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      • Candidata Mais Gata 2010
        É isso aí, pessoal! Este ano, o festival de homens feios que pedem nossos votos pode ser compensado por alguma "colírios" no horário eleitoral. Uma destas beldades do mundo da política será escolhda a Candidata Mais Gata de 2010 no Rio Grande do Sul! Vote e faça História!
        Jéssica Nucci
        Deputada Federal - PSTU 1606

        Manuela D´Avila
        Deputada Federal - PC do B 6565

        Gisele Uequed
        Deputada Estadual - PV 43123

        Ju Palhares
        Deputada Federal - PSOL 5025

        Juliana Brizola
        Deputada Estadual - PDT 12001

        Adriana Steinmetz
        Deputada Estadual - PMN 33999

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        Parcialidade Total
        Blog do meu amigo Eduardo Leonardi. Um cara que realmente tem estilo próprio, e seguiu o jornalismo como meio de vida em tempo integral. Curiosidade: esse cara tem uma voz tão calma que, quando narrava uma tragédia sangrenta nas aulas de rádio, dava a impressão de estar dando o boletim do tempo.

        Blog do Flávio Gomes
        Esse cara é jornalista, apaixonado por carros Lada, tem um DKW e faz uns videos nos quais encarna "Indiana Gomes", que nos mostra os carros mais bizarros e museológicos imagináveis. Teve até uma vez em que ele andou num Trabant. Fabuloso.

        Diário de Carina
        Leia e confira, as idéias de uma quase-jornalista brigando pela causa. Na verdade, não conheço essa tal de Carina, mas me dá a impressão de ser uma das pessoas mais idelistas e fofuchinhas do mundo.

        Cinéfilos
        Resenhas críticas, curtas e objetivas, de filmes. Só isso. Sem entrevistas, sem frescuras, sem nada. Só os filmes e ponto final. para quem gosta de dar umas risadas e conhecer um pouco sobre cada produção que vai saindo do forno.

        Conservador e daí?
        Conservador, mas conservador mesmo! Esse blog se opõe até mesmo à Revolução Francesa e aos ideais de liberdade pelos quais ela foi realizada. Ah, e é nele que eu li pela primeira vez o lema "nuremberg para os comunistas, já!" Sentiu o drama?

        Blog Molotov
        Aparentemente, o extremo oposto de "Olavo de Carvalho" e do "Conservador e Daí", mas, na prática, muito semelhante no grau de virulência com que trata os temas. Este é um blog mantido por pessoal do PSTU, com uma linha socialista, revolucionária e empedernida de chavões da nossa manjada whiskesquerda. Mas ostenta esse charmosíssimo nome.

        Bender Blog 2.0
        Esbarrei neste aqui por acaso. Tchê, que cara interessante de se ler. Ele fala sobre vários assuntos e traz uma visão crítica, mas bem humoriada, sobre quase tudo. E o lema é uma pérola: "Concorde comigo ou esteja fatalmente errado."

        Escreva Lola Escreva
        O blog de uma intelectual que não escreve para intelectuais. os assuntos são bem variados e a perspectiva da blogueira é bastante diferente da minha em alguns pontos, enquanto é quase igual em outros.

        Irmão do Décio
        Blog do sujeito que criou o fictício New Fiat Premio. Que mais posso dizer?

        Site da CEEE
        Site da melhor entre as 3 concessionárias de distribuição de energia elétrica do RS.

        Site da FENAJ
        Federação Nacional dos Jornalistas, nossa gloriosa entidade de nível nacional.

        Olavo de Carvalho
        Site de opiniões do mais maluco dos direitistas. Ele ainda vê o "perigo vermelho" até nos desenhos animados.

        Região dos Vales
        Site que reúne colunas, notícias, informações e novidades da região que, para mim, é a mais bonita de todo o lindo, inigualável e gigante Rio Grande do Sul.

        Sindicato dos jornalistas do RS
        O bom, velho e lutador sindicato da "catiguria" na província de São Pedro.

        Internautas Cristãos
        Site com textos que defendem uma visão cristã da vida e do mundo. Andei lendo na tentativa de voltar a acreditar em Deus. Não deu certo, mas vocês podem ir lá e tentar.

        Blog do Zé Piciña
        Blog do retardado mais reacionário que já vi Ele demonstrou, por exemplo, a ligação entre Iron Maiden e o satanismo. É cômico.

        Studio Pampa "oficial"
        Vocês querem bacalhau? Vocês querem mocotó? Vocês querem pão e circo? Este site "oficial" é bom por uma razão: avacalha totalmente o programa. E é muito divertido.

        Blog da Fran Fofura
        Dizem que depois de ir ao BBB, as novas subcelebridades não fazem nada que preste. Mas eu gostei tanto do desenho e do tom do blog que resolvi dar uma chance.

        ADJORI-RS
        Site da Associação dos Jornais do Interior do Rio Grande do Sul.

        O Ícaro e a Borboleta
        Por incrível que pareça, é o blog do Byafra. Dele, e de uma mulher que eu não sei quem é. Mas não espere encontrar ali memórias dos tempos do Chacrinha ou uma agenda de shows em lugares obscuros. Byafra demonstra ali que é poeta, pensador e meio comunista, acho eu.

        Zacarias Martins
        Blog do meu amigão tocantinense Zaca Martins, um poeta, escritor e jornalista. Um verdadeiro maestro das letras, que usa as palavras como se fosse uma orquestra muito bem afinada. Mas o blog tem, além da parte poética, algumas críticas à cena cultural do Norte, que são bem interessantes. Confira, que vale a pena.

        Larissa Maciel Oficial
        Blog que acompanha todos os movimentos e novos projetos da atriz gaúcha Larissa Maciel, já consagrada no papel de Maysa Matarazzo, no seriado sobre a vida da cantora.

        A Filosofia de João de Freitas
        Esse deve ser o cara mais sábio do mundo. Autor de livros online que vão desde "Como parar de fumar" até "Ateus graças a Deus", esse cara nos ensina coisas do tipo "como tornar-se irresistível", "a fonte da juventude" e muito mais. Lendo o site, pode-se passar em concursos públicos e ampliar a memória em 100 vezes. Além de tudo, escreve contos eróticos. Não há nada que ele não saiba! Olhando só para o site, não há dúvidas de que ele é o Messias!

        Marsupialis (Blog da Julia)
        Não me perguntem o por quê desse nome bizarro. Mas este é o blog de uma menina superlegal, linda e inteligente chamada Júlia, filha de uma colega minha aqui do serviço. Só que ela tem umas teorias meio estranhas, e não bebe. Mesmo assim, vale a pena ler porque, dessa turma da idade dela, ela é uma das pessoas mais com a cabeça no lugar que conheço. Confira.

        Léo Brandão
        Blog de um sujeito que, apesar de ter criado a comundiade oficial do Studio Pampa no Orkut, é extremamente lúcido e inteligente. Costuma comentar assuntos como a profusão de partidos sem ideologia no Brasil, mas sem fazer discurso eleitoral para ninguém.

        Esquerdopata
        Blog com um discurso esquerdão e informações atuais que a mídia prefere dar uma ignorada. Resolvi colocá-lo na lista depois de ler um post no qual o blogueiro fala das soluções com "custo zero" para motivar funcionários, algo que para mim também não faz sentido.

        Quanto tempo dura?
        Um blog que fala sobre TV, artes, política e tudo mais de uma maneira realista e meio escrachada, bem ao meu gosto e prática. Cansou de ler as atiradas aqui do meu blog? Vá ler as desse cara. O estilo é semelhante.

        Guerrilheiro do Entardecer
        Vou usar a própria definição do blog: "Este é um blog que defende idéias de justiça social, autodeterminação dos povos, democracia, liberdade, respeito aos direitos humanos e à construção de uma sociedade onde todos possam viver com dignidade." O autor é professor de História e não tem meias palavras.

        Jerre Rocha Mototurismo
        Blog de um cara cuja vida é viajar de moto, bater fotos impressionantes, e depois viajar denovo para lugares ainda mais fascinantes.

        Brigato Design
        Assim como o Irmão do Décio, a Brigato Design dedica-se a desenhar carros como eles deveriam ser: bonitos, modernos, funcionais e acima de tudo, tributários aos maiores clássicos da história automobilística do Brasil. É lindo de se ver. Me apaixonei de vez quando colocaram no ar o design (imaginário, claro) do Opala 2011. Coisa quem nem a Chevrolet de verdade teve a glória de criar.

