
Todo mundo comemorou os 70 anos de Muhammad Ali. Acho legal. Ele foi um grande pugilista. Só que teve outro, tão bom ou até melhor, que vive hoje sumariamente semi-esquecido.
No dia 17 de janeiro de 2012, o mundo comemorou o aniversário de 70 anos de Cassiu Clay, também conhecido como Muhammad Ali, um dos maiores campeões que o boxe já viu em toda a história. Ali marcou a história por ter sido sempre um inconformado, ter arrumado confusão com as autoridades por não aceitar ser discriminado por ser negro. E por ter sido um lutador com muitas vitórias, e um estilo de lutar bonito, dançante, que fascinava platéias e ainda fascina, quando vemos os vídeos deste verdadeiro artista do pugilismo.
Mas... Muhammad Ali não foi, como lutador de boxe, tão invencível e incrível quanto um sujeito hoje praticamente esquecido: Rocky Marciano.
Sim. Rocky Marciano. Se não foi ícone de luta social alguma, pelo menos uma coisa o destacava, fora do ringue, em relação a qualquer outro lutador de sua época: Ali era um cara que sabia o quão bom era, e tinha um jeito debochado. Dançava no ringue, brincava quando podia. Já Marciano era humilde, e jamais subestimava seus adversários. Por isso, os vencia.
E de fato, Rocky Marciano vencia. Aposentou-se sem nenhuma derrota, e nenhum empate em sua carreira profissional. Só vitórias. Nem Muhammad Ali, nem nenhum outro campeão dos pesos-pesados pode dizer a mesma coisa.
Está lá, para quem quiser: seu recorde como pugilista profissional é de 49 lutas, 49 vitórias, 43 delas por nocaute.
História: a vida antes do ringue
O italiano Pierino Marchegiano, combatente do exército da Itália na Primeira Guerra Mundial, não ganhou nada com a luta a não ser lesões e problemas de saúde. Em busca de uma vida melhor, imigrou para os Estados Unidos, onde, em 1923, nasceu Rocco, um de seus vários filhos. O guri gostava de esportes, e montou seus próprios aparelhos de musculação caseiros. Uma velha sacola de carteiro, pendurada em uma árvore, servia-lhe de saco de pancadas.
Em 1943, Rocco foi convocado pelo exército norte-americano para lutar na Segunda Guerra Mundial. Não chegou a combater. De fato, ficou carregando caixas e fazendo outros serviços auxiliares. A guerra acabou, e Rocco ficou no exército por mais alguns meses. Antes de ser dispensado, teve tempo de sagrar-se campeão do campeonato amador das Forças Armadas dos EUA de 1946. Depois, ficou mais um tempo lutando como amador, colecionando um histórico de 8 vitórias e 4 derrotas.
Em 1948, iniciou sua carreira como profissional.
História: lutador e campeão mundial
Rocco passou a ser conhecido, e ficou famoso, com o "nome de guerra" de Rocky Marciano.
Em 1951, uma das mais lendárias lutas de todos os tempos aconteceu: Rocky Marciano, então um lutador jovem em ascenção, contra Joe Louis, em fim de carreira aos 37 anos de idade. Louis era uma lenda: ícone dos negros norte-americanos, da luta contra o racismo durante a Segunda Guerra Mundia, ex-campeão do mundo, um imortal do boxe.
A luta contra Louis foi provavelmente a mais dramática da carreira de Marciano. Simplesmente porque o cara tinha verdadeira adoração, desde menino, por Joe Louis, um dos maiores lutadores que já existiram. Só que Louis, já desgastado, não era páreo para Marciano. Lá pelas tantas, Joe Louis, mesmo tendo levado vários socos demolidores, movimentava-se no ringue com alguma desenvoltura (coisa que Marciano nunca fez direito). O italiano então, andando sem um pingo de técnica ou elegância, deu meia dúzia de socos e mandou o ex-campeão para as cordas. De certa forma, foi um final vexatório para uma carreira brilhante como a de Louis: ele tentou levantar, mas acabou caindo para fora do ringue, totalmente atordoado. A luta acabou. Rocky ainda foi até Joe Louis e disse, emocionado, "eu sou seu fã".
A luta Marciano X Louis marcou época. Ou melhor, o fim de uma época e o início de outra. Foi a última luta do veterano, e catapultou o novato para a disputa do título mundial.
Em 1952, Marciano, teve sua chance de tornar-se campeão dos pesos-pesados, em uma luta contra Jersey Joe Walcott. Walcott, muito mais técnico e preparado, ia levando vantagem. Derrubou Marciano no primeiro round e no 13º, parecia pronto para vencer a luta. Só que Marciano, mesmo apanhando muito, não caía. Continuava avançando para cima do campeão, até que deu um único soco bem dado, na cara de Walcott, que foi para a lona, onde permaneceria deitado por muito mais de dez segundos.
Depois, defendeu seu título diversas vezes. Até que, em 1956, anunciou sua aposentadoria. Tinha 33 anos de idade, e poderia continuar no ringue por mais tempo. Mas já estava rico, e sua família (esposa e filhos) vinha pressionando para que parasse de lutar. Depois tentou uma série de negócios que não deram certo, mas que não chegaram a dilapidar seu patrimônio. Em 1969, morreu em um acidente de avião. Sua família herdou um bom dinheiro.
Rocky Marciano foi incluído no International Boxing Hall of Fame.
Rocky Balboa
O personagem principal do filme "Rocky Balboa", escrito e estrelado por Sylvester Stallone, tem uma relação muito forte com Rocky Marciano. Não na história em si (Marciano nunca foi um fracassado, e aos 30 anos, já era campeão mundial), que foi inspirada numa luta de Muhammad Ali contra um lutador desconhecido, arranjada depois que o oponente "de verdade" não pôde lutar. O tal lutador meia-boca sobreviveu até o último round contra Ali, tornando-se a maior zebra do boxe naquele ano.
Rocky Marciano serviu de inspiração para Stallone, na verdade, em outro fator importante do filme: o estilo de luta.
Estilo
Rocky Marciano não lutava bonito como Muhammad Ali ou Joe Louis. Ele se movia de forma estranha, e um especialista em boxe da época chegou a contabilizar que, de todos os socos que ele disparava em uma luta, errava de metade a dois terços deles.
Aliás, uma coisa comum de acontecer, como se pode ver nos vídeos da época, é que Marciano, em situações críticas, inclusive abandonava a posição normal das pernas no boxe e começava a caminhar no ringue de forma grosseira, dando socos sem se preocupar muito em esquivar.
Rocky Marciano, assim como seu "filhote" ficcional Balboa, era muito difícil de derrubar e às vezes optava por levar uns socos para poder desferir seus golpes. Na verdade, chegou-se a dizer que ele levava, em média, dois ou três socos para acertar um no adversário. E mesmo assim, em toda sua carreira, só caiu duas vezes. Como se sabe, levantou em ambas e virou o jogo. Era considerado indestrutível. Talvez por isso não se importasse de levar socos. E nunca provocava o clinch, aquela coisa de os dois lutadores ficarem agarrados, levando o juiz a separá-los. Ele tinha os braços curtos, por isso precisava chegar perto do adversário para bater. Simplesmente ia apanhando muito, e batendo de volta. Como também tinha uma resistência ao cansaço fora do comum, agüentava em pé enquanto seu adversário se desmontava no chão.
Os ex-campeões vencidos por ele, em entrevistas, diziam que, no caso de Rocky Marciano. até mesmo os socos bloqueados, porque eram fortes o suficiente para machucar os braços de qualquer um. Assim como o personagem de Stallone, Marciano tinha um soco absolutamente destruidor.
Fizeram uma medição da energia de um soco dele em 1963, e deu algo parecido com o impacto de uma munição de arma anti-tanque (tipo a panzerfaust alemã). Daí sua capacidade de derrubar oponentes tecnicamente (e até fisicamente) muito superiores.
Análise científica do soco de Marciano
Já se discutiu muito sobre de onde vinha a força dos socos do Rocky Marciano, um lutador relativamente baixo, não muito pesado, e que tinha musculatura normal para um atleta de seu nível.
A conclusão é a seguinte: lutadores técnicos largam seu peso sobre a ponta dos pés e batem usando a força dos braços e dos ombros. Dão socos que não comprometem a postura do corpo todo, já deixando margem para um movimento de esquiva caso venha um contragolpe.
Mas lutadores que não se importam com essas coisas batem usando o corpo todo para impulsionar o punho. Empurram a cara do adversário com tudo o que têm, braço, ombro, pernas, quadril... e com isso se expõem a cair, levar um soco de volta, essas coisas. Mas conseguem dar golpes da máxima força. Se acertarem o adversário, o derrubam.
Última informação
Em 2006, numa eleição promovida pela ESPN, o público escolheu a luta de Rocky Marciano versus Jersey Joe Walcott, pelo título mundial, como O MAIS INCRÍVEL NOCAUTE DE TODOS OS TEMPOS.
Dá uma olhada aê no video:
Ah! O aniversário do Marciano é em 1º de Setembro. Quero só ver se neste ano alguém da grande mídia vai lembrar.
Editorial, de minha autoria, da edição do dia 27 de Janeiro de 2012, publicado na página 2 do nosso polêmico semanário.
