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      • Candidata Mais Gata 2010
        É isso aí, pessoal! Este ano, o festival de homens feios que pedem nossos votos pode ser compensado por alguma "colírios" no horário eleitoral. Uma destas beldades do mundo da política será escolhda a Candidata Mais Gata de 2010 no Rio Grande do Sul! Vote e faça História!
        Jéssica Nucci
        Deputada Federal - PSTU 1606

        Manuela D´Avila
        Deputada Federal - PC do B 6565

        Gisele Uequed
        Deputada Estadual - PV 43123

        Ju Palhares
        Deputada Federal - PSOL 5025

        Juliana Brizola
        Deputada Estadual - PDT 12001

        Adriana Steinmetz
        Deputada Estadual - PMN 33999

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        Parcialidade Total
        Blog do meu amigo Eduardo Leonardi. Um cara que realmente tem estilo próprio, e seguiu o jornalismo como meio de vida em tempo integral. Curiosidade: esse cara tem uma voz tão calma que, quando narrava uma tragédia sangrenta nas aulas de rádio, dava a impressão de estar dando o boletim do tempo.

        Blog do Flávio Gomes
        Esse cara é jornalista, apaixonado por carros Lada, tem um DKW e faz uns videos nos quais encarna "Indiana Gomes", que nos mostra os carros mais bizarros e museológicos imagináveis. Teve até uma vez em que ele andou num Trabant. Fabuloso.

        Diário de Carina
        Leia e confira, as idéias de uma quase-jornalista brigando pela causa. Na verdade, não conheço essa tal de Carina, mas me dá a impressão de ser uma das pessoas mais idelistas e fofuchinhas do mundo.

        Cinéfilos
        Resenhas críticas, curtas e objetivas, de filmes. Só isso. Sem entrevistas, sem frescuras, sem nada. Só os filmes e ponto final. para quem gosta de dar umas risadas e conhecer um pouco sobre cada produção que vai saindo do forno.

        Conservador e daí?
        Conservador, mas conservador mesmo! Esse blog se opõe até mesmo à Revolução Francesa e aos ideais de liberdade pelos quais ela foi realizada. Ah, e é nele que eu li pela primeira vez o lema "nuremberg para os comunistas, já!" Sentiu o drama?

        Blog Molotov
        Aparentemente, o extremo oposto de "Olavo de Carvalho" e do "Conservador e Daí", mas, na prática, muito semelhante no grau de virulência com que trata os temas. Este é um blog mantido por pessoal do PSTU, com uma linha socialista, revolucionária e empedernida de chavões da nossa manjada whiskesquerda. Mas ostenta esse charmosíssimo nome.

        Bender Blog 2.0
        Esbarrei neste aqui por acaso. Tchê, que cara interessante de se ler. Ele fala sobre vários assuntos e traz uma visão crítica, mas bem humoriada, sobre quase tudo. E o lema é uma pérola: "Concorde comigo ou esteja fatalmente errado."

        Escreva Lola Escreva
        O blog de uma intelectual que não escreve para intelectuais. os assuntos são bem variados e a perspectiva da blogueira é bastante diferente da minha em alguns pontos, enquanto é quase igual em outros.

        Irmão do Décio
        Blog do sujeito que criou o fictício New Fiat Premio. Que mais posso dizer?

        Site da CEEE
        Site da melhor entre as 3 concessionárias de distribuição de energia elétrica do RS.

        Site da FENAJ
        Federação Nacional dos Jornalistas, nossa gloriosa entidade de nível nacional.

        Olavo de Carvalho
        Site de opiniões do mais maluco dos direitistas. Ele ainda vê o "perigo vermelho" até nos desenhos animados.

        Região dos Vales
        Site que reúne colunas, notícias, informações e novidades da região que, para mim, é a mais bonita de todo o lindo, inigualável e gigante Rio Grande do Sul.

        Sindicato dos jornalistas do RS
        O bom, velho e lutador sindicato da "catiguria" na província de São Pedro.

        Internautas Cristãos
        Site com textos que defendem uma visão cristã da vida e do mundo. Andei lendo na tentativa de voltar a acreditar em Deus. Não deu certo, mas vocês podem ir lá e tentar.

        Blog do Zé Piciña
        Blog do retardado mais reacionário que já vi Ele demonstrou, por exemplo, a ligação entre Iron Maiden e o satanismo. É cômico.

        Studio Pampa "oficial"
        Vocês querem bacalhau? Vocês querem mocotó? Vocês querem pão e circo? Este site "oficial" é bom por uma razão: avacalha totalmente o programa. E é muito divertido.

        Blog da Fran Fofura
        Dizem que depois de ir ao BBB, as novas subcelebridades não fazem nada que preste. Mas eu gostei tanto do desenho e do tom do blog que resolvi dar uma chance.

        ADJORI-RS
        Site da Associação dos Jornais do Interior do Rio Grande do Sul.

        O Ícaro e a Borboleta
        Por incrível que pareça, é o blog do Byafra. Dele, e de uma mulher que eu não sei quem é. Mas não espere encontrar ali memórias dos tempos do Chacrinha ou uma agenda de shows em lugares obscuros. Byafra demonstra ali que é poeta, pensador e meio comunista, acho eu.

        Zacarias Martins
        Blog do meu amigão tocantinense Zaca Martins, um poeta, escritor e jornalista. Um verdadeiro maestro das letras, que usa as palavras como se fosse uma orquestra muito bem afinada. Mas o blog tem, além da parte poética, algumas críticas à cena cultural do Norte, que são bem interessantes. Confira, que vale a pena.

        Larissa Maciel Oficial
        Blog que acompanha todos os movimentos e novos projetos da atriz gaúcha Larissa Maciel, já consagrada no papel de Maysa Matarazzo, no seriado sobre a vida da cantora.

        A Filosofia de João de Freitas
        Esse deve ser o cara mais sábio do mundo. Autor de livros online que vão desde "Como parar de fumar" até "Ateus graças a Deus", esse cara nos ensina coisas do tipo "como tornar-se irresistível", "a fonte da juventude" e muito mais. Lendo o site, pode-se passar em concursos públicos e ampliar a memória em 100 vezes. Além de tudo, escreve contos eróticos. Não há nada que ele não saiba! Olhando só para o site, não há dúvidas de que ele é o Messias!

        Marsupialis (Blog da Julia)
        Não me perguntem o por quê desse nome bizarro. Mas este é o blog de uma menina superlegal, linda e inteligente chamada Júlia, filha de uma colega minha aqui do serviço. Só que ela tem umas teorias meio estranhas, e não bebe. Mesmo assim, vale a pena ler porque, dessa turma da idade dela, ela é uma das pessoas mais com a cabeça no lugar que conheço. Confira.

        Léo Brandão
        Blog de um sujeito que, apesar de ter criado a comundiade oficial do Studio Pampa no Orkut, é extremamente lúcido e inteligente. Costuma comentar assuntos como a profusão de partidos sem ideologia no Brasil, mas sem fazer discurso eleitoral para ninguém.

        Esquerdopata
        Blog com um discurso esquerdão e informações atuais que a mídia prefere dar uma ignorada. Resolvi colocá-lo na lista depois de ler um post no qual o blogueiro fala das soluções com "custo zero" para motivar funcionários, algo que para mim também não faz sentido.

        Quanto tempo dura?
        Um blog que fala sobre TV, artes, política e tudo mais de uma maneira realista e meio escrachada, bem ao meu gosto e prática. Cansou de ler as atiradas aqui do meu blog? Vá ler as desse cara. O estilo é semelhante.

        Guerrilheiro do Entardecer
        Vou usar a própria definição do blog: "Este é um blog que defende idéias de justiça social, autodeterminação dos povos, democracia, liberdade, respeito aos direitos humanos e à construção de uma sociedade onde todos possam viver com dignidade." O autor é professor de História e não tem meias palavras.

        Jerre Rocha Mototurismo
        Blog de um cara cuja vida é viajar de moto, bater fotos impressionantes, e depois viajar denovo para lugares ainda mais fascinantes.

        Brigato Design
        Assim como o Irmão do Décio, a Brigato Design dedica-se a desenhar carros como eles deveriam ser: bonitos, modernos, funcionais e acima de tudo, tributários aos maiores clássicos da história automobilística do Brasil. É lindo de se ver. Me apaixonei de vez quando colocaram no ar o design (imaginário, claro) do Opala 2011. Coisa quem nem a Chevrolet de verdade teve a glória de criar.

        Claudio Dullius de Viamão
        Blog do meu amigo Claudio Dullius, um tucano meio liberalão que adora dar pau no pessoal do PT. Voltado para as questões de Viamão, o site tem épocas de extrema falta de inspiração, resumindo-se a reproduções de mensagenzinhas de piada política. Mas quando surgem as épocas inspiradas, o Cláudio nos brinda com os posts mais geniais imagináveis.

        Kadu Schwartzhaupt
        Blog do tucaníssimo Kadu, uma baita figuraça e um grande amigo, que é formado em um pouco de tudo e quem sabe um dia presidirá o PSDB. O bom de ler o blog dele é que ele não concentra sua tucanisse em atacar o PT, e sim em promover os parlamentares e o governo do partido dele, algo meio raro de se achar na web - eu leio porque sempre gosto de ver o contraponto das críticas.

        Viamão Incrível
        Tudo o que (não) acontece em Viamão neste incrível site de notícias verdadeiras (ou não), narrados de maneira brilhante (ou não). Segundo o VI, a cidade recebe visitas de Hugo Chavez e Bill Gates, cedeu um terreno para a gravação de Lost, é campo de pouso de ETs semanalmente, e a lista de material das escolas inclui armas de grosso calibre. Ah, a cidade ainda conseguiu tornar-se um Estado independente do Brasil, abriga uma retransmissora da Al Jazeera, dentre outros disparates. Leia e mije-se de rir.

        A política como ela é
        Blog sobre política (mesmo? dããã), que faz análises cáusticas e inteligentes sobre acontecimentos, pessoas e fatos nacionais e internacionais. Muito bem elaborado, não cai na politicagem e não apresenta pendores escancarados por partido algum. Por incrível que pareça, vale a pena ler, porque os textos são cativantes e bem elaborados.

        Câmara Municipal da Viamão
        Para o bem ou para o mal, para orgulho e glória, ou para vergonha da cidade (em alguns casos), esses são os representantes da nossa população local. Então, é função de cada um de nós, pelo menos, dar uma olhada no que eles andam fazendo com o nosso dinheirinho suado.

        Blog do Pedro Ruas
        Esse cara é um político inegavelmente coerente e lutador. Pode não ser do meu partido, mas eu o admiro e qualquer um que se considere pensante neste Estado do RS deve ler, pelo menos de vez em quando, as análises que o Ruas faz da realidade atual, daqui e do exterior.

        Blog da Luciana Genro
        Blog da deputada federal do PSOL, a filha do Tarso Genro que é bem mais "votável" do que o pai.

        Matérias e artigos classificados como:
        Total: 17 matérias neste grupo.



        Segunda-feira, 06 de Setembro de 2010, às 16:49:37
        ::: Dia 21 ocorrerá o debate que provavelmente será o mais bombástico destas eleições. Não dá para perder!
        Site Brasil de Fato vai promover debate entre candidatos. Mas não é um daqueles tradicionais debates entre os grandalhões de sempre. Não. Será algo mais explosivo: um debate entre os candidatos minoritários de esquerda: PSTU, PCO, PSOL e PCB!
        Ivan Pinheiro, do PCB
        Rui Costa Pimenta, do PCO
        Plinio Arruda, do PSOL
        Zé Maria, do PSTU
        É isso aí, pessoal: na era da Internet, a grande mídia pode até tentar impor cercos a quem ela quiser, mas não consegue mais calar totalmente as vozes minoritárias. O site Brasil de Fato vai transmitir, no dia 21 de Setembro, um debate inédito na nossa história eleitoral: será entre os candidatos a presidente dos pequenos partidos de esquerda. No dia 2 de Setembro, representantes do PCB, do PSTU e do PCO reuniram-se para discutir a realização do evento. O PSOL foi convidado mas não mandou ninguém. Tomara que participe.

        O debate servirá para denunciar o silêncio imposto nos debates a estas pequenas legendas, que nunca são convidadas para nada, criando uma polarização entre PT e PSDB, com o PV servindo de "válvula de escape" para os votos de quem não quer votar em nenhum dos dois grandes.

        Para mim, é uma grande tristeza que nos debates televisivos não participem o Zé Maria (PSTU) e o Plinio (PSOL), este último, para mim, o candidato mais preparado e com as posições mais lúcidas destas eleições.

        Segundo o site do PSTU, "a ideia é realizar um amplo debate, com transmissão em vídeo pela Internet num pool de sites, que agregasse não só os partidos envolvidos e o Brasil de Fato, mas também demais veículos da imprensa alternativa, sindicatos e entidades dos movimentos sociais e populares." Eu vou assistir pelo BdF mesmo!

        Agora, leitores, por favor divulguem, espalhem a notícia! Debate tem que ser aberto para todos, não apenas para os grandalhões. É justo que os grandes continuem grandes se tiverem preparo para tal, e que os pequenos tenham a chance de se mostrarem em confronto com os grandes, para quem sabe, contrapô-los. Isso seria democracia.

