, outro fazendeiro de família abonada. Aí, vieram os militares, alguns deles filhos da classe média alta formados pelo Colégio Militar de Porto Alegre, e outros vindos de outros bercinhos dourados. Daí veio Sarney, filho de desembargador, seguido do playboy multimilionário Collor, que caiu dando lugar ao já citado Itamar. E aí, chegamos aos dias de hoje, com FHC e depois Lula.

        Agora, vamos fazer um balanço geral das gestões levadas adiante por “homens do povo": temos Jânio Quadros, um maluco completo e aventureiro, que renunciou ao mandato 7 meses depois da posse. Mas ele foi a exceção. JK é auto-explicativo para qualquer brasileiro que saiba o mínimo de História. Itamar Franco foi aquele cara que assumiu o país em polvorosa, mergulhado numa inflação sufocante, logo após a queda do Collor, e no final entregou ao sucessor uma nação estabilizada, inclusive economicamente – porque foi no governo Itamar que começou o Plano Real, que não dependeu apenas do ministro FHC, e sim de todo um grupo, do governo inteiro, para dar certo. E temos Lula, que inegavelmente tirou muita gente da miséria absoluta, resistiu com louvor a crises internacionais, e tirou o Brasil da posição de lacaio de certas potências estrangeiras.

        Pela experiência histórica que temos, dá para ver que governaram melhor os que tinham calos nos pés, que andaram pelas ruas, e não a playboyzada doutorada que ia à escola levada de carro pelo papai.

        Guerra, guerrilha, guerrilheiros e whiskerdistas de boteco - Brizola é que, mais uma vez, tinha razão
        Depois, temos a tal história da participação na luta armada, que vem sendo atacada ferozmente como uma mancha na biografia de Dilma Rousseff. O mérito máximo da biografia de José Serra, pelo que eu entendi, é ter sido um jovem cagão, que optou por ficar criticando o governo militar nas mesas de bar da América Latina e da Europa enquanto outro(a)s tentavam – mesmo que de maneira errada, ou não, essa discussão não cabe aqui – fazer algo objetivo para derrubar a ditadura.

        Eu não nutro nenhuma simpatia pelo Serra, nesse episódio da resistência ao regime militar. Assim como não tenho nenhuma pena pelo ostracismo a que foi submetido João Goulart. Para quem não sabe, Jango e seu cunhado Brizola ficaram anos sem se falar (voltariam a conversar apenas pouco tempo antes da morte do ex-presidente, em 1976), separados pelas posições que cada um adotou no Abril de 64: Brizola queria resistir, Jango resolveu amarelar. Quem estava certo? No meu caso, vocês já sabem, aqui bate um coração brizolista.

        Melhor ser populista do que anti-popular
        Dilma Rousseff não é uma pessoa “caminhada" como Lula. Mas Serra me dá a nítida impressão de ser um almofadinha, e me dá a nítida certeza de que vai levar adiante o programa de privatizações do qual foi apoiador na Era FHC.

        O um que só existe como anti-outro
        Voltando ao blog de apoio ao Serra e aos demais sites na mesma linha, eu vejo a confirmação de uma coisa que li no blog da Lola: enquanto a esquerda tem um discurso apaixonado por algumas causas (mesmo aquelas que, analisando racionalmente, são canoas furadas), a direita tem um discurso baseado em criticar a esquerda. Eu não consigo encontrar nenhum blog que seja 100% Serrista, é mais fácil achar blogueiros anti-Dilma. Como se a admiração pelo Serra só existisse sob a forma de rejeição pela Dilma. Como se, ao invés de o sujeito me dar uma razão para dizer SIM ao Serra, eu devesse votar nele simplesmente para dizer um NÃO à mamãe do PAC (no caso, um bebê fantasma porque, sejamos sinceros, ainda não vi a cor).

        No fim, a campanha do Serra é um balão furado, que vai murchando à medida que o público percebe que ele está centrado apenas em atacar um governo que é inegavelmente vitorioso. Diante da impossibilidade de atacar Dilma via Lula, optou por bater na vida pregressa dela, que no entanto é mais coerente do que a de Serra. E tudo isso para vender como “progressista" um projeto de governo privatista, ultrapassado e sem graça.

        Não vou dizer aqui que eu sou um lulista doente, ou um militante do PT (aliás, quem me conhece, sabe que sou justamente o contrário e deve estar até meio surpreso com este post), mas diante do projeto que a campanha do Serra tenta nos vender, não vai dar para fazer uma opção diferente: Serra é tão ruim, e sua campanha tão mesquinha e mal bolada, que Dilma torna-se disparado a melhor opção para o país.

        Marina, a chacrete do serrismo
        Marina Silva, que ainda alimentava minhas ilusões de votar numa "terceira via", esta semana fez elogios às privatizações do governo FHC, e acaba de perder meu apoio. Para quem não sabe, eu era um dos estudantes da Escola Técnica da UFRGS que, em 1998, fizeram passeata e bloquearam a Avenida Ipiranga para protestar contra o fechamento dos cursos técnicos simultâneos ao Ensino Médio. FHC pode ter feito muitas coisas boas, mas agir como um escroque privatista neoliberal não foi uma delas. E se Marina deseja apoiar esta faceta do ex-presidente, não posso fazer nada a não ser cuspir no caixão de sua candidatura natimorta.

        Fico até encabulado
        Se eu fosse o Serra, desistiria agora para evitar mais 5 meses desse faz-que-vai-mas-não-vai. Eu peço isso ao candidato, encarecidamente, porque estou sofrendo junto. Eu sinto vergonha alheia pelo candidato tucano, e isso me parte o coração.

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        Quinta-feira, 20 de Maio de 2010, às 15:50:17
        artur gattino (gattini.a@hotmail.com) comentou este texto:
        Como se pode ver, tem gente que ainda não conseguiu deixar a casinha da ignorância e sectarismo partidário, e imaginando convencer alguém, termina fazendo diagnósticos e análises eivadas de ódio, quem sabe, sem nenhuma condição de, no mínimo conhecer o contraditório. Eles sempre foram o joãozinho do passo certo e a nação de esse país, quando forem colhidos os frutos da imagem de estadista do presidente Lula e de todos os seus consários, se lembrará dos anos de chumbo, como a melhor coisa que este país já conheceu. Se é para ser radical, que seja ao extremo, pois, para mim,o dia m ais feliz da minha vida vai ser quando os homens das tres armas tomarem conta desta Nação, e terminar de uma vez por todas com toda esta bandalheira feita pela mídia, paga a preço de diamante, e que protege Dilma e o lulismo.
        Vamos ter quanquer dias destes, que erguer em praça pública, em todos os municípios do Brasil ,uma estátua do presidente Lula do PT, e quiçá, substituir a cruz onde Cristo foi crucificado para dar lugar ao novo salvador da humanidade. Pobre povo, quanta ignorância. Fábio: te cuida para não ser picado por uma cobra mamba preta, até pelo fato do Butantâ ter sido incendiado. Está faltando soro antiofidico. Ha Ha Ha Ha Ha. abre teu olho. A agência nacional ainda está viva.


        Quarta-feira, 19 de Maio de 2010, às 12:12:00
        wellington joão (we.frankejunior@gmail.com) comentou este texto:
        Muito bom o texto, merece destaque até na comunidade "sou oposição a Yeda Crucius". Pois, não te duvido que durante a campanha eleitoral me apareça a Regina Duarte dizendo "eu tenho medo do Serra". Pois, o pessoal de São Paulo que conheci, só tem criticas quanto a administração morna que ele tem, e o pouco que faz usa para fazer campanha (as custas do Governo Federal que isso seja bem considerado). É demente em pensar que esse homem será capaz de fazer alguma coisa senão regredir o país em beneficio de governos da europa e EUA, já que trata se de um burguezinho metido a besta...

        Sobre a Marina Silva, essa só de pensar que ela é "evangélica" me vem a mente dois nomes bastante criticados no RJ: Antony Garotinho e Rosinha Matheus, pois, a unica coisa que cresceu na classe baixa do Rio, foram as converções para a fé evangélica em troca de mais beneficios como "vale-leite", "vale-gás", etc... O Rio de Janeiro em questão, continuou lindo se vendo a baía de Guanabara, mas se for mais para fora dessa "beleza", o resto estava uma droga.

        Morei no Rio por seis meses e sou casado com uma carioca, dificil não saber disso...


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        Quarta-feira, 12 de Maio de 2010, às 12:19:15
        ::: A polêmica dos casais gays nos CTGs e uma visão sobre o fenômeno cultural do tradicionalismo gaúcho
        A tradição nada mais é do que a recriação estilizada de um momento qualquer do passado, escolhido arbitrariamente. Embora nós, gaúchos, estejamos já educados a reconhecer estas figuras aí como expressões do "verdadeiro gaúcho", na prática nada impede que se pudesse construir um movimento tradicionalista semelhante, por exemplo, em cima da imagem dos gaúchos urbanos dos anos 1920, ou dos índios pré-coloniais.
        Existe uma discussão, hoje em dia pouco comentada mas sempre latente, sobre as regras de convivência dentro dos CTGs – trata-se, na verdade, de uma série de debates e querelas (judiciais, consensuais ou simplesmente ideológicas) que acontecem e afetam a todos os que são ligados, ou gostariam de ser, ao Movimento Tradicionalista Gaúcho.