        Claudio Dullius de Viamão
        Blog do meu amigo Claudio Dullius, um tucano meio liberalão que adora dar pau no pessoal do PT. Voltado para as questões de Viamão, o site tem épocas de extrema falta de inspiração, resumindo-se a reproduções de mensagenzinhas de piada política. Mas quando surgem as épocas inspiradas, o Cláudio nos brinda com os posts mais geniais imagináveis.

        Kadu Schwartzhaupt
        Blog do tucaníssimo Kadu, uma baita figuraça e um grande amigo, que é formado em um pouco de tudo e quem sabe um dia presidirá o PSDB. O bom de ler o blog dele é que ele não concentra sua tucanisse em atacar o PT, e sim em promover os parlamentares e o governo do partido dele, algo meio raro de se achar na web - eu leio porque sempre gosto de ver o contraponto das críticas.

        Viamão Incrível
        Tudo o que (não) acontece em Viamão neste incrível site de notícias verdadeiras (ou não), narrados de maneira brilhante (ou não). Segundo o VI, a cidade recebe visitas de Hugo Chavez e Bill Gates, cedeu um terreno para a gravação de Lost, é campo de pouso de ETs semanalmente, e a lista de material das escolas inclui armas de grosso calibre. Ah, a cidade ainda conseguiu tornar-se um Estado independente do Brasil, abriga uma retransmissora da Al Jazeera, dentre outros disparates. Leia e mije-se de rir.

        A política como ela é
        Blog sobre política (mesmo? dããã), que faz análises cáusticas e inteligentes sobre acontecimentos, pessoas e fatos nacionais e internacionais. Muito bem elaborado, não cai na politicagem e não apresenta pendores escancarados por partido algum. Por incrível que pareça, vale a pena ler, porque os textos são cativantes e bem elaborados.

        Câmara Municipal da Viamão
        Para o bem ou para o mal, para orgulho e glória, ou para vergonha da cidade (em alguns casos), esses são os representantes da nossa população local. Então, é função de cada um de nós, pelo menos, dar uma olhada no que eles andam fazendo com o nosso dinheirinho suado.

        Blog do Pedro Ruas
        Esse cara é um político inegavelmente coerente e lutador. Pode não ser do meu partido, mas eu o admiro e qualquer um que se considere pensante neste Estado do RS deve ler, pelo menos de vez em quando, as análises que o Ruas faz da realidade atual, daqui e do exterior.

        Blog da Luciana Genro
        Blog da deputada federal do PSOL, a filha do Tarso Genro que é bem mais "votável" do que o pai.

        Matérias e artigos classificados como:
        Total: 10 matérias neste grupo.



        Sexta-feira, 03 de Setembro de 2010, às 23:09:42
        ::: Vazamento de dados da Receita: mas, afinal, onde está o problema?
        A turminha do PT parece que abriu os dados da turma do PSDB na Receita Federal. Escândalo. E dos grandes. Mas, aí vem a pergunta: se esses dados não têm nada de comprometedor (afinal, estamos falando de pessoas honestas), por quê deveriam permanecer secretos?
        Serra, P da vida...
        Típico funcionário da Receita.
        O caso da casa da Yeda poderia ser resolvido rapidamente se ao invés de pedir sigilo, os tucanos declarassem logo suas vidas financeiras.
        Ele, claro não sabia de nada.
        Um dos últimos fatos novos nesta baixaria eleitoral que estamos vendo foi o caso do vazamento de dados das declarações de renda de pessoas ligadas ao PSDB. Ao que parece, descobriram que funcionários da Receita Federal andaram acessando essas informações. E, claro, que estes funcionários seriam ligados ao PT. Resumindo, a denúncia é essa: gente do PT, usando e abusando do poder de governo federal, pegou os dados financeiros da vida de parentes e companheiros do José Serra, com o objetivo de usar essas informações contra o candidato.

        Primeiro, sobre os funcionários
        Só o registro eletrônico de acesso aos dados de alguém não faz de um funcionário um espião. A pessoa pode abrir estes dados por engano. Ou até por curiosidade. Sei lá. O cara está no serviço, na Receita, e aí dá uma olhada. Eu mesmo li as declarações de bens de vários candidatos no site do TSE, este ano, só por curiosidade.

        Depois, a parte da quebra de sigilo
        Não sei o que é que torna o caso tão especial. Alguém viu os dados das declarações de renda da turma do PSDB. Poderiam até ter visto os dados do próprio José Serra, e o que é que isso teria de errado? Existe alguma informação comprometedora lá? Se existe, então a quebra do sigilo deveria ser feita publicamente, deveria estourar um escândalo, sei lá. Se não tem, então não tem problema nenhum. Quem não deve, não teme.

        Recentemente, a CEEE pegou cópias das nossas declarações de renda, de todos os funcionários. Aliás, acho que em todas as autarquias e órgãos públicos pediram isso aos funcionários. Ou seja: a peonada aqui embaixo não tem sigilo de informação nenhuma. Gente fina, tem. Querem transparência? Então me mostrem as informações de vocês.

        Aliás, a Yeda deveria publicar as declarações dela
        Hoje mesmo a governadora e candidata a reeleição Yeda Crusius foi para a TV dizer que a compra de sua mansão não teve nada de especial. Deu a entender que, devido à sua bem sucedida vida profissional antes de ser governadora, é normal que tenha condições de comprar a tal da casa de forma limpa, sem roubar. A oposição, claro, continua a cair de pau em cima dela.

        Só que o assunto seria rapidamente resolvido caso a Yeda resolvesse publicar suas declarações de renda dos últimos 10 anos. O povo gaúcho veria sua evolução patrimonial, e a forma como ela foi juntando dinheiro, até concretizar a compra do casarão. Porque, pô, essa mulher foi economista de televisão, ministra, deputada. Não é difícil pensar que ela acumulou mesmo dinheiro para comprar uma casa grande, bonita e chique. Não estou sendo irônico, estou fazendo as contas, de cabeça.

        Enfim...
        ... só aparece abacaxi nesse nosso Brasil.

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        Sábado, 04 de Setembro de 2010, às 20:54:09
        IZABEL (crisbrener@terra.com.br) comentou este texto:
        SOBRE A QUEBRA DO SIGILO TEM UMA COISA ESTRANHA: O QUE É QUE TEM LÁ QUE O BRASIL NÃO PODE SABER? NÃO ERA SÓ O NOME DA FILHA DO SERRA TINHA MUITOS OUTROS.OLHA SERRA! QUE O FEITIÇO PODE VIRAR CONTRA O FEITICEIRO.
        IZABEL


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        Quarta-feira, 14 de Julho de 2010, às 17:56:34
        ::: Garota do Site: agora funcionando, e de tirar o fôlego
        Criado por iniciativa de um dos personagens mais folclóricos de Viamão, o Garota do Site converteu-se em uma agência virtual de modelos e em um ótimo site para se ver fotos de mulheres bonitas. Eu recomendo.
        Silva Leandro, a mente por trás de tudo.
        Danubia Marques, uma das modelos.
        Viviane Lopes, outra das beldades.
        Jennifer Dornelles, em outro exemplo de uma ótima foto do site.
        Danyele Patressa, só para finalizar a "sessão belezas do site". Notem que a Le Marchi SABE FOTOGRAFAR.
        Silvio Monteiro, uma mente brilhante do mundo do webdesign.
        Eu ainda me lembro, há bastante tempo, quando o meu amigo Leandro Rosa da Silva, conhecido na cidade de Viamão como Contabilista Silva Leandro, apareceu com essa história de "Garota do Site". Seria um site, funcionando como agência de modelos. Até aí, nada de mais.

        Mas inicialmente a idéia me parecia muito confusa e a execução deixava a desejar. Para começar, não dava para definir muito bem se o Garota do Site era uma espécie de concurso de beleza, site de fotos na linha do Paparazzo, agência de modelos, ou o quê.

        A execução era meio porca, com um site cujo fundo consistia em um detalhe de uma calça jeans, que se repetia infinitas vezes (aqueles backgrounds de site, quando são menores que a tela, sabe?). Em alguns navegadores, os menus desconjuntavam. E a navegação era bastante confusa.

        Mas o tempo passou, o projeto amadureceu, e o hoje o Garota do Site é uma verdadeira agência de modelos via web, com um site 100% funcional, bonito, harmônico e de navegação muito intuitiva.

        As modelos, em si, são absolutamente lindas e as fotos, muito bem produzidas por uma tal de Le Marchi Fotografia. Tudo funciona bem nas imagens: as poses, as cores, a luz, o enquadramento e a pós-produção. O legal é que os fotógrafos parecem ter muita noção de que, dependendo dos atributos físicos das modelos, uma ou outra pose pareceriam vulgares, ou ficariam estranhas. E eles sabem contornar tudo isso. As modelos aparecem no seu melhor.