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        Domingo, 05 de Setembro de 2010, às 22:13:44
        ::: Baixarias eleitorais: o stalinismo acovardado enfrenta o pseudo-lacerdismo fajuto
        Nestas eleições, tem candidato que se suja usando a máquina pública e tem candidato que se queima ao tentar transformar peixinho de aquário em tubarão assassino. É um duelo entre um stalinismo acovardado pela pressão da imprensa e um pseudo-lacerdismo que já não engana nem criancinha.
        "O Grande Irmão está te vigiando", alusão ao livro "1984", um romance metafórico que na verdade descrevia o regime soviético.
        Josef Stalin.
        Carlos Lacerda...
        ... era um cara popular, embora não entre as classes populares...
        ... e jantava com as "forças terríveis" que tanto assustaram Jânio.
        Carlos Lacerda tanto fez que conseguiu encurralar Getúlio Vargas. Mas o velho presidente tinha uma carta na manga: suicidou-so, e o povo, revoltado, saiu quebrando tudo. Lacerda teve que se esconder. E em sua revolta, a população manteve os getulistas no poder até 1960.
        O stalinismo também não teve grande sucesso, a longo prazo, e todos nós sabemos no que deu.
        Quando eu escrevi, outro dia, sobre o caso do vazamento de informações sigilosas sobre a turma do José Serra na Receita Federal, recebi algumas respostas dizendo que a quebra do sigilo é um crime e um ato de autoritarismo.

        Bom. Eu sei que é ilegal e autoritário revelar dados que deveriam ser privativos. O que eu "não entendi" foram as razões para tamanho alarde. Havia algo comprometedor nos tais dados? Isso não vem ao caso. O escândalo ganhou as dimensões que ganhou, não pela truculência do ato de vazamento, e nem pelo teor dos dados violados. Não. O escândalo ganhou dimensão porque interessava fazer barulho e espernear em cima dele. Interessava aos tucanos, para poderem pregar no governo Lula a pecha de "autoritário", de "Estado policial".

        E é fato que a quebra do sigilo dos dados é um ato do mais puro terror stalinista. Não nego isso. Como também é um ato da mais pura histeria lacerdista o que os tucanos vêm fazendo em cima de qualquer coisa que o governo faça.

        Quero deixar claro que eu não opino na condição de cabo eleitoral. Eu escolho meus candidatos por considerá-los melhores, não porque eu tenha partido ou lado na disputa. Já falei sobre isso antes aqui: ninguém nunca me estendeu um dedo que fosse nas horas difíceis, então, agora, sinto-me no direito de não ter o rabo preso e botar o dedo na cara de quem eu quiser.

        Eu tenho plena e clara certeza de que o governo atual cometeu vários atos de autoritarismo, aparelhamento de sindicatos e entidades estudantis, movimentos sociais. Sei que formou enormes cabides de emprego para a companheirada e que tem feito muita demagogia. Eles têm na mão a máquina estatal, em mistura explosiva com uma inspiração stalinista, brezhnevista, uma coisa meio União Soviética, meio Hugo Chavez. Só que, como o Brasil é um país com instituições democráticas bastante sólidas e a população já atingiu um determinado grau de esclarecimento, essa tendência não tem como evoluir para um Estado Policial puro e simples: é um stalinismo meia-boca, paz e amor, Metade Stalin, metade Jimmy Carter.

        Mas também tenho, por outro lado, a visão muito clara de que as forças de oposição, que têm nas mãos um imenso aparato de imprensa, e são tributárias de uma tradição lacerdista, denuncista, de querer forçar a barra, infundir o medo do comunismo, da ditadura, e jogar o povo contra seus próprios interesses. Estas forças vêm jogando todo o peso de seu poder midiático contra o governo atual, desde o primeiro segundo após a posse em 1º de Janeiro de 2003. Um ataque ininterrupto, baixo e vil, que transforma formigas em dinossauros, que transforma boatos em certezas, erros eventuais de sub-vice-ajudantes em políticas equivocadas de governo. É um lacerdismo que não pode mais apavorar as massas com os fantasmas do comunismo soviético e da guerra civil. É, acima de tudo, um lacerdismo sem a inteligência de um Carlos Lacerda, do qual os expoentes mais brilhantes não serviriam para engraxar os sapatos do tribuno carioca: figuras ao estilo Diogo Mainardi e Reinaldo Azevedo. E que não vinga, justamente porque o brasileiro médio não é mais aquele jeca analfabeto e nem aquele classe-média que, apesar de bater cartão, não se via como "trabalhador" só porque ao invés de pegar ônibus, tinha comprado uma DKW seminova, e morria de medo de virar escravo dos russos.

        O povo brasileiro já não é mais trouxa. E eu, muito menos. Quando eu venho aqui e critico o José Serra por estar fazendo um estardalhaço em torno do caso da Receita, não o critico por achar que a violação do sigilo seja um crime pouco grave. Não. Critico-o pela tentativa de transformar isso num fato capaz de mudar os rumos da eleição, agitando este fato como um espantalho, a apavorar as massas: "Vocês viram? Eles são autoritários! Não votem neles, senão a democracia está ameaçada!"

        Da mesma forma, quando eu critico a turminha da Dilma por usar o governo federal como se fosse um comitê, e de fazer estardalhaços enormes em torno de falhas de governos do PSDB (como o caso do Banrisul, aqui no RS, com o qual a governadora Yeda parece não ter nada a ver), não faço as críticas por querer bem ao Serra. Ou por concordar com a roubalheira.

        Eu "queimo" essa gente porque todas essas barulheiras, com seus meandros e pretextos variados, são apenas e somente um tipo de coisa: golpes baixos, truques sujos dados às vésperas das eleições. E disso, eu já estou de saco cheio. Imagino que muitos leitores também estejam.

        Por isso eu ignoro estes fatos. Se não os ignorarmos, não conseguiremos escolher candidato algum. Nós, brasileiros, nos vemos obrigados a votar nos candidatos com as melhores propostas, ignorando as eventuais trombadas que eles possam dar durante a campanha. Porque, se não ignorarmos essas coisas, acho que não sobra nenhum em pé. E aí, seríamos todos obrigados a votar nulo. E isso, para mim, está fora de questão. Se os conscientes anularem seus votos, os rumos do Brasil ficarão nas mãos da turma do "tô nem aí".

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        Segunda-feira, 06 de Setembro de 2010, às 09:37:17
        Guto (carlos.augusto@ufrgs.br) comentou este texto:
        O quê???!!!!?????

        O grande Fábio Salvador votando 13 (mamãe dilma)????...pensei que isso NUNCA ia acontecer!!! Bah...surpresa.

        Abraço do amigo
        Guto


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        Quinta-feira, 02 de Setembro de 2010, às 23:40:31
        ::: Caraca! O Romer tem um blog!
        O vereador mais radical da Câmara de Viamão tem um blog. Cujo fundo é completamente vermelho, e o logotipo tem uma foto do Lênin.
        O logotipo do blog do Romer, hoje.
        O candidato a deputado estadual Pedro Ciarlo, a candata a federal, Luciana Genro, e o Romer, num jantar da campanha no Tamoio.
        Romer discursando. O Romer, aliás, é um bom orador. Não como o Artur Gattino, mas bom.
        Este blog é uma das coisas que faz o Camarada Lênin sorrir.
        Se ao invés de livros o Romer gostasse de ficar lendo revistinhas, elas seriam todas desta série...
        Leitores assíduos do blog do Romer comemoram lançamento.
        Sim, meus amigos: o Romer tem um blog! E não foi nem capaz de me avisar, para eu colocar o link por aqui. Mas não faz mal: eu achei o endereço, meio por acaso, no Orkut e agora, aqui estamos.

        Para quem não sabe quem é esse Romer: foi o primeiro político a quem eu apoiei quando resolvi que meu interesse pela política iria sair do campo teórico e passar para o prático. Ele era vereador, pelo PDT, aqui em Viamão. Nasceu e cresceu no PDT. Mas em 1007, descontente com os rumos do partido, foi para o PSOL. E continua vereador, por este novo partido.

        Já eu, como vocês já devem saber, agora tiro sarro de tudo quanto é candidato, e apoio alguns, dos quais também tiro uma onda. Uma das coisas mais engraçadas do Romer, comigo, é que ele me vê como alguém "de direita". Eu já acho que ele é militante de esquerda, tanto quanto eu, mas com um discurso bem mais "século XX" do que o meu. Na verdade, às vezes suspeito que eu seja mais radical do que ele. E outras vezes, tendo a pensar que talvez ele esteja mesmo à minha esquerda. Não sei.

        Ele tem, claro, muito mais tempo de estrada. Mas eu sou muito mais debochado, muito mais "leve". Além disso, ele sempre leva a si mesmo muito a sério. Eu já me permito assumir meu lado levemente "político folclórico". Porque todo político, especialmente socialista, tem um quê de revolucionário e um tanto de caricato. Ou autocaricato.

        Buenas. Chega de filosofia. O Romer tem uma certa tendência a arrumar polêmicas. Não faz aquele estilo de político que abraça todo mundo e elogia todo mundo. É meio brigão. Por isso, é que é divertido caminhar ao lado dele. Divertido, mesmo. Só que, às vezes, ele faz algumas coisas meio "sem noção". Mas é bem melhor um cara assim do que um daqueles "gelatinas" que costumamos ver por aí, sempre por cima da carne seca.

        Agora mesmo, está rompido com uma parte do próprio partido dele.

        Eu poderia escrever um pequeno livro só com frases pitorescas que o Romer já me disse, e contando causos bizarros, de campanha e de mandato. Especialmente sobre 2006, ano em que fizemos uma campanha a bordo de jaburecas voadoras soltas por Viamão.

        Mas vou poupá-los dessa enorme narrativa e voltar a falar do blog em si: o logotipo parece ter sido feito no Paintbrush, com três fotos: uma do Romer discursando, outra de uma estátua do Lênin, e uma outra dele (Romer, não Lênin) sorrindo, com um embleminha do PSOL no canto. O fundo do blog é completamente vermelho, claro. Só faltou tocar a Internacional Socialista como música de fundo. Ou seja: adorei a idéia do visual. Poderia ser um pouco mais bem produzido, mas já está bala, assim, se é que vocês me entendem.

        Ainda não tem muitos textos por lá. Na verdade, tem uma meia dúzia de notícias que são iguais às publicadas pelo Diário de Viamão. O Romer deveria "se puxar" e escrever umas coisas de opinião dele, falar do que anda acontecendo na Câmara Municipal de Viamão. E deveria divulgar, pelo menos entre os amigos, né, seu Romer!

        PS: Uma última curiosidade: vocês sabiam que o Romer possui um exemplar do Livro Verde do Muhamar Kadafi?

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        Sexta-feira, 27 de Agosto de 2010, às 17:16:49
        ::: PCB apresenta o candidato mais sem noção para o Senado
        Este ano, o meu primeiro Troféu Sem Noção vai para o senhor Luis Carlos Drehmer, candidato do Partido Comunista Brasileiro para o Senado. A principal (e até onde sei, única) proposta dele é... ACABAR COM O SENADO!!! É ou não é a total falta de noção?
        Parabéns!
        E aí, o vovozinho diz: "O quê? Não tem mais União Soviética? Onde é que este mundo vai parar?"
        O que faz a proposta do comunista ser a mais esdrúxula não é, tanto assim, a enorme importância do Senado. Não. Isso pode ser posto em discussão e, de repente, até seja uma boa idéia fechá-lo, sei lá. Não importa. A questão é outra.

        Se um sujeito concorre a um cargo eletivo, ele deve apresentar propostas que sejam factíveis, úteis e atraentes. Por "factível", entenda-se, realizável. Por "útil", ela precisa ter algum impacto positivo na vida da população. E por "atraente", leia-se, deve puxar votos para o candidato. Assim, é possível propor coisas que sejam úteis e atraentes, mas não factíveis, como um salário mínimo de 4 mil reais. Também pode-se propor coisas que sejam atraentes e factíveis, mas inúteis, como instituir um Dia Nacional da Cerveja. E também pode-se criar coisas que sejam úteis e factíveis, mas nada atraentes, como instituir uma multa para quem disser palavrões em público.

        Bom. Mas aí chegamos à proposta do senhor Dehmer. Ela não é factível, porque a mudança para um Congresso unicameral teria que passar por plebiscito, que só seria lançado com uma grande coalizão em torno da causa, e não um único parlamentar tresloucado, isolado. Eu também não consigo ver no que ela seria útil para o país. E em último lugar, poderíamos esperar que fosse apenas uma bobagem dita na TV para atrair votos, mas... NÃO É UMA PROPOSTA ATRAENTE. Eu não sei no que o fechamento do Senado melhoraria a minha vida, e a quase totalidade do povo brasileiro também não sabe. Não é alguma coisa com a qual o povo sonha. É só uma doideira que a galera do PCB calhou de dizer na TV.

        Aliás, todos os candidatos do PCB são senhores de barbas brancas. O partido parece ter ficado só com uma meia dúzia de gatos pingados, da velha guarda comunista, descontentes com a mudança de rumo do bloco principal do partido (que virou PPS). São os viúvos da queda do Muro de Berlim. Sei lá. Eu adoro história, coleciono materiais sobre a Guerra Fria, até tenho um Lada vermelho, mas acho essa resistência de um comunismo de velha guarda, com meia dúzia de votos, um discurso totalmente alienado da realidade atual, parado no tempo, acho essa coisa toda meio melancólica. Meio como aquelas cidadezinhas quase-fantasmas, habitadas apenas por uns velhinhos saudosos, à espera do fim.