O título deste editorial é o mesmo de um livro de Oscar Wilde. Mas a obra do famoso irlandês era uma semi-comédia. Nosso assunto aqui é sério.
Uma recente pesquisa de aprovação nos dá conta de que 59% dos entrevistados consideram o governo Dilma Rousseff como "ótimo" ou "bom", ao final do primeiro ano de mandato. Trata-se de um recorde: Dilma acaba de bater todo mundo, todos os presidentes dos cento e poucos anos de história republicana do país, até mesmo seu popularíssimo "criador", Lula.
Qual o segredo da dona Dilma? Por quê ela tornou-se uma presidente tão popular? Será pelo carisma pessoal, a beleza? Certamente não. Também não é pelas grandes obras ou realizações do governo.
O quê Dilma faz, que seus antecessores não fizeram? Ora... Dilma herdou um ministério formado por Lula numa ampla aliança para garantir governabilidade. E o quê ela fez? Saiu limpando, tirando cada um dos envolvidos em maracutaias. Na era pré-Dilma, para um ministro cair, ele tinha que não apenas ser ladrão, mas ser um SENHOR ladrão. Hoje, qualquer "ladrão de galinhas" está sendo punido. Não há errinho ou errão, há o erro. E diante dele, a queda. Pá-pum!
Ela também estabeleceu um prazo de seis meses para que haja um sistema de controle dos contratos do governo. Dilma parece não querer viver no "eu não sei de nada" de seu padrinho político. É algo revolucionário: é absurdo que o governo não tenha algo que, hoje, até os botequins têm: um controle racional sobre o dinheiro que entra e sai. Dilma parece querer acabar com essa baderna. Se fizer SÓ ISSO em seu governo, já terá feito algo enorme!
Dilma é popular porque é seria. É temida e odiada por alguns por ser séria. Mas a melhor notícia é que o povo a ama por ser séria. O povo brasileiro não encaixa-se mais naquela definição macunaímica que nos é impingida pelo estereótipo da "malandragem". O brasileiro não quer mais ser terceiro-mundista. O brasileiro não quer mais ser otário.
Se continuar neste ritmo, Dilma garantirá seu lugar na História com algo tão importante quando a Independência, o Plano Real ou as Diretas Já: será lembrada como aquela que desmentiu DeGaulle ao tornar o Brasil, finalmente, um país sério. E o povo aplaude, de pé, essa idéia.
Editorial, de minha autoria, da edição do dia 20 de Janeiro de 2012, publicado na página 2 do nosso polêmico semanário.
Sabe aquela velha metáfora, que diz que boi de engenho não consegue andar em linha reta? Para quem não sabe, os bois usados para tracionar engenho só andam em círculos, até o ponto que desaprendem a andar de outra forma, e quando são soltos, ficam dando voltas no pasto.
Diz-se que os políticos da oposição viamonense são como esses bois: ficam dando voltas em torno das mesmas mancadas, eleição após eleição: apesar de até os cachorros de rua do centro saberem que, para vencer o PT, os oposicionistas deveriam se unir, eles sempre lançam suas candidaturas em separado e perdem de forma magistral, há quase duas décadas; apesar de até as pedras das calçadas já saberem que eleição não são só os três meses da campanha, a maioria dos candidatos sempre deixa para a última hora a corrida pelos votos; apesar de até as crianças pequenas entenderem que só bater no governo não dá voto, porque o povo quer saber é de obra, de "o que esse cara vai fazer", ano após ano a oposição sai sempre com aquele discurso-ladainha que não muda.
Pois bem. Neste ano de 2012, para manter a tradição, parecia que ia ser tudo igual. Falou-se muito em "frentão" das oposições, mas logo começaram as "brigas de beleza", cada um querendo ser mais candidato que o outro. E tudo indicava que teríamos mais uma volta desses bois em torno do mesmo e eterno eixo imaginário, desse círculo vicioso de vaidade, burrice e derrota.
Mas coisas aconteceram. Um assessor da Prefeitura foi preso com propina. Gente grande do governo está sob investigação. Alguns pré-candidatos da oposição enrolaram-se, já falam em abrir mão. Volta-se a falar na tal da frente ampla. Partidos da base aliada pulam fora do barco.
O sinal mais claro de que o círculo maldito parece estar se quebrando é que, pela primeira vez, no auge do verão, ninguém está "dormindo no ponto". Bonatto está na cidade. André Pacheco e Geraldinho percorrem as vilas. Romer Guex está em tudo quanto é canto ao mesmo tempo. Nenhum deles está na praia. Até devem ir lá, pegar um sol, de forma esporádica. Mas estão realmente fazendo aquilo que deveriam ter feito antes: pré-campanha.
Parece que nossos "bois de engenho" finalmente aprenderam a andar em linha reta. E andam para a frente. E o fazem, exatamente, num momento em que o boizinho do PT deu uma tropeçada feia.
Não sei não. Não sei não...
Eu recebi a notícia abaixo da assessoria de imprensa do Romer. Vou reproduzir, apenas porque concordo plenamente com a ideia central da CPI que ele quer abrir: a saúde em Viamão já deixou até de ser caso de polícia. Virou caso para um exorcista mesmo.
Falta de paracetamol para dar as crianças que chegam com febre; falta de gaze para fazer curativos; contratados para a SAMU dirigindo veículos da secretaria; três acidentes com ambulâncias, em apenas dois meses, dirigidas por funcionários da terceirizada; substituição de cadeiras que foram compradas em janeiro de 2010, por novas; estagiários atendendo na recepção principal de bermuda e chinelo de dedo. Essas foram algumas das irregularidades verificadas pelo Vereador Romer Guex em apenas dois dias em que fez entrevistas com usuários do posto da parada 44 e funcionários da Secretaria da Saúde.
Segundo o Vereador: "É uma vergonha, funcionários atravessam a rua para comprar paracetamol em gotas para dar as crianças que chegam com febre porque no Posto não tem. Pessoas voltam para casa sem curativos por que não tem gaze. Enquanto isso, compram móveis novos e mandam para o curral, cadeiras compradas em janeiro do ano passado.". Segundo informação obtida pelo vereador, em apenas dois meses de contrato, funcionários da empresa terceirizada para a SAMU já se envolveram em três acidentes, deixando os veículos fora de ação. A Prefeitura gasta cerca de R$ 4.500,00 com cada motorista contratado a terceirizada, enquanto o motorista do quadro da prefeitura ganha R$ 1.220,00.
"Tão logo reinicie as atividades da Câmara solicitarei a abertura de uma CPI ou Comissão Especial para verificar estas irregularidades e responsabilizar, se for o caso, o Município pelo descaso na Saúde. Talvez, por não ter o fim de condenar ninguém, os vereadores do governo se sensibilizem da necessidade de buscarmos uma saúde melhor em nossa cidade e aprovem a instalação.", concluiu.
Porra, Big Brother! Porra globo! Sério?
Eliminaram um dos "brothers" da "casa mais vigiada do Brasil". E por quê? Porque ele teria cometido um estupro, ao ir para a cama com uma outra participante, que estava podre de bêbada.
Agora, me ajudem aqui: o BBB é a maior putaria que tem na TV aberta hoje neste país, fora o Cine Privê, se é que ele ainda existe. Ele e ela entraram sabendo que estariam em um ambiente altamente sexualizado. À noite, o cara e a guria estavam numa festa enchendo a cara. Se expondo a perder o controle, portanto. Vão para um quarto e fazem aquilo que pessoas solteiras, excitadas e bêbadas fazem: trepam. É como dizer "se eu largar uma pedra ela cairá". É o óbvio, o esperado.
E aí o cara é eliminado.
Já vimos big-brothers se ameaçando de "quebro tua cara", já vimos brothers roubando coisas dos outros. E nem por isso eliminaram participantes.
Já tem gente dizendo que o cara foi para a rua por puro preconceito racial. Pode ser. Eu já acho que é outra coisa: a Globo não teve foi colhões para agüentar a pressão no Facebook e no Twitter. Cedeu. Arregou. Abriu as perninhas. Se o povo apertar, eliminam até o líder da semana. São uns cagados. O povo, como se sabe, nem sempre está certo: na maioria das vezes, vai como uma manada para o lado que gritar primeiro. Quer ver o circo pegando fogo. Os jogos de futebol, por exemplo, têm regras claras para evitar que o clamor popular decida um pênalti. Cabe ao juiz da partida ter colhões de ignorar a gritaria. No BBB é igual: embora não haja nada de concreto contra o cara, ele foi eliminado.
Agora cabe a ele fazer aquilo que qualquer pessoa sensata faria, nesse nosso país das eternas distorções: jogar sujo também, dizer "fizeram só porque eu sou negro", e arrancar até as calças da produção do programa.
É o que eu faria. Quem mandou a Globo bancar a besta numa hora dessas?
Um post sobre um conceito engraçado e que me parece sintoma de pura tacanheza.
Eu já tinha lido mas hoje acabei relendo (em parte) a coluna do Mário Dutra no Jornal de Viamão, com o título de "O Diário de Gotham City". Ela fala de um episódio que envolveu alguns veículos de imprensa de Viamão, e que foi citado em uma edição do jornal que recebeu o apelido que dá titulo à coluna. Já dá para imaginar de quem o cara ta falando, mas vamos deixar no mistério mesmo assim.