        Para quem procura uma maneira de divulgar-se como modelo, é um baita de um site. E para a marmanjada que procura umas fotos de mulheres bonitas, também é uma grande pedida.

        Além do pessoal da Le Marchi (que eu não conheço) e do Leandro, faz parte também da equipe que desenvolve o site, o ex-editor do Viamão Hoje, Silvio Monteiro, um sujeito muito antenado no mundo da tecnologia, e também nas questões da comunidade. Silvio é uma grande figuraça, que eu conheço há anos, e que teria tudo para se dar muito bem na vida, se não fosse o fato de ser muito honesto e sincero – seu portal de notícias era assediado por políticos e lobistas que tentavam puxar uma brasa para seus assados, mas o Silvio sempre ficou de fora de tudo isso – ao contrário de muitos outros "fazedores de mídia" por este Brasil, que vendem-se a quem pagar uns merréis a mais.

        Silva Leandro, a figuraça por trás de tudo
        Contabilista, radialista, locutor, sub-celebridade local de Viamão, e hiperativo, Leandro é uma figura singular da nossa cidade. Não existe nenhuma vila na qual se entre, em que não haja pelo menos uma pessoa que o conheça ou já o tenha visto em algum lugar.

        Por muitos anos, ele prestou serviços contábeis a empresas jornalísticas, e gráficas que editam calendários e agendas, permutando o trabalho por publicidade – daí sua onipresença nos meios de comunicação da cidade a partir da segunda metade dos anos 1990 até por volta de 2007. Hoje, já não faz tanto alarde.

        Concorreu a vereador algumas vezes, e a despeito de toda a sua fama local, fez votações pífias, nunca chegando a 300 votos. No entanto, não é uma figura esquecida: citar o seu nome em qualquer lugar é pedir para escutar alguma história pitoresca, sobre alguma atitude ou empreitada que ele deu, tendo sucesso ou não.

        Essas empreitadas "loucas" do Leandro são um caso à parte. Em 2005, ele correu atrás de todo mundo para organizar, em parceria com a RBS, uma seletiva do Garota Verão em Viamão. O evento, bonito mas simples, ocorreu nas piscinas do Cantegril Clube, e mandou uma menina da cidade para a próxima fase do concurso. Era a primeira vez que Viamão enviava uma representante ao Garota Verão. No ano seguinte, a Prefeitura e as entidades empresariais encamparam a idéia e passaram a fazer, como fazem até hoje, a seletiva na praia de Itapuã. E todo mundo esqueceu do Leandro nessa história. Mas se um dia, uma menina nossa ganhar a final em Capão da Canoa, vou achar injusto se a atitude dele não for citada.

        Personagem pitoresco, autor de grandes idéias e de outras nem tanto, o Silva Leandro é uma figuraça inesquecível. Ainda mora ali pela parada 51, e não faz tanto barulho dentro da cidade como antes. Mas é, sem dúvida, uma das eternas sub-celebridades que temos por aqui, e um dos cidadãos mais folclóricos da velha Viamão.

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        Quinta-feira, 08 de Julho de 2010, às 14:02:44
        ::: Aumento da Licença-Maternidade para 6 meses passa no Senado
        Projeto de Emenda Constitucional que aumenta o período de Licença-Maternidade, de quatro para seis meses, acaba de passar no Senado.
        Uma carreira... uma famíila para cuidar... cara! Eu tenho tudo isso!
        Eu vou falar em coisas de Brasília, mas juro que não é uma matéria política. É coisa trabalhista, muito interessante, aliás.

        O Senado aprovou hoje uma emenda constitucional (PEC) que simplesmente aumenta, de 4 meses para 6 meses o tempo de licença-maternidade. Todos os senadores votaram a favor, nenhum contra. Finalmente, esses políticos uniram-se para fazer alguma coisa A FAVOR do povo. Engraçado é que o lobby patronal não tenha barrado esta proposta. Na verdade, tem uma explicação: as despesas extras serão descontadas do Imposto de Renda das empresas.

        A autora da proposta é uma senadora do DEM, chamada Rosalba Ciarlini, que é médica obstetra. A nova lei torna obrigatório o que era facultativo (ou seja, o patrão poderia fazer ou não), porque já havia uma outra lei, de 2008, criada pela senadora cearense Patrícia Saboya (PDT) dando esta opção. Mas é claro que, sendo opcional, os patrões nunca davam a licença extendida. Então, se a nova lei passar, vão ser obrigados. Depois, dizem que o Estado não deve se meter no mundo empresarial... e quem defende do trabalhador?

        Porque é uma desumanidade que uma mãe seja obrigada a deixar o filho numa creche logo depois de nascer, para que possa trabalhar. Licença-maternidade, para mim, tinha que ser de um ano, não menos. Mas já estamos progredindo. A proposta da licença-maternidade obrigatória de 180 dias vai agora para votação na Câmara de Deputados. Tomara que seja aprovada. E ai de quem votar contra.

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        Sexta-feira, 18 de Junho de 2010, às 10:09:02
        ::: Todo trabalho cedo ou tarde vira rotina, burocracia, repeteco
        Meu curriculum vitae é bastante variado, para uma pessoa de pouca idade. Mas eu não planejo, nem nunca planejei, fazer apenas uma coisa na vida. E hoje em dia, faço umas quatro coisas ao mesmo tempo - não porque seja a melhor maneira de pagar minhas contas, mas porque é a única maneira de não enlouquecer (completamente).
        Meus colegas de trabalho realmente não entendem quando eu digo que o trabalho, em geral, é repetitivo e chato. Tem gente até que pensa que eu não deveria ter feito concurso, já que eu não tenho uma "natureza" apropriada ao serviço público. Eu já acho que o ser humano em geral não tem uma "natureza" apropriada para nenhum tipo de profissão, mas a gente vai levando a vida porque, afinal de contas, todo mundo tem contas para pagar.

        Vejam bem: hoje travou-se aqui na repartição uma discussão sobre o comportamento dos médicos. Uma colega nossa foi fazer uma cirurgia, e estava reclamando da "desumanidade" do anestesista, que já chegou querendo aplicar a anestesia sem nem conversar com ela antes. Eu já não acho que isso seja um problema.

        Para o paciente que vai ser operado, o "evento" chamado cirurgia é um grande acontecimento, objeto de ansiedade e nervosismo, antecipação - é algo decisivo na vida da pessoa. Mas para o médico, para o anestesista, é apenas o trabalho dele. Nos primeiros dias após formar-se, o médico deve ter ficado muito nervoso e emocionado em iniciar a prática "para valer" da profissão que escolheu. Mas depois de um tempo, aquilo vira uma coisa banal. Não há novidades: ele faz o corte, lá, e tem sempre as mesmas coisas dentro da pessoa, os mesmos órgãos, problemas parecidos, coisa e tal.

        É igualzinho ao que acontece num órgão público: no começo, o funcionário não sabe fazer nada direito, erra, se assusta, se surpreende, se emociona. Quando recebe o primeiro contracheque e descobre as vantagens e bônus, fica maravilhado. Depois, tudo vira rotina. Eu mesmo, no começo, via cada caso como uma aventura. Hoje em dia, as pessoas vêm aqui apavoradas, ou indignadas, com aparelhos queimados por alguma sobrecarga de rede. Eu não consigo compartilhar da emoção que essa gente demonstra: ressarcimento de bens queimados é um procedimento sempre parecido, e para mim, já ficou enfadonho. Cada caso é apenas um número, e são vários números a cada semana. A questão do "individual", a essa altura, tanto faz como tanto fez. E isso não torna meu trabalho pior ou mais malfeito. Não. Eu o faço da maneira rotineira, não me envolvo emocionalmente com nenhum desses problemas, e os esqueço em meia hora. Mas eu os resolvo, todos, sem cometer erros.

        Então, voltando ao médico: um doutor com alguns anos de experiência não vai ver nenhuma novidade em uma cirurgia simples, já que ele as faz todos os dias. Ele vai executar seu chato e repetitivo trabalho de maneira quase automática. E vai sair certo, o paciente ficará numa boa. E amanhã será outro paciente, cujo nome o médico tem todo o direito de não lembrar duas horas depois da cirurgia.

        Ser um policial saindo para uma operação, armado, pode parecer algo muito emocionante. Mas eu duvido que depois de alguns anos, o sujeito já não chegue ao escritório, carregue a arma, pegue o papel que diz onde será a operação do dia, e saia para ela quase como um autômato.