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        Terça-feira, 24 de Agosto de 2010, às 17:59:19
        ::: O "símbolo do PDT" no ícone do blog fez uma vítima
        Hoje finalmente ouvi alguém perguntando sobre o ícone que eu coloquei no blog, e que aparece na barra de título do navegador. A explicação sobre isso é uma longa e (para alguns) interminável aulinha de História.
        O famoso símbolo da Internacional Socialista.
        O escrito diz: "O socialismo democrático funciona!", uma frase com a qual concordo integralmente. Acho até que eu deveria ganhar uma canequinha dessas de Dia dos Pais.
        Carol Martha Browner, diretora do Escritório de Energia e Mudança Climática da Casa Branca, agora mesmo, no governo Obama. Nesta foto, ela estava discursando no 23º Congresso da Internacional Socialista pela Solidariedade Global. Vejam que a entidade tem membros em toda parte.
        Só uma curiosidade: existe uma Quinta Internacional, basicamente "bolivarianista" e encabeçada pelo regime venezuelano.
        As reuniões da Primeira Internacional devem ter sido bem interessantes. Imagine sentar-se ao lado do Marx e do Bakunin! Mas também devem ter sido meio soníferas: os livros do Marx são muito chatos, ele escreve em 20 páginas do que poderia fazem em dois parágrafos. Vocês já tentaram ler? É um porre!
        Símbolo da Quarta Internacional. No Brasil, o PSTU e o PCO dizem ser os partidos que a representam.
        Esse é um dos meus pôsteres soviéticos favoritos: um trabalhador muito maior do que os pequenos burgueses improdutivos dá fim a uma reunião com um soco na mesa. Podem me chamar de "esquerdista clichezão", mas é inaceitável um estado de coisas no qual uma minoria privilegiada se dá bem e manda em uma maioria de zés-ninguéns. O povo é quem deveria, de fato, ser o centro da coisa toda.
        Quando eu coloquei aquela mãozinha segurando uma rosa vermelha como ícone do meu blog, já sabia que alguém perguntaria o sentido da figura. E hoje fiz minha vítima, portanto, já posso esclarecer a coisa toda. Quem me perguntou foi o Iuri Camargo, presidente da JPMDB de Viamão.

        - Fábio, tu viste que aparece um símbolo do PDT quando abre o teu site?

        Sim. Vi. Fui eu quem coloquei o "símbolo do PDT" no ícone, mas de fato, não o fiz para declarar minha afinidade com o PDT (muito embora eu tenha de fato muita afinidade com este partido). Não. Coloquei ali porque há poucos dias copiei o ícone do site da Internacional Socialista. Como o PDT é afiliado a esta importante entidade global, ele usa o símbolo dela em sua bandeira. E se vocês querem mesmo saber, eu ficaria muito orgulhoso se o meu partido um dia também passasse a integrá-la.

        Internacional Socialista? Primeiro, um pouco de anarquismo
        Para quem não sabe: no século XIX, com o surgimento de partidos e movimentos operários em praticamente todos os países da Europa, criou-se o anseio por uma entidade que reunisse todas essas forças proletárias em um esforço comum, pela causa das classes produtoras. Daí, criou-se em 1864 a Associação Internacional dos Trabalhadores, que reunia todo tipo de militantes progressistas: comunistas, anarquistas, social-democratas, socialistas e socialistas utópicos (adeptos das idéias igualitaristas pré-marxistas). Também haviam, por exemplo, os republicanos italianos, e anti-imperialistas que defendiam a independência polonesa.

        O surgimento desta instituição deu-se quase por acaso. Nos diz a Wikipedia: A organização foi fundada por coincidência: Napoleão III, numa tentativa de agradar a classe operária francesa, permitiu que 200 representantes eleitos por ela fossem a Londres participar da Grande exposição de 1861. Esses trabalhadores travaram contato então com sindicalistas ingleses que vieram recepcioná-los. No ano seguinte houve um novo encontro, desta vez para manifestar apoio à causa da independência da Polônia. Mas desta vez, o convite aos trabalhadores franceses mencionava as dificuldades pelas quais os sindicalistas ingleses passavam: a cada tentativa de greve, os patrões ameaçavam importar mão-de-obra. Isto não seria possível se os trabalhadores dos diversos países coordenassem seus movimentos sindicais. Os sindicalistas franceses responderam rapidamente, e o encontro contou também com representantes da Alemanha, Itália e Suíça. Nascia assim a Associação Internacional dos Trabalhadores.

        Os dois principais líderes desta organização eram, nada mais nada menos, do que Karl Marx (o pai do socialismo científico) e Mikhail Bakunin (possivelmente o maior pensador anarquista da história). Os marxistas defendiam uma fase de transição para a sociedade sem classes, enquanto a turma do anarquismo defendia uma ruptura radical. Criou-se um "racha" entre os dois grupos, e a Primeiro Internacional implodiu. Em 1922, a entidade foi refundada, só pelos anarquistas.

        Segunda Internacional
        Em 1889, foi fundada a Segunda Internacional, reunindo os partidos e pensadores marxistas e socialistas em geral (não-anarquistas). Esta entidade acabou se esfacelando em 1914, com a explosão da Primeira Guerra Mundial, sobrevivendo através da efêmera Internacional Socialista e Trabalhista, dissolvida em 1940, quando eclodiu a Segunda Guerra Mundial. Sobre esta última entidade, cabe falar um pouco:

        Nesta época (o entre-guerras), já não haviam mais grupos socialistas utópicos, os anarquistas tinham seu próprio movimento, e as duas grandes vertentes do pensamento proletário progressistas eram mesmo o socialismo e o trabalhismo. Embora ambos brigassem pela melhoria de vida das classes trabalhadoras, os primeiros brigavam pela extinção do capital privado, enquanto os segundos pregavam uma aliança entre capital e trabalho, em uma sociedade de conciliação.

        A grande razão para a existência desta Internacional Socialista e Trabalhista, no entanto, era reunir o proletariado fora da esfera de influência da Terceira Internacional, fundada em 1919 na União Soviética. Enquanto a 3ª era caracterizada pela forte centralização em torno de Moscou, e de um conceito fechado sobre o socialismo, a outra era abrangente e democrática.

        Terceira Internacional
        A Terceira Internacional, ou Internacional Comunista (Comintern) foi mais uma associação mundial dos trabalhadores e partidos proletários. Só que, diferente das anteriores, esta foi fundada e financiada por um governo: o da recém criada República Socialista Soviética da Rússia, centro da futura União Soviética. Sim, porque, em 1917, os bolcheviques haviam conseguido tomar o poder no velho e decadente Império Russo e instituído o primeiro Estado socialista da face da Terra.

        O nascimento da 3ª Internacional tinha um objetivo estratégico. Lênin, líder da revolução, temia que o comunismo russo fosse esmagado pelos exércitos reunidos dos impérios e repúblicas capitalistas da Europa, e a nova instituição serviria para ajudar os trabalhadores de todos os países do continente na tarefa de "exportar" a revolução. A coisa toda não deu muito certo. Houveram revoluções na Romênia, na Alemanha, e em outros lugares, mas nenhuma delas vingou. Em 1943, com os exércitos nazistas invadindo a URSS, Stalin precisava desesperadamente da ajuda ocidental, e sabia que a existência do Comintern criava uma certa hostilidade entre ele e os governos do mundo capitalista. Então, dissolveu a entidade, pelo menos formalmente.

        Quarta Internacional
        Com a transformação do socialismo soviético em uma doutrina institucionalizada, centralizada e dogmática, muitos elementos que inicialmente apoiavam os rumos da revolução foram se desgostando a questionando a ditadura de Josef Stalin. A mais famosa dessas figuras, Leon Trotsky, acabou exilando-se no exterior e escrevendo uma série de críticas sobre a União Soviética, basicamente demonstrando que aquele não era o caminho para o verdadeiro socialismo. Os seguidores de Trotsky fundaram a 4ª Internacional.

        Internacional Socialista, finalmente
        A Segunda Internacional, escangalhada pela confusão da maior guerra que a humanidade havia visto até então, voltou a se organizar no pós-guerra, mas permaneceu pequena e acanhada, quase sem nenhum partido-membro de fora da Europa Ocidental. Nos anos 1970, no entanto, com o fim das ditaduras de Salazar e Franco (Portugal e Espanha), a entidade teve papel importante na emergência de governos de esquerda nestes países. E nos anos 1980, os sandinistas da Nicarágua filiaram-se à entidade.

        Com os anos, mais e mais partidos da América latina foram se associando, á medida que as ditaduras militares do continente iam dando lugar a democracias. Nessa época, quem já andava freqüentando a Internacional Socialista, e era muito respeitado na entidade, era o exilado Leonel Brizola. Ao voltar para o Brasil, Brizola fundou seu partido, o PDT, que foi automaticamente filiado à entidade. Inclusive, o trabalhismo brasileiro que até os anos 1960 era uma construção tributária do varguismo, acabou ganhando uma carga teórica mais complexa e um viés mais socialista e democrático justamente porque Brizola e outras lideranças haviam aprendido muito com a Internacional. E por isso o símbolo desta virou o símbolo do PDT.

        Ideário
        Ao invés do autoritarismo do Comintern e do sectarismo trotskista, a Internacional Socialista abrange um leque bastante amplo de idéias, e tem um viés eminentemente democrático. Assim, fazem parte do ideário, da construção teórica da Internacional desde as posições dos partidos ex-comunistas, a social-democracia, o socialismo moderado, o trabalhismo e muitas outras correntes de pensamento de esquerda.

        Eu me identifico muito fortemente com esta entidade, basicamente porque ela não tem uma utopia fechada ou um "manual" para a construção de um mundo melhor. Mas são justamente as idéias do campo da esquerda, com foco no bem-estar da classe trabalhadora, que integram essa sopa ideológica. Até porque não existem fórmulas prontas: nos diferentes países, e em torno de diferentes questões, o que une todos os partidos-membros é a busca de um mundo mais justo e de uma sociedade mais igual, mais livre e mais fraterna.

        E foi dessa identificação pessoal com a Internacional Socialista que veio a idéia de colocar seu símbolo no ícone do blog. E lá vai ficar, até que eu faça um ícone mais legal ainda.

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        Sábado, 21 de Agosto de 2010, às 11:56:53
        ::: Esse tal deste Tarso Genro e o carinha chamado Fogaça
        Tarso é a direita do PT? Fogaça é neoliberal? Ou os dois são, como alegam, "de esquerda"? Afinal, em nome da coerência com as idéias que sempre defendi, eu não deveria mudar de candidato? Eu pensei demoradamente sobre essa questão e vale a pena analisar a linha de raciocínio que eu adotei e as conclusões a que cheguei.
        Esse cara tem um baita de um jingle de campanha e está fazendo um discurso muito acertado ao mostrar-se diferente da Yeda, do Britto, de todas essas figurinhas da direita liberal.
        José Fogaça e seu vice, Pompeu de Mattos, em campanha. O Fogaça tem um posicionamento de não atacar o governo do qual nosso partido fez parte, mas também não ataca o PT. Parece uma estratégia meio dúbia, mas foi com esta estratégia que ele encerrou 16 anos de administração petista em Porto Alegre: prometendo manter o que estava bom e mudar o que fosse preciso. Um governante pragmático, pacifista, que evita o conflito. Já é um salto de qualidade em relação aos beligerantes como a Yeda.
        Outro dia, no serviço, uns colegas eletricistas vieram me "apertar", como aliás está ficando comum de acontecer, questionando minhas posições ideológicas. Eu sou notadamente esquerdista e para eles parecia muito absurdo que eu tivesse o carro coalhado de adesivos da campanha do Fogaça para governador. Sobre esquerdismo e direitismo nessas eleições ao governo estadual, disse o que repito abaixo:

        Em termos de posição política existem claramente dois campos em disputa aqui: de um lado, temos o governo Yeda e do outro, a possibilidade de abandonar esta fase da nossa vida institucional, uma época de choques, de governo de ouvidos fechados. Minha posição, nesse quesito estratégico, é evidentemente de ruptura com o momento atual.

        Mas temos ainda a questão do posicionamento esquerda-direita. Para um observador menos atento, Tarso está à esquerda de Fogaça, porque afinal de contas, Tarso é o candidato do PT, partido com correntes socialistas, bandeira vermelha, história de luta sindical. Partido do Lula, pô! Fogaça é do PMDB, partido que vem sistematicamente apoiando teses direitistas, e que encabeçou o governo mais privatizante da História gaúcha: a famigerada gestão Antonio Britto.

        Um rio sem margens
        A definição ideológica do PMDB é, no entanto, bem mais complexa do que uma simples linha esquerda-direita. Pela minha experiência, o que une a galera do PMDB, em termos de idéias, é o zelo pela democracia e pela liberdade. Tanto que o partido só se mexe quando uma decisão é votada, de forma ampla, aberta e livre. E em todas as votações nas quais eu participei até hoje, todo mundo teve chance de falar, do mais importante político até a gurizada recém-filiada da Juventude. Eu mesmo, apesar de nunca ter concorrido a nada nem feito voto nenhum, sempre sou escutado.

        Mas definir que o PMDB seja a favor, por exemplo, das privatizações, seria uma generalização barata. Eu sou anti-privatista e ninguém nunca me disse que eu estava desrespeitando a cartilha do partido. Tem gente claramente neoliberal lá dentro, e também não são incomodados. O legal do PMDB é isso: não existem correntes internas, todo mundo faz parte do mesmo corpo partidário, e cada questão tem que ser decidida "caso a caso", então, o pessoal que tem uma posição sobre aquela questão tenta convencer a maioria a votar daquele jeito.