        Umas dessas questões me chamou a atenção outro dia, porque foi trazida à tona numa conversa com amigos no Tropeiros do Morro Grande: o uso de brincos por homens e a entrada de casais gays dentro dos ambientes dos CTGs.

        A maioria das pessoas discute este assunto no campo da moralidade:

        De um lado, um bando de carolas e preconceituosos que acha uma afronta que esse tipo de "aberração" possa vir a "contaminar" um ambiente familiar, cheio de crianças e velhos, como o do CTG. Esse tipo de posicionamento é até uma vergonha, porque apenas reafirma a imagem jocosa que se faz dos gaúchos nos programas humorísticos: a de um sujeito sexualmente inseguro, que reafirma sua "macheza" a todo momento, fala grosso, escarra e não quer ver nenhuma alusão ao homossexualismo por perto, mas que no fundo tem medo é de não resistir e sair do armário.

        De outro lado, temos as entidades pró-gays, que andam em alta nestes tempos modernos – porque agora, ser contra o homossexualismo é um crime passível de prisão, ou seja, quem não gosta da coisa não tem o direito de se expressar. Na prática, saímos de um tipo de preconceito e estamos entrando em outro.

        Só que, na minha visão, o debate não deve dar-se nessa esfera moral, e não cabe aqui discutir se o MTG é preconceituoso ou não, ou se os direitos civis dos gays devem ou não valer dentro do CTG. Não. Nada disso. O que se deve discutir, aqui, é a questão central: o que é, afinal de contas, essa tal tradição que o MTG cultua?

        Sim. Porque não dá para dizer que o código de vestimentas e condutas do MTG faz uma preservação do "verdadeiro gaúcho", sem antes discutir O QUE É O VERDADEIRO GAÚCHO? Se estivermos falando dos habitantes originais do Rio Grande do Sul, então, o pessoal do CTG teria que andar pelado, como os índios. Ou o verdadeiro gaúcho é o rio-grandense de hoje em dia, e vamos todos então vestir jeans e camiseta? Ou será que estamos falando dos bandeirantes paulistas, dos imigrantes açorianos, dos imigrantes italianos? Quem são os "gaúchos originais" nessa história? Os castelhanos? Os jesuítas? Quem chegou primeiro?

        Eu sou muito novo nessa história de "tradição gaúcha", e talvez por isso eu sinta um certo estranhamento diante de alguns aspectos dessa massa cultural que a gente vê no CTG. Por exemplo, eu demorei para me acomodar com a idéia de que, nas danças (eu estou fazendo um cursinho para aprendê-las), a mulher é quem se mexe e faz os passos mais trabalhosos, enquanto o homem basicamente bate os pés e caminha. Na verdade, o gestual das danças tem muito a ver com uma certa estrutura hierárquica implícita, que coloca a prenda como subalterna do homem, o que para mim é absolutamente esquisito (eu tenho uma formação igualitária e democrática desde o berço, e a minha mente tem muita dificuldade até na hora de encenar esse gestual criado com uma lógica, digamos, "patriarcal").

        O que me parece é que a tal de "tradição gaúcha" é, na verdade, um recorte, um instantâneo da vida do gaúcho, de suas roupas, seus valores e práticas, como uma fotografia tirada em um determinado momento do processo de evolução do Estado. Como se alguém tivesse decidido o seguinte: "Bom, então, nós vamos fixar nosso estereótipo tradicional, para fins de representação folclórica, batendo uma fotografia da vida de um gaúcho habitante do meio rural do ano de 1880". E daí, PÁ! Pega-se aquele gaúcho, naquele momento histórico muito específico, e se define ele como "modelo" do que seria um "verdadeiro gaúcho".

        Não que, na prática, os nossos "magrinhos" da noite da Lima e Silva sejam menos "verdadeiros gaúchos" do que aquele peão do século XIX. Inclusive, nada impede que daqui a uns 100 anos, a "gurizada da Lima" se transforme também em uma imagem folclórica, em uma "tradição".

        Mas o fato é que essa entidade, este movimento, o MTG, os CTGs, essa gente que anda pilchada, escolheu como modelo para o seu "verdadeiro tradicional" um gaúcho estereotípico do meio rural da segunda metade do século XIX. Embora, na própria época em que este gaúcho viveu, houvessem gaúchos urbanos e até homossexuais.

        Se nós vamos entender o tradicionalismo como o recorte de um momento qualquer da História, e se o ato de "viver a tradição" significa encenar toda a vida daqueles tempos (usando roupas de época, e construindo os CTGs em madeira, com móveis rústicos, como eram os do século XIX), então podemos concluir que, como parte desta representação teatral de um ponto do passado, estão os valores que imperavam na sociedade daquela época. Daí o fato de eu não me chocar com o caráter patriarcal e fortemente machista do discurso, do gestual e dos valores embutidos no tradicionalismo gaúcho. E se formos por esta lógica, sim, casais homossexuais não devem ser bem aceitos dentro do CTG. Se o local vai cultuar os valores de outra época, e se naquela época certas práticas e opções não eram bem aceitas, aceitá-las torna a reprodução dos "tempos de antigamente" diferente do que aqueles tempos foram.

        É exatamente a mesma coisa que aconteceria caso alguém montasse um Centro de Tradições do Comunismo, para matar a saudade de antigos moradores da União Soviética e dos países-satélites. Uma pessoa com idéias anti-comunistas, que fosse até uma festa do tal CTC, e resolvesse subir numa mesa para discursar, poderia muito bem ser expulsa do local – porque aquilo ali é uma recriação teatral, estereotípica, de um mundo que não existe mais (no caso, o Leste Europeu socialista). E todos sabem que no Leste Europeu socialista, os dissidentes não eram tolerados. Se o CTC tolerasse dissidentes, não estaria recriando com exatidão o ambiente do mundo socialista, e aí, perderia sua razão de ser.

        O problema é que uma boa parte dos tradicionalistas que eu conheço não enxerga o CTG como um ambiente de recriação de um momento arbitrariamente escolhido do passado. Essas pessoas pensam que existe um conceito absoluto de "verdadeiro gaúcho", e levam sua luta pelo retorno dos valores de antigamente para fora das paredes do Centro de Tradições Gaúchas. Aí, já não é uma questão de recriar o passado – é tentar jogar seus valores atrasados e preconceituosos em cima do mundo do século XXI. Já vira caso de polícia, e eu nem vou me dar ao trabalho de comentar.

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        Quarta-feira, 12 de Maio de 2010, às 23:22:17
        Fabio (resposta) (fabio.salvador8@gmail.com) comentou este texto:
        Ah, só para constar, Claudir: eu não modelo minhas teorias e idéias conforme pequenas conveniências pessoais. Eu as modelo conforme uma lógica que para mim parece natural. Quem modela as idéias de acordo com as conveniências próprias são alguns politiquinhos que a gente vê todo dia no noticiário.


        Quarta-feira, 12 de Maio de 2010, às 23:18:28
        Fabio (resposta) (fabio.salvador8@gmail.com) comentou este texto:
        Claudir, acho que tu não chegaste a ler o post antes de responder, por isso te dou outra chance: lê lá e depois opina.


        Quarta-feira, 12 de Maio de 2010, às 19:35:51
        claudir (claudir.frozza@gmail.com) comentou este texto:
        Esta com medo de ser barrado em algum CTG, devido a tua preferência sexual?


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        Terça-feira, 27 de Abril de 2010, às 22:22:22
        ::: O método Fábio de fazer política (também conhecido como "Dr.House" ou "filosofando com um martelo")
        É pau, é pedra, é o fim da picada...

        Esse sou eu, perpretando mais um daqueles meus discursos que nunca fogem à minha lógica: só não leva pau quem não deixou o seu na reta, e só não ganha elogio quem deixou de fazer alguma coisa boa.

        Não me peçam para ser menos verdadeiro ao fazer política, porque eu prefiro então nem fazer política alguma, se for para mentir, omitir ou ficar fazendo ensebação.

        Não sei se é idealismo ou se eu é que sou mesmo muito chucro, mas a coisa vai desse jeito, ou é melhor nem ir.

        Eu não quero aqui vender a minha imagem como a de uma espécie de herói da verdade combatendo as tramas da mentira, até porque isso seria uma jogada barata e populista demais, até para mim - aliás, seria baixo demais até para o Jânio Quadros, outra figura personalista, mas eu suspeito que ele, no caso, levaria a baixaria adiante.