        Eu mais ou menos sei como funciona isso porque já trabalhei com reportagem, e no começo é algo muito emocionante, porque cada história tem o poder de envolver o jovem "foca" e deixá-lo preocupado com o destino dos personagens envolvidos. Mas, pela minha experiência pessoal (e talvez isso seja uma característica minha, não sei), depois da décima reportagem, os fatos são simplesmente fatos, coisas desprovidas de significado, que a gente retrata em reportagens – que temos a obrigação de fazer boas, disso não me furto – mas que são basicamente sempre a mesma coisa. Morreu um? Caiu o prédio? Prenderam o outro? E o Kiko... "kiko-tenho a ver com isso"? Nada. Eu só tenho que ir lá, bater a foto e escrever o texto, como fiz ontem, como farei amanhã. A mesma coisa que um serviço burocrático qualquer, como o que faço hoje.

        Em grande parte, essa capacidade humana de se desligar emocionalmente do trabalho é o que garante, ao trabalhador, uma certa salvaguarda do stress emocional. Tem gente que faz perícia em cadáver, e acha a coisa toda até meio sonífera. Um cadáver a mais, ou a menos, mais um número na planilha. E o técnico vê uns dez deles por dia. Não sente nada, não sabe quem são os "presuntos", e não quer saber. Esse técnico é o que vai se aposentar e curtir sua velhice numa boa. O outro, aquele que se preocupa com a pessoa humana que está analisando, esse vai morrer aos quarenta e poucos, de infarto fulminante.

        O ser humano, na realidade, não tem natureza para exercer uma profissão, no modelo que conhecemos hoje – esse modelo no qual se faz uma faculdade, ou um curso, ou faz-se um concurso, e passa-se três décadas atuando na mesma área. Os que se envolvem emocionalmente com o trabalho acabam tomando uma sobrecarga das mesmas emoções ao longo de décadas, e acabam morrendo cedo, ou aposentam-se com problemas cardíacos, psicológicos, etc. Os "frios", os que exercem sua profissão de forma "automática", vivem mais mas ficam três décadas de suas vidas no mais absoluto tédio, burocraticamente repetindo procedimentos, um dia após o outro.

        O trabalho como o conhecemos, e como o formatamos a partir da Revolução Industrial é uma afronta à natureza humana. Mas a gente vai fazendo. Todo mundo faz. Quem não faz, não compra casa, não compra carro, e pior - não tem nem dinheiro para a passagem de ônibus.

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        Terça-feira, 01 de Junho de 2010, às 08:32:36
        ::: Carro velho, semivelho, seminovo ou novo - meu contraponto às opiniões dos "especialistas" da TV
        Carro bom é aquele que não incomoda e não faz feio. Agora, ficar pagando eternamente prestações de carro, como se isso fosse um investimento (não é), é coisa para trouxas. Melhor comprar imóvel, fazer cursos, sei lá, porque isso sim é investimento.
        Hoje acordei ao som do Bom Dia Rio Grande, da RBSTV. Trata-se de um noticioso matinal de boa qualidade, com algumas reportagens que escapam ao padrão breaking news, falando sobre direitos do consumidor e coisas afins. Pois hoje de manhã, eles estavam falando sobre compra de carros usados e novos, e eu vi pela milésima vez aqueles "especialistas" dando suas filosofadas.

        Basicamente, eles dizem que o ideal é comprar um carro zero, mas quando o orçamento aperta, as pessoas devem comprar um seminovo, "com no máximo dois anos de uso", porque a partir do terceiro ano, começam as manutenções mais pesadas. Carros com mais de cinco anos de uso devem ser evitados como se fossem o bafo do Exu.

        Eu não quero desmerecer as qualificações destes estudiosos do assunto, mas gostaria de expor minhas próprias opiniões baseadas na experiência pessoal e nas experiências que vejo acontecerem ao meu redor. E acreditem: eu sou meio viciado em oficina mecânica, adoro remexer nesse assunto, e se aqueles especialistas que nunca se sujaram de graxa podem falar, eu também quero ter o meu direito a dar palpites.

        Carro zero
        Carro zero é uma ótima, é a melhor coisa que há. Pega-se um carro com defeito zero, sem chances de ser batido – e o melhor, com garantia. Só que tem um problema: o preço. O carro zero é tão caro quanto uma casa, e só pode ser comprado à vista por quem tem muita bala na agulha. Ao brasileiro comum, resta a alternativa de pagar o carro em prestações, normalmente em 5 ou 6 anos. E aí, o cara entra em uma arapuca, ficando preso a um verdadeiro "aluguel" de carro. Quando o "zerinho" chega aos 4 ou 5 anos de idade, e já está quase pago, começam os problemas típicos do "semi-velho" (falarei dele adiante). O cidadão vê-se obrigado a dar o ex-zero como entrada de um outro carro, novamente um Zero Km, ficando atrelado a um novo plano de parcelamento. E assim por diante, levando a pessoa, na prática, a passar a vida toda "pagando aluguel" de carro, ou seja, o item "parcela do carro" nunca mais desaparece da folha de despesas da família.

        Carro semi-novo
        São carros entre 1 e 4 anos de idade. Normalmente apresentam boas condições mecânicas e visuais, têm design moderno e quase tanto status quanto o zero. Custam um pouco menos, claro. Se o sujeito comprar um desses em poucas parcelas, e depois de ter o carro pago, fizer uma bela recauchutada no mesmo, poderá então rodar muitos anos com um carrinho de primeira. Só que, se a grana for meio curta, cai-se na mesma armadilha dos "zeros": quando o carro está pago, e as prestações deixam de ser um fantasma sobre o contracheque, já está na hora de passá-lo adiante e se enfurnar outra vez em financiamentos.

        Carro semi-velho
        São carros entre os 4 e os 10 ou 12 anos. São a pior naba que existe. Esses carros normalmente estão prestes a necessitar de reformas pesadas, e já foram fabricados na era da injeção eletrônica. Como normalmente não são carros tão ultrapassados e desvalorizados assim, acabam saindo por preços mais ou menos salgados, e quando dão manutenção (sempre dão), ela é caríssima – no final da década de 1990 e início do século XXI, foram fabricados os carros mais cheios de frescura da História, com injeções eletrônicas feitas de peças impossíveis de encontrar e fáceis de estragar. Fazer o motor de uma dessas joças é outro pesadelo, de tão caro. Acabam sendo os favoritos do grupo que não tem como comprar um zero ou um semi-novo, mas também não quer ser visto por aí andando numa "bicheira", num carro velho.

        Carro velho
        São os carros com mais de 10 ou 15 anos de fabricação. Segundo os "especialistas" da TV, devem ser evitados a todo custo. Mas a experiência prática demonstra que, garimpando com muito cuidado, pode-se encontrar carrinhos do início da década de 1990, dos anos 1980, e até dos anos 1970 em ótimo estado de conservação. Esses carros têm a seu favor a extrema simplicidade mecânica – a começar pelo fato de que eles são equipados com singelos carburadores. O carburador é visto como uma coisa arcaica e estúpida pela maioria dos fãs de automóveis novos. Mas, pensando na prática, existem carros carburados com índices de consumo de combustível bem convidativos, o carburador não dá tanto problema quanto as injeções eletrônicas, e sua manutenção custa até 20 vezes menos.
        Carros muito antigos não são, necessariamente, mais caros na hora de manter. É evidente que um carro ano 2002 tem menos potencial para dar problemas grandes do que um 1984. Mas se o sujeito comprar, por exemplo, um Corsa 2002 e ele tiver apenas um probleminha pequeno, como a queima do sensor de rotação e da bobina, o rombo pode ser tão grande quanto o custo de "fazer o motor" de um Corcel II.
        Também a indisponibilidade de peças é outro mito dos carros velhos. Eu, pessoalmente, passei muito mais trabalho procurando peças para um Corsa 99 que eu tive, do que para um Premio 91. Tem muito carro 2007 cujas peças são caríssimas e só existem na autorizada. Já quem tem Chevette, Uno Mille e Golzinho quadrado raramente passa sufoco na hora de arranjar as suas.

        Conclusão
        Quando eu tiver condições de comprar um carro ZERO, à vista, com certeza optarei por um. Mas aí, temos outro problema: até há pouco tempo atrás, eu não via nenhum carro novo que me despertasse a mínima vontade de possuí-lo. Até que a Fiat lançou o Novo Uno. Espero sinceramente que ela lance uma versão sedã do carrinho, um "Novo Premio", só para eu comprar.
        Mas, não sendo ainda rico o bastante para desembolsar 30 mil mangos à vista, sigo comprando carros "velhos" – é preciso garimpar muito, procurar em todos os lugares, chafurdar por aí em busca de um bem conservadinho. E é preciso também ter consciência de que o carro não virá perfeito, que ele tem 15, 20, 25 anos de uso, e precisará de uma reforma geral antes de ser considerado "pronto para uso". Prefiro comprar um velho, fazer um pequeno "Lata Velha do Huck" nele, e andar por muito tempo com um carro confiável, simples, quitado e – como se tudo isso não bastasse – com personalidade, uma coisa que parece estar em falta na indústria automobilística hoje em dia.