        Eu, por exemplo, nunca apoiaria um governo como o do Britto, assim como não apoiei o da Yeda. Tem gente ali que até ocupou cargos. Às vezes, alguma figurinha tenta "virar caudilho" dentro do partido e apresentar determinados posicionamentos e apoios como obrigatórios ao filiado, mas cabe sempre a discussão. Pessoas "indobráveis" como eu arrumam muita polêmica, mas não são expulsas. Democracia é isso aí.

        Fogaça não é exatamente uma "esquerda do PMDB", como eu me defino, mas não é um privatista, um neoliberal. E está correndo associado ao PDT, partido do Brizola, dos CIEPs, das encampações. A própria campanha eleitoral mostra qual é a posição de um futuro governo Fogaça: a propaganda mostra a posição da chapa Fogaça-Pompeo, exaltando figuras como Ulisses Guimarães, Leonel Brizola e Jango, deixando de lado os elementos mais "direitalhas" da história peemedebista.

        É como se o PMDB e seu candidato mostrassem que não estão dispostos a repetir os erros do passado neoliberal do partido. Errar é humano, repetir o erro seria burrice.

        Vários riachos que formam um rio
        O PT tem outra lógica de funcionamento: o partido é formado por correntes internas, umas mais à direita e outras mais à esquerda. Tem trotskistas, tem keynesianos, tem de tudo. E tem muitos "vaselinas" cuja única posição é pegar cargos e participar da boca-livre das verbas, vantagens e benesses. Não que o PMDB seja livre dessas pragas (aliás, ao lado do PT, é um dos principais viveiros delas, e nós muitas vezes temos que as suportar).

        As decisões internas do partido dão-se nessa lógica de disputa das "correntes", e quem de fato comanda o partido é a corrente que tiver mais força para brigar pelo seu espaço, deixando as outras no papel de fazer pressão, como se fossem uns pequenos partidos de oposição ao próprio PT, mas que funcionam dentro dele. Nas épocas de eleições, essas disputas internas silenciam, e todos saem disciplinadamente juntos. Às vezes, no entanto, as diferenças são grandes demais, e algum grupo cai fora do partido, formando novas legendas. Assim nasceram o PSTU, o PCO e o PSOL.

        Eu sempre vi o Tarso Genro e seu Campo Majoritário como sendo "a direita do PT", não uma direita de verdade, mas um grupo centrista que se destaca à direita da galera esquerdista, ao estilo da "O Trabalho", formada por troskos quase-PSTUzistas. E dentro deste grupo, Tarso como o mais centristão de todos. Até porque eu tinha como certeza que ele tinha começado sua vida política no PMDB.

        Nos últimos dias, no entanto, resolvi pesquisar a biografia desse tal Tarso Genro e analisá-la friamente. Tarso não começou sua vida pública no PMDB, e sim no MDB, que nos "anos de chumbo" serviu de legenda a todo mundo que era anti-ditadura: futuros formadores do PMDB, mas também brizolistas, comunistas, anarquistas, toda a turma do coro dos descontentes com a galera fardada.

        Também me chamou a atenção o fato de, já no pós-MDB, ele ter chegado ao PT vindo de outro grupo mais à esquerda. Diz a biografia dele no UOL: "No início da década de 1980, foi porta-voz do Partido Revolucionário Comunista (PRC)." PÔ! O PRC foi uma cisão do PCdoB que uniu-se à Ala Vermelha e formou uma corrente já na fundação do PT, para depois fundir-se a outro grupo, a Tendência Marxista. Hoje, esse emaranhado de vermelhos funciona como uma corrente interna.

        Enfim, é um histórico suficientemente "vermelho" para o meu gosto. Passei a respeitar a figurinha.

        Então, minha posição em 2010 é...
        Minha posição permanece imutável: sigo apoiando Fogaça para o governo do Estado. Por uma série de razões.
        Uma delas é que eu sou filiado ao PMDB, e isso significa que eu concordo em apoiar o candidato do meu partido, desde que ele não faça alguma coisa muito imbecil como defender teses neoliberais, pró-imperialistas e privatistas. E desde que ele não faça nada antiético.
        Outra razão forte é o histórico de lutas pela democracia do Fogaça, que para mim é algo muito importante. Porque há políticos da direita que falam em "democracia" como um item subordinado à idéia de capitalismo liberal. E há esquerdistas que falam em "democracia" como algo subordinado à construção do Estado dos trabalhadores. Fogaça me parece ser um democrata "até os ossos", como eu, considerando a democracia e a liberdade valores supremos, debaixo dos quais se pode pensar em coisas de "segundo escalão", como os posicionamentos esquerda-direita, que são o item capaz de me separar um pouco do Fogaça. Mas não do PDT.
        E aqui vamos ao último ponto: Fogaça formou uma coligação com o PDT, e todo mundo sabe o que eu tenho a dizer sobre brizolismo: o ícone do meu site (essa figurinha que aparece na barra do browser) é uma rosa vermelha da Internacional Socialista, a mesma figura que é símbolo do PDT, único partido brasileiro filiado àquela entidade mundial dos trabalhadores.

        Então, agora eu respeito muito a posição de quem vai de Tarso, porque tem uma boa história. Tem um passado de esquerda. É um grande candidato. Mas eu vou pela democracia, vou pelos trabalhadores, vou pelo trabalhismo. Vou de 15, vou de Fogaça!

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        Domingo, 18 de Julho de 2010, às 00:09:02
        ::: Confirmado: tenho mais jeito para sindicato do que "cara de Juventude"
        Eu vinha há semanas matutando sobre as razões de eu ser esquecido nos anúncios da Executiva Municipal da Juventude do meu partido, apesar de ocupar nela uma posição meio importante. Hoje descobri que, assim como eu, nosso orador de sempre também esquece que eu ainda tenho idade para ser membro da Juventude. Resultado: vou fundar outro núcleo, sindical.
        O Sarico foi eleito primeiro suplente de vereador em 1981. Eu nasci perto da data desta eleição. Ou seja: eu não sou mais guri, mas o Sarico já não era quando eu nasci.
        Bah, essa foto não tem nada a ver com a história, mas estava aqui no arquivo e resolvi publicar: Sarico, Mendes Ribeiro pai e Mendes Ribeiro Filho, em mil-novecentos-e-guaraná-de-rolha.
        Hoje tivemos uma reunião meio vapt-vupt da Juventude do PMDB de Viamão, na sede do partido. Na verdade, uma reunião da Executiva apenas, e nem todos os membros estavam presentes. O tema – único – era a organização do transporte para o evento do dia 24, em Gramado.

        Como o salão do partido estava ocupado com uma festa de aniversário, usamos o escritório, no subsolo. E o Sarico, nosso candidato a prefeito em 2008 (e 2004, e 2000...), resolveu aparecer por lá.

        Quem lê este blog há algum tempo deve ter notado que eu já estava até cogitando a hipótese de perseguição, porque quando anunciam os membros da Executiva Municipal da JPMDB, sempre "esquecem" do meu nome. Mas hoje, tenho a impressão de ter descoberto o motivo das gafes: o Sarico ficou meio surpreso com o fato de eu fazer parte da Juventude – ele "jurava" que eu não tinha mais idade.

        Não chego a ficar ofendido quando as pessoas pensam que eu já estou velho demais para a Juventude partidária – até porque, eu já não era visto como um membro da ala jovem quando estava no PDT, e isso foi há 5 anos atrás. Eu simplesmente fiquei com cara de "não-jovem" muito cedo. E não é que eu tenha rugas ou algo do tipo.

        Na própria CEEE, os consumidores acreditam que o meu colega Maurício é "um guri", e que eu sou o funcionário mais velho, mais "senhor", com anos na empresa. Mas, na verdade, enquanto o Maurício tem uns 18 meses de empresa, eu tenho apenas meio ano a mais. E sou um mês mais jovem do que ele. Tem gente que pensa que eu sou mais velho do que a minha esposa, que é 7 anos mais velha do que eu.

        Percebi que não tem tanto a ver com a aparência. É algo no olhar, no falar, na maneira de enxergar as coisas da vida. No tom da voz. As coisas da vida, as dificuldades, e aquela calma que advém do fato de, tantas vezes, estar diante de situações que parecem o fim do mundo, e continuar vivo, vai formando uma pessoa mais endurecida, mais cética. Tem gente com 30 ou 40 anos de idade que tem um olhar e um falar mais "jovem" do que o meu – não é a idade que conta nessas horas, e sim, o quão calejado se é.

        Eu já achava muita dificuldade em ter um discurso e uma luta "de juventude" lá por 2006. E hoje, assumidamente, percebi que não quero chegar à presidência da nossa Juventude do PMDB Viamão, mesmo tendo ainda 6 anos como membro dela pela frente. Adivinhem: acho que vou tentar a fundação de um núcleo mais condizente com minhas lutas reais, voltado aos movimentos sindicais. Final do ano, teremos eleições para o sindicato dos eletricitários, o Senergisul. Ganha um doce quem adivinhar se eu quero concorrer a alguma coisa ou não.

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        Terça-feira, 13 de Julho de 2010, às 10:42:23
        ::: O Romer falou, está falado, e eu vou cobrar em 2012
        O vereador Romer garante que, em 2012, vai sair da cadeira que ocupa desde a década passada na Câmara para dar um peitaço, concorrendo a prefeito. Eu vou anotar e vamos ver se vai mesmo. Agora prometeu, não pode amarelar.
        O vereador Romer Guex, que nos promete um peitaço em 2012. E eu espero que ele cumpra mesmo!
        Outro dia, estava eu de bobeira na Câmara Municipal de Viamão, revendo uns conhecidos, escutando umas bobagens e contando umas piadas, quando fui parar no gabinete do vereador Romer (PSOL). Cafezinho vai, cafezinho vem, entrou o vereador Maninho (PT), bateu um papo, coisa e tal, o Natalício (eterno assessor do vereador e grande figuraça) ali pela volta. E pá pá pá...

        Perguntei como estava o Romer em 2010, e ele ainda não havia decidido muito o que fazer. Ele já tem obrigações demais como liderança no PSOL e não devia mesmo ter definido apoios para essas eleições. Daí, como quem não quer nada, dei uma apertada nele, citando o fato de ele estar há quase duas décadas como vereador, e perguntei algo como "vai ficar só nessa?", será que não cansa? Tasquei a pergunta sobre 2012. Ele me disse que vai concorrer a prefeito.

        Bom. Então, eu vou cobrar. Até porque o assunto foi objeto de uma outra conversa nossa, por e-mail, que eu já arquivei para depois ter a prova de que ele me disse que VAI CONCORRER A PREFEITO e eu vou cobrar isso – ou seja, amarelou, dançou. O Romer não costuma amarelar nas brigas que compra. Mas eu vou guardar nossa conversa no arquivo do e-mail só por precaução. Anotem o que ele disse. Aqui no blog, ficará no ar para sempre a promessa. Em 2012, retomamos esse assunto.

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        Segunda-feira, 12 de Julho de 2010, às 11:53:27
        ::: Ainda a pesquisa Ibope para o Senado: Vera Guasso, um capítulo à parte
        Vera Guasso, do PSTU, aparece na pesquisa RBS/Ibope com 5% dos votos, defendendo uma agenda revolucionária trotskista. Mas o significativo percentual tem mais a ver com a própria candidata do que com as teses que ela defende.
        Vera Guasso, que nos últimos anos passou a aparecer sorrindo para as fotos. Mas não pense que ela está amolecendo o discurso: se puder, passa uma rasteira, derruba o capitalismo e pisa em cima dele com o bico do sapato.
        A candidata ao Senado pelo PSTU, Vera Guasso, é um capítulo à parte nessa história de pesquisa RBS/Ibope. Ela tem 5% dos votos, concorrendo por um partido cuja pauta inclui a luta revolucionária, a extinção do capitalismo e a ditadura do proletariado.

        Linha ideológica
        O PSTU é trotskista, ou seja, segue a linha filosófica de Leon Trotsky, um dos principais líderes da Revolução Russa de Outubro (1917), que instaurou o primeiro regime socialista do mundo. O líder da revolução, Lênin, morreu em 1924. Trotsky era, digamos o chefe político da União Soviética. O chefão, de facto, era Stalin. Trotsky acabou se exilando no México e foi assassinato a golpes de picareta em 1940, a mando de Stalin que, por sua vez, entrou para a história como um dos ditadores mais sanguinários de todos os tempos – mas foi a URSS sob seu comando que esmagou Adolf Hitler.

        Nem Trotsky e nem Stalin eram exatamente democratas ou bonzinhos. Mas Trotsky defendia um regime realmente popular e a revolução internacional. Stalin era um bruto ignorante, tirânico e adepto da teoria do socialismo em um só país. O PSTU é, no caso, trotskita-morenista, seguindo uma linha modernizada pelo pensador Nahuel Moreno, nos anos 1970/80.

        Mas nada disso tem nada a ver com os 5%
        O fato de 5% do eleitorado manifestar a vontade de ver Vera Guasso no Senado, no entanto, não tem nada a ver com a teoria trotskista, leninista, morenista ou o que seja. Na minha opinião, não existe essa massa tão grande de revolucionários em potencial. Vera Guasso é quem tem os 5%, não o PSTU, ou suas filosofias.

        Olhando os discursos dela na TV, muita gente forma idéias erradas sobre sua pessoa. Eu não tenho meias palavras, então vou direto ao ponto: Vera Guasso faz discursos "faca na bota", e quem a vê, com aquele cabelinho curto, aquela cara de indignada e aquele linguajar sindicalista-barbudo (sem barba, claro), conclui tratar-se de uma candidata agressiva, mal educada, radical, sapatona e mal amada.