O que me chamou a atenção foi o conceito de "caridade comercial". Lá pelas tantas, o colunista (Mário) diz que, ao perguntar ao jornalista do tal jornal o porquê de não citar o nome da rádio na qual o fato teria ocorrido, o cara saiu dizendo que "jornal sério não faz caridade comercial".
Eu achei engraçado porque é isso o que as pessoas sempre pensam: quando um jornalista cita o nome de outro, de outro veículo, ou o nome do tal veículo, logo só podem ser duas coisas: ou é ATAQUE, ou é PROMOÇÃO do outro. E promoção gratuita. Caridade comercial.
Engraçado é que esse pensamento só existe em cidadezinha. Os caras da RedeTV! fazem piada e contam fofoca dos artistas da Globo sem a menor cerimônia. Afinal, isso dá audiência.
É justamente o tipo de pensamento que deveria sumir das redações deste Brasil: essa coisa de colocar regras, do tipo "tal coisa não citarei", ou "tal assunto não abordarei", ou "não vou dizer tal coisa". Porque hoje em dia, o que não é dito, vaza via Facebook. E o jornalista que não disse perde credibilidade. As pessoas acreditam mais nas redes sociais do que nos jornais. Justamente porque o jornalismo ainda é uma profissão de pessoas que, na sua maioria, não aprendeu que a linguagem de hoje é a linguagem da não-fronteira, da não-barreira. É a linguagem do leve, do tudo vale, do "sem máscaras".
Deu barraco entre um secretário municipal e um jornalista numa rádio? Isso vai dar ibope ao jornal se for comentado? Conta a história, pô! E cita em que rádio foi, a que horas... outros veículos de comunicação, hoje, são lugares normais. Os caras brigaram no boteco? Não foi no boteco, foi no estúdio da rádio tal? Tanto faz! Conta a história com a mesma naturalidade!
Jornalismo cheio de dedos, regras e códigos implícitos já era. Citar nomes de outros veículos não é "caridade comercial", é simplesmente contar como a coisa aconteceu, se aconteceu em outro veículo.
É como naqueles casos em que o Diário de Gotham City cita matérias (especialmente do JORNAL SEXTA),e diz "saiu na imprensa local". Por quê não dizer logo que saiu na PORRA DO CORREIO RURAL, ou do Opinião, ou do Sexta? É ridículo! E dizer o nome do jornal não é caridade: é contar os fatos como eles são. Estamos em um tempo no qual jornalismo é entretenimento, e o povo tem sede. A imprensa é, ela também, notícia. Se William Bonner desmaiar durante o JN, a notícia bomba nos tele-fofocas dos outros canais. Não para ferrar com a Globo (ninguém é mau profissional por ficar doente), mas porque isso dá audiência. É um fato, aconteceu, se for contado de forma imprecisa, o povo até se revolta com aquilo. E o tele-fofoca dá audiência, e todos ficam gratos para com o senhor Bonner por desmaiar.
Então, não existe caridade comercial em citar o nome de outro veículo de comunicação. O que existe, talvez, é a "caridade" informacional que alguns veículos têm para com a coletividade, ao produzir fatos que possam virar notícia em todo canto. Porque às vezes, o duro de fechar uma edição de jornal de interior é justamente quando nada de importante aconteceu!
Agora, voltando a falar de ética...
Dizer "deu na imprensa", ou "aconteceu em uma rádio local", sem citar onde, não é ser "ético". É omitir informação! Inclusive porque há o contraponto, às vezes há um contraponto ao que o outro veículo disse, e o público tem o direito de saber de onde saiu a informação contrária para buscar ela e comparar.
É anti-ético citar colegas e concorrentes? Não sei. Nunca me preocupei com esse tipo de ética furada, de gente engomadinha. Coisa de fresco! Minha ética é outra: não citar o nome da bagaça é esconder do público parte da notícia.
Correndo o risco de parecer repetitivo, vou mandar um recado para o jornalista Cristiano Abreu.
Eu às vezes converso via Facebook com o Cristiano, editor do Diário de Viamão. E entre nós sempre fica uma diferença de opinião relativa a atitudes radicais. Cristiano é um legalista, um "bom moço". Ele achou absurda a ideia de os vereadores apontarem as obras que queriam que fossem feitas com a grana que sobrou da Câmara este ano. Ele não vê com bons olhos a quebra da institucionalidade.
Eu também sou um legalista. Acredito nas leis, na democracia. Amo muito tudo isso. Mas tudo tem um limite. Até aceito alguns absurdos, porque são legais e estão corretos, do ponto de vista formal. Mas eu acredito que leis são como os pinos de um jogo de pinball: a bolinha vai passando por entre eles (sem quebrar nenhum deles) para chegar onde se quer.
Também acredito que algumas coisas só se resolvem com o radicalismo. O pedágio, por exemplo: hoje, na coluna do Cristiano (aliás, ótima), ficamos sabendo que os pedágios aumentaram em 11,5%. As concessionárias pediram o aumento ao governo do Estado, e ele negou, claro, porque o pedágio já é absurdo. Então elas foram à Justiça. E os juízes, esses funcionários públicos mega-bem-pagos que decidem a vida do povão sem conhecê-la (a maioria estudou em boas escolas, boas faculdades de Direto, e nunca sujou os pés de lama), garantiram, o aumento. Claro. Mais uma boa decisão judicial para as milionárias concessionárias. Por quê não estou surpreso?
Qual a solução final? Ação judicial? Pressão da opinião pública? Já tentaram tudo isso. Não deu nada. Sabem qual a solução? Infelizmente para o Cristiano e para todos os demais pacifistas, só tem uma:
EXPLODIR A BOSTA DO PEDÁGIO
Dizer para os empregados (que não têm culpa de nada) saíram das dependências dele, e mandá-lo pelos ares.
E A CONCESSIONÁRIA QUE VÁ RECONSTRUÍ-LO NA CASA DO CARAYO!
PS - Tem gente que acha que, se o povo pensasse como eu, voltaríamos à barbárie. Mas eu percebo que, por exemplo, os europeus pensam parecido comigo: na França, se o governo ferra o povo, sai tumulto na rua, tacam fogo em ônibus, invadem prédio público. conclusão: se o povo pensasse como eu não seria a barbárie, seríamos primeiro mundo.
É preciso ser legalista, acreditar nas leis, na Justiça, nas instituições. Mas só se elas existirem para cumprir seu papel: defender o povo. E o que se vê é a Justiça, o Legislativo e até a polícia sempre defendendo quem? o capital. Os poderosos. Aí é preciso saber a hora de chutar o balde.
É óbvio que o certo é sermos bons cidadãos. Mas não ao ponto de bancarmos os trouxas. Tudo tem um limite.
Vamos falar sobre algumas coisas, umas chatas outras na boa, dar uma resposta à turma do DV...
Agora parem as máquinas: vi o boneco do livro da ALVI! E tá ficando legal! Também aproveito o post para comentar outras coisinhas.
Ontem eu ia atravessando a Marcos de Andrade, correndo como sempre (eu simplesmente não atravesso ruas caminhando), quando vi lá adiante a Leonise Nichele, ex-presidente da Associação Literária de Viamão. Ex, há uns dias, porque faz pouco que passou a bola para o Baltasar Molina.
Vi ela e atravessei na diagonal (claro). Batemos um papo-relâmpago. Mas ela teve tempo de me mostrar o "boneco" (tipo um protótipo) do livro Viamão 270 Anos, aquele que a ALVi está organizando (e que eu APOSTAVA que não ficaria pronto até o final do ano, porque livros são complicados de montar). Bom. Ele sai, este ano, claro.
Eu passei mais um "atestado de egocentrismo", mas tanto faz: a primeira coisa que notei foi meu nome no meio dos autores. Um texto meu passou! Se nada der errado, vai acabar imortalizado num livro! E num livro sobre Viamão! Claro, na hora, resolvi dar uma debochada: "pô, acho que agora vão publicar meu primeiro texto que não é dando pau em alguma coisa ou explicando alguma coisa". Eu só escrevo jornalismo-pauleira e livro técnico. A Leonise riu. Mas concordou. É triste, mas ela sabe que é verdade. Até eu sei.
Tá. Mas deixando a parte do EU de lado, tem vários e vários outros autores (muito mais prolíficos e talentosos do que eu), e promete ser um baita de um livro. Supremo pecado: no "boneco", esqueceram o nome do imortal Dirk Hesseling na capa! Espero que na versão final alguém corrija semelhante heresia.
Só fico indignado com essa gente da ALVI porque eles escrevem umas coisas bonitas, umas coisas meio abstratas, umas coisas obviamente desprovidas de raiva e de espírito destrutivo. E que não são friamente descritivas também. E não me contam como é que se faz isso. Um dia aprendo o que é que eles andam tomando junto com o café.
NOTINHAS AVULSAS
JORNAL SEXTA NÃO SAIRÁ NESTA SEXTA
Nós íamos dar um intervalo na véspera da virada do ano, mas daí estourou aquele escândalo da propina na Prefeitura e saímos com uma edição especial de 15 mil exemplares, escancarando a novidade bombástica. Adiamos nosso intervalo para o dia 6. O jornal ia voltar amanhã, dia 13 de janeiro. Mas aí o Daniel se acidentou de carro e vamos dar mais uma semana.