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        Quinta-feira, 27 de Maio de 2010, às 18:09:13
        ::: Minha Casa Minha Vida e o jeitinho brasileiro
        Grande idéia essa. Lembra um pouco o antigo BNH, não lembra? Lá em casa, pelos comentários dos "velhos", eu tenho uma boa imagem do BNH.
        Acabo de ler uma análise muito bem feita do programa "Minha Casa Minha Vida", que subsidia parte dos valores para compra de imóveis, no site do Correio da Cidadania (aliás, vou virar leitor assíduo deste site, os textos são muito completos e inteligentes). Para quem não sabe, é simples: a gente financia uma casa e o governo cobre uma parte do preço, sendo que o resto será pago em muitas e muitas parcelas, com jurinhos camaradas.

        Na teoria, é uma maravilha. É a porta de saída do aluguel para muitas famílias. Mas na prática, eu já estou vendo que o nosso "jeitinho brasileiro" começa a botar água para dentro do navio: tem gente reclamando dos preços dos apartamentos e casas que estão sendo vendidos. Parece que tem construtoras e vendedores picaretas colocando um "agiozinho" em algumas unidades, para aproveitar o subsídio.

        O raciocínio é simples: a casa vale 50 mil, e o governo vai subsidiar, digamos, uns 10 mil. Se eu sou o cara da construtora, e se esta construtora é picareta, eu vendo a casa por 60 mil, pegando os 10 do governo e parcelando os 50 do trouxa... digo, do cidadão comprador.

        Não sei até que ponto esta prática é comum ou não. Mas estive dando uma olhada em alguns preços por aí, e tem certos valores que só podem ser piada de mau gosto.

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        Quinta-feira, 06 de Maio de 2010, às 17:15:23
        ::: Alô Alô Terezinha
        Para enriquecer um pouco este longo post, fiquem com a letra de "Roda e avisa", de Alceu Valença, uma música em homenagem ao Chacrinha, que toca no final do documentário e que eu achei simplesmente LINDA ao fazer uma analogia entre o fim de um show e o fim da vida do nosso mais brilhante apresentador de TV de todos os tempos.

        "Roda, roda, roda e avisa
        Que a alegria explodiu no ar
        O velho guerreiro sorrindo
        Subindo, subindo foi pro céu brincar
        Roda, roda, roda que a vida
        É um sonho que vai terminar
        O bom palhaço não chora
        E vai embora sem explicar (BIS)

        Quem vai querer
        Abacaxi, banana e bacalhau
        Olha a mãe do Russo
        E a buzinada do seu Nicolau
        Quem reviveu toda alegria do seu carnaval
        Alô, alô Teresinha
        Ai que saudade do Cassino do Chacrinha!"
        Como o nome indica, trata-se de um documentário sobre o Velho Guerreiro, o inesquecível Chacrinha. Mas não estamos falando de um documentário daqueles chatos, cansativos, cheios de análises sociológicas. E também não estamos falando de um documentário do tipo ufanista, que mostra o personagem retratado como um herói, muito maior do que ele realmente foi em vida. Não. Os produtores de "Alô Alô Terezinha" escolheram montar um painel com o luxo e o lixo do Cassino do Chacrinha. Chega-se a sentir vergonha por alguns personagens mostrados, enquanto outros nos dão uma dimensão da verdadeira geração de artistas que Chacrinha construiu em seu palco multicolorido.

        Artistas consagrados como Fábio Junior, Roberto Carlos, Vanderléia, Baby Consuelo, Agnaldo Timóteo, Byafra e outros, falam sobre os tempos do Cassino do Chacrinha, todos evidenciando que o programa de TV teve importância crucial em suas carreiras. Não apenas ele lançou uma penca de artistas bons (incluindo o "Rei"), como também foi ele quem lançou o cara que para mim é O CARA: Raul Seixas.

        Aliás, já que falamos de cantores, foi durante a entrevista para o documentário que Byafra dispôs-se a cantar seu grande sucesso "Sonho de Ícaro" (aquela do "voar, voar, subir, subir..."), sendo atingido por um parapente (um aparato parecido com a mais conhecida asa-delta). O video dessa trombada, claro, bombou no Youtube.

        É óbvio que as entrevistas com os famosos são ótimas, e em alguns casos, emocionantes. Mas alguns dos momentos mais engraçados do filme são protagonizados justamente por cantores fracassados, que foram "buzinados" nas apresentações de calouros. Vários ex-calouros falam de suas experiências no palco do Chacrinha, mas três deles são especificamente marcantes.

        Um, é um baixinho que fala daquela época com uma grande frustração, acha que foi injustiçado e que tinha talento para ser cantor, mas teve a vida destruída pela buzina do apresentador, passando vergonha diante do Brasil inteiro. Este sujeito canta diante da câmera, na esperança talvez de retomar o caminho da fama, em sua casa pobre e pequena, numa cena realmente triste.

        Outro, é um velhinho que foi gongado por errar o tempo de início da música. Parece ter se arranjado na vida, morando em um bairro popular. Ele canta (e até que não faz feio) de cima de uma laje (provavelmente, de sua casa), juntando uma pequena platéia de vizinhos que o aplaudem, e parece ter lidado melhor do que o baixinho com o fracasso artístico.

        O terceiro, e mais cômico, dos ex-calouros é um sujeito que vestiu-se de Lisa Minelli e cantou no palco imitando a cantora norte-americana, ganhando do Velho Guerreiro um Troféu Abacaxi. O cara, ao invés de dar uma entrevista, aparece saindo da empresa onde trabalha, vestindo terno e gravata (parece ocupar alguma posição importante), e começa a cantar seu "consagrado" número. A autoparódia fica mais engraçada ainda quando ele compra um abacaxi e pede para um desconhecido segurar, enquanto ele canta, emulando a cena ocorrida vinte e tantos anos antes.

        Outro ponto alto do documentário são as ex-chacretes. Porque essas dançarinas, todas lindas (na época do programa) foram glamourizadas, adoradas, viraram símbolos eróticos de toda uma geração de brasileiros. O documentário as encontrou envelhecidas, quase todas tentando se virar de algum modo e lidando com dificuldades – a não ser pela exceção de Rita Cadillac, que conseguiu manter-se na mídia e fez uns filmes pornôs.

        Tem ex-chacrete vendendo xis na praça, tem ex-chacrete trabalhando como recepcionista em consultório, e, claro, algumas que casaram. No geral, levam uma vida pobre, difícil. Tive a nítida impressão de que essas moças seguem um mesmo padrão – têm pouco estudo, iludiram-se pensando que teriam uma vida artística e não se prepararam para a vida pós-fama. Com a morte do apresentador, no final dos anos 1980, tiveram que cair na realidade e até hoje tratam de enfrentar o dia a dia, com muitas dificuldades, sub-qualificadas para o mercado. Nas falas delas, senti um aperto no coração – elas falam de seus tempos de chacretes deixando transparecer que os anos de ouro de suas vidas já passaram.

        Algumas entrevistas das chacretes são cruas, como no caso da Índia Potira, que fala com uma franqueza total sobre os namoros das meninas, e sobre os convites para "programas" recebidos por elas. Outras são meio ridículas – tem uma chacrete que desenterra de um armário uma roupa justa, provavelmente guardada desde os tempos em que dançava na TV. Com o maior esforço, a coitada se enfia para dentro da malha e começa a dançar. Não sei o que passava pela cabeça dela no momento. A cena parece ainda mais esquisita porque essa ex-chacrete aparece num culto evangélico.

        Aliás, essa história de "virar crente" parece um lugar-comum neste documentário. Não estou aqui fazendo nenhuma crítica à fé de quem quer que seja, mas os ex-famosos convertidos são justamente os que fazem os maiores papéis de loucos e protagonizam cenas ridículas no filme. Baby Consuelo (ou Baby do Brasil, ou Baby de Jesus, não sei que nome ela anda usando agora), simplesmente modifica a letra de "Menino do Rio" para incluir nela um conteúdo agradável ao público neopentecostal, só que as adaptações não casaram bem com a música, transformando sua obra-prima sensível e inteligente em uma porcaria mal ritmada e panfletária. Baby Consuelo... assim como a Simony, uma ex-estrela que tenta se firmar no nicho gospel, mas não alcança nem 10% da antiga fama.