        Mas a realidade é exatamente o contrário. Vera Guasso é uma pessoa extremamente culta e articulada, lúcida, educada e agradável. Eu estive com ela em várias ocasiões, mas lembro com nitidez de duas delas: uma, foi numa festa do PSTU, na Avenida Ipiranga em 2000, quando ela concorria a vereadora. Outra, foi mais recente, quando eu a entrevistei para o jornal da faculdade em 2004, quando ela tentava a Prefeitura de Porto Alegre.

        Vera Guasso é, antes de mais nada, uma pessoa muito inteligente. Ela é programadora na Serpro, e dirige o Sindicato dos Trabalhadores em Processamento de Dados do RS. Não que seja tipicamente a figura da nerd aparvalhada – não – ela é uma pessoa até bem descolada. E me pareceu ter uma bagagem cultural bastante diversificada. Entabula uma conversa sobre qualquer assunto com relativo domínio, sem ser chata. E sabe sorrir, o que normalmente não se vê na TV. Ela não tem uma voz muito suave, mas fala calmamente e de forma quase didática. Como já deu para notar pelo texto, ela me despertou uma enorme carga de simpatia. É uma pessoa fácil de se gostar.

        Então, minha conclusão é essa: nós não temos 5% do eleitorado alinhando-se com as teses revolucionárias do PSTU, mas nós temos este percentual sendo puxado a reboque para o partido por conta do enorme carisma dessa baixinha, ao mesmo tempo gigante, chamada Vera Guasso.

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        Segunda-feira, 14 de Junho de 2010, às 21:38:29
        ::: Lula, o Analfabeto
        Parafraseando o Zeca Pimenteira: "ah como eu queria que o meu sindicato fosse assim..."
        Recebi por e-mail, concordo em gênero, número e grau, e reproduzo:

        É pouco ou quer mais?

        FHC, o farol, o sociólogo, entende tanto de sociologia quanto o ex-governador de São Paulo e candidato, José Serra, entende de economia. Lula, que não entende de sociologia, levou mais 50 milhões de miseráveis e pobres à condição de consumidores; que não entende de economia, pagou as contas de FHC, zerou a dívida com o FMI e ainda empresta algum aos ricos.

        Lula, "o analfabeto", não privatizou as estatais, como fez o FHC, e as fortaleceu, tanto que hoje a Petrobrás é a 2º maior empresa de Petróleo do mundo e caminhando para ser a 1º. Os tucanos, capitaneados pelo FHC e pelos ex-governadores José Serra e Aécio Neves, querem por que querem voltar ao poder, para doarem aos grandes amigos ("Mui Amigos") empresários, o Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Petrobrás, Eletrobrás, BNDS, etc...

        Lula, o “analfabeto”, que não entende de educação, criou mais escolas e universidades que seus antecessores juntos, e ainda criou o PRÓ-UNI, que leva o filho do pobre à universidade.

        Lula, que não entende de finanças nem de contas públicas, elevou o salário mínimo de 64 para quase 300 dólares, e não quebrou a previdência como queria FHC.

        Lula, que não entende de psicologia, levantou o moral da nação e disse que o Brasil está melhor que o mundo. Embora o PIG - Partido da Imprensa Golpista, liderados pela Organizações Globo, Grupo Folha e Grupo Abril que entende de tudo, diga que não.

        Lula, que não entende de engenharia, nem de mecânica, nem de nada, reabilitou o Proálcool, acreditou no biodiesel e levou o país à liderança mundial de combustíveis renováveis.

        Lula, que não entende de política, mudou os paradigmas mundiais e colocou o Brasil na liderança dos países emergentes, passou a ser respeitado e enterrou o G-8.

        Lula, que não entende de política externa nem de conciliação, pois foi sindicalista brucutu, mandou às favas a ALCA, olhou para os parceiros do sul, especialmente para os vizinhos da América Latina, onde exerce liderança absoluta sem ser imperialista.

        Lula, que não entende de mulher nem de negro, colocou o primeiro negro no Supremo Tribunal Federal (Ministro Joaquim Barbosa, desmoralizado pelos brancos de olhos azuis), uma mulher no cargo de primeira ministra, e pode fazê-la sua sucessora.

        Lula, que não entende de etiqueta, sentou ao lado da rainha e afrontou nossa fidalguia branca de lentes azuis.

        Lula, que não entende de desenvolvimento, nunca ouviu falar de Keynes, criou o PAC, antes mesmo que o mundo inteiro dissesse que é hora de o Estado investir, e hoje o PAC é um amortecedor da crise.

        Lula, que não entende de crise, mandou baixar o IPI e levou a indústria automobilística a bater recorde de produção e vendas.

        Lula, que não entende de português nem de outra língua, tem fluência entre os líderes mundiais, é respeitado e citado entre as pessoas mais poderosas e influentes no mundo atual. Foi eleito o homem do ano de2009, e é favorito para ganhar o Premio Nobel da Paz em 2010.

        Lula, que não entende de respeito a seus pares, pois é um brucutu, já tinha empatia e relação direta com Bush - notada até pela imprensa americana - e agora tem a mesma empatia com Obama.

        Lula, que não entende nada de sindicato, pois era apenas um agitador, é amigo do tal John Sweeny e entra na Casa Branca com credencial de negociador, lá, nos "States".

        Lula, que não entende de geografia, pois não sabe interpretar um mapa, é ator da mudança geopolítica das Américas e do mundo.

        Lula, que não entende nada de diplomacia internacional, pois nunca estará preparado, age com sabedoria em todas as frentes e se torna interlocutor universal.

        Lula, que não entende nada de história, pois é apenas um locutor de bravatas, faz história e será lembrado por um grande legado, dentro e fora do Brasil.

        Lula, que não entende nada de conflitos armados nem de guerra, pois é um pacifista ingênuo, já é cotado pelos Palestinos para dialogar com Israel.

        Lula, que não entende nada de nada, de longe é o melhor que todos os outros. Tem uma aprovação popular de quase 85% dos brasileiros. Mais ou menos 170 milhões de brasileiros aprovam o seu governo.

        Pense, o que este homem faria, se entendesse de alguma coisa!

        Pedro R. Lima,
        professor de Enonomia - UERJ


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        Terça-feira, 15 de Junho de 2010, às 12:54:10
        Arimatéia Macêdo (arimateia@gmail.com) comentou este texto:
        Estou de acordo com o que está escrito...
        Um abraço.


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        Terça-feira, 08 de Junho de 2010, às 12:56:34
        ::: As Coréias esquecidas na TV ALRS
        Nenhum dos dois países serve como utopia para ninguém: o do norte é um socialismo falso (na verdade, um capitalismo de Estado) falido, com um povo miserável. O do sul, é um país capitalista profundamente desigual onde as pessoas trabalham até morrer e meia dúzia de empresários faturam os tubos exportando muito e pagando miséria.
        No dia 4 de Junho (sexta-feira passada) a TV Assembléia Legislativa do RS passou um programa sobre a Coréia, ou melhor, “as coréias”. Era um debate, normal do programa Democracia, que sempre traz assuntos atuais e deixa que pessoas de diferentes pontos de vista expressem suas opiniões, para que o telespectador possa formar uma idéia pluralista sobre o assunto.

        Os convidados, se não me engano, eram um historiador político, um advogado especializado em direito internacional, e uma professora de Direito. E aí, eles saíram a discutir aqueles dois pequenos países que têm importância, por motivos diversos, no cenário mundial – a Coréia do Sul por ser uma potência econômica com diversas empresas multinacionais, e a Coréia do Norte por ser uma ditadura comunista dotada de armas nucleares, que mantém Japão, China e Estados Unidos de cabelos em pé.

        Só tem um detalhe: esqueceram de convidar um coreano. É isso aí: como se fosse um estudo daqueles que os naturalistas faziam sobre o Brasil no século XVIII, o debate sobre a Coréia não mostrou justamente o ponto de vista de um coreano. Não seria difícil de achar um: no Centro de Porto Alegre, tem até uma Associação dos Coreanos do RS.

        A abordagem do assunto também deixou a desejar. Tudo ali foi explorado como se a Coréia passasse a existir somente depois da Guerra da Coréia, nos anos 1950, e ninguém sequer soubesse da história prévia daquele povo que hoje vive separado, na verdade, por uma querela que vem da Segunda Guerra Mundial e foi consolidada pela Guerra Fria. Também, essa “vitimização” dos coreanos, como uns coitados, irmãos separados pelos interesses norte-americanos e soviéticos, não é totalmente verdadeira – a Coréia, há uns 900 anos, era separada em 3 reinos. Daí, o mais fraquinho dos três coordenou um esforço de unificação, que deu certo, mas logo acabou minado pelo surgimento de um outro reino menor, separatista, que depois foi anexado na base da porrada. O país nunca foi exatamente pacífico, mesmo antes da Guerra da Coréia, antes da invasão japonesa, antes do imperialismo europeu. E antes dos europeus, quem mandou por ali muitos anos foram os japoneses, que tentaram suprimir a cultura local.

        Enfim. As Coréias são muito mais do que vítimas e produtos da Guerra Fria, ou da Segunda Guerra Mundial. Elas são todo um contexto que ficou faltando. Só uma coisa, o programa teve em comum com a história coreana: o povo local foi o único que, no debate, não pôde expor sua voz.

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        Quarta-feira, 02 de Junho de 2010, às 10:22:40
        ::: Fiz o Politicômetro da Veja - é bem legal!
        Algumas pessoas nunca mudam.
        Acabo de fazer o Teste do Politicômetro da Revista Veja. Na realidade, só fiquei sabendo da existência deste teste porque li no blog da Lola. Aliás, essa Lola é muito inteligente e o blog dela é ótimo, embora seja meio esquerda-bitolado demais.

        Constatei o que eu já imaginava: eu sou absolutamente libertário e democrata, mas ao mesmo tempo, não sou um liberal, nem um neoliberal, optando por deixar nas mãos do Estado (desde que bem administrado) os serviços mais importantes, além dos serviços de telefonia, água, energia elétrica, e outros.

        Olha... apesar de ser da (in)Veja, o teste me pareceu bastante idôneo, muito bem bolado e variado em termos de assuntos abordados. Recomendo que todo mundo faça, e depois vocês podem me comentar seus resultados.

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        Quarta-feira, 26 de Maio de 2010, às 11:47:27
        ::: Adeus Lenin
        Adeus ao século XX. O mundo respirou aliviado. Até que, em 11 de Setembro de 2001, a festinha acabou e deu-se início ao Século XXI, com novas tensões e novas ameaças.
        Um grande filme que trata de forma muito humana o momento que, para mim, marca o "fim" do século 20.

        Na antiga Alemanha Oriental, uma mulher fervorosamente socialista e dedicada ao partido comunista vê seu filho participando de um protesto contra o regime. O choque a faz entrar em coma, ficando internada por algum tempo. A ação toda se desenrola no fatídico ano de 1989.

        Meses depois, já no final do ano a mulher acorda. Mas o mundo como ela conhecia já não existe mais - o Muro de Berlim foi destruído meses antes enquanto ela jazia sobre uma cama de hospital. As alemanhas Oriental e Ocidental formam novamente um só país, capitalista. O presidente ocidental Erich Honecker renunciou ao cargo e seu sucessor dissolveu o Estado. Milhares de cidadãos do lado oriental migraram para o outro lado, empresas multinacionais compraram o aparato sucateado do velho Estado socialista. A Coca-Cola instalou um grande outdoor bem na frente do prédio onde os protagonistas do filme moram.

        O filho desta mulher, temendo que a decepção pela destruição do seu amado socialismo possa matá-la, decide então disfarçar a realidade e esconder as mudanças ocorridas. Não fica claro qual é a intenção dele: se ele acha que a mãe não viverá muito, e portanto é melhor que morra acreditando, ou se ele vai esperar que ela melhore para contar tudo. Esse garoto é o real protagonista do filme.

        Com a ajuda de um amigo metido a cineasta, nosso herói liga um videocassete (recém "importado" do mundo ocidental), e passa a fazer telejornais falsos para a mãe. Ele também troca toda a comida para velhas embalagens das marcas estatais desaparecidas.

        Este filme é uma comédia, mas, sendo feito por alemães que obviamente conhecem muito bem a realidade da queda do Muro de Berlim, acaba mostrando diversos lados daquele momento histórico. Em um dos lances mais brilhantes do filme, os garotos encontram um taxista amargurado que é, nada mais nada menos, que o primeiro astronauta alemão, um antigo herói nacional reduzido ao desemprego e ao anonimato. Eles então filmam uma cena na qual o antigo governante alemão (Honecker) se aposenta e passa o poder para o "herói espacial" do país. A partir daí, o astronauta-taxista passaria a dar pronunciamentos para os telejornais falsificados da dupla, em uma mesa ornada com um busto do Lenin, uma bandeirinha vermelha e todo o aparato para formar uma encenação convincente.

        A enfermeira da comunistona, que torna-se namorada do protagonista, oferece um elemento de tensão à trama, já que ela tem uma postura indecisa sobre a o aspecto ético dessa farsa toda, e até duvida da possibilidade de o garoto enganar a mãe por muito tempo.