C# (SE DIZ "CÊ SHARPE", CACETA!)
Essa é uma dica para a turma da informática: se vocês não sabem programar C Sharp (C#), ta na hora de aprender. Há pouco tempo me apaixonei pela linguagem, à primeira vista. Para quem sabe Java e Delphi ou Visual Basic, nem precisa de curso pra aprender. É lindo, fácil, rápido e maravilhoso desenvolver nessa plataforma. Parece um sonho de verão, numa praia, quatro semanas de amor... enfim... Tá dada a dica.
GENTE ESTRANHA NUMA CIDADE ESQUISITA
O programa "Alegria Alegria", do apresentador Daltro Cavalheiro, está passando na TV Urbana. Qual a novidade? Ele já entrou e saiu do ar várias vezes e mudou de emissora algumas. Só que agora ele é gravado no Strike 040, em Viamão. E como a produção tem alguma parceria com a Rádio Velha Capital, o Enísio Matte virou jurado. Sabe, tipo aqueles jurados do Sílvio Santos, que são umas figuras pitorescas? Tipo Sérgio Mallandro, Pedro de Lara e Elke Maravilha?
O Enísio não destoa dessa imagem, do jurado pitoresco. E pensando bem, com exceção do Eduardo Escobar, do Hélio Piteco, do Milton Zani e do Paulo Lilja, todas as outras sub-celebridades de Viamão são gente estranha: Daniel cabeção, Enéas, Pedrão, Virgínia, Demétrius, Zé Paulo, eu, e mais o resto todo. Somos uma cidade de pseudo-semi-famosos esquisitos. Viva!
FREUD EXPLICA
Hoje ouvi uma frase sobre as prioridades de investimento do nosso governo municipal: "Só Freud explica". Mentira: Freud era um velho tarado e cheirador. Ninguém explica nada. Menos ainda os políticos de Viamão.
VIRGÍNIA DE AZEVEDO
Respondendo à coluna da Virgínia, na qual ela diz que seu "estilo não tem clone": não tentei mesmo fabricar um clone. Digamos que fiz uma versão cover. Uma homenagem até. Um cover punk... e hippie, e rajneesh.
Essa mulher é muito louca, mas nunca cega e nem surda, porque pega tudo o que se passa na vila. Abração Virgínia!
ESCREVENDO UMA PORCARIA, DESCOBRINDO A VERDADE
Vou ser sincero com vocês: eu gostei de ler a última página minha publicada no último Jornal Sexta que saiu (aquele do Natal). Tem aquela charge do Robinson, umas coisas legais... mas olhando em retrospecto, estou achando meu próprio trabalho uma merda sem tamanho.
Sabem como é que eu perco o respeito pelos políticos e líderes comunitários? É quando eles vêm me dizer "admiro o teu trabalho", e "estão muito bons teus textos". É hipocrisia pura. Quando eu estou escrevendo bem, não consigo saber quem é quem. Quando estou numa semana daquelas, em que tudo sai uma bosta, descubro quem me diz a verdade olhando nos olhos e quem está só me "vaselinando".
Escrever mal é algo que atua como uma peneira da sinceridade das pessoas. Para vocês verem, que até a mediocridade tem seu aspecto compensador.
DEPOIS ME PERGUNTAM PELO ROMER E PELO GATTINO
Eu só dou ouvidos a dois políticos em Viamão: Artur Gattino (sempre) e Romer Guex (às vezes). E aí me perguntam por quê.
Simples: eu passei quase dois anos sem escrever quase nada na imprensa viamonense, sumido, publicamente morto. Adivinhem, da política, quem foram as únicas duas pessoas que lembraram de me telefonar?
Agora, o Sexta não sai há duas semanas. Quando sai, eu sou provavelmente o colunista menos lembrado do jornal, e também não tenho escrito nada que preste nesse blog. Ou seja, não ando fazendo muita diferença no cenário local.
Adivinhem quem continua mantendo contato?
O MUNDO É UM PALCO, MEU AMIGO CRISTIANO
O colega Cristiano Abreu, editor do Diário de Viamão, deu hoje uma alfinetada nos jornais que bisbilhotam a vida sexual dos políticos. Deu um tapinha claro na linha do Sexta, que tira o maior sarro das estripulias dos nossos mandatários.
Esqueçamos o Sexta e a linha dele por um momento. Tem gente que acha que eu tenho raiva dos políticos. Não tenho.
Eu não tenho preocupação com a vida dos outros. Só tiro sarro dela. Eu não avacalho o PT por ser anti-PT, porque avacalho o anti-petismo junto. Não quero botar ninguém no poder. Também não faço cara de bundão pregando a moralidade e os bons costumes. Não é meu papel. Ser bonzinho não é um papel que eu goste, e se não estou ganhando bem para fazê-lo, não faço. Simples.
Não tenho obrigação alguma de ser um jornalista sério (como o Cristiano), basicamente porque ninguém está me pagando para isso. Ele interpreta esse papel, é o trabalho dele. Assim como o cara do Balanço Geral interpreta aquela coisa indignada e policialesca. Quando falo em "interpretar", não estou querendo ofender o profissional que ele é. Só acredito no que dizia William Shakespare, (aqui citado na minha tradução meia-boca):
"O mundo é um palco,
E todos os homens e mulheres, meros atores:
Eles têm suas saídas e entradas de cena;
E um homem, durante sua vida, interpreta vários papéis".
Meu papel hoje é polemizar. Avacalhar. Eu teria espaço na mídia se interpretasse alguma coisa diferente? Duvido muito! Ninguém ia me dar uma coluna num jornal para falar sobre a beleza das flores na primavera. É como perguntar por quê o Bela Lugosi sempre fazia papel de vampiro ou de monstro: porque nenhum diretor ia contratar ele para fazer o papel de galã com aquela cara feia de psicopata dele!
Na vida real eu sou um nerd e até um cara legal, mas na política, sou um PUNK: sigo aquela máxima da música dos Sex Pistols: "I wanna be an anarchist, get pissed, and destroy".
(Tradução porca: "quero ser um anarquista, ficar P da vida, e destruir")
Claro, como eu sou meio ciclotimico, pode ser só uma fase. Mas ela é divertida!
DERCY GONÇALVES
Que seriado incrível, esse sobre a Dercy Gonçalves. Vocês precisam assisti-lo! Passa tarde da noite, na Globo.
TRABALHO DIFERENTE
Essa é só para as poucas pessoas que se importam com a minha vida (minha mãe e minha mulher, acho que só): com colegas em férias, a gente vai cobrindo as funções uns dos outros. Mudei para o cadastro, um setor onde o sujeito controla as ordens de serviço que a companhia tem na rua, o que volta, e encaminha soluções para os casos cabeludos. Um trabalho que não tem público, não tem conflito, e a gente lida basicamente com dados. Coisa de gente maluca com mania de sistematização. Estou me sentindo como um peixe dentro da água. Descobri um troço que gosto de fazer, e faço direito, vejam vocês, a essa altura do campeonato, depois de três anos e meio nessa minha vida estatal.
ESCREVENDO BEACH BOYS STYLE
Se o Sexta sair semana que vem (o Daniel garante que sai, e que vai ser porrada, para compensar as férias prolongadas), esperem de mim uma coluna mais bem-humorada que o normal. Vou estar na praia. Praia é aquela coisa: vocês já ouviram uma balada triste tocada pelos Beach Boys?
Aliás... percebe-se que alguém está de espírito leve quando o cara anda escutando Beach Boys...
Hoje fui dar minha lida habitual na coluna do Arruda, no jornal Opinião, e descobri que fui sumariamente esquecido.
Na coluna "Curtas e Finas", do Vilson Arruda, tem uma nota falando da oposição política ao governo petista de Viamão, que diz uma grandessíssima verdade: o Jornal Sexta fez muito mais oposição em um ano do que todos os políticos oposicionistas nos últimos três.
Só tem uma coisa que me deixou intrigado: o Hélio, o Daniel, o Arruda Filho e o Otacílio são citados. Eu, não.
Aliás, isso é uma coisa que eu venho notando há algum tempo: tem muita gente que me comenta, na rua, ter lido minha coluna (sem lembrar em qual jornal), e comenta inclusive o assunto que foi tratado. Mas nem todo mundo lembra que é no jornal Sexta. Eu devo destoar dos demais colunistas, ou da linha do jornal. Porque eu raramente sou lembrado quando se fala no Sexta. E o Sexta raramente é lembrado quando falam de mim. E no entanto, esse é o único jornal em Viamão no qual eu escrevo.
A nota...

Teve um tempo, no qual esse tipo de coisa me deixava preocupado... hoje não. Eu ando não ligando muito.
Sério. Momento depressivo da minha vida...
Outro dia, minha cunhada (na verdade, a esposa do meu cunhado) me perguntou sobre essa coisa de maluco, de trabalhar com programação. Eu resolvi fazer um exemplinho bem básico na linguagem mais simples que eu conheço: Basic. Baixei, cheio de saudade, o interpretador do QBasic e...