        Nelson Ned é outro novo-crente que me dá uma certa pena. Ele diz que o pessoal do filme "chegou tarde", e que deveriam ter ido lá dez anos antes. "Muita mulher, muita cocaína...", diz, descrevendo sua antiga vida. Mas não fala muito da atual. Só que o relato do Nelson Ned não é aquela típica pregação do tipo "eu achei o bom caminho", porque ele não demonstra muito entusiasmo. Ele parece estar dizendo que, apesar de agora ser um sujeito com cara de vovozinho, houve um tempo em que abafava as menininhas. Sério! A voz dele me deu a nítida impressão de que, no fundo, ele deve sentir um pouco da saudade dos seus "anos perdidos". Pode ser só impressão minha, repito, mas foi essa a sonoridade que a voz dele me passou.

        Um dos entrevistados é o Russo, assistente de palco e personagem cômico que atualmente está no Domingão do Faustão. Eu não sabia de onde esse sujeito tinha saído, mas no documentário, vemos uma cena do programa do Chacrinha feita em 1978 – o concurso do "Homem mais feio do Brasil", no qual Russo venceu, sendo então incorporado (numa lógica meio "circo de aberrações") ao programa. O segundo colocado no concurso virou carroceiro.

        Temos também ex-jurados do programa (numa fórmula que depois seria copiada por Silvio Santos, e que aliás, contratou alguns dos jurados do Chacrinha), representados no vídeo pela inesquecível Elke Maravilha. Essa Elke é uma figura muito cativante, e vendo ela a falar para a câmera, tantos anos depois, tem-se a nítida certeza de que o carisma dela é algo natural, que não foi embora com a beleza da juventude (aliás, nos vídeos antigos, cheguei a me surpreender ao notar o quão gata a rainha das lantejoulas era quando jovem). Eu falei do Silvio Santos, mas é do Chacrinha a frase "Na televisão, nada se cria, tudo se copia".

        Chacrinha era um mestre da comunicação, especialmente com as camadas mais populares, e fazia paródia de si mesmo. Era comum ele dizer, pouco antes dos letreiros finais, "Graças a Deus o programa acabou!", ou então, "Alguns calouros saem daqui contratados por alguma fábrica de discos, outros vão para a cadeia". É dele a frase "Quem não se comunica, se trumbica", dentre outras. Todo ano, seu programa lançava uma marchinha para o Carnaval. Em grande medida, o ritmo empolgante do documentário é uma contaminação da própria animação dos vídeos de arquivo do programa do Chacrinha.

        Olha, pessoal, vou lhes dizer: é um baita de um filmão. É um documentário, claro, mas nada parecido com aqueles paralelepípedos pseudo-intelectuais que a gente costuma ver por aí. É um filme, antes de mais nada, um bom filme, que prende o espectador do início ao fim. Recomendo, sem hesitar.

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        Terça-feira, 11 de Maio de 2010, às 21:37:47
        Fábio (resposta) (fabio.salvador8@gmail.com) comentou este texto:
        Carina,
        assista mesmo ao filme, trata-se de uma obra muito bem realizada. E o Abelardo Barbosa, o popular Chacrinha, era um mestre na arte da comunicação popular. Eu acho besteira quando um jornalista se furta de olhar como um bom exemplo este tipo de comunicador, porque na verdade, para chegar ao público popular, é preciso falar a linguagem dele. E isso é uma arte muito complicada, eu que o diga. Tente e verás.


        Sábado, 08 de Maio de 2010, às 14:52:05
        Carina (carina_carboni@yahoo.com.br) comentou este texto:
        Não cheguei a curtir o programa do Chacrinha, pois sou de 1986. Mas admito que sempre me despertou certa curiosidade o seu jeito de falar e vestir, sempre tão espalhafatosos (como via na TV).

        Fiquei instigada a assistir.

        Abraço!


        Sábado, 08 de Maio de 2010, às 00:52:26
        Jaine da Rocha Bernardoni (jainedarocha@gmail.com) comentou este texto:
        Olá, querido amigo
        Se ninguém ainda disse, te direi agora: "É impressionante o modo como te expressas, tens o dom da comunicação. Parabéns".


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        Segunda-feira, 26 de Abril de 2010, às 12:02:54
        ::: Hoje é segunda-feira, eu estou em casa e isso me causa uma sensação profundamente desagradável
        A CLT não está ultrapassada e não representaria um entrave às relações de trabalho no Brasil se não existissem, de um lado, os patrões nojentos que pensam que o respeito aos direitos dos trabalhadores é um favor, e de outro, os trabalhadores que se escondem nas brechas do código para vagabundear.
        Estou chegando à nítida impressão de que a Consolidação das Leis do Trabalho deveria ter um anexo só com modificadores feitos para mim. Especialmente na parte que trata de atestados médicos.

        Nós temos direito a alguns dias a cada tanto tempo, para acompanhar familiares que estão doentes ou internados. Já o tempo de licença para doenças no próprio trabalhador, não tem limites – o sujeito, a rigor, pode ficar até dois anos em licença-saúde, que o emprego dele está garantido.

        No meu caso, já percebi que valeria a pena inverter essas duas categorias de licença. Eu estou no quarto dia de licença para acompanhar a Fabiana, e até hoje só tirei dois dias de licença da CEEE por estar, eu mesmo, doente – no caso, ao ponto de não levantar da cama. Não que eu seja o sujeito mais saudável do mundo, mas eu sou um dos mais obstinados. Teve uma vez em que eu até pensei em não ir, mas no fim fui trabalhar, e terminei o dia no hospital (ainda bem que ele fica na mesma quadra da empresa).

        Minha estranha relação com o atestado médico
        De qualquer forma, eu acho muito esquisito estar em casa, sob uma licença médica, mesmo sabendo que tenho direito. Tem gente que treme de medo na hora de pegar um atestado médico, porque o patrão muitas vezes não vê a coisa com bons olhos, classificando como "vagabundagem". Eu não tenho esse tipo de temor, porque sei que é um direito. E direito assegurado em lei. Uma vez, tirei um atestado de um dia (porque estava com mais de 39,5 de febre), e a diretora da filial quis me dar uma mijada. Soltei uma frase que depois virou folclore na rádio-corredor: "Vamos parar por aqui, porque tu podes acabar dizendo alguma coisa que me obrigue a iniciar uma causa longa e cansativa na vara trabalhista, e isso não vai ser bom para nenhum de nós dois."

        Na empresa em que estou agora, existem alguns casos lendários de uso do atestado para fins obscuros. Uma vez, uma colega tirou um dia por estar com GASES! Sim! Um atestado por causa de PEIDOS! Chega a ser cômico. Tem gente que tira 3 dias para cada 2 semanas de trabalho. Às vezes, uma gripezinha já serve porque, afinal de contas, ela tem um código CID. Aí, já não estamos falando do exercício de um direito. Estamos falando de pura lisandragem (ou seja, coisa de quem é liso).

        Eu não sou da turma dos espertinhos, mas também nunca fui da ala dos medrosos que se apavoram como se o fato de o chefe aceitar um atestado fosse um favor, e não uma obrigação. Não. Eu sei que tenho o direito, e que não devo usá-lo como forma de ganhar folgas. Normalmente faço um cálculo da seguinte forma: será que eu vou piorar se for trabalhar? E se eu for trabalhar, será que tenho condições de render alguma coisa? Se houver grandes chances de eu piorar por ter saído para o serviço, ou se a minha ida ao escritório for inútil, então eu tiro o atestado.

        Como a minha saúde melhora mesmo sob as piores condições, e eu consigo continuar a produzir mesmo estando a meio-pau, eu quase nunca tiro atestados. Acho que não devo ter tirado 5 dias no total até hoje, em todos esses anos. A época em que eu mais fiquei doente foi quando dava aulas no Senac, porque eu dormia umas 4 horas por noite e a minha saúde vivia capengando. Mesmo assim, eu ia dar aulas – porque os alunos estavam lá esperando e em algumas matérias, como Java e AutoCAD, eu sabia que a escola não teria um substituto para ser chamado em cima da hora.

        Por isso eu acho tão esquisito estar em casa, num dia de semana, sem estar de férias (na verdade, eu me sinto meio esquisito até quando tiro férias). Não imagino como será no dia em que eu resolver me aposentar. Embora eu acalente o sonho de nove entre dez brasileiros, que é ganhar num sorteio e poder viver sem trabalhar, eu fico me perguntando: será que isso seria para mim?