        Apesar da comédia e da trama pessoal envolvendo os personagens, "Adeus, Lênin" é um filme profundo, uma obra de arte. Em meio à palhaçada e às situações cômicas proporcionadas pela armação dos garotos, transparecem temas como as novas perspectivas e dificuldades do mundo socialista em derrocada, o surgimento do desemprego em lugares que até então o desconheciam, as falsas ilusões consumistas, o chamado "fim da história", a opressão, o fracasso de utopias que eram a esperança de milhões de trabalhadores e intelectuais, e os dramas de uma família dividida e deformada pelo muro e pelo antigo regime social do país. Em meio ao clima de um país que parece finalmente respirar – aliás, o fim da Guerra Fria deixou o mundo inteiro aliviado depois de tensos 50 anos prendendo a respiração – surgem figuras tristes, burocratas caídos e heróis nacionais esquecidos. Com o fim da RDA, suas figuras proeminentes parecem ter, também, desaparecido, mas continuam lá, vivas, vagando por um mundo que não é mais o seu.

        O personagem principal, por exemplo, passa de respeitado técnico com emprego estável fixo no sistema socialista a um mero instalador de TV a cabo, com a chegada do capitalismo. Ele tem acesso a uma vida realmente melhor, com produtos de melhor qualidade nos mercados e tudo mais, mas é reduzido a mera peça do esquema de trabalho, pouco mais do que um arigó.

        Os diálogos não são brilhantes, mas tem uma fala que eu nunca esqueci. É uma na qual o garoto, que em casa ainda vive na Alemanha Oriental, conversa com seus meio-irmãos. Eles estão a poucos quilômetros da velha fronteira e a poucos meses desde a queda do Muro, mas toda a ordem anterior parece pertencer a um passado remoto. Ele diz para as crianças que é um estrangeiro, e que no país onde ele vive os astronautas são chamados de cosmonautas. Os garotos perguntam onde o tal país fica e ele olha pela janela dizendo ser "em um lugar muito, muito longe daqui".

        As ruas, atulhadas de porcarias fabricadas pela indústria obsoleta do lado socialista, são palco de uma verdadeira troca total de móveis, máquinas e eletrodomésticos velhos pelas maravilhas consumistas do mundo ocidental que acaba de se abrir para todos.

        É como "lixo vermelho" que surge um lendário Trabant, o velho e arcaico carro com motor de dois tempos (tipo o nosso DKW) fabricado pelos alemães socialistas de 1959 a 1989. As pessoas simplesmente dão seus Trabbis (como o carro era apelidado) à primeira pessoa que encontram na rua, porque pensam em comprar modernos Volkswagens, Fords, Fiats e até Ferraris. O Trabi era um carro realmente atrasado, com conceitos mecânicos de seis décadas antes. O garoto pega um desses Trabants e diz para a mãe que comprou o carro, e ele passa a ser o meio de transporte da família.

        A cena-título, a mais emblemática, é uma na qual um helicóptero carrega uma imensa estátua de Lenin com o braço estendido. Isso acontece logo depois que a mãe do protagonista descobre a trama e percebe que o socialismo real não existe mais. Ela pára na rua, e a estátua passa voando. Lenin, com o braço esticado, parece acenar um último adeus ao povo que um dia foi obrigado a amá-lo. Lindo, poético e historicamente coerente. Uma baita de uma cena. Aliás, uma boa cena dentro de um filmaço.

        Quanto aos aspectos técnicos deste filme, não há o que ser dito. A fotografia é competente, a direção é firme e uniforme, e há um certo "ar de orquestra", parecendo que algum maestro extremamente competente na arte de brincar com os fluxos de emoção do público esteve dirigindo a obra toda. Este é um filme revolucionário em muitos sentidos. É uma das poucas obras do cinema alemão que teve sucesso de público no Brasil (eu lembro agora, apenas, de "Nosferatu o vampiro da noite" e "A Queda"). É um filme que marca definitivamente o cinema europeu. E é, por fim, uma obra muito bem acabada que vai, daqui a alguns anos, entrar para o panteão sagrado dos clássicos do cinema.

        Este filme não é tanto sobre os dramas de uma pessoa, ou sobre as trapalhadas cômicas do protagonista (embora tudo isso ajude a construir a narrativa cativante do filme), e sim sobre o drama de um povo que viu um mundo todo desmoronar e ser substituído por outro, com novas alegrias e novos desafios, no espaço de poucas horas - basicamente, o tempo que as pessoas levaram para derrubar a marretadas o famigerado Muro que por 40 anos separou a Alemanha e o mundo em dois lados irreconciliáveis.

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        Quarta-feira, 31 de Março de 2010, às 00:20:49
        ::: O Encouraçado Potemkin
        Um filme bem realizado e ainda impressionante, apesar de ter sido feito há 85 anos atrás.
        "O Encouraçado Potemkin" é um filme mudo, em preto e branco, realizado em 1925 e dirigido pelo lendário Sergei Eisenstein.

        Para quem não sabe (prometo aprofundar isso em outro post algum dia), Eisenstein foi um diretor de cinema soviético que seguiu a linha do Partido Comunista da União Soviética e propôs-se a fazer filmes que educassem a população e incutissem nela o espírito revolucionário, de apego às idéias que levaram os bolcheviques ao poder em 1917. Mas Eisenstein era adepto da máxima de que "não pode haver arte revolucionária sem linguagem revolucionária", e seus filmes subverteram os padrões aceitos de "como se faz um filme".

        Enquanto Eisenstein fazia seus filmes pirados na União Soviética, na Alemanha explodia o expressionismo e brilhava uma vanguarda que infelizmente seria podada pela guerra, anos depois. Mas os filmes russos tinham ainda um diferencial que os tornavam diferentes dos alemães, americanos, e outros. Eles tinham uma concepção da realidade diferente.

        O aspecto mais notável desta diferenciação é que, enquanto os filmes ocidentais buscavam mostrar o "individual", os russos buscavam o "coletivo". Para ficar mais simples: no filme "Pearl Harbor", que é moderno mas serve para esta explicação, a guerra entre EUA e Japão serve de pano de fundo para que um herói viva seu drama. Nos filmes russos do período stalinista, não havia esse enfoque na história particular de algum herói, e sim no drama coletivo de dezenas de "heróis" que formam a classe dos mocinhos, como um imenso coletivo.


        Historinha
        "O Encouraçado..." se passa em 1905, durante as revoltas da "pré-revolução" russa. A guerra com o Japão está rolando, o governo recusa-se a assinar a paz, o povo passa dificuldades. O império russo acaba de construir uns navios, e um dos mais formidáveis deles é o Encouraçado Potemkin, um navio enorme, feito de metal, com um monte de canhões.

        O esmero e a generosidade demonstrados pelo czar na construção do navio contrasta com o desprezo que este dispensa aos marinheiros que o tripulam. Num dia qualquer, os marujos começam a reclamar da comida, mostrando que a carne destinada a eles tem até vermes se mexendo no meio. O médico do navio tenta enrolá-los. A discussão vira pancadaria.

        Os oficiais, então, chamam um pelotão de fuzilamento para acabar com os "baderneiros", realizando a execução no convés do navio, diante dos olhos do resto da tripulação, para servir de exemplo. Mas a represália dá errado, quando os soldados do pelotão de fuzilamento reconhecem que estão prestes a atirar em pessoas pobres como eles mesmos, e que enquanto os pé-rapados do navio se matam uns aos outros por causa de uma briga em torno de carne podre, os oficiais, filhos da burguesia e da nobreza, comem banquetes em alto mar. Assim, os fuzileiros unem-se aos marinheiros e os oficiais tentam detê-los.

        A coisa vira uma imensa pancadaria, e os marinheiros, em maior número, jogam todos os oficiais e o capitão no mar. Diante da confusão, o padre do navio tenta acalmar os marinheiros, argumentando que Deus pune os rebeldes. Outra jogada mal calculada: os marinheiros percebem que a religião serve como instrumento de controle social, e jogam também o padre ao mar.

        A população da cidade portuária de Odessa fica sabendo da revolta no navio, e começa a formar uma rede de solidariedade, levando comida e mantimentos aos marinheiros por meio de canoas. O povo ajuda aos marinheiros porque na verdade toda a população está cansada da opressão czarista, e grupos de trabalhadores começam a se reunir pela cidade. A polícia é chamada então para intervir.

        Neste momento, temos uma das cenas mais antológicas da história do cinema: a do tiroteio na escadaria de Odessa. Os soldados avançam, marchando em colunas perfeitas, como se fossem uma imensa máquina assassina. O povo corre apavorado, e temos a sequencia na qual uma mãe leva um tiro e deixa o carrinho com o bebê cair escada abaixo, enquanto os soldados simplesmente avançam, insensíveis. A tripulação do Potemkin não deixa por menos, e bombardeia a cidade, mandando pelos ares o quartel da polícia e outros prédios do governo.

        Então, o governo imperial manda uma esquadra formada por vários navios para tentar destruir o Potemkin. Mas ao se aproximarem do imenso encouraçado, suas tripulações, formadas também por soldados rasos, começam a solidarizar com os revoltosos. A esperada troca de fogo de canhões não acontecee. O Potemkin simplesmente passa, pelo meio dos inimigos. Alguns navios da esquadra imperial são tomados por motins e unem-se ao encouraçado.

        A pequena esquadra revoltosa afasta-se de Odessa e ganha o alto-mar, sumindo no horizonte, carregando seus marinheiros, proletários, rumo à liberdade.

        A mensangem é clara: os marinheiros, oprimidos, pobres, humilhados e desprezados, ao abandonarem a submissão e o apego à ordem social de uma sociedade desigual e exploradora, uniram-se e aniquilaram a burguesia e a nobreza parasitárias. Capazes de tocar o navio sozinhos, eles serviram durante muito tempo a uma classe de dirigentes inúteis, desnecessários, mas agora, após renunciarem à legalidade capitalista e derrotá-la, os proletários partem triunfantes rumo ao desconhecido. Lindo. Uma verdadeira obra de arte em nome do espírito revolucionário.

        O filme, claro, tem toda essa lógica socialista porque foi realizado sob o governo de Josef Stalin, por um diretor comunista, na União Soviética. Apesar de antigo, mudo, sem cores e do viés doutrinário, "O Encouraçado Potemkin" é um filme ainda empolgante e interessante hoje em dia. Além de ser um marco da história do cinema. Eu tinha uma cópia dele em VHS, que não consigo mais assistir. Quando puser as mãos no DVD, minha coleção voltará a estar completa. Se vocês tiverem condições de assistir, assistam.

        Curiosidade 1: trilha sonora
        O filme não tem uma trilha sonora oficial. Eisenstein especificou que, a cada 20 anos, uma nova trilha deveria ser composta. Ele queria que o filme tivesse, para sempre, um acompanhamento musical de ritmo moderno e atualizado, e por isso criou essa idéia de deixar em aberto a criação de uma nova série de músicas a cada duas décadas.

        Curiosidade 2: o navio existiu
        Embora algumas cenas do filme, como a famosa cena da escadaria, sejam exageros ou liberdades artísticas do cineasta, a saga do Potemkin é basicamente real.

        O partido comunista liderado por Lênin mandou um emissãrio para fazer contato com os marinheiros. Mas este chegou atrasado e o navio já havia partido para o mar. A esquadra rebelde chegou a contar com 3 navios, mas a tripulação de um deles acabou traindo seus companheiros. Este navio foi danificado e voltou ao porto.

        Em Julho de 1905, o Potemkin navegou até a Romênia, em busca de combustível e comida, mas os romenos recusaram ajuda. Os marinheiros abandonaram o navio, que foi devolvido pela Romênia para a Rússia. O governo do czar deu outro nome ao encouraçado.

        Em 1917, o navio voltou a se chamar Potemkin, sendo usado pelos comunistas. Em 1918, foi capturado pelos alemães, e retomado pelos russos, mas não os comunistas e sim os "Russos Brancos", anti-bolcheviques. Em 1919, como o navio estava prestes a ser retomado pelos comunistas, as forças internacionais envolvidas na guerra civil russa optaram por afundá-lo.

        No fim da guerra civil, em 1921, os destroços do Potemkin foram resgatados do fundo do mar. Mas ele não tinha mais conserto e foi desmontado.

        Curiosidade 3: o destino dos marinheiros
        Logo após abandonarem o navio em 1905 na Romênia, a maioria dos marinheiros optou por se misturar á população local. Sete amotinados que voltaram à Rússia logo após o desembarque foram presos e executados logo que cruzaram a fronteira. Em 1907, o czar prometeu uma anistia aos tripulantes do Potemkin, e alguns deles voltaram à Rússia, incluindo Afanasy Matushenko, o líder da rebelião. Mas o czar não cumpriu sua palavra e mandou prender e matar Matushenko e seus companheiros.

        Trinta e um marinheiros pegaram o rumo da América do Sul e vierar morar na Argentina.

        Os outros quase seiscentos ex-tripulantes acabaram ficando pela Romênia e Europa Oriental, até que, após o triunfo da revolução comunista na Rússia, muitos voltaram ao seu país de origem, onde eram considerados heróis.

        O último marinheiro participante da rebelião do Potemkin chamava-se Ivan Beshoff, e ele havia escapado para a Turquia e depois para Londres, indo morar em Dublin, na Irlanda, onde morreu em 1987, aos 102 anos de idade.