        Ah, tem outra: antes que alguém venha dizer que eu sou um jornalista, amante da verdade, tentando fazer política (que muitas vezes é a arte da inverdade), fica a minha própria reflexão sobre isso: eu não sou como sou por ser jornalista. Eu fiz jornalismo porque o curso parecia bom para mim, pois eu já nasci assim.

        Na real, mesmo, talvez fosse até melhor se eu fosse capaz de me dar bem enrolando as pessoas e ainda dormir tranquilo depois disso, como fazem os deputados casteleiros e mensaleiros de Brasília. Aí é que eu ia me dar bem e não estaria pendurado no Cheque Especial.

        Não sei se vou ser um bom político fazendo as coisas desse jeito, talvez eu esteja fadado a entrar para o rol das figuras folclóricas tipo Enéas e Jânio. Mas não importa.

        Nietzsche já nasceu póstumo, e eu talvez já tenha nascido folclórico.
        Hoje, fui à reunião do PMDB aqui em Viamão e como sempre, falei umas coisas lá na tribuna que agradaram a alguns companheiros, deixando ao mesmo tempo outros de cabelos em pé.

        Fiz umas críticas ao governo Yeda, sobre algumas coisas que andaram acontecendo. Depois, no seu discurso, um vereador aproveitou para me alertar sobre o fato de que algumas das minhas críticas atingiam diretamente as atitudes e ações de companheiros nossos, membros do PMDB, que integram os órgãos do governo do PSDB.

        Agradeço ao edil pelas dicas, ainda mais porque vieram de um cara que sabe o que está dizendo e tem uma longa estrada nessa vida pública, mas eu tenho uma visão muito particular sobre a maneira como faço política, e como faço as minhas críticas.

        Eu até entendo que, quando um político do método tradicional dá um discurso, ele tente não atacar as entidades e ações das quais os companheiros de partido façam parte. Mas eu tenho meu próprio método e meus próprios critérios para analisar as coisas e falar sobre elas: para mim, a verdade se sobrepõe à política. Sempre.

        Se um companheiro meu de partido for o gestor de alguma coisa, só existe uma maneira de ele ficar seguro de que não sofrerá ataques da minha parte: ele tem que fazer uma boa gestão.

        Porque mesmo que se trate de um camarada, amigão, de repente até um cara que faça votos para mim, se eu tiver que dizer alguma coisa sobre uma atitude dele, eu direi. Se o meu próprio pai fosse político, e fizesse uma cagada, eu apontaria a cagada exigindo soluções.

        Eu sou tão fiel ao meu estilo, que não meço palavras nem faço concessões mesmo na hora de falar de mim mesmo. Eu tive um jornal, que foi acusado de panfletário, mal gerido e sensacionalista, mas para ler estes adjetivos não é preciso procurar nenhum blog de algum detrator meu – pode-se ler estas afirmações na minha autobiografia. Eu sei apontar minhas próprias mancadas, quando me dou conta delas, e a coleção é grande. Eu, por exemplo, sou personalista e não consigo disfarçar isso: eu até apoio projetos de partido, mas o meu projeto político é chegar, eu, minha pessoa, ao poder. Para muita gente, isso é um grande defeito e sinal de falta de espírito de coletividade. E talvez seja. Mas eu não nego minha natureza.

        É claro que os políticos "normais" se assustam diante das minhas trombadas. E é claro que o público presente às reuniões e comícios, e que está acostumado a ouvir discursos que atacam os erros dos adversários cuidando para não atacar os amiguinhos, acaba se assustando também. Mas para mim não existem dois pesos e duas medidas: se eu acho que o adversário agiu errado numa situação, não posso achar certo quando um aliado fez a mesma coisa em outro caso parecido. Ou uma coisa é certa, ou ela não é, independente de quem a fez.

        Um crime não é menos criminoso só porque o bandido é meu amigo. Uma burrada não se torna menos imbecil só porque foi feita por um aliado. E uma boa ação não se torna menos boa só porque foi feita por um inimigo mortal. As coisas são como são, e eu comento a vida do jeito que ela é, de maneira crua, direta e sincera. Eu posso até errar nas minhas visões sobre algumas coisas, e sei mudar de idéia. Mas não sei dizer uma coisa enquanto penso outra, ou ocultar uma coisa que eu considere verdadeira.

        Bem vindos ao método Fábio de fazer política e de formular opiniões. É algo meio parecido com o método do Dr.House, e dificilmente dá certo no meio dos políticos. Mas é assim que eu faço política. Pode ser que eu nunca consiga crescer desse jeito, mas prefiro ter o tamanho que eu puder ter, sem me render à lógica do tapinha nas costas.

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        Segunda-feira, 26 de Abril de 2010, às 21:11:45
        ::: A medicina no reino encantado do espiritismo
        Who do you call? GHOSTBUSTERS!
        Hoje, no hospital, a Fabiana teve a oportunidade única de conhecer uma seguidora das doutrinas espíritas, e travar o diálogo mais curioso da década com essa mulher.

        A espírita era uma senhora de meia-idade, de pele escura (não negra, mas uma mestiça bem puxada para o escuro), e imensamente gorda. Pois bem. Só dei a descrição da "elementa" para fazer um nariz-de-cera, mas vamos aos fatos.

        Ao ficar sabendo que a Fabiana havia feito uma cirurgia bariátrica, a "espiriteira" contou sua história, dizendo que ela também havia feito uma cirurgia igual, só que "pelo espaço".

        Para quem não sabe, os espíritas (ou pelo menos alguns deles, sei lá, não sou especialista nessas religiões não-protestantes) acreditam que é possível o espírito ou os espíritos de médicos fazerem cirurgias sem abrir o corpo da pessoa – simplificando, como são fantasmas, eles operam por baixo da pele sem ter que sair cortando tudo pelo caminho.

        A Fabiana ainda levou a sério a idéia da "cirurgia pelo espaço", porque perguntou à mulher há quanto tempo ela havia feito a cirurgia. E a resposta foi: "há um ano." Nestes 12 meses desde a operação espiritual, a mulher diz ter encontrado dificuldades para comer como antigamente (o que seria perfeitamente explicável pelo poder da autosugestão, mas tudo bem). Só que a tiazona perdeu apenas 3 quilos desde Abril passado.

        Eu ainda prefiro o método mecânico: quando o médico abre a barriga do paciente, a gordura que forma uma camada abaixo da pele começa a "borbulhar" para fora, e é claro que o cirurgião não vai, depois, colocar essa porcalhada toda de volta para dentro do paciente. Então, só na mesa de operação a Fabiana já perdeu uns 10Kg de graxa. Em um ano, já estará com seu peso final, magrinha.

        Para os males do corpo, melhor não confiar nos médicos do espírito. E para os males do espírito, temos a música, o sexo, os livros, a pinga... e em último caso, antidepressivos.

        1 comentários. Comente!
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        Segunda-feira, 26 de Abril de 2010, às 21:19:25
        Jaine da Rocha Bernardoni (jainedarocha@gmail.com) comentou este texto:
        FOR-MI-DÁ-VEL....................!!!!!!!!!!!


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        Segunda-feira, 26 de Abril de 2010, às 20:45:56
        ::: O caos da Emergência do Hospital Ernesto Dornelles
        Notem na última foto que a imagem da TV é uma porcaria. Apesar de estarmos em um grande hospital da Capital, não tem Sky, nem Net nem nada. A antena é daquelas vagabundas, que a gente compra em qualquer camelô. E a imagem não foi editada: o banheiro é um só, e unissex.
        Hoje a Fabiana precisou voltar ao hospital, porque a costura da cirurgia dela sangrou um pouco e um dos pontos começou a querer abrir. Fomos lá, e o "passeio" não deveria durar nem duas horas, se estivéssemos, por exemplo, indo para a PUC. Mas a cirurgia dela foi feita no HED, então tínhamos que fazer todo o atendimento por lá.

        Pessoal, vocês não fazem idéia do que é aquilo. Dezenas de pessoas aglomeradas em um espaço que não foi projetado nem para um terço daquela multidão. Um balcão com três coitadas tentando dar conta de tudo. Cadeiras insuficientes. E sem janelas, ainda por cima, o que é um prato cheio para a propagação de todas as pestes contagiosas pelo ar que se possa imaginar.

        Essa parte sobre as janelas pode parecer exagerada, mas eu estou falando a mais pura verdade: o ar lá dentro não apenas tinha cheiro e temperatura diferentes do ar da rua, como também parecia ser massa e volume, porque era quase sólido, de tão carregado.

        Para não dizer que o hospital não fez nenhum esforço para amenizar o bafão, vou fazer uma ressalva: dois aparelhos de ar condicionado do tempo do Ariri Pistola estavam ligados na função "ventilar", largando uma leve brisa que só fazia alguma diferença para a primeira fileira de pessoas mais próximas a eles. Dei uma volta pelo lado de fora e pude constatar que as grades dos tais aparelhos tinham cores variadas, do preto-encrustado ao cinza-empoeirado, passando pelo marrom-encardido.