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        Terça-feira, 23 de Março de 2010, às 16:06:14
        ::: Momentos de lisura
        Era assim que eu imaginava a vida pós-concurso.
        Hoje fui até a máquina de Xerox e uma colega minha de trabalho, com mais de 30 anos na carreira, deu a entender que vai ir embora da cidade:

        ELA: Eu acho que vou para Encruzilhada do Sul.

        EU: Fazer o que, lá?

        ELA: O mesmo que eu faço aqui.

        EU: Ou seja, NADA!

        Pelo menos, eu sou sincero. Ela se ofendeu. Na verdade, ela até trabalha um pouco. Todos nós aqui trabalhamos. Eu, muito. Pelo menos, muito mais do que eu pensei que trabalharia depois do concurso público. Mas não faz mal, nem tudo é perfeito nessa vida.

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        Sexta-feira, 26 de Fevereiro de 2010, às 17:02:26
        ::: É de cair o cú da bunda! Choques de gestão desnecessários, livrinhos de autoajuda para executivos e outras babaquices do mundo corporativo
        Leonid Brezhnev, o apparatchik perfeito. Ele foi empossado como líder da União Soviética em 1964, para substituir um careca maluco chamado Nikita Kruschev, que, dentre outras pirações, quase deu início à Terceira Guerra Mundial, ao dar uns mísseis nucleares de presente para o Fidel Castro, em Cuba.

        O governo de Brezhnev, ao invés de fórmulas malucas e “limpezas” no quadro do funcionalismo, optou pela tranqüilidade, a rotina e o desenvolvimento gradual, seguro e garantido. Defensor incansável das “vantagens” (direitos) dos funcionários, criou um clima em que se podia trabalhar de maneira segura e sossegada, e por isso o país foi funcionando. O cara não era besta. Ele até fez acordos com os EUA para reduzir os arsenais atômicos.

        É claro que acabou tachado como “preguiçoso” e teve seu governo associado à idéia de “estagnação”.

        Depois que ele morreu, em 1982, todos aqueles que reclamavam do seu governo “lerdo” tiveram a chance de promover mudanças na URSS, com aquele papinho de “inovação”, de “choque de gestão”, “eficiência”, “pró-atividade” e coisa e tal, que todo chefe metido a moderninho adora. Acabaram fazendo uma lambança tão grande que culminou com o desmantelamento do mundo comunista em 1989, e o fim da União Soviética em 1991.

        Nem me entendam da forma errada: eu não apoiaria Brezhnev, politicamente, e não concordo com o regime repressivo que ele e seus antecessores comandavam. Mas, do ponto de vista prático, o objetivo do governo soviético era tocar o país para a frente e manter o regime intacto, coisa que o "acomodado" Brezhnev fez, e o "inovador" Gorbachev não conseguiu. Eu não estou entrando no mérito moral da coisa, se manter a União Soviética era uma coisa boa ou ruim. Assim como, por exemplo, um executivo competente da Souza Cruz pode um dia ser premiado, como gestor altamente capacitado e excelente no que faz, apesar de a fabricação de cigarros não ser lá uma das atividades mais bonitas e nobres do mundo. Não estou elogiando Brezhnev PELO QUE ELE FEZ, e sim pela MANEIRA COMO FEZ. Gorbachev abriu novas liberdades democráticas, e tudo mais, o que foi bom e faz dele um dos governantes mais iluminados em termos de idéias, no século XX. Mas, no afã de fazer tudo de maneira a criar um "choque de modernidade" acabou dando cáca. Não porque fosse um processo ruim, mas porque ele não sabia o que estava fazendo, assim como um bom número desses executivos e gerentes da geração atual (muitos deles, um bando de trainees, saindo da idade das espinhas e da casa dos pais direto para importantes chefias).

        Moral da história: Em time que está ganhando, não se deve mexer. E mesmo quando o time só empata, não se deve mexer quando a mudança pode levá-lo a perder. Uma idéia sensata, na qual acredito piamente.

        Agora, um monte de gente que não pensa desta forma, e que certamente pratica a masturbação mental lendo livrinhos de autoajuda como “Executivo Turbinado”, “Quem mexeu no meu queijo”, e outras peças nessa linha, vai querer me crucificar.
        A frase que serve de título à matéria é mais um dos bordões do falecido repórter policial Luiz Carlos Alborghetti, e se o velho Dalborgha estivesse vivo, aqui, com certeza ele não se limitaria a dizer estas palavras, criando mais algumas frases de efeito, igualmente educadas e serenas.

        Eu estou falando, de maneira genérica, sobre essa tendência cíclica que as empresas têm (e acreditem em mim, eu já trabalhei em um punhado de lugares, e todos eles tinham esses ciclos), de lá pelas tantas começarem a mudar tudo na rotina de serviço, criando regras novas, dando um “choque de gestão” para “fazer as coisas funcionarem”, mesmo quando elas já funcionam maravilhosamente bem.

        Uma das primeiras coisas que as empresas fazem quando dão início a essas temporadas de “caça às bruxas da ineficiência” é limitar a Internet, como se ela fosse a mais perversa vilã do mundo corporativo. Tudo começa com aqueles papos do tipo “a TI fez um levantamento dos sites visitados pelos empregados, e há centenas de endereços que não são matéria relacionada ao trabalho”. Como se isso fosse alguma informação relevante!

        Ora, claro que as pessoas vêem assuntos não profissionais durante o expediente! Sejamos francos! Onde mais elas iriam aliviar a cabeça nos momentos mais tensos? A vida lá fora não pára só porque o sujeito está no serviço, e não há nada mais angustiante do que sentir-se isolado do mundo. Eu mesmo, de quando em vez, confiro a audiência do meu blog, e vejo se alguém comentou alguma coisa. Sem Internet, eu ficaria angustiado, sem saber a quantas anda meu público, que são vocês, sem saber se o site está no ar ou se deu um pau e caiu. Sem saber das novidades. Duvido que, nesse estado mental, eu rendesse alguma coisa no serviço.

        E no entanto, apesar de toda a Internet em horário de serviço, não tem nada acumulado na minha mesa. Todo mundo feliz. E o bloguinho bombando.

        É claro que a navegação por sites mil tende a congestionar a banda de conexão da empresa, atrapalhando os funcionários que querem acessar conteúdo útil. Mas a solução para isso é fazer uma lista dos sites “aprovados”, e dedicar a eles o grosso da capacidade de conexão da Internet corporativa, deixando o acesso ao resto das coisas com uma parte pequena da banda, tornando a navegação livre mais lenta, para não atrapalhar a navegação útil, mas não bloqueá-la. Só que não é o desperdício de capacidade de rede que serve de argumento para censuras eletrônicas nas empresas. É a velha alegação de que as pessoas navegam ao invés de trabalhar. Como se, na ausência da Web, as pessoas não levassem para o escritório livros, MP3 Player, revistas e outras distrações. Quando alguém não quer trabalhar, dá um jeito de arrumar uma outra coisa. E mesmo quem é trabalhador, às vezes não está fazendo nada (porque foi eficiente, e já fez tudo).

        Aqui na empresa, aliás, tivemos uma experiência durante a qual quase todos os sites da Internet foram bloqueados (havia uma lista com uns 10 endereços liberados). O rendimento caiu bastante. Porque o sujeito que não tem o que fazer fica navegando na web, esperando que algum cliente apareça, ou que algum serviço “caia” na sua mesa. Sem a Internet, e isso eu já vi acontecer, em meio a um horário ocioso, aparecem clientes e surgem serviços, só que o funcionário não está na sua mesa para receber naquela hora porque, como não tinha nada a fazer em sua sala e não podia ficar nela vendo alguma coisa, foi lá para fora fumar, papear com o guarda, tomar um café. A Internet torna essa espera pelo próximo serviço algo mais tolerável, porque a pessoa não sente aquele impulso de se afastar da sua mesa.

        Mas eu não quero me alongar falando sobre Internet. Bloquear a Internet é apenas um aspecto desses “choques de gestão” que a gente vê por aí. A verdade é que existe, hoje em dia, uma valorização excessiva da idéia de “inovação”, não no sentido de aprimorar alguma coisa para que ela fique melhor, mas simplesmente no sentido de “não se acomodar”. A palavra “acomodação” virou palavrão no mundo corporativo. Os processos precisam sempre estar mudando, e quem fala uma palavra contra a febre das mudanças, é logo tachado de “acomodado”.