... descobri que não domino mais a minha primeira linguagem, da minha pré-adolescência querida, da aurora de minha vida, que os anos não trazem mais...
Já era, linguagem linda na qual a gente brincava de fazer joguinho naqueles anos de inocência e MS-DOS.
Adeus QBasic. Entrarás para a minha história de vida como uma lembrança feliz, encerrada por uma nota triste: é a primeira linguagem que eu esqueço quase completamente na minha vida.
Já que essa merda vai começar amanhã mesmo, e não há nada que eu possa fazer para impedir... vamos nessa!
Simplesmente o melhor vídeo do ano... do passado, e do novo. O melhor video do milênio.
Melhores falas:
"Tô cagado e só tem mosca ao meu redor!"
"O Serginho e o Dédo querendo meu cú no partido... vão fazer minha caveira na Estadual."
"Não adianta, não dá para confiar no Atidor..."
"O quê que eu vou fazer com o Robinson agora? Não serve nem para lamber as minhas bolas! É quenem o Zilmar, que eu tive que botar debaixo do braço para o Dédo não virar deputado!"
"Só falta agora eu ter que ir pessoalmente buscar a propina!"
"Manda fazer uma praça na São Tomé e chama o Matizes para inaugurar..."
"Ricardo, tu vai te afastar. Te entrego pro MP e vou salvar o resto do esquema."
Um filme novinho em folha, obra autoral de Pedro Almodovar. Baita filme, mas não é para o gosto do povão do cinema-pipoca.
Hoje vamos falar de um filme mais novo do que a média de idade das coisas que eu comento por aqui. "A pele que habito" é um filme denso, forte, feito pelo sempre esquisitão Pedro Almodovar. E foi lançado em 2011. Tem como astro principal (adivinhem) Antonio Banderas.
AVISO
Antes de ler a crítica abaixo, lembre-se que eu faço SIM, SPOLIERS, e que, se você não assistiu ao filme ainda, é melhor pular a parte da "sinopse".
SINOPSE
O filme inteiro gira em torno de uma linha só: temos um cirurgião conceituado (Antônio Banderas), cuja filha ficou louca e morreu por causa de uma violência sexual. E temos Vera, uma mulher que permanece presa em um quarto, sob constante vigilância do médico, no casarão onde ele vive recluso, saindo apenas a trabalho. A casa tem uma governanta que ajuda o médico a vigiá-la.
É um típico filme do Almodovar: a situação inicialmente parece simples de entender, mas impossível de compreender (como aquela mulher foi parar ali, e por quê?). E vai ficando cada vez mais complicada à medida que vai sendo explicada.
Descobrimos que o médico é viúvo e que o agressor da filha dele era um cara chamado Vicente. Adiante, descobrimos que o médico na verdade capturou vicente, fez-lhe uma mudança de sexo e reconstruiu toda sua aparência (cabelo, corpo, voz, tudo), para ficar igual à sua falecida esposa.
A governanta é, secretamente, a verdadeira mãe do médico. Ela deu a ele, também, um meio-irmão bandido, que o médico acabará matando na inevitável cena do estupro (todo filme do Almodovar tem um estupro). Esse meio-irmão foi, no passado, o responsável pela morte da esposa do médico também. E por aí vai.

COMENTÁRIO SOBRE O ELENCO
Antonio Banderas é, de longe, o nome mais famoso em todo o elenco, e isso já era de se esperar. Só que... não sei. A atuação dele me pareceu um pouquinho canastrona no início do filme. As falas me pareceram meio mal boladas, e ele não convence como um médico cirurgião renomado, que acaba de inventar uma pele artificial transgênica. Parece mais um charlatão vendendo tônico numa cidadezinha do faroeste.
Também me deu a impressão de que Banderas estava passando por uma "síndrome de Steven Seagal", ficando com a mesma expressão no rosto do primeiro ao último minuto do filme. A "bruxa do 71" que cuida da casa também tem o mesmo problema.
A atriz que faz o personagem principal, Vera, me pareceu bem mais expressiva e convincente. E o cara que faz o "tigre", o bandido fugitivo, dá a impressão de que só fez filme de bangue-bangue até ser chamado por Almodovar. Ele é exgerado, artificial. Sei lá.
Mas a personagem que mais importa nisso tudo é convincente. Então... tá bom.
O FILME
Este não é um filme de ação, e também não tem efeitos especiais computadorizados. Não vemos explosões, espadas de luz, nem nada do tipo. É um filme gostoso de assistir, hoje em dia, porque é uma das raras oportunidades que temos, de ver algum cinema feito com gente, cenários, e câmeras. E não muito mais que isso.
Não há momentos de ação explosiva na tela. O que vemos é um filme que tem um ritmo, um impacto. É um filme que queima, não por ser quente, mas por ser ácido. Não tem momentos entediantes, nem enrolação desnecessária. É um filme feito daquilo que é essencial: uma boa trama, uma narrativa bem construída, os personagens estritamente necessários para contar a história, e as doses de violência, sexo, emoção e horror necessárias para que seja um bom filme.
É um filme no qual nada falta, e nada sobra. Algo precioso, numa época em que filmes pecam, na maioria das vezes, pelo excesso. Hoje, raramente peca-se pelo minimalismo. Parem e observem.

UM POUCO DE AUTO-PLÁGIO
Para quem é "nego velho" em Almodóvar, este filme tem um certo gosto de repeteco. Embora pareça 100% original (e a história em si é), os elementos que compõem a ação na tela pega MUITA coisa emprestada de outros filmes anteriores do mesmo diretor. Especialmente do semi-clássico "Kika".
Não entenderam o que quero dizer? Querem ver?
Em "A pele..", há um casarão com nome próprio, El Cigarral, no qual se passa boa parte da trama. Este casarão é alvo de uma certa cobiça. Igualzinho à velha Casa Youkali, de "Kika".
O antagonista é, mais uma vez, um homem rico, de meia-idade, mentalmente perturbado, cuja esposa se suicidou (embora em "Kika", no final, descubra-se que não foi suicídio). Temos como personagem principal uma mulher, com uma alta carga de apelo sexual, percebido tanto pelo público como pelo antagonista.
Em ambos os filmes temos um bandido que usa uma festa popular para se disfarçar e fugir da polícia (o "tigre" de "A pele que Habito" e o ator pornô de "Kika"), que depois procura abrigo junto a uma parente (mãe num filme, irmã no outro), e esta parente é serviçal na casa onde vive a personagem principal. Em ambos os filmes, essa serviçal é quem abre a porta da casa de seus patrões ao bandido. Em seguida, por razões diferentes, este bandido amarra sua parente, e estupra a indefesa "heroína" do filme. Em ambos os filmes, o estupro termina incompleto, com o estuprador se dando mal: num filme, o cara morre, e no outro, é preso. Em ambos os casos, é pego ainda em cima da mulher. Sério. Aqui temos praticamente uma reutilização de personagem. Paul Bazzo, de "Kika", é simplesmente o mesmo personagem do "Tigre" de "A pele...". Ambos têm a mesma função nas duas tramas, e comportam-se de forma semelhante. Ambos são fortes, burros e ninfomaníacos. E ambos são alvo de uma afeição incondicional da mãe/irmã, que não avalia a enorme gravidade dos seus crimes.
Tem também aquela cena na qual o Banderas praticamente "come" a menina observando ela pela tela do monitor, e que se parece muito com a cena do diretor, se deliciando com a imagem de sua atriz/musa, em "Atame!", um clássico de 1990 do mesmo diretor.
EVOLUÇÃO
Falando na obra de Almodovar, e já que mencionamos aqui seu inesquecível (embora um pouco manjadinho) "Kika", vale a pena falar sobre a evolução clara e visível do diretor: "A pele que habito" é um filme bem mais curto que alguns títulos anteriores do mesmo autor, mas é bem mais completo. Tem maior capacidade de prender a atenção do espectador. As situações, embora tudo aqui seja muito mais "ficção científica" do que habitual, são bem mais verossímeis. E os personagens são mais aprofundados.
Almodovar é um cara que realmente evoluiu muito dos primeiros filmes para cá. O final deste filme é incrível, porque não é um final: quando Vera entra no brechó da mãe, reencontra a irmã, e diz a última frase do filme, "eu sou o Vicente...", a gente sente um grande alívio: até o último segundo, fica-se pensando que ela/ele desistirá de contar à mãe, e cairá fora da loja correndo.
Mas tem mais: depois que vem o alívio no final, e sobem os créditos, a gente respira uns segundos e vêm as questões que fazem deste um "final que não é final": o que acontecerá agora? Vicente viverá como Vera para sempre? Vai virar mulher de vez e viver como uma, ou vai viver como uma lésbica? Sim, porque... será que, a despeito de seu corpo, sua mente ainda é masculina? Ou ele vai aceitar de vez sua nova forma? Como vai ser essa relação com a mãe e a irmã de agora em diante? É um final aberto, mas é um grande final. Perfeito para o clima deste filme.
AVALIAÇÃO FINAL
Minha avaliação final é um RECOMENDO bem convicto. Este filme não é cansativo, é interessante e é bem feito. Do tipo que o sujeito, mesmo que esteja com sono, esquece de adormecer ou de se distrair (até de ir ao banheiro), porque prende os olhos na tela. Não é um filme espetacular, mas é um grande filme.