        Ah, detalhe: eu não estou falando da emergência do SUS. A Fabiana é, claro, minha dependente no plano de saúde. Imagino que no SUS eles estivessem encaminhado as pessoas direto para a funerária. No nosso caso, saímos vivos de lá (ou quase isso), quase quatro horas depois de entrarmos.

        O Hospital Ernesto Dornelles está em reformas e logo será inaugurada uma nova área para a emergência, então, dá para perdoar a precariedade das cadeiras, do prédio e de toda a estrutura da Emergência atual. O que não dá para perdoar é um ambiente hospitalar lotado e sem ventilação, em um país que está correndo contra o tempo para evitar uma epidemia de gripe H1N1. Simplesmente horrível.

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        Segunda-feira, 05 de Abril de 2010, às 22:30:20
        ::: A polêmica do diploma de jornalista
        Essa charge é uma piadinha, mas ela diz respeito a uma discussão muito velha e ainda assim oportuna: nós temos uma "cultura do bacharel", então, temos a idéia de que cada profissão deve exigir diploma em alguma coisa. Ora, muitas coisas podem ser feitas com uma boa dose de esforço, outra de vontade, e alguma de talento.

        É emblemático pensar que eu fui dar aulas no Senac sem que me exigissem nenhum certificado na área de informática (até porque eu não tinha nenhum). Às vezes, ter conhecimento e força de vontade vale muito mais do que ter um pedaço de papel.
        Uma coisa que sempre levantou certa polêmica ao meu redor é a minha posição em relação à exigência de diploma para o exercício da profissão de jornalista. Eu não me alinho com a maioria dos meus colegas de classe, e não é porque não valorize a profissão. Eu tenho outras razões e quero compartilhar minha visão própria sobre tudo isso.

        Em primeiro lugar, é preciso diferenciar as três motivações diferentes que levam à luta pela exigência do diploma.

        Interesse da categoria
        Nós temos entidades como a FENAJ e os sindicatos, brigando pelo diploma porque é uma forma de fortalecer a classe, dar-lhe coesão e impedir que o jornalismo seja uma profissão como a de vendedor, que é mais uma opção para o trabalhador comum, dotado de Ensino Médio – o que "proletariza" a categoria e rebaixa os salários, mais ou menos colocando o jornalista na mesma barca do atendente de telemarketing e do pedreiro.

        Linda teoria
        Numa outra linha, nós temos a argumentação teórica de que o jornalismo influi nos rumos da sociedade e é preciso portanto, qualificá-lo. E qualificar significa exigir um bacharelado para exercer a profissão.

        Desculpas furadas e fisiologismos
        Na terceira linha, temos os estudantes de jornalismo e um grande número de jornalistas diplomados. Estes, embora digam-se movidos pelas razões acima citadas, na verdade, em sua grande maioria, lutam pela exigência do diploma porque...
        a) Estão desempregados ou exercendo outra profissão, e precisam explicar para os familiares, amigos e principalmente para si mesmos seu insucesso. E esse papo, de dizer que não há mercado para os verdadeiros jornalistas porque os patrões preferem contratar uma peonada subqualificada e mais barata, soa como o bode expiatório perfeito.
        b) Estão apavorados com o próprio futuro ou notam que estão ficando para trás, em termos econômicos, quando comparados com aquele primo que fez Direito ou Engenharia. Daí, podem estar esperando que, numa reviravolta da Justiça, o diploma passe a ser algo muito valorizado, devolvendo o prestígio à profissão e igualando-o aos amigos e parentes que optaram por outras carreiras mais promissoras.
        c) Querem aparecer, com seus blogs, colunas ou simplesmente comentários na mesa de bar, como "muito companheiros" diante de seus próprios colegas de categoria. Para ganhar prestígio. Porque na comunicação, prestígio significa empregos, contatos e oportunidades.

        Aí é que mora o problema: a luta poderia até ser válida, mas os motivos da grande e esmagadora maioria dos profissionais para estarem lutando são simplesmente baixos, fisiológicos.

        Na verdade, impedir que não-diplomados possam exercer o ato de divulgar notícias, colunas e entrevistas em qualquer meio é um esforço impraticável. Não se pode exigir diploma para fazer um blog. Tampouco para fazer um site. É ridículo pensar que se pode, em pleno século XXI, definir quem vai publicar material e quem não vai. Além do quê, a essência própria do jornalismo, nos primeiros jornais, é a do intelectual que, curioso e conhecedor de várias coisas, decide publicar algo. Comunicação é um ato decorrente do conhecimento – eu não falo o que não sei, mesmo que seja para saber algo de forma errada e falar besteira. E para isso não se pode exigir diploma.

        E eu, nessa história toda
        Eu me vejo da seguinte forma: eu me formei em Jornalismo. Mas já era jornalista antes disso, usando um registro precário do Ministério do Trabalho, o que faz de mim um dos poucos jornalistas com dois números de registro, que coexistiram por algum tempo até que o MTB "se ligou" e cancelou o precário, deixando apenas o definitivo.

        Nos tempos de faculdade, eu me dei bem com as máquinas de fotografia, mas nunca gostei da atividade de fotógrafo, tanto que fugi dela a vida toda. Eu atuei como repórter, e até acho que não escrevo mal. Mas me destaquei, de verdade, na área gráfica, criando projetos para publicações, tratando imagens e diagramando impressos como revistas e jornais.

        Até hoje, minha área de "especialização" (e não me venham exigir certificado de pós-graduação para dizer isso) é a gráfica. Eu sempre tenho trabalho fazendo coisas nesse ramo, e já atuava nele antes de ser diplomado.

        Talvez isso me torne tão "murista" nessa polêmica do diploma: eu não preciso dele para ter oportunidades numa área na qual eu atuo desde antes de formado. Mas não posso me alinhar definitivamente contra o diploma (apesar de achá-lo importante, mas não indispensável), porque tenho que pensar nos colegas da minha classe, e para mim isso é uma coisa central.

        Agora, esquecendo um pouco a consciência de classe, sejamos francos: o diploma garante a qualidade daquilo que o jornalista escreve? E a falta dele compromete o trabalho a ser ruim?

        Por outro lado, se vamos desregulamentar a profissão de jornalista, será que não vale também desregulamentar a profissão de advogado? O que impede que uma pessoa com bons conhecimentos em Direito e um bom acervo de livros e sites possa montar sua própria defesa em um processo e ser bem sucedida?

        Eu falo dos advogados, e não estou aqui provocando ninguém, nem sendo irônico. Eu falo muito a sério. Se, no Juizado Especial Cível, as pessoas comuns podem atuar sem advogado e às vezes conhecem muito bem as leis, citando-as e montando argumentações elaboradas, por quê não se pode fazer o mesmo na Criminal, na Cível ou na Trabalhista?

        Vou parar de falar em advogados, mas meu recado em relação a profissões regulamentadas com o simples propósito de salvaguardar os empregos dos iniciados está dado.

        Eu acho importante que as pessoas lutem pelo que elas acreditam. Mas muitos lutam sem acreditar. Lutam até sem saber se acreditam, ou no quê deveriam acreditar. É o embalo misturado com a vontade de fazer parte de uma classe com empregos garantidos ou ao menos facilitados.

        O que eu não aceito é uma luta mesquinha entre empresas que querem manter o processo de rebaixamento dos jornalistas, contra uma classe de pessoas que quer exigir exclusividade em um campo da atividade humana que está, justamente, se abrindo finalmente para todos neste início de século. É uma palhaçada tomar partido numa briga dessas. Mesmo porque eu sempre tive meus trunfos e minhas dificuldades nessa atividade, e eles não mudaram quando eu me diplomei.

        Uma pessoa precisa ter coerência, e isso eu acho que tenho – pelo menos isso. Eu conheço ótimos jornalistas sem diploma e conheço umas verdadeiras antas diplomadas. Concordo com a visão de um dos ministros do STF, que compara a faculdade de Jornalismo à de Culinária: não existe exigência de diploma para cozinhar, mas um restaurante de alto nível não vai contratar qualquer um para colocar como chef.