        Digamos que um processo qualquer começa a ser feito de maneira incipiente dentro da empresa. Ele não funciona direito. Mas com o tempo, ele é aprimorado, até atingir um nível no qual sua execução atende a todas as necessidades para as quais ele foi criado, e todo o quadro funcional conhece os métodos implicados no tal processo. Então, este processo específico é rotineiramente executado sem que ocorram erros, confusões, sem que hajam surpresas ou imprevistos. Os clientes estão felizes em relação a ele, e os empregados experientes já o encaram com segurança. Para quê mudá-lo? Se a realidade externa não obriga a uma mudança, se as coisas estão funcionando muito bem, por quê não optar pela acomodação em relação a este determinado processo?

        Mas as empresas nunca se acomodam, porque é bonito desmantelar uma rotina que funciona perfeitamente bem, perturbar os funcionários que trabalham com segurança, e criar uma nova maneira, completamente nova e às vezes menos eficiente de se fazer as coisas, plantando a confusão, o pânico e a insegurança na peonada. A isso, chamam de “busca da excelência”, mesmo quando o método antigo já era excelente.

        Se uma organização vai mal, está contaminada pela corrupção, a ineficiência e os profissionais estão desmotivados, É CLARO que é preciso dar uma agitada, fazer umas mudanças, ou simplesmente revolucionar a organização, da raiz até o topo.

        Mas, quando as coisas já estão funcionando, as pessoas já se acomodaram a uma rotina de trabalho que dá certo, e as modernizações poderiam ser graduais, pontuais, quase imperceptíveis, e alguém vem querer fazer uma revolução, o resultado é quase sempre o mesmo (especialmente em empresas e órgãos públicos, nos quais tenho mais vivências): os funcionários tentam se adaptar às mudanças, enquanto alguns simplesmente resistem. Toda direção que mergulha no entusiasmo por campanhas deste tipo, começa por descrever os funcionários como acomodados e distraídos, mesmo que eles não o sejam, e sai cortando regalias como café, Internet, TV e outras coisas, o que normalmente gera um aumento muito tímido no rendimento de trabalho, e uma explosão de revolta nos corações da peonada. Às vezes, o rendimento cai, porque o pessoal fica tão deprimido e furioso que não consegue absorver direito as demais mudanças nos processos, e tudo começa a dar errado.

        No passo seguinte, a direção, ainda empolgada, começa a “modernizar” tudo o que é possível, mesmo que para isso, à guisa de modernização, faça modificações estéticas nos processos corporativos, alterando por exemplo os passos de um determinado procedimento sem alterar-lhe a essência ou o resultado. Seria fácil, se estivessem comandando bonequinhos num jogo tipo WarCraft, mas como estamos falando de funcionários humanos, as pessoas não começam a fazer as coisas da nova maneira, de forma correta, logo de cara e a adaptação é sempre traumática.

        O terceiro passo, já quando a inovação começa a “fazer água”, é o famoso circuito de reuniões e palestras nos quais são demonstrados gráficos e balanços que provam os maravilhosos e inegáveis frutos das novas práticas da empresa – aparentemente, demonstrando que tudo está feito e deu certo, mas na realidade, tentando convencer as pessoas a remar com mais força em um navio que começa a afundar.

        O quarto passo é quando começa-se a fazer inovações dentro da inovação, criando novas regras e procedimentos, apresentados sempre como um “segundo passo” daquele primeiro processo de mudanças. Como se fosse algo já planejado no começo de tudo. Na verdade, é a tapação dos furos que o projeto inicial não previu.

        O quinto passo é quando se reconhece que algumas das novas práticas não vingaram. Funcionários que simplesmente resistiram à mudança e continuam atuando como antes param de ser incomodados, e a coisa toda fica liberada: uns adotam as modificações, outros continuam pelo método velho, e alguns processos antigos, que funcionavam, são ressuscitados. Os aspectos mais “estéticos” das mudanças são preservados, até para não assumir-se a derrota e não melindrar aos seus idealizadores, enquanto na essência as coisas começam a voltar ao lugar de origem.

        O sexto passo é quando a direção fica bem quietinha e não fala mais no assunto. E se em alguma reunião, alguém pergunta “que fim levou o processo de inovação”, sempre se pode usar a justificativa de que o projeto era brilhante, mas não deu certo porque os funcionários não quiseram/não colaboraram/resistiram/são acomodados. Os privilégios e regalias que haviam sido tirados, com alarde, para dar um “choque de eficiência” nos empregados acabam voltando, sem anúncio nenhum para não envergonhar o grupo dos “inovadores”, que agora encolhe-se tímido no seu canto.

        É duro, mas é a realidade. E não pensem que eu estou vibrando de alegria, por as coisas serem assim. Eu sou contra uma atitude do tipo “toda mudança é ruim, é um saco, mexe com o meu mundinho então eu odeio”, e também sou contra o “inovar por inovar, para não dizerem que estamos parados”. Eu sou a favor da administração responsável, daquela que muda o que tem que ser mudado, mas deixa quieto aquilo que está bom.

        E eu defendo, sim, abertamente, as regalias dos funcionários, seja de que organização for, porque as pessoas precisam ser tratadas como adultas: se o Fulano lê livros, navega na Internet, joga baralho ou tira sonecas curtas, de três em três horas, é problema dele. Se o serviço que ele tem que fazer está saindo direitinho, ninguém tem nada que se meter.

        Melhor ter um padeiro que vê TV, olha Orkut e ouve Molejo enquanto faz ótimos pãezinhos, do que um outro que fala usando expressões do tipo "pró-atividade", "qualidade total", "focado", "liderança sei-lá-o-que", "gestão voltada ao tal-e-coisa", e levanta uma enorme nuvem de farinha, mas não coloca nem uma bisnaguinha no balcão para os clientes comprarem.

        A respeito disso, inclusive, achei esse artigo ma-ra-vi-lho-so que fala sobre “autoajuda para executivos” e a geração de babacas que essa literatura está criando.

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        Quarta-feira, 31 de Março de 2010, às 14:30:20
        Fábio Alexandre F. de Campos Velho (campos_velho@hotmail.com) comentou este texto:
        Ó, mais uma do mundo corporativo (Para ´enriquecer´ o meu comentário anterior)...

        Acabo de receber mais um convite tipo aqueles que inundam o mercado de NBAs e etecéteras. O programa vem embutido no convite e de saída começa inchando meu ego (é preciso capitalizar) e diz que eu não posso ficar de fora! Pois bem, o tal programa é composto por um conjunto de atividades lúdicas que aguçam o potencial criativo das equipes e busca entender os colaboradores, além de focar a liderança inovadora para quando ´um pepino´ aparece. A coisa já começa meio atravessada. Existe ´espaço´ para pessoas criativas em empresas cada vez mais estruturadas, calcadas numa forte hierarquia e cada vez mais recheadas de rígidos controles? É mais fáci acreditar que não. Desde quando seres criativos e inovadores combinam com modelos estruturados, hierarquia e ilhas de controles interligadas? Meio difícil! Ora, aqueles realmente inovadores o são justamente por terem seus espíritos livres da camisa de força estrutural hierarquizada, pois, se ficarem presos a toda sorte de modelagens e padrões pré estabelecidos, é quase certo que terão sua criatividade indo para a cucuia e nada de novo aconteceria. A inovação chega de cima e, afinal, dando certo ou não é assim que funciona...


        Quarta-feira, 31 de Março de 2010, às 01:59:32
        Fábio A. Fraga de Campos Velho (campos_velho@ig.com.br) comentou este texto:
        Não caro tocaio, pelo menos eu não o crucificarei, garanto! Fico espantado quando alguma novidade administrativa se transforma em ´fashion administration´. Sai todo mundo correndo atrás da novidade para daí serem oferecidos incontáveis cursos de atualização e provocar uma explosão no número de especialistas palestrantes. E o mal não reside nisso e sim pelo fato de muitas ferramentas (arghhh..!) para otimizar a administração, nos chega de países centrais. São produzidos em lugares que vivem uma realidade diferente, onde a figura do empregado multi tarefário é algo raro. Sabe quando um operário alemão trocará de chave de fenda para apertar parafusos diferentes? Nunca, ou terá que receber para isso! Ou quando um empacotador norte americano, quando não está empacotando, varrerá a calçada do mercado? Jamais! A não ser que ele receba pelas duas tarefas. Já aqui isto é uma condição básica, o mesmo salário (ou outra coisa que defina o ganho) para gentes desempenharem tarefas variadas e podem ser até mesmo coisas banais que não mais que uma ou duas além da função original. Há casos que até disponibilidade de horário é requerida e o espantoso disso tudo é que até vale transporte (que é lei) é dado destaque (como se fosse um diferencial) e nesse conjunto de coisas reside algo curioso. Por que as tais ferramentas sempre passam batido por coisas assim, não mudam, não dão outro tratamento ou será porque a moderna Administração prefere não mexer no que está funcionando?


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