O grande caso é que este filme é um BAITA filme, mas não o será para todo mundo. A multidão que chora vendo "Titanic" e dá gargalhadas vendo "Deu a louca em Hollywood" não vai, talvez, nem entender. Mas para quem tiver dois ou três neurônios, já passa a ser um filme recomendável.
Adeus, 2011 amigo.
O último post do ano não poderia deixar de ser a menagem de ano novo, então...
Este foi um ano bom. Sem dúvida um ano muito bom. Eu consegui algumas coisas importantes no trabalho, voltei ao ar na imprensa da minha própria cidade, enfim. Foi um ano no qual posso dizer que me dei bem. Teve gente que não teve um ano tão bom. Mas para mim, foi. Eu, como conheço o azar muito mais do que a sorte, fico feliz quando a vejo.
Na minha própria vida política, a novidade mais promissora de todas: este ano, consegui NÃO me filiar e NÃO me envolver em partido algum. Que seja o primeiro ano de muitos assim! Mas paro agora de falar de mim mesmo.
No Brasil, o de sempre: caíram um monte de ministros, e no apagar das luzes, caiu um secretário municipal aqui em Viamão. Mas teve coisa nova nessa mesmice! Nossa cidade subiu para os "20 mais" no ranking do PIB das cidades do RS. O povo brasileiro foi às ruas protestar contra a corrupção. Foi um ano realmente de mudanças. Não só aqui. Teve a "privavera árabe", teve a morte do Kim-John-Il-Maluquete...
Os EUA finalmente faliram, a Europa idem. O terceiro mundo emergiu impávido colosso na turbulência. Só o que não muda, e ninguém comenta, é a semi-ditadura no Belarus e na Moldávia. Mas e daí? Lá não tem petróleo!
Este ano, morreu a Amy Winehouse. Não é algo tão ruim quanto, por exemplo, perder a Avril Lavigne. Mas sem dúvida é ruim, pensando que ao invés da Amy, poderia ter ido... o Justin Bieber! Eu, se fosse negociar com o cosmos, mandaria o Justin para manter a Winehouse.
No mundo do automóvel, nenhuma novidade: os carros continuaram saindo parecidos uns com os outros, em mais um ano de originalidade zero das montadoras. Só uma notícia me deu alento: mandamos para a Fiat a sugestão de aproveitar o Novo Uno e lançar uma nova versão do Prêmio, e recebemos como resposta, que a ideia já havia surgido na empresa, mas nada muito certo... de qualquer forma, é bom saber que eles estão pelo menos pensando em ressuscitar o melhor carro que eles já fizeram na história.
No mundo do videogame, não sei o que aconteceu. Não acompanho mais o noticiário dessa área, mesmo porque tudo me parece meio repeteco (com visual e som novos) de conceitos que já vimos mil vezes, desde a era Super NES.
O blog, claro, teve "trocentos" posts, muitas polêmicas, ganhou um emulador de Atari, umas enquetes, e mais alguns detratores irritados com o que sai aqui. Não dá nada. Em 2012 será ainda pior.
Então...
Tá. É isso. Feliz 2012 para todo mundo! Façam seus planos, façamos todos nossas festas de final de ano, e em 2012 nos encontramos. Será um ano e tanto. Eu terei mais um filho, nossas cidades elegerão novos prefeitos e vereadores, e, se os maias estiverem certos, a Terra vai explodir. Mas isso é detalhe. O importante é que aproveitemos o ano para fazer as coisas que cada um de nós acha importantes. Um abraço a todos e feliz ano novo!
Hoje deu na imprensa local: o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Ricardo Gross, caiu. Claro, ele anunciou a saída como um "afastamento temporário", dizendo que "tem o apoio do prefeito", e todo aquele 171 de político. Mas na prática, é isso: caiu.
O ex-secretário Gross e o vice-prefeito (só não é "ex" porque não se pode exonerar vice-prefeito) Atidor estão em apuros. Mas não estão sozinhos. Apenas foram os primeiros a terem seus nomes estourados na nova temporada de escândalos da Prefeitura.
Entendendo o rolo
Mas não foi só Gross que caiu. Nem é este caso, um fato isolado. O furdunço começou há alguns dias, quando a polícia prendeu Jorge Azevedo, ex-chefe de gabinete do vice-prefeito Atidor da Cruz, que estaria negociando por baixo dos panos a licença de uma mineradora.
As "mineradoras", mais conhecidas pelo povão como "empresas da areia", são essas que todo mundo detesta, fazem buracos pela zona rural e entopem a RS040 com seus caminhões abarrotados e, muitas vezes, caquéticos. Elas apareceram sob os holofotes da imprensa local há algumas semanas, depois que o vereador Joãozinho da Saúde acusou que vereadores estariam recebendo propina delas. Joãozinho é um impulsivo, e algo fanfarrão, não levou o assunto muito adiante. Mas a questão, pelo que parece, já estava sob o olhar do Ministério Público há mais tempo, e este vinha colhendo dados aos poucos, fazendo um trabalho bem mais consistente do que o do explosivo e folclórico vereador. A prisão foi apenas o ponto culminante. Ou melhor, foi o começo da ação prática em cima daquela investigação.
Resumindo: soltaram um foguete de São João na Câmara, mas o MP vinha preparando uma bomba de verdade. Ela estourou. A casa começou a cair. Ponto.
Tá. Mas quem são os "figurões" afetados? São dois, basicamente: Ricardo Gross, por ocupar a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, que é quem libera essas licenças e faz a ponte entre Prefeitura e empreendedores; e o vice-prefeito, Atidor da Cruz, do PTB, "empregador" do assessor preso com a boca na botija.
Gross caiu. Atidor foi eleito, portanto não pode ser derrubado. Mas na prática, já não participa de decisão alguma. Repicando as palavras do colega Cristiano Abreu, montaram um "cordão de isolamento" em torno do vice-prefeito. Ele periga nem assumir mais a prefeitura em momento algum. Sinal de que a coisa ficou feia de verdade.
Implicações políticas
Gross acredita que o prefeito Alex ainda poderá resgatá-lo. Eu duvido. O Gross tentou se adiantar, lançando-se como pré-candidato a prefeito para 2012, mas Alex desde o começo deu sinais de que preferia Robinson Duarte. Naquele episódio, eu percebi que o Ricardo Gross superestima o grau da relação entre ele e o prefeito. Acabou de pincel na mão, sozinho na caminhada, e teve que aceitar o inevitável. Então eu não tenho muita certeza se o Ricardo Gross vai receber uma bóia de salvação ou não. Tenho a impressão de que, se Alex sentir a possibilidade de se afogar junto, simplesmente não vai pular no mar para salvar seu ex-secretário.
Ironicamente, talvez o episódio seja a deixa perfeita para o PT conseguir seu quinto mandato na Prefeitura. Tudo porque a oposição, que antes via o PT como um inimigo quase invencível, e planejava montar uma frente ampla para combatê-lo, esquecendo diferenças e rixas do passado, agora já não sente tanto a necessidade de fazer toda essa força. Calculando que o povo vá virar as costas ao PT depois do escândalo (e até eu que não sou político sei que o grosso do povão não liga para honestidade/desonestidade, e sim para obras), já tem gente na oposição relaxando, achando que não é preciso montar frente alguma, que a partida ficou fácil de ganhar. Como na fábula da lebre e da tartaruga, descansam à beira da pista de corrida.
Quem vai, na certa, lucrar com isso individualmente é o vereador Joãozinho da Saúde, do PMDB. Ele arrumou uma baita confusão e muita atenção do público com aquela história da propina das saibreiras, que no fim vai render-lhe uma carona na onda desse escândalo todo. O timing das coisas foi perfeito. Tenho certeza que foi sorte, mas pareceu até jogada ensaiada.
O PTB sai dessa abalado, e eu concordo mais uma vez com o Cristiano: o PDT é a próxima "bola da vez" para pegar uma vice-prefeitura se o PTB for sair na curva e for parar no meio do mato. A posição era, por natureza, do PSB, mas este lançou-se em aventura solo com Geraldinho. Só que ainda tem algumas outras coisas implicadas aí. O PTB tem uma baita força eleitoral, e o PDT não. Simples assim. Eu acho que vão é acabar isolando o Atidor, para que a mancha em cima dele não infeccione o resto do partido. Pode ainda rolar uma vice-prefeitura petebista com outro nome. Nada me surpreende.
Se bem que o PDT andou ganhando uns filiados de peso... então... vai saber?
Apenas o início?
As palavras da turma do MP dão a entender que essa prisão e esse escândalo todo são apenas o "pé na porta" da entrada deles na briga. Ainda tem gravações, documentos e mais um monte de coisas a serem investigadas. Pode ser que mais gente caia, e o governo pode não ter condições de permanecer na atual forma de agir, que eu chamo de "estratégia da lagartixa", pois é tipo lagartixa, que quando a gente pega ela pelo rabo, ela solta aquele pedaço do rabo e sai correndo. O MP pegou o governo através do Atidor e do Gross, o governo simplesmente largou eles de mão para escapar ileso. Mas e se a "pegada" chegar até a cabeça?