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        Sexta-feira, 09 de Abril de 2010, às 14:58:56
        Jaine da Rocha Bernardoni (jainedarocha@gmail.com) comentou este texto:
        Olá, meu querido amigo

        Eu também acho que diploma não confere a ninguém o talento, que é próprio, natural, de cada ser humano.
        Mas, para aquele que se animou a estudar, se animou a utilizar seu tempo na dedicação de um propósito, se animou a colocar em segundo plano as outras atividades de sua vida, merecem o respeito e a consideração devidas. Lembre que, para sair da faculdade, o ocadêmico sofreu aprovações por períodos e depois sofreu a aprovação final, quando os grandes mestres permitiram sua entrada no mundo profissional.
        Mesmo que o "diplomado" não seja merecedor do "nobre título", ele é merecedor de nossa consideração por empenho e por inclusão da área em que vai atuar.
        Eu sempre digo que não poderei julgar a atividade de outro profissional porque não a conheço, não a cursei, mesmo que tenha um posicionamento crítico a respeito. Assim como, não posso permitir que um profissional que não seja de minha área faça julgamentos e se diga detentor dos conhecimentos que a mim cabem.
        Respeito e reverência podemos ter com pessoas, que por toda a dedicação em vida, tenham obtido resultados concretos, como é o caso do nosso querido Burle Max, auto-didata em paisagismo e mestre dos mestres.
        Tenho observado muitos profissionais, de muitas áreas, terem fraco desempenho em suas profissões, e até muitos não exercem a atividade para o qual obtiveram diploma. Penso que foi porque não escutaram a voz interior que dizia não ser este o seu talento, que não estava ali a sua paixão, não estava ali a sua vontade de perseverar. Ou, até pela incrível capacidade de enganar (que é um talento) conseguiram obter o diploma sem o justo merecimento.
        Acho que precisamos conservar em nós, e poder transmitir para nossos filhos e netos o desejo de adquirir conhecimento, galgar posições, adquirir cultura, e não vejo outro caminho que não seja a disciplina de, como numa atitude de fé, ir para a escola, se rejozijar com os sucessos obtidos em cada ano, cada etapa, cada período, na formação de autoestima, na busca do respeito social e familiar.
        Estamos vivendo um momento onde há a transformação de conceitos. Ótimo! Mas que os novos conceitos não anulem tudo aquilo que qualquer ser humano tenha feito para hoje poder colaborar com as futuras gerações.
        Precisamos resgatar o "desejo realizável", a vontade de atuar no desenvolvimento individual e coletivo.
        Te adoro, sabia?
        Te vejo como meu sobrinho, alguém que nasceu perto de mim e que me provaca extremado orgulho.
        Avante, garotão inteligente!


        Terça-feira, 06 de Abril de 2010, às 08:53:47
        Zacarias Martins (zacamartins@gmail.com) comentou este texto:
        Companheiro,
        quero parabeniza-lo pelo texto lúcido e pertinente sobre o assunto em tela. Você foi muito feliz em suas colocações. É preciso que se acabe com essa hipocrisia de que o a exigência do diploma irá valorizar a categoria. Ora,reconheço a importância dos cursos de jornalismo na formação profissional de quem deseja se enveredar nessa área, porém, somente o diploma não é garantia de que estamos diante de um profissional competente. E os exemplos são muitos que não caberiam aqui neste espaço.

        O próprio mercado de trabalho se encarrega de fazer uma triagem que já é natural.

        Por derradeiro, convém lembrar aquele dito popular que diz: "Quem não tem competência não se estabelece".




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        Terça-feira, 23 de Março de 2010, às 11:54:10
        ::: Hoje catequizei uma irmã da Igreja da Graça
        O que eu acho incrível é que a própria Bíblia alerta seus seguidores para que não depositem sua fé em nenhuma pessoa, somente em Deus. Daí, vem um R. R. Soares, que nada mais é do que um líder messiânico, mistura de Chacrinha com Antônio Conselheiro. Mas com uma ideologia parecida com a do Francisco Franco.
        Hoje cheguei cedo ao trabalho e os colegas me "apertaram" sobre as contribuições para o cafezinho – há muito tempo que eu não compro nem café nem açúcar. Teve gente pensando que eu estivesse bancando o malandro, mas RÁ! Eu estava era ocultando deles três verdades fundamentais:
        1) Eu não tenho malandragem nenhuma no sangue;
        2) Eu sempre esqueço de comprar tudo, incluindo café;
        3) Eu NÃO SEI fazer compras direito.

        Saí para a rua e fui lá para o supermercado. Incrivelmente consegui comprar café e açúcar direitinho. Na volta, passando pela frente da Igreja da Graça, veio uma inevitável mulher de saia e cabelão me oferecer um convite da igreja.

        Olhei para a mulher, bem jovem e bonita, mas obviamente bitolada, para estar distribuindo convites dessa empresa do R. R. Soares, que por mais que diga palavras bonitas na TV, para mim sempre terá cara de picareta. E não resisti, tive que largar uma atirada polêmica à queima-roupa:
        - Um convite?
        - Não, obrigado... tu sabes que Deus provavelmente não existe, né? Quero dizer, todas as evidências nos levam a deduzir isso. Então, por quê tu não esfrias a tua cabeça e vai curtir a vida um pouco?

        PÁ! Não sei se ela ficou pensando sobre isso ou se esqueceu no minuto seguinte. Mas eu dei meu recado.

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        Terça-feira, 23 de Março de 2010, às 12:09:29
        Zacarias Martins (zacamartins@gmail.com) comentou este texto:
        É, meu caro Fábio,
        devo estar ultrapassado nos meus conhecimentos...
        Esta foi a primeira vez que li em algum lugar o termo "Desencapetamento total".
        Será que esse troço estava em promoção nessa igreja?


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        Sexta-feira, 12 de Março de 2010, às 12:50:41
        ::: Cala a boca, Miki Breier!
        Vai arrumar um pátio para capinar, cara!
        Hoje, li um texto escrito pelo deputado estadual Miki Breier, falando mal do Dunga. De acordo com o deputado, o técnico da seleção criou uma nódoa em sua vida de esportista ao “ceder ao apelo capitalista”, aceitando fazer um comercial para uma marca de cerveja.

        Ora bolas. Esse sujeito do PSB não deve ter mais o que fazer além de ficar inventando essas coisas. Onde já se viu, dizer que um esportista não deveria associar sua imagem com uma bebida alcoólica? Desde quando bebida e esporte são coisas antagônicas?

        Se fosse uma propaganda de cigarros, aí tudo bem, o Miki poderia reclamar numa boa: o fumo afeta a capacidade respiratória da pessoa, e realmente não combina com uma vida dedicada ao esporte. Mas e bebida é algo bem diferente. Tanto, que a todo momento saem notícias/fofocas na TV falando de jogadores que fogem da concentração para ir a uma balada. Enchem a cara, fazem muita zoeira, e voltam para o hotel. Depois, vão lá e enchem nossos olhos com jogadas fabulosas.

        Inclusive, para muita gente, bebida e esporte são coisas indissociáveis. Aqui no serviço, durante uma certa época, íamos todas as sextas-feiras para o Bar & Bola tomar cerveja e jogar futebol. Muita gente faz isso. O resultado são as jogadas mais divertidas que se possa imaginar.

        Cerveja não é droga ilegal, e não tem o efeito maligno do cigarro no corpo do atleta. A menos, claro, que ele tente jogar estando bêbado ou de ressaca, mas aí já estamos falando sobre a burrice pura e simples. Bebidas alcoólicas são uma coisa normal para atletas e não-atletas.

        O Dunga dá um mau exemplo para a juventude? Maus exemplos piores nos dão os políticos. O que é que tem de errado em um homem adulto tomando cerveja? Melhor que os jovens aprendam a tomar sua cervejinha socialmente, enquanto levam uma carreira de sucesso, do que aprender outros modelos de vida – por exemplo, o modelo daqueles que ganham altos salários pagos pelo povo para ficar procurando cabelo em ovo.

        Com tanta gente passando dificuldade por aí, um político perder tempo atacando uma conduta normal de um atleta que já não precisa provar mais nada para ninguém, é um fato só explicável pela ausência de pautas importantes na AL. Para mim, o Miki ficou foi mordido porque não convidaram ele para ir lá vender cerveja e aparecer na TV.

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        Terça-feira, 23 de Fevereiro de 2010, às 18:05:19
        ::: Para mim, o homofóbico é, no fundo, uma bicha enrustida e desocupada
        É isso aí. Cada um na sua, e todos por aí. Só se vive uma vez, e é muito estranho que algumas pessoas queiram passar essa única existência, quase toda, reparando e julgando o que os outros fazem das suas vidas.
        É isso aí: já que estamos falando de assuntos polêmicos ultimamente neste blog (que inicialmente falava mais sobre mecânica e televisão), então vamos esculhambar de vez: vocês vão ler minha posição real sobre a homofobia.

        Existem basicamente duas correntes de pensamento sobre este tema.

        De um lado, a Liga da Decência, as Senhoras Católicas pela Moral, o Papa, os pastores evangélicos, e mais um monte de gente que defende a posição de que, só pelo fato de um livro sagrado, escrito numa época primitiva, dizer que “aquele que dormir com outro homem como se este fosse mulher, deve morrer”, então o homossexual é um monstro, um seguidor do demônio e deveria se envergonhar de suas preferências. Vale lembrar que neste mesmo livro existem afirmações que dão a entender que a Terra é plana, além das ocasionais rupturas do nexo temporal, como povos passando por cidades muito antes de elas existirem. A mais célebre dessas aventuras no túnel do tempo é a derrubada dos muros de Jericó – uma cidade que não tinha muros na época do Antigo Testamento. Existem não-cristãos que também odeiam gays, por razões diversas. Não importa. Eles vêem todo o discurso “pró-gay” como uma tentativa de corromper a juventude e destruir a imaculada família brasileira, com certeza contando com a ajuda do demônio, do PT, da TV Globo e da elite intelectual degenerada.