        Curiosidade 4: um campeão de homenagens e referências
        "O Encouraçado Potemkin" é uma das produções mais cultuadas de todos os tempos. Diversos recursos visuais e elementos da linguagem do filme foram copiados, homenageados ou referenciados em dezenas de filmes posteriores. Aqui em Porto Alegre, havia uma casa noturna com o nome de Encouraçado Butikim. E era um lugar do K-ralho, que recebeu shows de grandes nomes da MPB, além de servir de ponto de encontro para a boemia e a juventude rebelde dos Anos de Chumbo. Os anos de glória passaram, e a casa deixou de funcionar há alguns anos. Dizem até que fechou por conta de um problema burocrático, alguma coisa com o alvará ou algo assim, mas não sei. Ela ficava na Avenida Independência.

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        Quarta-feira, 31 de Março de 2010, às 08:06:47
        Ricardo (discovery1@bol.com.br) comentou este texto:
        O Blog está muito bom, bem variado e com bastante humor, mas lincar o Projeto Portal na coluna da direita sugere duas coisas: Materias Pagas ou Desconhecimento das Falcatruas do Projeto. Urandir inclusive chegou a ser preso em Porto Alegre e agora estão acusando de trafico de drogas e pedofilia. É bom ver a ficha dos anunciantes antes caro Fábio.

        http://www.terra.com.br/brasil/2000/03/27/011.htm

        http://www.ufo.com.br/index.php?arquivo=notComp.php&id=1509

        http://www.ufo.com.br/index.php?arquivo=notComp.php&id=1117



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        Sexta-feira, 19 de Março de 2010, às 11:47:07
        ::: Mais essa, agora: Fã do Studio Pampa entra em greve
        Desculpem, mais uma vez, pela precariedade da montagem. Eu estou novamente postando do serviço, e aqui, ao invés do meu amado Photoashop, só tenho Paintbrush. Mas as imagens falam por si mesmas.
        Lá vou eu escrevendo sobre o programa que é, provavelmente, o mais mal planejado, vazio de conteúdo e fútil da televisão brasileira. E só não digo que é um dos mais tediosos e indigentes, porque nesta posição nós temos as produções da Rede Vida.

        Para quem não é daqui: a Rede Pampa é uma retransmissora da programação da RedeTV! no Rio Grande do Sul, produzindo alguns programas locais, dentre eles o Studio Pampa. Esta atração consiste de um palco minúsculo e espalhafatoso, com uma parte elevada ao fundo, sobre a qual meia dúzia de boazudas ficam fazendo uma dancinha repetitiva. Na parte frontal do palco, mais algumas bonitonas apresentam fofocas, notícias, piadas, dicas sobre baladas e outras abobrinhas. No comando, as apresentadoras Cris Barth (formada em Jornalismo, e muito parecida com a boneca Barbie), Suellen Ribeiro (uma mulher com umas coxas enormes, bunduda e peituda, esposa do principal patrocinador do programa), e o ex-BBB Flávio Stefli (aquele nerd que não pegava ninguém no BBB9). O programa passa de segunda a quinta, tarde da noite, e também no sábado, lá pela meia noite e meia.

        Bom. Pois bem. O programa é tão esdrúxulo que chega a ser kitch. E tem fãs. É normal que os fãs de artistas e programas de TV queiram montar comunidades no Orkut, blogs e outros espaços na Internet homenageando seus ídolos.

        Mas tem um sujeito chamado Fabiano Romântico Schedler, que montou um blog "oficial" do programa (no Blogspot), e o fórum "Universo Studio Pampa" no Ning. Como o S.P. não tem site oficial (para vocês verem o nível de indigência da coisa), os fãs do programa passaram a freqüentar esses espaços virtuais, que acabaram suprindo a falta de site.

        Mas o tal Fabiano não é um cara normal. Ele é como aquela música da banda TNT: "nada que ele faz tem sentido/ ele é um cara loucão...". Para começar, ele descobriu que havia uma comunidade "oficial" do programa no Orkut, criada pelo Léo Brandão, e ROUBOU a mesma. Mas essa não foi a pior. Um certo dia, o tal Fabiano foi até a emissora da Pampa e disse aos guardas que era funcionário da mesma, passando por eles e entrando no prédio "na boa".

        Apesar de o sujeito parecer apenas um debochado qualquer, ele demonstrou desde o início o caráter doentio da sua obsessão pelas barbies da TV Pampa. Vejam bem: o Ning que ele criou tinha uma comunidade do tipo fã-clube para cada apresentadora, chacrete e ex-integrante do programa. Quase todos os debates eram iniciados e "tocados para a frente" por ele. Com um reduzido número de freqüentadores, o Ning no entanto tinha, todos os dias, novos textos e novas atividades rolando – mais da metade, postada pelo próprio criador da tralha. Ele, discutindo com ele mesmo, em uma frenética adoração pelas musas pampianas.

        A complexidade e a intensa atividade das presenças "oficiais" do Studio Pampa na Internet (blog "oficial", comunidade "oficial", Ning "oficial", etc.) parecem ter consumido muito tempo e esforço do tal Fabiano, a ponto de fritar seus miolos. Tanto, que ele passou a confundir suas fantasias (sexuais) com a realidade e, num dado momento, começou a acreditar que REALMENTE fosse empregado da Rede Pampa.

        O passo seguinte foi quando ele resolveu COBRAR da produção do Studio Pampa seus honorários de mantenedor dos sites "oficiais" do show.

        Ora, mas se ninguém pediu para ele fazer NADA, e ele foi lá, e montou um fã-clube virtual do programa, por vontade própria e sem perguntar nada para ninguém da Pampa, como é que pode, do nada, aparecer por lá para COBRAR pelo serviço que ninguém contratou? Se for assim eu também já estou montando aqui um site do fã-clube do Eike Batista para poder cobrar 1% sobre os lucros dele!

        Claro que a Pampa ignorou o maluquete. E aí, ele resolveu ENTRAR EM GREVE, tirando do ar o Ning (que quase não tinha freqüentadores), a comunidade no Orkut e o blog no Blogspot. A greve internética do Fabiano produziu, nas apresentadoras, o mesmo efeito que a criação dos sites já havia antes provocado: nenhuma.

        É bem provável que elas, assim como a produção do programa e a administração da Rede Pampa, continuem a fazer, a respeito da greve e do Fabiano, o mesmo que vinham fazendo em relação à mania obsessiva do fã enquanto ele estava "de boa" com a emissora: ignorá-lo completamente.

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        Sexta-feira, 14 de Maio de 2010, às 18:41:49
        Wellington João (we.frankejunior@gmail.com) comentou este texto:
        http://studiopampaoficial.blogspot.com/2010/04/barth-sem-nocao.html

        Detálhe temos uma formada em jornalismo que não exerce a profissão e pior ainda: diz ter trabalhado na TVAL sem que nenhum funcionario daqui saiba (eu trabalho na TV ALRS).
        Abraços!


        Sexta-feira, 14 de Maio de 2010, às 18:23:15
        Wellington João (we.frankejunior@gmail.com) comentou este texto:
        Hahahahahahahaha adorei o post, caramba que legal. To vendo pelo google analytcs e descobri teu blog, muito bom por sinal.
        Valeu pelo texto (por sinal mais criativo que o meu, concordo!), valeu, parabéns! Continue acompanhando porque sempre tem uma piada para aquela birósca, pretendo divulgar na comunidade do Orkut.

        Por sinal, apareça lá!
        Amanhã já temos mais novidades, mais motivos para rir daquilo lá...


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        Quinta-feira, 18 de Março de 2010, às 13:45:36
        ::: Fazem 10 anos que eu entrei para o PSTU
        Acima, uma foto na qual Zé Maria ainda não aparece usando seu sorrisinho maroto de candidato que diz que não está atrás de votos, quando na verdade está adorando aparecer na TV. Mas imagina que vergonha seria se ele deixasse escapar, em algum discurso, seu desejo de ser presidente, e depois fosse lá e fizesse seus 1% de votos habituais.

        Recentemente, o PSTU demonstrou alguma lucidez ao condenar a extradição dos boxeadores cubanos de volta ao seu país. O governo Lula deu força à política do "ninguém sai daqui vivo", do governo de Fidel e Raúl Castro, e o PSTU finalmente demonstrou que existe senso de democracia e defesa da liberdade individual mesmo na esquerda socialista. Ou seja, nem tudo está perdido.

        Quando eu frequentava o PSTU, tinha no meu núcleo um sujeito cujo nome esqueci, e que era considerado um militante aguerrido e conhecedor das teorias trotskistas. Mas na verdade ele era uma anta. Certa vez, ele me criticou por sempre ir às reuniões do partido a bordo do meu primeiro Fiat Premio, um carro quadrado, vermelho e lindo que eu tinha. Para o "grande teórico", isso me diferenciava da maioria dos companheiros, mas não chegava a ser um problema, porque "Marx também era de origem burguesa".
        Mandei o rapaz à puta que pariu, porque eu sempre fui um socialista pragmático e com bom senso, ou seja: eu não sou socialista para dizer que alguém não deve ter carro só porque a maioria dos trabalhadores não têm. Eu sou socialista para dizer que TODOS os trabalhadores deveriam ter carros! A minha sacada é nivelar as coisas num nível em que todo mundo viva bem. A dele, era nivelar o discurso até me deixar de saco cheio.
        Fazem 10 anos que eu entrei para o PSTU... e 9, que eu saí. Eu ainda lembro bem das razões que me levaram a entrar no partido, e das razões que me fizeram rever essa posição. É legal poder compartilhar tudo isso com os leitores do blog, denunciar algumas coisas e desmentir outras.

        Bom. O ano 2000 era um ano eleitoral, exatamente como este de 2010, mas eram eleições municipais. Eu já tinha título de eleitor desde os 16 anos, mas esperei até os 18, que eu faria naquele ano, para poder ingressar em algum partido.

        Eu sempre fora um "rato de biblioteca", desses que lê de tudo. Estava convicto de que a História da humanidade era a história da exploração das classes trabalhadoras pelas classes dirigentes (o que é verdade), lia muito Marx, mas gostava mesmo era de pesquisar sobre a história dos países socialistas.

        Eu tinha plena certeza de que o socialismo no Leste Europeu havia dado errado justamente pela falta de democracia. Mas que, se fosse possível repetir aquela experiência, sem acabar com a liberdade, teríamos um mundo perfeito.

        Naquele tempo, eu ainda pensava politicamente em termos de "existe um mundo ideal, uma utopia, e nós temos que mudar nossa realidade para torná-la igual a essa utopia pronta, fechada, pasteurizada". Se eu ia ingressar num partido, era evidente que seria de esquerda, socialista e que não poderia de forma alguma ser o PT – porque eu muito cedo criei uma antipatia quase irracional pelo PT. Eu, por exemplo, assumo que o governo Lula tem feito um bom trabalho em várias áreas, mas mesmo assim não votei nele em 2006. Não acho que houvessem candidatos melhores. Mas, sabe, ele é do PT, então não votei.

        Tínhamos o PCdoB, com o qual eu não fechava muito por causa da atuação dos militantes do partido dentro da PUC, onde eu estudava (uma dessas figuras era a hoje deputada federal Manuela). Tínhamos o PCB e o PCO, que eu simplesmente não levava a sério. E tínhamos o PSTU. Eu comecei a ir às reuniões do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado na primeira metade do ano.

        Lembro como se fosse hoje de uma festa punk que o PSTU promoveu ali pela Azenha (um bairro central de Porto Alegre), no terraço do prédio das Casas Tigre. Estavam lá a Vera Guasso, o Júlio Flores, e mais um montão de lideranças e militantes. A uma certa altura, um gordão me deu uma ombrada na roda punk e eu saí voando – meio bêbado, claro – até cair quase em cima de uma candidata a vereadora chamada Joana. Lá pelas tantas, o Júlio Flores, candidato a prefeito, fez um discurso. Ao invés da linguagem empolada dos políticos, ele falava a língua da gurizada. Ele é professor de física, se não me engano, então vive no ambiente das pessoas comuns, cercado de juventude sempre. E tinha uma energia, uma revolta, tudo forrado com argumentos muito lúcidos. Eu tive certeza que o PSTU era o meu lugar.

        Só que o tempo foi passando e eu percebi que o partido não era tudo aquilo. Hoje em dia, tem muita gente da extrema esquerda atacando o PSTU por ter se tornado "um partido eleitoreiro", diante dos claros esforços que a legenda faz para vender o insosso Zé Maria como presidenciável. Ele, que demonstra em entrevistas orgulho por suas votações anteriores, não maiores que 1%. Na verdade, o problema do PSTU não está nas táticas atuais do partido, mas nos métodos de funcionamento interno do partido, desde sempre.

        O sistema decisório é chamado de "centralismo democrático". Teoricamente, a direção do partido se reúne num grupo de 5, ou 7 pessoas, por aí, e toma uma decisão qualquer. Cada um desses membros do núcleo dirigente é, ao mesmo tempo, membro de um núcleo de meia dúzia de militantes formado por ele e por mais alguns companheiros experientes do partido. A decisão é comunicada então a este núcleo "mais baixo". E cada um dos membros deste segundo núcleo pertence a um terceiro núcleo, ao lado de militantes que estão "abaixo" dele. E assim por diante.

        A idéia é que qualquer decisão do partido seja discutida pelos núcleos mais numerosos, aqueles que reúnem os "soldados rasos" do partido, e que as decisões e posições destes núcleos de base sejam levadas aos núcleos superiores pelo membro mais experiente de cada um. E que este segundo núcleo também tire um apanhado de todas as posições trazidas de baixo, para mandar aos núcleos acima. Desta forma, no final, a voz das bases chega, condensada, até o núcleo dirigente do partido, em resposta àquela proposta lançada inicialmente pelos próprios dirigentes.