Aí eu já vou profetizar o que acontece: a oposição se larga nas cordas, achando estar com a briga ganha, e o governo aperta o botão ejetor para salvar Robinson da implosão. E mesmo assim, pode dar certo para o PT. Para aproveitar essa onda, esse verdadeiro tsunami, a oposição não pode dormir no ponto. Tem que pegar ela e se equilibrar em cima da prancha, mantendo os olhos bem abertos.
Sem piada nem ironia: um filmaço!
Hoje vamos voltar a falar de filmes, depois de um intermezzo de meses sem tocar neles. E o filme de hoje chama-se "Encantada", lançado em 2007. É um filme infantil, à primeira vista. Mas é irresistível: nem o mais rabugento dos adultos, de terno, gravata e suspensório, conseguiria não gostar de um filme desses. É bem feito, tem um elenco ótimo, e o principal: personagens absolutamente apaixonantes, coisa que andava rara, nessa era de cinema-tecnologia.
O enredo
O filme é uma mistura de filme com animação que, propositadamente, imita o estilo dos desenhos clássicos da Disney, como "Branca de Neve" e "O Rei Leão". A primeira cena é em desenho animado, e passa-se no reino encantado de Andalasia, onde um lindo príncipe salva uma bela donzela de ser devorada por um ogro. Os dois preparam-se para casar e serem "felizes para sempre", quando uma bruxa má joga a menina num mundo totalmente novo: a realidade. E aí a trama passa a ser filmada, com atores reais, em cenários reais.
Giselle cai numa grande cidade americana dos dias de hoje, e fica perdida. Atrás dela, vêm o príncipe Edward, o gorducho Nathaniel (lacaio da bruxa má), e a própria bruxa, no final. Na realidade, Giselle é abrigada por um sujeito bem sucedido na carreira mas mal resolvido no amor, e sua filha pequena. Daí aparece a namorada do cara, e mais outros personagens, e a coisa toda vai se desenrolando.
Antes, um aviso: eu vou falar mais sobre o enredo, então, quem não assistiu ao filme, por favor pare de ler aqui.
Enfim. Continuando. A historinha em si é infantil, e o filme é muito inocente. Esta é uma produção da Disney, então não é de se esperar mesmo muita violência ou malícia. Mas é bem melhor assim: não temos tanta pirotecnia, sexo e sangue tirando a atenção do que interessa que são...
Os personagens
Eu disse que este filme tinha nos personagens sua força central. E é deles que falaremos agora. Assim como nas obras de Shakespeare, este filme aproveita uma ficção para nos expor às facetas da natureza humana. Sem exagero. Estou falando sério! Pare de rir!
Giselle é uma moça bondosa, inocente e totalmente indefesa frente aos desafios que aparecem. Só que ver ela na tela chega a causar inveja, pelo menos para quem faz parte das últimas três ou quatro gerações, pessoas que aprenderam desde cedo a ser desconfiadas, maliciosas e a habitar uma realidade quase sempre hostil, como nós. Ela vê o mundo pelo seu lado mais colorido, está sempre feliz.
Giselle não é só a personagem principal do filme: ela é a melhor coisa do filme todo. Sua intérprete, por incrível que pareça, não é nenhuma garotinha-estrela de Hollywood: é uma atriz de mais de 30 anos de idade, chamada Amy Adams, e que não é também nenhuma gostosona siliconada. Ela é dona de uma beleza legitimamente peculiar dela, sem exageros, uma figura angelical, perfeita para o papel. E a personagem que interpreta é um amálgama de todos os atributos contidos na "mulher ideal" do imaginário coletivo masculino. Ela é, no fundo, um personagem forte, mas é meiga, e boazinha tudo mais. Não tem como não se apaixonar por ela. Ela fala ao fundo do coração das pessoas de hoje em dia. Afinal, somos uma sociedade de workaholics desiludidos, mas no fundo ainda temos lá, guardados, nossos sonhos da infância.

Robert, o pai solteiro que acolhe Giselle em sua casa, é um cara perfeito para encarnar uma espécie de projeção de boa parte da platéia do filme: ele é atarefado, desesperançado, racional. Inicialmente, acha que Giselle é louca, mas acaba apaixonando-se por ela. Ao contrário do que se poderia esperar do "príncipe encantado" do filme, esse cara é inicialmente muito fraco, não tem coragem de encarar de frente sua própria vida e suas dúvidas. Vai enrolando um namoro há anos, sem decidir casar-se com a moça (que ele na verdade não ama, apenas acostumou-se), mas também não termina o namoro. No final, Robert finalmente deixa de ser cururu e encerra o filme conquistando Giselle.

Morgan é a filha de Robert, uma criança, e a única pessoa do mundo real que não vê Giselle como uma louca desde o começo. Ela é um personagem pouco desenvolvido, e eu a acho pouco realista: hoje em dia, as crianças pequenas não acreditam em Papai Noel nem em contos de fadas, e dificilmente discordariam de seus pais caso eles dissessem que uma mulher vestida de princesa pela rua só pode ser louca. Sério. As crianças hoje compartilham do mesmo universo de símbolos e idéias dos adultos. Tanto que já se fala em "morte da infância" pela crescente "adultização" dos pequenos. O fato é que, no entanto, ela é necessária à trama do jeito que foi concebida.
Edward é o príncipe que inicialmente deveria se casar com Giselle. É o herdeiro do trono de Andalásia, tem um cavalo, uma espada, e encarna o ideal cavalheiresco manjado das histórias de capa-e-espada. É engraçado observá-lo em ação, porque embora a gente, quando criança, ache o máximo ver o herói orgulhoso, bravo, intempestivo e sempre pronto a sacar a espada e sair matando monstros... vê-lo com os olhos de um adulto provoca risos: ele é claramente um sujeito arrogante, megalomaníaco e que parece sofrer de hiperatividade crônica. Sabem o que é mais engraçado? É que, ao contrário de Robert, Edward não amadurece em nada ao longo do filme. Mesmo no final, quando tudo no filme nos levou a perceber que o amor, no modelo "mocinho salva mocinha, eles se beijam, casam e são felizes para sempre" é uma falácia, Edward não se toca: ele mal conhece Nancy no baile, e oferece a ela o sapato perdido por Giselle. Como o sapato serve nela, ele já a pede em casamento e ambos partem para Andalásia.

Falando em Nancy: ela é a namorada do Robert. É uma mulher bem sucedida, independente e claramente mais adulta do que ele. Ela quer casamento, e ele se esquiva. Daí, vamos ao ponto central do que me chamou a atenção nela. Nancy é a personagem que, quando eu vi, logo pensei: "vai deixar as feministas de cabelos em pé". Porque Nancy encarna o ideal feminista da mulher que se sustenta sozinha, sabe o que quer e conduz sua própria vida. Mas seu desejo de casar com Robert, e no final, seu casamento com Edward, dizem o seguinte: a mulher forte e independente criada pela luta feminista ainda, no fundo, sonha poder parar de fingir que é forte, para encontrar um lindo príncipe e viver como num conto de fadas. Uma idéia que é simbolizada pela cena final, já no mundo da fantasia, na qual ela joga seu celular longe (não vai mais precisar trabalhar), e beija o príncipe. Lembrando que o príncipe é aquele herói bobalhão que descrevi agora há pouco.

Narissa, a rainha e bruxa má, madrasta de Edward, não é um personagem muito desenvolvido, mas na verdade sua presença é deliciosa para fãs de desenhos animados: ela é um amálgama das mais inesquecíveis madrastas, bruxas e rainhas más dos desenhos clássicos da Disney. Ela tem duas aparências, uma bonita, e outra de velha, e em ambas, ela é igual à bruxa da "Branca de Neve". Ela adormece Giselle usando uma maçã envenenada, e se transforma em dragão. Narissa é isso: um verdadeiro pastiche de mulheres malévolas de filmes mais antigos. Emociona quem lembra com saudade dos desenhos referenciados. Ainda mais porque a trilha sonora de "Encantada" tem músicas de diversos sucessos do passado, incluindo "A pequena sereia", "A bela e a fera", entre outros.
E para encerrarmos as apresentações, temos o lacaio Nathaniel, um faz-tudo da rainha que, no final, revela o plano malévolo dela e leva Robert a salvar a vida de Giselle. Nathaniel não é rei, não é herói, mas é claramente a pessoa mais consciente das coisas e mais inteligente no filme todo. Aliás, ele e o esquilo que anda atrás dele, e cujo nome esqueci. Confesso a vocês que, mesmo sendo do time dos malvados por quase todo o filme, eu torcia para Nathaniel desde o primeiro minuto. E é legal que, no final, ele não morreu, nem ficou como um lacaio na corte de Andalásia e nem como um empregado sob as ordens de Robert e Giselle: ele vira autor de livros, aparentemente de auto-ajuda. O que é uma piadinha embutida na história: como ele conhece o mundo dos contos de fada, ele escreve bem auto-ajuda. Gente com os pés só na realidade não consegue viajar na maionese tanto assim.
Tecnincamente...