        Do outro lado, temos a militância colorida, dizendo que os pastores, padres, crentes, chatos, solteironas e adolescentes pseudo-intelectuais de sexualidade reprimida são todos uns reacionários, filiados ao PFL, inimigos do povo e criminosos neonazistas que, secretamente, se masturbam olhando para a foto do Hitler (quando sabe-se que o Mussolini é que era muito mais bonito, e pegador de mulher). Para essa turma toda, a homofobia é sintoma de uma deturpação psicológica. E agora essa gente está conseguindo aprovar leis que transformam a tal de homofobia em crime, como se com isso fossem acabar com o sentimento homofóbico. Eu digo a vocês: o dono do bar pode até parar de fazer suas piadas de bicha, pode até fingir que não se importa com as lésbicas se beijando na mesa 3, mas ele não vai contratar um garçom com jeito de veadinho. Não é proibindo a piada, o discurso e a opinião anti-gay que se vai exterminar o sentimento – pelo contrário, amplia-se assim o ódio. Não se pode proibir alguém de ser anti-gay, assim como não se pode proibir alguém de ser gay. É como a elite esnobe: hoje ela é proibida de dizer que os pobres fedem e que nunca irão "se misturar". O discurso elitista é socialmente condenado e gera até processos por dano moral. Então, o esnobe não verbaliza mais seu nojo pelos "de baixo". Mas eu com certeza não serei convidado para a festa do embaixador da Áustria e não serei recebido na festa a bordo do iate de algum herdeiro qualquer. Não adianta proibir o discurso, porque isso não mata o sentimento por trás dele. Mas há um grande grupo de pessoas que acredita que isso funciona, e elas têm o direito de perderem seu tempo aprovando as leis que quiserem.

        Já a minha posição é meio deslocada de todo esse debate. Eu não tenho a mais remota intenção de proibir quem quer que seja de defender as idéias da sua igreja, da sua família, ou apenas as suas próprias. Por isso, anti-gays não me assustam. Se o cara quer defender suas superstições religiosas ou reprimir algum desejo escondido, azar o dele.

        Também não tenho a menor, mais remota, por mínima que seja, intenção de dizer que alguém não pode transar com uma pessoa do mesmo sexo, ou do sexo oposto, ou duas pessoas do mesmo sexo, ou duas do sexo oposto, ou duas sendo uma de cada sexo, ou fazer uma suruba, ou de fazer o que quiser. Não mesmo.

        Eu parto sempre do seguinte questionamento: alguém de vocês, leitores, já viu um pedreiro, que tem 5 filhos para criar, que passa o dia todo carregando pedras numa obra, ficar reparando na vida do vizinho dele? Não mesmo!

        Nós não temos tempo para esse debate idiota. Eu não tenho. Mesmo não trabalhando tanto: eu prefiro ir à praia, ver um filme, discutir política, ou economia, ou futebol, ou o futuro do jornalismo, ou se é melhor ter um carro antigo completão, ou um zero peladinho. Ou a guerra do Timor Leste, da Somália, da Libéria, do Iraque, do Afeganistão, do Tibet, da Eirtéria, do Rio de Janeiro, do Morro da Cruz, dos Roses, das cervejas, dos bôeres, dos Browsers, guerra nas estrelas, jornada nas estrelas, dança das estrelas, dança das cadeiras, cadeiras da faculdade, qualquer coisa.

        Ser homofóbico é, antes de mais nada, ter uma vida tão vazia que sobra até uma dose suficiente de “fome de vida” para que a pessoa tenha que viver a do vizinho, da celebridade, do colega de trabalho. A pessoa vive tão pouco que preenche as lacunas cuidando da vida dos outros. Tentando estragá-las. Do contrário, por quê um moralista vai sair da sua casa, para reparar o que o vizinho gay dele anda fazendo com o amiguinho dele, se isso não afeta em nada, NADA, a rotina do apartamento ao lado? Quando dois homens se beijam, em qualquer parte do mundo, eu não sofro nenhum ferimento. Quando duas mulheres “colam velcro”, mesmo que seja na casa vizinha à minha, isso não diminui o meu salário. Nem aumenta. Não me torna mais bonito e nem mais feio. Não aumenta nem diminui a criminalidade da vizinhança. Não faz os judeus e os palestinos se falarem. Nem impede que eles o façam. Quando um gay, daqueles bem bichonas, declara publicamente que quer ser chamado de Luana, ninguém morre. Talvez morra, sim, a angústia que ele provavelmente sentia por não poder expressar-se.

        Mas os anti-gays também têm seus direitos. Outro dia, passou “O Segredo de Brokeback Mountain”, um filme que fala justamente sobre preconceito e sentimentos reprimidos, mas muita gente interpreta como “apologia da homossexualidade”. Meu pai não viu. Preferiu ir fazer outra coisa. Conheço um cara que é um homossexual dos mais assumidos. Ele parece um pouco com uma versão mais jovem do Elton John, e fala dos namorados dele como nós falamos da mulherada. Simplesmente é a mesma coisa: relacionamentos. Claro que existem amigos que não gostam do papo, e ninguém é obrigado a participar de conversas desagradáveis. É só sair pela tangente quando ele começar a falar dessas coisas. Eu mesmo não tenho nada contra esses papos, mas saio pela tangente em outras ocasiões, por exemplo, quando começa-se a discutir política e eu percebo que o debate está descambando para a troca daqueles chavões manjados da esquerda e da direita. Porque eu tolero até anarquistas que querem acabar com o Estado. Eu tolero até a direita hidrófoba. Mas não tolero a falta de originalidade na hora de criar argumentações. Só eu posso usar chavões, porque crio os meus próprios. A mídia expõe a homossexualidade e isso te afeta? Troque de canal! Existem canais controlados por igrejas, nos quais isso nunca acontecerá. Assista a eles! Tem espaço para todo mundo na telinha e fora dela. O que não se pode fazer, é obrigar o homófobo a dizer, por força de lei, que aprova aquilo que ele reprova. Ele tem o direito de reprovar, de dizer que isso o incomoda e que por isso não irá, por exemplo, ver “O Segredo de Brokeback Mountain”, ou o que for.

        Aliás, esse filme serve de pivô para que eu resuma minha filosofia toda em uma sentença: enquanto alguns querem que seja crime dizer que o filme incomoda, quando alguém anuncia que não vai vê-lo, outros querem justamente proibir a exibição do mesmo filme. Eu digo: exiba-se o filme. Assista quem quiser. Sem briga. Ponto final. A mesma coisa para todos os outros assuntos relacionados a essa polêmica.

        Enfim, resumindo: minha visão sobre o assunto é essa. Todo mundo pode optar pelo que quiser na vida, e enquanto isso não afetar de forma negativa aos outros ou à coletividade, a liberdade deve ser total.


        PS: Não adianta nada dizer que dois homens ou duas mulheres se beijarem é algo que afeta negativamente às pessoas tradicionais, porque elas ficam ofendidas e enojadas. Eu não estou falando de “afetar significativamente” neste sentido. Estou falando de coisas práticas, reais, palpáveis. Meu vizinho do andar de cima ser gay não causa nenhuma perda a mim. Mas se ele tivesse, digamos, a mania de sapatear a noite inteira, ou urinar pela janela, teríamos um problema. Se o sujeito, no caso o moralista, fica ofendido simplesmente com os que os outros fazem da vida deles, então não são os outros que têm problemas, que são doentes. É ele, o moralista. O chato. O que está sobrando nessa história.

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        Segunda-feira, 22 de Fevereiro de 2010, às 18:12:32
        ::: Um mundo habitado por bundões - Um discurso sobre o politicamente correto, iniciado pela leitura do Blog da Lola
        Na Suécia, um garotinho decidiu não convidar à sua festa de aniversário dois coleguinhas que não eram lá muito seus amigos, não entregando a eles convites de aniversário. Foi acusado de discriminação pela professora e os convites para a festa foram confiscados. O tema foi parar, acreditem, no parlamento sueco, o qual graças à conhecida eficácia dos deputados de todo o mundo, dará uma resolução final ao tema em setembro.

        Na Holanda, fumar maconha nos bares pode, mas fumar cigarro é terminantemente proibido.

        Na Inglaterra, uma muçulmana não passou numa entrevista de emprego para um salão de cabeleireiro, alegou discriminação e ganhou 4 mil libras.

        No Canadá, um editor cristão foi multado por ter se recusado a imprimir imagens pornogáficas e pedófilas.

        Na Austrália, um livreiro que proibiu um cliente de fumar maconha no seu estabelecimento foi processado.