        Um exemplo: Vamos dizer que existem 5 núcleos de base, reunindo um total de 50 membros do partido, sendo 10 em cada núcleo. Então, do núcleo 1, o membro mais experiente é o João. Do núcleo 2, é o Pedro. Do núcleo 3, é a Maria. E daí por diante. Num segundo momento, reúnem-se o João, o Pedro, a Maria e mais sete companheiros, cada um representando seu núcleo de base. Esses 10 membros mais experientes formam o corpo diretor do partido e portanto precisam pegar todas as opiniões e propostas vindas de suas bases e montar a decisão final que o partido seguirá. Este exemplo demonstra como funcionaria o sistema com apenas dois níveis, mas o PSTU tinha inúmeros níveis. O que não muda em nada a lógica do sistema.

        Não lembro bem de onde eles tiraram essa forma de organização. Tem algo a ver com Lênin, mas não tenho certeza de que a idéia seja dele. Com certeza, é bem diferente das votações abertas em plenário que vemos, por exemplo, no PMDB.

        Na teoria, é tudo lindo e maravilhoso. Na prática, porém, eu logo percebi que a direção do partido tomava uma decisão, da qual não cabia discussão alguma, e esta decisão ia "descendo" até os núcleos de base, não para que as decisões fossem debatidas, e sim para que o membro mais experiente de cada núcleo convencesse os companheiros mais novos sobre a infalibilidade daquela resolução tomada pela gloriosa, incansável e onisciente direção partidária.

        Essas reuniões, que deveriam ser livres e dar margem ao debate, sempre começavam com a apresentação da idéia pronta, emitida pela direção partidária. Em seguida, os companheiros faziam suas objeções, que eram imediatamente rechaçadas pelo membro "vindo de cima" que havia lido o texto da direção no começo do encontro. Esse rechace era sempre disfarçado como esclarecimento, como se o membro discordante do grupo estivesse colocando suas idéias por não compreender a infalível correção da proposta feita pelos chefões da sigla.

        Um exemplo: em 2000, o PSTU recebeu a visita do vereador Raul Carrion (PCdoB) e discutiu-se a criação de uma frente ampla de esquerda, formada pelos partidos anticapitalistas. Eu achava aquela idéia ótima, porque o PCdoB andava a reboque do PT, e atraí-lo para longe da órbita do PeTismo poderia iniciar a formação de um novo movimento de esquerda, com apelo junto ao grande público, e afastado do falso esquerdismo do PT.

        Além disso, se a direção do PCdoB resolvesse, depois, retroceder e dar uma amenizada no discurso anticapitalista, uma parcela da militância poderia ficar insatisfeita e "pingar" para dentro do PSTU. Valia a pena se aproximar dessa esquerda "água com açúcar".

        Expus essa idéia toda, e lembro bem do tipo de resposta que recebi: que eu estava tendo uma idéia eleitoreira e enquadrada dentro do esquema "democrático" da burguesia.

        Engraçado, porque o próprio Lênin não hesitou em unir-se, inicialmente, com uma frente ampla de oposição ao czarismo – tanto que a famosa Revolução Russa começou em fevereiro, não em outubro de 1917, e o primeiro governante republicano do país foi um social-democrata chamado Alexander Kerensky. Só depois desse passo taticamente importante é que o Lênin sentiu firmeza para montar uma nova estrutura de poder, baseada apenas nos quadros bolcheviques.

        Foi nessa linha que contra-argumentei, recebendo como resposta algo muito vago, do tipo "tu não sabes do que estás falando, tu tens ainda que ler mais para compreender a verdade". Um papinho muito parecido com o de qualquer líder religioso ao ver os dogmas de sua igreja serem contestados com argumentos válidos.

        Dali em diante, passei a olhar com atenção para o que acontecia nos debates dentro do partido e percebi que todos acabavam da mesma maneira. E que, por tabela, todo aquele papo sobre democracia interna e discussão aberta das propostas da direção eram apenas um verniz libertário por cima do verdadeiro modus operandi do PSTU: os dirigentes é que leram muito, sabem de tudo e tomam decisões. Cabe ao gado aceitar e não bancar o idiota, querendo discordar dos infalíveis e sábios líderes.

        Nessa mesma linha, o PSTU cometeu diversas gafes ao longo do tempo que estive lá.

        A maior delas foi no 11 de Setembro de 2001, quando eu já estava de saco cheio da falta de democracia do partido e dos disparates publicados pelo mesmo como posição discutida e aprovada internamente.

        Os seguidores do Bin Laden jogaram dois aviões contra as torres gêmeas do World Trade Center, um dos prédios mais altos do mundo, e aquela gigantesca naba veio abaixo, matando uns 3 mil ocupantes, que estavam nos escritórios.

        Eu, que não ia com a cara dos norte-americanos, confesso que senti uma ponta de satisfação. Mas é evidente que aquilo foi uma grande merda, que não poderia ter acontecido.

        Eu não sei quem eram os ocupantes do prédio, mas suspeito que a maioria eram trabalhadores, mesmo que bem pagos, e não os vilões exploradores demoníacos que a maioria do pessoal do PSTU imagina. E além disso, o episódio foi um ótimo pretexto para que Bush lançasse sua série de guerras no Oriente Médio. Aquilo foi uma grande cagada dos terroristas, que condenaram seu próprio povo a ser massacrado.

        Então, o PSTU lançou uma nota de APOIO aos bonitinhos da Al Qaeda. Como se eles tivessem feito um grande trabalho ao matar 3 mil civis, como se isso fosse destruir o aparato imperialista dos EUA.

        Agora, enquanto todos os dias no Oriente Médio milhares de mulheres são curradas, milhares de crianças passam sede e fome, milhares de homens, pais de família, jazem mortos sobre a areia, os "revolucionários" do PSTU estão em suas casas, de cuecas, grudados na Internet paga pelo papai, a postar textinhos contra a guerra do Iraque, comendo salgadinhos e bebendo cerveja.

        Pouco depois do 11 de Setembro, entrou em discussão no partido a questão: qual seria nossa posição diante do ocorrido?

        É claro que ninguém ouviu ao que eu e outros militantes tínhamos para dizer: que emitir uma nota de apoio ao Bin Laden nos condenaria, de uma tacada só, a sermos vistos como sanguinolentos e apoiadores dos radicais islâmicos (defensores dos mesmos costumes bárbaros que as feministas do PSTU denunciam), e como malucos (tipo, como o Enéas quando começou a defender uma bomba atômica brasileira).

        Dias depois, saiu a nota do jeito que a direção já havia decidido que seria. E eu mandei os camaradas à merda.

        Agora, para 2010, o PSTU está relançando o nome do Zé Maria para presidente. Eu já até sei o que vai acontecer.

        O PSTU diz que não tem intenções eleitorais e que só participa das eleições para divulgar suas idéias, usando o aparato de mídia concedido nos horários eleitorais gratuitos da vida. A despeito disso, o Zé Maria vem aparecendo, com aquele típico sorrisinho de "vote em mim" em tudo quanto é material do PSTU. Não sei se ele está mesmo querendo amealhar votos, ou apenas imitando o culto à personalidade do camarada Stalin.

        De qualquer forma, os caras do PSTU aparecerão na TV para dizer que Lula, Serra e todos os outros candidatos são a mesma coisa, lacaios da burguesia, e pedindo para o povo não se enganar porque a única solução é a revolução.

        O Zé Maria vai fazer no máximo 2% dos votos (o que para ele seria um recorde), e mais alguns grupinhos vão sair do PSTU para os dois lados: alguns membros mais radicais dirão que o partido "se entregou à democracia burguesa" e montarão grupelhos de meia dúzia de militantes, enquanto outros membros, depois de sentirem o gostinho de fazer alguns votos, migrarão para o PSOL, o PCdoB ou outra legenda na qual possam, no futuro, sonhar remotamente em ser eleitos ou ajudar candidatos que tenham uma remota chance de ganhar.

        Se o PSTU fizer uma votação decente, acho que vai descambar de vez para o jogo partidário regular. Se tomar uma surra como espero que tome, se sairá com a desculpa de que "as eleições são manipuladas" e continuará a ter a importância e a credibilidade que tem hoje no cenário nacional: nenhuma.

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        Quarta-feira, 30 de Dezembro de 2009, às 09:40:27
        ::: Rindo da desgraça: as piadas do mundo comunista - República Democrática da Alemanha
        Em 1989, muitos alemães orientais abandonaram seus Trabants nas ruas, correndo para comprar carros melhores do Oeste. Mas hoje eles são, apesar de muito baratos, itens de colecionador.
        Bom. Hoje, começamos com a nossa série sobre piadas do antigo mundo comunista. O primeiro país enfocado é a Alemanha Oriental. Para quem não sabe nada de História, é o seguinte: quando Hitler foi derrotado em 1945, a Alemanha foi ocupada por tropas vindas dos dois lados do país: do leste, vieram os soviéticos. Do oeste, franceses, ingleses e norte-americanos.

        Os termos do tratado final sobre a Alemanha acabaram dividindo o país em duas partes, uma capitalista e a outra, comunista. Em 1989, com o fim do regime socialista na Alemanha Oriental e a queda do Muro de Berlim, o país voltou a ser um só, e hoje é a maior potência econômica da União Européia.

        Nos tempos do comunismo, a Alemanha Oriental tinha uma economia muito mais fraca do que a Ocidental, e ainda hoje há grandes diferenças entre as duas regiões.

        Muitas piadas na Alemanha Oriental falavam da opressão política e do governo, especialmente do último líder do país, Erich Honecker. Tem até uma piada que fala sobre a fuga dos alemães do leste para a parte ocidental (capitalista) do país:

        “Erich Honecker acorda pela manhã, abre a janela e diz:
        - Bom dia, camarada sol!
        - Bom dia, camarada Erich – responde o sol.
        Ao cair da tarde, Honecker volta a abrir a janela e diz:
        - Boa noite, camarada sol!
        E o sol responde:
        - Vá se ferrar!
        - Mas que ousadia é essa? – responde Honecker, atônito.
        - Há há! Agora eu já escapei para o oeste, seu idiota! – completa o sol.”


        Outra piada:
        “Honecker e Mielke, o chefe da polícia secreta (Stasi), estão batendo um papo. Honecker fala sobre seu hobby preferido:
        - Eu gosto de colecionar e guardar todas as piadas que fazem sobre mim.
        Mielke responde:
        - O meu hobby é meio parecido. Eu coleciono e guardo todos os piadistas que criam essas piadas.”


        Agora, uma da polícia secreta, a Stasi:
        ”Dois agentes da Stasi estão parados numa esquina sem fazer nada. Um deles resolve puxar um papo:
        - Me diga: o que você pensa sobre o nosso governo?
        E o outro, meio ressabiado, responde:
        - O mesmo que você.
        - Neste caso, considere-se preso.”


        Existem algumas piadas bem interessantes sobre o Trabant, um carrinho fabricado em Zwickhau, que possuía a lataria feita de Duroplast (muita gente do mundo ocidental acreditava que fosse de papelão, devido às gozações dos turistas e diplomatas que andavam no carro). Como a fábrica era muito ineficiente, as pessoas tinham que encomendar o carro e esperar vários anos para recebê-los.

        Vamos às piadinhas:
        ”Um sheik árabe, dono de vários poços de petróleo e de uma grande coleção de carros, ouviu dizer que na Alemanha Oriental existe um carro cuja entrega ao dono demora mais de 10 anos. Como os luxuosos Rolls-Royce têm um tempo médio de entrega de apenas 5 anos, o milionário imagina que o carro alemão deve ser realmente extraordinário. Assim, ele vai até Berlim Oriental e encomenda um Trabant.
        Na fábrica de Zwickau, chega a notícia sobre o pedido e o diretor da fábrica, muito lisonjeado com a encomenda de um sujeito importante, resolve apressar a montagem do carro do sheik. Em dois meses, o Trabant fica pronto e é colocado dentro de um contêiner, enviado de navio para o Oriente Médio.
        Na Arábia, o sheik reúne todos os seus amigos para assistirem à abertura do contêiner. Abismados, eles comentam:
        - Nossa! Que legal! O tempo de entrega desse carro é incrivelmente longo, mas os alemães mandam um modelo feito de papelão para a gente ter uma prévia! E o que é melhor: dá até para dirigir!”


        Agora, uma curtinha:
        ”Como se faz para dobrar o valor de um Trabant? Fácil: encha o tanque de gasolina!”

        PS: A despeito de toda a gozação, e de o Trabant ter um motor não muito diferente do nosso ancião DKW-Vemag (um projeto dos anos 30, pré-Fusca), ele era um carrinho guerreiro. Só de piada, resolveram fazer com o Trabant o famoso “Teste do Alce”, que avalia a estabilidade do carro em curvas fechadas. Pois bem: o Trabi só “se perdeu” ao fazer o teste em alta velocidade, deixando no chinelo carros como o Mercedes Classe A. Também foi grande surpresa quando fizeram um Crash Test (aquele teste no qual um carro cheio de bonecos bate contra um muro), e o Trabant deu um chapéu em carros dos anos 80 e até 90, da geração do Monza, do primeiro Gol bolinha, entre outros.

        Um bom filme para assistir, ambientado durante o colapso da Alemanha Oriental, é o já classico "Adeus, Lenin".

        1 comentários. Comente!
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        Quinta-feira, 10 de Junho de 2010, às 12:17:11
        kele da rosa (www.keledarosa.com.br) comentou este texto:
        botahhhhhhh ruimmmmmmmmm
        nadaaaaa verrrrrrrrrr


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