... este filme, "Encantada", é uma produção da Disney, então não poderia mesmo ser tosco. Os personagens gerados por computador são convincentes, os efeitos são bons, as músicas são épicas, e (acho que deliberadamente) a fotografia é, na maior parte do tempo, vividamente colorida. Não sei o que os críticos disseram dessa obra, e nem estou interessado, mas eu vou dizer uma coisa: é um filme que ninguém deveria deixar de assistir, pelo menos uma vez na vida, ao lado dos filhos se possível.
Eu estou planejando há horas "brincar" de copiar o estilo de outros colunistas da cidade. Hoje, uma mistura de cerveja com champagne me deu a coragem necessária. Perdoem os erros de português: amanhã, sóbrio, eu corrijo.
Viamão talvez seja a cidade que mais tem jornal por metro quadrado no RS. Hoje resolvi exercitar a arte de escrever estilo Virgínia de Azevedo um pouco.
Estava à toa na vila, e a vila naquele agito de sempre. Ligo o rádio e eis que lá está o velho Ninísio, falando para si mesmo e para mim. E para a dona deste estilo de escrita, e para alguns malucos mais pela cidade. Inclusive uns que juram que não ouvem nada.
Arrudão no ar, nem parece que sabe das coisas. Desconversa. Escreve como quem vai dizer alguma opinião mas vai só nas insinuações, nas perguntas perdidas. Joga verde para colher maduro. Ou para deixar as pessoas pensando que sabe de alguma coisa. Quem sabe se não sabe? Parece até que tem medo. De que? Só Deus sabe. Se é que Deus existe. Outra pergunta polêmica. O padre garante que sim, o esquisitão do blog garante que não.
Falando na turma do rádio, outro dia uma blogueira louca falava de um lá, que rompeu a bolsa do xixi em pleno ar e fez o pessoal almoçar pizza com cheiro de urina no estúdio. Coisa feia, dona Vivi. Exagerou. Riu de velho babão, de político sem voto e de candidato de si mesmo, tudo bem... nada contra dar umas gargalhadas de alguma nojeira: não é culpa sua se limpam a bunda na pia da Secretaria. Mas rir de doença alheia é golpe baixo. Te cuida que amanhã pode ser tu rodando por aí a detestada bolsinha... de xixi. Outro dia mesmo era o ex-intendente nessa moda. Paciente do SUS, ele. Amanhã pode ser até o leitor. Ninguém está livre.
Falar na intendência tem tanta gente que quer ela... um pior que outro. Tem o carequinha um, aquele que nunca se meteu com nada. Tem o carequinha dois, que até agora só soltou foguete. Os dois são bem limpinhos. Pena que andam cercados de porquinhos. Tem o maluquinho bem intencionado, pena que o partido cabe num fusquinha. Tem aquele com rolo no fórum e que chamou os colegas de inúteis. Tem o gordinho de bigode, que todo mundo aposta que vai abrir fora. Nesse furdunço, uma ironia: o que tem mais chance nessa parada ainda é justamente o que ninguém conhece: o homem invisível.
E na Câmara, onde tem de tudo? Tem uns Armando uma, e tem outros que não entendem Nadin de nada. Tem Papai Noel, tem meninas, tem meninos. Tem russo e tem aquele que quer meter o Dedo em tudo. Tem Tio Sukita namorando a secretária Barbie. Mulher bonita é assim: arruma namorado e cargo de uma vez só. E dizem que tem até menino que é menininha. Menino que gosta de menino. Eu nunca vi. mas dizem. Quem vai duvidar? Dali já se viu de tudo. Um tempo atrás tinha um que achava que plenário era McDonalds. Comia um xis antes e outro depois de discursar. Como não morre? Ora. Quem tá ali é porque é muito vivo.
Mais ou menos alheio a tudo isso, Corrêa-Louco em sua sabedoria Trubinal segue imprimindo suas obras-primas opinativas incrustadas em papel pra embrulhar ovo. De maluco esse louco não tem nada. Ou tem. Larga suas colunadas pérolas no meio de um lixaredo internético de doer. Mas vai se dizer o quê? O papel é dele, ele imprime o que quiser. Ninguém é obrigado a ler. E de fato quase ninguém lê mesmo.
Povo é povo. Jornal sem bunda não é jornal pra povo. Ponto. Povo que é povo, ainda mais povo de vila, não tem memória. Não adianta o jornal ter cem anos: se a coisa tem gosto de refri sem gás, ninguém toma. E isso que tem coisa na cidade que é antiga, é bonita, mas perde terreno para muita novidade. Povo gosta de barulho. Povo gosta do que é espalhafatoso.
Na imprensa local nem todo mundo é bobo. Tem aquela turma que sabe das coisas. Montou site, botou vídeo, tem jornal. Pegou até o truque do sucesso daquele antigo jornal que era tri bom: botar uma gostosa de bunda para cima em cada edição. Tão no caminho certo. Igual ao pasquim das sextas, que agora pega até anúncio do governo. O intendente paga para apanhar. Leva o tiro, abraça a o pistoleiro e dá risada. Vai entender.
Tem gente nessa nossa imprensa que não é boba, mas acha que a gente é. Sai quase todo dia para a rua contando notícia dos vizinhos mas não fala nada do que acontece dentro da própria casa. Se a gente critica, se irrita. Considera-se a bolacha mais recheada do pacote. E ainda apresenta pesquisa para comprovar que é o melhor.Pena que ninguém acredita.
Falar em pesquisa, tem a granel e a la carte.Quem quer aparecer na frente, basta encomendar a sua. A julgar por elas, todo mundo é líder e todo mundo vai ganhar a corrida ano que vem. Sete prefeitos, por quê não? Já que o povo vai entrar pelo cano mesmo, e o cofre é gordo, dá pra todos. Pra quê brigar?
... ela dificilmente seria permitida para menores de 18 anos. Os mesmos cristãos que condenam videogames violentos e pornografia, expõem seus filhos a um dos livros mais sexualmente explícitos e sanguinolentos já escritos pela humanidade.
Tradução meia-boca da etiqueta:
AVISO DE CONTEÚDO: contém versos descrevendo ou defendendo suicídio, incesto, bestialidade, sadomasoquismo, atividades sexuais em contextos violentos, assassinatos, violência mórbida, uso de drogas ou álcool, homossexualidade, voyeurismo, vingança, corrupção de autoridades, desregramento, violação de direitos humanos e atrocidades.
EXPOSIÇÃO: a exposição ao conteúdo por períodos extensos ou durante os anos de formação de uma criança pode causar delírios, alucinações, capacidade de compreensão e raciocínio prejudicada e, em casos extremos, distúrbios patológicos, ódio, fanatismo e violência, incluindo fanatismo, assassinato e genocídio.



Flanelinha não é profissão, não é trabalho, não é categoria: é um sujeito, na falta de opção, tomando um espaço público como se fosse seu, e cobrando pelo seu uso por quem realmente é dono: o cidadão pagador de impostos.
Há alguns dias apareceu, na imprensa local, um conhecido guardador de carro (popularmente, um "flanelinha") cobrando do prefeito Alex a regularização da categoria, já questa foi uma promessa de sua campanha de 2008. Aí, eu paro e penso: regularizar os FLANELINHAS?
Eu não sei por qual linha estapfúrdia de pensamento alguém pode considerar NORMAL regularizar um "trabalho" desses! A gente já vê esses caras por aí, exigindo dinheiro dos motoristas, há tanto tempo que, no fim das contas, começa a achar natural sua presença.
Mas se pararmos para pensar, é um absurdo: são pessoas que, sem direito algum, PRIVATIZAM trechos de ruas. Sim, porque se uma pessoa estaciona seu carro na rua em frente à minha casa, eu não tenho o direito de cobrar nada. Mas se eu abrir o portão para o sujeito estacionar no meu quintal, daí posso cobrar um aluguel, seja por hora, dia, turno, daquele espaço. Porque o espaço É MEU. Se o flanelinha cobra para que a gente use a rua, então, ele indiretamente considera que a RUA É DELE. O que não faz o menor sentido!
Quando eu estaciono na RUA, eu não tenho que PAGAR NADA, porque a rua é PÚBLICA. Há quem argumente que o flanelinha "faz a segurança" dos carros estacionados. Outro absurdo, pois já pagamos PESADOS impostos para a POLÍCIA garantir a segurança dos nossos bens.
Se o Estado não tem como garantir esta segurança, isso é um problema de MÁ ADMINISTRAÇÃO. Troque-se o administrador!
Além disso, de que adiantaria regularizar os flanelinhas? Se eu deixo meu carro com um deles, e alguém arranha meu carro, de quem eu cobro? Da Prefeitura? Sim, porque um flanelinha dificilmente teria como pagar o conserto do meu carro. E se me roubam o carro? Eu processo quem? O flanelinha, que não tem um gato para puxar pelo rabo?
Sabem o é, na verdade, essa idéia de regularizar flanelinha? É politicagem, pura e simples.
Flanelinha não é profissão. É o miserável privatizando aquilo que é público. É como bandido cobrando pedágio para o cidadão andar na rua. É achaque. É extorsão.
Acho que descobri alguns parentes do pré-candidato do PP à prefeitura...
E quando o Nadim se veste de Mario Bros, quem é que veste a fantasia de Bowser? o Atidor?