        É impressão minha ou essa onda já passou dos limites?
        Eu estava lendo, como sempre, o blog da Lola, que eu acho muito legal, e confesso que cansei. A Lola, apesar de parecer muito inteligente, tem essa mania (hoje uma praga universal) de ser EXTREMAMENTE a favor do politicamente correto. Agora, ela deu para falar sobre o preconceito contra os gordos, e ainda alfinetar como sinal de racismo o fato de chamarmos algumas pessoas de “negão”, como se isso fosse ofensa.

        Eu não me ofendo que me chamem de branco. O alemão da autopeças não se incomoda de ser chamado de “alemão”, mesmo que isso pudesse implicar alguma coisa do tipo, dizer que ele é implicitamente preconceituoso por ser alemão. Ou sei lá. Se o sujeito é um negão, ou um neguinho, e isso o caracteriza dentro do grupo de amigos, por quê não pode ser o apelido dele? Meu pai passou anos sendo chamado pela família da minha mãe de “gringo”. Ora, ele é narigudo, falava com sotaque e quando ia visitar os pais, embrenhava-se pelos matos da colônia italiana gaúcha. Um gringo. Nada mais, nada menos. Meu sobrinho era gordo quando pequeno, e apesar de hoje ser magro, ainda é chamado às vezes de “Gordo”. Essa é a graça dos apelidos: a gente pega uma característica do sujeito e transforma em um apelido, de preferência cômico. No serviço, me apelidaram de DEZOITO, porque eu sou meio maluco. Muito melhor me chamar assim do que ficar a todo momento dizendo “Sr. Fábio”, o que me daria sempre a impressão de estar sendo formalmente convocado a alguma solenidade. Por motivos diversos, temos aqui no serviço um batalhão de “discriminados”: Patinete (que anda engraçado), Anão (o baixinho), Doutora Lorca, Menudo, Dezoito (eu), Coscarque (o magro), Castrinho, Leôncio (do Pica-Pau), Negrão, Dona Bela (da Escolinha), Santo, o Crente Tarado, Massey Ferguson e outras criaturas de além – todos profissionais competentes, felizes, e devidamente apelidados com os “nomes” mais esdrúxulos – só porque é engraçado, sabe.

        Além do mais, as pessoas não podem ser tão sensíveis assim. Uma mulher (ou homem) com excesso de peso sabe muito bem que o estado físico do obeso não é nenhum crime, nenhum motivo para discriminação. Mas não é, e nunca vai ser, e isso a Lola pode anotar, NÃO È, uma condição desejável. Não é “direito” de ninguém simplesmente ser gordo e esperar que todo mundo ache o máximo. Uma mulher gorda não pode cobrar da mídia que pare de retratar apenas as magras como atraentes, simplesmente porque não se pode lutar contra a realidade.

        EU MESMO ESTOU ACIMA DO PESO, barrigudo, e não me importo que o mulherio prefira os caras sarados. Eu não vou ficar chorando no canto – se eu achar importante essa história de ser aceito dentro de um padrão de beleza, eu que procure uma academia. Mesmo que os gordos deixem de ser chamados de “gordos”, para serem chamados de “fofinhos”, ninguém vai, só por isso, comprar uma Playboy com uma baita de uma gordacha na capa. E a Playboy precisa vender. Vender muito. Empresas assim não têm como ficar “impondo” padrões de beleza: elas só pegam o padrão existente, e atendem a este padrão de preferência em seus produtos, vendendo o máximo que puderem. Se eu fosse o Chacrinha, não teria nenhuma chacrete gorda ou magra demais, porque mulher gostosa é o que atrai a audiência. E a audiência, no caso do profissional da TV, é o que garante o leitinho das crianças no final do mês.

        Que fique bem claro: eu não gosto de mulheres magras no estilo “top model”, porque este é um padrão de beleza criado pela elite da indústria da moda – controlada justamente por mulheres e por homens que na sua maioria não entendem do assunto. Mulher boa é aquela mulher mediana: cintura definida, bunda e peitos carnudos, rosto delicado. Nenhuma reforma no linguajar poderá mudar esta convicção, que eu pretendo levar para a tumba. Em resumo, agora vou ser chamado até de nazista. Mas não dá nada.

        Essa história de querer proibir todos os tipos de “discriminação” é algo muito ruim. Porque tende a pregar que “tudo é válido”. Meu pai certa vez me ensinou uma coisa muito importante: a água sem margens é um pântano, mas a água com margens é um rio, que corre com vigor para algum lugar. Se eu não puder afirmar que um determinado tipo físico é mais atraente do que outro, e começar a dizer que todos são lindos e agradáveis, então qualquer coisa que pintar à frente vai servir. E aí, perdem-se os critérios. É mais ou menos o que já vem acontecendo com a educação das crianças: muitas escolas públicas simplesmente não reprovam alunos porque há um entendimento de que cada criança tem seu ritmo de aprendizado e isso tem que ser respeitado, e todas as crianças, estimuladas. Eu já penso da seguinte forma: tem que haver uma nota de corte. Algumas crianças a alcançarão sem o mínimo esforço. Outras, terão essa marca como algo quase inalcançável, mas a estas só resta estudar como loucas para compensar suas defasagens naturais. Porque na escola ainda há espaço para a compreensão, mas na vida, não: quem não se enquadra acima do “piso” esperado, está fora. A mesma coisa em relação ao corpo: algumas pessoas ficam magras e musculosas com facilidade. Outras têm dificuldade. Mas todos têm que buscar uma coisa em comum. A sociedade pode até um dia não ter mais critérios do que seja “melhor” ou “pior”, mas a natureza, que não se dobra a conceitos moderninhos, nunca terá essa complacência. E os hormônios são uma coisa da natureza.

        Eu, por exemplo, sempre achei quase tudo no colégio muito, muito fácil. Um passeio no parque. Mas não consigo entrar em forma. Devo me conformar e brigar para que me chamem de “bonito” apesar desta pança que eu exibo? Não mesmo! Eu devo é correr atrás para vencer nessa área, na qual sou fraco. Ou então, me contentar em ser “simpático”. Não há meio termo. Eu posso até tascar um monte de processos na Justiça quando alguém me chamar de feio, e com isso calar a boca de todo mundo. Mas isso não me tornará bonito.

        E só para complementar, aquela coisa de eu falar sobre os “negrões”: aqui no Rio Grande do Sul, nós tivemos um governador chamado Alceu Collares, que se me lembro bem, era chamado abertamente de “negrão” pelo mesmo povo que o elegeu, sem que isso impedisse ele de fazer um bom governo. Havia até uma piadinha na época: “Desiludido com os políticos de sempre? Não vote em branco, vote Collares”. As pessoas faziam a piada, mas isso jamais significou preconceito contra o sujeito, porque afinal de contas, os próprios piadistas votaram nesse cara, em massa. E até hoje tem muita gente com saudades dele.
        Aqui no serviço, mesmo, nós temos um colega, o Sarará, que é mesmo um típico sarará, e ocupou várias vezes cargos de chefia. O Sarará, esse cara tão competente. Assim como o Negrão, que ainda não ocupou a chefia, mas bem poderia, e não estranho se logo ele fizer isso mesmo. Aliás, o Anão também já foi chefe. Só o Dezoitinho aqui, que não, mas eu recém entrei para o quadro.

        Concordo, que não podemos discriminar as pessoas, que não podemos julgá-las pelas aparências ou pela cor da pele, ou pela opção sexual. Mas sou contra essa cruzada que pretende, inclusive, acabar com referências bem humoradas e apelidos. Se fôssemos todos politicamente corretos, ordeiros, se cuidássemos o que dizemos a todo instante, se nos monitorássemos o tempo inteiro para não cometer nenhum deslize, não fazer nenhuma piada, nenhum apelido, nenhum gesto que pudesse ter um significado racista, sexista ou agressivo, talvez o mundo fosse um lugar um pouco melhor. Mas com certeza muito mais chato. Parafraseando Raul, eu pediria para parar o mundo, para eu descer.

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        Sábado, 01 de Maio de 2010, às 19:35:06
        MARIANA (agsulita@hotmail.com) comentou este texto:
        Eu achei muito entereçante


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        Sexta-feira, 08 de Janeiro de 2010, às 12:06:05
        ::: A polêmica Geisy/Uniban, no Yahoo Respostas: eu e um bando de velhas virgens moralistas discutindo
        Palhaçada! Eu não defendo que as meninas devam ser vulgares. Acho isso inadequado. Mas acima de tudo, é preciso saber separar as coisas: eu posso não aprovar uma coisa, mas não tenho o direito de marginalizar quem a aprova, sob pena de ver outras pessoas ou grupos me marginalizando pelas minhas idéias. Eu posso não concordar com nada do que uma pessoa diz, mas estou sempre disposto a morrer para que ela tenha o direito de pensar e expressar seja o que for. Essa é uma opção de vida. A outra, é pregar a volta da Idade Média.
        Um usuário do Yahoo Respostas, chamado "Ricardão", ingressou uma pergunta com o claro objetivo de suscitar um debate que eu acho bem interessante: "A loira oxigenada da UNIBAN deve ser canonizada?"

        Para quem não sabe, não lembra, ou não está ligado, a moça se chama Geisy, e foi para a aula usando um vestido curto. Um surto de fúria popular a obrigou a ser retirada com escolta policial de dentro da sala onde se refugiou da turba ensandecida. Os colegas a hostilizavam pela vulgaridade da roupa que estava usando.

        O que me impressionou, a ponto de trazer o assunto para o blog, é que eu esperava ler algumas opiniões sensatas e uma meia dúzia de manifestações dos simpatizantes da Associação das Velhinhas Recalcadas pela Moral. Mas o que ocorreu foi uma avalanche de discursos culpando a moça pelo incidente, só porque ela teve um comportamento, ou vestiu uma roupa vulgar.

        A "melhor resposta", eleita pelo autor da pergunta, diz o seguinte: "Tem um monte de machão defendendo essa criatura unicamente pelo instinto animal (e não humano) de que o macho tem que proteger a fêmea... la não é santa e nem será... que se dê valor a quem realmente merece...!"

        Bom. Eu tenho umas coisas a dizer. ao tal Alexandre, que respondeu isso. Em primeiro lugar, vá cagar no mato. Em segundo lugar, ninguém defendeu a Geisy com base na idéia de ela ser uma "santa". Eu pelo menos, defendo ela, mesmo que ela fosse a maior vagabunda do universo, com base na certeza de que por motivo nenhum se pode arranhar o direito básico de cada pessoa fazer o que quiser da sua própria vida.

        Nos anos 60, segundo contou em uma entrevista, a Elke Maravilha, que era uma menina na época, começou a ter essa mania estranha de criar visuais espalhafatosos e andar por aí chamando a atenção. Na primeira vez que saiu na rua produzida, apanhou dos vizinhos, que a chamavam de indecente. Só que eram os anos 60. Fazem cinco décadas. Hoje em dia, isso não cabe mais. Se a tal de Geisy quisesse ir para a aula vestindo biquini fio dental, ninguém teria o direito de proibí-la. Eu pessoalmente não recomendaria a ela fazer isso, porque sendo muito bunduda, ficaria meio esquisito. Mas é um direito. Aliás, se um aluno homem quiser se vestir igual à Elke Maravilha, ele tem todo o direito. Estamos no século 21.


        O autor da pergunta, no entanto, concordou com o Alexandre. Ricardão e Alexandre. Dois defensores do moralismo hipócrita e imbecil que destruiu as relações entre pais e filhos por gerações, que já dispendeu milhões em dinheiro público (quando o governo empregava um monte de gente nas tais Delegacias de Costumes), e que já podou as idéias de artistas, pensadores e libertinos ao longo da história.

        Minha resposta, na íntegra (ela recebeu 6 polegares para cima e 3 para baixo), é que eu queria trazer para o blog, para ver se alguém me ajuda a pensar sobre ela. Será que eu estou muito errado? Ou são quase todos os outros participantes do debate que estão delirando?

        "Eu achei incrível quando a tiazinha da UNIBAN foi ao programa do Serginho Groisman, outro dia, porque os adolescentes da platéia, todos, que fizeram perguntas mostraram acreditar que ela meio que mereceu a agressão pela roupa "indecente" que estava usando.

        O que nos leva a um ponto procupante: os adolescentes de hoje são mais caretas do que os de antigamente, haja visto que o próprio Serginho, a Maria Paula e aquele velhacão do futebol que foram lá, não viram nada de mais na roupa da guria.

        E é verdade mesmo: os velhos por volta dos 50 anos, 40 e poucos, demonstram geralmente idéias bem menos medievais do que a gurizada. O que talvez seja uma novidade, porque normalmente são os jovens que vêm com idéias novas, são chamados de "pervertidos", execrados como "subversivos", por um bando de velhos tradicionais, moralistas e empedernidos. Foi assim nos anos 50, nos anos 60, e nos anos 70. Os anos 80 foram meio gozados, e já nos anos 90, começou a virar-se o jogo. A juventude começou a surgir com idéias mais caretas do que os velhos.

        É uma pena. Podemos estar caminhando de volta para a Idade Média. Qualquer dia desses, vão queimar uma "bruxa" só por se vestir de vagaba.

        Até porquê, se a sujeita se veste de **** ou não, não cabe aos outros ficar obrigando ela a "se ajustar" ao que é socialmente aceito. Eu mesmo, não tenho preconceito algum pelo simples fato de que descobri que o preconceito te obriga a ficar prestando atenção nos outros, a ficar formulando julgamentos sobre as pessoas. Dá muito trabalho. E eu, como sou um liso, evito filosofias e pensamentos que possam me levar a ficar estressado ou cansado.

        Vá cada um viver sua vida, porque quem tem tempo de reparar na vida dos outros, provavelmente não tem o que fazer.

        Eu nunca vi um pedreiro que acorda às 5 da manhã e tem 3 filhos para sustentar, e passa o dia carregando tijolo, ter tempo e energia para perder discursando sobre a moralidade."


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        Sábado, 27 de Fevereiro de 2010, às 18:04:00
        Fabio Salvador (resposta a comentário) comentou este texto:
        Aliás, pensando por essa linha, é uma pena que eu não tenha ainda descoberto uma maneira de os meus vizinhos me perseguirem, como se eu fosse o Dr. Frankenstein. Aposto que eu seria, pelo menos, convidado a dar uma entrevista no Jô.


        Terça-feira, 16 de Fevereiro de 2010, às 10:14:47
        Gilson comentou este texto:
        Prezado Fabio,
        Parabéns pelo artigo, concordo com sua visão e também acho que os jovens de hoje são mais meidievais do que os do passado.
        Lembro um tempo que menina não podia nem usar mini-saia pois logo era tachada de "prostituta", e com o tempo, começaram a dizer que: "o que é bonito, é para se mostrar", ou seja, quem não gosta de ver umas belas pernas bonitas e torneadas, é lógico que a roupa irá ajudar e aí, qual é a roupa???? Isto mesmo uma mini-saia, que já não é mais considerado vulgar. Mais não foi o que ocorreu com a Geyse, a qual foi difamada e outras coisas a mais. Estas pessoas só fizeram denegrir a imagem da faculdade e ajudaram a criar uma nova pessoa, que por sinal, esta com ibope em alta.
        Abraços.


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        DesEntrevista com Plínio de Arruda Sampaio
        Uma super-mega-power desentrevista, ou seja, uma entrevista sem entrevistado, feita não por um jornalista, e sim por uma pessoa possivelmente ruim das faculdades mentais.

        O "assistencialismo" é obrigação de um Estado humanista
        Coluna publicada no Diário de Viamão dando "nos dedos" da galera que critica o "bolsa-esmola" e outras ajudas sociais.

        José Serra, bancando o espertinho, e se dando mal
        O candidato tucano à presidência esquiva-se de FHC, faz um jingle no qual parece ser seguidor do Lula, e mesmo assim está sendo "cristianizado" por sua própria base.

        Yeda aposta na polarização, ou seja, começou a mentir para si mesma
        Uma análise sobre as chances nulas de Yeda Crusius continuar no poder. Porque o povo já decidiu que seu projeto está morto, só ainda não elegeu o coveiro.

        Tipos Típicos: o Cult-Bundão
        Um estudo antropo-sociológico sobre um tipinho típico da fauna humana Lima-e-Silvense.

        Ódio da auto-ajuda corporativa
        Um manifesto sobre choques de gestão desnecessários, livrinhos de autoajuda para executivos e outras babaquices do mundo corporativo.

        Viamão, capital dos absurdos, paralisa obras do PAC
        A Prefeitura de Viamão estranhamente mandou pararem as obras do PAC na cidade, mas mandou o vice-prefeito a Brasília, para pedir novas obras. Nem Freud explica.

        A medicina no reino encantado do espiritismo
        O dia em que vi os "fabulosos" resultados de uma cirurgia "pelo espaço" e tive ainda mais certeza de que estamos sozinhos, voando em cima de uma pedra perdida no universo.

        Toda religiao nasce como filosofia simples e torna-se instituição complexa
        Muito parecidas com fenômenos classificados como "histeria coletiva", todas as religiões nascem como idéias, e logo tornam-se instituições com códigos de proibições rígidos e discursos prontos para rebater argumentos de qualquer tipo.

        Memórias de Winston Churchill: tratado de paz criou outra guerra maior ainda
        Ando lendo as memórias do primeiro-ministro britânico que enfrentou a Segunda Guerra Mundial, e é notável como ele faz uma análise fria e exata das razões do conflito. Inclusive, afirmando coisas polêmicas. Por exemplo: Churchill diz que a Alemanha não estava pronta para abolir a monarquia, e isso foi decisivo para levar o nazismo ao poder.
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